Episódios de Guerra Fria

Irão rejeita exigências nucleares dos EUA e negociações chegam ao limite: nova ação militar pode estar próxima

10 de maio de 202626min
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As negociações entre os Estados Unidos e o Irão chegaram a um novo impasse depois de Teerão ter respondido à proposta americana de 14 pontos com contrapropostas consideradas "insuficientes" por Washington, que exige o desmantelamento do programa nuclear iraniano. Em paralelo, o conflito na Ucrânia mantém-se bloqueado, enquanto a Rússia celebrou o Dia da Vitória com uma parada marcada por contradições — entre propaganda de guerra e sinais crescentes de desgaste humano, militar e político. Com mais de 350.000 soldados russos mortos segundo registos oficiais apurados por jornalistas independentes, a pressão interna sobre Putin intensifica-se, incluindo pela extrema-direita russa. Na Hungria, a tomada de posse do novo governo magiar e a expulsão de agentes de influência russos de Budapeste abrem uma nova fase nas relações entre a Rússia e a Europa Central.

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Assuntos7
  • Negociações Nucleares Irã-EUAProposta americana de 14 pontos · Contraproposta iraniana insuficiente · Enriquecimento de urânio · Desmantelamento do programa nuclear · Bloqueio de sanções econômicas
  • Guerra na UcrâniaDesgaste militar e humano russo · Pressão interna sobre Putin · Parada da Vitória russa · Perdas de equipamento militar russo · Ajuda militar à Ucrânia
  • Relação com Vitória SouzaDesfile de incapacitados · Retrato de Prigozine em desfile · Tropas norte-coreanas na Praça Vermelha · Protesto de sobrevivente do cerco a Leningrado · Patriarca Kirill associa Igreja ao poder militar
  • Pressão Russa e Reativação do DebateNúmero de mortos e feridos russos · Desmoralização das tropas russas · Propaganda de guerra · Uso de imagens geradas por computador
  • Demissão de Joe Kent do ContraterrorismoIrã como principal promotor do terrorismo · Críticas à Rússia e China · Fornecimento de material ao Irã
  • Ataques ucranianos em território russoDestruição de corvetas lançam-missões · Uso de drones · Drones com alcance enorme e letais
  • Apoio militar à UcrâniaBaterias de mísseis antiaéreos alemães · Compra de Patriots pelos alemães · Treinamento de militares espanhóis · Formação de pilotos ucranianos no Reino Unido · Sistemas de inteligência artificial para drones
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José Milhazes e o Nuno Rogério no Jornal da Noite. Boa noite, claro. Muito boa noite, Nuno. Bem-vindos. Nuno, já vais falar da Casa Branca que acaba de publicar um documento estratégico onde o Irão surge como o principal promotor do terrorismo, mas há novidades bem quentinhas ou bem fresquinhas sobre o acordo, ou pelo menos não é um acordo, é a proposta de cessar fogo.

Sim, muito rapidamente, os Estados Unidos entregaram uma proposta de negociação ao Irã há uns dias, uma proposta de 14 pontos, que por sua vez já era a resposta a uma proposta iraniana. Deram um prazo, esse prazo foi sendo estendido, foi sendo estendido, finalmente os iranianos responderam hoje, por volta da uma da tarde de Lisboa.

E há agora uma reação americana, que nós já conhecemos, uma das expressões é the proposal is grossly insufficient, ou seja, a proposta iraniana, segundo os americanos, é insuficiente, no sentido em que não responde a todos os pontos que tinham sido colocados.

Um dos pontos que não responde, já se calculava, é a questão do nuclear. Quer dizer, os iranianos não estão dispostos nem a largar a mão do material nuclear que já têm, que está soterrado em Esfahan, não estão dispostos a dizer que vão deixar de enriquecer o urânio, acham que isso é um direito deles, e terceiro, não estão dispostos a desmantelar o processo de enriquecimento que implica as centrifugadoras e várias fábricas.

E isso é inegociável para os Estados Unidos? Isso é inegociável. É porque os iranianos, nesta resposta, querem negociar as consequências, que é o bloqueio dos treitores-muros. E os americanos querem discutir as causas, que é a questão nuclear. Portanto, continuamos à beira, obviamente, de uma nova ação militar, a não ser que aconteça um milagre. Como tu sabes, a terra prometida é uma terra de milagres. Vai ser difícil neste caso.

Sobre o documento estratégico que falei há pouco, o que é que diz o documento? O que é que isto nos diz sobre o que pode vir aí a seguir?

Como é que acaba de ser publicado, chama-se Estratégia Contraterrorista dos Estados Unidos, aparece o Irão designado como o regime sinistro que é o maior promotor atual do terrorismo. Estou a citar diretamente. Mas há também palavras duras para a Rússia e para a China. Porque se diz que quer a Rússia, quer a China estão a fornecer materiais ao Irão.

E não desfessas que o Donald Trump vai agora à China, dentro de poucos dias. Por outro lado, as ruas de Teherão, neste momento, estão outra vez cheias de policiamento, portanto, quer dizer, quem quiser ir para as ruas manifestar-se, arrisca muito. Temos aqui algumas imagens dessas patrulhas armadas. Eu diria até que a Operação Fúria é de Pica.

piorou as coisas do ponto de vista da repressão, e queria-te mostrar aqui o porta-aviões forte, que é o maior porta-aviões do mundo, que saiu da zona de combate e vai regressar à sua base na Virgínia, e passou agora pelo Estreito Gibraltar. Esta é a notícia da saída. Aparentemente este porta-aviões vai ser reforçado, ou seja, vai haver um outro porta-aviões, há quem diga que é um que está neste momento a sair do Japão, não sabemos, mas se isso acontecer, os Estados Unidos vão ficar outra vez com três grupos de porta-aviões naquela zona, o que é um sinal, obviamente, de aumento da tensão militar.

Enquanto isso, tanto os Estados Unidos, como já disseste, como a própria Rússia, as Emeias, continuam à espera de decedências que nem a Ucrânia nem o Irão parecem dispostos a fazer. Estamos perante dois conflitos bloqueados sem qualquer fim à vista? Eu acho que sim. Quer dizer, as pessoas que ontem ouviram o presidente russo, o ditador russo, até podiam pensar quando ele diz que está para breve, lá o fim da guerra.

que aquilo que era verdade, mas não é porque ele não disse tudo. Hoje o assessor de Putin veio dizer aquilo que nós já dissemos milhares de vezes. É que Putin quer a paz, mas quer a paz dele. Ou seja, a Ucrânia tem que entregar à Rússia todo o Donbass.

Ora, na situação atual, em que é uma situação de empate no terreno, eu acho muito difícil que nesta altura os ucranianos cedam. Agora, o que pode acontecer é, nós estamos a ver uma forte pressão de Trump sobre os ucranianos. E isto aqui é extremamente grave nesta situação. E claro que...

Se a Europa entra numa crise económica séria,

Então aí vamos ver se a Europa consegue manter o mesmo nível de ajuda à Ucrânia. Por isso, isto parece que vai andar assim, o Trump diz que os iranianos não se vão rir, mas amanhã se calhar ele faz rir os iranianos ao dizer que afinal é mais de uma semana de cessar fogo. Na Ucrânia é exatamente a mesma coisa.

Muito bem. Entretanto, enquanto Moscou tenta, ou tentava, pelo menos, mostrar força na parada da vitória, multiplicavam-se os sinais de desgaste humano, de desgaste militar ligados ao conflito na Ucrânia. A Ucrânia pode tornar-se para a Rússia aquilo que o Vietnã se tornou para os Estados Unidos?

Eu acho que estamos os dois de acordo que já ultrapassou os limites do Vietnã. O mais preocupante para os russos é que em várias aldeias, em várias vilas russas, em várias pequenas cidades russas, o número de mortos e de feridos irreparáveis já é quase tão grande como o da Segunda Guerra. Como tu sabes, foi uma guerra catastrófica para a Rússia. Quer dizer, não há mais nenhuma guerra no século XX que se tenha comparado à Segunda Guerra. Mas não tem a mesma pressão da opinião pública que havia na altura?

Isso é o que nós julgamos. Nós não sabemos tudo o que se passa no interior da Rússia. Há muitos fenómenos, por exemplo, descontentamento social e económico, que têm também um substrato político, só que nós não damos esse substrato político como o mais importante. Seja como for.

Há uma desmoralização russa, sem dúvida, que não veio ser desfeita com esta mini parada militar, que foi uma parada da vitória, mas foi também uma parada da vergonha, quer dizer, de certa maneira, isto foi uma parada envergonhada. Por outro lado, porque os ucranianos estão neste momento, ou continuam, com os seus meios de longo alcance a atacar muito fundo na Rússia. Eu queria aqui impressar muito rapidamente, as pessoas já se esqueceram.

Nós estamos a falar de uma operação que já existe desde 2022, nós temos ali os dados de hoje do Estado-Maior Ucraniano, é evidente que são as projeções ucranianas, mas que dizem o seguinte, mortos e feridos irreparáveis da Rússia até hoje, um milhão...

341.1610 militares. Um número perfeitamente assombroso. 435 aviões destruídos. 352 helicópteros destruídos. 11.920 carros de combate, tanques destruídos.

24.544 blindados destruídos, 1.373 plataformas de mísseis terra-aeros, chamados mísseis SAM, 1.782 lança-foguetes múltiplos, 95.000 transportes táticos, 33 navios e 282.967 drones, são números...

Quer dizer, são difíceis até de entender, temos que os ler duas vezes. Esta base que eu mostro aqui é uma base russa no Cáspio, portanto bastante longe, mais próxima obviamente do Irão do que da Ucrânia, que foi atacada. Com esses ataques os ucranianos já conseguiram destruir pelo menos duas daquelas corvetas que vemos ali, que são as corvetas lançam-missões Calibro. Os Calibro são mísseis que são lançados e que atingem essencialmente as cidades ucranianas, são mísseis de algum poder e que alcançam muito longe.

Por outro lado, temos falado muito daquilo que foi esta parada, nós vamos ver aqui no Tatarstão, que é uma das zonas pobres da Rússia, uma parte patética, que é, quer dizer, tragicómica, não é cómica, causa tristeta a todos nós, que é o desfile dos entrevados, dos incapacitados, todos aqueles que perderam pernas, perderam braços.

desfilam, isto é de certa forma também a marcha de uma certa frustração russa que não pode ser esquecida. Mesmo a milícia Arquemate, que nós vamos mostrar aqui nos seus tempos gloriosos em conquistou a zona de Mariupol, tem hoje tantas baixas que a unidade inicial praticamente já não existe. Já tiveram que recortar muitas outras pessoas. Nos intervalos da parada da Vitória

Há até um militar que chega a uma pessoa que diz assim, a pessoa pergunta-lhe quem é que o senhor perdeu? Ah, eu perdi o meu irmão e como é que foi? Ah, foi atacado por um drone. Quer dizer, os drones são um dos grandes problemas da Rússia vindos da Ucrânia. E no cortejo das monstruosidades, eu queria mostrar aqui esse senhor, é o general Andrei Mordevichev, que mandou a parada, está ali à direita.

Este homem é um homem que tem sido procurado na Ucrânia por crimes de guerra praticados na zona de Mariupol, ele foi um dos comandantes operacionais de Mariupol e agora é o comandante das forças terrestres, e estava também aqui, o que mostra que não há sangue novo nas forças militares russas, não há renovação, também há alguma coisa.

Queria-te mostrar ainda aqui o Sultão da Malásia, que foi realmente a Moscovo, com poucos dirigentes, ele quer comprar aquele avião, o SU-57, foi por isso também que foi a Moscovo. Este é um dos aviões considerados o mais moderno da Rússia, que foi destruído no solo, dois dos seus aparelhos, pelos ucranianos, num ataque.

num ataque recente. Não sei se o Sultão da Malásia conhece isso. Por outro lado, o José Melhazes considera que irá falar mais sobre o Putin, mas ele veio dar uma nova versão das causas da Operação Militar Especial. Agora diz que afinal é porque a Ucrânia queria entrar na União Europeia. Já não é na NATO, é na União Europeia. E aí deixam uma ameaça velada à Arménia, que vai ter eleições agora. E à Finlândia. À Finlândia diz que a Finlândia entrou para roubar terreno. Pronto.

território, e a Arménia diz, os senhores vão ter uma eleição, mas acho que deve haver um referendo para saber se os senhores devem ir para a Europa ou devem vir porque se não quiserem divorciar-se de nós, façam um referendo, assim será um divórcio da ideia que ele ainda acha que a Arménia é um súbdito da Rússia. Depois, mais um mistério e vou-me calar ou vou-me quase calar aqui.

Foram os aviões, como tu sabes, não houve material mostrado, mas houve imagens geradas por computador, efeitos especiais, e imagens de inteligência artificial, incluindo com estes dois, com estes tipos de aviões, das esquadras acrobáticas, os cavaleiros da Rússia e Strygy. Curiosamente, um destes aviões, um SU-30, aparece com bandeiras de países da NATO.

numa das, no cockpit. Estas bandeiras eram usadas quando os aviões, vais vê-las agora aqui, estão ali, pronto, do lado do cockpit. Estas bandeiras eram usadas quando os aviões iam para festivais aéreos em países europeus, países ocidentais. Mas não se percebe porque é que ainda estão, porque estes países agora são países inimigos.

da própria Rússia e, portanto, não houve uma grande explicação, mas, enfim, estas imagens também não estão assim bem feitas em termos de matéria técnica. Por fim, Putin veio desmentir Donald Trump. Donald Trump tinha prometido que ia haver a tal troca de mil prisioneiros. Está aqui, para eu não mentir, está aqui o posto social do Donald Trump. Sim, foi notícia.

A verdade é que o Putin veio dizer não, nós não recebemos nenhuma proposta dos mil... O Donald Trump diz que combinou isto com o Putin. O Putin não recebemos nenhuma proposta dos ucranianos. Depois disse, parece que eram 200 ou 500, não sabemos, mas nada disto tem efeito. O Zelensky voltou hoje a dizer que esta proposta tem que ser cumprida. Mas a verdade é que não foi. Já entregou a lista de mil soldados. Coisa que o Putin negou. Pois.

Continuamos neste adácio. E assim fica difícil. Jean Melhazes, é precisamente a propósito do Dia da Vitória, tu estiveste a acompanhar vários episódios e imagens que ajudam a perceber o ambiente que se vive hoje na Rússia. Vamos falar deles, ou vais falar deles, nas tuas próximas intervenções. Houve, nomeadamente, imagens muito simbólicas, por exemplo, em São Petersburgo. Exato.

O que é que significa ver uma imagem de Evgeny Prigogine, o antigo líder da Wagner, para quem não se lembre, novamente transformado numa figura de narrativa patriótica russa? Isso é um mau sinal para o Putin. Eu quero lembrar que até hoje não há conclusão sobre como é que caiu o avião de Prigogine. E nós sabemos que quando não há conclusão...

nenhuma, significa que foi o Putin que o atirou cá abaixo. E em São Peterburgo, que é terra natal de Prigozhan, o retrato dele, cá estamos aqui a ver nesta fotografia,

vai à frente do chamado Regimento Imortal, que são os heróis da Segunda Guerra Mundial e os heróis da atual guerra contra a Ucrânia. Isto aqui é um sinal para que Putin tenha cuidado, porque esta gente de extrema direita estão a perder a paciência, e não é só com fotografias, é também nos blogs que têm e nas páginas que têm no Telegram.

começam a criticar abertamente Putin, os sinais de fraqueza que Putin vai dando nos últimos tempos. E entretanto, também pela primeira vez, tropas norte-coreanas desfilaram na Praça Vermelha. Isto mostra até que ponto Putin ficou dependente deste aliado improvável ou foi apenas uma forma de mostrar gratidão pela colaboração na guerra? Olha, isto aqui, claro, que é um momento muito importante para a Coreia do Norte.

Os soldados norte-coreanos, cheios de medalhas, não sei em que batalhas aqueles as conquistaram. Putin diz que são heróis porque ajudaram a Rússia a libertar Kursk do domínio ucraniano.

Isto aqui faz sempre lembrar o velho ditado. Diz-me com quem andas e eu digo de quem és. Ou seja, há muitas pessoas na Rússia que receiam.

que a Rússia vai acabar como a Coreia do Norte. Já irá ter a oportunidade, Zé, de falar de outros episódios deste dia da vitória e das várias paradas ou marchas que ocorreram em todo o país. Nuno, mas antes, apesar das tréguas anunciadas para estes dias, o que é que ocorreu de relevante na frente política ou militar?

As tréguas existiram em termos de ataques de longa distância, ou seja, não houve ataques de milhares de quilómetros vindos da Rússia na direção da Ucrânia e vice-versa, mas houve, ou continua a haver, os ataques na fronteira, isso foi reconhecido pelo Estado-Maior Ucraniano, que conta 151 ataques nas últimas 24 horas.

Os ucranianos continuam a reforçar-se com armas que vêm da Europa e não dos Estados Unidos. Nós temos aqui uma bateria de mísseis antiaéreo alemão, o Iris T, que tem aqui uma parte dos mísseis ocultada para não se verificar algumas das suas características. A ajuda da Alemanha tem sido essencial e vai continuar a ser essencial. Os alemães vão ajudar com mísseis antiaéreos não só fabricados pela Alemanha, mas também vão comprar Patriots aos americanos.

E, portanto, nesse aspecto os ucranianos têm alguma esperança de que este verão seja melhor em termos da defesa antiaérea. Depois também temos outros países, por exemplo a Espanha, que tem ajudado os ucranianos, aqui está numa bateria antiaérea de Nassams, tens aqui militares espanhóis do Regimento de Artilharia Antiaérea 73, espanhol, a ensinar os ucranianos como é que se...

disparam estes missus, embora os ucranianos saibam melhor do que os espanhóis como é que eles se disparam. Mas enfim, são treinos habituais e que estão mais ou menos já circunscritos. Depois tens novos cadetes pilotos ucranianos que vão para a frente dentro de pouco tempo e que foram formados no Reino Unido, portanto mais homens para a Força Aérea.

E por fim, o anúncio dos sistemas de inteligência artificial para este drone ucraniano, que é o FP1, que é um drone muito importante, porque era aquele que a Rússia achava que ia ser precipitado sobre a Praça Vermelha, porque ele tinha caído dias antes em Moscovo. Quer dizer, os ucranianos atacaram Moscovo dias antes com esse tipo de drone.

e que isto continua a ser uma espada de Damoclus, ou Damoclus, Damoclus, sobre a cabeça de Putin. De Putin, claro. Estes drones existem, estão cada vez mais modernizados e têm um alcance enorme e são letais, sem dúvida. Voltemos então às celebrações do dia da vitória, Zé Milhazes. Ao mesmo tempo surgem também episódios que mostram como a normalização da guerra retira sentido de humanidade, algo básico. Exato. É levar as pessoas, neste caso uma jornalista,

a fazer uma coisa completamente estúpida e horrorosa, que é esta jornalista, que está no extremo oriente russo em Chittà. Esta jornalista pergunta à senhora o que é que está aqui a fazer, e a senhora, que tem dois retratos na mão, diz, lamenta-se que o filho dela desapareceu, está desaparecido na Ucrânia.

E o retrato que ela leva em cima é o retrato do pai. E então a jornalista exclama, ah, então hoje a festa ia demorar. Quer dizer, parabéns.

Quer dizer, isto é mais do que ridículo, isto é escabroso, mas é fruto daquela propaganda que os russos comem durante todo o dia. Mas parece que faz aquela ideia do mártir pela pátria, não é? É pior do que isso. José, depois há também mulheres e mães integradas nas próprias celebrações oficiais.

E isto veio um bocadinho na lógica até dessa exclamação da jornalista, parece que o Kremlin está aqui a tentar transformar o sacrifício da guerra numa espécie de identidade coletiva. Sim, exato. Eu amanhã também vou trazer uns vídeos ainda mais originais, mas este aqui é o primeiro desfile de mulheres, mas não são mulheres militares. Extraí isso hoje no Lesta Oeste. Exato. São mulheres

E mães de soldados que combatem na Ucrânia. E levam uma bata azul e por cima... E viúvas também. Sim, viúvas também. E levam por cima um traje militar. Ou seja, quer dizer, eu continuo a sublinhar que isto faz tudo parte de uma campanha tenebrosa de propaganda.

E tendo em conta que as coisas para Putin se estão a complicar, eu receio muito que a extrema-direita possa empreender alguma coisa.

para tentar travar o dirigente russo. E descobriste também um caso de voluntariado à força. Conta-nos mais assim. Isso na União Soviética era sempre assim. Agora na Rússia, quer dizer, os voluntários à força, ou os obrigatoriamente voluntários. É esta senhora que eu trouxe um vídeo, que é uma enfermeira de um local remoto, alguns nos jurais, e que denuncia esta situação.

O médico-chefe local publicou uma ordem que diz que mensalmente um auxiliar de enfermagem deve ir voluntariamente para a frente de combate. Quer dizer, pronto, é o que temos.

Quem não vai, de certeza que não recebe uma medalha. Ainda não estão todos os casos esgotados, mas antes deixa-me falar da Hungria aqui com o Nuno Rogério, porque esta mudança que está a ocorrer política no país está a ser acompanhada com atenção em vários locais, em Kiíba, em Escovo, em Bruxelas. O que é que pode realmente mudar com o Magiar?

Para já o que muda fisicamente é que o Magiar acaba de tomar posse, nós temos aqui o Magiar a assinar o seu feno de posse, ele já fez algumas viagens importantes, uma delas à Itália, com o Jorge Meloni, em que se entenderam sobre a Ucrânia, foi também saudado hoje pelo Zelensky, e o Zelensky saudou a sua vitória como uma vitória da Europa, ou do espírito europeu, seja lá o que for o espírito europeu, e vai encontrar-se com o Magiar dentro de pouco tempo. Houve também um baile.

que é uma espécie de um bairro pós-moderno, em que, mais uma vez, o Ministro da Saúde da Hungria mostrou os seus talentos, ou a ausência de talentos. Não gosta de estar nisto. Não, não é questão disso, eu estou a falar da apreciação. Há pessoas que gostam, há pessoas que não gostam. Não tenho nada a ver com o assunto. Mas não lhe falta energia, de facto. Não lhe falta energia. Agora, aquilo que nós sabemos, e sabemos isso através de sondagens, sabemos isso através da opinião do Magiar,

é que nós temos que separar as águas, ou seja, a Hungria quer melhores relações com a Ucrânia, muito melhores relações, mas não vai começar a fornecer material de guerra à Ucrânia, desde logo também porque não o fabrica e porque não o tem, e segundo, não vai mudar de posição no que toca a entregas maciças de dinheiro à Ucrânia, também não vai nisso, mas será solidária com a Ucrânia em relação à Rússia.

E há uma coisa que começou já a mudar, é que os agentes de influência russos começaram a ser expulsos. Eu vou-te mostrar aqui a imagem de uma embaixada, que aliás é uma embaixada que eu conheço, que é onde já estive, é muito bonita, a Embaixada Russa em Budapeste, e há um senhor chamado Artur Albertovich Sushkov.

Ele era o principal agente dos serviços secretos externos civis russos. Era um homem de grande influência que se movia muito nos corredores de poder do Orban e acaba de ser expulso. Não só ele, mas outros homens que eram influentes na manobra russa. E aí é que as coisas vão mudar. É que a Rússia hoje não vai ter o poder que tinha em Budapeste. Isso altera muito as regras do jogo, sem dúvida. Os equilíbrios, sem dúvida.

Para fechar, José Melhazes, temos uma sobrevivente do cerco a Leningrado a ser detida por um protesto silencioso e temos também o patriarca Kirill, que gostas tanto, não é? Adoro, adoro. Que volta a associar a Igreja ao poder político-militar russo. O que é que estes dois episódios revelam também sobre a Rússia de hoje? Olha, tens Ludmila Vassilheva.

está aí o vídeo, que tem esta senhora, a foto, tem 85 anos e era criança quando se deu o bloqueio ou o cerco de Leningrado durante a Segunda Guerra Mundial, ela sobreviveu. E então esta senhora agora faz questão de sempre que pode vir protestar contra a política de Putin à rua. Neste caso foi para uma pedra.

que foi levantada em honra das vítimas do comunismo e trouxe um papel que a polícia não deixou abrir, mas que nós sabemos que ela tinha escrito. Não encubram os vossos crimes com a vitória do povo. Ou seja, acusa Putin de utilizar o dia da vitória para encobrir os crimes que ele próprio faz. Ela trouxe...

o ramo de margaridas, e foi detida pela polícia, juntamente com o jornalista que estava a assistir a esta cena, a polícia libertou-a, como tem sido também das outras vezes, ela vai para a esquadra, leva uma ensaio boa dela e volta para casa. E quanto a Kirill? Olha, o Kirill, que é o... O patriarca. O patriarca do KGB.

O Kirill fez uma missa, celebrou no dia da vitória, com os dirigentes máximos das Forças Armadas Russas. Aqui está este famigerado homem e então, e ele claro que a liturgia foi em honra da vitória na grande guerra patriótica,

Mas depois houve uma oração pelo presidente Putin. Putin. Ou seja, este homem é conivente com crimes tenebrosos. Só uma coisa clara, uma última frase. Para fechar, sim. Segundo dados muito próximos da realidade, feita por jornalistas russos que tiveram acesso a registros oficiais.

na Ucrânia já morreram 350 mil soldados. No mínimo. Ou seja...

Aquele animal avençoa o carrasco de milhões de pessoas. Deixa-me só dizer, tem última hora, os iranianos, nesta proposta que enviaram, querem que antes de tudo sejam levantadas as sanções económicas ao Irã. E como tu sabes, os americanos fazem depender o levantamento de todas as outras coisas que não são negociadas. Portanto, eis um exemplo de diálogo. Mais uma última hora. É. Faz atento. Muito obrigada, José Milhado. Obrigado, José. Voltamos a ver-nos na terça-feira nos Jogos de Poder.

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