065 Notícias parte 1 - um mundo em alerta
Porque acolhemos o ruído constante do exterior, enquanto a paz interior se torna distante?
A resposta reside na mistura entre biologia antiga e tecnologia moderna.
O nosso cérebro foi desenhado para o perigo.
Quando vivíamos nas cavernas, o stresse vinha dos predadores, da fome e das catástrofes naturais.
Atualmente, podemos estar no sofá, a ler notícias no telemóvel, e desencadear a mesma resposta química do homem das cavernas a ser perseguido por um predador. Relaxados, no conforto de casa, perante um pensamento, uma notícia ou uma mensagem, o coração acelera, as pupilas dilatam e a corrente sanguínea é inundada de cortisol. Um alarme físico toca e nenhuma resposta é dada ao perigo.
Grande parte do stresse atual surge de ameaças imaginárias, levando a que a ansiedade faça parte do dia a dia humano.
A mente tenta prever o futuro e sobrecarrega-se desnecessariamente.
Por que razão valorizamos tanto o negativo?
Porque é que não existe um telejornal dedicado a boas notícias? Emissões que relatem os avanços da medicina ou o desenvolvimento de projetos que reduzem a poluição?
Não existe porque estaria condenado ao fracasso.
O nosso sistema nervoso desenvolveu-se para detetar o perigo, não foi desenhado para vivermos felizes.
Se um nosso antepassado pensasse que um farfalhar num arbusto era uma brisa, e fosse um tigre dentes de sabre, a sua linhagem genética acaba ali, mas se julgasse ser um predador e fosse o vento, sobrevivia.