Episódios de Guerra Fria

Irão, Ucrânia e o jogo das superpotências: é esta a crise geoestratégica do século?

03 de maio de 202623min
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Os conflitos na Ucrânia e no Irão dominaram a análise de Nuno Rogeiro e José Milhazes nesta noite de domingo. No caso iraniano, as negociações com Washington permanecem num impasse, com Teerão a recusar incluir o dossiê nuclear nas conversações, enquanto os Estados Unidos a consideram condição inegociável. No terreno ucraniano, Kiev regista sucessos táticos assinaláveis.

No plano político e diplomático, a Europa debate-se com uma crescente falta de coesão face à Rússia, com líderes como o português Luís Montenegro a defenderem o diálogo e o regresso da Rússia à cena internacional, enquanto a italiana Giorgia Meloni alerta para iniciativas que possam beneficiar Moscovo.

Este é mais um Guerra Fria a assinalar e analisar os momentos históricos que vivemos, ouça aqui a versão do programa em podcast. Esta emissão aconteceu a 3 de maio na SIC Notícias. 

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Participantes neste episódio2
N

Nuno Rogeiro

Host
J

José Milhazes

Convidado
Assuntos7
  • Conflito Rússia-UcrâniaSucessos táticos de Kiev · Falta de coesão europeia · Diálogo com a Rússia · Regresso da Rússia à cena internacional · Guerra na Ucrânia
  • Conflito Irã-EUAImpasse nas negociações nucleares · Proposta de 14 pontos · Guerra assimétrica · Guarda Revolucionária do Irã · Ossayim Salami
  • Mercenários na UcrâniaOperação em Sumi · Unidade Akhmat · Serviços Secretos Militares Ucranianos (GUR) · Ataques a portos russos · Destruição de aviões SU-57
  • Resistência UcranianaTransferência de Donetsk para controle russo · Garantias de segurança de Trump · Apoio europeu à Ucrânia
  • Jogo das SuperpotênciasEUA, Irã, Ucrânia e Rússia no mesmo saco geoestratégico · Aliança Irã-Rússia · Vácuo americano na Europa · Comunidade Política Europeia
  • Catástrofe Ecológica em TuapseIncêndios em refinarias · Negação das autoridades locais · Prejuízos nas refinarias russas
  • Rap Militar UcranianoVoluntários das Forças Armadas Ucranianas · Mensagens sociais dirigidas aos ucranianos e russos · Música como arma de resistência
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Este podcast de Cicnotícias é só um de muitos, que pode ouvir no site da Cicnotícias ou na sua plataforma preferida, os melhores programas da televisão, a opinião que importa e ainda entrevistas exclusivas em podcasts originais. Onde e quando quiser, leve no bolso todas as conversas.

Fique a par das últimas novidades em signoticias.pt barra podcast e nas nossas redes sociais. Com o Nuno Rogério e o Zé Milhazes, boa noite aos dois. Bem-vindos, Zé. Começo por ti, traz hoje aqui muita coisa relacionada com o conflito na Ucrânia, mas vais começar pelo Irão. Porquê?

Porque eu não dou grande importância agora a esta questão, porque, quer dizer, dou importância no sentido em que nós estamos a pagar todos por um idiota chamado Trump. Mas, quer dizer, isto está num impasse e vai continuar num impasse. O que eu digo, há muitas semelhanças entre a situação na guerra do Irão e na guerra da Ucrânia.

E uma delas é que estão adiando...

o sarfogo, por exemplo, do Trump, que é mais os dias, mais os dias. Prolongar, está a prolongar o sarfogo. Exato. E então nós chegamos a uma situação em que, tanto num conflito como noutro, se anda à procura da fórmula mágica que poderá resolver o problema. Isso poderá demorar ainda muito tempo, a não ser que Trump faça as malas e se vá embora. E aí vai ter consequências muito grandes.

para a popularidade Trump nos Estados Unidos, ou então ele vai se meter no conflito armado com o Irã e vai continuar a criar grande instabilidade, que não é só no Médio Oriente, é em todo o mundo.

Nuno, a verdade é que os dois grandes conflitos desta década acabam por ter aqui pivôs em conjunto. Podemos dizer que Estados Unidos, Irão, Ucrânia e Rússia estão metidos no mesmo saco geoestratégico? Sim, sem querer reduzir as coisas que são importantes. As últimas notícias que temos sobre esta situação no Irão...

é de que, mais uma vez, as condições que foram postas por Washington não foram aceitas pelo Irã. O Irã voltou à proposta inicial dos 14 pontos de que está excluído aquilo que os Estados Unidos dizem ser o essencial, que é a questão do nuclear. Portanto, se não há negociação sobre o nuclear, não há negociação sobre nada. Pode-se discutir tudo o resto. Se não se discutir aquilo que é a causa desta guerra, não se discute nada. Daí o ceticismo de Trump. Daí o ceticismo de Trump, o ceticismo do Irã e o nosso ceticismo.

Por outro lado, há aqui um problema é que, do ponto de vista militar, o Irã está, porque os Estados Unidos estão a preparar, obviamente, uma armada ainda maior do que aquela que estava no local e com mais meios, mas o Irã está também, no fundo, a preparar-se para aquilo que eles chamam de uma guerra assimétrica, que parte de um princípio, parte do princípio que os Estados Unidos entrarão com navios dentro do Golfo.

o que me parece improvável, para depois serem atacados por enxames de vedetas da Guarda Revolucionária. Eu trouxe este vídeo, que é um vídeo muito interessante. Este vídeo é um vídeo dos anos 90, em que há uma aula de estratégia no alto comando da Guarda Revolucionária e em que precisamente é descrito o que é que seria o cenário ideal para o Irão. Deixar-lhe entrar navios de grande porte americanos em Tugolfo e depois atacá-los com as tais vedetas armadas com lança-granadas, com mísseis, etc.

Curiosamente, quem está a dar esta aula é um senhor chamado Ossayim Salami, nesta altura ainda um jovem oficial, e que vamos mostrar agora, na altura em que ele mais ou menos morreu, ele morreu no ano passado, em combate, depois de um bombardimento israelita, e ele era nada mais nada menos que o comandante do corpo da Guarda Revolucionária do Irã.

Portanto, era um dos homens que tinha planeado precisamente esta história da guerra assimétrica, mas acho que os generais e os albinantes americanos estão preparados para não caírem nessa ratoeira. E, portanto, vamos continuar a ter um jogo sem saída aparente.

Há, no entanto, algumas pessoas dentro do Irão, eu mostro aqui apenas três, da esquerda para a direita, Ossay Nalai, que já foi comandante da Guarda Naval Revolucionária, o Esmatola Falarad Fiché, que é um analista político conhecido.

E no meio, um antigo candidato presidencial, Mostafa Pormo Amadi. Porquê que eu trouxe estes três homens? São três dos homens que, apesar de serem conservadores, chamamos-lhe assim no Irão, se opuseram determinantemente a uma aliança entre o Irão e a Rússia. E sempre disseram, e agora voltando à história do mesmo saco, sempre disseram, se nós trairmos as nossas confianças com a Ucrânia, se fornecermos armas à Rússia, pura e simplesmente nós vamos abrir um caminho de decadência. Vamos ter mais inimigos e não vamos ganhar amigos.

E estes óbvios continuam a representar uma parte importante da opinião política dentro do Irã. Por outro lado, voltando ao saco, o prego que no caixão das relações entre a Ucrânia e os Estados Unidos está cada vez mais enterrado, a partir do momento em que o Zelensky veio dizer isto nesta entrevista, perguntaram-lhe assim, o que é que acha do vice-presidente Vance de se ter orgulhado por ter acabado com o fornecimento de armas à Ucrânia? E ele disse, bom,

Se ele se orgulha disto, quer dizer que é um aliado dos russos. Portanto, que está mais um prego nesse tal caixão. Por outro lado, os americanos continuam a usar armas inspiradas na Ucrânia. Por exemplo, aqui tens forças especiais americanas nas Filipinas a usar um drone naval Red Cat, que é inspirado numa agura ucraniano.

Temos também aqui este homem, o Alexander Kamishin, que veio na semana passada à Cascais, ele é o conselheiro estratégico do Presidente Zelensky e veio também dizer que as armas ucranianas estão cada vez mais populares na Europa e que já há contratos de 10 empresas europeias com a Ucrânia para essas armas. Mas, entretanto...

falo sempre todo no mesmo saco. Entretanto, enquanto se continua a matar na Ucrânia, a Rússia continua a matar na Ucrânia, mas, no entanto, o famoso regimento imortal, que aqui aparece já não com as cores nacionalistas russas, mas com as cores da União Soviética, e dizendo que o Stalin foi um grande homem, reúne-se onde e celebra onde? Em Washington. Washington DC, e aqui tens, a celebrar encontrou o chamado nazismo ucraniano. Ainda face ao vácuo americano.

O Emmanuel Macron veio dizer que há uma força, neste momento, já comandada pela França e o Reino Unido, que pode entrar na Ucrânia se houver determinadas condições, que eles chamam realmente a força dos voluntários, face ao tal vácuo americano. Por fim, até o eslovaco, Robert Fitts, portanto Primeiro-Ministro, veio dizer que se separa da opinião americana, apoia a entrada da Ucrânia rapidamente na União Europeia.

apoia uma solução política para a Ucrânia e para a Rússia só se a Ucrânia estiver de acordo, e tudo isto vai ser discutido amanhã em Erevana, capital da Arménia, na chamada Comunidade Política Europeia. Portanto, tentei-te pôr no mesmo saco esses elementos todos que parecem dísparos, mas não são.

E são importantes. E antes de voltarmos ao Zé, muito rapidamente, em última hora há aqui esta informação de que mais um navio foi atacado junto ao estreito de Ormuz, numa altura em que o Irã diz que está a rever a resposta norte-americana à proposta de 14 pontos. O que é que isto pode querer dizer neste momento?

Quer dizer que estamos, voltamos à mesma história, que é assim, a única coisa que separa neste momento os dois é realmente a questão nuclear. Mas ninguém quer dar o primeiro passo na questão nuclear. Nem os Estados Unidos dizem, isto já não é importante, nem o Irã diz, vamos cumprir a desnuclearização. E, portanto, sem isso não há acordo.

Zé, porquê que nesta altura, e entrando aqui no campo da Ucrânia, e eu disse que tu trazias, de facto, aqui muita coisa relacionada hoje com a Ucrânia, o que é que nesta altura, porquê que nesta altura é tão importante falar nas relações inexistentes entre a União Europeia e a Rússia, se não há um fim à vista para o conflito na Ucrânia? Ó, João, mesmo assim...

Nós temos que ter em consideração que a Rússia está naquele lugar e não vai mudar, ou seja, vai fazer sempre uma grande fronteira com toda a União Europeia. Por isso, é preciso elaborar uma política de diálogo com a Rússia. Agora, o que é preciso é que seja uma política comum.

da União Europeia e não andarem todos a falarem ou a tentarem, digamos, resolver os seus problemas individuais com a Rússia, porque os russos sabem e dizem que a Europa está numa situação terrível devido à falta de combustíveis e que eles vão acabar por ceder aos russos. Ora, é isto que nós devemos ter em conta.

Por exemplo, é que todos os dirigentes europeus dizem é preciso realmente tratar desta questão, até porque a guerra na Ucrânia não vai ser eterna. Mas o que é que temos aqui? Temos o primeiro-ministro português, o Luís Montenegro, que defendeu o diálogo com a Rússia, e até concorda com a participação de Putin no G20.

ou seja, num regresso da Rússia à cena internacional normal, e temos do outro lado a senhora Georgia Meloni, que é a primeira-ministra italiana, defende o seguinte, qualquer negociação deve basear-se em termos que não ignorem a soberania ucraniana. Isto é muito importante.

além disso, ela chama a atenção que tenham cuidado com iniciativas que podem ajudar a Rússia. Ou seja, nem todos os líderes europeus estão a remar na mesma direção no que a Rússia diz respeito. Exato. E às vezes até há situações como, por exemplo, o senhor Friedrich Merz, o chanceler alemão,

que já começou a admitir que a Ucrânia terá que assinar um acordo sobre cedências territoriais e etc. Eu acho que isto é errado. Eu aí estou mais com a alta representante da União Europeia, Caia Callas, que diz que...

O Moscou está-se a preparar para um longo confronto com o Ocidente e uma coisa que é muito importante, a União Europeia não deve humilhar-se ao tentar estabelecer este diálogo. Tem que ser um diálogo entre iguais e não pedir desculpa e pedir perdão e tudo isso que vem.

E já vamos ver daqui a pouco o que é que os próprios ucranianos acham sobre essa possibilidade de reconhecimento da soberania russa em algumas regiões. Nuno, tu mais do que a parte diplomática do conflito na Ucrânia, hoje traz histórias da frente de batalha. Por onde é que começamos?

Começamos por uma operação que não foi pública, mas que se foi tornando pública. É uma operação que se dá em Sumi, portanto, no norte da Ucrânia, numa bolsa que está ocupada por forças russas, ou estava até há pouco tempo ocupada por forças russas. O que é que aconteceu? Grande parte das forças que estavam nessa bolsa Sumi era feita de forças xerxenas.

do Sr. Kadirov, chamado Unidade Akhmat, uma Unidade de Forças Especiais. Ora bem, os ucranianos conseguiram infiltrar um espião dentro do comando dessa unidade e conseguiram eliminar praticamente centenas de forças chechenas através desta unidade, a Unidade Xamã do GUR. O GUR são os Serviços Secretos Militares Ucranianos. Isto também é conhecido como Batalhão de Forças Especiais número 10, ou Xambat 10.

O que é que aconteceu? Através dessa infiltração eles ficaram a saber os planos todos de deslocação das forças xexenas, onde é que eles estavam, onde é que estavam os veículos, onde é que estava a artilharia, onde é que estavam os blindados, e o próprio comandante do Akhmat, xexeno, viu as suas comunicações interceptadas, inclusivamente comunicações onde ele dizia mal das suas próprias forças. Temos aí um vídeo de uma dessas intersecções em que ele diz que isso é uma porcaria de tropa, quer dizer, não...

conseguem acertar um tiro, quer dizer, só sabem andar a pé, têm artilharia, mas não conseguem acertar nos alvos, pois diz muito mal das suas próprias forças especiais. Portanto, isto foi uma humilhação, mas mostra que os ucranianos continuam a ter táticas que não são esperadas e que superam, obviamente, a vantagem numérica do inimigo.

Depois temos o contínuo flagelo dos portos russos. Aqui tens outra vez o porto de Nova Rossi, que é o porto restante, digamos assim, importante da Rússia no Mar Negro. Mais uma vez, petroleiros russos atacados. Mais uma corveta de lançamísseis a cara à corte, que foi também destruída. Lançamísseis calibre sobre as cidades ucranianas, mas agora já não os pode lançar. Temos também um rude golpe.

extremamente rude golpe, foi a destruição no solo deste avião, dois aviões deste tipo, dos SU-57, são os aviões mais modernos que a Rússia tem, a Rússia neste momento só deverá ter à volta 30 destes aviões, dois deles destruídos, é um balanço aborrecido. Isto passou-se na base de Chagol, que fica em Chelyabinsk.

que fica a 1.700, 1.800 quilómetros da fronteira. Tens ali os aviões que estavam estacionados, há um míssil ucraniano e um drone que acertam nos SU-57 e também num avião SU-34. É aquela marca que estava ali. É a marca. E depois tens aqui um vídeo curioso, é uma mistura do Senhor dos Anéis e de um vídeo de montagem da inteligência artificial.

Isto foi o dia das forças de guarda-fronteira da Ucrânia, que estão neste momento muito preocupadas com a fronteira com a Bielorrússia, de onde pensam que pode haver um ataque, embora não haja nada de seguro, e que mostram a sua luta na proteção das fronteiras como uma espécie de uma luta não só contra homens, mas contra um monstro mítico.

que é o tal monstro das duas cabeças de águia, que é a águia de século. No meio da guerra quase que dá para fazer aqui uma película de ficção. E com apelo à mitologia. Por outro lado, o que é que tens mais? Tens, ontem à noite, já estava a esquecer e hoje de manhã, o novo ataque ao Porto de Primórcio, que é um porto muito importante da Rússia no Oblast de Leningrado. Aliás, o governador do Oblast de Leningrado veio dizer que Leningrado deve ser decretado como uma zona da frente. Imagina quem é que há uns anos.

acharia que Leningrad, que fica no norte, seria uma zona da frente deste combate contra a Ucrânia, que fica a sul, que é uma coisa espantosa. Depois, deixa-me só mostrar aqui o general Sirtk, o comandante das Forças Armadas ucranianas, que veio explicar no princípio de abril porque é que esses ataques estão a dar, portanto ele diz que é preciso destruir praticamente tudo o que dá dinheiro aos russos.

porque tudo o que dá dinheiro aos russos vai para a máquina de guerra. E por fim, uma coisa altamente simbólica, a segonha para muitos povos europeus significa fertilidade, significa renovação, significa vida, e aqui tens uma segonha que aparece no meio de quê? No meio de um funeral de um militar ucraniano. Tens aqui as pessoas a ajoelharem-se perante o cortejo fundo, tens a segonha, calmamente, a morte e a vida no mesmo sítio.

Uma imagem encarregada de simbolismo e ao qual atribuem ainda mais simbolismo estas pessoas. Zé, houve ou não uma catástrofe ecológica numa cidade russa? Eu pergunto-lhes porque as imagens mostram uma coisa que depois as palavras dos líderes não acompanham. Conseguimos perceber o que é que aconteceu? Ó, João, o facto é que... Na cidade de Tuapse. Tuapse, é no Mar Negro.

Nesta altura é mesmo negro. É mesmo negro, nesta altura. E está, continuam, continua a limpeza. Por exemplo, ontem foi anunciado que as mulheres não deviam participar na limpeza por causa de problemas que podem ter quando quiserem ser mães. Significa que o problema realmente existe.

Mas o idiota do governador estava a dar, mandou cá para fora uns bitaites e a dizer que não, isto aqui não há problema nenhum. Isto são os ucranianos a despejar petróleo do céu para criar o efeito visual de incêndios.

Portanto, as autoridades locais negam a catástrofe ambiental. Isto aqui negam aquilo que nós vemos. Nós estamos a olhar para isto, não é? Exato. E isto é inteligência artificial, ao contrário das outras imagens que vimos há pouco. Claro que nós vemos pelos vídeos enviados ainda pelas pessoas que lá vivem que a situação é mesmo trágica. Zilinski vem dizer que...

a Ucrânia já provocou prejuízos nas refinarias russas de 7 mil milhões de dólares. Ora, a Rússia ganhou, com a subida do petróleo, 2,52 milhões de euros. Ou seja, mesmo que Zelensky tenha exagerado, a Rússia está a pagar uma fatura enorme nesta guerra. E uma delas, deixa-me só...

Acrescentar uma coisa mais, é que fica-se com a impressão de que além de Moscou e das casas de campo de Putin, não há sistema antiaéreo mais nenhum. Quer dizer, porque o lugar até onde chega, o Nuno falou de Leningrado, São Piterburgo, que devia ser uma cidade, no mínimo...

quase tão defendida como o Escobo, tanto mais que fica na fronteira com a NATO. E o que é que a gente vê? A gente vê que os drones ucranianos entram na Rússia, passeiam... E nesta altura chegam também a essa cidade... Chegam a essa e muitas outras. Tão longe... Sim, sim, claro.

do coração desta guerra. Zé, ainda quero tocar contigo aqui em dois pontos, portanto vamos ter que avançar. Temos imagens de soldados ucranianos completamente exaustos que mereceram um comentário da parte do governo. O que é que Kiev tem a dizer sobre isto? Kiev já veio dizer que isto é inaceitável e que vai tomar medidas, mas este é um facto realmente dramático. Isto são soldados exaustos, muito obrigada. rests rests rests rests

da 14ª Brigada do 2º Batalhão das Forças Armadas da Ucrânia e o Ministério da Defesa teve que reconhecer que isto acontece e que é preciso tomar medidas urgentes. Eles reconhecem que há problemas de logística, há problemas na substituição dos soldados.

que há falta de soldados e dizem que esperam que isto não venha a acontecer mais nenhuma vez. Aqui há uma coisa que pode solucionar o desaparecimento destes homens magrinhos e passarem a ser normais, que é combater a corrupção na Ucrânia, que é uma coisa...

gigantesca. Por fim, como prometido há pouco, como é que os ucranianos nesta altura olham para a possibilidade de transferência de toda a região de Donetsk para o comando russo? Olha, isto é exatamente aquilo que a gente vai dizendo é que

Para Trump, ele não presta atenção a estas coisas. E para Putin também, igual ao litro. Mas o problema é que ainda 50% dos ucranianos inquiridos...

consideram completamente inaceitável a transferência de toda a região de Donetsk para o controlo russo em troca de... Ou seja, apesar do desgaste, mantém-se a resistência. Exato. Mesmo tendo em conta... Eles não acreditam, esta gente não acredita, que as garantias de segurança que podem ser dadas, por exemplo, por Trump, venham a realizar-se. E isto aqui...

É verdade e é preciso dizer que a Europa tem que efetivamente aguentar este fardo de apoiar a Ucrânia e não esperar que os Estados Unidos abandonem completamente a Ucrânia, como está a fazer. Nuno, vamos terminar com música de guerra. Temos dois minutos. Que tendência é esta do rap militar?

Há muitos voluntários das Forças Armadas Ucranianas, ou outros que foram recortados, que vêm de grupos de rap civil, digamos assim, e depois continuam a sua música dentro das Forças Armadas. E cada unidade agora tem uma espécie de um grupo de rap. Vamos ouvir aqui três exemplos.

Esse é o grupo Siverminko E esse é o Zloko Flammer Ucraina, te mata os heróis Dê-me nisso, para a luta de sua cor, a tua cor, a tua cor Dê-me para a morte de todos os inimigos Crepe-me e do chute, e os agartuí É, mas é um pouco de música, e lá Mas eu quis do boi***, se eu não ir para o chute Não me despegue, não me despegue, não me despegue Na rotação e na cor Ou seja, muito tarde, Ucranianos representam a sociedade E se a sociedade gosta, Draft

O mensagem que está aqui a passar. São essencialmente mensagens sociais dirigidas aos ucranianos, mas também aos russos. O José Melhé estava a falar da corrupção. Por exemplo, alguns destes grupos falam muito da corrupção, mas também da corrupção russa. Exato. Porque a corrupção russa é, de certa forma, muito maior do que a corrupção na Ucrânia. Mais para roubar. E é uma corrupção santificada pelo Estado, que é outro problema.

Mas isso também faz parte destes grupos. Muito rapidamente, na Ucrânia a cantiga também é uma arma?

Claro, a isso não há dúvidas, mas desde o primeiro minuto em que os intelectuais ucranianos têm envolvido muito seriamente em manter este espírito de resistência. Por isso, isto é importante assinalar.

Esta e outras canções que chegam a fora da Ucrânia e mostram exatamente isso. Deixa-me só dizer numa frase, apesar das hitações de alguns líderes europeus, a Europa ainda está em grande maioria com a Ucrânia. Nuno Rogério, José Milhados, como sempre foi um gosto. Até à próxima. Obrigado, senhor. Até um destes domingos, quem sabe, nos encontramos por aqui.

Este podcast de Cicnotícias é só um de muitos, que pode ouvir no site da Cicnotícias ou na sua plataforma preferida os melhores programas da televisão, a opinião que importa e ainda entrevistas exclusivas em podcasts originais. Onde e quando quiser, leve no bolso todas as conversas.

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