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Impressão Crítica: “O Drama” expõe a hipocrisia dos relacionamentos

07 de maio de 202640min
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O filme "O Drama" (2026), estrelado por Zendaya e Robert Pattinson, é uma comédia romântica desconstruída que trabalha a ideia de que a gente nunca conhece completamente a pessoa que está ao nosso lado.

O longa, escrito e dirigido pelo norueguês Kristoffer Borgli, de filmes como “O Homem dos Sonhos” e “Doente de Mim Mesma”, parte de uma situação aparentemente simples: um casal prestes a se casar vê tudo estremecer depois que a noiva revela um segredo do passado. Emma, vivida por Zendaya, e Charlie, interpretado por Robert Pattinson, são aquele casal que, à primeira vista, parece perfeito. Mas o filme vai desmontando essa imagem aos poucos.

Crítica do filme "O Drama" por Renato Silveira e Kel Gomes, editores do cinematório.

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Participantes neste episódio2
K

Kel Gomes

HostEditora do cinematório
R

Renato Silveira

HostEditor do cinematório
Assuntos5
  • O filme O DramaAnálise da comédia romântica desconstruída · Zendaya e Robert Pattinson como protagonistas · Direção de Kristoffer Borgli · Temas de relacionamento e casamento · Revelação chocante pré-casamento
  • Decepções e RelacionamentosRevelação de planejamento de assassinato em massa · Reação social e julgamento · Questões de saúde mental e adolescência · Impacto de gênero e raça na percepção · Cyberbullying e suas consequências
  • Piadas de Gênero e RelacionamentosTendência de subverter códigos do gênero · Realismo em detrimento da idealização · Questionamento do casamento heteronormativo · Uso de intercuts e estranhamento formal
  • Atuações de Zendaya e Robert PattinsonVersatilidade de Zendaya em diferentes papéis · Robert Pattinson superando o estigma de Crepúsculo · Complexidade dos personagens
  • RelacionamentosManutenção de máscaras sociais · Minimalismo e polimento nos lares e roupas · Rituais de casamento esvaziados de significado · Validação externa e percepção social
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Olá, pessoal, sejam bem-vindos, sejam bem-vindas à Impressão Crítica, podcast do site Cinematório. Eu sou o Renato Silveira. Oi, oi, eu sou a Kel Gomes.

E neste episódio, nós vamos falar sobre o filme O Drama, dirigido por Christopher Bordley, estrelado por Zendaya e Robert Pattinson Kelgomes. Que dupla, hein? Uma bela dupla, né? Eles são ótimos atores, além de terem toda uma presença no filme, nos visuais todos que a gente vê com eles. Então, achei que foi uma bela sacada juntar dois, dois...

grandes astros dessa geração, né? É verdade, é verdade. Bom, antes da gente começar a fazer aqui os nossos comentários sobre o filme, só avisar que agora a impressão crítica está em formato duplo e, na verdade, a gente sempre esteve, né? A gente sempre fez em vídeo e áudio. Mas a gente está testando um novo cenário, um novo formato, novos equipamentos, então, para você que está...

nos ouvindo e nos vendo no YouTube, diga aí nos comentários o que você está achando e tudo, mas se você está só ouvindo no podcast, no nosso feed aí também, diga o que você está sentindo desse novo formato que a gente está experimentando para a gente ter sempre as duas coisas disponíveis. Quem quiser.

Vê no YouTube, quem quiser ou só ouvir no YouTube, tem muita gente que faz isso, né? Vai ter essa opção, quem quiser só ouvir o áudio do podcast também vai estar contemplado, tá bom? Então, Kel, o drama, que é um filme que apesar do título, é uma comédia romântica, mas uma comédia romântica desconstruída, a gente pode dizer isso. Talvez até um filme que está seguindo uma trend.

já que nós tivemos no ano passado, Amores Materialistas, que também é uma comédia romântica desconstruída, que tem os códigos do gênero.

mas tenta desfazer ou, pelo menos assim, apresentar uma nova proposta de comédia romântica. São filmes bem diferentes, né? O filme Amores Materialistas e o Drama. São, nas histórias que eles estão contando, nas suas propostas estéticas, inclusive, são filmes bem diferentes. Mas eles têm em comum essa tentativa de trazer algo novo para o gênero, que é tão desgastado, né?

Sim, a gente percebe mesmo essa tendência de uma desconstrução da comédia romântica, mas dependendo muito desses códigos para poder subvertê-los de alguma forma, para poder criar uma expectativa e quebrar com essa expectativa.

Geralmente tem algumas coisas bem específicas de relacionamento, né? O momento de conhecer, o par, né? Aquele momento da animação, mas também o momento em que as coisas não estão tão bem assim.

casamento. Casamento é algo que tem que estar, né? Então, é interessante, porque eu acho que isso acompanha muito o pensamento contemporâneo sobre as relações afetivas, né? Sobre casamento também, que tem sido muito questionado, principalmente casamento heteronormativo, que é o lugar onde as comédias românticas mais imprimiram seus...

seu imaginário, seus ideais, seus clichês. Então, junto a esse questionamento sobre as relações contemporâneas, vem também como representá-las. E de uma forma que eu acho bem bacana que é trazer um pouco mais de realismo e menos de fantasia, e menos de idealização que...

alimentava muito as comédias românticas, principalmente dos anos 90, por exemplo, que ficaram bastante famosas, né? É verdade, é verdade. Se tornaram até comfy movies, assim, né? Os filmes que você vê para gerar aquele confortozinho, aquele quentinho no coração e tal.

mas que, na verdade, estavam transmitindo algumas mensagens bastante problemáticas, de normalizar algumas questões abusivas, de trazer as coisas da idealização mesmo, do amor romântico e tal.

E agora a gente vê filmes que tentam quebrar com isso, né? Quebrar com essas expectativas de que o amor, ele é certo e seguro. Eu acho isso bem interessante. Sim. O amor como algo que é...

Duvidoso mesmo, sabe? Que gera dúvida. Que gera tensão também. É, é verdade. Não só aquela fantasia linda, maravilhosa de, sabe, viver o Felizes para Sempre, assim.

E o que é legal nesses dois filmes é que no elenco eles trazem como protagonistas casais que são lindos, né? São sempre atores muito bonitos, né? No caso lá do Amores Materialistas, a Dakota Johnson, Chris Evans, Pedro Pascal, aqui o Robert Pattinson e a Zendaya. Então, pelo menos assim, na escalação dos atores, continua essa escolha que as comédias românticas realmente têm, né? De trazer astros belos, né? Que vão atrair o público.

Mas nesse filme, o drama, dirigido e escrito pelo Christopher Borgli, diretor de Doente de mim mesma e O Homem dos Sonhos... São dois filmes que eu gosto bastante. Sim. A gente percebe que o diretor, ele...

Também, além da questão da psique humana, que é algo que o interessa bastante, nesses filmes anteriores você já percebia isso, mas na forma do filme também a gente vê...

diferencial em relação ao padrão de comédia romântica. Então você tem, por exemplo, os intercuts na montagem, coisa que a gente não costuma ver em filmes comerciais mais convencionais. Então você já sente um estranhamento logo de cara. Se você não está acostumado a ir no Belas Artes, ver os filmes desse circuito dito alternativo...

você vê mais as comédias românticas dos cinemas de shopping, por exemplo, quando você pega esse filme, você já sente um estranhamento logo de cara por essas opções, essas escolhas formais do diretor. Então, acho que aí já é um ponto.

que é a questão realmente da desconstrução do relacionamento, porque você tem ali aquela brincadeira da conquista no início, ele ali fingindo que leu um livro que ela estava lendo para tentar conquistar ela, o primeiro encontro e tudo. Depois você vai conhecendo um pouco mais dos personagens e você vai vendo, pô, aqui a coisa não está tão...

normal, assim, como a gente costuma ver em filmes desse gênero, né? E aí vem a grande questão, né? E aqui a gente já abre pra spoilers, tá? Então, quem ainda não viu o filme, já fica o aviso. Pausa aí, avança, ou assiste o filme primeiro, depois volta aqui e acaba de ver o nosso comentário, mas que é...

esse mote que está na sinopse. É uma revelação feita às vésperas do casamento que coloca a relação à prova. E, no caso, é algo que eu não esperava que fosse ser esse tipo de revelação e fiquei, ao mesmo tempo, chocado, mas também intrigado pela forma como o filme vai abrir uma outra camada para explorar isso.

que é aqui, big spoiler, já avisamos. Isso é muito importante, não saber para ver o filme bem, para não perder essa característica da surpresa, do espanto, do choque. Que já é assim, acho que é logo no final do primeiro ato do filme, depois que eles já se conheceram, a gente já acompanhou um pouco da história do casal.

que eles estão ali num jantar entre amigos, com o padrinho e a madrinha de casamento, e aí surge aquela...

uma pergunta meio que uma brincadeira, né? Qual que é a pior coisa que você já fez na sua vida? Cada um fala a sua e quando chega na vez da personagem da Zendaya, ela fala meio que despretensiosamente, como se não fosse nada, né? Eu, quando eu era adolescente, eu planejei fazer um assassinato em massa no colégio onde eu estudava.

por choque de todo mundo na mesa, né? Como assim? E eles têm uma reação exagerada ao que ela conta em relação ao que cada um contou antes.

É muito importante a gente identificar como que pra ela isso já tá superado, né? E por isso que ela conta de uma forma que parece despretensiosa, assim, porque realmente você percebe que pra personagem isso foi um passado da vida dela, um momento...

que ela estava com muitas questões pessoais, psíquicas, da adolescência, e que eu acho muito interessante, por ser uma menina negra, do que ela estava enfrentando na escola.

Ela já tinha esperado aquilo e falou porque de fato era a pior coisa que ela já tinha feito, né? Ou pelo menos planejado fazer, assim. Só o planejamento já era uma ação, digamos, né? É. É, e... Mas todo mundo fica muito chocado porque é algo que mexe, inclusive, com uma ferida aberta dos Estados Unidos, né?

E é algo que a gente tem percebido, inclusive nos filmes que abordam o ensino médio, que lá, eu não sei se chama assim, mas enfim, é High School, né? High School. O High School alterou completamente a rotina dos estudantes, porque inclusive eles têm esses treinos para caso aconteça esse tipo de coisa novamente. Então, assim, já se tornou rotina.

de estudantes pensar sobre isso e se proteger disso. E eu acho esse fato chocante, sabe? Sim, sim. O que quer dizer que é algo da cultura, sabe? É algo que tem se repetido tanto que já é algo da cultura.

E, bom, acaba sendo também um certo tabu, né? Porque fala de saúde mental, fala de armas, armas liberadas para as pessoas. E aí eu acho que o filme toca nesse assunto dentro de uma...

de uma proposta sobre relacionamento afetivo, né? E eu achei que traz uma camada super profunda, né? Pra você pensar assim, cara, qualquer pessoa poderia ter esse tipo de pensamento, sabe? Isso o filme coloca também bem explicitamente, assim. Você não sabe o que tá passando na cabeça das pessoas, assim. O que elas estão sofrendo, o que que...

sabe, elas estão... como elas estão reagindo, então assim, geralmente se coloca como uma ação de... como uma ação monstruosa, né? Uma ação, assim, muito extraordinária, mas geralmente são pessoas comuns até isso acontecer.

Exato, é. Tem uma hipocrisia achar que as pessoas não têm esses pensamentos sombrios. Pensamentos muito sombrios. Porque isso acontece, pode acontecer com quem está do seu lado, pode acontecer com alguém da sua família, alguém que você ama muito, alguém com quem você trabalha. A questão é até onde a pessoa vai levar esse pensamento. Exatamente. Então aí você tem uma série de questões que vão ser trabalhadas.

Em análise, até em casos mais graves com tratamentos médicos, psiquiátricos mesmo, mas enfim. Se entrar exatamente nessas questões, o que o filme, eu acho muito legal que ele aborda, é como que isso é visto pelas outras pessoas. Essa hipocrisia daquelas pessoas que estavam ali na mesa de achar que a coisa que ela...

que ela nem fez, né? Ela pensou em fazer. O que sim é grave, ninguém aqui está minimizando um problema desse de massacres, escola, atirar, coisas que já aconteceram aqui no Brasil, inclusive. Mas o fato é que ela não levou isso à execução e o que aquelas pessoas ignoram gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gigantes gig

é justamente o momento em que ela desistiu de fazer aquilo. Isso passa batido, por mais que ela fale e conte o que aconteceu e a gente veja isso naqueles flashbacks. E ela conta tudo o que aconteceu depois, né? A pessoa que ela se tornou depois disso, que inclusive é uma ativista, né? Contra as armas e tudo mais. Então, assim, ela tem uma trajetória.

que diz muito mais sobre a vontade dela de fazer algo bom, do que esse pensamento que, durante um momento muito difícil da vida dela, acabou ocorrendo ali. E aí as pessoas focam nisso, porque não conseguem lidar com essa...

Essa informação sombria, né? De alguém. Sim. De um próximo. Ela teve aquele momento de acolhimento de um colega da escola, né? Que fez a chave virar na cabeça dela. Sim. Ela estava se preparando para cometer um crime. E aí, quando ela se sentiu finalmente acolhida por alguém...

Ela falou assim, não, eu vou, acho que isso aqui vai resolver o meu dilema aqui, o meu drama, né? Porque a questão da saúde mental ser negligenciada enquanto ela é adolescente é um problema tão grave quanto essa coisa das armas.

Tudo está ligado, gente. Tudo está ligado. Então, assim, as questões de saúde mental, elas precisam ser levadas, já estão sendo levadas mais a sério do que décadas atrás, mas ainda precisam ir mais. Sim. Mas tem um momento importante também que leva ela a decidir por não fazer, porque acontece um outro tiroteio.

Sim. E aí ela se assusta com isso. Onde acontece, não me lembro se era na mesma escola, se era próximo. Enfim, acontece algo assim que assusta ela e os alunos acabam... Assusta todos os alunos e eles acabam tendo que se aproximar mais. Então eles acabam tendo que fazer algumas.

sessões com... né, que trazem esses avos pra mais próximo um do outro, assim, que é quando ela se sente acolhida, com, né, ela não se sente mais tão sozinha, então, também teve esse acontecimento, sabe, de uma realidade que chega pra ela muito próxima e ela...

ver o quanto que isso é problemático. Mas... Tem as camadas também de gênero e de raça, né? Sim, sim. E são também dois fatores que pesam muito em relação à forma como a revelação dela é recebida por aquelas pessoas que estão na mesa. Principalmente pela personagem da Alana Reine, né? Que...

Pelo que ela conta, ela cometeu também uma coisa grave contra uma criança que teria ali algum tipo de deficiência, mas aquilo ali nem que fica assim, não foi nada não. E no caso do personagem do Robert Pattinson, é pior ainda, porque ele nem chega a contar os detalhes.

eles meio que passam pano assim, ah, isso aí não foi nada. Ah, foi muito pano. Mas ele chega a falar que ele fez cyberbullying, que é uma coisa que também tem a ver com saúde mental grave, né? E que ele, inclusive, teve que mudar de cidade com a família de tão...

problemático que foi o que ele fez. A pessoa que foi vítima desse cyberbullying teve que mudar, né? É. Mas a gente não fica sabendo nos detalhes, porque logo que ele fala isso, os dois amigos falam, ah, isso aí não foi nada. Não, não, você tá desclassificado. E ele não se engaja pra contar também, porque parece que ele não dá tanta importância assim. Ele é um homem branco, né?

está ali no seu privilégio e no caso dela já é bem diferente. Sim, eu vejo. Não tem como você excluir a questão racial e de gênero das personagens, por mais que o filme não coloque isso de forma explícita, não traga isso assim.

nos diálogos ou mostre em imagens, ela é uma mulher negra. Então, já é uma questão de raça e de gênero, pela presença dela, pela participação dela. Então, eu fiquei pensando muito nisso mesmo.

como esse peso do que ela fez também não só tem a ver com o fato em si, né? A ferida aberta dos Estados Unidos, mas também com quem ela é, né? Eu senti a personagem da Alana Rehn quase como se, assim, ela estivesse esperando que isso tivesse acontecido para ela atacar essa pessoa, sabe? Para ela se virar contra essa pessoa.

e querer, sabe, colocá-la como um monstro, como alguém que não é confiável e que o personagem do Robert Pattinson seria completamente louco de continuar com ela. Então, assim...

Foi algo também... E aí tem essas coisas das camadas que a gente está falando, porque eu acho que são bons personagens, todos muito complexos, porque por mais que você entenda a personagem da Zendaya, você também entende todos os outros personagens ali, sabe? Inclusive a Alana Henke tem uma prima.

que sofreu em um ataque de escola e ficou com deficiência física. Ela usa cadeira de rodas. Então, assim, tem mais essa questão aí também pra trazer um peso a mais dessa informação. Mas aí, o que eu acho massa é que esses dois estavam completamente apaixonados um pelo outro e certos de que gigantes gigantes gigantes

casariam, porque a gente está acompanhando esses eventos pré-casamento, a preparação do casamento. Então, eles têm foto para fazer, eles estão fazendo aquele tipo de teste de comida.

que vai ter, inclusive esse dia que eles estão reunidos com os amigos e padrinhos é para isso, para ver qual a comida que vai ser do casamento, enfim. Então eles estão em um momento de preparação para o casamento, então estão muito certos de que são as pessoas com quem eles querem passar o resto da vida juntos.

Só que aí vem essa informação e aí isso tudo cai por terra, porque eles percebem que não se conhecem tanto assim, né? Tem fatos da vida de um e de outro que não estão tão claros, né? E aí eu gosto muito da perspectiva do personagem do Robert Pattinson, porque por mais que ele ame ela...

Isso é uma informação que abala as estruturas, sabe? Porque é algo que você precisa, eu acho que você precisa entender e acolher e conversar, mas em um momento tenso de preparação para o casamento, sabe? Eu também consigo entender o transtorno que causa na cabeça dele.

Tanto que o filme aí vai até para um lado cômico, assim, que é dessa paranoia que ele fica de achar que ela pode ser uma pessoa violenta até com ele. Então eu gosto disso, que aí fica um pouco cômico, mas eu acho perfeitamente realista que a pessoa, sabe, começa a se reimaginar coisas.

Sim, sim. Sim, não é. E ele acaba depois fazendo algo também que ele não ia contar para ela. Sim. Na véspera do casamento com uma colega de trabalho. Ia responder muito, mas responder demais. Então, assim, por um acaso ali, depois da cerimônia ali, ela acaba descobrindo.

Então, até o final do filme, essa coisa do tipo, você não conhece 100% a pessoa com que você está se relacionando, ela é sempre trazida, né? É. Pra frente. Então, eu acho isso muito legal. E também o fato de ser um filme que testa a empatia do público com os personagens, né? Porque...

Na questão da Zendaya, é isso que a gente está falando, você também tem que se colocar no papel de uma daquelas pessoas na mesa e tentar compreender o que aconteceu por tudo que ela passou.

E em relação aos outros personagens também, em relação ao Robert Pattinson, em relação à Lana Heim, você também se vê testando a empatia por esses personagens. Porque a Lana Heim, eu não esperava assistir a esse filme e achar ela uma pessoa que se fosse...

Eu sou escrota, cara. Por que ela está fazendo isso com a outra? Ela é madrinha. Eu fui comandada para ser madrinha de casamento. Chega um ponto que você fala assim, o que ela está insistindo, a Zendeia está insistindo, para manter ela como madrinha?

Porque o risco de chegar ali na cerimônia, que tem lá nos Estados Unidos aquela coisa do discurso, né? Dos padrinhos e tal. O risco daquilo ali estourar e ser uma bomba, né? E acabar com a cerimônia era muito grande, né? E acaba que nem é ela que estraga tudo. Nossa, isso é muito massa, assim, porque o casamento, ele...

acaba virando, assim, uma... Como é que eu vou explicar? Ele acaba virando um caldeirãozinho de tensões, assim, onde você percebe várias faíscas, sabe? E, assim, aquilo poderia explodir em muitas coisas, e algumas explodem mesmo, né?

Mas é o casamento em que tá todo mundo, assim, se contendo muito pra manter as aparências, sabe? E eu fiquei observando como que é tudo muito lindo, perfeito, muito bem arrumado. Até o vestido de noiva da personagem da Zendaya, né? Ela chama Emma.

Então, o vestido de noiva dela não me diz nada sobre ela, me diz sobre a situação social que ela tá vivendo, sabe? É um vestido super minimalista, perfeitinho, uma coisa assim, sabe? Retinha, assim, no tecido, o tecido é plano e tal.

Mas ele é um vestido rodadinho, mas assim, é bem minimalista mesmo. Aí eu fiquei pensando, gente, ele não tem muita identidade, sabe? Parece que é pra cumprir um protocolo mesmo, assim, de elegância, de que tá tudo bem, lindo e maravilhoso. E aí, por dentro, as pessoas estão, sabe?

se fervendo ali por dentro, assim, porque, inclusive, por essa coisa do discurso, né, do que tem que ser dito, do que tem que ser falado, assim. Então, assim, o personagem do Robert Pattinson, coitado, nessa hora...

É um constrangimento social que o diretor filma ali o tempo todo, que você fica muito incomodado, né? Você fica desconfortável, assim. Eu gosto desse desconforto, sabe? Porque você vê que é um desconforto...

necessário, porque as pessoas precisam sair dessas dessas máscaras, sabe? Mas elas mantêm essas máscaras ao máximo possível. E eu fiquei observando também ao longo do filme, assim, como que as próprias...

Os próprios lares, assim, eles também não me diziam muito sobre os personagens, era tudo muito bonito, organizado. Eu senti um distanciamento mesmo, sabe? Era como se eles se conheciam, tinham intimidade ali, mas algo tava muito polido, sabe? Algo tava muito bem feitinho, muito organizadinho.

nesse nível dos objetos, do espaço, até das roupas que eles vestiam. Então, eu acho que está falando muito disso também, de uma certa artificialidade, de uma performance para o outro, e que isso pode vir a ser completamente desconstruído a partir de uma informação dessa, uma informação crua, real, de gente que...

Que vive, que sente, que sofre, sabe? Então, eu acho sensacional, assim. E o trabalho da Alana, pelo amor de Deus, essa menina é muito boa. Tá todo mundo muito bem. Mas a Alana, você fica com vontade de, sabe? De puxar o cabelo dela, cara.

Sério? É. Ela é muito boa. Porque até então você tem muito essa noção de uma cool girl, né? De uma outra massa. E ela faz uma personagem completamente diferente. Que é meio que a persona dela, né? Da artista, né? Sim, sim. É por isso que faz tanto sentido ser ela, assim. Porque quebra a expectativa também, sabe? Porque...

Comédia romântica também lida muito com personas, né? Então, assim, colocar uma persona que, para a gente significar algo, e ali desloca esse significado, tem a ver com o que o filme está trabalhando, né? Tem a... Estou lembrando também que tem a fotógrafa, né? Que eles pegam, flagram ela na rua.

fumando ali uma droga, né? E depois eles ficam, né? Mas como assim? A gente tem que questionar ela sobre isso, porque ela é uma pessoa que a gente tá confiando. Ah, não, na verdade é a DJ. Ah, é a DJ, a DJ. É a DJ. Perdão. É a DJ. Eles flagram a DJ usando drogas na rua, e aí eles já ficam assim, pô, a gente vai contratar essa mulher pro nosso casal. É a DJ, isso.

Então, assim, já é outra questão aí também, de eles estarem julgando ela e já não querem mais que ela trabalhe pra eles, assim. Já fica aquela coisa, né? Tipo, pô, é uma informação que eu não queria ter.

Eu gosto muito, cara. Gosto muito do filme e essa parte da cerimônia em si, que provavelmente é onde o filme tá na sua forma mais convencional. Mas é isso. Ali não tinha como. É você filmar porque ali é o que a Kael falou. Esse caldeirão ali de tensões. E é o momento da treta. Ali a sua tensão tá nisso. Vai estourar alguma coisa aqui a qualquer momento.

vai dar confusão. E é a hora que a gente quer ver.

o bicho pegar. Então, eu gosto muito como ele constrói tudo até esse momento do clímax, em que vai ter essa confusão toda ali da cerimônia. E... depois o filme vai terminar num momento meio ambíguo, né? Porque eles têm aquela brincadeira um com o outro de recomeçar, né? Vamos começar do zero, né? Quando eles têm alguma briga, algum desentendimento.

E o filme vai acabar de uma maneira ambígua, o que é muito legal também. E eu acho isso interessante, o filme terminar e deixar você com mais perguntas do que respostas. Você sai do cinema, você para de ver o filme em casa, onde quer que seja, e continua pensando sobre o que você viu.

E isso é um grande mérito de qualquer filme que seja, te fazer levar aquelas cenas, aquela história, tudo que você acompanhou ali durante uma hora e meia, duas horas, para casa, para o restante do seu dia. Então, eu acho que filmes que fazem isso já ganham algo mais.

Então, aqui no drama, é uma das qualidades que fazem dele um diferencial, não só em relação às comédias românticas, né? Mas se a gente for falar de lançamentos de 2026, pra mim é um dos filmes mais interessantes vistos até agora, até esse momento, esse primeiro semestre do ano, né?

E você falou da fotógrafa, eu me lembrei de uma cena bem legal também, uma sequência, na verdade, que é a sequência de quando eles vão fazer as... vão treinar pras fotos ali. E aí a fotógrafa precisa fazer uma espécie de primeiro ensaio com eles, pra ver como é que eles se enquadram juntos, as poses. E aí... E aí...

É a coisa da atuação contida, sabe? Porque eles estão totalmente constrangidos um com o outro, né? Sem saber direito como lidar com aquilo. E eles precisam performar um amor, performar uma empolgação pelo casamento, porque a fotógrafa precisa ter isso, faz as fotos. E eles simplesmente não conseguem. Ela fica...

Caramba, é... Sorria. Sorria um pouco mais. Não, é... Ela fica assim, sem entender o que está acontecendo. Isso é muito legal, assim, porque é isso. É essa encenação toda, né? Que existe também na cerimônia do casamento em si, nos rituais de casamento em si.

E me faz pensar muito, assim, de como, né, são rituais que a gente tem seguido há tanto tempo, assim. E às vezes são muito até esvaziados, né? As pessoas nem sabem direito por que que estão fazendo aquilo. Tá só seguindo um roteiro, sabe? Tá só seguindo um roteiro mesmo, assim, de... Muita coisa na vida, né? É. Principalmente em relação a essas relações, né? É. O roteiro.

Conhece a pessoa, casa, tem filho e tal. Sim, sim. E uma coisa importante também, porque a revelação da informação dela é feita com outros, com um outro casal. O quanto que isso pesa para a avaliação deles sobre a questão, sabe? Porque será que se ela tivesse contado para ele no íntimo,

conversado com ele, olha, eu preciso, né, falando um pouco mais da minha vida, teve esse momento, talvez ele tivesse uma reação um pouco diferente, porque o filme me parece dizer também sobre essa...

essa validação externa, sabe? Tipo, pra ele, foi também meio que um golpe duplo, porque não só ele tá recebendo essa informação, como também essa informação tá sendo compartilhada. Então, tipo, ela já não é mais perfeita para os meus amigos, sabe?

E agora, como lidar com isso, sabe? Nesse sentido, assim, da validação externa. Sim. Eu acho que também tem a ver, sabe? É bom ponto com isso. É. E, então, isso eu tava pensando aqui agora. Então, eu acho que é um filme que até vale a pena rever, né? Pra ter mais... Ah, sim.

Para ter mais os detalhes. E assim, ele tem essa coisa pesada, né? Do que está sendo discutido ali. Mas é um filme divertido, né? Os dois atores estão muito bem. A Zendaya e o Robert Pattinson.

Ela, principalmente, é uma atriz que consegue pegar essas camadas, né? E, ao mesmo tempo, continuar carismática. Ah, muito carismática. Se você pegar aí a série Euphoria, né? Em que ela faz uma personagem que tem muito mais problemas, assim, né? De dependência química, né? Muita coisa pesada mesmo que ela vive. E você pega outras personagens que ela já viveu, você vê o quanto que é uma atriz versátil, né? E que consegue captar isso.

E o Robert Pattinson?

um ator que conseguiu se desvencilhar daquele que foi, no início da carreira dele, o personagem mais famoso, e até hoje o dos personagens mais famosos que ele fez, da saga Crepúsculo. Então, um cara também muito versátil e que já mostrou em N filmes, trabalhando com diferentes diretores, com diferentes propostas, tanto no cinema independente quanto no cinema pipoca, esse cinemão comercial, o quanto que é um ator que...

consegue transmitir diferentes camadas também dos seus personagens. Sim. Acho que são atores que a gente verá aí, no futuro breve, concorrendo a prêmios, coisas mais vultosas para as suas carreiras.

E como eu comentei antes, a Alana Hen também tá muito boa, né? Apesar da personagem que dá vontade de puxar cabelo. E que inclusive se chama Rachel. Mas... Só uma coincidência. Não, só mesmo. Bom, Kel, pra gente encerrar então aqui os nossos comentários sobre o drama.

a sua nota para o filme. Ah, essa parte é muito difícil, gente. É porque isso é complicado você mensurar, né? Númerosinho e tal. Mas eu vou dar 4 em 5.

Quatro em cinco? Olha, eu dou três e meia. Três e meia? Três estrelas e meia. Um coraçãozinho lá no Letterboxd. Ok. Não, eu dou quatro convicta, porque eu acho que ele se arrisca, sabe? Em temas que são espinhosos. E é isso, lida muito bem. Lida muito bem com tudo isso, né? Todas essas camadas ali que tá trazendo.

Sem também deixar o filme denso demais, cansativo, sabe? É um filme que passa de maneira fluida para a gente. É um ritmo muito bom. É um ritmo muito bom. Então, essas coisas de cotação não é para levar muito a sério, né, gente? É só uma questão mais pessoal mesmo de quem está avaliando, né? Por exemplo, o que foi o meio retirado da 4 estrela?

Não, então, é só uma questão de ranqueamento, às vezes, entendeu? Tipo, na hora de você montar lá a sua lista de melhores do ano, aquela meia estrela representar. Esse aqui não é, eu não gostei tanto quanto esse aqui que tem quatro estrelas. O que ajuda a um, sabe o quê? São as palavrinhas, por exemplo. Ótimo, excelente, muito bom. Sabe, da época da escola mesmo? Ótimo, excelente, muito bom, razoável. Pode ser ótimo e meio.

Obra-prima, que aí é cinco estrelas, né? Cinco em fim. Uma obra-prima não tem como ser obra-prima. E com um coraçãozinho, né? Que aí é obra-prima e que, tipo, te estavia, né? Aqueles filmes favoritos. Isso é assunto, assim, que dá o outro podcast. Dá, dá. Falar só sobre cotações, porque dá pano pra manga.

O que você considera uma obra-prima, um filme novo, merece cinco estrelas, assim como um clássico que já é consagrado na história do cinema. Tem essas coisas, né? Mas é isso, como eu disse, não é para levar tão a sério assim. Então, três e meia não quer dizer que eu estou...

vendo muitos defeitos no filme, não. Pra tirar o ponto dele, não. É só uma questão de classificação mesmo. Talvez o meu caso. Eu acho que até três, assim. De três pra cima, o filme tá muito bom, sabe? De três pra baixo, a gente começa a repensar aí o que aconteceu. Mas é isso. Eu dou quatro. Quatro pelas.

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Bora, Kel? Bora. Obrigada pra quem acompanhou até aqui. Um beijo e até mais. Um grande abraço, pessoal. Até mais. Tchau.

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