#329 - A resposta que não demos e a ruminação, com Maria Fernanda Calliani
Algo dá errado no seu dia, você tem uma pequena discussão. Aquilo te chateia e de repente você se vê pensando em como poderia ter falado diferente, nas coisas que a outra pessoa falou, na tensão toda em si. E isso fica se repetindo, de novo e de novo, por horas, dias, a ponto de parecer que a sua cabeça entrou em parafuso.
Não é à toa que essa repetição exagerada de pensamentos em torno de um mesmo tema tem o nome de ruminação. Assim como animais ruminantes engolem o alimento, depois o trazem de volta à boca para mastigá-lo novamente de forma lenta e exaustiva, a mente "ruminante" pega uma ideia, erro ou medo do passado e a mastiga psicologicamente repetidas vezes, sem chegar a uma conclusão ou alívio.
E foi ruminando muito nossos pensamentos que a gente decidiu fazer essa conversa com a Dra. Maria Fernanda Calliani, que é Psiquiatra especialista em Transtornos do Impulso & Ansiedade, sobre ruminação.
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O Donas da P* Toda é um podcast independente.
Produção, roteiro e apresentação: Larissa Guerra (@larissavguerra) e Marina Melz (@marinamelz).
Edição e tratamento de áudio: Bruno Stolf (@brunostolf)
Todas as informações em www.donasdaptoda.com.br e @donasdaptoda.
- Estratégias para lidar com a ruminaçãoAceitar o pensamento como passageiro · Exercícios de respiração e foco no presente · Vivenciar o momento presente (banho) · Interação social como pilar da saúde
- Dúvida e InsegurançaMedo de ser grosseira e não responder · Repetição de perguntas versus respostas · Espiral de paranoia
- Ruminacao MentalHistória de vida e traumas · Criação e exigência dos pais · Rede de apoio social · Personalidade e reações à vida
- Ruminação excessivaImpedimento de seguir em frente · Ruminação como sintoma patológico · Cérebro funciona por adição, não subtração
- Impacto da ruminação no corpoReação de alerta do cérebro · Sobrecarga de adrenalina e cortisol · Sintomas físicos da ruminação
- Medo e AnsiedadePensamentos sobre o que está por vir · Sofrimento por antecipação · Exercício de foco no presente
- Mentalidade positiva e gestão de riscoFoco em desfechos negativos · Autoexigência e síndrome do impostor
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Você costuma ficar ruminando pensamentos? O meu nome é Marina Melz e eu rumino especialmente os silêncios que eu dei quando eu tinha alguma coisa pra responder, uma resposta até meio torta, talvez meio grosseira, mas eu não dei conta de lidar com o incômodo do outro.
O meu nome é Maria Fernanda, eu sou médica psiquiatra e eu rumino o contrário. Eu rumino quando eu falei demais e eu acho que eu devia ter ficado quieta ouvindo.
O meu nome é Larissa Guerra e eu poderia passar dias assim numa espiral de pensamentos, nóias e ideias e tudo isso me tira completamente dos eixos. Tem momentos em que a gente sai de uma conversa, de uma situação ou de uma decisão e a nossa cabeça continua lá. A gente repassa o que disse, o que poderia ter feito diferente, o que a outra pessoa quis dizer, como se pensando mais e mais uma e mais uma e mais uma vez a gente finalmente fosse encontrar uma resposta.
E esse movimento tem nome: ruminação mental. Hoje a gente recebe a Doutora Maria Fernanda Caliani para conversar sobre por que a nossa mente entra nesse ciclo, por que parece pode ser tão difícil sair dele e como recuperar a nossa presença no momento atual. Boas-vindas ao Donas da Porra Toda!
Donas da Porra Toda!
Imagine a cena: algo dá errado no seu dia, você tem uma pequena discussão, aí aquilo te chateia e de repente você se vê pensando em como poderia ter falado diferente, nas coisas que a outra pessoa falou, na tensão toda em si. Isso fica se repetindo de novo, de novo, de novo, por horas, por dias, ao ponto de parecer que a sua cabeça entrou em parafuso e aquela situação está te acompanhando em todas as situações da sua vida.
E não é à toa que essa repetição exagerada de pensamentos em torno de um mesmo tema tem o nome de ruminação. Assim como os animais ruminantes engolem o alimento, depois o trazem de volta à boca para mastigá-lo novamente de uma forma lenta e exaustiva, A mente ruminante pega uma ideia, um erro ou um medo e a mastiga psicologicamente repetidas vezes sem chegar a uma conclusão ou a um alívio.
Foi ruminando os nossos pensamentos que a gente decidiu fazer essa conversa. E pelas nossas caretas na abertura, vocês já viram que promete assim ser uma grande sessão de terapia coletiva. E não tinha como a gente fazer isso sozinha, então nós chamamos a Doutora Maria Fernanda Caliani que é psiquiatra especialista em transtornos do impulso e ansiedade. Doutora Maria Fernanda, você vai ter que ajudar a gente hoje. Seja bem-vinda ao Donas da Porra Toda.
Obrigada, gente. Obrigada pelo convite.
Pra gente começar, doutora, o que que exatamente é a ruminação mental e qual é a diferença entre refletir sobre algo e ficar ruminando?
É, pra gente entender, ruminação mental é justamente quando a nossa mente fica presa. Né? Então ela fica presa ou em um problema, ou uma situação, ou um pensamento, ou um erro, uma situação difícil mesmo que aconteceu, e a pessoa fica repetidamente repassando e repensando sobre aquilo. E aí quando a gente falar, mas eu, quando eu tenho um problema e eu preciso resolver, eu fico refletido, eu também tenho esse hábito. E de fato a gente tem que entender as diferenças, porque a reflexão reflexão, ela é uma forma mais organizada de pensar, ela tem a sua utilidade, ela me ajuda.
Então eu entendo algo, eu aprendo, eu chego a uma conclusão e pronto, tá? Então eu vou fazer dessa forma, né? Então tive lá o meu problema, depois, poxa, é realmente, eu poderia ter agido de outra forma e ter falado de um outro jeito. Ok, então na próxima acho que eu vou me expressar melhor. Refletir e tá resolvido. Na ruminação, não. Na ruminação, eu fico igual cachorro correndo em volta do próprio rabo e eu fico ali girando sobre o mesmo tema.
E aí o foco é o desconforto e eu não consigo avançar. Então eu fico pensando aquilo e eu fico repensando. E aí eu falo, não, mas eu não devia ter falado isso, eu devia ter falado de outro jeito. Mas se você for ver também, eles fizeram isso. E outra, eu vi que ele mudou o olhar quando eu falei aquilo. Eu acho que ele não gostou do que eu falei de fato. E odeiou, e hoje eu vi que ele me tratou diferente, e eu não consigo sair daquilo.
Então a ruminação muitas vezes ela é o que a gente fala de um pensamento intrusivo. O que que é isso? Ele não pede para entrar, ele vem chegando com tudo. Eu não quero, eu tô feliz, eu tô curtindo, de repente eu lembro, pronto, volta toda aquela cascata de pensamento. Então ele é intrusivo, ele é egodistônico. O que eu quero dizer com isso? Ele me traz sofrimento. Ele vem, vai ter desconforto com a ruminação. Ninguém rumina feliz.
Ai, que delícia, foi ótimo! A gente fica mal. Ou eu fico ali pensando, ruminando, ele me traz um desconforto. Ele é egodistônico, ele é intrusivo, e eu não tenho controle sobre ele. Eu até tento, mas quanto mais eu tento brigar, mais ele insiste em aparecer ali.
Gente, eu binguei, tá? Eu quero dizer que eu binguei já de começo, que foi o bingo de assim: fica preso em erro. Já fiquei. Fica presa em conversa, já fiquei. Fica presa em situação, já fiquei. Fica presa em DR, já fiquei. Assim, eu binguei de largada, que é para a gente começar na mesma página assim, né? Doutora Maria Fernanda, o que que acontece no nosso cérebro e no nosso corpo quando a gente fica nessa sensação de replay para sempre dessa situação?
Isso é difícil porque o nosso corpo ele não consegue distinguir muito bem o que é um perigo real de um imaginário. Então, se eu tô aqui numa floresta, aparece um leão, eu saio correndo, eu subo no galho, eu entro no lago, eu faço o que for, eu nem penso, eu vou, tento sobreviver, e depois eu vou pensar no que eu fiz. Quando a gente tem preocupações, é, muitas vezes o nosso cérebro não consegue distinguir se aquilo é real ou não.
Ele reage muitas vezes como se fosse o leão ali aparecendo na minha frente. Então, o fato de eu pensar no meu desempenho na reunião e que eu deveria ter falado de uma outra forma me faz reagir como se eu tivesse diante de um leão. E isso é suficiente então para deixar o meu corpo no estado de alerta, um estado de alerta que vai fazer com que a atenção fique mais capturada por temas repetitivos, a parte emocional fica mais fragilizada.
Então as áreas ligadas à emoção ficam mais ativadas, e aí eu fico mais reativa. Então, e eu começo a ter tensão, o coração pode acelerar, a minha boca fica seca, eu começo a ter uma dificuldade de respirar ou até uma dificuldade de atenção, a mão começa a suar mais, um cansaço mental começa a me atrapalhar para para dormir, porque o meu corpo acredita que de fato eu tô numa situação de alerta ali, coisa que não está acontecendo, mas ele interpreta dessa forma.
Então quando a gente fica preso nisso, a gente tá sobrecarregando o nosso corpo com uma carga de adrenalina, de cortisol maior do que a gente deveria. Então isso acaba me sobrecarregando e trazendo aí prejuízo funcional e pro restante.
Eu sou a campeã da ruminação mental à noite, tá? À noite é quando o bicho pega. Assim, eu não tenho problema pra pegar no sono, mas aí dá tipo assim 3 horas da manhã, pá, meu cérebro: oi, querida, vamos pensar sobre essa situação aqui. E aí eu fico assim, ó, amanhece o dia e eu fico ali e eu claramente percebo que eu tô ruminando, que não é racional assim o que tá acontecendo na minha cabeça nesse momento. Eu fico elaborando mil e um cenários assim.
Eu lembro quando eu tava no processo de mudança do meu apartamento, meu Deus, Marina sabe assim, ó, quantas noites eu fiquei em claro enlouquecendo assim, porque era, ai não, porque a documentação isso, porque não sei o quê, porque tudo vai dar errado, porque já, e eu não vou conseguir, e não sei o quê, isso vai dar, e eu, nossa Senhora, é insuportável essa sensação. Mas doutora, como é que a gente percebe esse limite entre a reflexão que é saudável e o pensamento que começa a ser intrusivo.
É pelo desconforto? Como é que eu percebo que eu deixei de pensar em algo e passei a só repetir aquilo em looping? É o desconforto, é o sinal mais claro assim.
É, você falou algo assim, né, Larissa, é impressionante, mas pensamentos minativos adoram a madrugada, eles adoram, gente, eles são noturnos, eles amam.
E é quando a gente, aquela coisa, acordei para fazer um xixi, Já era, é um barulhinho na rua, foi um barulho na rua, me despertou, pronto, já era.
E aí vem, a gente não vai tomar decisão nenhuma, não vai levar a lugar nenhum, mas a gente não consegue parar e não ceder, né? Então quando que a gente sabe? A reflexão saudável, ela abre espaço. Então você pensa, organiza, considera possibilidades, mesmo que seja um assunto difícil, você vai gerar um movimento interno. Ela vai ali contribuir para que aquilo que eu falei, nossa, vou refletir, vou fazer de uma outra forma. A ruminação, então veja, a reflexão saudável abre espaço, a ruminação aprisiona, eu fico presa, eu não consigo me soltar.
Então eu fico no mesmo ponto, quando eu vejo eu já pensei 3, 4 vezes a mesma coisa, e aí isso de eu perceber a minha, de eu notar a minha percepção, a minha sensação corporal é muito importante. Porque eu termino mais ansiosa, eu termino mais cansada, eu termino mais confusa. Então, de fato, eu comecei a pensar, eu estou refletindo, gera um desconforto, mas começa a dar aquele aperto aqui no peito que a gente não sabe direito o que é.
E aí a gente entende que, né, é uma angústia, ou embrulha o estômago, ou eu começo a ter um desconforto, começo uma sensação de querer sair, não sei para onde, mas que eu não consigo ali traduzir direito. Começa a dar dor de barriga, às vezes dá vontade de ir no banheiro, começa a fazer mais vezes. Isso daí é um termômetro, a gente tem que valorizar, porque provavelmente eu só tô ruminando e são os sintomas aí que vem daquele aumento de adrenalina e de cortisol que não vão me ajudar, vão me atrapalhar.
Então é uma coisa que a gente fala que pode ajudar, assim, é perguntar para si mesmo, né? Então isso daqui tá me ajudando a entender melhor, a compreender outras alternativas, ou só tá me deixando presa? Porque se você sente que tá te deixando presa, eu avancei, eu tô presa no mesmo lugar, Aí vai, poxa, eu tô ruminando. Opa, deixa eu tentar quebrar esse ciclo.
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Tá, mas eu quero pegar uma situação específica para a gente conversar aqui, que eu acho que é uma situação que todo mundo vive em alguma medida. A senhora trouxe a parte do que para ti é o de falar demais e talvez ter respondido uma coisa ou impulsivamente ou não. Pra mim é o não ter respondido algo numa hora por medo de ser grosseira e tal. Eu acho que em discussões, não sei como funciona a cabeça de vocês, mas assim, eu tenho tantas ideias de respostas depois.
Menina, eu fico muito passada porque eu fico assim, na hora era tão óbvio e tava tão claro na minha, assim, então eu podia só ter, tinha 50 caminhos, eu podia ter só escolhido um. Mas eu optei por ficar quieta porque eu não ia lidar com o desconforto do outro. Eu tenho essa dificuldade de fazer o outro ficar desconfortável. Em discussões, eu acho que isso pega muito, assim, né? O que podia ter dito? O que podia ter respondido?
O que podia ter falado? Para que caminho podia ter levado? E isso me deixa em dúvida um pouco sobre se é abrir possibilidades, porque no fim das contas você tá abrindo interpretações para uma situação, ou se é se enclausurar numa situação, sabe? Porque eu acho que é só na minha cabeça que funciona assim, de ficar pensando em respostas depois, tá?
Não, e a gente precisa dessa reflexão. Nós não estamos dizendo que não é para refletir. A reflexão, ela é fundamental, porque é daí que vem o crescimento. Então a gente precisa do desconforto, gente, né? Não dá para a gente querer se ver livre dele. É do desconforto que vem o crescimento. Então depois de uma discussão, qualquer situação, eu refletir sobre me faz pensar numa próxima vez de ter mais estratégias de lidar melhor. A gente até fala: treina no espelho, vai lá, como seria para você depois uma próxima vez conseguir executar.
Então sim, a gente consegue, a gente pode fazer isso, isso é saudável. Mas o que você tem que questionar é: eu estou encontrando respostas ou eu tô repetindo perguntas? Porque se eu tô encontrando resposta, nossa, realmente, na próxima vez Ele falou isso, mas eu não soube me defender. Eu acho que eu deveria ter colocado meu ponto de vista e tal. Então acho que não vai, na próxima vez eu vou falar isso. Pronto, eu encontrei a resposta.
Ou eu só tô colocando: por que que ele falou isso? Será que ele falou isso porque ele não gosta do jeito que eu faço? Eu vi que ele falou desse jeito diferente do jeito que ele falou para o outro. Então será que ele não gosta só de mim? Será que ele fez isso porque ele tá pegando no meu pé? E será que ele falou isso porque ele me acha fraca? E aí, se eu vejo que eu tô preso só nas perguntas, aí eu tô ruminando. Então é difícil a gente identificar, é difícil, e é difícil para todo mundo.
E essa reflexão tem que existir, mas a ruminação ela não traz essa reflexão, ela não faz um final. É, realmente, eu acho que na próxima eu posso agir de uma forma diferente. Eu vou ficar preso, vou ficar: e se? Mas e se ele fez? E se? A gente fala que fica preso nos e se. Então é aí que a gente tem que tomar cuidado.
É, eu costumo chamar de espiral de paranoia.
Ótima, ótima.
Eu fico, é igual, é como você falou, é o cachorrinho ali correndo atrás do próprio rabo.
Ai, que horror!
E aí olhar muito o sentimento, é isso também. Terminei muito angustiado e tal, gente, eu tô ruminando, tá? Depois terminei, não, desculpa, estou pensando e fico muito angustiado, estou ruminando. Porque depois de uma discussão todo mundo sai com desconforto. E como eu disse, desconforto é necessário, ele que vai ajudar a gente a refletir.
Qual é o risco, no teu entendimento, da gente ruminar demais? O que que acontece quando a gente fica ruminante, muito ruminante? A gente tende a amargar, a gente tende a não olhar para o futuro e paralisa também, né?
A ruminação, gente, não deixa a gente seguir em frente. Esse é o principal. Então ruminar, a gente tem que entender que ruminar já não é bom. Não é legal ruminar. Então a gente tem que— ah não, mas é bom, porque não. Então você tava refletindo, você não tava ruminando. A ruminação não é boa. E ela, tanto que se ela é muito frequente, ela passa a configurar um sintoma. Então é algo que a gente traz uma patologia. Então de fato a ruminação ela não vai nos ajudar.
Então assim, Eu tenho que tirar essa ideia de que, ah, mas então não, não vai. Estou refletindo, tá me ajudando. Estou ruminando, não está ajudando. Então a ruminação ela nunca vai ser boa nesse sentido. Por isso que o mais difícil é a gente identificar quando a gente tá ruminando, porque uma vez que eu identifico, eu consigo cortar ou lidar de outra forma, tá? Muitas pessoas tentam falar assim, nossa, que ódio, não devia ter falado aquilo, não queria ter falado aquilo, não vou esquecer que esse dia aconteceu, não quero nunca mais pensar nisso, eu não sei o quê.
Não vou pensar, não vou pensar. E aí a gente fala, gente, a cabeça foi feita para pensar, então ela vai. Primeira coisa, falo para os meus pacientes, gente, cabeça, se eu falar faz seu coração parar de bater, não consigo, né? Impossível a gente fazer o coração parar de bater. Cabeça foi feita para pensar, assim como o coração foi feito para bater. A diferença é o que a gente faz com os pensamentos. Se ele vem e eu identifico, falo: nossa, que viagem, gente, hoje eu fui criativa, fui.
Maria Fernanda, hoje você inventou, hein? Pelo amor de Deus, vamos cortar essa nuvem de pensamentos, vamos focar na realidade, vamos. Eu consigo quebrar esse ciclo de pensamento ruminativo que a gente tá falando e voltar o foco, por exemplo, para o meu presente. O problema é quando eu não observo, eu não identifico que eu tô fazendo isso e eu surfo na onda do pensamento. Então ele vem, eu vou junto. E aí eu fico pensando, e se, e se eu fiz?
E realmente, então quanto mais eu não quero pensar em algo, mais a minha cabeça pensa. Eu falo, gente, não pensem de jeito nenhum em um bolo de chocolate quentinho saindo do forno com uma calda de chocolate derretida. Eu não quero que vocês pensem de jeito nenhum. A gente sente até o cheiro, porque o cérebro ele funciona por adição, não por subtração. Então quando eu não quero pensar em algo, ele fala assim, tá, eu não. Então, por exemplo, a gente vê ruminação muito em pacientes com ciúme patológico, por exemplo, que são pessoas que ficam muito, será?
Eu vi, mas ela fez desse jeito. E se ela tiver agora? E se ela não tiver? E se ela— e ele fica ali pensando sobre aquilo. Ela tava diferente, ela sorriu um cantinho, será que ela tava pensando nele? Não tava? E vai pensando. Então se eu, quando eu tenho, não quero pensar, fala assim, não vou pensar nisso nunca mais, não sei o quê. Toda vez que eu ver uma música de traição, uma cena de traição na novela, souber que o vizinho traiu a vizinha, na hora vai voltar tudo.
Porque o cérebro funciona por adição. Não posso pensar, então ele vai pegar o máximo de informações possíveis daquilo para não pensar, entre aspas. Então o que que a gente tem que entender? Sabendo que o cérebro não funciona por subtração, só por adição, não adianta eu brigar para não ter o pensamento. O que eu tenho que fazer? Estou ruminando, eu aceito que o pensamento veio. Realmente, gente, minha cabeça foi feita para pensar, ela vai pensar de tudo.
Mas vamos tentar distrair de outra forma? Vamos tentar então não autorizar? Deixa eu tentar lidar com o que eu tenho de problemas hoje. Ok, teve aquela questão no trabalho, eu não falei tão legal. Alguém trouxe feedback para mim? Não trouxe. Então eu vou esperar o problema acontecer para lidar com ele. Então a gente sempre fala: foco no presente. Percebeu que a mente tá divagando? Volta para o presente, porque isso faz muita diferença, né?
Então a gente precisa aceitar que a mente vai pensar, mas não tá sendo reflexivo, consegui identificar que eu tô ruminando, eu tento me distrair de uma outra forma para não valorizar isso, tá?
E todo mundo tá sujeito à ruminação, ou tem gente que nasceu sem o chip da ruminação e tá livre disso?
A gente sempre fala que, né, Para os transtornos psiquiátricos, a causa é sempre multifatorial, são vários fatores envolvidos, nunca é um único só. Olha, eu perdi o meu emprego e é por isso que eu estou deprimido. Não é todo mundo que perde emprego que deprime, nós temos outros fatores. E para ruminação é o mesmo. Então o que que acontece? Às vezes, se eu tenho uma história de vida mais difícil, com mais traumas. Se eu tive uma criação de pais mais rígidos, no qual errar não era permitido, onde tirou 9, por que que não tirou 10?
E assim vai, com uma alta exigência. Se a pessoa passou por traumas significativos, se ela tem estrutura, apoio social, rede de apoio ou não. Como que é, se ela é sozinha ou se ela tem amigos, um companheiro, uma companheira. Então tudo isso acaba influenciando, e a personalidade também, como que eu reajo diante das demandas da vida. Então todos esses fatores vão influenciar. Por isso que tem pessoas que são mais, meu Deus, por que que ele falou isso?
Foi comigo, ele tá com algum problema comigo. E outro fala assim, nossa, sério, acho que não foi para mim não, gente, tá tudo bem, e eu deixo passar. Então é uma série de fatores que acabam influenciando. A gente não tem um só Fala assim, se você tiver isso, você vai ruminar mais. Não, a gente não tem. Boa!
E a ruminação, ela costuma aparecer mais em situações negativas? Uma discussão, uma rejeição, uma falha? Ou também existe uma ruminação positiva, assim, do tipo, como eu deveria ter ou gostaria de ter reagido numa situação positiva? Ou como eu gostaria de ter me expressado, enfim, numa situação positiva também?
Ela geralmente tá relacionada, na sua maioria das vezes, às situações negativas, tanto que ela traz um desconforto. Então é: por que que aconteceu? Será que vai dar certo? Será que não vai? Eu fico presa ali. Mas em relação às situações positivas, de novo, pode ter acontecido uma situação positiva, mas a pessoa precisa interpretar aquilo como negativo. Então foi ótimo, sai todo mundo assim: gente, foi um sucesso, ganhamos o cliente, arrasamos!
E aí a pessoa fala, gente, eu não sei, é, arrasamos, mas será que não dava para ter arrasado mais? Será que de repente não dava para ter fechado não sei o quê? Não, porque eu fico pensando, de repente a gente arrasou, todo mundo foi ótimo, mas talvez eu deveria ter falado mais, que eu não falei tanto. Então assim, ela sempre vai puxar para o negativo, é sempre o pessimista ali, tá? Então ela vai puxar.
Pessimista ou tem um pezinho também numa autoexigência assim, que eu acho que as mulheres têm um pouco mais do que os homens assim, sabe?
Tem o pé do pessimismo, tem o pé da insegurança, por exemplo, no caso do ciúme, tem a questão da baixa autoestima. Isso influencia bastante, porque aí eu acho, né, ainda mais as mulheres que têm a síndrome, são muito mais comuns de apresentar a síndrome do impostor, que é: imagina, foi sorte, eu tava ali porque deu certo, né, porque eu sou tão boa assim. Imagina, é que as pessoas não perceberam ainda que eu sou fraca, eu vou fingir assumir esse papel até alguém me desmascarar.
Então isso acaba sendo também, mas a gente tem vários motivos, né? Não só um único, mas são motivos geralmente negativos.
E a ruminação pensando no futuro, ela é só ansiedade? Porque eu sou a pessoa que eu rumino para o futuro assim, né? Eu tô tipo com a cabeça aqui, ó, a milhão pensando. Foi isso, assim, a compra do meu apartamento assim, eu ficava ruminando por horas, tipo, meu Deus, é um negócio que vai acontecer ainda e eu já estou aqui Ruminando e sofrendo por antecipação.
Assim, a gente fala que assim, quem acaba ruminando muito sobre o que aconteceu muitas vezes tem um perfil mais deprimido. O depressivo fica olhando mais para o passado e tudo mais. E quem rumina mais para o futuro, pensando no que está por acontecer, no XYZ, o que que vai acontecer, e se fizer isso, geralmente são mais ansiosos. Não é uma regrinha certa, óbvio que tem também deprimido que pode e ansioso que olha para o passado, mas Geralmente, quando a gente está pensando lá na frente, a gente está ruminando sobre algo que está por vir ou por acontecer, isso é um funcionamento ansioso da pessoa aí de base.
É, nossa, eu fui viajar no mês passado, doutora, assim, a minha cabeça tava milhão, assim. 3 dias antes eu tava assim que eu não dormia, porque eu, e se me faltar dinheiro? E se vai acontecer isso? E se eu for assaltada? E eu não sei falar espanhol? E não sei o quê.
Mas aí, Larissa, você tem que fazer o exercício de falar assim: Larissa, vamos pôr o foco no presente. Isso aconteceu? Não, não aconteceu. Então vamos deixar para pensar quando ele acontecer. Se a gente for assaltado lá, nós vamos decidir. Não adianta pensar agora. Pensar agora não vai evitar a gente ser assaltado ou não. É lógico que a gente vai estar preocupado, a gente vai guardar a roupa aqui, mas é o máximo que eu posso fazer.
Ficar pensando sobre não vai me prevenir de ser assaltada. Então esse exercício de vamos voltar para o presente, vamos colocar o foco no presente, ele é sempre necessário, ele ajuda a gente a quebrar um pouco desse ciclo de ruminação.
É muito louco como o excesso de imaginação faz mal para nossa cabeça quando a gente não consegue domá-lo, né? A gente sofre desse excesso de imaginação e é sempre uma coisa catastrófica. Nunca é tipo assim, viajei e encontrei dinheiro na rua. Isso não passa pela nossa cabeça.
Não, eu falo que se eu fosse escrever um filme de terror, eu ia chamar meus pacientes ansiosos. Porque eles são os mais inventivos. Eles colocam cada situação que eu tenho certeza que seus piores desfechos possíveis, porque é isso. E tem aquela frase, o pessoal fala, né, eu descobri que as maiores dificuldades, maiores problemas que eu enfrentei na vida estavam na minha mente. Porque é isso, é ali, eles ficam ali dentro. Eu sempre falo, gente, é sempre pior na nossa mente.
Vá, se exponha, pode ir, porque eu te garanto que não vai ser pior do que o que você tá pensando. A nossa mente consegue.
Eu faço a mesma chinelada aqui agora.
Não, eu costumo falar assim que a minha cabeça, quando alguém diz assim, nossa, tem uma coisa horrível para te contar, eu falo, eu odeio quando me falam isso, porque a minha cabeça, a minha cabeça é ótima em elaborar os cenários mais catastróficos, horrorosos e trágicos do universo assim. E aí quando a pessoa me conta, eu fico Ah tá, era só isso?
Outro dia a Larissa me chamou para uma conversa de áudio, de vídeo. Ela me mandou mensagem dizendo assim, amiga, pode falar? Posso te ligar por vídeo? Aí eu abri o vídeo com ela e disse, vai terminar o Donuts, né? Não quer mais fazer o podcast comigo?
E eu só queria fofocar.
Ela queria só me contar uma fofoca mesmo.
Como pode?
E assim, é uma questão de microsegundos entre aquela pergunta e aquele aquela dedada para o lado para atender o telefone, entendeu? Naqueles microsegundos, a nossa cabeça é capaz de pensar coisas muito absurdas assim.
E aí a gente precisa lembrar de fazer o exercício de entender os pensamentos apenas como pensamento, porque a gente tende a falar o quê? Que o pensamento, a gente já parte do pressuposto que ele é um presságio, que ele é um sexto sentido, que eu preciso tomar cuidado, que ele vai acontecer com certeza, eu tenho certeza. Então eu preciso lembrar, gente, é só um pensamento. E eu falo, faça essa brincadeira com você: nossa, Larissa, hoje a gente foi longe, hein?
Meu Deus do céu! Então tem um quadrinho que eu gosto de mostrar para os meus pacientes, que é uma menininha sentada no sofá com um monstro gigante, com chifres, eu não sei o quê. E aí ela tá com a xícara assim, ela fala: você quer mais chá? E ele tá sentadinho assim com uma xícara, quer dizer assim Ela tá tomando o chá dela, o monstro do pensamento veio, ela começou a pensar, ela falou: cara, eu não vou deixar de terminar o meu chá.
Você quer, você senta aí, você toma chá comigo, mas eu vou continuar aqui curtindo o meu momento. Então é isso, é a gente começar a aceitar que ter o pensamento não quer dizer que aquilo vai acontecer, que é um presságio, é só um pensamento desagradável. E aí eu começo a entrar naquela fase de: tudo bem, a minha cabeça vai pensar mesmo, Mas ponto, agora que eu observei, eu vou voltar o foco para o meu chá, eu vou voltar o foco para minha série, eu vou agora conversar aqui com a minha amiga, eu vou voltar a trabalhar o que eu tava fazendo, para justamente eu não ficar valorizando.
Gente, eu queria fazer um Divertida Mente da Doutora Maria Fernanda e implantar ele na minha cabeça, sabe? Para toda vez que a mesa de controle começa a ficar muito caótica, ela bate na mesa e fala: gente, deu, chegou, parou a palhaçada circulando, circulando, circulando aqui, sabe? Era isso que eu queria. Doutora, para a gente ir encaminhando para o final, para uma mulher que tá ouvindo agora e tá percebendo, se percebendo presa nos seus pensamentos, o que que ela pode fazer agora? Qual é o movimento que a senhora sugere que ela faça já?
Todas essas questões que eu fui falando, eu acho que são importantes. E vamos relembrar então, né, lembrar que a cabeça foi feita para pensar e os pensamentos vão vir. Se eu percebi que eu estou presa nesse pensamento, ele tá me trazendo desconforto físico, eu tô me sentindo agoniada, eu fico angustiada depois, e eu percebo que ele não tá me trazendo respostas, só tá gerando mais perguntas, opa, eu identifico que eu estou num quadro ruminativo e eu preciso então tentar me desvencilhar dele.
Como? Me ocupando de outra forma. Eu vou conversar com alguém, eu vou falar: ai, mas é justo à noite, na hora de dormir. A gente pode fazer um exercício de respiração. E o exercício de respiração, gente, por incrível que pareça, ajuda muito. Eu vou simplesmente imaginar o meu, eu vou puxar o meu ar normalmente, como eu sempre puxo, e aí eu posso contar até 4. Eu seguro ali contando até 4, e aí eu solto o ar contando até 8, ou tanto que eu não gosto de colocar número, senão a pessoa, ai, não consegui 8, eu só respondi 7, não deu certo.
Não, a intenção aqui é A inspiração tem que ser mais curta do que a expiração, porque sem perceber, quando a gente tá mais ansioso e tá mais preocupado e a gente entra nesse estado e a gente viu que muda o nosso corpo, o nosso corpo fica mais agitado e a gente respira mais rápido. Isso deixa a gente mais agitado. Quando eu faço isso, eu consigo equilibrar quimicamente os gases no meu cérebro, do meu pulmão. Então o que que acontece?
Eu tô ali, eu vou expirar lentamente. A hora que o ar sai, é como se eu imaginasse todo aquele pensamento indo embora, toda aquela tensão, todo aquele estresse. E pronto. E eu faço isso por 1 minuto, não preciso de muito tempo, mas é um exercício simples que me ajuda a voltar o foco para o presente, sem ficar ali presa no passado ou no futuro, ali dentro das minhas ruminações. Então, lembrar que cabeça foi feita para pensar, tentar me distrair de alguma forma, entender que eu tenho que abraçar esse pensamento no sentido de: tudo bem eu tá pensando, mas agora que eu identifiquei, deixa eu me distrair de uma outra forma, né?
Não precisa dizer: mas que saco, toda hora, tá vendo? De novo. Ficar brigando com você mesmo não vai te levar a lugar nenhum. E aí a gente precisa lembrar que nem todo pensamento vira moradia. Tem alguns que tem que ser só visitantes. Eles vêm, eles visitam a gente rapidinho e eles vão embora. Eles não precisam ficar morando ali comigo. E lembrando que o que a gente pensa nem sempre é verdadeiro, na maioria das vezes não é. Então não é um presságio, não é um sexto sentido.
Sempre o foco no presente. Vamos voltar para o presente, vamos vivenciar o hoje. Um exercício que eu gosto de fazer para vivenciar bastante o presente, a gente tentar não levar muito, dar tanta trela para esses pensamentos, é o banho. A gente fala que quando a gente aprende a tomar um banho de verdade, vivenciando o banho, é como se a gente descobrisse que a gente tem uma cachoeira dentro de casa. Então você vai fazer o exercício, você vai chegar hoje em casa, você vai tomar o seu banho, porque eu falo que a gente costuma levar para o banho todo mundo com a gente, né?
Eu levo o meu chefe, que eu tive problema, problema com meu marido, não sei o quê, com a minha amiga, tá todo mundo lá no banho comigo. Eu nem prestei atenção se eu ensaboei direito, se eu não ensaboei, e tá lá comigo. Então eu vou para o banho E vamos prestar atenção nas sensações. Como é a sensação? O que que eu sinto quando cai água quente? Como que é quando eu tiro o braço, tá frio, e eu fico com frio e eu volto o braço para água?
Qual é a textura da bucha? O cheiro do sabonete? Como eu sinto quando eu ali me ensaboo durante o banho? Qual é a sensação de quando a água tá levando toda aquela sujeira embora? É lógico que quando você tiver fazendo esse exercício, os pensamentos vão vir. Puts, eu não tirei carne para fazer amanhã comida, eu preciso tirar. Aí você vai voltar, você vai identificar que você teve o pensamento. Ok, na hora que eu sair do banho eu vejo isso.
E você volta o foco para o momento presente. Gente, parece uma coisa simples, mas isso para ajudar a gente na ruminação é excelente, porque a gente começa a mostrar para o cérebro que eu não preciso ficar preso ali correndo em volta do próprio rabo, eu consigo Identificar e colocar o meu foco no presente, naquilo que eu tô fazendo naquele momento.
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Bom, chegamos na nossa mesa de bar hoje tomando um chá com os nossos monstrinhos e a Doutora Maria. Fernando também. E esse é aquele momento em que a gente compartilha as nossas dicas e também dá os nossos recados paroquiais, começando com a nossa campanha de financiamento coletivo lá em apoia.se/donasdapetoda. A partir de R$5 por mês você já participa, contribui com a gente, ajuda a gente a melhorar o podcast e a manter essas conversas no ar toda terça-feira.
E em contrapartida você ganha acesso a vários benefícios. Tem clube de fofocas lá no Instagram, tem o nosso clube do papinho, inclusive com reunião no dia 14 de julho com a Moni Berinca para a gente falar sobre estilo e imagem pessoal. E tem também, o que mais? Ah, clube do livro, tem várias outras vantagens aí para você.
Exatamente, tem gente chegando agora, então bem-vindas ao nosso grupão, que inclusive assim está entregando absolutamente tudo. Teve teve desabafo sobre relacionamento, teve desabafo sobre trabalho. A mulherada tá se apoiando lá, torcendo, mandando energia positiva para entrevista de emprego, todo mundo junto. É uma comunidade realmente muito quentinha, vem fazer parte dela com a gente.
E também quero te lembrar que a gente tem a nossa parceria com a Pitaya, um clube de assinatura de lingeries que você recebe todos os meses na sua casa, um conjunto de calcinha e sutiã que você pode escolher a modelagem, os tamanhos são maravilhosos, tem tamanhos aí para corpos reais. E melhor de tudo é que tem cupom de desconto, cupom DONAS15. É só você acessar o link que tá ali na descrição do episódio. Doutora Maria Fernanda, como é que as pessoas te encontram nas redes sociais ou para marcar consulta, se quiserem também?
E eu quero que você compartilhe duas dicas de coisas que você tá lendo, vendo, ouvindo. Pode ter a ver com o tema ou não, tá?
Tá, então as pessoas me encontram, eu tenho um canal no YouTube com meu marido Saulo, que é neurologista, e lá a gente faz os mais diferentes vídeos sobre a mente humana e todo esse mistério aqui do comportamento, e é Neurologia e Psiquiatria. Então Neurologia e Psiquiatria é o nosso canal do YouTube. No Instagram eu tô como @doutora_mariafernandaoficial, então ali encontre lá, eu também faço vídeos mais curtos aí sobre temas relacionados à psiquiatria.
Duas dicas então da vida, né? Eu inicialmente, eu indico, eu comecei a fazer parte, gente, de um grupo de clube de livro. Os amigos decidiram fazer, e eu não, até então assim, 3 crianças pequenas, o Cazula tem 2 anos, falei, gente, não dá. Mas o nome é Alta Literatura Baixo Compromisso. Então assim, quem conseguiu ler também conseguiu não ler, e nós não vamos julgar e vamos nos abraçar. E tem sido muito bom, tem sido muito rica as discussões.
Eu acho que em tempos de vídeos curtos e muita coisa supérflua nas redes sociais, a gente ter coisas que alimentam a alma fazem a diferença. Então eu recomendo muito, se vocês tiverem oportunidade de participar de um clube do livro, aí tem o das meninas, já faço até aqui a propaganda, eu acho muito muito válido. Eu acho que isso traz um benefício tremendo. E minha outra dica seria ainda em relação às redes sociais. A gente tem feito um trabalho aqui em casa com as crianças e tudo mais da gente diminuir cada vez mais.
Então eu não sei se vocês perceberam isso, mas eu fiquei com a impressão que a pandemia deixou a gente mais antissocial e a gente tem evitado mais, a gente tem pensado mais antes às vezes de se encontrar. E gente, a interação social, não sei nem se as pessoas sabem, mas ela é um dos pilares da medicina do estilo de vida, que são práticas de medicina que tem comprovação científica de que protegem e causam uma longevidade. E a interação social tá não só como prática do estilo de vida, como também é protetora até Alzheimer.
Então já viram vários benefícios que para outros transtornos complicados. Então acho que a minha dica aqui, se eu puder falar, é: gente, interajam mais, se permitam encontrar amigos, permitam sair da inércia. Eles já fizeram estudos, o mais difícil é tomar o primeiro passo. Ai, que roupa eu vou? Não vai ter onde parar. Ai, que saco, vou ter que ver as pessoas, faz tempo que eu não vejo. E quando a gente chega, é sempre gostoso, e aí a gente aproveita do mesmo jeito. Então permitam aí. Ter essa interação com o público.
Eu vou nas minhas duas dicas então. A minha primeira sugestão é um perfil no Instagram que chama @aquela.miranda. Ela acabou de lançar um livro chamado Bug dos Millennials, eu achei muito bom o nome do livro inclusive, e ela fala sobre a vida millennial e os nossos dramas. Tem um vídeo dela falando sobre dançar que eu ri demais assim, e que traz essas reflexões, né, porque que as pessoas não dançam mais, porque agora elas são registradas dançando. E ser registrado dançando não é legal, né?
É legal dançar quando é espontaneidade, né? Porque parece que aí eu já tô fazendo pensando que vão avaliar. Eu não me sinto livre completamente, né?
Exatamente. É muito bom o conteúdo dela, é muito bom, traz várias questões. Acho que para nós que estamos vivendo essa transição de era digital, todas essas outras transições que vem com os millennials. E a minha outra dica é o Aquele Campeonato do Porta dos Fundos, que é um programa sobre a Copa do Mundo, mas eles não têm direito sobre a Copa do Mundo, então eles chamam daquele campeonato. Brilhante! Tino Marcos fora do ambiente jornalístico convencional é perfeito. Marcelo Dinê, entra na minha vida! É isso, é minha dica.
E para finalizar as minhas dicas muito inúteis de coisas para me alienar são terceira temporada de House of the Dragon, que começou na HBO, tá maravilhosa. É um caos, é uma desgraceira, é dragão, é arma, ai, é tudo para mim assim. Copa do Mundo e House of the Dragon, assim, ó, contem comigo para tudo. E por fim, um Instagram que é maravilhoso, que se chama @tatykatlyn. Ela é uma artesã da Austrália, se eu não me engano, que faz coisas absolutamente incríveis com crochê.
E quando eu falo absolutamente incrível, ela faz tipo uma roda gigante de crochê para usar de touca, assim. Ela faz tipo uma armadura medieval, que é inclusive como eu gostaria de ter saído de casa hoje, porque tava fazendo 4 graus hoje de manhã aqui.
Mas assim, a gente tá muito doente, eu e Larissa, assim, ó. Peço até perdão pelas vozes e pelas que realmente tá difícil, viu?
Mas é isso. Doutora Maria Fernanda, muito obrigada. Assim, ó, já sinta-se, saiba que será convidada mais vezes, tá? Porque a gente se apaixonou por você.
Ai, eu adorei vocês, gente. Então podem me chamar que partilharei. Obrigada.
Vamos chamar essa moça aí para fazer uma Doutora Maria de crochê na nossa mesa para lembrar do que ela falou assim. Um amigurumi, um amigurumi de Doutora Maria Fernanda. Já que não dá para ter o Divertidamente, vamos lembrar disso tudo.
Amamos, muito obrigada, gente. Eu que agradeço, viu?
Tchau, tchau, até semana que vem. Tchau, gente, até.
O Donas da Porra Toda é uma produção independente. Produção, roteiro e apresentação: Larissa Guerra e Marina Melos. Edição e tratamento de áudio, Bruno Stolfi. Mais informações no site www.donasdapetoda.com.br ou nas redes sociais no @donasdapetoda.
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