Episódios de Conversas do Fim do Mundo

Pai e filho em offroad pelo mundo

09 de maio de 202642min
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Durante a pandemia, Nuno e Lucas começaram a dar nova vida a um todo-o-terreno da família. Desde então já percorrem a Europa, desertos espanhóis e acabam de chegar de uma viagem a África.

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Assuntos1
  • Agudás e retorno à ÁfricaPreparação e início da viagem · Travessia do Saara Ocidental · Experiência em Dakar · Combustível em África · Duração e perspectiva das viagens · Encontros com outros viajantes · Abertura de um novo mundo
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Sejam bem-vindos. Quando a pandemia nos fechou em casa, os dois viajantes desta semana começaram a tirar o pó a um veículo todo-terreno. Começaram com pequenos passeios à porta de casa e a coisa foi crescendo. Lançaram-se depois à conquista de dois desertos em Espanha. Conquistadas as areias espanholas, aventuraram-se pelas areias marroquinas.

E em 2024, e com mais experiência na bagagem, percorreram 10 mil quilómetros pelo continente europeu. E recentemente realizaram uma grande viagem por África. São pai e filho, o filho chama-se Lucas, o pai, Nuno Ferreira. Bem-vindos, aventureiros. Boa tarde, João. Muito obrigado por estarmos aqui. Vieram de jipe para esta conversa? Por acaso, não. Ainda está meio sujo. E por com...

com as coisas para arrumar. Está lá arrumado na garagem à espera de tempo, não é? Está à espera da próxima. Já à próxima ou não? Já, já, já. Tens tudo. Temos várias hipóteses em cima da mesa. Estamos a pensar ir à Mauritânia, a percorrer todo o oeste da Mauritânia, portanto, entrar para o interior e fazer ali uns milhares de quilómetros só sobre Dunas. Não há estradas, não há localidades, não há acessos, há muito pouca coisa. E estamos a pensar. Ficámos com muita curiosidade na Mauritânia.

Muito bem. País que vocês já visitaram no vosso veículo todo o terreno, certo? Agora nesta viagem que fizeram por África.

Visitámos exatamente, pronto, foi o segundo país da nossa expedição, foi um dos países onde estivemos agora e que nunca tínhamos estado, portanto depois também fomos ao Senegal onde também nunca tínhamos estado e estivemos muito perto da Gâmbia, foi pena não haver tempo para visitar mais um país, mas pronto, obviamente quanto mais países se visitam numa só viagem, menos tempo conseguimos estar em cada um e ficámos mesmo com essa curiosidade de explorar o país mais a fundo.

Muito bem. Esta viagem por África, que acabou há dias, certo? Levou-vos a quantos países? Quatro, certo? Em África, três. Se considerarmos o Sahara Ocidental, que é obviamente... Ah, isso é uma longa discussão. Sim, exatamente. Mas totalmente diferente de Marrocos. É o Sahara Ocidental, uma antiga colónia espanhola. Exatamente. Tomada em 1975 por Marrocos.

mas completamente diferente nós que conhecemos já bem Marrocos já lá fomos inúmeras vezes de repente paramos com o Sáro Ocidental que era uma coisa muito tabu é pá, o Sáro Ocidental tem uma série que arreta uma série de problemas e de riscos fantásticas, pessoas muito mais liberais até do que em Marrocos, muito menos conservador é diferente muito mais deserto 1980 e 1990 era mais hardcore porque havia os guerrilheiros da frente polisário possivelmente, sim com o signing signing

Entretanto, a luta independentista também amaciou, digamos assim. Mas tivemos um episódio curioso, numa localidade em Alayune. Sim, sim, precisamente. Que íamos na rua e as pessoas cumprimentavam-nos e... Então são de onde? Nós somos portugueses. Eu sou polisário. Sim, sim, sim. Um senhor com alguma idade a fazer questão de...

assumir a sua nacionalidade. Ou seja, não se define como marroquino. Então vá, Portugal, Marrocos, território do Sahara Ocidental, Mauritânia e Senegal. Junto à fronteira da Gâmbia, percorremos muito o Senegal e regressamos.

Já agora uma curiosidade para ter uma coisa... Quanta, Lucas. Uma coisa gira que não foi gira na altura, mas é, nós, para dar assim um nome redondo a esta viagem, nós dissemos, denominámos a viagem de Alverca Dakar. Pronto, partimos da Alverca. Nós já sabíamos que não íamos só até Dakar. É onde vocês vivem, não é? Exatamente. Já sabíamos que não íamos só até Dakar, portanto, que íamos mais para Sul. Mas pronto, para não estarmos a dizer uma terriola que ninguém conhecesse, ok, Alverca Dakar.

Pronto, e depois fazemos mais uma volta. Curiosamente, Dakar foi tipo o único sítio da viagem...

Aliás, dos únicos sítios em África e onde tivemos nestas viagens, que eu não gostei. Odiei Dakar. Foi uma péssima experiência. Uma grande densidade populacional. Gigante, enorme, imensa. Tivemos uma experiência humana mais incrível, que posso contar em 20 segundos. Conta. Íamos na autostrada em direção a Dakar.

e parámos numa portagem e eu ia pagar com cartão portanto estávamos no Senegal lá há dois dias tínhamos feito as praias toda essa parte de deserto pelas praias e entretanto para dirigirmos a da cara tínhamos que apanhar a autoestrada e chegámos a uma portagem ia pagar com cartão as portagens não se pode pagar com cartão aliás não se usa cartão no Senegal nem para levantar dinheiro nem para pagar é raro só para levantar dinheiro mesmo e

desviamos 40 ou 50 quilómetros para chegar ao multibanco. Entretanto, estávamos ali, na portagem, é um país muito policiado e muito militarizado, e tivemos ali uma série de tempos, ele foi lá com o portageiro, e agora como é que nós fazemos? Só tínhamos 50 euros, 50 euros era uma imensidão de dinheiro, o troco era uma coisa, não era possível, não dá para pagar com cartão, o que é que fazemos? E não tínhamos moeda senegalesa. Vem a polícia e o portageiro foi connosco.

Portanto, tirámos os carros da portagem, metemos junto à beira da autoestrada, o portageiro veio connosco,

e pagou-nos essa portagem e as portagens seguintes, duas ou três portagens seguintes, que equivalia a um décimo do seu ordenado, sem nos conhecer de parte nenhuma. Uau! Exatamente. E não vos cobrou? Não vos pediu dinheiro? No dia seguinte combinámos, nós fizemos questão e pagámos-lhe muitíssimo mais do que ele nos tinha emprestado, foi ter connosco a Dakar, e nós devolvemos-lhe o dinheiro em quatro vezes.

Mas ou seja, estávamos a correr riscos sérios porque efetivamente já estava ali a polícia que estão aqui umas pessoas que não podem pagar a portagem nós já não tínhamos moeda local porque é dificílimo de arranjar e porque tudo tem que ser pago em cash ou seja, nem um abastecimento do carro por exemplo, um abastecimento do carro é logo uma fortuna de moeda local que vai à vida não dando para pagar com cartão e então estávamos na iminência de até aqui para uma esquadra de polícia ou qualquer coisa porque não íamos conseguir pagar a portagem Mas agora o combustível é muito caro em África? Pelo contrário É barato Muito barato Obrigado

O em África é relativo, não é? Porque depende dos países. Na Líbia é um centim por litro. Um centim por litro. Verdade. É verdade. Um centim por litro. Uau. Mas pronto, aqui por onde andámos eu diria que era, tanto na Mauritânia como no Senegal, entre um euro e um euro e vinte. Mais até para um euro, na maior parte dos sítios. Bolas. Não se recomenda aquele gás. Estão-me a dizer isso e eu só vejo dois euros. Exatamente. Atenção.

No fim de semana. Na altura em que estávamos a pagar um euro, aqui gostava dois euros e quinze, dois euros e vinte.

Portanto, agora já abaixo ligeiramente aqui, se calhar lá também estará abaixo, provavelmente. Muito bem. Gostaram desta viagem? Fantástico. Uma experiência de vida incrível. Quanto tempo andaram pela estrada? 26 dias. 26 dias? 25 ou 26 dias. Quase um mês. Boa.

E foi giro porque nós saímos daqui com a ideia de, epá, nós somos malucos, vamos estar um mês em viagem e dizemos a qualquer pessoa e o impacto é, epá, tantos dias, como é que é possível? Quando chegamos lá, todos os viajantes com que nos cruzamos e começamos a falar de onde é que vimos, para onde é que vamos, de onde é que eles vêm, chegamos à conclusão que a nossa é um tirinho. Porque é, então e vocês? Ah, nós estamos há três meses na estrada, vamos estar mais... Então e vocês?

Ah, eu só tenho que estar em casa no Natal. E depois nós dizíamos, ah, nós temos 20 e tal dias, pronto, porque o trabalho não permite mais. Então foi mesmo assim uma rapidinha, vieram aqui num instante à África e já vão voltar para casa. Portanto, é uma questão de perspectiva. Porque há muita gente a viajar, não é? É incrível, João. Muita gente a viajar e com muito tempo. Com muito tempo. As coisas mais incríveis, e temos um privilégio, esta viagem, como saís fora da tua zona de conforto e do normal, digamos.

Conhecemos pessoas incríveis. Conhecemos um casal com dois cães que encontramos precisamente no sáreo ocidental que iam para a África do Sul. Conhecemos um francês... Também em veículo todo-terreno. Um veículo todo-terreno. Um veículo de 23 toneladas, se me permitem. Uma meia-en.

com oito rodados ou qualquer coisa do género conhecemos o Jean, um senhor de 70 anos de quem ficámos amigos e que ainda lá está e vem ter connosco a alverca e vai passar aqui dois ou três dias connosco com 70 anos, canta sozinho num Jeep num Toyota, há não sei quantos meses

por África, sozinho, é incrível. Conhecemos inúmeras pessoas, todas interessantes, porque de facto, toda a gente que anda por ali anda a fazer viagens interessantes e é muito, muito giro. E inspirador ao mesmo tempo, ou não, Lucas? Completamente. E depois é muito curioso porque nós sentimos, tipo, o sair de Marrocos para baixo é a abertura de um mundo novo, completamente. Portanto, aquilo que nós já sentimos quando saímos da Europa para Marrocos, que é, ok, isto é um mundo diferente, aqui é tudo diferente, e saímos do continente europeu.

sente-se novamente isso quando se sai para baixo que é, ok, isto é novamente um mundo novo Marrocos era super civilizado e já ficou para trás e agora aqui é a abertura de um continente, portanto da África mais profunda, e então o que acontece é que enquanto que em Marrocos ainda se vê bastantes pessoas europeias e não é propriamente uma festa cada vez que vemos um europeu daí para baixo, quando nos cruzamos com alguém que percebemos que é europeu e que anda neste tipo de viagens Ok ...

nós sentimos logo necessidade ou vontade de falar com a pessoa e eles também connosco, porque começa a ser mais raro e são sempre pessoas já mais interessantes, porque quem se mete nestas uma maloqueira destas e tão longa tem que ter uma história de vida qualquer interessante para poder estar ali e para estar a ir para os países que vai, são sempre histórias interessantes são sempre pessoas interessantes

É engraçado. Vocês são músicos. Tu, Lucas, és percussionista? Batarista, sim. E tu, Nuno, guitarrista? Sim, sim. Sempre foi a minha profissão desde os 13 anos. Uau, desde os 13. Muito bem. A música, de alguma forma, é também um dos objetivos da vossa viagem ou não?

Sim e não. Tenho muitos temas originais que foram compostos só em Cabo Verde. Não é uma razão para viajar, mas estão atentos à música que se vai fazendo. E levamos vários instrumentos. Nós temos vídeos, levámos três guitarras para nós dois e um colega nosso que também toca, não é profissional, mas também toca um bocado de guitarra e então chegámos a estar em acampamentos nós os três a tocar e depois...

Mesmo antes de estarmos a tocar, o pessoal parece que o nosso setup tem imã. Começam-se a juntar as outras pessoas, os outros viajantes. E chegámos a estar a tocar e de repente está um polaco e está um espanhol. E o pessoal está dali a assistir. Mas isso onde? Onde estaciona o Jeep? Pronto, tivemos num espaço que é o Zebra Bar. Zebra Bar é onde? Zebra Bar é no norte do Senegal, junto a Santo Lui.

São Luís. Que é um sítio onde toda a gente reabastece de água, de combustível, resolve uma ou outra situação que haja num veículo. Ok. Compra, reabastece de alimentos. Pronto, então tornou-se um sítio que toda a gente ali para. É um entreposto. É um bocado um entreposto. Mas é um camping, basicamente. Ou seja, aquilo não é um hotel. É um camping, é um espaço aberto com árvores. Tivemos com macacos aí por cima dos jips de manhã. Tivemos a comida e o lixo e...

E é basicamente um espaço que paga-se qualquer coisinha e eles, é mesmo, então onde é que podemos parar? E eles parem para aí, escolham um sítio que vocês estejam bem e então há pessoas de todos os países, basicamente. Então parámos e começámos ali a cozinhar e tal e de repente vem um polaco engraçadíssimo, o Cris.

que veio logo para o pé de nós e tínhamos ali comida e bebida e foi uma noite incrível. E depois veio o Eric, que era um espanhol de Barcelona, e fizemos ali o... Mais uma vez, são tudo casos de pessoas que têm vidas muito particulares. Por exemplo, esses polacos, ele viajava com a mulher, já tinham ido até a Libéria, Serra Lioa, já tinham ido mais para o sul, já estavam a voltar para cima. E são pessoas que nos disseram objetivamente, nós temos várias empresas, mas daqui para a frente, depois desta viagem, já o tinham feito de certa forma para esta viagem e iam fazer daqui para a frente,

nós só vamos ter empresas que trabalhem sazonalmente, portanto vamos trabalhar 6 meses viajar 6 meses são pessoas que vivem para isto cada vez mais é o meu sonho é? portanto dar concertos 6 meses e andar 6 meses por aí a vadear no bom sentido, claro manter a empresa a funcionar e os concertos a acontecerem e as produções a acontecerem e viajar pelo mundo

Voltando só um bocadinho atrás, nós chegámos a Guerguerat. Guerguerat é a fronteira de Marrocos para a Mauritânia. E então, quando chegámos a Guerguerat, um de nós disse chegámos ao fim do mundo, chegámos a uma localidade... Não, como é que se chamava a localidade?

É localidade antes, se chama-se Birganduz, e tem um hotel até que é conhecido da malta que faz este tipo de viagens, que é o Hotel Barbas, e basicamente nós chegamos já ao fim do dia, e as estradas não são asfaltadas, é paupérrimo, não tem nada, só tem esse hotel e mais meia dúzia de casas.

E pronto, e era como o meu pai ia dizer que um colega nosso ia connosco e ele disse assim, é pá, chegámos ao fim do mundo, pessoal. Porque de facto era a sensação que dava, quer dizer, já nem as estradas são alcatruadas, as casas já nem têm todas telhado, as bombas de gasolina já começam a ser, pá, assim... Sem teto. Já nem teto têm, portanto, chegámos ao fim do mundo. De repente, vamos para a Mauritânia, percorremos toda a Mauritânia, percorremos todo o Senegal, quando regressámos, a sensação que tivemos foi que chegámos à Europa.

A mesma pessoa que tinha dito isso 20 dias antes ou 18 dias antes, que já nem se lembrava disso, eu é que depois o lembrei, com a mesma espontaneidade ele disse, pessoal, chegámos à Europa. Ilustra bem o que é que é daí para baixo. É outro mundo, não é? É outro mundo mesmo. Olha, e o veículo, portou-se bem? Sempre sem incidentes. Tivemos um, aliás. Então? O vidro, devido às areias, a quantidade de areia e pó, o vidro deixou de fechar.

Que é pior do que deixar de abrir, acredito? O vidro do condutor deixou de fechar. Ah, ficou caído na porta. Abriu e já não fechou. Portanto, desmanchámos os comandos, lubrificámos, fizemos 30 pimalinhas e efetivamente não fechava. E o que é problemático, porque a densidade populacional é de tal ordem, em algumas zonas do Senegal, nem na Praça Jamal Frená...

em Marrocos, que é de uma densidade populacional incrível, eu já tinha, ou nós já tínhamos presenciado tanta gente. Portanto, é complicado, às vezes, ir em localidades tão devagar e com os vidros completamente, com os vidros sem fechar. E depois, à noite também, não é? Então, pronto, esmachámos a porta, fizemos uma ligação direta do motor, fizemos ali dois fios e andámos ali com dois fios pendurados na janela e quando queríamos abrir...

e fechar, ligávamos a massa e quando era para abrir era assim, quando era para fechar era assim e conseguimos, foi a única avaria que o nosso veículo teve. Ok, arranjaram o vidro depois pelo caminho ou chegou assim a alberca? Chegou assim, ainda está. Por isso é que nós dissemos, até o veículo eu disse, está à espera da próxima, mas ainda precisa de um bocadinho de carinho sobre esta antes de pensar na próxima.

Isto até acabou por ser giro porque daí para a frente este já era tipo o nosso cartão de visita para me ter conversa num posto de controle policial Eram os parados politários ou polícias regularmente Eu fazia questão que eles me vissem a abrir o vídeo porque eles ficavam logo Estes terroristas não podem ser E era logo ali um... para quebrar o gelo No fundo eles perguntavam o que era aquilo e tal Onde é que vinha?

É um bom desbloqueador de conversa esse. Vocês partilharam volante ou só o Nunec? Sempre. E deram-se bem ou não, pai e filho? Sempre. Não pode ser. Lucas. Devo dizer que surpreendentemente... Abre o portal das queixas. Devo dizer que até me surpreendeu pela positiva. Ou seja...

Nós temos uma relação fantástica E até às vezes é difícil das pessoas Acreditarem porque nós já trabalhámos juntos Para além de vivermos juntos e viajarmos juntos Portanto é uma receita Para as pessoas descansarem umas das outras E eu aqui pensava mesmo, não só nós, mas até Com o Paulo, que foi o nosso companheiro de viagem Eu pensei, epá

é inevitável cansarmos uns dos outros porque são tantos dias e dias tão intensos e tão longos e com momentos de stress às vezes com cansaço eu ia preparar para isso Tem tudo para dar da geneira, não é? Exatamente, às vezes nós próprios já não estamos com a mesma clareza de espírito para lidar até com diferenças de opinião uma pessoa acha que se deve ir para x sítio outra acha que se deve ir para y e basta isto para desencadear um problema e de facto não foi o que aconteceu portanto nós chegámos cá e não tivemos uma outra questãozita, mas quer dizer é

Somos seres humanos Somos seres humanos, exatamente Que questãozita, já agora? Não me lembro Não me lembro, mas tipo Vamos antes olhar e não sei o quê Sim, coisas ligeiras Assuntos de lana caprina, não é? Sim, sim Estamos a chegar ao final da primeira parte, vamos abrir o álbum de viagem

Então, têm convosco ou possuem algum objeto que tenham trazido das vossas viagens e que seja especial? Nono. Olha, eu na Austrália fizemos uma viagem espetacular, mil e tal quilómetros por uma estrada por meio de uma floresta, que tinham um entreposto e tinham uma...

Tinha um posto de polícia com polícia, tinha um posto de correios com um indivíduo a trabalhar lá dentro e tinha uma loja que tem tudo. A loja de conveniência, mas ali tem embraiagens, tem luvas, tem roupas, tem inseticidas, tem lanternas e dessa loja nós comprámos um inseticida parecia um extintor. Portanto, um inseticida enorme.

que anda sempre connosco. Nunca mais utilizámos a não ser na Austrália, mas anda sempre connosco. E uma lanterna também enorme, com uma série de funções que também nunca a usamos, porque é de uma estupidez de dimensão, mas anda sempre connosco. É o backup do backup do backup. Ok, dá para eliminar um estádio de futebol, é isso? Sim, e com mais umas particularidades. Ok, fizemos, tu e o Lucas, foi a Austrália. Sim, sim. Ah, não sabia disso. Quando é que foi essa viagem? Em 2020.

Não foi nada, não foi nada. Não, não, não, já é mais recente. 24 para aí. Não, 24 fomos até a Suécia e Dinamarca. Então foi 23. Ah, já tínhamos feito esta viagem até ao norte da Europa. Não sabia, não sabia. Fizemos quase 30 dias. A do norte da Europa, não é? Vamos falar sobre ela na segunda parte das conversas do Fim do Mundo, esta semana com os músicos Nuno e Lucas Ferreira. Até já.

Estamos de regresso para a segunda parte das conversas do Afim do Mundo, esta semana com Lucas Ferreira e o pai, Nuno. Eles realizam, desde a pandemia, viagens em veículos. Em veículos, não. Num veículo. Todo o terreno em particular, porque vocês são proprietários de dois veículos. Um é um Monster Off-Road Bebedolas que bebe muito, não é? E esse é para andar por aí armado em músico americano. É isso?

Temos um Jeep Wrangler muito equipado, preparado para este tipo de viagens, imenso, espetacular, incrível, mas viajamos com o Suzuki, que tem 430 mil quilómetros, com o qual fomos buscá-lo com 0 quilómetros em 98, e no qual fui buscar o Lucas à maternidade, ou viemos para a casa da maternidade.

e é com este chip que nós fazemos estas viagens. Muito bem, portanto o Lucas tem uma ligação a este veículo já... É especial. Desde a nascença, não é? É especial, não é? Devem ser poucas pessoas que podem dizer que já levam quase 100 mil quilómetros feitos a conduzir o carro em que vieram da maternidade, portanto não é muito fácil. Já tenho histórias infinitas com aqueles...

com aquele jipe e até agir para mim às vezes imaginar que da mesma forma que os meus pais andaram naquele jipe quando tinham pouco mais do que a minha idade agora ando eu a fazer viagens semelhantes àqueles que faziam na altura e até com a minha namorada é interessante. É interessante. Quem entrará mais quilómetros, o Lucas ou o Suzuki? O Lucas ou? Ou o Suzuki? Ah, o Suzuki, seguramente. Então ainda não chegaste aos 400 mil, é isso? Não, não.

Em 4 anos de carta. Acho que tenho bastantes, mas 400 mil é muito. Já agora só uma curiosidade muito rápida, que é de facto o Wrangler, também já fiz algumas viagens, mas serviu precisamente porque disseste armada em músicos com um jipe americano. Era uma proficação. E ele apareceu num videoclipe. Gravei um videoclipe em que o carro apareceu, porque como ele tem teto de abrir era giro, que dava para estarmos com a cabeça de fora a cantar a música e etc. Portanto já apareceu num videoclipe.

Muito bem. Vamos recuar. Vocês realizam viagens off-road já há algum tempo, desde sobretudo ali a época da pandemia, não é? Como dizia na introdução do programa, este jeep estava guardado há algum tempo na garagem, não era? Não, não. Este jeep viajou muito até... Se calhar até quase um pouco mais do que o Lucas nascer, após o nascimento do Lucas, em 2003.

E o jeep viajava muito e sempre off-road. Por Portugal, por Espanha, por Marrocos, fundamentalmente. Entretanto, a vida e o trabalho sempre em excesso. E este jeep estava, era o carro que estava ali à porta de casa, que era o único que eu tinha à chave e que saía para ir... Mas super descuidado. Era o carro de piropão, é isso? Era um carro para andar ali nas voltinhas, super descuidado. E é uma relíquia que está ali e ele aguentou isso, apesar de, na altura, ter ficado triste connosco. Mas depois, quando começámos a dar-lhe carinho e a prepará-lo, e a...

e a equipa para fazer estas viagens está aqui como se fosse Vocês fizeram desertos espanhóis foram ao Górafe e Tabernas Tabernas é por cima da Almeria o Górafe é depois uma diagonal para o interior de Espanha Espetacular esse Górafe Fizemos Serra Novada também uma sequência dos três e terminámos precisamente com um banho no mar em Almeria estava muito calor porque fizemos no verão com

10 dias e foi tipo, geralmente somos nós ou sempre somos nós que organizamos as viagens e os nossos companheiros basicamente vêm atrás de nós e nós é que vamos proporcionando as experiências e então foi tipo a cereja no topo do bolo para todos um mergulho em Almeria olha e os erros espanhóis, Tabernas e Igorave

Muito giro. Parece que estamos no Colorado, não é? Aliás, há uma zona no Goraft que se chama Los Colorados. Porque tem um estúdio de televisão onde foram feitos inúmeros filmes que nós vimos todos. Aqueles Western Spaghetti, não é? Exatamente. Onde os carros que foram as estrelas dos filmes estão empilhados no estúdio e tem lá os cenários todos, os salunes e aquelas coisas todas. É muito giro. Vale a pena.

E outros estúdios onde foram feitos montes de filmes são em Wars Asat, em Marrocos, onde também já estivemos. Onde também já estivemos. Ah, muito bem. São paixinados por cinema, vocês, Nuno e Lucas? Consumidores. Sim, não particularmente não. Muito bem. Vamos falar dessa tal viagem que ficou aqui pendurada na orelha no final da primeira parte das conversas do Fim do Mundo esta semana.

tu foste pescar o Lucas à Holanda, não foi? Posso introduzir. Então, o Lucas, nós fomos levar o Lucas à Holanda, portanto era a primeira vez que ele ia ficar longe de casa por seis meses ou sete meses a fazer Erasmus e a acabar a sua licenciatura em gestão. E então...

Fomos lá levá-lo, depois eu cheguei cá, agarrei no jipe e fui lá levar-lhe coisas. Aqueles pretextos idiotas que os pais galinha arranjam para nem ter com os filhos. Fui lá levar-lhe uma série de coisas, com um amigo meu, que também costuma fazer estas viagens connosco, fomos os dois, voltámos. Entretanto, quando o Lucas terminou o Erasmus...

Isto é em janeiro. Estava um inverno super rigoroso. E o Lucas andava assim, pá, temos que ir para a neve, temos que ir para a neve. Está bem, então vá. Olha, eu vou-te buscar e depois aí decidimos se vamos para a esquerda, para as ilhas, para a Grã-Bretanha, ou se vamos para a direita, vamos para a esta, ou se vamos para o norte. Então eu saí daqui, três ou quatro dias depois cheguei à Holanda, por caminhos. E sempre por neve. Caminhos, ou seja, sempre off-road.

Quase sempre off-road e estradas muito secundárias. Entretanto, chego à Holanda e... Bom, filho, olha, estamos aqui. Então vá, queres ir para onde? E o Lucas agarra no telefone, deixa-me ver, onde é que há mais nevões? E então estavam a acontecer nevões no norte da Europa, em Hamburgo, e na Dinamarca e na Suécia estava tudo coberto de neve. Então arrancámos para norte, sempre debaixo de neve. Portanto, estamos a falar de janeiro, de temperaturas menos 15, menos 20, menos 10.

Sempre fomos por aí fora, os dois. Que bela maneira de fechar o Erasmus. Quase um mês. Um mês durou essa viagem? Quase, praticamente. 10 mil quilómetros. 10 mil quilómetros. Qual foi o percurso? Rapidamente, Lucas. Basicamente foi. Para o meu pai foi até a Holanda. Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda. Depois juntos seguimos, passámos ali pelo norte da Alemanha, rumo à Dinamarca.

Norte da Holanda, norte da Alemanha, sim. Exatamente. Depois da Dinamarca atravessámos para a Suécia. Não conseguimos conhecer muito da Suécia, não é? Mas fizemos ali o sul. Ainda tivemos uns parques naturais, tudo coberto de neve. Depois apanhámos um ferry da Suécia para o norte da Alemanha, mas já do lado oeste, junto à Polónia. E descemos sempre pelo lado oeste da Alemanha. Portanto, fomos a Berlim. Depois estivemos em Dresden. Portanto, fizemos todo o oeste da Alemanha.

Foi uma sensação incrível, peço desculpa, entrar em Berlim por aqueles caminhos, aqueles campos onde na Segunda Guerra Mundial temos a imagem de sempre entrámos em Berlim off-road. Portanto, Ria Viva, tens uma memória cinematográfica, não é? Incrível. Da Segunda Guerra Mundial. Só sentindo. Pois.

E isso era uma coisa que eu até ia dizer mais para a frente, que é completamente diferente. Mesmo que uma pessoa até vá a todos os sítios que nós fomos separadamente de avião, o impacto é diferente de estar neles seguidos. Ou seja, hoje estou em Berlim, agora sigo de Berlim para o sítio seguinte, que foi, por exemplo, a República Checa. Eu aqui, eu sinto as diferenças muito mais...

com muito mais clareza, porque mesmo que eu voasse para Berlim, estou lá agora 4 dias e fico a conhecer Berlim, volto, e daqui por um mês vou para a República Checa, eu não fui de um sítio para o outro, não é? Eu vim a casa... São duas viagens diferentes. Quando as coisas acontecem na sequência, nós sentimos... Ah, ontem os... Sei lá... Os quartéis de bombeiros eram assim e hoje são assados. Ontem os sinais de trânsito eram assim e hoje são assados.

Portanto, nós vemos as diferenças entre os sítios com muito mais clareza. E conhece melhor os países, não é? Porque as capitais... Enfim...

Atravessámos a República Checa toda, praticamente... O que eu ia dizer era que as capitais, muitas vezes, só representam os próprios capitais, não representam os países. Muito ilusórias. Algumas são fantásticas, mas pronto. E as a dizer sobre a República Checa... Atravessámos-la de... Agora é a Chequia. Agora é a Chequia. A Chequia. No Norte e fizemos tudo até...

até. Pronto, percorremos-la praticamente toda em off-road. Andámos por pinhais imensos e temos filmagens de drones e fotografias incríveis. E se mudou a ideia não sei, pré-concebida não sei se tinha uma ideia pré-concebida sobre o que é a Europa, Nuno? Completamente. Eu digo isso muitas vezes. A primeira vez que eu fui a Marrocos, em Marrocos, não era na Chile era em 2000, e a imensidão e o que se percorre é muito linda.

E na Europa se sentia exatamente a mesma coisa, não com desertos de areia, mas com desertos a nível humano, obviamente, florestas inimagináveis, em que vamos centenas de quilómetros, às vezes queremos comprar pão e não há um sítio onde comprar pão. Portanto, a Europa é de facto imensa, países como a França e com a Alemanha são efetivamente imensos, quando se palmilha...

de aldeia em aldeia e não de cidades em cidades. É incrível. Mudou completamente. Tenho isso incutido. Porque há sempre aquela ideia nós olhamos para a Europa sempre como... Quer dizer, lá está. Olhamos para a França e imaginamos Paris. Olhamos para a Alemanha e imaginamos Berlim.

A Europa é muito rural também, não é? Mas até é mais do que isso, porque ambos, tanto o meu pai como eu, mas até mais o meu pai, nós já conhecíamos bastante para além das capitais, ou seja, já tínhamos... O meu pai conhecia se calhar todas as cidades de França, ou quase, e mesmo assim...

É diferente porque lá está, ele esteve nessas várias cidades, mas aterrolado, de certa forma, ou foi aquela cidade. É diferente de ir por correndo, ir por correndo todas e o que está entre elas. Mas já agora eu há pouco fiquei com o percurso, com o itinerário por terminar. É verdade. Da República Checa passámos para a Áustria. Há ali uma zona que é muito giro porque ora se está na Áustria, ora se está na Alemanha. Uma pessoa já nem sabe exatamente em que país é que está, porque vamos tanto sempre ao longo da fronteira.

e fizemos depois os Alpes todos portanto fizemos os Alpes austríacos os Alpes italianos e os Alpes suíços os Alpes da zona francesa já fizemos pouco porque lá está, já estávamos mesmo já tínhamos esgotado todos os extras que tínhamos de tempo Eu tinha um avião para apanhar para ir tocar fora de Portugal no dia a seguir à nossa viagem E eu ia começar o semestre da faculdade e o estágio e tudo Foi primeiro até à última

Chegámos à 1 da manhã da véspera de eu começar o semestre e o estágio da faculdade. Portanto, não dava para esticar mais. Até a última. Assim é que é campeões. Foram 10 mil quilómetros? Quantos países? 14. 14 países. Incluindo Portugal. Incluindo Portugal. Incluindo Portugal. Muito bem.

E contando o Liechtenstein Chamar-lhe país talvez esteja a ser ambicioso Muito bem Então os ouvintes que gostam De off-road e que estão já a planear Suas viagens para os próximos meses Nono, o que é que tu Recomendas como Por exemplo, estrada off-road na Europa

O que é que eu recomendo como estrada off-road? Ou seja, o que é que te fica na memória desta viagem? Ao norte da Europa? Eu lembro-me de estarmos a fazer bosques na Dinamarca, onde havia animais selvagens e incrível. Bosques imensos que fizemos, em que um estava a cozinhar no jipe, parávamos o jipe, e o outro estava a vigiar.

ou na Alemanha em França, França é um país fantástico e não há quaisquer tipos de restrições legais para se fazer off-road toda a Europa é maravilhosa é a querermos e tu Lucas?

Sim, eu estava aqui a pensar numa recomendação para fazer e o meu pai tocou num ponto que é relevante, que é em grande parte da Europa não existe a liberdade que existe em Portugal para andar fora de estrada e etc. Portanto, algumas das recomendações que eu poderia fazer têm que ser fora do ar. Alguns dos sítios foram-me passar.

Até porque principalmente, mesmo onde se pode andar fora de estrada O campismo é bastante tricky Agora, a zona Vou recomendar uma zona que ainda não fiz Mas que estou com muita vontade ali Portanto, a zona dos Balcãs, etc Tudo isso, acho que não há restrições nenhumas Para acampar A Dinamarca é capaz de ter sido os sítios mais maravilhosos Onde andámos fora de estrada As florestas e depois com tanta neve Que é muito linda

É absolutamente incrível, mas na perspetiva de campismo não sei se é muito recomendável. Pois. É fantástico, mas não sei se é recomendável. Deixa-me lá ver, cometeram muitas ilegalidades. Ah, não. Só um bocadinho. Mas também nós pensámos, refugiámos-nos no mau tempo. Está tanta neve que ninguém nos vem aqui buscar. Nesta altura ninguém chega. Não incomodaram ninguém, não estragaram a paisagem.

Pelo contrário, até se pudermos contribuir em algum aspecto para a paisagem às vezes até quando acampamos num sítio e vemos, já tiveram aqui pessoas e aí está aqui algum lixo. Da forma que recolhemos o nosso até recolhemos o lixo que já lá estava. Muito bem. Olha, estamos a chegar ao fim antes de fazermos check-out. Permitam-me aqui uma pergunta. Vocês têm planos para viajar sempre juntos ou separados? Nuno e Lucas. Obviamente não será possível. O meu filho está a crescer. Tem a vida dele.

Eu quererei viajar com ele sempre que seja possível e sempre que ele queira viajar comigo, para mim é um prazer. Muito bem. E tu, Lucas? Digo um bocadinho a mesma coisa, na verdade. Ou seja, naturalmente, há muitos tipos de viagens, não é? E há várias pessoas com quem gostamos de partilhar este tipo de coisas. Agora, aventuras destas, não há assim muitos malucos como o meu pai no mundo. Se calhar aventura e outras, nós iremos fazê-las os dois. Sem dúvida.

Sem dúvida. Precisamente isso. Às vezes há pontos que têm que ser muito escrutinados e muito discutidos. Olha, as implicações de ir por ali são estas. As de ir por ali são estas. Ainda agora tivemos que mudar. Estávamos quase sem combustível na Mauritânia. E tivemos que mudar. E tivemos que fazer outro trajeto. Que era menos arriscado. Quem é o mais aventureiro dos dois? Tem momentos.

Dependendo se é de manhã ou de tarde? Não. Depende às vezes do tipo de aventura. Depende dos critérios ou depende do que é o objetivo. O Lucas a às vezes ainda tem a tendência está ali esta picada com 200 metros cheia de neve quase vertical embora aí fazer isto Lucas não vai estás a 5 mil quilómetros de casa não vamos fazer essa picada porque se ficarmos aqui com o carro...

atascados, ninguém nos vê aqui. E aliás, não é legal estarmos aqui... Esta parte já não era suposto ter dito. Ninguém sabe onde é que foi. Como é que eu posso dizer isto? A maturidade vai e vem em ambos. Ou seja, todos temos os nossos momentos imaturos de, epá, isto era tão fixe. E esquecemos um bocadinho. Sim, mas, olha, por motivos óbvios não é uma boa ideia. Então o outro vai relembrando. Há um adulto e um adolescente que se vai acendendo e apagando. É isso. É espetacular.

É bom, é ótimo. Desde que ninguém saia aleijado. Total confiança e cumplicidade. Mas confiança neste tipo de coisas é o fundamental. E em quem é que eu vou confiar mais do que confio no meu filho? E acho que ele poderá dizer o mesmo. Sem dúvida. Isto liga-se com a questão anterior, que é porque é que eu disse que aventuras destas não faria com outra pessoa? É porque para podermos estar nesse estado de espírito tranquilo e para fazer essas irresponsabilidades, vou pôr aqui entre aspas, é preciso estarmos com uma pessoa ao nosso lado em quem confiamos inteiramente e no seu judgment.

que não me lembro agora. Atenção, estas viagens são muito preparadas e nas nossas cabeças e temos coisas nas nossas viagens, se calhar que as outras pessoas têm uma máquina de fazer café elétrica. Nós não, nós temos coisas de suporte básico de vida, tudo o que é de emergência médica, dependendo do sítio para onde vamos, levamos tudo. Vamos preparados. Tudo nos permite chegar mais longe e, sobretudo, voltar a casa da mesma forma que fomos. Muito bem, estamos a chegar ao fim. Vamos fazer check-out? Bora.

Vamos a isso. Vou pedir-vos para completarem as habituais frases. Então, na minha mala vai sempre... Um kit de emergência médica com suporte básico de vida. Ok. E, Lucas? Um canivete, que é uma curiosidade porque até em inúmeros aeroportos já passei com o meu canivete. Sobretudo. A viagem com mais peripécias que realizei até hoje. No meu caso. Fala-te o primeiro.

Lucas. No meu caso foi uma viagem aos Estados Unidos que não foi assim em Overland mas em que perdemos os passaportes perdemos aviões aconteceram inúmeras peripécias ia gravar um videoclipe que começou a sefer torrencialmente inviabilizou um dos dias apanhei uma febre de 40 graus portanto, ficava aqui o resto do dia Ui, muito bem, temos que gravar um programa então, só contigo Qual é a viagem com mais peripécias, Nuno?

Uma viagem a Marrocos em que entrámos por um rio, tinha sido após o terramoto, portanto os caminhos que saíam do rio estavam destruídos, ou seja, fomos obrigados a fazer mais 70 ou 80 quilómetros dentro desse rio, em que havia gargantas que o carro não cabia, então tivemos que estar a partir a picarete de paredes com marroquinos para conseguir passar com os veículos. Foi duro, era suposto ser 3 ou 4 horas e foi um dia inteiro, e foi com sangue, suor e lágrimas.

E isto com o pequeno disclaimer de que o meu pai no primeiro dia de viagem queimou as mãos todas, portanto tivemos um pequeno incêndio num grelhador, onde no jeep em Marrocos, no primeiro dia de viagem e o que é que uma pessoa boa da cabeça faria? É pá, eu tenho que voltar para casa porque magoei-me à séria Só que o meu pai, como é um maluco saudável, e eu digo isto a falar a sério

É maluco como eu e digo isto de uma perspectiva altamente positiva. Fez a viagem toda, foi um guerreiro. Obviamente esse ano conduziu muito pouco, mas foi uma peripécia muito grande. Demorou quase um ano a recuperar quase na totalidade dessa peripécia. Bolas. O carimbo de passaporte ou visto mais difícil de obter? Aqui acho que posso responder pelos dois. Foi do Senegal para a Mauritânia. Agora a vinda para cima. Porque nós passámos da Mauritânia para o Senegal sem ter visto... ...

Para a Mauritânia, segunda vez. Portanto, tínhamos visto para a primeira entrada no país, a vez que passámos para baixo. Quando íamos passar para cima, nós saímos do país para o Senegal sem ainda ter o visto do Senegal para a Mauritânia novamente. Como é que fizeram isso? A velha maneira de... Toma lá e esquece. Não, tivemos que ter dado o visto, mas... É tudo complicado. Muito bem. A recordação de viagem mais cara.

Para mim foi o carnet de passagem de Mauritânia para o Senegal, que é um imposto que, apesar de ser do Estado, já negociámos e a próxima vez que lá formos já vai ser mais barato. Mas custou-me imenso dar aqueles 250 euros do carnet de passagem, que é para garantir que nós, como são veículos com mais de 6 anos...

para que não os vendamos lá. Na prática é isso. Os carros lá são todos vilhérrimos. A minha recordação mais cara, vou ter que voltar a essa viagem dos Estados Unidos, cinco voos, perdemos o avião, éramos cinco pessoas, foram cinco voos dentro dos Estados Unidos, comprados do dia para o dia. Muito bem. A refeição mais estranha, qual foi, Nuno? Para mim foi na Austrália um caranguejo panado, que feito da maneira... Eram aranhas, e eu não gostei. Ah, Lucas.

Eu diria, nessa viagem à Europa foi um dia que nós estávamos com muito pouco tempo mas eu disse, eu não quero comer uma sandra eu tenho fome, eu preciso de fazer qualquer coisa Eram três da tarde Eram três da tarde, estava quase noite porque era janeiro e então decidimos fazer um frango no tacho fizemos muito rápido e o que é que aconteceu? Para ser rápido, não abrimos mesa nem cadeiras eu estava com o prato de metal na mão só que o prato estava muito quente o prato queimava-me porque era de metal então eu tinha que pousar o prato, pousei-o na neve

Só que depois a neve derretia com o calor do prato e o prato deslizava e ia a fugir. Então foi uma refeição gira porque eu alternava entre queimar as mãos e ter que correr atrás do prato. Gostava de viajar com Lucas? Gostava muito de viajar com o Mário Pinto numa das suas viagens de reconhecimento. Portanto, não na viagem com o grupo todo, mas aquelas que ele fará sozinho, assim ao seu ritmo de não, deixa-me lá explorar este sítio e depois trazer cá um grupo.

Adoraria um dia poder fazer com ele uma viagem dessas. O Mário Pinto é líder de viagem, isso?

Sim, tem uma empresa, a maior empresa em Portugal desse tipo de viagens, é lá do Norte. Portanto, é uma pessoa com quem nunca tive a oportunidade de privar, mas se um dia tivesse, e ou de viajar neste contexto, gostaria imenso. Nono, gostaria de viajar com... Adoraria viajar com o José Magre, que há muitos anos atrás foi daqui até a África do Sul, não havia GPS, não havia rádios, não havia nada dessas coisas. Hoje temos tecnologia.

Exatamente. Olha, chegámos ao fim. Qual foi a música que trouxeram para fechar a conversa do Fim do Mundo esta semana?

Num dos meus álbuns originais, no qual o Lucas toca bateria, percussões e nos concertos ao vivo toca guitarra, essa música foi pensada em Marrocos e composta em Marrocos. Aliás, com uma própria capa evidência. Essa música que se chama... Longe de mim. Longe de mim. Muito bem. Nuno e Lucas, foi um gosto. Muito obrigado por terem vindo às conversas do Fim do Mundo.

Muito obrigado João Continuem assim, loucos e... Saudavelmente loucos E que daqui por um ano estejamos aqui a contar novas histórias É sinal que fizemos novas viagens E queremos ir ao Turcaministão Agora também, em breve Muito bem, muito bem Nuno e Lucas, obrigado uma vez mais, boa sorte Muito obrigado

Muito obrigado. Longe de mim, música original de Nuno Ferreira e de Lucas Ferreira a fechar a conversa do fim do mundo desta semana. Estamos de regresso dois ou oito dias, já sabem, sejam bons e boas viagens.

Se lujemy comujemy.

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