México 1986: Maradona, o 3-5-2 e o último suspiro do Brasil de Telê
No episódio do Meio de Campo dedicado à Copa de 1986, voltamos ao México para revisitar um torneio decisivo na história tática e mítica do futebol. Foi a Copa da chegada definitiva do 3-5-2, da consagração individual de Diego Maradona -- autor de uma das maiores atuações já vistas em uma Copa -- e de jogos inesquecíveis como Bélgica x URSS, um duelo eletrizante entre a pressão soviética e a bola longa belga, e Inglaterra x Argentina, partida marcada pela “Mão de Deus”, pelo Gol do Século e pelo peso político da Guerra das Malvinas. Também revisitamos o canto de cisne da seleção brasileira de Telê Santana, ainda dona de um futebol refinado, mas atravessada por lesões, tensões internas e um excesso de medidas disciplinares que ajudou a desgastar o ambiente. O percurso brasileiro terminaria em uma das grandes partidas da história das Copas: Brasil x França, um confronto belíssimo entre duas gerações técnicas, decidido nos pênaltis e lembrado como o fim simbólico de uma era.
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A Copa do Mundo de La Mano de Dios e também a Copa do Mundo do Barriete Cósmico, a Copa do Mundo de Diego Armando Maradona.
1986, México, consagração desse jogador mítico da história do futebol, mas também uma Argentina que foi campeã com inovação tática. A Copa do Mundo que estreou o 3-5-2 do Bilardo, também da Dinamarca, um time que marcou uma época. Uma Copa cheia de técnicos importantes, Beckenbauer, Bilardo, Ferguson.
Lobanovski e, claro, o nosso Tele Santana, uma seleção brasileira marcada por um ciclo confuso, recheado de alguns problemas disciplinares, uma nostalgia de 82. Vamos falar de tudo isso hoje no nosso episódio do Meio de Campo.
Alô, alô, bom dia, boa tarde, boa noite. Estamos de volta aqui com mais um episódio de Meio de Campo, o Futebol e a Sua História. E Delber, hoje a gente vai falar da Copa de 86, uma Copa que é muito lembrada, tem muitas histórias para a gente contar. Essa seleção da Argentina que realmente é uma seleção mítica.
Claro, por conta do Maradona, obviamente, mas é uma seleção que teve uma inovação tática muito importante. O Bilardo teve um papel preponderante aí na armação desse time. A gente vai poder falar mais sobre isso. A seleção, como eu já disse, é um ciclo confuso. Vamos falar bastante de seleção brasileira, vamos falar bastante de Tele Santana. Só para começar do jeito que a gente sempre gosta, tentando falar um pouquinho da escolha da sede. Essa Copa...
aconteceu no México, mas não era para ter sido no México. Na verdade, essa Copa era para ter acontecido na Colômbia desde 1974, numa reunião ali antes do início da Copa da Alemanha, ficou definido que a Colômbia seria a sede.
E o que ocorreu, basicamente, foi que entre 78 e 82, a FIFA, já na presidência do Avelange, porque quando a Colômbia foi escolhida, o presidente ainda era o Stoltenhaus, depois o Avelange faz um acordo e aumenta o número de competidores, a Copa passa a ter 24 seleções e não só 16.
e com isso precisaria de mais quatro estádios, e a Colômbia não tinha condições financeiras, o país passando um problema ainda muito fraturado pela Guerra Civil e economicamente fraturado também. Acaba desistindo, isso foi uma situação inédita, nunca ocorreu, nem antes nem depois, o país escolhido para ser a sede desistir de organizar a Copa, e isso em 1982, depois da Copa da Espanha. Então...
com muito pouco tempo, para escolher uma nova sede. Alguns países, a ideia era que fosse na América, então alguns países acabaram colocando candidatura, entre eles o Brasil, também Estados Unidos e Canadá, mas todos desistiram, o Brasil só voltaria em 2014, Estados Unidos acaba sendo escolhido em 94, e o México, por já ter uma estrutura ali, uma infraestrutura mais ou menos...
construída para a Copa de 70, acabou sendo escolhido. E foi a primeira vez em que ocorreu de ter um país repetindo como sede, a primeira sede repetida 16 anos depois, entre 70 e 86. E nos deixou essa Copa mítica por tantos fatores com os quais a gente vai começar a falar agora, né, Edelber? Boa tarde, Edelber, e vamos lá. Você quer começar por onde? Vamos começar pela seleção brasileira?
Vamos, boa tarde, bom dia, boa noite para todo mundo que nos ouve e assiste. É uma Copa cheia de ineditismos, né? Vamos lembrar um pouquinho da fórmula. Essa é a primeira Copa do Mundo com oitavas de final. De 78 para 82, o número de participantes foi de 16 para 24, né? A Copa de 82 é a primeira Copa com 24 equipes.
E eles mantêm em 82 aquela fórmula que vigorou em 74 e 78, que é a segunda fase também ser em formato de grupos.
Só que como eram 16 antes, em 74 e 78 você tinha como fazer grupos simétricos. Eram dois grupos de quatro. 16 times classificavam os dois primeiros de cada grupo. Eram oito, portanto, divididos em dois grupos de quatro. Assim foi em 74 e 78. Em 82, manteve-se o formato de grupo.
Mas aí já eram grupos de três, porque eram 24 times, então classificavam 12, formavam-se quatro grupos de três. E que gera uma falta de simetria, porque tem sempre um time folgando e tal. A Copa de 86 é a primeira Copa com oitavas de final. Até então nunca tinha havido na Copa do Mundo oitavas de final, um mata-mata de oitavas de final.
até 1970, classificavam-se dois de cada grupo e jogavam as quartas de final. Na Copa de 86, como eles não queriam fazer mais a segunda fase...
com grupos, inaugura-se, esse é outro ineditismo dessa Copa, a classificação dos melhores terceiros colocados. Então, como eram 24 times, classificavam-se de 16, para você poder ter oitavas de final simétricas. Classificavam-se 12 como primeiros e segundos colocados e classificavam-se mais quatro como os melhores terceiros. Então...
É a primeira Copa com oitavas de final, é a primeira Copa com essa fórmula estranha dos melhores terceiros colocados de cada grupo se classificarem também. É a primeira Copa em que uma seleção africana se classifica para o mata-mata.
A primeira Copa em que uma seleção africana passa da fase de grupos é a seleção de Marrocos, que inclusive ganha o seu grupo. Marrocos fica na frente da Inglaterra, da Polônia e de Portugal.
Nesse grupo, o grupo F, fica Marrocos em primeiro, a Inglaterra em segundo, a Polônia em terceiro e Portugal fica fora. Portugal, apesar de derrotar a Inglaterra, ganha da Inglaterra de 1 a 0, mas depois perde da Polônia, perde de Marrocos e fica fora. Então, só para dar uma ideia para o pessoal de quem jogou essa Copa.
Se a gente está falando de primeiras vezes, você vai agora falar os times participantes, mas vai lembrar que são três estreantes. Na Europa, Dinamarca. Na CONCACAF, o Canadá. E o Iraque, na Ásia. Então, também eram os debutantes dessa Copa. Isso, exatamente. São dois times da América do Norte.
o México e o Canadá, são dois times da África, a Argélia, que cai no grupo do Brasil, e Marrocos, são dois times da Ásia, a Coreia do Sul e o Iraque, são quatro times da América do Sul, Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina, e as outras dez seleções são europeias, a gente vai falar delas com detalhe. Vamos...
em primeiro lugar, destacar, que é a Copa do Maradona. Essa é, talvez, talvez não, eu acho que com certeza, a Copa em que um jogador resume a Copa, define a Copa e, digamos, ganha a Copa, entre aspas, sozinho. Fala-se muito do Garrincha em 62, mas o Garrincha em 62 tinha um equipaço em volta dele.
Didi jogando muito, Nilton Santos jogando muito, Zagallo jogando muito, Amarildo entrando muito bem. Essa já é uma seleção argentina que não é uma grandíssima equipe. Eu sou um grande fã da seleção argentina de 78, eu defendo muito a qualidade daquele time, eu acho que é um time notável, um time bonito de se assistir.
No caso da seleção argentina de 86, eu já acho que é um pouco diferente. Ela não é uma seleção de grandes craques, ela não é uma seleção necessariamente vistosa, bonita de se ver, ela é uma seleção em que brilha um gênio. E aí...
Nessa... Idelber, você me pergunta de comentário. É até curioso você fez essa comparação entre as duas seleções campeãs argentinas, porque na discussão futebolística, a Argentina é muito comum ou foi muito comum na época.
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essa dicotomia entre o menotismo e o bilardismo. O menote sempre foi reconhecido, em toda a opinião futeboleira da Argentina, como aquele técnico identificado com o futebol bonito, futebol arte, joga para frente, os atacantes, os jogadores têm criatividade.
E foi campeão do mundo em 78. Já o Bilardo é da escola dos estudiantes dos anos 60, um cara que é o resultado pelo resultado, tem que ganhar de qualquer jeito. E famoso pela Copa seguinte contra o jogo do Brasil, a famosa história da água batizada, isso era típico do Bilardo.
Mas, curiosamente, os dois times que ganham a Copa do Mundo ficam meio que reconhecidos para a história, né? Com o sinal trocado, o time do Menotti, por toda a situação da ditadura, sobre a qual a gente já falou bastante aqui no episódio.
fica lembrado como um time que esquecido que era o belíssimo time que era e o time do Bilardo apesar do Bilardo fica lembrado como sendo o time do Maradona o time do futebol bonito, o time do craque, do gênio
Então é até um paradoxo com essas duas posições filosóficas e a forma como as duas seleções de cada técnico ficaram eternizadas na memória dos torcedores e de todo mundo que gosta de futebol. Exato. Vale a pena dar uma recapitulada histórica, já que a gente começou pela Argentina. A Argentina tem uma história futebolística muito particular, muito diferente da brasileira, porque é amplamente reconhecido por muita gente.
que na década de 40 a Argentina tinha o melhor futebol do mundo. Impossível demonstrar, porque ela não participou de competições, em 42 e 46 não houve Copas do Mundo, mas é a era de ouro da chamada Lanuestra, que é esse estilo de jogo argentino, baseado na picardia, como eles dizem, no drible, na arte individual.
na alegria de jogo, pelo prazer do jogo. É a década que consagra aquela máquina do River Plate, muito conhecida pela linha de frente, Muñoz, Moreno, Pederneira, Labruna e Lostó. E a Argentina não participa da Copa de 1938, porque havia boicotado.
não participa da Copa de 50 por desavenças com o Brasil, também por intervenção do governo peronista. Quando chega a 54, eles também não participam, em parte por medo do governo peronista de algum vexame, de que o mito do grandíssimo futebol argentino desmoronasse. E quando eles chegam em 58, eles têm um choque de realidade, porque ali o futebol já havia se acelerado muito.
os esquemas de marcação já eram muito mais fortes, a geração argentina já estava envelhecida, daquela geração de ouro só vai o Labruna, e eles levam uma traulitada de 6x1 da Tchecoslováquia. Esse 6x1 da Tchecoslováquia, em 1958, muda a história do futebol argentino, porque, além do mais, é a Copa de Consagração do Brasil.
E eles, em reação a essa derrota humilhante de 6x1 com a Tchecoslováquia, a filosofia, a forma de jogar conhecida como Lanuestra, é culpada pelo fracasso e se desenvolve uma outra escola, que é a chamada escola do antifutebol. O antifutebol.
que é muito associado, como você disse, ao Estudiantes de La Plata do Subeldia. Nesse time do Subeldia, Oswaldo Subeldia, tem um volante muito esforçado chamado Carlos Bilardo. E essa equipe é conhecida, esse é inclusive o estereótipo de futebol argentino com o qual a gente trabalhou no Brasil durante muito tempo. O argentino é cativeiro, o argentino é violento.
Não é que o argentino é assim. Essa escola de futebol que vigorou nessa época era realmente assim. O Bilardo chegava a levar agulha, alfinete, para espetar o adversário na hora do jogo. Então, puxões de camisa, cusparadas, espetada no adversário com agulha. Essas coisas todas passaram a ser validadas como necessárias para se ganhar a qualquer custo.
Pois bem, o Menotti ganha a Copa de 78 jogando uma atualização da Lanuestra. Como reação a essa forma de jogar dos estudiantes, aparece o Huracán do Menotti, que ganha o Campeonato Argentino de 73. É o primeiro título profissional do Huracán, que não tinha ganhado nada na era profissional. E o Menotti é levado para a seleção argentina durante o governo peronista, em 74.
Acontece o golpe militar, o Menotti se oferece para renunciar, eles mantêm o Menotti, ganham uma Copa, o Menotti vai para a Copa de 82 e, já com aquela geração envelhecida, eles perdem para a Itália, perdem para o Brasil. Ele é substituído pelo Bilardo, inicialmente eles têm uma boa relação, eles se encontram para tomar um café, o Menotti passa coisas para ele, mas logo, logo vai se abrindo.
essa cisão entre os dois, o Menotti faz críticas públicas à seleção, escreve artigos, e eles viram inimigos mortais. O Menotti representando o futebol arte, o que nós brasileiros chamaríamos de futebol arte, e o Bilardo representando essa escola pragmática, cínica de ganhar a qualquer custo. O interessante é que...
o Bilardo começa muito mal, eles perdem vários jogos, têm dificuldades nas eliminatórias e tal. No meio de uma excursão pela Europa, em 1984, o Bilardo está tentando encontrar uma forma de encaixar o Maradona, de tirar o máximo do Maradona, de dar mais liberdade para o Maradona. E ele diz assim, mas espera lá, não tem ninguém mais jogando com ponta.
já não tem ponta. Todo mundo joga com dois atacantes. Para que eu vou ficar com dois laterais lá atrás na linha de quatro? Eu vou recuar um meio campista para fazer a linha de três da zaga e eu vou empurrar esses laterais para que eles virem meio campistas. E aí nasce o 3-5-2.
A origem do 3-5-2, como quase tudo no futebol, ela tem vários pais. Então tem uma briga para ver quem inventou, quem fez primeiro, etc. Entre o Carlos Bilardo e o técnico croata, o Miroslav Blasevich, que seria o técnico da Croácia nas Copas dos anos 90. Ele é o cara que leva a Croácia para aquele histórico terceiro lugar na Copa de 98.
Pois bem, o Blasevich, naquele momento, ele é técnico do Dinamo de Zagreb, que é um time croata, Zagreb, mas naquele momento, iugoslavo, que está tendo muito sucesso na Europa. E o Blasevich, até hoje, durante muito tempo, eu digo, ele morreu recentemente, morreu em 2023, mas até a sua morte...
ele seguiu dizendo que quem inventou 352 fui eu, etc. Não importa quem inventou. O fato é que, em 1984, o Bilardo experimenta com esse sistema em uma excursão para a Europa. Eles ganham da Suíça, ganham da Bélgica e ganham da Alemanha Ocidental, de 3 a 1.
Quando ele anuncia a escalação, sempre me fascinam essas histórias, quando tem uma inovação e as pessoas, ao se toparem com a inovação, elas dizem que está errado, você escalou o time errado. Ele anuncia a escalação no 3-5-2 e os jornalistas dizem que está errado, está faltando um zagueiro. Não, não está faltando um zagueiro. Eu vou jogar com três zagueiros.
e vou jogar com cinco meio-campistas. Então, para a gente dar a formação que se firma na Copa do Mundo, já de uma vez então, já que a gente começou com a Argentina, a formação que se fixaria a partir do terceiro jogo é Pompido, no gol, Ruggeri, Brown e Cotilfo. O Brown é líbero.
Ou seja, o Ruggeri e o Coutilfo se encarregam dos dois atacantes adversários, porque nesse momento está todo mundo jogando com dois atacantes. Os dois marcadores, então, seriam o Ruggeri e o Coutilfo, e o Brown, que eles chamam na Argentina de Tata Brown, fica de líbero. Na frente da zaga joga o Batista, ele é o volante de contenção, como eles gostam de chamar lá.
adiante dele jogam do lado direito o Henrique e do lado esquerdo o Burruchaga e fazendo as alas estão Díusti e Olarticochea isso permite que os dois atacantes Maradona e Valdano joguem de uma maneira muito particular, Maradona joga completamente solto o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o
Essa forma de jogar permite a ele que o Maradona fique completamente livre, solto para fazer o que quiser. Então, na verdade, você pode dizer que é um 3-5-2, mas você pode dizer também que é um 3-5-1-1. O Valdano é o atacante e o Maradona zanza pelo campo inteiro. O Maradona faz o que ele quer.
E na fase defensiva, os laterais, os alas, eles também voltavam. E ficavam 5-3-2 também, no momento da fase defensiva. Tanto que é até legal isso no livro do Wilson, na Pirâmide Invertida, que a gente já mencionou várias vezes. Ele diz que esse é o momento em que a pirâmide desinverte. Porque, historicamente, o nome Pirâmide Invertida vem justamente do 2-3-5.
que é dois zagueiros, três médios e cinco atacantes, e aí a Argentina em alguns momentos chega a jogar com cinco, três zagueiros e dois alas, mais marcadores, três no meio de campo e os dois atacantes, mas o Maradona realmente era um shadow striker, vamos dizer assim, quer dizer, um ponta de lança.
O engante mesmo, como eles dizem na Argentina, só que mais atacante até do que o engante mais clássico, que é mais armador. É mais um ponta-de-lança mesmo. E o Valdano, que era um jogador, um centroavante sem muito requinte técnico, mas um grande goleador.
Não é à toa que foi um jogador histórico do Real Madrid. Ele é ídolo do Real Madrid, né? Ele é ídolo do Real Madrid, né? Depois vira técnico lá, né? Então, era um cara que fazia os gols, né? Não perdia muita chance. É, e a Argentina, ela começa muito desacreditada. A última partida da Argentina, antes da Copa de 86, é uma vitória...
por 7x2 sobre Israel, mas essa é a única vitória da Argentina em sete jogos. Eles empatam duas vezes com o México, perdem para o Peru, enfim, eles têm uma preparação meio conturbada. Mas, na hora do vamos ver, a coisa funciona. O jogo-chave...
Nessa Copa, para os argentinos e para a progressão da Copa, são as quartas de final contra a Inglaterra. Mas antes disso tinha tido dois jogos importantes. Começa ainda na fase de grupos, a Argentina cai no grupo da Itália. A Itália era campeã do mundo.
Isso, e eles empatam com um gol. A Itália até sai na frente. Fantástico do Maradona. Mais um golaço. A bola chega completamente sem ângulo. Não tinha nada para fazer ali. Se ele tentasse dominar, ele estaria de costas para o gol, com o marcador fungando no cangote dele. E ele simplesmente dá um tapinha na bola, sem ângulo, no canto oposto. A Argentina empata esse jogo com a Itália, em 1x1.
Depois eles vencem a Bulgária, tinham vencido a Coreia do Sul, e se classificam em primeiro. E aí joga com o Uruguai, nas oitavas. O Uruguai, é legal de mencionar que eles tinham ficado duas Copas sem participar. Eles foram para a Alemanha em 74, aí perderam a classificação para 78 e 82, e voltaram aqui, tinha o grande Francesco ali. Tinha o Francesco.
Não era um grande time, tinha uma tamancada histórica da Dinamarca. Mas era o clássico, né? A Argentina e o Uruguai é um jogo sem favoritos. Não foi um jogo fácil, a Argentina sabia que não seria um jogo fácil. Eles avançam com uma vitória de 1 a 0.
difícil, e aí chega esse jogo com a Inglaterra, que é mítico por várias razões. A Inglaterra tinha estado em guerra com a Argentina, em 82, pelas Ilhas Malvinas. A derrota da Argentina naquela guerra é considerada muito humilhante, porque durante muitos dias a ditadura militar argentina veiculou notícias falsas.
de que a Argentina estava tendo grandes vitórias e tal. A garotada que eles enviam para as Malvinas é uma garotada, enfim, jovem, mal treinada, mal equipada, às vezes passando fome lá no meio daquele gelo e são mortes a rodo, completamente desnecessárias. A Argentina perde a guerra bem rapidinho e a ditadura militar cai.
Apesar de todo mundo saber que a guerra era uma manobra da ditadura para tentar recuperar alguma legitimidade popular, existe também na Argentina um sentimento de solidariedade e afeto e vínculo com a garotada que morreu. E aí a ideia de vingar as Malvinas estava nítida, estava claríssima.
estampada na cara de todos os jogadores argentinos. Nesse jogo, as duas jogadas decisivas acontecem no começo do segundo tempo. Só um comentário rápido, Idel, antes da gente partir para o jogo, porque você mencionou, claro, o contexto político, mas no contexto futebolístico também, a Argentina e a Inglaterra têm uma longa história de... ... Tchau.
É um complexo de é, tipo, mal resolvido, vamos dizer assim, porque o futebol argentino tem uma influência historicamente muito grande do inglês, né? A colônia inglesa em Buenos Aires, na virada do século, era gigantesca, né? Era praticamente uma colônia não oficial, né? Inclusive, o campeonato argentino é o primeiro campeonato fora das ilhas britânicas, né? Desde o começo aí, do final do século XIX.
E depois, quando começam as Copas do Mundo, começam alguns conflitos, conflitos não, jogos, confrontos, dos quais a gente mencionou e falamos bastante sobre o primeiro, que é o de 66, com todo aquele episódio do Ratinho.
e o roubo, os argentinos se consideraram roubados, enfim. Então, fora a parte política, claro, obviamente, super importante, e mais recente, né? Mas a longa história de confrontos futebolísticos também pesou, né? Pesou, claro. Tem a vingança. Depois continuaria, né? E depois continuaria. Copa de 98. 98, 2002, né? 2002.
Em 1998, a Argentina elimina a Inglaterra. É a Copa em que o David Beckham é tomado como bode expiatório. E, em 2002, a Argentina cai na fase de grupos. Depois de fazer uma campanha espetacular nas eliminatórias, a Argentina cai em um grupo da morte, com Nigéria, Suécia e Inglaterra, e fica de fora.
Antes de passar o jogo Inglaterra e Argentina, vale a pena observar que, já que a gente falou de Grupo da Morte, essa Copa de 86 é a primeira Copa em que aparece a expressão Grupo da Morte. Essa expressão foi usada pelo técnico do Uruguai para caracterizar o grupo em que eles caíram, que era Dinamarca, Alemanha Ocidental, Uruguai e Escócia.
nesse grupo fica de fora a Escócia. O Uruguai se classifica como o terceiro melhor, um dos terceiros colocados que passaram. Bom, vamos lá para esse jogo. Deixa eu propor um...
Uma manobra brusca, ideal. Vai deixar esse jogo mais pra frente, a gente volta a falar da Argentina, vai ter que falar da final, claro. Mas vamos voltar pro Brasil, né? Porque a gente tinha combinado de começar pelo Brasil e a gente acabou indo pela Argentina, tudo bem, já falamos bastante, mas vamos voltar pra seleção brasileira um pouquinho, que a gente tem bastante coisa pra cobrir, né?
Então, vamos voltar lá no início. O Tele perde 82 e ele sai imediatamente. E aí o Brasil começa um ciclo para a Copa seguinte muito confuso. São três técnicos antes da volta do Tele. Começa com o Parreira. Depois vem o Edu Antunes, o irmão do Zico. E depois tem uma passagem rápida do Evaristo de Macedo. Nada dá certo, nada funciona.
o Brasil perde uma Copa América dentro de casa, e o Tele volta meio que quase que como um salvador da pátria, mas ao mesmo tempo...
foi uma figura controversa, tinha os defensores do Tele e tinha os detratores do Tele, nem todo mundo, não era uma figura tão unânime, unívoca quanto ele tinha sido em 82. E tem aquela história toda, aqueles vícios da nostalgia, que a gente sempre acarreta a seleção brasileira, acomete a seleção brasileira muitas vezes.
E essa seleção do Tele padeceu muito disso. Mas começando um pouquinho lá atrás, vamos falar do ciclo todo. Vamos falar do Evaristo. Esse ciclo confuso. Eu assisti alguns jogos na preparação pra hoje, eu assisti alguns jogos do ciclo do Evaristo. Sim. O Evaristo começa com um amistoso do Mineirão. Deixa eu citar rapidinho, já que você vai começar pelo Evaristo. Só falar do Parreira. O Parreira, ele...
já assume e tem aquela coisa da inovação, então ele vai chamar muitos jogadores que não estavam na Copa de ATT2, mas ele acaba sendo demitido depois de perder a Copa América dentro de casa. É um jogo até...
que eu estava presente, apesar de que eu tinha sete anos de idade, mas foi um jogo na Fonte Nova. Essa Copa América era uma Copa que acontecia com jogos de ida e volta, não tinha sede fixa, né? Então, aconteciam jogos na casa de cada time, né? O Brasil até colocado num grupo com a Argentina, um grupo de três, Brasil, Argentina e Equador.
O Brasil acaba se classificando no saldo de gols, faz os mesmos pontos que a Argentina, mas se classifica, só classificava um. Vai para a semifinal contra o Paraguai, que é uma semifinal curiosa porque acaba empatada, empata em um a um lá em Assunción, e depois em Uberlândia tem um empate 0 a 0, e o Brasil classifica na moedinha, no sorteio. E aí vai para a final.
contra o Uruguai, perde no Estádio Centenário e o jogo de volta na Fonte Nova. 80 mil pessoas na Fonte Nova e o Brasil não consegue sair do 0x0. E o Parreira... 1x1, desculpa, sim. 2x0 na ida. Outro Jorginho. E depois o Uruguai empata com a Guileira. E o Uruguai campeão. Outro maracanaço, né? Depois de 50.
Rapaz, você estava nesse jogo. Eu estava, eu fui com a minha família, mas eu não tenho muita lembrança. Esqueceu até do mundo Brasil. É, exato. Pois é. Bom, o Evaristo entra em 1985. Ele estreia em um amistoso com a Colômbia, no Mineirão. E nesse eu estava.
2x1, é curioso porque eu estava tentando puxar pela memória qual é o primeiro exemplo que eu consigo lembrar de a seleção brasileira ser vaiada durante o jogo nos anos 70 você vê um pouco às vezes, por exemplo, na Copa América de 79 quando perde a Copa América para o Paraguai no Maracanã na Copa América
Acaba o jogo, tem umas vaias, mas não é aquela vaia estrepitosa, todo mundo vaiando. E não teve vaia durante o jogo. Durante o jogo a turma estava tentando apoiar, cantar, etc. Nesse amistoso contra a Colômbia, eu ouvi vaias aos 30 minutos do primeiro tempo.
primeiro tempo. Eu estava ali porque eu queria ver o Reinaldo, queria ver o Éder. Esse ciclo do Evaristo tem as últimas partidas do Reinaldo pela seleção brasileira. O último técnico que convoca o Reinaldo para a seleção brasileira é o Evaristo. Quando entra o Tele, o Tele não gosta do Reinaldo. Já com birra do Reinaldo, ele deixa de convocar o Reinaldo. Mas o Evaristo tem um ciclo de seis partidas.
Ele ganha de 2x1 da Colômbia nesse jogo, que o primeiro tempo termina 0x0 e a seleção vai para o intervalo embaixo de uma vaia estrepitosa. Curiosidades sobre o ciclo do Evaristo. Ele está promovendo uma renovação, então ele joga com laterais novos. O Edson, do Corinthians, que seria o lateral da Copa nos dois primeiros jogos. E o Branco. Quem promove a estreia do Branco na seleção brasileira é o Evaristo.
No meio campo tem um jogador que, acho que nem você deve lembrar, nem os ouvintes devem lembrar, o Dema do Santos, que era um volante muito limitado, o alemão e o Casagrande de camisa 10. Esse é um dos problemas da seleção do Evaristo. É, quando eu vi isso eu confesso que eu achei curioso, né? Eu nunca tinha, não lembrava, não tinha ideia do Casagrande jogando no meio de campo, né? Ele não, só no final da carreira que ele... Aquele...
Apareceu no São Paulo, jogou algumas partidas de camisa 10, mas nunca funcionou. O fato é esse. Chegou a jogar e tal, mas nunca funcionou. Ele e o Reinaldo era uma dupla, digamos, redundante. Era uma dupla redundante. Os dois jogadores são clássicos, camisas 9, diária, apesar de serem muito diferentes. O Reinaldo muito mais técnico, muito mais refinado.
o Casagrande muito mais de fazer pivô, mas são dois jogadores que ocupam o mesmo espaço do campo. Não deu certo. O Reinaldo fez uma grande jogada, que é o primeiro gol do Casagrande, ele limpa, dribla, coloca o Casagrande na cara do gol, o Casagrande bate bem de esquerda, o Brasil abre o placar, depois o Brasil faz 2x0, a Colômbia diminui no final, com um pênalti que eu gosto de ressaltar, porque é um pênalti cometido pelo Edson, que é batido.
De novo, não por culpa própria, mas porque o Brasil está em um esquema de laterais apoiando, sem cobertura. O Edson toma a bola nas costas, a Colômbia faz o gol. Depois o Brasil perde para o Peru no Mané Garrincha, em Brasília. Ali ele promove a estreia do Bebeto.
Coisa curiosa é que, e isso eu não lembrava, no meio desse jogo com a Colômbia e o Mineirão, a torcida mineira começa a pedir o Bebeto. Pedem o Bebeto, ele estreia o Bebeto no jogo seguinte, depois tem um amistoso com o Uruguai no Arruda, o Brasil vence 2x0.
depois tem um amistoso com a Argentina na Fonte Nova, o Brasil vence por 2x1, e depois tem um amistoso na Colômbia, em que o Brasil perde por 1x0, e depois outro amistoso no Estádio Nacional de Santiago do Chile, contra o Chile, em que o Brasil perde por 2x1. Aí ele cai. Ele não resiste a duas derrotas em amistosos. E quando volta o Tele, a primeira...
mudança visível, é que volta uma espécie de velha guarda. Então, ali onde estavam Edson e Branco, voltam o Leandro e Júnior. Um minutinho. Deixa eu, então, te perguntar uma coisa, Delbert. Durante as eliminatórias, aí nos primeiros
o povo o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o
Nos primeiros jogos amistosos e depois nas eliminatórias, o Brasil, inclusive, pega um grupo muito fácil nas eliminatórias, né? É um grupo que tem Bolívia e Paraguai, grupo de três, e rapidamente o Brasil ganha, tanto em Santa Cruz de La Sierra, que eu não sei por que a Bolívia não jogou, é o Alto, nem em La Paz, jogou em Santa Cruz, ao nível do Mar, e o Brasil ganha também no Paraguai, e aí já tinha cancelado a participação na Copa.
Mas o Tele joga, curiosamente, num 4-3-3 durante as eliminatórias. Eu digo curiosamente porque a gente já falou bastante sobre o Tele aqui em 82 e ele estava jogando sem pontas. E aí ele volta a escalar pontas, o Renato Gaúcho e o Éder. Mas isso ele vai perder antes da Copa. Então conta pra gente como é que foi esse ciclo aí do Tele. É, o que é curioso... Paulo vai gostar de pontas e depois volta a não gostar. O que é curioso no ciclo do Tele...
é que ele joga as eliminatórias e joga os amistosos preparatórios com pontas. Todo o ciclo preparatório é jogado com pontas. Ele joga com o Renato Gaúcho e com o Éder. Depois, mais adiante... É, um 4-3-3 mesmo, né? Um 4-3-3 clássico. É, com pontas abertos. Quando... ...
ele tem problemas disciplinares com o Éder. O Éder agride um adversário, já não me lembro em qual jogo, mas, enfim, o Éder acumula um ou dois episódios de indisciplina e o Telê deixa de convocá-lo. E...
O Renato Gaúcho não vai para a Copa, ele é cortado imediatamente antes da Copa, em um episódio que todo mundo conhece, que eu nem vou repisar muito, né? Todo mundo já ouviu falar dessa história. Eles estavam concentrados em Belo Horizonte, na Toca da Raposa, dois meses de preparação, sem poder sair. O Tele deu uma folga para eles, em um domingo.
marcou uma determinada hora para voltarem, 10 da noite, 11 da noite. Renato Gaúcho e Leandro voltam um par de horas atrasados. Nada muito grave, não é que eles chegaram às 8 da manhã, enfim. Chegaram um par de horas atrasados. O Leandro, que estava meio bêbado, não conseguiu pular o muro.
O Renato foi pego porque estava ajudando o companheiro. Os dois foram pegos, mas só o Renato foi cortado. E quando o Renato foi cortado, o Leandro, que era, digamos, entre aspas, o culpado pelo amigo ter sido pego, em um gesto, inclusive, que eu admiro, muito bonito.
de solidariedade ao amigo, disse, não, se ele foi cortado, eu vou ser cortado também, eu não vou à Copa. E se recusou a ir à Copa. No embarque da seleção brasileira, tem um movimento de jogadores para convencer o Leandro, o Zico vai para a casa do Leandro. Imagina uma loucura dessa, né? Na hora de embarcar para o México, tem uma comissão de jogadores que vai para a casa do Leandro tentar convencê-lo a viajar com a seleção.
E o Leandro Irredutivo, não, cortou meu amigo Renato, pelo mesmo incidente pelo qual o Renato foi cortado, então eu tenho que ser cortado também. Resumindo a ópera, o Brasil vai sem o Renato e sem o Éder por indisciplina. Esse já é um indicador de que o Tele está perdendo as rédeas, o Tele está passando do ponto com a questão da disciplina. Por quê?
Em 82, a autoridade dele se afirmava de uma maneira muito natural. E em 82, vale lembrar, o Brasil já tinha sofrido com essa obsessão do Tele com disciplina, porque o Brasil jogou sem o Reinaldo, que era indiscutivelmente o maior centroavante brasileiro naquele momento.
E ele jogou sem o Reinaldo, não porque o Reinaldo tivesse cometido algum ato muito grave de indisciplina, mas porque o Reinaldo tinha um perfil, um protagonismo político, cultural no país que o Telenor não aceitava.
O ano de 81, eu já escrevi bastante sobre isso, alguns dos ouvintes conhecem meus escritos sobre isso. O ano de 81 no Brasil é marcado por toda essa polêmica com o comportamento do Reinaldo, porque o Reinaldo dava declarações e o Tele chegou a dizer que o Reinaldo tem que se preocupar em jogar bola e não ajudar os índios, o Lula e o Frei Beto. Enfim, em 86, essa autoridade do Tele já passa a ter que se impor pela violência.
É tipo o pai violento, a violência do pai contra o filho não é uma amostra de poder, é exatamente o contrário, é uma amostra de fraqueza. E aí o fato de ele ter cortado os pontas que ele tinha o deixa em uma situação complicada, porque, e agora? Na preparação, ele chegou a usar outros pontas. O Marinho, velho conhecido nosso, ponta formada na base do galo.
finalista do Campeonato Brasileiro de 85 com o Bangu chega a jogar Contele na fase de preparação
Tem um jogo do Edivaldo, sim, e um jogo do Disseuzinho também, né? Isso. Tem um jogo, tem um jogo. Nessas experimentações aí do Tele com os Pontas, né? O fato é que eu revi todos os jogos do Brasil para esse episódio. Então vamos falar um pouquinho dos jogos da seleção na Copa, certo?
Certo. Agora o meio campo, né, Hidelberg? O meio de campo era a espinha dorsal do time nas eliminatórias, eram os craques de 82, Cerezo, Sócrates e Zico. E na Copa não é isso, o time muda completamente. Quer dizer, aí ele vai tirar um ponta e vai colocar um marcador a mais no meio de campo e vai ficar um 4-4-2. Sobretudo é um time embolado.
Você vê o Brasil jogar na Copa do Mundo de 86 e a sensação é um time que não tem a menor amplitude. Só para todo mundo lembrar, o time que vai entrar em campo para os dois primeiros jogos tem o Edson na lateral direita, a dupla de zaga é o Júlio César e Edinho.
e na lateral esquerda a gente tem o branco. E o Carlos no gol, né? Carlos no gol, claro. Se eu quero falar do Carlos, é, inclusive, porque é importante a gente falar do Carlos. O meio campo vai ser Elzo do Galo, que é um cabeça de área, cabeça de área mesmo. Inclusive, o Elzo, ele não está na lista de grandes ídolos da história do Galo. Ele foi reserva do Toninho Cerezo.
durante muito tempo, ele não é, digamos, um jogador que tenha deixado uma marca na história do Galo. O alemão, o Júnior e o Sócrates, na frente, Casagrande e Careca. O Miller entra no lugar do Casagrande nos dois primeiros jogos, no transcorrer dos jogos.
E aí, na terceira partida contra a Irlanda do Norte, o Miller ganha a posição do Casagrande e o ataque fica sendo Miller e Careca. Deixa eu te fazer duas perguntas sobre esses jogadores que você mencionou aí. Primeiro, o ataque.
É um 4-4-2 e o Tele começa com o Casagrande e Careca. Quer dizer, os dois centroavantes, assim como tinha sido antes com o Casagrande na seleção do Alvarice. Casagrande e Reinaldo, eles se embolavam, não deu certo. Casagrande acaba saindo, não joga bem. Ele bota o Miller depois, né? O Miller era um jovem, né? Um dos... tinha surgido naquele time dos menudos, do São Paulo. Corria, tinha muita velocidade, acaba entrando. E no meio de campo, o Zico...
tá machucado, né, o Cerezo se machuca antes da Copa, ele acaba colocando o Elza, e o Alemão, o Alemão já tinha jogado com alguns dos outros técnicos durante o ciclo, mas que era um jogador também mais marcador, e tem o Júnior, né, o Júnior é interessante porque o Júnior...
estava no Torino e ele já vinha fazendo essa mudança para o meio de campo, que ele terminou jogando ali como um meio campista armador. Então ele meio que faz o papel do Zico nessa seleção, o Júnior. E o que chama atenção é que o Brasil não tem jogo pelas pontas. Ele só tem jogo pelas pontas quando os laterais descem.
Quando os laterais descem, é um Deus nos acuda, porque o sujeito está descendo 80 metros e a volta é sempre complicada, porque a cobertura tem que ser feita pelo Elzo, ou pelo Júnior, ou pelo Alemão, o que elimina a vantagem que você teria de estar jogando com quatro no meio campo. O Brasil não joga bem.
Eu revi os jogos todos, os cinco jogos, e estou bastante tranquilo com a colocação que a seleção brasileira ficou nessa Copa. Apesar de ela ter um histórico defensivo impressionante, o Brasil sofre um gol em cinco jogos. Vence a Espanha por 1 a 0. É preciso destacar que a Espanha teve um gol legítimo que não foi validado.
quando o jogo estava 0x0. Depois o Brasil vence a Argélia por 1x0. Depois vence a Irlanda do Norte por 3x0. E vence a Polônia por 4x0. E depois empata com a França de 1x1.
Resumindo a ópera, eu queria destacar alguns jogadores. O Carlos, que é um goleiro excepcional, o Brasil não sofre nenhum gol durante os quatro jogos, não é porque ele teve uma grandíssima dominação, não é mesmo. Inclusive contra a Arxélia, o Carlos faz duas excepcionais defesas. Importante a gente destacar isso, porque a gente nunca lembra dos méritos dos goleiros.
O goleiro é lembrado quando engole frango. O Carlos, na minha opinião, é o melhor goleiro brasileiro dessa época, dos anos 70 e 80, o melhor. É verdade que o Leão foi maior na história da seleção brasileira, tem um histórico de conquistas maiores. O Carlos, claro, foi prejudicado pelo fato de que passou boa parte da carreira em um clube não tão grande, um clube importante, mas não tão grande, a Ponte Preta.
E teve um azar incrível na disputa de pênaltis, em que o Brasil é eliminado pela França, e um dos pênaltis, a bola bate na trave, bate nas costas dele e entra. Ele tinha fechado o gol, ele fez defesas impressionantes contra a França, contra a Irlanda do Norte, o Brasil sofreu contra todos esses times.
Inclusive, a Polônia, que foi uma goleada de 4 a 0, manda duas bolas na trave do Brasil nos dez primeiros minutos, quando o jogo está 0 a 0. Depois o Brasil toma conta, a Polônia é o jogo mais fácil. Pois bem, detalhes sobre a eliminação brasileira. O jogo acontece no dia do aniversário do Platini.
O Platini está completando ali, acho que 31 anos. O Platini erra o pênalti dele. Curiosidade aí. O Platini erra o pênalti dele. O Brasil tem um famoso pênalti que foi defendido pelo Bats. Eu não gosto de dizer que foi errado pelo Zico, foi defendido pelo Bats. O Zico tinha acabado de entrar.
Ele estava naquele momento treinando separadamente, estava com um problema grave, joelho, e coloca o branco na cara do gol, e o branco sofre o pênalti. Ele e o Sócrates decidem ali quem vai bater, o Sócrates não bate você e tal, ele vai lá e bate. Um minutinho.
Só duas coisas que você tinha mencionado. Nessa jogada justamente funcionou a amplitude porque o branco avançou. O Brasil só conseguia jogar pelo lado com os laterais e o branco avança, dá uma disparada, e o Zico vê.
faz um belo passe de longe e consegue alcançar o branco e o Batts derruba ele, né? Foi o Batts, né? É, isso, o Batts. Aí ele bate o pênalti, o Batts defende o pênalti. É importante lembrar que o que o Zico fez ali foi exatamente o contrário de pipocar, certo? Sim. Não vale dizer que ele pipocou, não. Ele não pipocou, ele estava entrando no jogo, frio.
com o joelho arrebentado, e mesmo assim bateu o pênalti. Vale lembrar que na disputa de pênaltis ele converte o seu, o branco converte o dele, o alemão converte o dele, e o Sócrates perde o dele. E depois, no pênalti decisivo, o Júlio César, que era o cobrador de faltas do time, cobrador de faltas de longa distância, solta um petardo, e a bola bate na trave.
O Brasil é eliminado. Vale lembrar que na prorrogação tem dois lances no final da prorrogação que são muito curiosos. Um deles é a falta que o Carlos faz no Bocis. O Bocis recebe uma bola em profundidade completamente livre, mas habilitado. Ele dribla o Carlos, o Carlos faz uma falta nele fora da área.
O juiz dá vantagem, mas que não era vantagem, porque quando o atacante francês recupera a bola, ele já está completamente sem ângulo. É o típico caso de uma falta que hoje seria cartão vermelho. É o goleiro último homem fazendo a falta fora da área, o cara entrando para dentro do gol e tal. E logo depois tem o cruzamento do alemão, que o Sócrates está na pequena área, sozinho.
Poderia ter parado a bola e tocado a bola para dentro do gol. O Sócrates tenta completar de primeira e fura. E ali teria sido a classificação do Brasil. De todas formas, eu acho que é uma eliminação... Se não justa, ela é uma eliminação que não é injusta. Os franceses jogaram muito bem. Depois do jogo, a França... A França...
os jogadores franceses vão ao vestiário da seleção brasileira porque não tinham conseguido trocar camisa, são bem recebidos, inaugura-se ali uma amizade entre o futebol francês e o futebol brasileiro. O Hernandes, que é parte daquele quadrado mágico, Giresse, Tigana, Platini e... Hernandes, é esse?
e ele troca a camisa com o Zico, enfim, os franceses falam desse jogo como uma grande conquista, como uma grande honra. E a França era campeã europeia, tinha chegado nas semifinais em 82, e era atual campeã europeia, no final contra a Espanha.
Então, acho que dá para a gente terminar o Brasil. Só para completar que essa disputa de pênaltis, ela é a segunda disputa de pênaltis da história das Copas. A primeira havia sido da própria. França e Alemanha. Contra a Alemanha, naquele jogo de 82.
Antes de a gente finalizar o Brasil, não sei se você quer falar mais alguma coisa, mas a gente não pode finalizar sem falar do Josimar. Pelo menos citar ele. Porque foi um personagem. Quer dizer, a lateral, durante toda a preparação, o Leandro era titular. Aí ocorreu o evento ali, que você já contou muito bem. E o Edson, que era o titular, o reserva imediato, o Edson do Corinthians.
ele acaba sumindo. Ele se machuca. Mas ele se machuca no segundo jogo. No segundo jogo, inclusive, entra o Falcão no lugar dele. Aí o Elves vai para a lateral direita, entra o Falcão. É importante destacar que o Falcão está nessa Copa sem condições também. Claramente, o Brasil é claramente um time envelhecido. Porque o Falcão havia tido problemas graves.
de joelho, na Roma ainda. A saída dele da Roma é muito contestada, porque ele tinha escolhido se tratar no Brasil, briga com a Roma e volta para o Brasil, vai jogar no São Paulo. De 85, meados de 85 até 86, meados de 86, quando acontece a Copa do Mundo, o Falcão joga um total de 12 partidas. O Falcão está jogando menos que o Neymar.
Menos que o Neymar. Menos que o Neymar. Quer dizer, o Tele realmente não consegue promover uma renovação, não consegue substituir os pontas que ele perdeu, ele não consegue se decidir se ele quer escolher um esquema tático e encaixar os melhores jogadores para funcionar naquele esquema, ou se ele quer escolher os jogadores e, a partir dos jogadores, decidir que esquema tático vai ser.
Bom, então, Idelber, vamos mudar um pouco de... Agora vamos falar rapidamente de alguns times europeus antes da gente voltar para a Argentina e aí acabar, finalizar o programa de hoje. Vou citar rapidinho aqui a Dinamarca, porque a Dinamarca ficou famosa nessa época por conta do... ficou conhecida como a Dinamáquina, né? Era um belo time.
O futebol dinamarquês era amador até 1979, fiquei abismado quando eu vi essa informação. Então eles conseguem se profissionalizar, claro que a maioria dos jogadores, os melhores, já jogavam em toda a Europa, nas outras ligas, então já eram profissionais, e eles montam esse bom time, se classificam para a Euro em 84, que foi na França, a França foi campeã.
E eles chegam na semifinal. Foi surpreendente. E foram eliminados pela Espanha. Nos pênaltis. Já jogavam. Era outra seleção que jogava em 3-5-2. Ao lado da Argentina.
já jogavam com três zagueiros e dois alas que atacavam bastante. Tinham dois grandes craques, o Elkiaer, que era o centroavante, e o Laudrup, mais meio campista armador. O técnico era o Piontek, o Sepp Piontek, um alemão. E eles chegam na Copa e surpreendem, porque eles ganham o primeiro jogo da Bulgária, era o Grupo da Morte, como você falou.
E na segunda rodada, eles metem 6x1 no Uruguai, né? E ali encanta a Copa. Acabam vencendo o da Alemanha na última rodada, numa situação até que era curiosa, porque se eles ficassem em segundo grupo, eles pegariam Marrocos, né? Nas oitavas, e eles passam por cima da Alemanha. O Piontek tinha...
estavam querendo se vingar, ele era alemão, queria se vingar da federação, mas eles se classificam em primeiro e vão enfrentar a Espanha, a Espanha que tinha desclassificado a própria Dinamarca na Euro.
E aí levam aquele 5x1. Um jogo impressionante. Quatro gols do Butraghenho. O zagueiro Jeff Olsen perde uma bola para o Butraghenho. Faz um passe errado, o Butraghenho rouba. Faz um belo gol. Então, assim acaba o sonho da Dinamarca. E a Espanha, que também não era um time ruim, né? Fez um bom jogo contra o Brasil.
perdeu por 1x0, tem esse grande jogo, mas acaba sendo depois desclassificada pela Bélgica. A Bélgica não começa muito bem, mas tem, acho que talvez, o jogo mais divertido da Copa, que foi nas oitavas Bélgica e União Soviética, não é isso, Del? É isso, esse jogo eu vi. Só para a Dinamarca estreia vencendo a Escócia.
A Escócia, a Bulgária era do grupo da Argentina. A Bulgária era do grupo da Argentina, né? Então é isso. A Escócia do Ferguson, né? A Escócia do Ferguson, né? A Escócia do Ferguson, e aí no jogo contra a Alemanha, o terceiro jogo, tem esse episódio que você destacou, né? Que a marca é dirigida por um técnico alemão. Se a Alemanha vencesse o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o melhor o
ela jogaria contra a Espanha, se a Dinamarca poderia perder o jogo e disputar as oitavas de final contra Marrocos. A Dinamarca resolve jogar sério, ganha da Alemanha, o Sepp Piontek, que era lateral, jogou muito tempo no Werden Bremen, era um cara que tinha relações meio...
tensas com a Federação Alemã, tinha seus ressentimentos e queria ganhar de qualquer jeito. Ganhou da Alemanha, foi premiado com o adversário mais difícil. E aí foi eliminado. Vale lembrar que a Dinamarca, como a Argentina, é um time que joga com o Líbero. Eles vão para essa partida contra a Espanha.
em cima daquele resultado meio ilusório que eles tiveram com o Uruguai. Vale a pena destacar que o Uruguai teve um expulso no primeiro tempo. Enfim, é um jogo muito particular, esse 6x1 que eles enfiam no Uruguai. Na Bélgica e na União Soviética, aí já é um jogo bem curioso, é um jogo muito bom de se assistir.
termina 4x3 para a Bélgica, mas claramente a União Soviética é o melhor time, na minha opinião. O que vale a pena destacar do time da União Soviética é que ele é comandado pelo Lubanovski. Valeriy Lubanovski, um dos precursores, um dos inventores da pressão no futebol. A pressão...
a marcação por pressão na saída de bola do adversário, ela é inventada meio que simultaneamente na Holanda, pelo Rinos Mitchell, e na União Soviética, mais especificamente na Ucrânia, pelo Lobanovski, naqueles times do Dinamo de Kiev. Essa seleção soviética...
ela é basicamente uma seleção ucraniana, isso é importante lembrar. Tem o Dassaev, goleiro conhecido nosso, que jogou contra o Brasil em 82, que é russo. E tem mais um cara da Bielorrússia. E só, o resto é todo mundo ucraniano. O Belanov, que faz os três gols nessa partida. O Kuznetsov, que é um grande zagueiro. E o que acontece nesse jogo é que...
A União Soviética pressiona, ela marca por pressão, ela marca a saída de bola. E a Bélgica tem um time talentoso, encontra algumas bolas longas e consegue decidir o jogo nessas bolas longas. Mas durante todo o tempo normal parece que a União Soviética vai ganhar. Ela está na frente do placar o tempo todo. Ela faz 1x0, a Bélgica empata, depois ela faz 2x1.
O jogo transcorre o segundo tempo, no 2x1 e tal. E aí só mesmo na prorrogação é que a Bélgica toma conta. A Bélgica é o time que vai enfrentar a Argentina na semifinal, portanto. A França, meio que já contente de ter eliminado o Brasil.
E a França tinha eliminado a Itália também, vale lembrar isso. Tinha eliminado a Itália. A França pegou o caminho mais duro. Ela pegou o caminho mais duro, eliminou a Itália, eliminou o Brasil. E aí contra a Alemanha não teve jeito. A eliminação... Aí já não tem polêmica, já não tem violência. É uma eliminação tranquila da Alemanha. É um 2x0 protocolar. É um 2x0 bem alemão.
o jogo da Bélgica contra a Argentina é um jogo incrível porque ali você vê realmente... Agora, peraí, a gente tinha pulado o jogo da Argentina e Inglaterra vamos ter que voltar, a gente não pode deixar de falar um pouquinho sobre esse jogo, porque eu acho que é um dos jogos mais icônicos Claro, claro Argentina e Inglaterra, 0x0 termina o primeiro tempo e aos 6 minutos do segundo tempo se eu não me engano o melhor o melhor o melhor o melhor
Tem essa jogada que a bola espirra. O Maradona vai disputar a bola com o goleiro, com o Shilton. E, enfim, o Maradona tem 1,67m, 1,68m. É um nanico, né? Ele está disputando a bola com o Peter Shilton, que é um goleiro de 1,90m e tantos. Além de tudo, o goleiro pode usar o braço, ele não pode. E mesmo assim...
Ele chega na bola com a cabeça quase tocando na bola. E quando ele vê que ele não vai conseguir tocar com a cabeça na bola, ele bota o braço e dá um soquinho na bola. A bola entra. O árbitro não vê, o bandeirinha não vê, a gente não vê inicialmente.
Os jogadores ingleses veem, reclamam muito. O árbitro tunisiano ficaria famoso por esse episódio, que é bem representativo da picardia, da viveça criouja. Essas características aprendidas na Várzea. Com muita revolta inglesa por esse gol ilegal que foi validado.
O jogo se reinicia e quatro minutos depois acontece o maior gol.
É um pouco, desculpe, só um comentário rápido, esse gol, Lamano de Dios, é um pouco picardia, mas também é um pouco anti-futebol, né? Também não vamos deixar só a poesia dos conquistados, né? Claro, claro. É, é tudo. É picardia como parte do anti-futebol também, né? Exato. Agora, o que mais me impressionou...
Revendo esse jogo, que eu não tinha lembrança, eu lembro de assistir esse jogo ao vivo, mas o que mais me impressionou é o que você estava começando a dizer agora. O segundo gol, o gol do Barujete cósmico, a pipa cósmica na narração famosa da televisão argentina, o papagaio cósmico, enfim, aconteceu quatro minutos depois, Idelbert, do gol de mão.
Dentro de campo ainda devia estar todo mundo atordoado, os ingleses ainda deviam estar putos da vida, reclamando. E acontece aquela obra de arte. Ali não dá nem para descrever. Ele faz o giro, ainda no próprio campo, arranca, dribla um, dribla dois, dribla três. Quando ele chega na área...
Esse jogo tem um antecedente muito interessante. Um antecedente muito interessante que eu quero contar, que nem todo mundo conhece. Conta pra gente, é muito legal. Esse vale a pena contar. Ele dribla o Chilton, né? Ele dribla o Chilton e toca pro gol vazio. O que é pouco sabido é que seis anos antes, contra a mesma Inglaterra, o Maradona tinha feito uma jogada idêntica.
idêntica, só que em vez de driblar o goleiro, ele toca na saída do goleiro, esse é um amistoso entre Argentina e Inglaterra em Wembley, que foi jogado na Inglaterra e o Maradona recebe um telefonema do irmãozinho dele, irmãozinho menor que também como ele é pibe de Várzea e o moleque diz o
Se você dribla o goleiro, você pode completar, inclusive, com a perna direita. Não precisa tocar na saída do goleiro. Você está na embalada, dribla o goleiro. E o Maradona, inicialmente, responde dando carteirada. Você não sabe de nada. Eu estou lá no meio do jogo, na hora. Ali no calor da coisa. Eu é que sei o que fazer, etc. O Maradona reage assim.
E seis anos depois, contra a mesma Inglaterra, acontece uma jogada idêntica. E ele se lembra do telefonema do irmãozinho dele. Tanto que, quando a gente vê o gol, fica até difícil saber se ele completa com a direita ou se ele completa com a canhota. Mas, na verdade, não importa, porque o gol está vazio. Maradona tinha uma perna direita notoriamente ruim.
ele dribla o goleiro igualzinho o irmão tinha pedido que ele fizesse seis anos antes, na jogada contra os ingleses, que não tinha dado certo. Bom, vamos acelerar então, porque a gente já está com...
O jogo contra a Bélgica é uma outra atuação de gala do Maradona. Aí é o caso do sujeito que coloca os companheiros na cara do gol dez vezes, eles perdem dez vezes, ele diz assim, então agora eu vou fazer os gols eu mesmo. E ele faz os dois gols ele mesmo. É sempre exagerado a gente dizer no futebol que um jogador ganhou sozinho, mas no caso dos jogos contra a Inglaterra e Bélgica, especialmente.
Eu acho que é quase isso. O Maradona ganhou o jogo sozinho. O mérito do Bilardo é encontrar essa fórmula que permite que ele não perca gente no meio campo ao deixar o Maradona livre. Porque se você está jogando no 4-3-3, você tem três no meio campo, um deles seria o Maradona, porque você não vai escalar o Maradona de centroavante, você não vai escalar o Maradona de ponta.
E para deixar o Maradona livre, você tem que jogar com dois meio-campistas contra equipes que estão jogando com quatro meio-campistas. Enquanto isso, você tem dois laterais inúteis, porque não tem ninguém jogando com ponta. Então, o que o Bilardo elabora para essa Copa é realmente muito engenhoso. Ele fala assim, eu não preciso de jogar com laterais se está todo mundo jogando sem ponta.
Eu vou deixar dois zagueiros marcando e vou deixar um na sobra. Eu continuo tendo um homem sobrando na defesa. E aí eu vou sobrecarregar o meio campo, vou ter amplitude com os dois alas, que ali são Diusti e Olarticochea, e vou ter um cabeça de área firme, tranquilo, que é o Henrique. E ainda por cima eu tenho dois meia-armadores.
que são Batista e Burrutiaga. E, além de tudo, eu ainda tenho esse gênio solto para fazer o que ele quiser, porque eu tenho esse meio campo povoado.
E essa zaga com o homem de sobra. Então, o Maradona ganhou a Copa sozinho. Ok, o Maradona ganhou a Copa sozinho. Mas por que ele pôde fazer todas aquelas coisas sozinho? Porque atrás dele tinha um time muito bem armado, que não perdia, não tinha inferioridade numérica no meio campo e não deixava atacante nenhum sobrando. E ainda tinha o Valdano lá na frente para completar. Então, é assim que a Argentina ganha a Copa.
A final com a Alemanha ocidental é uma final belíssima de se assistir. A Alemanha, nesse momento, também joga com o Líbero. Ela está jogando naquele 1-3-3-3, bem típico do futebol holandês, do futebol alemão daquele momento. Você pode chamar de 4-3-3, mas um desses quatro está na sobra. E está na sobra jogando atrás da linha.
A Argentina faz 2x0, parece que o jogo está encaminhado. Ela leva dois gols de escanteio. Ela leva dois gols de escanteio. Ela não leva gols porque foi pega na inferioridade numérica, etc. Mas ali o Maradona acha também uma jogada incrível, genial. A Alemanha poderia ter segurado a coisa. Segurado 2x2, levado para os pênaltis, etc.
mas a Alemanha, sentindo que estava com o vento nas próprias costas, decide ir para cima. E em uma dessas, o Maradona acha o espaço no meio campo para dar aquele passe perfeito para o Valdano meter o terceiro gol.
Burruchaga, perdão. O Burruchaga mete o terceiro gol. A Argentina campeã do mundo com justiça, na minha opinião, apesar de não ser um time que me encante tanto como o time de 78. Eu continuo com essa com esse ponto de vista. Acho que a eliminação do Brasil está certa, é aquilo mesmo. Poderia ter ganhado da França, mas a eliminação não foi injusta, não. É isso.
Maravilha! Então valeu, Idelber. Acho que a gente fez um bom resumo, até falamos pra caramba, pra ser bem sincero, falamos muito da seleção brasileira. É um ciclo que às vezes não é muito lembrado, mas o pessoal costuma focar muito no Tele, mas foi um ciclo confuso antes mesmo do Tele chegar. E depois, acho que realmente a Argentina, essa mistura entre...
a genialidade do Maradona e a boa sacada do Bilardo, conseguiu montar um bom time. E essa gana argentina também de vencer usando o que fosse necessário. Outros times falamos de todo mundo e foi uma Copa divertida de se assistir também. Foi uma bela festa dos mexicanos.
Então é isso. Podemos terminar por aqui. A gente volta toda sexta-feira aqui no canal do Meio. Nós somos Meio de Campo. Futebol é sua história. Deixe seu like, seu comentário. Nos conte o que você estava fazendo quando o Maradona fez o segundo gol contra a Inglaterra. E nos vemos na próxima semana. Não é isso, Delbert? É isso. Bom dia, boa tarde, boa noite. Valeu e até a próxima. Grande abraço.
A gente passa a semana aqui analisando política. Mas olha, tudo isso parte de algum lugar. Os dados. E nós acabamos de publicar a nova rodada da pesquisa Meio Ideia 2026 para você entender as intenções de votos para presidente. É ela que mostra como o governo Lula está sendo avaliado agora e a opinião dos eleitores sobre os fatos da atualidade. Essa pesquisa é sua, para você entender, debater e compartilhar com base em fatos e números, não suposições e narrativas. Os assinantes premium recebem em primeira mão antes de...
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