A tragédia da Ilha das Flores (e os seus muitos mistérios)
A Ilha das Flores foi portuguesa, já não é mas continua católica no meio da Indonésia. Esse é um dos seus mistérios – tal como um tsunami pouco conhecido, o minúsculo homem das Flores ou um rato gigante
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- Tsunami de 1992 na Ilha das FloresMagnitude do sismo e proximidade da ilha · Tempo de chegada da onda de tsunami · Altura da onda e destruição · Interferência construtiva na Ilha de Babi · Impacto psicológico e número de mortos · Mecanismos de geração de tsunamis · Modelos numéricos para reprodução de tsunamis
- História da Ilha das FloresPresença portuguesa e comércio de sândalo · Religião cristã na Indonésia muçulmana · Herança portuguesa e fortes · Venda da ilha para a Companhia das Índias Ocidentais · Tratado de 1859 entre Portugal e Holanda
- O Homem das Flores (Homo floresiensis)Descoberta e características físicas · Posição na evolução e origem incerta · Controvérsias sobre a espécie
- Ecossistema único da Ilha das FloresDragão de Komodo · Rato gigante das Flores · Cegonhas gigantes · Elefantes anões · Nanismo insular e gigantismo insular · Galinas com 3.200 anos
- O papel da religião e cultura na identidadeInfluência religiosa portuguesa na Ilha das Flores · Perenidade da cultura e religião face à tecnologia · Identidade cultural e Timor-Leste
- A importância das ilhas como microcosmos evolutivosTeoria da evolução de Charles Darwin e Ilhas Galápagos · Especiação em ilhas · Adaptações a ambientes isolados
Bem-vindos de regresso a mais um E o Resto é Ciência. Eu sou José Manuel Fernandes, comigo está o Miguel Miranda, faz parte da Academia das Ciências, tem um longo percurso na Universidade e também no Instituto Português de Meteorologia e Atmosfera, assim que se diz, não é? Mário e Atmosfera. Mário e Atmosfera, Mário e Atmosfera, IPMA, mas a gente conhece mais da meteorologia.
e isto é um programa que fala de ciência, naturalmente, a semana passada. Estivemos aqui a falar do Kilimanjaro, estivemos num sítio um pouco mais exótico para as nossas paragens, subimos até o topo da montanha mais alta de África, e hoje vamos um pouco mais longe, vamos conhecer uma ilha.
de que se fala às vezes, mas muito poucas vezes, porque é a irmã pequena de Timor. Portanto, por assim dizer, é a Ilha das Flores, faz parte da Indonésia, mas foi uma ilha onde os portugueses estiveram há alguns séculos e que tem importância, já veremos porquê, até porque...
Nas ilhas aprende-se muito. As ilhas é um ambiente onde nos permite uma espécie de microcosmos, em muitos aspectos. Basta recordar que, por exemplo, para a definição do que é a teoria da evolução, para a clarificação das ideias de Charles Darwin, a sua visita às ilhas Galápagos foi muito importante, porque ele verificou aí um conjunto de intuições, verificou-as e...
percebeu que elas podiam ser verdadeiras precisamente porque de ilha para ilha havia espécies que eram diferentes. Ora bem, nós vamos estar também numa ilha que tem muitos aspectos diferentes e ensinam-nos coisas na área da geologia, da geofísica e também na área da biologia. Mas antes disso, Miguel, que ilha é esta?
Bem, todos os portugueses quando se fala de Ilha das Flores pensam sempre nos Açores. Os Açores têm, como sabem, nove ilhas, duas delas estão do lado americano e uma dessas duas ilhas é a Ilha das Flores, uma ilha ali... Quando diz o lado americano é preciso explicar na placa americana. Hoje em dia não se sabe, como sabes. Mas isto era da outra Ilha das Flores e a outra Ilha das Flores é localizada perto de Timor.
Na verdade foi chamada de flores, tal como a primeira, porque quando os navegadores lá chegaram estava coberta de vegetação alaranjada, muito luxuriante. Juro que nas flores era mais azulada. Exatamente, também. Sim, sim, mas era muito forte. É uma cor que associamos às flores. Assim como madeira estava coberta de florestas e por isso se chamou madeira. Exatamente, porque tudo tem uma lógica, tudo tem uma certa lógica. E o coração, já agora, tem a ver com coração e não com coração.
Mas a Ilha das Flores foi ocupada pelos portugueses ainda hoje, se lá forem, ela é bastante longe, como destino turístico, mas podem encontrar um forte português do século XVII, enruída, mas ainda razoavelmente visitável, e existem ainda nas povoações vizinhas.
canhões localizados nas praças que podem ser observados e que são uma espécie de herança portuguesa. Mas, mais, vai lá, eu não diria importante, mas mais característico que isso, exatamente, mais característico que isto é que ainda hoje é a única ilha cristã do universo muçulmano que é a Indonésia. Então, a ilha fica na Indonésia e nós sabemos que a religião aí é importante. Se não fosse a religião e o cristianismo e o catolicismo em particular,
porventura Timor teria aceito a integração na Indonésia. Só que isto aconteceu um pouco antes. Isto aconteceu um pouco antes e, portanto, os portugueses...
ocupam, ocupam quer dizer, estabelecem um interposto, é mais correto dizer-se assim, ao pé de Larantuca, portanto na Ilha das Flores, e é essencialmente um interposto que está direcionado para o comércio do sândalo. O sândalo é uma madeira preciosa, que tem um aroma muito intenso, que se pode manter durante décadas ou séculos. E tira-se também do sândalo, digamos, a partir do...
da madeira de sândalo consegue-se ter material para fazer perfumes para fazer outras coisas e portanto, por exemplo, na Índia é uma madeira considerada protegida, não se pode tocar no sândalo não é uma árvore muito grande é uma árvore pequena, mas ela tinha um valor económico muito grande na Europa e mesmo na Ásia e portanto os portugueses estabeleceram toda uma cadeia logística para o transporte do sândalo do sândalo
Quando chegam à ilha, a ilha não tem provavelmente uma estrutura política unificada, são pequenos chefes locais, mas os portugueses estabelecem uma relação de cooperação com o Rajá.
que era o rajá da zona de Larantuca, que ele sim começa a estabelecer um pequeno reino. É curioso... Sim, mas isso é típico, não é? Os portugueses, nessa época, não tinham capacidade, não tínhamos gente suficiente para ocupar, mas tínhamos capacidade para construir pequenos entrepostos e estabelecer relações com... Não tínhamos gente nem interesse, porque a nossa estratégia era uma estratégia de cadeia logística e hoje em dia quem esteja a fazer dessa estratégia é um grande sucesso.
ainda hoje estamos a discutir os pontos do Afonso de Albuquerque se não são ou não são fundamentais e se devem a não ter portagens estamos a falar de Malaca, de Ormuz e de Adam portanto há um criminoso a votar sempre o local do crime e portanto o que é interessante é que o primeiro rajado de Lanantuca é batizado
Os dominicanos estabelecem um ponto grande de apoio, estabelecem uma missão e, claro, temos aquela situação habitual nesta região que é alternadamente portuguesa e holandesa, conforme nós éramos atacados pelos holandeses ou conseguimos retomar as posições anteriores. É curioso que o período... Isso acontece sobretudo durante o período da ocupação filipina, não é?
Exatamente, e repara, é curioso Aconteceu mesmo no Brasil Para quem é da tua idade, que eu sei que já não serão muitos os ouvintes Que o primeiro rajá se chamava Olá Que era nos tempos do... Na nossa idade havia os lados rajá e os lados olá Exatamente, e portanto... Mas rajá quer dizer rei, não é? Portanto, é apenas rei de uma região E essa tradição do batismo ocorre em 1650 E whistle whistle whistle
portanto já depois do fim da época dos Felipes e durante o reinado de Dom Pedro II e estabelece uma relação com o povo de Portugal que dura ainda há muito tempo vai durar cerca de dois séculos mas é curioso ou é importante que a religião ficou realmente
na população e ainda hoje a Semana Santa é celebrada com regularidade. Eu tive um colega, quando trabalhei no público, que tinha uma paixão pelas flores e foi lá fazer uma reportagem. Eu também fui às flores, mas pelas razões que vamos falar mais a seguir. E é preciso ver que em todas as aldeias rurais das flores há uma cruz em cada povoado.
Há uma pequena capela, que pode ser de bambu ou pode ser de alvernaria, e em Lerantuca, que é a cidade mais marcada pela herança portuguesa, existem igrejas com nomes que qualquer um de nós poderia reconhecer. Já agora é interessante, para quem está muito virado para esta comunidade global, em que hoje em dia estamos todos englobados, que o último tema pastoral...
Foi exatamente, com o nome Ecologia Integral, seguiu uma das últimas documentos de Papa Francisco e que foi discutido na paróquia de Larantuca.
Mas vamos lá, aquilo que te levou lá, não é? A semana passada estivemos no alto do Kilimanjaro porque foste lá ajudar a medir a altura do Kilimanjaro e agora foste à Ilha das Flores porque aconteceu lá um fenómeno que surpreendeu muita gente. Exatamente. Há um tsunami, o tsunami é em dezembro de 1992.
O sismo não é um sismo com uma magnitude muito grande, é um sismo 7.7 a outros sistemas. Para ter uma ideia, tens assim algum sismo de recortes? Sim, é inferior ao sismo de 1969, por exemplo, que é de 8.0. Portanto, estamos a falar de um sismo de magnitude moderada alta.
O sismo de 69 foi o sismo que os mais velhos recordarão, fez-nos chocalhar um bocadinho, ainda caíram assim umas seminés e pouco mais. Exatamente, mas pouco mais, mas está a 300 quilómetros de distância. Aqui o que se passa é que o sismo é muito perto da Ilha das Flores. O tempo que demorou a onda de tsunami a chegar desde a zona da deformação inicial até à costa foi apenas 5 minutos.
E, portanto, em 5 minutos há uma onda que invada a ilha. A onda tem uma altura que é 3.2 metros. Para terem uma ideia, nós, um 755, tivemos 5 metros. Portanto, isto é uma coisa muito mais baixa. Um grande terremoto de Lisboa. Em 1969 tivemos 1 metro. Portanto, para ter aqui uma comparação.
Já agora só, tivemos um metro em 69 com um sismo de 8 mas tivemos um metro na chegada aqui à Terra não é no ponto inicial Não, não pode ver muito menos que isso
Foi dezenas de centímetros. Mas quando se chega à costa, há aquilo que se chama Schauling, que é o mar incapella-se, devido à redução rápida da profundidade. Aquilo que já falámos quando falámos da evolução do mar de costa. Exatamente. E, portanto, o que se passa é que o hospital de Maumere, que é a capital real, não é Larantuca, é completamente destruído. A onda lambe toda a ilha.
e há um local da ilha na Ponta Nordeste em que se chega à altura fantástica de 26 metros de altura do tsunami.
Em frente à Ilha das Flores existe uma pequena ilha, um cone vulcânico, que é conhecido pelo nome de Ilha de Babi. Babi quer dizer porco, porco selvagem, provavelmente. É um pequeno cone vulcânico que tem 2 km de diante, cerca de 350 m de altura. Portanto, não é uma coisa muito grande. É mais baixo que a Serra de Sintra, por exemplo. Mas o que acontece é que a onda...
na zona que está entre as duas ilhas, duplicou, mais que duplicou, a sua altura, por interferência entre a onda direta e a onda refletida da ilha, uma interferência construtiva, de tal forma que, na ilha de Babi,
Todos os habitantes tentaram trepar as árvores e quando chega lá a primeira missão, para tentar medir qual é que tinha sido o impacto do tsunami, as árvores estavam cheias de cadáveres. As árvores estavam cheias de cadáveres. E, portanto, este impacto brutal do tsunami...
Mas a Ilha de Bábio foi atingida em segundo e depois, mas a onda maior foi na Ilha de Bábio ou na onda refletida? Foi na Ilha de Bábio e na Ilha Refletida, foi nos dois lados e portanto o que é que aconteceu? Na altura não se percebia porque é que tinha havido tanto impacto, há uma missão internacional que chega lá três dias depois, tendo a ter uma enorme rapidez de...
de resposta em que algumas das investigadores mais importantes do mundo, como o professor Imamura, o Filipe Liu dos Estados Unidos, ou Costa Shinolakis, que é americano-grego vão e começam e vêm e deparam com um espetáculo que só não teve o impacto mediático, por exemplo, do tsunami de Sumatra.
porque não havia televisões como há hoje, nem telemóveis. Sim, é apesar de tudo o número de mortos. É diferente, mas o impacto visual de chegares a uma ilha, que é uma ilha pequena, de dois quilómetros, tu vês quase a ilha toda e vês as árvores cheias de cadáveres pendurados, é um impacto psicológico brutal. Há imagens, há imagens de fotografias.
Há imagens e fotografias desta equipa da verificação. E, portanto, isto foi o mais mortífero sismo e tsunami das ilhas de Sonda e com pelo menos 2.500 mortos numa ilha pequena. Ou desaparecidos, mas desaparecidos são mortos para este caso, e cerca de 90 mil pessoas ficaram sem abrigo.
digamos, a Ilha de Báb é completamente destruída, a Ilha das Flores é parcialmente destruída e, portanto, começou-se a perceber o que é que teria acontecido para chegarmos a este efeito. A situação é tão complexa, porque é uma ação física complexa.
Portanto, nós tínhamos a noção, porque já tínhamos tido muitos marmotos importantes, muitos tuzunâmicos, nós agora chamá-lo, antigamente era mais comum usar a palavra marmoto, agora usa-se a palavra tuzunâmica, é uma palavra com origem japonesa. E a mundial. Os japoneses estão...
muito habituados, até na arte japonesa há aqueles famosos quadros das grandes ondas e tivemos recentemente o tsunami que atingiu Fukushima, que fica famoso, o tsunami de Sumatra, houve o tsunami aqui de Lisboa, e houve talvez um e ainda outros que tiveram a volta ao mundo, como por exemplo, quando o gerado pela explosão de Krakatoa, que também é aí perto, também é na zona da Indonésia, Krakatoa era um vulcão que literalmente explodiu.
Há vimos falar sobre Crakatua, a leste sejava. A leste sejava. Crakatua é uma história fabulosa. É uma história fabulosa também. Neste caso, a questão era mais de se perceber porque é que certos sismos dão origem a tsunamis maiores do que aquelas que era pensado que poderia acontecer.
É aquilo que na altura se chamou na literatura da geofísica de tsunami earthquakes, os sismos que geram tsunamis. E quando é feito este reconhecimento do terreno, verifica-se que há aqui vários efeitos que se somam. Um deles tem a ver com o mecanismo de geração do sismo. Há mecanismos que mais eficientemente geram os tsunamis e há outros mecanismos que são menos eficientes. Vamos lá ver, o que acontece quando acontece um sismo?
uma zona de mar, portanto, de fundo do mar, o que temos é uma... há deslocações da crosta. Há uma deformação. Há uma deformação da crosta e essa deformação da crosta pode ser maior ou menor, não tem uma relação direta com a dimensão do sismo. Não, ela tem uma relação direta com o sismo no sentido de que a teoria elástica dos corpos reproduz muito bem a deformação do fundo do mar. Que não tem que ser uma rotura, é apenas uma deformação.
Elástica, que depois é recuperada elasticamente. O que se passa é que a velocidade com que ocorre essa deformação também intervém na forma como a energia é transmitida da terra sólida para a terra líquida. E há uma coisa que também pode influenciar, e que não sei se se confirmou ou não neste caso, que é haver escorregamentos. E depois soma-se os escorregamentos. Teoricamente, dizem que os 26 metros, a ideia é que terá havido um escorregamento local.
Os correntes, isto é, uma parte de uma montanha submarina que vai por aí abaixo. Exatamente. Já agora um pequeno detalhe. Toda a gente conhece, pensou, aquele desenho dos japoneses que têm a grande onda alta. Até há puzzles que se vendem.
Para quem tem paciência para os constituir, é só chamar a atenção que os tsunamis, aquilo não é um tsunami, é tudo menos um tsunami, porque a onda de tsunami não rebenta. As ondas que rebentam, que são críticas, são ondas de vento e, portanto, em que a parte superior da onda dá mais rapidamente que a parte inferior. Nos tsunamis não estamos a falar de uma onda que afeta todo o oceano até ao fundo, por isso é que ela depois tem este encapelamento litoral tão grande.
e ela é mais vista como um muro de água. As descrições mais realistas e quem vê, que hoje em dia é muito fácil de ver, o tsunami de Tohoku vê o muro de água avançado. O Tohoku é o de Somata? Não, o de Japão. O de Japão, o de Japão.
vê o muro de água avançar. Aquilo é um muro de água. E que entra para a terra adentro. Uma forma que não é apenas uma subir e descer. É a mesma coisa que a água vem por aí. Não se vê a parte de trás da onda. A onda é tão longa, ela é mesmo longa, que não se vê a parte de trás. E é por isso que não se pode fazer surf, por exemplo, no muro da tsunami. A partir deste...
acontecimento, até porque havia a expectativa de já ter havido no passado situações similares, foi decidido que todos os modelos numéricos que se queriam utilizar para reproduzir os tsunamis tinham que ser capazes de reproduzir o que é que tinha acontecido na Ilha das Flores. E quando vai este grupo de que eu tive a sorte de fazer parte?
com outros portugueses. A Ilha das Flores foi exatamente para observar in situ a relação entre a Ilha de Babi e a Ilha principal e ver, digamos, as condições morfológicas que conduziram a esta interferência construtiva.
Lembras-te que houve aqui uma pergunta que eu respondi na altura de uma forma muito confusa, sobre explicá-la o que é que é a interferometria. Isto é uma interferência típica. Temos uma onda que interfere com uma reflexão dela própria, mas de tal forma que os máximos desta onda vão estar em cima dos máximos de reflexão e os mínimos em cima dos mínimos e, portanto, a amplitude é duplicada. Isto foi uma reflexão construtiva total.
Porque há a duplicação da amplitude. A probabilidade de repetição deste tipo de dinâmicos é errada. É rara, mas ali não. Porque isto tem apenas a ver com a ciência e com a profundidade. Havendo ilhas perto, e não tem que ser muito grandes. Não. Por exemplo, só para ter aqui uma ideia, as berlingas seriam suficientes. Não, eu penso que não. Não tem a ver porque nós temos... Não tem dois quilómetros. E nós temos aqui um mar que é muito profundo.
E, portanto, o que é interessante é que nos Estados Unidos foram construídos modelos físicos, digamos, modelos que materialmente reproduzem a situação da Ilha das Flores, outros não fizeram modelos físicos, mas apenas modelos numéricos, mas hoje em dia não há nenhum modelo que, para passar na fiscalização internacional, não seja capaz de reproduzir o tsunami das flores.
Bem, mas já voltamos a ele, temos que agora interromper um pouco, já voltamos dentro de uns minutos, só um bocadinho e continuaremos na fascinante Ilha das Flores da Indonésia.
Bem, estamos de regresso, estamos a falar do tsunami da Ilha das Flores de 1992. Este tsunami ajudou a acordar a comunidade internacional para o problema dos tsunamis. Nós já tínhamos tido muitos tsunamis e muitas destruições.
Sabíamos, por exemplo, do que tinha passado em Lisboa, se bem que na altura desse mais importância à destruição do terramoto. Porquê que este tsunami teve tanta importância para acordar a comunidade internacional? Porque apesar de não ter sido, e não foi, o tsunami que teve uma primeira grande cobertura mediática, isso não é verdade. Na verdade, a primeira grande cobertura mediática é a Sumatra.
Essa matra deu tudo Deu filmes Deu tudo E é feito numa altura de começar a vir a seguir ao Natal Tem uma projeção internacional enorme Mas este acontecimento Teve duas coisas importantes Primeiro foi muito perto de um outro tsunami Que foi o tsunami da Nicarágua Que também foi altamente mortífero E Com a ideia De que De que
Nós tínhamos que estudar o fenómeno diretamente. Repara, quando acontece o tsunami de Somata, e isso começa a discutir, mesmo em Portugal, a questão dos temas de alerta, muita comunidade, mesmo científica, ou pelo menos tecnológica, não são bem cientistas, são mais tecnólogos, tinha a ideia que isto não servia para nada, porque as pessoas sentiam o sismo, e que sentiam o sismo seguramente, porque o sismo era o alerta precoce do tsunami.
E nós temos duas situações que são extremas e que mostram como este racino está errado. Isto foi testuído publicamente em Portugal, não vou dizer porque organizações.
Primeiro é esta situação, 5 minutos entre o sismo e o tsunami. Isto é uma situação completamente extrema e o sistema de alerta precoce não pode sequer funcionar, nem um nem outro. Segundo, Sumatra, em que tens um tsunami tão longe do sismo que o sismo não se sente e a onda chega. A onda de Sumatra chegou do outro lado, o índico. Exatamente, estiveste no Sri Lanka, muita gente a morrer no Sri Lanka, com um fenómeno que já agora podias também ajudar a explicar. Porquê é que o mar recua antes de vir para cima de nós?
Isso é um misto de duas coisas. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Sri Lanka, o mar rebou, as pessoas aproximaram-se do mar, não tinham tido nenhum tipo de alerta precoce e de repente...
Quando acontece a deformação do solo, na ocorrência de um sismo, há sempre uma parte do solo que fica levantada e outra que fica mais baixo. É como se fosse uma espécie de sismo. Uma parte levanta e outra afunda. Uma que levanta e outra afunda. Quando a parte que afunda está mais perto de terra do que a parte que sobe, nós recebemos primeiro a descida e depois é que recebemos a subida.
Isto junta-se a outro efeito. Há situações na Terra em que a fonte está tão perto do território que o território subside, na verdade, a própria massa sólida, baixa, antes de vir a onda. E isso que aconteceu, por exemplo, na América do Sul, já mais que uma vez, porque é os anos, tais anos que nós falámos de uma das últimas vezes, ainda aumenta muito o impacto do tsunami nas construções, porque nós baixamos a Terra e seguiu o mar por cima.
Agora, o que foi também importante aqui foi que é só nesta altura que se começa a perceber que é preciso modelos, modelos que funcionem bem, que sejam capazes de reproduzir a fenomenologia que ocorre junto das costas. Não sei se viram, mas...
O que eu disse, a Comissão tinha japoneses, americanos, gregos, portanto, são tudo zonas muito, digamos, atreitas a tsunamis e, portanto, isto é o princípio... A zona do Pacífico é a zona mais atreta. Exatamente, isto é o princípio do movimento, que ganha outra importância com o Sumatra e, depois, com a questão da central nuclear, ainda ganha mais importância. E estamos a falar do mundo que se globalizou rapidamente, em que começa a haver informação...
disponível para toda a gente de uma forma muito simples e em que a Unesco, na altura, tomou alguma liderança no sentido de tentar unificar as situações, porque a maioria da capacidade tecnológica do mundo não estava nas zonas mais sensíveis para o tsunami, estava no hemisfério norte, longe do mar muitas vezes, e a ideia foi utilizar o conhecimento que existe nos países para tentar proteger os outros.
Mas nós estamos a falar da Ilha das Flores por causa de um tsunami, de um sismo e de um tsunami, mas sobretudo do tsunami. Simplesmente, a Ilha das Flores, enfim, como eu referi logo no início, as ilhas são ambientes, são microcosmos, e como microcosmos permitem, digamos, uma riqueza em muitos aspectos diferentes. E a Ilha das Flores tem, pelo menos, um grande mistério.
que é o mistério do homem das flores. O que é o homem das flores? O homem das flores é um homo, portanto um... Homem nídeo. Um homo nídeo, portanto um homo, não é um homo sapiens, é o homo floriensis, nem é o homem erectus, é o homem floriensis, assim foi designado, foi descoberto há pouco mais de 20 anos, 2003, numa caverna, numa grande caverna.
e que tinha uma característica que era muito pequenino, mas totalmente pequenino. Estamos a falar de um homenídeo com apenas um metro, um metro e cinco centímetros, com uma caixa craniana do tamanho de um chimpanzé, portanto uma cabeça pequenina também, portanto uma espécie de homem mirrado, parecido em termos de tamanho, e cuja posição, a origem, a posição na evolução.
ainda hoje não está completamente consolidada, há já uma ideia sobre isso, vamos falar um pouco melhor disso, mas tudo isto acontece num ambiente também que é muito particular, que é as ilhas, não é? Porque há muitas outras singularidades nesta Ilha das Flores. Sim, sim, porque a costa da Ilha das Flores, a costa ocidental, ainda é dos locais da Terra que tem o dragão de Komodo.
E além de ter o dragão de Komodo, e o rato gigante das flores... Sim, o dragão de Komodo é o maior lagarto da Terra. O maior lagarto da Terra. Tem, enfim, estamos a falar de um lagarto que pode ter 2 a 3 metros de comprido, um lagarto, não é um cuscudilo, que pode pesar mais de 150 quilos. Portanto, estamos a falar de uma coisa séria, digamos assim.
E agora soma-lhe o rato gigante das flores, que tem cerca de 45 cm de comprimento, mais um rabo de 70. Imagina o medo que isto não faria às pessoas de ter medo de ratos. Eu tenho uma experiência não minha, mas próxima de quem tem medo de ratos, mesmo daqueles que são minúsculos. Isto aqui é um rato de 2,5 kg.
É um rato como um coelho, não é? É um rato como um coelho. E não é, às vezes diz para as ratatandas, que parece um coelho. Não, este tem a dimensão mesmo do coelho, não parece. Tem a dimensão do coelho, só que é um coelho com um rabo enorme, não é? Claro. Agora repara, tens a tal gruta de Liang Boak, que é cada vez mais famosa, porque tem sido lá descoberta agora novas coisas que já vimos falar.
E isto, para quem estuda a evolução da vida na Terra, é uma situação fantástica, porque percebe-se que houve ali um tipo diferente de hominídeo, que ele esteve razoavelmente isolado do exterior, se não seria possível, e para além do dragão que ainda hoje existe e do rato que ainda hoje existe, chegou-se à conclusão que também havia cegonhas gigantes que tinham 1,80m de altura.
Portanto, segonhas tinham quase o dobro também do nosso homofloriente. Do nosso pequeno homem. Do nosso hobite. E elefantes anões que completavam.
este fantástico ecossistema. Agora, para todos os que lerem os livros do Tolkien e conhecem minimamente o Frodo e os seus amigos, imaginem o que é que é o mundo, uma ilha povoada por hominídeos com um metro e dez de altura, que tinham, como disse o Zamanel, uma crânio mais pequena e uma dentição mais pequena, mas tinham braços maiores e tinham pés maiores. Exatamente como o Frodo. Exatamente como o Frodo.
e que estavam cercados por cegonhas de 1,80m que, de acordo com os últimos artigos publicados, eram capazes de voar e que, por elefantes minúsculos como aqueles que ainda hoje existem, são os últimos na ilha de Borneo. É que se junta Dragão de Comodo e o Rato Gigante para se perceber que estamos a falar de um ambiente que parece hoje totalmente irrealista.
Parece irrealista, mas não é. Quer dizer, o que nós sabemos é que as ilhas, quando se estuda a evolução, e, portanto, eu falei ao princípio do caso de Ilhas Galápagos, o que acontece é que as ilhas são ambientes relativamente pequenos, onde, digamos, os seres vivos que lá estão ou chegaram lá por meios variados ou ficaram lá quando aquelas ilhas se separaram de corpos maiores, portanto, há várias hipóteses possíveis.
mas depois evoluíram de forma isolada. E é uma das coisas mais fascinantes do estudo, por exemplo, da evolução das espécies, é a chamada especiação nas ilhas. Nós, por exemplo, ficamos de ilha em ilha, como o Darwin foi nos Galápagos, e podemos encontrar espécies ligeiramente diferentes de aves, ou, no caso dos Galápagos, eram tartarugas, umas com os pescocos compridos, outras com os pescocos curtos, todas elas...
procurando, no fundo, refletindo ambientes ligeiramente diferentes. Eu já estive nos Galápagos e as ilhas são muito diferentes umas das outras e as estaturgas também. E aqui o que temos é o reflexo de um fenómeno que também acontece nas ilhas, que é, por um lado, o chamado nanismo insular.
Portanto, evolução para corpos muito pequenos, como é o caso do próprio homem floreense, do homem floreense, do homem das flores, como do elefante anão, como para corpos gigantes, como é o caso da cegonha ou do lagarto, do dragão, ou ainda do rato gigante.
E junto assim a outra coisa, é que do ponto de vista geológico, nós não temos capacidade de explicar como é que no passado houve alguma ligação daquela ilha com as outras. Porque nós somos capazes de... O que significa que não temos certeza sequer como é que lá chegou aquele homem. E sabemos, a ideia que o que eu sou, é que ele está pelo menos lá há 700, quer dizer, esteve lá, porque ele já não desapareceu, esteve lá há 700 mil anos. Até há 60 mil. Até há 60 mil, portanto, teve 650 mil anos.
E portanto, não sabes como é que ele chega lá Já agora é também... Não sabes duas coisas Se ele chega lá, como chegaram muitos homo sapiens Neste caso, às ilhas espalhadas do Pacífico Se chegou num barco, se chegou alguma coisa desse género Ou se pelo contrário evoluiu lá A partir do homo erectus Ou do... De um hominídeo mais antigo Mas alguém teve que chegar lá numa embarcação E é também por causa disso E eu whistle whistle
que isto é seguramente um dos hominídeos mais controversos de sempre. Há ali um outro nas Filipinas que deve ser possível. Também é bastante controversa. Isto é muito controverso, de tal forma que ao princípio até foi atribuída a primeira descoberta a um problema médico, não é um problema de nanismo.
e que apenas só a descoberta de muitos mais esqueletos é que permitiu estabelecer que realmente não era... Porque não se trata de um homo sapiens, não é? Porque nós temos nos homo sapiens pigmeus. Portanto, isto é, seres humanos com aquilo que nós consideramos não ser suficientemente diferente para ser uma espécie diferente, mas que são bastante mais pequenos. E aqui não estamos a falar disso.
A secunha gigante conhece-se nos ambientes, mas completamente distinta há muito tempo.
e também está extinta na Ilha das Flores já há umas dezenas de milhares. E é isso em culpa dos homens, não é? Porque há outras espécies de aves gigantes em que o homem meteu mão como o dodo. Aqui aparentemente não pode haver porque o homem era mais fraco que a cegonha. Mas devo dizer que há um achado muito recente, publicado agora na Royal Society, de mais 21 ossos de asas destas cegonhas gigantes e é a partir desse achado que se concluiu a sua capacidade de voar.
Coisa que durante muito tempo foi considerada que seria difícil, porque os pássaros muito grandes foram basicamente mal. Outra descoberta também muito recente, a Ilha das Flores, também da mesma gruta, e também interessante, é ter a ver com as galinhas. A galinha é um animal, é um pássaro domesticado, e nessa mesma gruta foram descobertas galinhas com 3.200 anos. E não se percebe bem como é que chegaram lá as galinhas.
Isto é, se estavam ou não domesticadas, queres-te dizer, não é? Não, não, o género é o género. Não, por 700 anos não haveria lá nada, não é? Não haveria lá nada. Portanto, como é que chegaram lá as galinhas cujos ossos agora são recolhidos? Esperamos que não tenha sido um piquenique descontrolado, mais recente, mas eu acredito que os arqueólogos sabem datar com grande, grande qualidade as suas amostras.
Este aspecto do gigantismo e do monismo das ilhas pode ter a ver com aspectos adaptativos, por exemplo. O tal espécies que são vítimas de predadores, podem ficar mais pequenas se estiverem num ambiente em que não têm...
ou melhor, podem crescer, podem ficar maiores, se não tiverem que ser pequenas para se esconderem. Isso pode ter acontecido, por exemplo, com essas aves, com a ave, ou mesmo com o rato. Espécies que precisam de mais alimento podem tornar-se mais pequenas, porque estamos a falar de um ambiente com recursos limitados. Portanto, isto não acontece por acaso, não é uma singularidade, porque nós temos, por exemplo, aqui no Mediterrâneo, temos várias ilhas onde também tiveram elefantes anões.
Temos a Sicília, temos a Cerdanha, temos a Creta, temos Chipre. Em todas as ilhas mediterrâneas houve elefantes anões. Ou não temos a homofloria. Não temos a homofloria. Pelo menos tínhamos descoberto. Como é que se saiba? Agora, a Ilha das Flores já há muito tempo que não é portuguesa. Isto também é uma história muito engraçada, não é? Ou melhor, ou trágica. É uma história trágica, portanto, ela é vendida.
É vendida em 1851 pelo seu governador José Joaquim Lopes Lima, que a vendeu a título pessoal sem a autorização da coroa. Portanto, vendeu, estava criado de dívidas e vendeu à Companhia das Índias Ocidentais.
O argumento dele é que não eram dívidas pessoais, eram dívidas do governo de Timor e das Flores. Mas, enfim, o rei parece que não acreditou nisso. Exatamente, o rei dele disse que não acreditou, ele, aliás, é demitido, é exonerado, pouco tempo depois, por causa deste facto, mas, na verdade, a ilha estava vendida e foi preciso, do ponto de vista diplomático, cobrir a situação.
Ou seja, é feito um tratado entre Portugal e a Holanda, da altura, em 1859, e esse tratado fixou a troca de territórios na zona de Timor, entre a Holanda e Portugal.
que varia a dar o que é hoje, o que seria a configuração atual da descolonização. Tem que ter uma coisa um pouco estranha, porque nós não compreendemos bem porque é que Timor, Timor-Leste, como nós lhe chamamos, Timor-Leste é Timor-Leste e depois havia um bocadinho uma espécie de enclave no meio de Timor-Ocidental. Ocidental. Ocidental havia ainda um outro enclave.
mas isso tem a ver precisamente com esse tratado de 1859, numa altura em que Portugal, claro, muito provavelmente não tinha forma de repagar aos holandeses o dinheiro que eles tinham pago ao tal senhor governador de Lopes, ao senhor Lopes.
O Banco Mundial ainda não tinha sido fundado. Nós tínhamos entrado para a Comissão Europeia e não podíamos ir pedir dinheiro a ninguém. Não andávamos a pedir dinheiro a muita gente, mas, enfim, o século XIX não foi um século grande de folga económica e financeira em Portugal.
E, portanto, nós temos aqui uma situação que eu penso que muitos portugueses desconhecem, ou desconheciam, antes de nos ouvir, e que era uma ilha que tem o mesmo nome que outra, mas é muito longe dela, que ficou famosa por causa de um tsunami.
que teve um impacto enorme sobre a situação, sobre a população e sobre a construção. Muita da construção era em palafitas, por exemplo, e o tsunami destruiu-as completamente, em que os habitantes fogem do tsunami subindo para árvores, são ilhas, não têm nenhum local para subir, que chega cinco minutos depois do grande abanão de 7.7 e que foi na altura também o maior sismo da região de Sonda.
e que tem uma história ecológica tão extrema de um ambiente que só lembra, na verdade, o Frodo e os seus amigos. Esta, de certa forma, é que é a verdadeira tragédia da Ilha das Flores, que se confunde em nome com uma obra do nome parecido do Grande Sante Caróis.
Exatamente. E isso abre-nos um caminho, porque nós temos muito fascínio por ilhas. Já vemos de voltar às ilhas em próximos programas. Há muitas ilhas que guardam mistérios ainda hoje difíceis de explicar. Todos os anos há novas teorias, por exemplo, sobre o que aconteceu à civilização de Rapa Nui, portanto, a Ilha da Páscoa, e como é que construíram aquelas estátuas e elas, entretanto,
Como é que elas chegaram ali? Quem é que a civilização era aquela? Por que é que aquela civilização desapareceu? Mas neste caso há essa cidade que tu também viste lá, estiveste lá, pudeste ver as cruzes espalhadas pelas aldeias, ter notícia das celebrações da Semana Santa, que é, apesar de tudo, os portugueses venderam aquilo, mas mantiveram lá uma influência, que é uma influência, talvez a mais perante das influências culturais, que é a influência religiosa. E que, de certa forma, pueden pueden pueden
Para quem pensa qual é que será o nosso futuro geopolítico e o que é que nós existiremos como povo ou não daqui a um século ou daqui a dois séculos, é importante perceber que são sempre as questões mais humanísticas, quer sejam religiosas, quer sejam culturais, quer sejam artísticas, que são mais perenos no tempo. A tecnologia e a ciência...
Pode-se começar do zero em qualquer altura. É importante, é muitíssimo importante, e é o que nos pode dar riqueza, ou seja, qualidade de vida. Mas elas são sempre transportáveis, são modificáveis, são começadas do zero. Enquanto que tudo o que é cultura, humanidade e religião, que é uma espécie de súmula, na minha opinião simplificada, das duas coisas...
É aquilo que mais fica no tempo. E enquanto isso ficar no tempo, nós estaremos cá. Sim, para tudo, para o melhor e para o pior. Estamos hoje a viver períodos que de alguma forma nos deviam fazer recordar isto. Quer quando vemos que a tecnologia pode facilmente ser adotada por outros e que nos ultrapassam rapidamente, como está a acontecer.
com os países do Oriente, e noutros casos como foi por causa precisamente de traços culturais muito enraizados que países conquistaram a sua identidade e se mantém independentes, e ali mesmo ao lado temos o caso de Timor, não é? Ontem tivemos os dois a sorte. Nós olhamos para Timor, hoje eu estive em Timor, não há nada que distinga um timorense do leste e um timorense do ocidente, eles são exatamente iguais e falam mais ou menos a mesma língua, mas não queriam estar juntos.
Não querem estar juntos. E ontem nós tivemos a sorte dos dois de estar numa exposição de um amigo comum que é um grande escultor português e pintor não sei se pode dizer pintor, mas que é o Zé Pedro Croft e é importante perceber-se que é necessário, absolutamente necessário perceber que as tradições culturais artísticas e humanísticas têm que ser defendidas porque elas são a única coisa que nos pode levar daqui para o futuro.
Excelente a forma de acabar este programa. Encontramos-nos dentro de uma semana novamente.