Episódios de CorajosaMente Podcast

Alma Gêmea: Existe mesmo alguém feito pra você? E148

06 de maio de 202646min
0:00 / 46:16

Nesse episódio do CorajosaMente, mergulhamos fundo numa das perguntas mais antigas da humanidade: será que existe alguém feito sob medida para a gente? Exploramos a origem do conceito de alma gêmea, de Platão, passando pelo rei Arthur e Romeu e Julieta, até o que a ciência, a matemática e a psicologia têm a dizer sobre compatibilidade, projeção e relacionamentos reais. Falamos sobre por que nos sentimos incompletos, como a solidão das grandes cidades alimentou esse mito e o que os casais que envelhecem juntos têm em comum.

Também discutimos os padrões que repetimos nos relacionamentos, o papel da terapia nesse processo, e analisamos o filme 500 Dias com Ela como um espelho poderoso das projeções que fazemos no outro. No final, chegamos a uma resposta, não a que a gente espera, mas talvez a que a gente precisa ouvir. Se você já se perguntou se está esperando pela pessoa certa ou perdendo tempo com a errada, esse episódio é pra você.

Episódios Relacionados

Sair da defensiva e se abrir para relações verdadeiras E136

Você merece afeto, você merece amor, você merece muito isso tudo! #069

Amores imperfeitos e como os relacionamentos são complicados #080

Livre arbítrio, temos realmente escolhas na vida? E105

Capitulos

00:00:00 - Introdução: Existe a tampa para a sua panela?

00:01:16 - De onde vem a ideia de alma gêmea?

00:03:03 - Rei Arthur, Romeu e Julieta e o amor inacessível

00:05:20 - O amor como completude: além do sexo

00:06:30 - Solidão nas grandes cidades e a busca por pertencimento

00:09:00 - O que a matemática diz sobre compatibilidade

00:11:30 - Psicologia: o que é realmente sentir que "encontrou" alguém

00:14:00 - O mito do "para sempre" e a pressão sobre os relacionamentos

00:17:00 - Quando o relacionamento enfrenta a realidade do dia a dia

00:20:00 - Casais que envelhecem juntos abandonaram a alma gêmea?

00:24:00 - A ilusão da perfeição e o cheiro de humanidade do outro

00:27:00 - Padrões herdados: repetindo o que aprendemos na infância

00:30:00 - Atraídos pelo oposto — e o que isso diz sobre nós

00:33:00 - Quando viramos o que odiávamos no outro

00:36:00 - Responsabilidade afetiva e a importância da terapia

00:39:00 - Análise de 500 Dias com Ela: projeção e expectativa

00:42:00 - O outro não é vilão: aprendendo com o ponto de vista alheio

00:44:30 - Conclusão: Você não é o centro do universo (e tá tudo bem)

00:46:00 - Encerramento e chamada para a comunidade

Contatos

Instagram

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@corajosamentepodcast⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@brunodemauro⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@quintaldacinthia⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

YouTube⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@corajosamente⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠@cortescorajosamente⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Bruno de Mauro⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Cinthia Cruz⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Photo FloatFlower Huang

Assuntos9
  • Produção e Roteiro do FilmeProjeção e expectativa no relacionamento · A diferença entre a pessoa idealizada e a pessoa real · A Summer como uma pessoa real, não um ideal · O filme como uma história de crescimento pessoal
  • Propósito de Alma e Jornada EspiritualA dúvida sobre o relacionamento atual versus a busca pela pessoa perfeita · A crença em alma gêmea gera sofrimento, ansiedade e angústia · A ideia de que o relacionamento virá pronto
  • Teoria tripartida da almaA ideia de Platão sobre seres completos e a separação por Zeus · Amor inacessível na era medieval: Rei Arthur, Guinevere e Lancelot · Shakespeare e a dificuldade em encontrar a pessoa perfeita · Amor como completude, não focado no sexo
  • Imaterialidade da AlmaA sensação de insuficiência como algo humano · A ilusão de completude através da alma gêmea
  • A ciência das almas gêmeasSolidão nas grandes cidades após a revolução industrial · Mudança no contexto social e a necessidade de companhia · Diferenças entre a vida em vilas e a vida em cidades
  • Vínculo e Relacionamento SaudávelO conceito de 'para sempre' nos relacionamentos · Casais que envelhecem juntos e a ideia de anulação · Relacionamentos duradouros como um investimento mútuo
  • Decepções e RelacionamentosAprender a lidar com o que é incompatível · A importância da conversa e da construção do relacionamento · Ser uma pessoa legal para se relacionar · Abandonar a ideia de alma gêmea para construir relações
  • Matematica e Biologia da CompatibilidadeExperimentos matemáticos sobre compatibilidade entre pares · Alterações hormonais e a percepção do parceiro · Variações hormonais em homens após os 40 anos
  • Impacto da Rigidez Mental nos RelacionamentosDúvida sobre a pessoa certa e a desistência de encontros · A busca pela 'primeira opção' e a exclusão de outras possibilidades · O relacionamento como um catálogo em aplicativos · A inexistência da pessoa '10 de 10'
Transcrição124 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, corajosos e corajosas, eu sou a Cíntia, esse é o Bruno De Mauro e estamos aqui para falar sobre almas gêmeas. Será que realmente existe alguém que foi feito sob medida para você? Cíntia Cruz, que coisa maravilhosa, esse é um tema em que flutua na minha vida e eu acho que eu sempre mudo de um lado para o outro, que é um lado que é pensar, existe a tampa para a minha panela?

Essa pessoa existe no mundo e eu sou a tampa desta panela que está por aí. E o lado de que é, não tem tampa e panela nenhuma, todo mundo é frigideira.

Existem os dois extremos em que eu flutuo entre os dois. E este episódio cobrirá os dois e cobrirá mais. Porque o que o corajosamente não é, se não a corajosa mente que é cobrir e falar, o que a gente não concorda também. Mas deveremos trazer aqui os pontos importantes. Fizemos pesquisa. Então, tem informação tirada de nosso bumbum gostoso. Mas tem informação tirada. Mas também ciência. Ciência.

tem bumbum e tem ciência esse é o episódio de hoje para uma vida feliz

Ai, vamos lá, minha gente. Seguinte, vocês já pararam pra pensar de onde saiu essa história de alma gêmea? De onde que vem isso, né? Porque a gente vê isso no cinema, vê isso em livros. Essa sensação de que, nossa, tem alguém aí que é perfeito pra mim e tal. E aí, quem começou com esse rolê? O Platão, né? Sempre. Ai, Platão, tão louquito, né? Tão... Tchau, tchau.

A ideia do Platão era qual? Que a gente, que nós fomos formados como seres completos e com quatro braços, quatro pernas, dois rostos, duas cabeças e tal, e que a gente se bastava aí nesse rolê. Mas Zeus olhou e falou, hum, perfeitos demais, isso me incomoda, vocês sabem que Zeus tinha essa coisa meio vaidosa, né?

E aí ele separou todo mundo e jogou a gente no mundo ali com a nossa metade separadinha da gente. E que então cabia as pessoas irem atrás aí da sua metade que foi cortada de você. Ai, Platão. Invejinha, né? Invejinha porque só ele podia pegar todo mundo e não queria que ninguém se divertisse, basicamente.

Que, ah, vocês são perfeitos. Mas, assim, lembrando que éramos o mesmo corpo, né? Então, você achar a sua metade lá na visão platônica é você achar, tipo, a pessoa exatamente igual a você ali, né? E tal, enfim.

E aí, isso vai continuar depois na história, principalmente ali na era medieval e tal, quando a ideia de Camelot, a távola redonda vem, a gente tem nessa história do rei Arthur, a Guinevere e o Lancelot, né? Porque a Guinevere era casada com o rei Arthur e o rei Arthur tinha como melhor amigo o Lancelot.

que na minha cabeça era gato, entende? Eu tenho uma fantasia aqui sobre o Lancelot. E aí, o que acontece? O Lancelot se apaixona pela Gwyneth e a Gwyneth pelo Lancelot, mas não dava, né? Porque ela era casada com o Arthur e o Arthur melhor amigo do Lancelot, então fica essa coisa assim, nossa, é minha alma gêmea, mas a gente tá impedido de ficar junto e não sei o quê. Então, começa-se a criar essa...

Essa magia em torno desses amores, né, assim, românticos e inacessíveis e tal. E aí depois vem o Shakespeare lá com o Romeo e Julieta, e sempre com essa dificuldade aí de você achar a pessoa perfeita, mas não poder ficar com ela e tá, tá, tá, tá, tá, tá. Ok, história segue aí, só que numa época, galera...

Um ponto também eu acho interessante, não sei se ia trazer, mas esse do passado também, quando a gente fala do Platão e esse começo na Europa, né? Era uma coisa que eu achei super interessante, que era esse amor da alma gêmea, do virar uma pessoa só, que também não era tão direcionado ao sexo, né? Era um amor, amor em si. O amor pelo ato de amar. O amar o outro e o outro completa você.

O sexo envolvendo, mas o sexo não era coisa assim, era assim, a alma gêmea. O centro, né? É, o sexo não era o centro, a sexualidade, né? Era a alma gêmea, é isso mesmo, das duas pessoas virarem uma pessoa que se completavam em si, não uma visão total do ser humano, né?

Porque eu, quando penso em alma gêmea, penso em namoro, casamento e vem essa parte sexual junto. Pelo menos é o que vem na minha cabeça, né? Mas eu achei muito boa essa separação que existia no começo, de como vem de uma história de um local e como evolui pra outro. Não que o sexo não acontecesse no passado, né? Porque sempre aconteceu graças a tudo. Então, enfim, continua. Graças a Zeus que comeu meio mudo.

Mas olha que legal, né? A gente, a nossa sensação de incontitude, de seres faltantes, ela é tão primária, desde sempre e tal, que cada era, cada momento da história, a gente vai dar uma resposta pra isso.

E a ideia da alma gêmea, na minha leitura, ela é um jeito de você dar uma... Tranquilizar essa sensação de insuficiência que a gente tem enquanto seres humanos, né? Hoje a gente entende que se sentir insuficiente é algo do ser humano, faz parte. E aí quando eu viro pra você e falo, não, mas...

Você está se sentindo insuficiente porque tem... A sua suficiência está solta por aí. Se você achar, acabou. Você vai se sentir completo. E aí cria-se também essa ilusão de que em algum momento você vai ter essa completude, essa sensação de ser completo, que não é verdade.

E aí, outro dado histórico que eu acho importante a gente considerar, que é, nessa época, Platão, quando a fábula, a história do rei Arthur foi criada e tal, as pessoas viviam numa comunidade, viviam em vilas, interagiam muito. Então, elas tinham uma sensação de grupo muito maior.

Com a revolução industrial e com a saída das pessoas, né? Saindo das aldeias, indo para as cidades, a sensação de solidão, ela ficou muito maior. De você estar sozinho no mundo, de você ali na sua casinha minúscula, naquele trabalho exaustivo e tal. Então, ali reforça ainda mais essa necessidade, essa ideia de que eu preciso ter alguém. E aí, quando você casa...

O impacto de um casamento, de um relacionamento nesse contexto é muito diferente de lá atrás, quando você estava na vila. Porque lá na vila, antes de você casar, você morava numa casa com um monte de irmãos, você interagia com essa vila toda. Quando você vai pra cidade, você tá sozinho numa casa, muitas vezes você não tem contato com as pessoas da sua família, por morar longe, sei lá o quê. Então, casar é ter alguém com você, é poder ter uma pessoa que vai estar ali sempre presente.

Então também muda um pouco esse, sei lá, esse contexto social que a gente tem, essa sensação de estar tão sozinho.

E de pensar que até as piadas fazem, ou os ditos populares fazem sentido, né? Por exemplo, São Paulo é uma cidade, não lembro a frase, mas São Paulo não tem amor e quando você pensa em cidades... Não, existe amor em SP. Exato, essa era a frase, obrigado. Mas quando a gente olha para a Ásia também, as cidades com milhões de pessoas, uma cidade pequena tem 10 milhões de habitantes e como existe uma quantidade maior de pessoas solitárias que se sentem sozinhas e solidão e tudo mais, claro, existe o fator cultural, tudo isso é muito importante,

mas como a colocação dentro da própria cultura na parte da cidade ali, né? Por exemplo, uma cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo, fofoca de todo mundo, sabe de todo mundo. É por isso que as relações são mais reais, né? Você sabe o nome das pessoas, você sabe a família da pessoa.

onde no meu prédio aqui, que tem, sei lá, trocentos apartamentos, eu conheço três vizinhos. E só porque estão no meu andar e a gente pega o elevador junto nos horários. E fala oi. É isso. Esse é o conhecer, né? Exato. E antes da gente entrar, eu acho que na lógica da psicologia, queria trazer os dados lá da biologia e da matemática da nossa pesquisa, né? Porque...

A matemática tentou não comprovar a ideia de alma gêmea, mas comprovar a ideia de compatibilidade entre pares, ver se isso é possível. E nos experimentos que eles fizeram, que eles levaram em consideração estudantes, trabalhadores, consultores, enfim...

times de algum tipo de esporte e tal, eles foram vendo que existia muitas vezes uma compatibilidade de cara entre os pares, mas que depois, quando esses pares eram separados, ainda assim existiam outras possibilidades de duplas para além dessa compatibilidade de cara, assim, né, inicial ali, de primeira. Então, nesse esquema matemático, eles comprovaram que é possível você ter mais do que um

parceiro mega compatível. Então, esse é o dado matemático lá. Na biologia, eles foram avaliando as alterações hormonais das mulheres, principalmente as que tomavam anticoncepcionais, né, que mexem com os nossos padrões hormonais, e fazendo um paralelo de como elas se sentiam em relação aos parceiros, quando elas estavam tomando a medicação, quando elas não estavam.

E o resultado foi que os hormônios alterados também alteravam a percepção em relação ao parceiro. Ou seja, a sua alma gêmea, ela também depende de como estão seus hormônios, de como está seu corpo. Então, assim, nossa, é o homem da minha vida, amo loucamente. Alterou o hormônio, quero que ele morra, foda-se, odeio e tal, enfim. Então, esses são os dados que a gente tem aí fora da psicologia, né? Quer trazer mais alguma coisa? Quer essa risadinha?

Essa parte do hormônio eu achei maravilhosa quando estava lendo sobre, principalmente nessa coisa, troca de anticoncepcional, períodos diferentes da vida e como tudo isso afeta a nossa percepção no parceiro e na parceira. Nossa, que maravilhoso. Lembrando também que homens também tem variação hormonal. Homens, um aviso. Depois dos 40, diminui os hormônios. Tem que ir no médico, tem que ver, fazer análise também.

A gente não aprende isso, mas temos também essas variações hormonais que acontecem e precisamos ficar de olho, porque muitas coisas podem acontecer ao longo do tempo com essa diminuição se a gente não fizer acompanhamento correto. Então, se você já está perto dos 40 ou já passou dos 40 e não foi no médico ainda, por favor, vá, pesquise. E se o médico falar que não tem nada, sem fazer nenhum exame, busque outro médico, porque tem.

Vai olhar. E aí, o que a gente percebe aqui no atendimento clínico, enfim. Existe sim, eu recebo muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, que têm essa sensação, né? Esse fundo aí de que existe a alma gêmea. E quando elas estão num relacionamento legal, sempre tem um, putz, mas será que essa é a pessoa da minha vida?

Mas será que... E se tiver alguém mais perfeito do que essa pessoa e eu tô aqui perdendo tempo com essa pessoa? E essa lógica vem desse lugar de alma gêmea. De, nossa, tem alguém aí no mundo que é o meu par perfeito e talvez eu esteja perdendo tempo aqui, enfim. Então, eu sinto aqui com os meus pacientes que acreditar que existe uma alma gêmea gera muito mais sofrimento, ansiedade e angústia nas pessoas.

E aí eu quero saber, Bruno, teve algum momento da sua vida que você acreditou em alma gêmea? Que você ficou esperando chegar à pessoa perfeita? Claro, óbvio. Acho que o maior exemplo é obrigado Disney por todos nós compartilharmos essa alma gêmea. Inclusive todos nós não, porque temos uma pesquisa aqui que entrevistou 15 mil adultos e 60% dos homens...

acreditam, então se você é um homem e acredita, você não está sozinho, 60% acredita, e das mulheres 64% acreditam em alma gêmea exato, e eu vejo que quando eu crescia, o que vinha na minha mente era ficar mais velho era arrumar alguém pra casar, ter filho e trabalho, essas eram as coisas e esse do casar que a gente dorme, que a gente dorme

Era essa sensação de que o casamento era com aquela pessoa ali, sabe? Você resolveu, fez um cheque. Porque você casou e o casamento já vinha ao implícito testar uma gêmea, que é a pessoa que vai ser para sempre. E eu lembro que o para sempre que foi o que sempre ficava na minha mente, assim, sabe? Eu acho que foi o pensar uma relação para sempre. Mas o que é para sempre? De onde vem esse para sempre?

E eu lembro de começar a pesquisar e observar e ver mais. E o que eu vejo de pra sempre? Existem, sim, relacionamentos que vão ficar por muito tempo e talvez pra sempre. E o que eu mais vejo no passado, que nós temos de exemplo, que as pessoas acham sempre maravilhosa, né? Que é o casal de velhinho que estão junto pra sempre. E o que eu mais sinto é que um desses dois teve que se silenciar pra ter esse pra sempre. Porque uma das pessoas, ele teve que ser no lar.

Uma das pessoas ali teve que se anular e se silenciar para que essa relação existisse. Não todas, né? Mas no passado é o que eu mais sinto que isso foi. Porque era uma pessoa fala e é teimosa e dá mais opinião e a outra pessoa fala menos. O que eu mais vejo de exemplo, esse eu não olhei em dados, mas o que eu, meus próprios pesquisas da vida, que são casais mais velhos que eu conheço que estão juntos há muito tempo, é a mulher se silencia e o homem tem a voz mais ativa na relação.

E é o mais teimoso e geralmente o mais pé no saco também. Mas isso de pessoas mais velhas. Eu acho que a nossa geração e a geração mais nova entra num outro local onde...

A gente entende que relações duradouras existem, mas é um investimento. É um investimento das duas pessoas. Porque até quando a gente olha nessa coisa da alma gêmea, quem acredita mais em alma gêmea tem mais a tendência de que quando o relacionamento não está bom, já começar a ficar pensando de que ah, essa pessoa não é minha alma gêmea, porque a minha alma gêmea não me faria ficar sentindo assim. Minha alma gêmea não faria essa mancada.

Junto com a ideia de alma gêmea, vem essa ideia de que tudo vai vir pronto. Eu acho que esse é o pior, é o principal problema de acreditar em alma gêmea. Porque se você acredita que existe alguém totalmente perfeito pra você e tal, quer dizer que vocês não vão enfrentar grandes dificuldades, não vão ter incompatibilidades. Então...

Comecei a relação, tá tudo... E todo mundo sabe, período de apaixonamento lá, os primeiros meses, você não tá vendo a pessoa de verdade, você tá iludido pela sua projeção, enfim. Então, tá tudo lindo e perfeito. Depois, quando vocês realmente vão conhecer um ao outro...

Aí a máscara da alma gêmea cai, porque não tá pronto, a pessoa naturalmente não me entende, naturalmente não percebe o que eu preciso e como assim e tal. Então, isso é uma coisa que eu vejo aqui na clínica, né? Eu gostei muito da pesquisa porque...

reflete muito a realidade que a gente tem aqui. Os pacientes que eu tenho que acreditam em alma gêmea sofrem muito mais porque quando eles se deparam com a realidade que não tá pronta, não tá fácil, não caiu de presente no colo, eles entendem que precisa trabalhar essa relação, ela precisa de energia, aí será que a pessoa, talvez não seja a pessoa.

Tem um... Eu vou trazer uma frase do filme que vai ser a minha recomendação e que a gente vai falar sobre ele aqui também, do que é 500 dias com ela. Tem uma cena que eles estão entrevistando um... Tem um homem assim falando, né? Tá o homem sentado falando direto pra cama e ele fala, ah, a minha pessoa perfeita é a que vai acordar cedo ou que vai fazer isso. Ele faz uma lista, sabe? Eu não lembro de tudo. Mas sei lá, ele fala 10 coisas.

Minha pessoa perfeita tem essas 10 coisas. Daí ele fala, mas aí tem a Júlia. E a Júlia é real.

A Júlia é a namorada dele, né? E aí, tipo, o jeito que ele tá dizendo é justamente a pessoa perfeita na cabeça dele tem todas essas coisas aqui. A pessoa dos sonhos, né? A pessoa da ilusão. É, a alma gêmea dele tem tudo isso. Que é a projeção e a perfeição que existe nesse local mágico.

E o spoiler é essa pessoa não existe em lugar nenhum, porque ela só existe dentro da sua própria cabeça. Ou seja, não existe. Porque nem o que a gente pensa sobre a gente é real. Mas enfim. E aí, o jeito que o filme coloca é tão bonito que ele fala, mas aí tem a Júlia. E a Júlia é de verdade. A Júlia é real. A Júlia tá aqui. A Júlia cuida de mim quando eu fico doente. Eu cuido da Júlia quando ela fica doente.

A Júlia não é uma projeção, não é um sonho, não é um sonho, né? A imaginação, ela é real. E eu acho que o filme coloca tão bonito dessa forma que eu, tipo, essa é uma simplificação que não é simples de simplificar, porque a realidade é a realidade. E a realidade é a pessoa vai fazer mancada, vai falar alguma coisa que te ofende, vai cagar fedido, vai esquecer de fazer tal coisa.

Ela vai falhar com você. E não quer dizer que ela é uma pessoa ruim. A não ser que fale todos os dias, né? Se ela falhar todos os dias, aí talvez tem que fazer uma outra coisa. Ela só é a falha? Ela é a falha? Aí, né, amores?

E tem uma pesquisa que eles fizeram com casais idosos pra avaliar essa coisa da... Por quê, né? Como ficar tanto tempo juntos e tal. E eu acho que tem isso que você levantou, né? Muitas vezes a gente olha com romantismo pro casal que tá há 60 anos juntos, 50 anos juntos e ai, que gracinha, não sei o quê. Sem se dar conta que existe um contexto social que se impõe.

perante esse casal, então muitas vezes alguém abriu mão de ser quem era, se silenciou muito pra estar ali e tal, mas tem os casais que estão felizes no final da vida ali, com 80, 90 anos, e a pesquisa ela olhou pra esses casais que estavam felizes e pros casais que não estavam felizes estando há muito tempo juntos.

E os dados levantados não é, nossa, ele é uma gêmea, eu sabia desde o começo, por isso que a gente é feliz até hoje. Eles estão felizes até hoje porque eles aprenderam a lidar com o que era incompatível, aprenderam a conversar. Então, eles olharam para quem eles eram nessa relação.

E se eles também eram pessoas legais pra se relacionarem. Eles não estavam ali só projetando e querendo saber o que o outro tinha, como que o outro ia ajudar na relação. Não, é tipo, eu sou uma pessoa legal de se relacionar? Que é um pouco do que a gente falou no... Foi no episódio passado que a gente falou sobre...

Pensar se a gente é uma pessoa confiável, né? Se a gente é um amigo legal e tal. A mesma coisa nos relacionamentos. Então, me parece ali pelos dados da pesquisa que esses casais velhinhos felizes, eles abandonaram a ideia de alma gêmea lá atrás, assim.

E foram entendendo que essa relação teria que ser construída, conversada, explicada. Quando isso vai se desenvolvendo, eles vão ficando mais felizes e mais satisfeitos na velhice.

Até fazendo uma mistura do que a gente já disse aqui, uma coisa também que eu sinto que é, quando a gente... Existe uma paralisia nessa pesquisa, no procurar, na gente tentar encontrar. Porque eu sinto que é, quando a gente está procurando alguém, quando a gente vem com a crença da alma gêmea, a gente vai encontrar essa pessoa, e o que você disse no começo, a gente tem dúvida se essa pessoa é a pessoa certa ou não.

E quando a gente encontra alguém, passou esses seis meses, que passou apaixonamento, e aí você fica na dúvida, será que essa pessoa é certa para mim? Essa é a coisa mais natural do mundo, porque a gente vai se perguntar sobre tudo. O nosso cérebro vai pensar em coisas. E eu acho que o que a gente acredita nesse da pessoa certa, a gente ter tanta certeza que a pessoa certa existe.

Que quando a gente começa a sair com alguém e a gente tem dúvida se essa pessoa é certa para mim, acontece essa paralisia. Que a pessoa desiste. Eu tenho amigos que desistiram de sair em encontros e tudo mais porque não conseguem achar essa sensação de que a pessoa está certa para a pessoa. De que, será que... Não é nem se está certa, é a resposta. Eu quero estar com essa pessoa por um período longo.

E eu acho que essa pergunta vem justamente desse local da alma gêmea, que é, eu encontro alguém, esse alguém não preenche todas as expectativas que eu tenho, ou tudo que eu espero, e aí por causa disso ela não é a pessoa certa, e aí eu vou e volto a estacar um, que é procurar a próxima pessoa. Mas esse sentimento nunca vem. Porque às vezes ele vem, mas ele vem com alguém que não está disposto porque não quer ficar com você, porque a pessoa não te quer.

Mas aí talvez você fique preso porque aí você não avançou para a próxima fase, que é você conviver com aquela pessoa e aí descobrir que essa pessoa vai falhar e não é perfeita, porque ela não é perfeita para você, porque ela não vai estar dormindo lá igual a mulher lá da Disney, drogada e você vai beijar ela drogada e enfim. A Bela Adormecida, Branca de Neve, que inteira. A Bela Adormecida, exato.

E essa parte dos casais mais velhos também é um ponto, tem um site de relacionamento que eu não lembro agora, mas a gente pode pôr na descrição, que ele fez uma pesquisa com essa parte do escolher o relacionamento certo e quem é essa pessoa.

E uma coisa que eles descobriram foi as pessoas que procuram, que tem sempre, vamos dizer assim, você tem 3 ou 4 opções de pessoas que você namoraria. As pessoas que só querem a primeira opção, geralmente são as pessoas que não ficam com ninguém. Porque elas só querem namorar a primeira opção delas.

E, geralmente, a primeira opção, se você pensar assim, tem 100 pessoas, você vai escolher, divide essas 100 pessoas em grupos de 10, e aí você vai escolher uma pessoa só. Então, você só vai poder sair com 10 pessoas. Se você expande essa para um top 3, você tem mais chance de sair com mais gente, o que te possibilita que você tenha mais chance de encontrar alguém que vai dar certo.

Então, a nossa exigência de só querer sair com a pessoa mais perfeita, ou com a melhor, ou só com a primeira opção, vem de um local primeiro que é, como a gente pensa em relacionamento hoje, por aplicativos, que é um catálogo, né, que também comercializou o relacionamento, se você pensar que você só quer sair com pessoas 10 de 10, né, acho que o homem tem essa classificação, que é pessoa 10 de 10, é beleza, é inteligência, é sucesso e tudo mais.

Vai te impedir de encontrar as outras pessoas que não são 10 com 10. Por quê? Elas podem ser 10 em beleza, mas são 3 em sucesso. Ou pode ser 10 em sucesso, mas são 3 em beleza. E essa mistura que é a realidade. Porque a pessoa 10 em 10 de tudo não existe. Essa pessoa é praticamente inexistente. Se ela diz que existe, ela está mentindo, porque não é possível. Todo mundo caga fedido, por exemplo. É uma coisa que acontece.

Então, estar disponível a mais pessoas possibilita que a gente tenha mais chances de encontrar pessoas disponíveis. Porque a alma gêmea, o que não é nada mais do que dando um spoiler aqui, que é encontrar uma pessoa que está disponível a estar disposta a estar do seu lado. E você tem que ser uma pessoa que está disposta a estar do lado da outra pessoa. E entender o que não dá certo entre vocês dois, ou vocês três, ou vocês quatro, que relações também podem ser com mais pessoas.

E como que vai fazer dar certo? E como que isso vai acontecer? Porque, nossa, eu lembro de relações, desse pensamento. Nossa, essa pessoa faz esse negócio que me dá uma raiva. E é tipo, é, mas essa raiva vem de mim. Não vem da outra pessoa. A pessoa não tá fazendo aquilo porque ela é cozona. Ela tá fazendo aquilo porque é uma coisa normal na vida dela. E esse ranço, essa raiva vem de mim. E é como que eu vou trabalhar essa raiva e esse ranço em mim. E, enfim, falei bastante, vou ficar quieto agora.

Não. Muitas das pesquisas que a gente foi levantando pra fazer o episódio, elas falam sobre ser muito mais sobre compatibilidade do que sobre destino. Porque a ideia também da Alma Gêmea é acreditar que essa pessoa foi destinada a você. É um golpe do destino, por sorte e tal, e aí eu conheci a pessoa e não sei o quê. E não.

A gente considera a compatibilidade quando a gente vai se relacionar, mas essa compatibilidade também vai ser construída nas pequenas coisinhas ali do dia a dia. E quando a gente escuta relatos de pessoas que estão satisfeitas nas suas relações, o que faz com que elas estejam satisfeitas não é, nossa, a viagem pra Milão. Ah, é a vez que ele contratou um helicóptero e jogou pétalas em cima da nossa casa e tal.

São as pequenas coisinhas. É o chazinho que eu gosto quando eu tô triste, que ele lembra e faz pra mim. É o fato dela não esquecer que tal coisa, pra mim, é importante. Sabe? Nossa, a gente pedir nossa comida favorita e jantar em paz, no sossego da nossa casa, com os nossos pets e tal.

Então, são essas pequenas coisinhas que são construídas no dia a dia, no detalhe, na convivência, estar com o outro e tal. E tem uma coisa que também entra nesse jogo, que a gente não falou ainda, que é o trauma. Precisamos falar sobre o trauma, né? Todo mundo aqui escuta a gente há muito tempo, a gente sabe que os nossos ouvintes, eles são nossos parceiros faz anos. Então, vocês sabem que a gente já falou muito sobre a importância...

dos nossos vínculos no começo da vida e como essa maneira de criar e demonstrar afeto, ela vai ser replicada depois.

Então, os tipos de apego que a gente tem na infância, é muito natural que eles voltem reeditados quando a gente vai se relacionar com os parceiros na vida adulta. Muitas vezes, aquele frio na barriga, aquela faísca que você sente quando você conhece alguém, você pode estar revivendo, repaginando algum trauma lá do passado. Então...

Sabe aquela pessoa que tá sempre se atraindo por pessoas indisponíveis? E não é indisponível porque tá no relacionamento. A pessoa não tá afim de você. Mas você, nossa, é ela que eu quero. Essa pessoa nem olha na tua cara, não.

Nossa, a hora que eu vi, na hora, eu senti que era ela e lá, lá, lá, lá, lá. Fala, opa, vamos olhar com cuidado, porque deve ter alguma coisa aí, né? Tem um padrão que eu vejo muito aqui na clínica também, que é ter essa química, essa coisa com aquela, com a pessoa intermitente, sabe? A pessoa que te dá atenção, aí te dá um gelo, não sei o quê. Aí depois dá, aí vocês saem, é super legal, mas ela nunca mais te liga, aí você fica...

Ai, meu Deus, não sei o quê. Aí, do nada, ela te manda uma mensagem. Enfim, né? Vamos olhar também com carinho pra essa coisa do... Ai, nossa, eu senti... Porque... Não sei, assim. Eu não sei você, né, Bruna? Eu já... Eu já tive muito essa coisa de olhar pra pessoa e falar... Ai, fudeu. Já sei que eu vou ficar afim, já...

E no fundo eu tava replicando alguma coisa aí que não era legal, entendeu? Tipo, então... Olhem com carinho. Essa parte do trauma tem muitas lembranças desses pequenos momentos de consciência. Por exemplo, eu já disse aqui, vou trazer novamente, que no começo da minha vida me relacionava com pessoas que não estavam disponíveis porque namoravam outras pessoas.

E isso era por causa de um comportamento de abandono e etc. Da minha infância, né? Relacionada a mim. Quando eu descobri isso, inclusive esse tem muito orgulho que foi antes da terapia, também que estava óbvio, né? Era uma coisa fácil de ver. Não, para. Vamos dar... Não, tem mérito perceber, sim. Tem, tem. Poxa vida, poxa.

Mas depois, dentro da terapia, eu descobri outros tipos de pessoas que eu me apaixonava e que era justamente o que eu me apaixonava era o que causava o desapaixonamento depois. E olha só que coisa oposta aqui. O que me apaixonava nessa pessoa, aquilo, ao longo do tempo, ia fazer eu não querer estar com aquela pessoa, porque aquilo me dava ranço. Criava um ranço. Inclusive, temos episódios sobre ranço aqui. Estará linkado na descrição.

mas descobri essas coisas que é. Eu via depois de ter essa consciência na terapia, eu começava a me interessar por alguém, eu olhava assim e pensava, vou fazer esse checklist aqui do que é. O que essa pessoa me atrai? É tipo, olha aqui, o que está me atraindo é justamente o que daqui seis meses eu vou olhar para essa pessoa. Eu vou querer matar essa pessoa, saco, odeio essa característica.

Exato, exatamente. E essa parte do trauma também vai pelo lado oposto, que é se você cresceu em um ambiente que as pessoas, por exemplo, têm o amor, que é o amor é gritaria, que o amor vem num lado de violência, quando você encontra alguém que te dá um amor com carinho, com afeto...

Você não se atrai com aquela pessoa. Porque aquela pessoa está te dando algo que não faz sentido. Pessoa chata vem querendo me trazer chazinho. Eu não tenho que ficar implorando pelo meu chá. Então, isso é uma coisa importante também para a gente ver. Que é descobrir as formas diferentes de amor e de afeto. São importantes. Mas não é uma coisa fácil. Não é uma coisa que sim, que é só você estar ouvindo a gente e vai conseguir descobrir. Porque é difícil.

Esse carinho, esse afeto, eu ainda vou descobrindo, semana passada mesmo, um gesto bom que aconteceu comigo. E tipo, eu não sabia o que pensar dessas coisas. Como assim? O que é isso aqui que está acontecendo? O que eu estou sentindo? A vida em relacionamentos é maravilhosa, tanto pelo lado do trauma, quanto pelo lado do não trauma. E como que a gente pode chamar trauma positivo? Que é quando alguém te introduz algo assim novamente.

Tem uma palavra específica para a coisa? Não é trauma, né? Eu estou só tentando juntar as duas coisas aqui.

É, você quer falar de um padrão positivo, né? Um padrão positivo. Tentei fazer uma palavra, uma brincadeira, que não deu certo, falhou. Mas esse padrão positivo, que é justamente ao invés do trauma na parte desse amor briguento, um amor carinhoso, um amor de afeto que é descolado de algumas experiências, talvez, que eu tenha tido na minha vida no passado. Mas, enfim.

Eu acho que é natural a gente se interessar no outro, né? Por coisas que a gente não tem. Então, aquilo é uma novidade, né? Você é tudo certinho, regradinho. E aí você conhece uma pessoa que é, nossa, liberta, né? Que, ai, se joga, faz as coisas na cabeça dela, não sei o quê. E aquilo de cara pode ser muito atrativo. Você fala, nossa.

Meu Deus, essa pessoa, ela tem coragem de fazer coisas que eu não tenho e tal. Só que com o tempo, isso é sustentável? Porque a pessoa vai continuar sendo quem ela é. Então, ela vai acordar no sábado de manhã e ela vai falar...

Vamos para Machu Picchu. Estou fazendo minha malinha aqui. Achei propício. Hoje está um sábado ótimo. E você, que é a pessoa toda regradida, aquilo pode te fazer muito mal. Porque não necessariamente você vai embarcar e falar nossa, acho ótimo. Estou remarcando meu trabalho da semana toda e vamos viajar.

Não necessariamente. Então, o quanto você sustenta estar com essas características. Uma coisa é te atrair porque é novo, é o desconhecido, é algo que você não está acostumado. Outra coisa é o quanto você vai sustentar isso no decorrer do tempo. Que é isso que você falou, né? De se apaixonar e tá... Depois eu odeio essa pessoa por causa disso.

porque ela faz o que quer, ela não planeja nada, é tudo na cabeça dela, você não sabe o que vai vir dali, só que, nossa, seis meses atrás, como ela é livre, como é espírito livre, pois é, vamos pôr a mão na consciência aí, queridos.

A gente coloca um pouco um peso, vou dizer não, como uma muleta no outro, né? Que é, por exemplo, eu não sei falar em público. Então, vou namorar alguém que sabe falar em público, porque é algo que me atrai. E é algo que talvez me ensine. E eu lembro de pensar isso no passado, na minha vida, assim, de pensar em muletas que eram coisas que não eram boas. Por exemplo, planejar uma viagem ou ser espontâneo para uma viagem, como você falou.

Eu não sou uma pessoa espontânea para a viagem. Então, eu colocar essa pessoa num local, encontrar a pessoa que é espontânea para a viagem, é encontrar uma moleta ali, né? Que é talvez algo que eu queira, que eu queria ser mais espontâneo para a viagem. Eu não quero, tá? Mais um exemplo. E aí eu vou encontrar alguém que seja e eu vou aprender com ela a ser. Ou ela vai fazer isso para mim e isso vai ser bom para mim. Até você descobrir o que é ser espontâneo em viagem, que é difícil.

E assim, né, queridos, por que que a gente, a gente prefere achar isso na outra pessoa do que desenvolver isso dentro da gente? Mas a vida fica muito mais fácil quando a gente já arruma alguém pronto que já tem, né? Só que que tal if...

Se você, de repente, tentar desenvolver um pouquinho essa característica em você, não precisa ser completamente, mas vamos olhar para si, ao invés de querer alguém para complementar e trazer o negócio pronto e tal, enfim, né?

E foi bom você falar nessa coisa do peso, que traz, né, assim, essa muleta, colocar o outro como muleta e tudo, porque também, imagina você passar a sua vida esperando que alguém, uma pessoinha só, vai ser suficiente, completa, né, completa suficientemente.

Pra fazer com que você se sinta inteiro. Nossa, gente, que peso que deve ser namorar uma pessoa assim, casar com uma pessoa assim, né? Se eu não estiver bem, se eu não estiver atento, o outro não vai estar completo. O outro vai estar se sentindo menor. Não, gente, a gente precisa se sentir inteiro, sozinho, né? Não tem...

uma metade sua, tem você inteiro. E aí quando você tá inteiro, você também consegue se entregar de outra maneira, ser um parceiro muito melhor. Então não dá, para de olhar pro outro e volta a olhar um pouquinho pra você. Pouquinho não, bastante.

É porque quanto mais a gente olha pra gente e a responsabilidade que nós temos como indivíduo numa relação, né? E não numa responsabilidade como uma obrigação ou algo pesado, mas a responsabilidade também que é, por exemplo, esse da viagem, usar a viagem espontânea, assim. Se a gente projeta isso na outra pessoa, que a outra pessoa tem que resolver isso, a gente tá colocando uma expectativa nossa, né? Isso não é saudável pro relacionamento. E vai em volta tudo aqui, que é...

Buscar no outro o que falta na gente, que a gente tem o desejo. Mas aí quando o outro começar a falhar naquilo ou não cumprir. Porque se você projeta no outro e o outro começa a não cumprir o que você está projetando, o outro está falhando. Mas está falhando o quê? Porque o outro nem sabia que tinha que fazer isso. Porque veio de você.

E quanto mais a gente olha pra dentro e mais a gente se foca na gente, como eu dei o exemplo da minha parceira, faz algo que me irrita. Mas me irrita por quê? Isso vem de mim, não vem dela. Como que a gente distingua essas coisas? E como é que a gente entende que...

uma coisa sou eu, uma coisa é outra pessoa, e o que é real e o que não é real. É um exercício que leva tempo, mas essa ter autoria e entender da gente o que acontece é muito importante para a relação. E o outro fazendo esse mesmo exercício?

Que relação gostosa. Cada um fazendo o seu exercício ali, mental, descobrindo as coisas e conseguindo conversar um com o outro, se sentar, falar, vamos conversar aqui das coisas e eu entendo que isso acontece, mas isso é meu e não sei o quê. Nossa, até arrepia aqui, ó, a pele. Olha aqui meu braço, arrepiado. Um negócio aqui no pescoço. Ô, Bruno, conta pra gente do filme.

Então, tem um filme, que é um filme de 2009, e a gente vai dar spoiler leve aqui desse filme, porque esse filme também ajuda na inspiração desse episódio, porque esse filme chama 500 Dias com Ela.

E esse filme retrata assim, tem o Tom. E o Tom é o ator principal do filme. E a gente vê o filme na visão do Tom. Só que quando você vê o filme na primeira vez, pelo menos eu quando vi na primeira vez, eu não entendi que o filme era o Tom. O filme é a vida do Tom. E o Tom, o que o Tom faz? O Tom tem uma vida chata.

O Tom trabalha e tem... O trabalho é chato pra ele. A vida pessoal é chata. Ele tem pouco amigo. Ele sai pouco. O Tom existe nesse local em que ele não existe na vida. Ele tá só vivendo um dia atrás do outro. E ele tem tempo, tá? Ele não trabalha e tem condução gigantesca, assim, que não tem tempo. Não, ele tem tempo livre.

E aí o Tom encontra a mulher lá, que eu não lembro o nome da mulher. Summer. A Summer. É verdade, né? É o Summer. Que é o verão em inglês, que no inglês é 500 dias com o verão, com o Summer. E 500 dias com ela. E aí a Summer vem o quê? A Summer vem, o verão vem pra o quê? Pra dar cor à vida do Tom. Chata. E aí a Summer, no filme...

entrega o que o Tom quer, assim, sabe? O Tom quer... Nossa, ela tem a viagem espontânea, ela faz viagem espontânea, ela dança na rua, não tem vergonha de dançar na rua, porque o Tom tem vergonha de dançar na rua, no elevador e cantar, fazer karaokê. Ela vai no karaokê e... A gente tem certeza disso, a gente tem certeza disso.

Ela vai no karaokê e todo mundo adora ela. O Tom não. O Tom não consegue abrir a boca e cantar no karaokê. Mas então a mulher completa o Tom. Porque a mulher consegue fazer o que o Tom... A Summer consegue fazer o que o Tom não consegue. Então ela vai fazendo todos esses negócios que o Tom imaginava que queria.

Mas aí, de novo, são os primeiros seis meses, né? E aí, depois, o que acontece é a Sama, que é uma pessoa real, que existe no mundo, né? Dentro do universo do filme, ela não entrega tudo que o Tom quer, porque ela não vive para o Tom, ela vive para a vida dela. E o Tom é só um namoradinho dela ali. E eles estão namorando, né? E aí o Tom começa a ficar desapontado. Porque como assim que a Sama não adora ele? Que ele é o centro do universo?

dela, do universo que ela gira e aí a gente vai assistindo o filme a primeira vez e pensando assim, mas essa mulher é uma filha da mãe, essa mulher é cusona essa mulher é isso e aquilo e quando você assiste o filme com esse pensado é que o Tom tem trocentas projeções em cima dessa mulher

E essa mulher não entrega nada do que existe no Tom, porque o Tom precisa fazer terapia dele, precisa melhorar a vida dele, porque a Samma tá vivendo a vida dela. E eu vou dar um spoiler leve aqui, que acontece, que é... Uma das coisas que a gente fica com raiva da Samma é que eles terminam e o Tom fica na miséria. Você fica no Tom assim... O filme até muda, fica mais preto e branco, perde a cor. O verão foi pro caralho. E a Samma, o que acontece? Passa um mês, ela encontra alguém e vai casar com a pessoa.

E aí você pensa assim, o Tom, ela não queria casar com o Tom, mas ela encontrou alguém que quer casar com essa outra pessoa. E aí a gente vai entendendo assim que ela não é uma pessoa má. Eles não davam certo, porque eles não davam certo.

Não é culpa do Tom, não é culpa da Sama. Eles não eram um casal que dava certo. Eles estavam em momentos diferentes da vida e querendo coisas diferentes. E eram pessoas diferentes na vida. E a gente nem sabe muito do parceiro dela. Porque não é o foco. O filme é o Tom. O filme é o foco no Tom. Então, mas eu acho que a gente pode parar de contar o filme agora, né? Já entregamos, né? Porque eu fiquei animadíssimo. Esse filme é muito maravilhoso.

Mas o que eu acho que... Eu acho que a sacada do filme pra gente assistir com os dois olhares é...

Você, quando você assiste um filme, você é levado a esse lugar neutro, como se a história estivesse sendo contada de uma maneira neutra. E aí a gente entra nesse lugar de vilão, mocinho, não sei o que. Quando você olha pro filme e fala, não, pera, eu tô vendo uma história pela perspectiva do Tom. O Tom é o personagem principal, é como ele percebeu isso. Aí a gente cai na informação que eu quero trazer aqui pro...

pro podcast, que é a gente vai dar um sentido pras coisas que a gente tá vivendo, porque tem muito da nossa projeção no que a gente tá vivendo. Então, quando alguém fala pra você, fulano foi muito filha da puta comigo, tem a projeção dessa pessoa naquilo que aconteceu. Quando a gente sofre e a gente é machucado, é muito difícil a gente conseguir entender que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que

o porquê que o outro fez aquilo. Na nossa cabeça é porque o outro é ruim, é do mal, quer que a gente se exploda e sacaneou a gente. A gente não consegue ter essa imparcialidade de entender que o outro também tem desejos, que o outro também tem as projeções em relação a gente, que talvez a gente não tenha atendido essa projeção e tal. Então,

Eu acho que isso... Talvez o filme, ele sirva, né? Pra... Não que o filme tem que servir pra alguma coisa. Mas eu acho que deixa essa... Ideia clara De que a gente projeta Que o outro não precisa ser um vilão. Não é assim que a coisa acontece. Tipo, um mês depois casou com alguém. Gente...

Ninguém tá livre de se apaixonar em um mês, de achar alguém tão compatível, de querer criar uma vida e tal. Não é tudo sobre você, meu amor. Ai, que fez pra me atingir, querer acabar com a minha vida. Nossa, nossa, lindo. Se dê menos importância. Eu, hein? Eu, hein, credo.

E o filme vale muito a pena assistir. O final também é bom. A gente deu pouco spoiler aqui. E é bom ir assistir com essa mentalidade de perceber. Porque o filme, a gente pensa que é um filme de história de amor e coisa assim. E é uma história de crescimento. É isso. É como a gente cresce na vida. E a gente precisa viver experiências para crescer na vida. E olha, eu dizendo isso sinto muito orgulho. Porque alguém que não queria viver experiências assim. Com muito medo.

Mas como é que é importante essa coisa da realidade? Como você disse, o mundo não gira em torno da gente, a gente não é o sol, a gente não é o centro do universo, a gente é uma pessoa. Eu lembro, o Caio falou algumas vezes em live que a gente tem que deixar de pensar que é a última bolacha do pacote, que é premium, que é um peso viver a vida achando que a gente tem que ser especial desse jeito. E isso é muito importante.

Quanto mais a gente aceita. Talvez a gente seja realmente a última bolacha do pacote, porque a última bolacha do pacote, ela tá toda quebrada. Entendeu? Ela tá toda cagada. Então, você tá achando que você é a última bolacha do pacote, porque, ah, é a última. Então, você realmente é a última. Toda quebradinha, desfarelada. Tá bom? Amores.

olha gente, acho que é isso por hoje tá? se você tem uma história de alma gêmea se você deixou de acreditar em alma gêmea depois desse papo, deixe mensagens pra gente é arroba corajosamente podcast lá no instagram, você pode deixar aqui no spotify ou no youtube ou de onde você estiver ouvindo

Você também pode entrar em contato com a gente. Bruno está mais off das redes sociais, mas eu tenho lá o meu Instagram, arroba quintaldacintia. E se você quer fazer terapia com alguém tão maravilhosa quanto eu, tô aqui. Me liga, me manda mensagem. É só dar um oi.

Uma coisa importante também é, lembrem de dar as estrelinhas lá no YouTube, na Apple, no YouTube, no Spotify, falei YouTube duas vezes, no Spotify. São importantes, não te custa nada, dê as cinco estrelas. Como eu sempre falo, se não for dar cinco estrelas, não vá perder o seu tempo, que aqui só trabalhamos com cinco estrelas. É, não vem me avaliar mal, não, que eu não quero.

Temos os comentários, quer avaliar mal, comente. Estaremos lá lendo. Se xingar a gente, a gente deleta e te bloqueia, porque não tem que xingar ninguém. Mas se isso for um ser humano normal que consegue ter um diálogo, estamos dispostos a ouvir. E, enfim. Maravilhosíssimo. Mais um episódio gostosíssimo. E a pergunta, assim, Tia Cruz, que eu vou pôr aqui no final, tem uma gêmea ou não tem? Eu acho que depois desse episódio existe uma resposta, que nós já respondemos aqui.

Se você ainda não entendeu a resposta, volte duas casas e escute esse episódio de novo.

é isso gente beijo, até o próximo episódio um beijo, tchau, tchau

Alma Gêmea: Existe mesmo alguém feito pra você? E148 | Castnews Index — Castnews Index