#320 - Mãe aos 40 anos, com Marina Andrade e Barbara Raulino
Ser mãe aos 40. Ser mãe solo por vontade própria. Lidar com a dificuldade para engravidar. Lidar com as noias todas que vêm com a maternidade. E realizar um sonho ao mesmo tempo em que você se vê desconstruindo esse sonho todos os dias. Mesmo quem não quer ser mãe, certamente acompanha mulheres vivendo a maternidade sob novas perspectivas.
Nós acompanhamos várias e escolhemos duas delas para esse episódio: a jornalista Marina Andrade, mãe da Lina, e a psicóloga e psicanalista Barbara Raulino, mãe do Francisco. Uma, tentou por seis anos engravidar. Outra, optou pela maternidade solo.
Com essa conversa, homenageamos todas as mulheres - aos 40 anos ou não - que são mães. Nós admiramos muito vocês.
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O Donas da P* Toda é um podcast independente.
Produção, roteiro e apresentação: Larissa Guerra e Marina Melz.
Edição e tratamento de áudio: Bruno Stolf.
Todas as informações em www.donasdaptoda.com.br e @donasdaptoda.
Vamos conversar?
Larissa Guerra: @larissavguerra
Marina Melz: @marinamelz
Bruno Stolf: @brunostolf
- Presença maternaDificuldade para engravidar · Maternidade solo por vontade própria · Desconstrução de sonhos e expectativas · Novas perspectivas sobre maternidade
- Desafios da MaternidadeIntensidade das experiências boas e ruins · Impacto em questões internas e processos de autoanálise · Engravidar naturalmente após tratamentos · Assumir o papel de mãe rapidamente · Lidar com a doença da mãe durante a gestação
- Vida pessoal e maternidadeMarina Andrade e a espera pela filha Lina · Bárbara Raulino e a maternidade solo do filho Francisco · Processo de tentativa e tratamentos para engravidar · Desconstrução de ideias preconcebidas sobre maternidade
- Autocuidado e MaternidadeMaternidade consciente e pé no chão · Estabelecimento de limites e prioridades · Saúde mental como pilar da maternidade · Realização de outros sonhos antes da maternidade · Maternidade como escolha consciente, não automática
- Conselhos para Mulheres TentantesInvestir na saúde mental e no corpo · Organização financeira · Não condicionar a vida à maternidade · Buscar experiências e sonhos além da maternidade
- Apoio a Mães e TentantesEmpatia e se colocar no lugar do outro · Atualização sobre o tema maternidade · Interesse pelos filhos das amigas · Incluir filhos em atividades sociais
- Maternidade e LeituraO Ano de Ouro por Ana Januzzi · Por que o amor é importante? Como o afeto molda o cérebro do bebê · A Filha Única por Guadalupe Netel · In Vitro por Isabel Zapata · Línea Negra por Jasmina Barreira
- Produção de PodcastsFesta de aniversário do Donas da P* Toda e Marina Andrade · Gramado Summit e viagem de amigas · Roda de conversa sobre construção de comunidade · Parceria com Airbnb em Gramado
Em algum momento da sua vida, você imaginou que seria mãe aos 40 anos? Olá, eu sou a Marina Andrade e eu só percebi o quanto eu tinha medo de ser mãe aos 40 anos quando eu entrei no processo de gravidade.
Olá, eu sou a Bárbara Raulino e eu não imaginava que eu seria mãe aos 40 anos. Eu imaginava que eu seria mãe muito mais cedo. Ser mãe aos 40, ser mãe solo, por vontade própria, lidar com a dificuldade para engravidar, lidar com as nóias todas que vêm com a maternidade e realizar um sonho ao mesmo tempo em que você se vê desconstruindo esse sonho todo santo dia. E sim!
Eu e a Lari não temos sequer condições de dimensionar como é tudo isso e de responder a pergunta que abre esse episódio. Não somos mães, não queremos ser, mas admiramos muito e temos acompanhado a experiência de mulheres sendo mães de jeitos tão bonitos, tão corajosos e tão revolucionários que nós decidimos chamar duas dessas mães, a Marina e a Bárbara, para esse episódio sobre novas perspectivas sobre maternidade. Boas vindas ao Donas da Porra Toda.
Donas, donas, donas, donas, donas, donas. Pouco mais de um ano atrás, ela tava aqui em Porto Alegre e a gente foi tomar um café num final de tarde. Ela tava belíssima, com um barrigão lindo e toda feliz à espera do Francisco.
E eu saí desse café pensando em como era poderoso ver uma mulher vivendo o sonho de ser mãe nos seus próprios termos. Com ela, a original, foi um pouco diferente. Depois de anos de tentativas, de tratamentos, de terapia, de questionamentos, nós nos encontramos em agosto do ano passado em Joinville e comemoramos muito esse momento.
A alegria dela, e eu já tô chorando, é a nossa alegria, porque a gente sabe o quanto ela sonhou com isso. Eu e a Marina seguimos sem nenhuma pretensão de ser mães, o que não significa, claro, que a gente não celebre, que a gente não ama, que a gente admira demais quem opta por seguir esse caminho.
E por isso hoje a gente recebeu e decidiu receber por aqui, já entrando nesse clima de Dia das Mães, as nossas amigas Marina Andrade e Bárbara Raulino para falar sobre a experiência delas e essas novas perspectivas para mulheres que querem ser mães. Marina e Bárbara, sejam muito bem-vindas de volta ao Donas. Se apresentem, por favor, para quem ainda não conhece. Pode começar com a Andrade, vai, a original.
Ai, ai. Eu sou a Marina Andrade. E apesar de eu ter ficado seis anos tendo engravidado, eu não sabia que eu queria tanto ser mãe até ser mãe. Sabe? Quando eu consegui ali, né? Quando nasceu a minha filha. Quando eu engravidei já na gestação, eu já tinha certeza que dessa vez não foi certo. Eu percebi o quanto eu queria engravidar. De verdade, sabe? Confirmou tudo aquilo que eu achava que pudesse ser.
E sobre o tema de ser mãe aos 40, né, eu não imaginava que eu seria mãe aos 40, né, a gente não é ensinada isso, a gente é ensinada a ser mãe muito antes disso, sabe, então, claro, não tinha isso mesmo. Bárbara, se apresenta aí pra quem ainda não te conhece. Ah, é, eu falei que eu sou mãe da... Bomedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedoedo
Eu não falei que eu sou mãe da Lina, esqueci. Pelo amor, não corta isso, Bruno. É que ela tá malentando, gente. Ai, tá tudo bem. Eu sou a Bárbara e tô muito feliz de estar aqui de novo. Agora como mãe, né? Nesse lugar bem inédito, assim, pra mim. Eu sou psicóloga, sou psicanalista e sou mãe do Francisco, que tá com um ano e dois meses.
E é uma criança linda. A gente tava aqui babando no francês antes de começar a gravar. Pra gente colocar todo mundo mais ou menos na mesma página, eu queria que vocês dessem uma resumida na história de vocês com a maternidade. É difícil resumir, porque vocês duas têm histórias bastante intensas, né, sobre a maternidade, mas então fala, Dalina, um pouco, Marina. Resume.
um pouco da história de como a Lina chegou a esse mundo. Bom, eu casei muito cedo, né? Eu e o Thiago, a gente está juntos desde que eu tinha 21 anos, assim. Então, e a gente sempre foi muito festeira, então a gente entendia um dia, né? Seguir o rito que todo mundo considera normal, de, ah, vamos casar, morar juntos, e aí ter filhos um dia. E aí o tempo foi passando, e quando a gente já estava juntos há uns 11 anos, 12 anos, um sininho bateu na minha cabeça.
peraí, eu tô com 33, aí veio aquela Mônica do Friends, né, eu tô com 33 até eu casar, opa, não, já casei, então fechou, então agora é só engravidar. Né, Tiago, estamos com 33, a gente tem a mesma idade, vamos engravidar. Faço assim. Ah, vamos, então vamos fazer uma festa, comemorar a nossa missão, fazer o nosso casamento e, a partir disso, jogar sem goleiro e, né, até o ano que vem tem um bebê. É, não, claro que não, a vida não é assim, né, então, quando eu von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von von
comecei a tentar engravidar, eu tinha L3 e eu já pensava, meu Deus, eu vou ser mãe perto dos 35, nossa, que perigo, né? Olha como as coisas podem acontecer, coisas terríveis podem acontecer para você ser mãe perto dos 35. E aí, com os anos passando e não acontecendo essa gestação, e aí os 35 ficaram bem longe e o tempo continuou passando. Veio a gestação, depois de vários tratamentos.
uma teta, muito forte pra gente depois de tudo isso veio a Lina, assim a hora que ela quis, do jeito que ela quis e eu já tô bem tranquila que vai ser assim a minha vida e tá tudo certo seja ela e você, Bárbara? Conta um pouquinho então
Eu sempre vivi sendo mãe, assim, né? Sempre imaginei que eu fosse ser mãe. Mas em algum momento, assim, da vida, eu comecei a questionar essa ideia, assim. Comecei a pensar se eu queria ser mãe ou se eu tinha sido ensinada a ser mãe ou se era isso que era esperado de mim, né? Por ser uma mulher.
A minha mãe tem muitas irmãs, elas são em oito filhas, mulheres, todas são mães, eu tenho muitas primas, então a família sim, que é a maternidade.
é muito forte, né, e por eu estar sozinha, eu acho que eu pude questionar essa ideia, assim, né, tá, será que eu quero ser mãe, não quero ser mãe, como é que eu vou ser mãe, eu acho que eu precisei pensar que eu podia não ser mãe, pra daí poder entender que eu queria ser mãe, né, e aí, bom, como que eu quero ser mãe, então foi um processo, assim, né, que foi dessa forma, assim. E aí
Enfim, acho que foi um pouco por aí, assim, que daí eu consegui pensar que eu queria ser mãe, né? E como eu seria mãe, né? Pelas circunstâncias, enfim.
Porque Bárbara é mãe solo, né Bárbara? E é um processo completamente diferente. Eu imagino que de decisão também, né? De entender que uma coisa é começar esse processo sem pensar que você vai ser uma mãe solo um dia ou pode ser uma mãe solo um dia. Um processo completamente diferente é já partir desse lugar, né? E ter uma perspectiva da maternidade solo.
Sim, foi toda uma desconstrução, assim, né, acho que, inclusive, também por isso eu fui me questionando, assim, abriu essa pergunta, né, por lá.
Enfim, isso, 30 e poucos anos, eu estar sozinha e começar a pensar, tá, eu quero ser mãe, eu não quero ser mãe, como é que eu vou ser mãe, né, então foi todo um processo, assim, de poder visualizar um caminho que até então não estava ali, assim, porque é isso, a gente imagina, né, tá, eu vou conhecer alguém, eu vou namorar, eu vou casar e eu vou ser mãe, né, aquele roteiro, assim, padrão, né, e aí é isso, a vida não é patronizada, né, então.
Enfim, até eu entender que teriam outras possibilidades, foi um caminho também de muitas perguntas, de muito trabalho interno também. Então, foi um processo longo, mas que me trouxe até aqui, hoje, com o Francisco.
Me parece, assim, e aí eu acho que até por isso que a gente decidiu chamar vocês duas para esse episódio, que a história de vocês, por mais que ela pareça ser diferente, ela tem uma desconstrução de muitas ideias preconcebidas, assim, né? E também percebo que tem muito da escolha.
de vocês duas, eu acho que eu e Marina Andrade, a gente se conhece há muitos anos e sim, conheci a fase festeira, a fase inimiga do fim e era uma coisa que eu nunca imaginava assim, né, que a Marina um dia dizer nossa, eu quero ser mãe
E aí viver essa coisa da expectativa versus a realidade, né? Do quanto esse processo, assim, foi intenso pra vocês duas, e muito revelador também pra outras mulheres, assim, né? Que estavam acompanhando, que conseguiram conviver um pouco com vocês e sabiam um pouquinho da história de cada uma, assim.
Eu queria que vocês falassem um pouco sobre isso, dessa desconstrução que eu acho que acaba sendo diária e não se encerra quando a criança nasce. Eu acho que o primeiro, acho que talvez para mim foi o mais importante, e a Bárbara até pela profissão dela pode talvez falar melhor disso. Sim, várias pessoas não esperavam que eu quisesse ser mãe, eu nunca esqueço, uma das primeiras vezes que eu postei alguma coisa sobre dificuldade de engravidar, talvez para mim.
falassem de comportamento, né, uma prima do meu marido chegou e falou, nossa, eu nunca imaginei que vocês, né, vocês estão juntos há tantos anos e não tinham filhos e são tão festeiros, são, né, que eu nunca imaginei que era algo que passava na tua cabeça, e aquilo pra mim foi, por que não, né, o que tem a ver? Mas mais do que a visão dos outros, foi a visão que eu tinha de mim mesma, né, eu a minha vida inteira, eu não me achava uma pessoa determinada.
achava, nossa, não terminei o cursinho de inglês. Ah, não terminei, né? Entrei na academia e saí, meu Deus do céu, eu nunca faço nada por completo, eu sempre abandono as coisas, eu nunca me achei, eu sempre vivia como uma pessoa que desistia muito fácil. E... fiquei seis anos tentando engravidar e só percebi que eu era determinada, sei lá, ano passado. Quando eu me engravidei. Né? Então, assim, é uma construção completa mesmo.
e começa na gente, da imagem que a gente tem da gente, quer dizer, não sei se começa, mas passa muito forte pela gente, da imagem que a gente tem da gente, seja de romper um padrão de, ah, não, vou ser mãe solo, como é o caso da Bárbara, de olhar e falar o que isso tem a ver com o meu desejo de ser mãe, o que a sociedade espera de uma mãe e o que eu quero ser de uma mãe, o que isso tem a ver, qual é a relação, por que isso é importante, sabe? Então, eu acho que a responsabilidade mais forte é na gente.
até isso de ser mãe aos 40, era uma coisa muito que nos outros eu sempre achei tranquilo, ah, o plano vai ser mãe, ela tem 42, que legal, que bonito, agora quando eu pensava em mim, opa, peraí, eu tô chegando aos 35, meu Deus, mas se eu tiver 40, quando a minha filha tiver 20, eu vou ter 60, e aí quem sabe eu nunca conheça meus netos, sendo que ela nem precisa querer ter filhos, mas a gente nóia nas coisas, porque e
é como sempre foi, né? E aí, quando a nossa história não é como sempre foi, a gente começa a questionar isso. Acho que para mim também, assim, né? Foi esse processo primeiro de uma desconstrução interna, né? E também de poder imaginar outros cenários, assim, né? Eu lembro de um momento assim...
de virada de chave, que eu consegui visualizar que talvez eu pudesse ter uma maternidade compartilhada com outras mulheres, né? Com a minha mãe, com as minhas tias, com as minhas primas, com as minhas amigas. E isso, assim, abriu um caminho que até então não estava ali, assim. Quando eu consegui visualizar esse caminho, daí eu pensei, tá, talvez seja esse o meu caminho, né?
E eu vejo que foi todo um processo antes do Francisco, inclusive para ele poder chegar, mas eu vejo que é um processo que vai se atualizando agora com ele aqui.
Ele começou na escolinha esse ano, meio período. Então, esse processo de fazer uma matrícula, de falar como é a nossa família, como é a nossa história, depois para a professora. Então, eu vejo que os espaços que a gente vai se inserindo hoje, isso é a nossa história, então isso está sempre ali.
Então eu vejo que é um exercício de ir atualizando a minha escolha, a chegada dele, o jeito que é a nossa família. Então eu vejo que isso vai se colocando. Cada vez que eu falo, eu falo para mim, falo para ele, falo para o mundo. E eu acho importante, às vezes eu nem preciso falar, mas eu falo. Porque eu acho que é um jeito de escrever a nossa história e é um jeito também de escrever um jeito diferente.
outros jeitos de ser mãe, de ter família, enfim, então, eu vejo que isso, não foi um processo que eu desconstruí antes e está desconstruído e pronto e agora está feito, né, é um processo que vai sempre se atualizando à medida que a gente vai se relacionando e imagino que ele vai crescendo e vem as perguntas e isso vai, enfim, sempre se...
se colocando também, assim. E assim, né, Bárbara, diante do papel que se espera de um homem como pai, na maioria das pessoas, na sociedade como um todo, é até engraçado ser questionada por querer uma maternidade sem a presença do homem pai, porque, diante do que é esperado... Exatamente. Nossa, me deixou.
A maternidade sempre é compartilhada com outras mulheres. Hoje que é diferente, pela minha situação, eu não moro na mesma cidade, eu não tenho irmãs, eu não moro na mesma cidade da minha família ou da minha sogra, então eu tenho uma maternidade que aí sim não é compartilhada com outras mulheres. Eu acho que a minha maternidade, diante do que realmente acontece na sociedade, a minha que é diferente. No sentido do que é esperado do pai.
a tua maternidade deveria ser a que todo mundo fala, ah, tá, claro, tá certo, é isso aí, é o normal. É, eu fui me dando conta disso também no processo, assim, né, mesmo dentro da minha família ou de outras mães que eu conheço, o que que faz o... Né?
as outras mães que eu conheço podem contar muito mais com outras mulheres do que de fato com os pais, assim. Claro, não generalizando exatamente todas, mas de um modo geral, assim. Eu fui me dando conta que isso é muito mais comum, né, do que, enfim, o pai de fato, né, dividir todas as tarefas e cumprir ali com uma paternidade, enfim, né. Então, isso também foi...
deixando essa ideia ainda mais possível pra mim, assim, quando eu fui me dando conta disso, assim, isso já existe de outro jeito, assim, né. A Bárbara falou sobre a reafirmação dessa maternidade, assim, e eu acho que as histórias de vocês duas, assim como várias outras histórias, abrem um caminho pra um diálogo que pra gente não era tão possível até bem pouco tempo atrás, assim.
E aí eu lembrei de duas coisas. Uma é a Dani Feldens, que já esteve aqui com a gente falando sobre infertilidade, que escreveu Enquanto Você Não Vem, que é um livro que eu presentei todas as minhas amigas tentantes, porque é realmente um livro muito legal, e acho que quem acompanha mulheres tentantes também pode e aprende muito com ele. E agora ela está escrevendo um segundo livro que ela vai lançar sobre como conversar com a Guta, que é a filha dela, e com as outras crianças sobre a forma como ela foi concebida.
porque afinal de contas ela tem um livro contando sobre a história. Então ela fez uma atualização, né, tá escrevendo uma atualização desse livro, que é sobre contar essa história de uma forma lúdica, leve, mas também pra contar pra filha dela de que ela também foi desejada, ela também foi muito amada, ela também foi fruto de amor, e que o laboratório ou não laboratório não tem nada a ver com isso, é uma outra coisa, assim, então lembrei disso.
E uma outra pessoa pra que eu gostaria de mandar um beijo nesse episódio, porque eu sei que vai ouvir, também é nossa amiga e também foi mãe recentemente, que é a Taline. A Taline, mãe da Branca, a gente conversou muito sobre o quanto a possibilidade de não ser mãe e de ver mulheres não sendo mãe sendo felizes, reafirmou pra ela o quanto ela queria.
Então é assim, não é que eu quero, ou não é que eu estou desejando a maternidade por uma sopa cultural, por uma atmosfera. Eu estou desejando porque eu realmente estou desejando. Eu sei que existe a fulana, a meotrana, a ciclana, que são felizes sem ser mãe, mas eu quero outra coisa pra mim. Eu quero essa experiência pra mim. E ela, eu acho que um pouco diferente de vocês, assim, tem uma coisa de que se ela não fosse mãe, tava tudo certo. Mas ela queria.
Mas ela, sabe, ela tava num lugar assim meio de eu quero, mas eu também tenho exemplos de mulheres que optaram por outros caminhos. E eu acho que vocês três têm uma coisa muito legal, que é de um respeito à escolha que vocês mesmos fizeram.
Porque eu vejo que existe muita frustração na maternidade que não pode ser falada ou que as pessoas não se sentem confortáveis de dizer que talvez o tempo não foi o tempo que elas imaginavam ou que não puderam se dedicar a esse processo desse jeito. E vocês não, vocês pensaram, conseguiram, fizeram do jeito como as coisas aconteceram. E aí eu queria perguntar pra vocês que foram mulheres que sonharam tanto, que planejaram tanto, que fizeram tantas...
tantos planos e foram tanto atrás dessa realização, o que vocês não esperavam? Qual foi talvez uma das maiores quebras de expectativa em relação à maternidade, estando a Marina muito mais recente nesse papel de mãe do que a Bárbara, mas acho que já tem coisa aí para contar do que vocês não esperavam, o que foi surpreendente para vocês nesse lugar?
Eu acho que a intensidade das coisas é tudo muito mais do que eu imaginava, tanto para as coisas boas, que são muito melhores do que eu imaginava, tanto para os desafios, que são mais difíceis do que eu imaginava.
Acho que essa intensidade eu não tinha muito como saber. E uma outra coisa também que me surpreendeu, tem mais a ver com processos internos, mas eu faço análise há muitos anos.
Então, já trabalhei questões da minha infância, assim, muitas vezes e de muitos jeitos. Então, eu achava que, embora eu imaginasse que a chegada do Francisco pudesse mexer com questões de...
do meu lugar de filha, eu não imaginava onde ia mexer, né, e eu me surpreendi que tocou em lugares, assim, que eu não estava esperando, assim, né, então, e toca diariamente, né, em coisas que eu achava que estava resolvido, assim, né, em processos que eu achei que já tinha superado, ou que dores, né, enfim, questões que, isso que...
por eu já ter trabalhado e falado, eu achava que tá, isso não vai me pegar, assim, isso vem sem aviso, assim, em situações inesperadas, enfim, né, preciso também daí lidar com isso que vem, e é algo que eu não imaginava, assim, né, de onde viria, assim, né, então, que eu tenho um pouco disso, assim. É, eu assim, né, eu sou mãe bem recente, a Lina vai fazer e...
três meses amanhã, então é muito novo. Mas, assim, a primeira coisa que eu não esperava era engravidar no fim das contas, naturalmente. É, eu não sei, eu não sei o que é o tratamento. É que essa é uma história muito maravilhosa. Não dá muito longe. Tem aquela esperança, né? Mas eu já nem contava com isso, assim, sabe? Então, ter engravidado naturalmente foi a primeira grande surpresa da minha vida. Mas essa história agora que a Bárbara falou de que a Bárbara falou de
de a gente se colocar no lugar de filha e de mãe ao mesmo tempo e tal, talvez eu não esperava que eu fosse assumir com tanta rapidez o meu papel de mãe, assim, mãe, sabe? Eu passei por uma situação que eu conheço pessoas, mas que é um pouco particular, que é a questão de que a minha mãe foi diagnosticada com câncer na liga durante a minha gestação. Eu estava entrando no último trimestre.
E aí, a minha mãe tinha mil planos de sei lá como, porque ela ainda trabalha, conseguir ficar comigo e tal. E eu estava, meu Deus, não sei se eu quero alguém aqui, porque não moro na mesma cidade, é diferente, né? Quando é alguém que vem na sua casa, faz almoço e vai embora. Quando é alguém que vai ficar aqui, dormir aqui, conviver. E aí, eu ficava naquela, não sabia se eu queria, se eu não sabia se eu queria essa ajuda. E aí, quando veio o diagnóstico dela, que aí eu entendi que ela não poderia ir, né?
E que além disso, eu como filha queria estar lá. Então foi uma desconstrução que teve que ser muito rápida. Foi o mesmo tempo que ser mãe estava crescendo em mim, estava se tornando cada dia mais real, nasceria de família e demais. Ser filha era uma coisa urgente.
Então, isso foi uma coisa ali que o destino me pregou, né? Que, sei lá, destino, Deus da vida, não sei quem foi o roteirista. Queria, inclusive, conversar com ele. Mas que veio muito forte, assim, sabe? E aí eu acabei tendo que ser mãe, mãe, mãe mesmo, assim, desde o primeiro, o segundo, muito rápido. Ali no final da gestação, eu já tive que me planejar e pensar e que eu ia ter que abrir mão.
porque quando eu fui com a minha mãe, no dia 23 de dezembro, conversar com todos os médicos que fariam parte do tratamento, eles começaram a falar como seria, e eu fiz as contas naquele segundo e percebi que o pior do tratamento seria justamente quando nascesse a minha filha. Então, eu sabia que eu não ia, mesmo se eu quisesse, quer dizer, mesmo eu querendo muito, eu não ia poder estar ali. E eu sempre fui muito mãe dos meus pais. Então, foi uma surpresa eu ter conseguido e eu não ia poder estar ali.
Ó, foi mal. Lógico, ajudei, e aí eu acho que eu ajudei mais como filha mesmo, de ir organizando, vendo as coisas e tal, mas não pude estar lá, sabe, segurando a mão, fazendo o filho, que eram as coisas que talvez uma filha fizesse em outra situação. Então, essa quebra foi algo que me surpreendeu em mim. Eu não imaginei que eu ia ser capaz, sabe?
Ah, ela é tão foda, né? Ah, é tão bom ver as amigas falando assim. E ela diz que ela achava que ela não era determinada, né? É, não vamos falar sobre isso. É muito louco isso.
assim, que eu ouvindo vocês duas também fico pensando muito sobre essa consciência, sabe, a percepção que eu tenho assim, pelo menos vendo de longe, é que a maternidade de vocês e a maternidade dessas nossas amigas estão sendo mães agora mais velhas.
trinta e poucos anos, quarenta anos, ela tem uma coisa muito mais consciente, assim, sabe? É um exercício, eu acho que é uma maternidade muito mais pé no chão, muito mais ativa nesse sentido de porque eu quero, porque eu escolhi, eu estou consciente, eu sei que tem outras possibilidades de vida, eu já fiz bastante coisa também, mas eu quero, eu quero viver isso, assim.
E aí eu queria perguntar também pra vocês se vocês acham que essa consciência faz sentido, também em relação a escolhas, a limites, a prioridades, como a Marina Andrade acabou de falar, ela teve que estabelecer um limite, óbvio, porque não era possível que ela estaria lá parindo enquanto a mãe estava fazendo um tratamento, né, aí era a vida mesmo impondo esse limite, assim.
mas vocês conseguem enxergar uma mudança nesse olhar em relação a limites, a prioridades, as escolhas de vocês, aos objetivos de vocês daqui em diante? Eu acho que essa consciência e essa certa tranquilidade também vem aliada à saúde mental. A Bárbara falou ali que faz análise há anos, eu fiquei anos com terapia.
Porque eu sei que tem mulheres que têm filhos ao 40 e que ficam desesperadas, ou que tem aquela fobia de que alguma coisa aconteça com essa criança, ou que não conseguem ter essa tranquilidade, essa clareza de olhar e falar, não, peraí, ela não está com fome, eu sei. Eu vivo com ela 24 horas por dia, 3 meses, eu sei quando ela está com fome. Tem mulheres que não, que não conseguem ter essa segurança, porque não viveram isso. Acho que não é uma coisa que vem só com a idade.
A idade, a maturidade, não vem só com a idade. Eu acho que essa consciência vem de um processo, sabe? Acho que tem muito mais relação com o processo que eu vivi, talvez a Bárbara viveu, né? E a gente tem que passar por isso, sabe? Pra gente entender que não foi um susto, né? Foi uma coisa muito planejada e desejada e questionada. Sim.
Também acho, assim, eu acho que tem uma maturidade emocional, assim, né, que não tem a ver só com a idade, tem a ver mesmo com uma construção ali disso, né, de se perguntar, ah, isso que eu tava falando antes, assim, tá, eu quero, como eu quero, de que jeito, né, enfim, acho que isso, toda essa construção, assim, dá esse estofo, né, pra poder estar mais consciente vivendo essa experiência, assim. Eu fico pensando também, assim, que eu...
Acho que ser mãe era um dos meus sonhos, mas também não era meu único sonho. E eu acho que ter sido mãe mais tarde possibilitou que eu realizasse outros sonhos antes. Morar sozinha, viajar sozinha, viajar com amigas. Então, poder ter vivido muitas coisas antes, essa liberdade de ir e vir.
Acho que isso faz com que eu esteja também mais tranquila, vivendo isso que eu quero viver agora. Não tem uma urgência do que eu estou perdendo, vivendo isso. Tem isso que eu quero viver, que eu escolhi ter esse filho e eu quero...
viver essa experiência com ele, assim, né, então acho que isso tem a ver também com ter todo esse trabalho, assim, emocional, né, e também com ter podido viver coisas que se eu tivesse sido mãe com 30, com 20 e poucos, não sei, seria diferente, assim, né, teriam ficado coisas por fazer, talvez. Claro que eu ainda quero fazer muitas coisas, né, assim, com ele, sem ele, enfim.
Mas eu vejo que, sim, muitas das coisas que eu imaginava, ou que eu sonhava, eu consegui também fazer antes de ele chegar, assim. Que, de novo, passa pela escolha consciente, né? Isso que a gente estava falando. É que talvez a nossa geração de mulheres seja uma geração que pensa sobre ser mãe, e não que assume a maternidade como uma coisa quase automática da vida de uma mulher, assim. Acho que isso muda.
tudo, e agora talvez a gente já tenha um pouco de noção do quanto isso muda, mas eu acho que vai mudar tudo pros filhos de vocês também. Porque eles vão ter uma outra perspectiva do que foi a chegada deles, de que maneira que eles chegaram, de que maneira que eles foram recebidos, de que maneira que vocês se prepararam pra recebê-los, né? Enfim, acho que muda tudo. O que vocês duas diriam pra uma mulher que tá perto dos 40 e que ainda tá perto dos 40 e que ainda
tem esse desejo de engravidar, que está se planejando para esse processo, que está em tratamento, que está tentante, que está nessa realização desse sonho de ser mãe. O que vocês diriam para essa mulher? Eu amo a carinha que vocês duas fizeram. Eu acho que eu diria para investir na sua saúde mental, investigar isso, se é isso como von von
Enfim, né? Acho que isso...
Faz muita diferença no processo e acho que cuidar do corpo, né? Se organizar financeiramente e preparando isso, assim, do jeito que dá, né? A gente não tem controle, né? Acho que a Marina falou bastante sobre isso, né? A maternidade é um eterno, assim, não controlo nada. Mas eu acho que tem coisas que a gente consegue ir se preparando, né? Nesse sentido, assim, emocional, financeiro.
Enfim, acho que investiria ali, assim, pra poder esperar esse momento chegar, assim, com o emocional em dia, né? E eu diria pra ter, né? Se tá, assim, se quer, eu acho que é isso, assim. É uma experiência que, pra quem quer, vale muito a pena viver, assim. Acho que eu sou muito, eu sou uma entusiasta da maternidade desejada, né? Acho que quem quer, assim, vai, né? É, acho que...
É uma experiência única e eu acho que pra quem quer viver assim vale a pena, sabe? Eu concordo com tudo que a Bárbara falou lá embaixo. E a única coisa que complementaria é um pouco na linha do que a Mel falou antes. A gente tem que ver a felicidade em várias coisas. Então, assim, o meu sonho é ser mãe, ok, mas não pode ser o seu único sonho. A Bárbara finalizei vários outros sonhos.
Então, isso, pra mim, foi um divisor de águas. Porque eu nunca fui uma pessoa que, nossa, eu sonho em ser mãe e só pensava nisso. Mas a partir do momento que eu entrei nessa luta que pra mim foi, né? E vi que tava ficando difícil, parece que aí que vinha o negócio, sabe? Nossa, e se não acontecer? Então, a hora que eu consegui olhar e falar isso não acontecer, tá, eu posso...
Adotar, que ainda estou, que não é a mesma coisa, para mim não substitui, mas só no sentido de que eu posso exercer a maternidade sem ser uma gestão, eu posso não ser mãe, eu posso resolver que eu também não quero mais adotar, repensar e recalcular minha rota e não ter essa maternidade, eu posso, sabe? Aí eu comecei a ver as possibilidades, pensar sobre elas e entender que não, peraí. Pode ser que eu fique eternamente com essa vontade, mas isso não quer dizer que eu não vou ser uma pessoa boa.
feliz, alegre, que não vou ter meus momentos felizes, meus momentos tristes, como qualquer outra pessoa, sabe? Eu acho que é não condicionar uma vida a isso. É um ponto principal. E tá muito ligado ao que a Bárbara disse, saúde mental, né? O ponto principal é esse, é saúde mental, porque o preparo financeiro é muito importante, mas dependendo da jornada que você vai enfrentar, ele pode nunca ser suficiente. Porque engravidar a partir de fertilização, eu nem sei quanto a gente já gastou.
Eu falei, eu não sei nem onde é que veio esse dinheiro, né? Como é que a gente conseguiu? Porque é uma coisa que não tem fim. Sempre tem uma coisa nova, um exame novo, uma vitamina diferente, uma alimentação, uma academia, um exercício. Sempre tem uma coisa que tu vai ter que tentar e que por mais que tu esteja preparada, dependendo de como for a tua jornada, nunca vai ser. O que tu tem nunca vai ser suficiente, sabe?
Então, estar preparada psicologicamente vai te ajudar a enxergar que não, peraí, eu tenho X reais para investir nesse sonho e é isso que eu vou ter nesse momento e vou tentar trabalhar para construir mais. E isso não te sacrificar, sabe? Conseguir lidar com uma formação até econômica. Então, a saúde mental é o principal.
E eu tô, né, imagina, gente, eu tô nas nuvens, né, minha vida é maravilhosa, minha vida é incrível, eu tô muito feliz. Então, como a Bárbara falou, eu diria, amiga, se tu quer, vai, né, pula que a água tá quentinha, assim. Pode vir.
Muito bom. E o que vocês diriam pra mulheres como eu e a Marina, que não querem ser mães, mas que estão aí ao redor, vendo muitas amigas vivendo isso, como que a gente pode apoiar de uma forma genuína, verdadeira, longe, perto, como o que vocês dizem pra gente? Faz de conta que tu quer ser mãe. Não, de verdade, assim, ó, porque é muito, agora, antes como tentante eu tava vivendo, né, e eu ainda até tenho um bitas pra vocês.
tentante ainda na cabeça, né, ainda não assimilei, em junho vai fazer um ano que eu sou mãe, né, então, porque foi quando eu redescobrei a gestação, mas já era, eu falava isso assim, se coloca no lugar, né, tu ia gostar que como tentante alguém chegasse pra ti e falasse, ai, é só tu relaxar que vai vir, né, tu ia se sentir bem ouvindo isso, sabe, então é a mesma coisa, pô, se tu quer ajudar uma amiga tua mãe.
Tu quer ser rede de apoio de alguém, né? Ah, eu sou mãe e a minha filha tá grávida. Cara, te atualiza. Vai ler um livro, sabe? Segue um perfil confiável e interessante que fale sobre as coisas hoje. Pra ficar dando saco, dicas, sugestão. E eu não ajudei nada, sabe assim? Então, eu acho que a melhor ideia, a melhor sugestão que eu posso dar é faz de conta que você tá nesse papel. O que você ia gostar, o que você não ia, né? Como é que você ia sentir, sabe?
E aí, por ali, já dá pra torcer um pouco. Sim, acho que sim também. E hoje, assim, o meu filho tem um ano e dois meses, né? E pra mim, assim...
Eu fico comovida quando alguém do meu círculo de amigas se interessa por ele ou começa a criar uma relação com ele. Isso me emociona, porque quer ver uma parte de ti ali e algo que é uma outra relação que está nascendo. Então eu diria, se interesse pelos filhos das amigas, por quem eles são, pelo que eles gostam.
Primeiro ano o Francisco começou na escolinha agora, esse ano, né, mas ano passado, então eu fiquei praticamente com ele, assim, né, e tive muita ajuda da minha mãe.
voltar a trabalhar aos poucos, enfim. E eu tinha um grupo de estudos, tenho, né, um grupo de estudos com duas amigas, que a gente se encontra uma vez por mês num café, enfim, pra discutir textos e tal. E ano passado, assim, desde que eu comecei a sair com o Francisco, eu levei ele em todos os encontros, assim, né. A gente não estudou, né, a gente não conseguiu estudar, porque, enfim, né.
Ele acabava demandando ali, mas foi tão bom pra mim, assim, sentir que eu tava retomando algo da minha vida, né, com ele. Tinha esse espaço, né, de incluir ele ali, de fazer algo que era pra mim e ele tava junto, né, então acho que também chamar pro rolê, né, um rolê que inclui o filho, né, e que seja mesmo incluindo, assim, acho que isso também, enfim, era um abraço que eu ganhava, assim, sabe? Ele é...
pequeno ainda, então não dá pra dizer assim, ai, leva pra passar uma tarde, né, porque, enfim, ele é muito pequeno e estranha, né, ficar longe e tal, mas chamar pra incluir, assim, acho que pra uma mãe, assim, pra mim fez bastante diferença, assim, sabe? Ai, que lindo! Bora pra nossa mesa de bar.
A nossa mesa de bar hoje é de amamentação, de mamadeiras e de aguinha com gás, coca zero e sem álcool aqui. Gente, nós temos muitos, muitos, muitos recados pra vocês. Estamos abrindo o mês de maio por aqui, mês de aniversário do Donas, mês de aniversário de Marina Andrade também, inclusive. E olha só, dia 13 de maio.
40 anos da diva, loba. E aí teremos dia 16 de maio na Casa Raíssa em Blumenau, a nossa festa de aniversário, que vai ser a festa que queremos, né Marina? Exatamente, a gente resolveu que se é pra fazer uma festa de aniversário, ela vai ter tudo o que a gente sempre quis numa festa. Por exemplo, ela começa às 5 da tarde.
Por quê? Porque a gente gosta de festa cedo. E ela termina às 21. Não vai ter chorinho de quero um pouco mais. Termina às 21, que eu quero que 10 da noite, vocês queridas ouvintes convidadas, estejam em casa com seu pijama. E é isso que vocês querem também, tá tudo certo.
Então a gente vai fazer uma festa que vai ser muito legal, vai ter música boa, vai ser uma festa analógica, então a gente tá preparando algumas coisas aí pra que ela seja o mais analógica possível. Vai ter drinks com e sem álcool, não quer beber tá tudo certo também, porque a gente também tá nessa fase. E é pra todo mundo, quer levar criança, leve, fique à vontade, venha comemorar com a gente. Pode levar marido, pode levar, é, a gente...
Ela deu uma virada de olho, você reparou que ela deu uma viradinha de olho, mas pode, tá.
Mas assim, ingressos estão à venda. Vai ali no link na descrição do episódio ou acessa lá o nosso Instagram, arroba Donas da Petoda, e aí já garante seu ingresso. Tem um número limitado de pessoas. Vai ter sorteios, vai ter bolo, vai ter muita coisa legal. Mari Florencio já mandando um beijo pra ela, a diva maravilhosa, nossa DJ oficial de eventos do Donas. Vai ser muito bom.
Temos também essa semana a Gramado Summit. A gente está gravando aqui enquanto eu estou na expectativa de que eu preciso arrumar minha casa, porque Marina Melza está chegando. E vamos para Gramado viver a nossa viagem de migas, porém a trabalho. É isso, né? Tudo bem. A gente vai comemorar 20 anos de amizade e 7 do Dona juntas, é isso que importa.
E nessa quarta-feira, dia 7, a gente... Não, na quinta-feira, dia 7... Gente, eu tô perdida nos dias, desculpa. Uma e meia da tarde, a gente vai fazer parte de uma roda de conversa com outras mulheres falando sobre construção de comunidade, que é algo que a gente faz aqui todos os dias com vocês que nos ouvem.
E aí eu quero fazer um agradecimento muito especial a Damaris, que tem um Airbnb em gramado e fez uma parceria com a gente pra gente ficar hospedada no Airbnb dela. E tem, inclusive, desconto para ouvinte do Donas. Vai estar o anúncio também na descrição desse episódio. E aí, se você tá querendo dar um rolê em gramado, pega aí, salva e chama ela na hora de você fechar tua reserva que tem um descontinho pra você, tá?
Gente, bom demais. A gente vai palestrar e vai ficar em casa de ouvinte. Não, e fiquem ligados nos stories, porque eu vou mostrar tudo. Vai ter tour do Airbnb, assim. E quero lembrar também que a gente tem aqui no link, na descrição do episódio, o link pra assinar Pitaia, o nosso clube de lingeries, que a gente ama amar.
que todo mês entrega pra você na sua casa uma lingerie belíssima, nova, cheia de mimos, renda boa. Assim, ó, disse e repito, o tipo de coisa que você só sabia que precisava, quando bate na sua casa, a entrega chega e você se sente uma gata do mais absoluto nada. Às vezes tá no dia meio assim, vem pitai e aí a sua vida muda. Então, se você quer assinar, vai lá na descrição do episódio, tem lá o cupom do Donas também, pra também ter descontitos.
Kit do mês de maio é temático de Copa do Mundo, hein? Aproveita, porque mês que vem tem Copa. Bárbara e Marina, hoje a gente não vai fazer a mesa de bar com dicas minhas e da Melz. E vamos fazer com dicas só de vocês, tá?
como se mãe tivesse muito tempo sobrando na vida, sabe a gente tem zero zero sonoridade com as mães nesse momento, sabe a dica da Marina do se coloca no lugar da mãe a gente acabou de descobrir, não, a gente não se colocou, mas enfim eu acho injusto porque vocês sempre tem ótimas dicas e vocês são ótimas amigas para mães ou para tentantes, eu sou testemunha, tá, mas tudo bem vou aceitar porque não tenho opção
Quem começa, então? Vamos lá. Eu posso começar. Então, as minhas dicas são as únicas coisas que eu consegui fazer nos últimos três meses. Eu li este livro aqui, O Ano de Ouro, que é da Ana Januzzi. Ela é pediatra, se não me engano, e ela tem quatro filhas, se não me engano, também. Então, ela tem bastante lugar de fala para as crianças. Ela tem perfil no Instagram, tudo, mas eu indico o livro.
Lógico, tudo que a gente lê A gente tem que botar os nossos filtros Mas eu achei bem interessante E eu indico não só pra quem vai ser mãe Ou é mãe recente Mas eu indico pra todas as pessoas Que querem se relacionar com mães Que querem, sei lá, ter alguma rede de apoio Porque ele tá bem atualizado No sentido de o que fazer e o que não fazer Ele é bem um guia prático mesmo Manual, assim Nasceu o bebê e agora o que eu faço depois Então esse é bem legal
E aí, a minha outra dica, eu nem acabei de ler, mas eu já tô gostando. Que daí, depois, três vezes o neném sobe o bumbum, ele não mama mais concentrado. Ele mama, tipo, aí você tem que... Não dá mais, porque eu tava lendo, enquanto eu dava a mamar, né? Agora eu já não consigo, então tem que descobrir outro momento. Mas esse livro aqui...
que eu ganhei de um psicólogo que chama Por que o amor é importante? Como o afeto molda o cérebro do bebê? Também de quem é para a mamãezinha, né? Ou para quem quer ter rede de apoio. E ele é bem interessante, ele traz vários estudos de como o nosso cérebro é moldado e a importância do colo, né? Que é tão julgado pela geração anterior, assim, nossa, né? O que eu explico de mãe, de mãe, de vó? Bota essa criança no carrinho!
Então, vai acostumar mal. Então, ele é muito interessante nesse sentido. E eu que estou bem assistindo formal, além da prática, mas eu falo isso tudo formal, eu estou gostando porque ele tem várias pesquisas e dados de risco. Ele é bem assistido.
E pra quem é tentante, já que é só a gente que vai dar dica, Bárbara, eu acho que a gente pode dar tantas a gente quiser, né? Tem um perfil que quando eu comecei a seguir era mato, não tinha nem mil pessoas, e agora hoje eu fui olhar, tá com quase seis mil pessoas. E é o Florescer Psicoefetilidade. Ela é uma psicóloga.
E eu não a conheço, eu não fiz tratamento com ela, mas eu gosto muito dos posts dela em relação às retentantes, que há esse processo de conseguir gravidade.
E essa floresceripi com fertilidade, ela é muito interessante de novo, né? Poxa, eu quero apoiar alguém que está passando por esse momento. Então, lê ali, te coloca naquele lugar. Quando a gente fala de empatia, não é necessariamente viver exatamente o processo de saber todos os passos de fertilização. Mas a gente, pelo menos, ter uma ideia, pelo menos conhecer, pelo menos saber os nomes certos das coisas.
E ela traz uma visão, como ela foi tentante, ela traz uma visão que eu acho muito bacana.
Então, eu separei três dicas também, três livros que desde que o Francisco nasceu eu não consegui assistir nada, mas eu consigo ler alguma coisa quando ele dorme, na hora das sonecas. E foram livros que também me ajudaram no processo. Antes dele nascer também eu li muitas coisas, muitos livros escritos por mulheres, acho que me ajudou um pouco a ampliar os tipos de maternidade.
E um livro é esse, A Filha Única, que é da Guadalupe Netel, que é sobre três mulheres que vivem a maternidade de formas diferentes, uma que é mãe, outra que não é mãe e outra que é mãe de um jeito não convencional. É um livro muito interessante nesse sentido de abrir as possibilidades. E depois, assim, são dois livros que esse que é In Vitro,
que é da Isabel Zapata, que é uma mulher que passa também pelo processo de fertilização, né, e é uma espécie de um diário, assim, onde ela vai contando desde as tentativas até o processo, né, da fertilização, a gestação e também um pouquinho quando a filha nasce, assim.
E esse aqui também, que é a Línea Negra, que é da Jasmina Barreira, que também é nessa pegada do in vitro, que é uma espécie de diário também, onde ela vai compartilhando desde antes da gestação até...
quando o filho nasce, assim. Então, são relatos, assim, muito verdadeiros, assim, de uma maternidade muito próxima do real, assim, né? Então, acho que não é aquela maternidade idealizada, né? Fala um pouco sobre a privação do sono, amamentação, parto, enfim. Então, acho que é uma narrativa, assim, que me ajudou muito também nesse processo que a gente falava, assim, da consciência, né?
Então são três livros, são as três latinas. Então, enfim. Então é isso, gente. Marina, muito, muito, muito obrigada. Você sabe o quanto a gente ama a Bárbara da mesma forma. Você sabe o quanto a gente admira vocês. Quero mandar beijos também para outras mulheres. A gente poderia ter feito esse episódio com 38 mulheres. Mães que a gente admira muito, com Letícia da Silva, com Vini, com a Thalia, com a Branca, com várias outras mulheres que também estão passando por esse... E aí
por esse processo da maternidade de jeitos diferentes, de formas diferentes e mesmo que a gente não queira isso pra gente, que a gente não queira ser mãe, isso não significa que a gente não ache lindo que a gente não admire muito a capacidade de vocês de criarem pessoas tão fofas, tão maravilhosas e admire tanto mais ainda as mulheres que vocês são, já antes da maternidade e depois da maternidade e quero fechar esse episódio mandando um beijo pras nossas mães
Pra Dona Sandra e Dona Rosane. Já que é Dia das Mães no domingo. A gente vai vê-las nesse fim de semana. Mas queria também deixar um beijo pra elas. Então, muito obrigada, meninas. Beijos. Beijos. Até semana. Beijos. Obrigada, gente. Já tô chorando de novo. Obrigada.
O Donas da Porra Toda é uma produção independente. Produção, roteiro e apresentação Larissa Guerra e Marina Melz. Edição e tratamento de áudio Bruno Stolf. Mais informações no site www.donasdapetoda.com.br ou nas redes sociais no arroba Donas da Petoda.
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