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Na Amazônia, estudo identifica diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade
21 de maio de 202612min
Na entrevista desta quinta-feira (21), no podcast Os Novos Cientistas, o geógrafo Felipe Passos falou sobre o estudo de doutorado Educação na Amazônia: estrutura territorial da oferta e esforço espacial das famílias. Neste trabalho defendido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador contou com a orientação do professor Eduardo Donizeti Girotto. Entre os resultados de seu estudo, Felipe identificou, por exemplo, que há diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade. Para produzir a pesquisa, o geógrafo realizou entrevistas na Ilha do Marajó, no Pará.
“Existe o que denominamos ‘hierarquização espacial’ na qualidade do ensino médio naquela região”, contou o pesquisador. Essa hierarquização, segundo ele, é a maneira de tratar espacialmente as desigualdades, como a existência ou não da própria escola. “Essa desigualdade, é produzida a partir de diversos elementos e fatores que compõem a oferta de educação. São fatores que vão desde da própria existência ou não de escola em determinado lugar, a formação dos professores que lecionam nesses espaços, a infraestrutura dessas escolas, se atendem a demanda local e assim por diante”, descreveu o geógrafo. “E quando não existe a escola no campo, muitas famílias são obrigadas a fazer o que eu chamo de esforço espacial. É quando os familiares se esforçam espacialmente para levar esse aluno para uma oferta melhor”, descreveu.
Para realizar sua pesquisa, Felipe analisou dados de matrículas para entender as trajetórias de alunos entre campo e cidade. Além disso, foram cerca de 20 entrevistas em campo. “Entrevistei diretores de escola, coordenadores, professores, responsáveis por estudantes e egressos também de diversos programas do ensino médio aqui na Amazônia Paraense”, descreveu, destacando que “essas entrevistas foram realizadas em dois trabalhos de campo: quando eu fui para um município e quando estive numa Vila Ribeirinha.” Felipe lembrou que para chegar ao local foram cerca de 2 horas e meia de barco a partir de Belém, no Pará.
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