Episódios de Eixo do Mal

A incerteza no estreito de Ormuz e a alegada tortura na esquadra do Rato

08 de maio de 202650min
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Enquanto se aguarda pela resposta do Irão ao memorando americano, Trump diz que o acordo está próximo. No entanto, já nos habituámos a acordos quase fechados à beira do fim-de-semana — os mercados adoram —, que não se concretizam. A análise de Clara Ferreira Alves, Luís Pedro Nunes e Pedro Marques Lopes no Eixo do Mal em podcast. Emitido na SIC Notícias a 7 de maio.

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Assuntos3
  • Tortura e ViolenciaDetenção e libertação de polícias e seguranças · Projeto Sem Medo do Chega · Violência policial contra vulneráveis · Cultura de silêncio e impunidade · Formação e recrutamento de polícias · Ministro da Administração Interna · André Ventura · Luís Neves · Carlos Moedas · PSP · Esquadra do Rato
  • Incerteza no Estreito de OrmuzResposta do Irã ao memorando americano · Trump e o acordo nuclear · Bombardeamentos americanos no Irã · Retaliação do Irã contra os Emirados · Operação Fúria Épica · Projeto de Liberdade · Consequências econômicas globais · Donald Trump e a NASA · Marco Rubio · Irã · Estreito de Ormuz
  • Negociações laboraisCedências do Governo · Reforma do Código de Trabalho · Contratos a prazo e outsourcing · Destruição da contratação coletiva · CIP
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No estreito de Hormuz, a esta hora, ainda reina o princípio da incerteza e também dos bombardeamentos. Na Esquadra do Rato reinou o princípio da tortura, alegadamente. Sejam bem-vindos ao Eixo do Mal com Clara Ferreira Alves e Luís Pedro Nunes, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes.

Nas boas séries de investigação, basta um detalhe para mudar tudo. É como a Vodafone, que tem 24 meses de Netflix incluída nos pacotes fibra para passar de caso em caso, sem perder o fio à meada. Adere à Vodafone e tem 24 meses de Netflix incluída. Together we can. Vodafone.

E começamos pelo Médio Oriente, estamos todos à espera da resposta do Irão ao memorando americano. Trump diz que o acordo está mesmo ali próximo, mas nós já estamos habituados a acordos quase fechados às portas de fim de semana. Os mercados adoram, mas depois é o que se sabe, Pedro.

Olha, só há uma coisa nesta guerra que eu gosto. É só ter de falar uma vez por semana. Porque eu imagino o que passam as pessoas tendo de falar disto todos os dias e todas as horas. Adoram. Deve ser. Porque a repetição disto é constante.

Nós andamos em loop, porque a questão, isto é, agora está, quando entramos para o estúdio, soubemos agora que está a haver bombardeamentos americanos no Irão e que o Irão já retaliou contra os Emiratos e que há ali um programa com os barcos. Não, não, não estou a ver nada disso. Estou a ver aqui. Já estás mais à frente. Já está mais à frente. Não, tu é que estás mais à frente, já estás na uma da manhã. Ah, já está. Os Emiratos ainda não. Não, não. Foi ontem, ontem, ontem. Quer dizer, e na terça-feira?

Na terça-feira, o doutor Marco Rubio disse que a operação... Quer dizer... A operação Furia Épica tinha... Esteve com o doutor Papa. Esteve com o doutor Papa. Não, esse não tem direito a doutor. Marco Rubio tem. O Marco Rubio fez uma conferência de imprensa, daquelas que eles todos fazem, e disse que a operação Furia Épica tinha terminado. Ou seja, resultado da operação Furia Épica.

Tivemos muitos bombardeamentos, o material nuclear, pelos vistos, continua lá, o regime está mais consolidado do que nunca e a fazer mais execuções do que alguma vez fez, porque agora estão especialmente violentos contra a oposição interna e porque até têm algum respaldo do facto de estarem a ser atacados.

A instabilidade na região está como nunca esteve, bem, nunca esteve é um exagero porque sempre está, mas está ao rubro, e a economia mundial está desesperada.

Vamos ter fome nos sítios do costume, mas ainda mais fome do que é suposto. Vamos ter uma Europa completamente cheia de problemas, ainda mais porque vamos ter um surto de inflação que já está a começar. Obrigado com a palavra surto por causa do ano. Isso, exatamente. E isso vai... Era para aparecer o virologista na televisão. E só faltava... Então, isto que podiam fazer eram as dúvidas generais. Mas o virologista fugiu logo. E, portanto, tinha acabado a coisa.

Tinha acabado, portanto, já não havia guerra, isto já tinha acabado, estava resolvido. Agora havia a nova operação, que era o Projeto de Liberdade. E o Projeto de Liberdade era algo, uma coisa altamente humanitária, claro, onde se ia deixar passar os barcos, ajudar as pessoas dos barcos, e portanto estava, e o próprio Trump anunciou, e o Dr. Príncipe ajudava e tal. E na quarta-feira de manhã...

Decidiu, afinal, suspender as operações humanitárias. Atenção, terça Rubio, quarta ele de manhã decide suspender a operação Projeto de Liberdade, que ia ser extraordinária, ia ajudar imensa gente, mas quarta-feira de manhã decidiu, o Trump decidiu as operações humanitárias, mas continuava o projeto. De tarde.

deve ter bebido qualquer coisa, uma Coca-Cola estragada, ou qualquer coisa, ao almoço, disse que iam provavelmente continuar a bombardear. A guerra que já tinha acabado poderia começar se os iranianos não satisfizessem os pedidos do Trump. Mas quarta-feira ainda não acabou. Porque mais à noite, o doutor Trump disse que tinha tido umas conversas muito satisfatórias com o Irão.

Ora bem, isto foi num dia e meio. Quem? E agora está a bombardear. E agora está a bombardear. Isto agora está a bombardear. Quinta. Tivemos quinta de manhã que a coisa teve mais alguma coisa. Agora eram duas semanas ou três semanas, agora é uma semana. Isto para dizer o quê? Per qualquer ilusão, qualquer ilusão do que se possa desenvolver nos próximos tempos, naquele conflito, desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde

é jogar um total luto. Sim, de facto, pode acontecer amanhã ou pode não acontecer, ou haver bombardeamentos, porque não há qualquer tipo de previsibilidade. Eu acho muita piada às pessoas que agitam sempre o fantasma chinês.

não serei eu a defender o regime chinês, mas há uma coisa que os chineses têm, que é fundamental nas relações internacionais, é previsibilidade. Com este tipo, não há previsibilidade nenhuma. Nós estamos nas mãos de um louco completo, cada vez acho mais que o Robert Reich tem razão, que ele não está a bom da cabeça, que tem os códigos nucleares e que já não precisava de fazer rigorosamente mais nada.

Mais nada. Já mudou o mundo, já destruiu a confiança, que já não há hipótese nenhuma de confiança nos Estados Unidos, quem quer que venha a seguir. A confiança, quando se esbora, não há hipótese de ser recuperada tão cedo. O mundo ficou muitíssimo pior, e vai ainda ficar pior, se a guerra acabar amanhã. E eu já nem estou para discorrer sobre aquilo que quer dizer. Se começar amanhã, os petroleiros só vão chegar aos seus destinos.

daqui a um mês ou um mês e tal. Isto vai ser um processo de tal maneira lento, mas mesmo que isso aconteça, a crise já está completamente em curso. O que eu te digo é muito simples.

O mundo ficou muito pior e não vai ficar melhor. Nem foi bom para a Europa, com a mania que é a Europa. Assim a Europa vai-se organizar e tal. Não há nada. Isto é pior para toda a gente. E este tipo teve o condom de destruir completamente uma ordem mundial. Que não era má, mas também não era boa. Claro.

Bom, acordámos, acho que foi de facto anteontem, não, foi ontem, a guerra acabou, a operação Epic Fury acabou, disse o Marco Rubio. Mas agora há outra vez, aquilo que o Trump chama uma escaramuça. Isto já é outra operação. Isto já é outra. Uma escaramuça.

É extraordinário. O projeto de liberdade. O projeto de paz, o anunciado projeto, parece que é uma folheca. É um bocado como a reforma do Estado do Paulo Portas. Com fonte de 50. É doce de folhas, exato. E o memorando, e acho que não consta, e é um memorando, daquele memorando não consta nem o acordo nuclear, de que o Irão continua a dizer não, ao qual o Irão não renunciará, e o estreito de Hormuz continua entupido e fechado.

a operação a operação de escolta dos navios foi mandada parar pelos sauditas a única coisa que eu tenho a certeza agora é de que os aliados do Golfo Pérsico da América, do Donald Trump já não são aliados do Donald Trump os Emirados estão querem defender-se mas estão a fazer um pacto com Israel

E a Arábia Saudita está tudo menos satisfeita com o modo errático e deslocado como Trump tem conduzido a guerra. Portanto, a ideia de que isto vai acabar assim, de um dia para o outro, não, não vai. De facto, há aqui já um elemento de... A fúria épica é a do próprio Donald Trump nos seus posts, não é? Porque ele num momento diz que... Falou lá como ele diz, foi o Mohammed que...

É extraordinário. É quase racista. É uma coisa incrível. Preciso de um líder, qual de vocês é que é o líder? É uma conversa completamente de Estado. E do outro lado, os iranianos, que entretanto, já percebendo o modo como Trump funciona,

abusam, embora estejam em dificuldades porque este bloqueio está a prejudicá-los economicamente mas abusam da retórica extravagante também portanto temos dois atores, um de cada lado que não são bons e também não são muito bons da cabeça como dizia o Pedro

É um problema para o mundo. O que é extraordinário, a China está a ter aquela paciência milenar que se lhe conhece para tentar resolver isto, sabendo que há uma cimeira em breve, esperemos, pode acontecer tudo até lá. Era para ser agora em maio. É agora, dia 12. Mas Trump pode cancelar aquilo em qualquer altura, não é?

e está a tentar forçar o Irão a ter uma postura menos belicosa, menos propagandística, e falo através do Paquistão. Não sei se isto vai dar bom resultado. O que quer que aconteça, as consequências já serão devastadoras para o mundo, e esta guerra, como todas as guerras, esta nem sequer é mal terminada, é uma guerra que vai ficar por terminar.

E, portanto, é uma daquelas guerras que é o menor sinal, e é assim que as grandes guerras começam, é o menor sinal que alguém considera particularmente insultuoso. Aquele estreito é perigosíssimo a partir de agora, não é? Pode sepultar toda a espécie de conflitos. Os bombardimentos regressam, não tenho a menor dúvida.

Portanto, não é o motivo para estarmos satisfeitos com o fim da operação e não é o motivo para acharmos que isto vai ficar resolvido. Na verdade, o principal problema aqui para o planeta chama-se Donald Trump. Quer dizer, esperar que Donald Trump aplique as suas regras de shock and awe, de intimidar o adversário, de voltar atrás, depois ameaçar, depois voltar atrás.

que conduziram, aliás, a falências clamorosas quando ele tinha o Império Trump. A dos casinos é particularmente interessante ser estudada, devo dizer, e foi ajudada nessa falência, seguramente pelos russos.

ou pela máfia russa, ou se lhe quiser chamar. Outra postura interessante é ver a reação dele perante Putin. Putin faz basicamente aquilo que quer, manda um barco para Cuba, as sanções foram suspensas, o petróleo continua a ser vendido. Ou seja, os comportamentos de Donald Trump não são os que esperamos de um presidente dos Estados Unidos da América, mesmo que tenha havido péssimos presidentes antes dele.

E como é que isto vai refletir na política interna americana? É a única maneira que nós temos de nos livrarmos dele antes de janeiro de 29. Acontece que eu não estou convencida que isto seja suficiente, para já ele tem um mandato para terminar, mas que isto seja suficiente nas eleições intercalares para, digamos assim...

para atenuar as consequências gravíssimas do poder de Trump. Trump é alguém que quer, no fundo, ganhar dinheiro à custa desta crise. Enquanto houver dinheiro do petróleo a entrar, ele acha que a América está a ganhar. Eu até disse aos chineses para lhe comprarem petróleo. Está sempre nele um olho negocial de que os americanos vão ganhar dinheiro com esta guerra.

Isto é absolutamente desastroso. A Europa não consegue lidar com este homem. A Europa, quando digo, os líderes europeus não conseguem, não sabem como lidar com Donald Trump. Acho que ninguém sabe. Daniel. Donald Trump está a tentar fugir ao remoinho que ele próprio criou. Tentar permanentemente... Como sair...

do buraco que ele criou... Achas que ele tem mesmo noção disso? Acho. Não, acho que ele quer sair da guerra. Acho que ele quer sair da guerra, como é evidente. Eu acho que ele quer uns dias e noutros dias... Não, eu acho que ele quer sair da guerra. Já lá chego, mas ele não pode... Deu ganhar isto tudo, bombardeio os tipos e tal. Eu acho que ele quer sair da guerra. Não tenho a certeza. Isso é a versão racional do Donald Trump.

Ele atacou no meio de uma negociação, dizendo que a arma nuclear estava iminente e sabendo que o regime estava por Aramos.

e milhares de milhões de dólares gastos depois, o seu grande objetivo é abrir o esteito de Dormusco, estava aberto antes da guerra começar. É a sua grande... Não vai ficar aberto. Tentou o bloqueio naval, falhou. Tentou a escolta dos navios.

O normal ali são 100 trânsitos diários, como é evidente, não há capacidade militar para escoltar os barcos para seguir dali. E basta pôr uma bomba num para não passar. E sabe que abrir o Estreito de Hormuz só é possível, ou com mais guerra, que eu acho que ele quer fugir, porque independentemente da racionalidade ou irracionalidade, não está a correr bem.

Ou a capitulação. Eu acho que ela não sai da guerra porque não quer a segunda hipótese, que é a capitulação. Há coisas semelhantes, não nas consequências, mas há coisas semelhantes com a guerra do Vietnã, em que todos os objetivos foram falhados, mas os Estados Unidos não sabiam como sair daquela guerra. Não pode durar tanto tempo. A diferença é que não vêm os caixões.

vem uma crise económica de que os Estados Unidos, apesar de tudo, são dos que sofrem menos, e por isso é que pode durar algum tempo, mas eu não estou a ver, ou seja, eu acho que o Donald Trump está mesmo à procura da saída que lhe permita não assumir uma derrota. O máximo que ele pode conseguir.

É um acordo semelhante ao que existia com Barack Obama e que ele rasgou em 2018, e que foi quando este desastre começou, porque era um acordo que estava a correr bem, que os iranianos estavam a cumprir, hoje sabemos que os iranianos estavam a cumprir.

Há uma diferença de qualquer forma mesmo que ele consiga este acordo tipo Obama. Há o Netanyahu, mas eu digo é nas consequências. Um, todos sabem que os Estados Unidos não conseguem derrotar o Irã. Não é um problema. O próprio Irã ficou a saber que os Estados Unidos não o conseguem derrotar. O Irã também percebeu, coisa que poderia suspeitar, mas agora sabe, que o Estreito de Hormuz controla o mundo.

E, portanto, que tem ali, não precisa quase da arma nuclear, tem aquela. E, por fim, o regime que estava preso por Aramos está reforçado e mais duro. Ou seja, a ala dura do regime venceu internamente.

quando, tornando mais difícil... Venci o Eterno porque os outros morreram todos. E porque o ambiente de guerra favorece, não é? Sim, mas a liderança iraniana está fragmentada. Não, não está a ser. A Dandertura dizerá que sempre, eles continuam a fazer a guerra, não parecem... Pois, eles podem continuar assim. Não parecem fragmentar. Sim, sim, podem continuar. Porque há uma natureza. Está fraca. Há uma natureza... Não está fraca, está desunida.

Não há sinal nenhum disso, desculpa. O sinal, aliás, é que há uma característica da liderança iraniana. Não há moderados e há-tribe radicais. Há uma característica da liderança iraniana, do regime iraniano, é que é um regime tentacular e em rede. Não é um regime com uma cúpula clara, é um regime em rede. E é por isso que ele sobreviveu. Não, mas tem gente mais radical, mais religiosa e gente... E o que eu estou a dizer é, as pessoas mais radicais e religiosas venceram internamente...

ganharam força quando a única hipótese de haver uma mudança de regime no Irã é, já o disse aqui uma vez, uma mudança por dentro. É a única hipótese com as características que neste momento o Irã tem, é uma mudança por dentro. E a grande...

Além da crise económica, o grande contributo que Donald Trump deu foi tornar isso mais difícil. Não, e o precedente que isto abriu em relação a todos os outros estreitos. É porque há agora pessoas, há países que sabem que podem bloquear estreitos e até há países de fora, longe, que podem ir bloquear. Isto em termos mundiais é uma mudança completa. Luís Pedro?

Há mudanças muito interessantes que se deram nestes últimos dois meses. É interessante ver como o comentariado do MAGA para o Trump consegue ainda hoje defender que Trump está a jogar um xadrez em cinco dimensões. Não sei bem o que são cinco dimensões, mas há gente que diz isto de forma séria.

Há quem coloca a coisa de uma maneira mais interessante, que é dizer que os iranianos estão a jogar xadrez e Trump está a jogar póker, porque Trump só faz bluff. É bluff atrás de bluff, bluff, bluff. E os iranianos não vão atrás do bluff e estão a jogar de forma inteligente. Aliás, há uma inteligência muito grande na forma como os iranianos estão a lidar com isto, de tal maneira...

que há uma sensação não declarada por parte da opinião pública, de estar quase do lado da teocracia sanguinária que é o Irão devido ao comportamento de Trump. Ou seja, entre Trump e o Irão...

O underdog, o fraco, o que está a ser atacado, o injustiçado, acaba por ser o Irão.

E isto é uma perversão, porque o Irão é de facto um regime horrível de opressão do seu próprio povo. Mas o Irão tem sabido jogar isto de uma forma inteligentíssima, até na própria forma como usa a propaganda e usa o seu exército de informática, de cibernautas, e tem sabido...

alterar a narrativa para que Trump perdeu de facto qualquer grávitas que ainda pudesse ter e arrisca-se de ter aqui, aconteça o que acontecer, uma derrota, porque ao sair dali ele tem de um lado o acordo que o Obama tinha. Isso é uma baliza de comparação.

Qualquer coisa que não seja melhor com a Ordova é uma derrota. Mas depois ele só já quer sair com o estreito aberto e já não se quer falar bem da questão nuclear, embora os israelitas queiram puxar esse tema, obviamente. Já nunca mais, esta semana não se vou falar nuclear. Há outra coisa que está é a perceção sobre Israel que tem vindo a mudar também.

Israel e o anti-sionismo que se tem vindo a criar no mundo que não tinha acontecido com Gaza e está a acontecer com esta operação.

Isto tem sido uma coisa também... Achas que não tinha acontecido com Gaza? Com Gaza tinha acontecido menos, mas repara que o que tem acontecido com esta operação, em relação ao Netanyahu, agora tem acontecido, tem sido muito maior do que tinha acontecido. Sim, nem a extrema-direita europeia apoia isto e apoia o Gaza. Porque é que toda a gente é prejudicada. Nos Estados Unidos...

que vive naquela bolha, há uma total indiferença em relação à crise mundial. Não há interesse nenhum sobre o facto de poder haver crise no mundo, na fome, da falta de coisas. A única coisa que há é interesse sobre o seu próprio problema. E é...

Não há uma notícia, um registro. Aquilo que há é unicamente o seu problema em relação à guerra. E o preço da gasolina e o problema político interno.

E perante isto há metas que se colocam, é a meta de querer resolver isto antes de ter com o presidente Xi, não me parece provável, há o problema do Mundial de Futebol e do fracasso que pode vir a ser o Mundial de Futebol com o jet fuel, os preços dos bilhetes. Já vai ser, já vai ser. Não vão ter que oferecer bilhetes. O Mundial de Futebol vai ser um flop nos Estados Unidos.

É o problema do ICE, é o problema do preço dos bilhetes. É uma coisa louca. Os bilhetes mais baratos. Eles estão sem dólar. Não, não. É uma coisa. Mais os bilhetes de avião que vão triplicar. Exatamente quem vinha ver eram os mexicanos. Eles não querem deixar entrar os mexicanos.

Depois, os midterms, as eleições intercalares, já dizem que o Trump não quer saber as eleições intercalares para nada, mas há uma série de etapas que o Trump poderá ter ou não a querer resolver este problema. Mas, para terminar, nós abrimos hoje o Washington Post.

e há um relatório da CIA que hoje foi divulgado, inclusive por Washington Post, que diz que...

O Irã está muito mais preparado para resistir a um bloqueio do que os Estados Unidos alguma vez imaginaram e disseram 75% dos seus mísseis estão ainda preservados, o stockpile dos mísseis. Está preparado para três ou quatro meses de bombardeamentos. Portanto, Trump é que está neste momento numa aflição para resolver isto ou...

vai continuar a fazer bluffs, sem bluffs, sem bluffs, sem bluffs. E há uma coisa que é o seguinte, se isto ficar resolvido, vai-se tentar resolver o problema da dependência do petróleo do Médio Oriente, mas vai-se tentar resolver o problema da dependência em relação aos Estados Unidos, porque ninguém vai confiar nos Estados Unidos a partir deste momento. Muito bem. Vamos falar de um assunto ponoso, vamos falar de um assunto ponoso, aquilo que se passou no ano passado, ou melhor, em 2024.

na Esquadra do Rato. Foram libertados hoje dois dos que tinham sido detidos, 15 polícias e um segurança. Foram libertados um polícia e um segurança. Há dois chefes envolvidos nestes atos de tortura, alegadamente, segundo o Ministério Público. O Chega decidiu, nesta semana, falar de um projeto que vai apresentar para a semana no Parlamento, chamado Sem Medo, para dar mais força à polícia. Daniel.

Para as pessoas não se esquecerem do que é que estamos a falar, isto não fica abstrato. Um dos polícias, ou dois, enfiaram um bastão extensível no ânus de alguém que prenderam, fazendo movimentos de vai e vem enquanto a pessoa implorava para não o fazerem. Tentaram fazê-lo com um cabo de vassoura também.

Um marroquino foi espancado e abandonado e só não foi sublimizado porque havia alguros ali, uma pessoa normal, um agente normal, que não o deixou. As pessoas foram algemadas em bancos e obrigadas a cantar os parabéns. Abugreve. Com luvas de boxe foram tratados como se fossem sacos de boxe. Cuspiram-lhes em cima, usaram gás-pimenta. Uma mulher foi algemada como se...

estivesse num crucifixo e tudo toxicodependentes, imigrantes, sem abrigo, ou seja, pessoas sem voz. Os cobardes escolheram as pessoas que sabiam que não se podiam defender. Filmaram e partilharam num grupo de WhatsApp com 70 pessoas. Como isto envolve...

veremos se envolve estas pessoas todas e de que maneira, mas há pelo menos 24 pessoas que foram detidas, dois deles são chefes, polícia. Estás a falar das duas detenções. Sim, das duas vagas detenções. Isto não é um episódio de um agente perturbado. André Ventura não apareceu, no dia das últimas detenções, a pedir mão pesada para os violadores e para os criminosos, apareceu para os defender.

julga, não sei se alguém acha que ele defendeu a Polícia de Segurança Pública. Pelo contrário, ele atacou a Polícia de Segurança Pública. O que ele disse foi, a mensagem foi, a PSP é isto. Os polícias são isto. Estes senhores representam a polícia. E, portanto, os polícias... Tem de ser defendidos. A esmagadora maioria dos polícias fica a saber como é que André Ventura olha para eles. As bestas que André Ventura acha que eles são. Que não são.

Portugal aparece há décadas em relatórios internacionais por causa da violência policial. As coisas melhoraram a dada altura, pareciam estar a melhorar, mais formação, melhor seleção, também as pessoas que entravam eram mais qualificadas, etc.

O problema é que selecionar tornou-se cada vez mais difícil. O ano passado e agora o concurso que vai abrir tinha cada um deles 800 vagas. Não penso que entraram 500 pessoas. Houve 500 candidatos, não houve 600. Portanto, ficaram 300 ou 200 vagas por preencher. E este ano vão sair 900 agentes. Aliás, a PSP nunca teve tão poucos agentes na história recente como tem agora.

e ainda por cima, com o discurso securitário que se instalou, há uma certa tendência para os poucos que querem ir atrair um bocadinho os co-boys mais propriamente do que os amantes da lei. Eu acho que a maioria, a esmagadora maioria dos polícias são cumpridores, são como a maior parte dos cidadãos, mas há uma cultura que não só facilitou o abuso de uma minoria, como ajuda ao silêncio.

do resto da outra maioria. É verdade, e é importante dizer, que esta denúncia veio de dentro da PSP e foi a PSP que apresentou queixa ao Ministério Público, mas a verdade é que havia um grupo de 70 pessoas no WhatsApp com quem estas pessoas se sentiam à vontade para partilhar e havia pessoas no posto.

E, no entanto, a coisa aconteceu. Por isso é que há vídeos. Aliás, como havia, é alfragito, se bem se lembram, em 2015 havia, penso, 17 ou mais agentes na esquadra e aqueles jovens foram humilhados, torturados, insultados, etc.

ainda por cima instalou-se em Portugal um discurso de que qualquer tipo de escrutínio da polícia fragiliza a polícia. O que vimos com André Ventura é só o extremo desse discurso. Vou terminar. Luís Neves junta o ministro da Administração Interna, o novo ministro da Administração Interna, que eu acho que foi uma excelente escolha, junta a defesa do Estado de Direito Democrático com ter a autoridade, ter a autoridade da experiência no terreno.

Ou seja, é respeitado e é um disciplinador e tem mostrado que tenciona que haja disciplina como tem que existir em qualquer força que anda armada. A razão porque André Ventura está a fazer o que está a fazer é porque percebe isso e percebe que isto mina a sua estratégia, a estratégia do Chega, de criar a desordem e a indisciplina, o Chega promove a desordem e a indisciplina dentro das forças de segurança.

a escolha do timing em que ele decide levar isto para a Assembleia da República só pode ter uma leitura. Porque escolheu este momento para o fazer com este caso. É que André Ventura acha que os polícias devem ter o direito a violar cidadãos. É a única conclusão que eu posso tirar. Luís Pedro. Há muitos anos que se sabe que os seres humanos, se souberem que não são descoberts, são capazes das maiores economias, desde aqueles testes de choques elétricos. Está bom, né?

Aqui há várias coisas que me perturbam. Uma que é esta raiva que alguns policistas têm. Acho que são esquadras difíceis. Uma esquadra do bairro alto é uma esquadra difícil. Possivelmente a esquadra do rato também é uma esquadra difícil. Com situações complexas de... A do rato, porquê? Não é do rato, não estou vendo. Não tem dificuldade. Também tem, porque olha, eu passo lá todos os dias. Tem lá entre a estrela e o rato.

Não é atrás com as dificuldades. Ainda do Sócrates ter trabalhado lá durante um tempo. Tirando de estar ao lado do edifício do Partido Socialista, não vejo qual é o problema.

Terá as suas dificuldades, certamente. É uma esquadra que apanha uma zona bastante grande ali de... Apanha o Pedro, por exemplo. Apanha também ali a zona de cima, mais para cima para Campo Lídio, aquela zona ali. E uma das coisas que mais me perturba aqui, uma é a raiva ali que existe nestes agentes para fazer uma coisa destas. Mas o que mais me desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde

é a existência de mecanismos que detectem este tipo de comportamentos e...

que levam a que se filme e se partilhe. O sentimento de impunidade que é preciso haver para fazer isso. Que se filme e que se partilhe, o que leva a que, ao se partilhar, saiba que se tem uma recompensa, porque normalmente este tipo de coisas, em grupos de WhatsApp, quando se partilha um vídeo deste, sabe que se tem a recompensa moral por se partilhar uma coisa destas.

portanto isto é todo um pensamento que leva a isto quando se partilha uma coisa destas e se sabe que se vai ter o apoio e a confiança de todos os membros desse grupo que não vão dar a outra pessoa e reencaminhar portanto há ali uma irmandade, uma coisa destas que é

a antítese daquilo que os polícias devem fazer, que é respeitar os cidadãos e proteger os cidadãos. Portanto, há uma coisa profundamente errada nisto. Agora, isto deve ser um momento de ruptura, no sentido de dizer, não, esta impunidade não existe, mas também não pode ser um momento em que os polícias imaginem, bom, isto pode ser feito desde que não se filme. Portanto, estes mecanismos de...

de observação e de precaução e dentro das esquadras deve haver. As esquadras devem ser sítios que também não podem ser sítios que não devem ser com...

Zonas escuras devem ser sítios onde nós nos sentimos em segurança. Em segurança. E em última análise, onde há câmaras para filmar, o que lá acontece... Querem em todo o lado mesmo. Câmaras para filmar o que lá acontece, e não câmaras para filmarem filmes para irem para o WhatsApp. Esquadras com paredes de vidro. Pedro. Eu vou começar pelo Luís Neves. O Ministro da Administração Interna está a ser, para mim, desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde desde

uma ótima escolha, por duas razões. A primeira é porque está a ser, ele fez em dois meses, ou pelo menos anunciou, ou pelo menos dessa ideia, e pelo discurso que faz, e por aquilo que já foi feito em termos da disciplina nas Forças de Segurança, mais em dois ou três meses do que os anteriores ministros da Administração Interna em muitos anos.

Em segundo lugar, porque não deixa que uma certa retórica securitária e perigosa e populista vá em frente. Esta semana houve um...

simpósio, uma reunião, onde o doutor Carlos Moedas foi para lá dizer que Lisboa, enfim, essa percepção... Acho que é engenheiro. Engenheiro Carlos Moedas foi para lá dizer que é insegurança e tudo mais, isto Lisboa, um problema. E a seguir falou o Luís Neves. E desmascarou o populismo delirante do Carlos Moedas porque disse, olha, atenção, Lisboa está muito mais segura do que estava, por exemplo, em 2008 ou 2009. Portanto, ele tem esta...

O Luís Neves está a conseguir isto, e isto é importante. Por isso é que está debaixo da mira também do André Ventura, não é? Exatamente. Não.

vai estar em pior mira. Porque isto destrói uma das razões de isto estar a acontecer. Eu não acredito. O ministro é que está na mira do André Mendes? Ele está na mira de outros. Ele vai estar na mira de outros. Porque o governo...

tem alinhado em muitas situações no discurso completamente oposto ao que o Luís Neves tem. E tinha. Eu não sei como é que eles vão decidir isto. Eu lembro-me do quanto António Leitão Amaro disse. Lembro-me do que era o discurso securitário. E este discurso securitário, e é aqui que eu pego nos acontecimentos do rato, tem sido uma das razões de isto ter piorado. O Daniel estava a dizer que as coisas estavam a melhorar e estavam efetivamente a melhorar e de repente, não é de repente, pareciam que estavam a melhorar e porquê é que pareciam estar a melhorar?

Porque quer queiramos, quer não. Normalmente, quando se fala deste assunto, começa-se por dizer os polícias são todos fantásticos e isto são umas maçãs podres. Eu lamento, mas há de muitas maçãs podres.

E tem havido ao longo dos tempos. Só nesta esquadra? E tem havido ao longo dos tempos. Porque nós temos tendência para nos esquecer. E quando eu estava a dizer que parecia que estava a ser melhor, eu não posso esquecer daquilo que aconteceu em Alfragide, daqueles carros, daquelas pessoas que foram mortas porque tentavam escapar de carro, e essas coisas todas da violência policial.

Dirmião, mas os polícias são assim, não senhora, esmagadora maioria. Agora, não digam que isto é um caso isolado. É um caso isolado apenas pelo extremo de violência e pelos cobardes inqualificáveis que aqueles tipos são. Porque eles atacaram os mais frágeis dos mais frágeis. E há uma nota que eu acho muito importante dizer nesta aula.

Porque eu também vejo os discursos que são feitos. Dizer porque eu não sou imune. Porque eu também os vejo de dizer há polícias que estão a ser agredidos. E há. Que há. Normalmente é o que se diz a seguir. E há. E há. Só que há um problema. Isto tem que ser bem explicado. É muito mais grave um polícia agredir uma pessoa sem razão

do que um polícia ser agredido por um bandido. Ou por mim, ou por ti. Porque aquele polícia sou eu, é a minha comunidade. Os polícias têm responsabilidades especiais não só por nós lhe darmos armas. É porque aquele homem que está ali com aquela farda representa os nossos valores, representa a nossa comunidade. E por causa disso...

tem que saber que ele não pode, ele não está lá para castigar ninguém ou para fazer mal a ninguém. Ele pode deter, pode prender, pode até algemar, agrilhoar. Até pode usar a violência se ela for indispensável. É para isso.

Mas ele, ele somos nós. E há uma dimensão, quer dizer, quando se começa com este discurso securitário e estas coisas horríveis daquele violento discurso anti-polícia, como fez Ventura, nós tendemos a não perceber, a pôr tudo ao mesmo nível. Não, os polícias não têm as mesmas responsabilidades dos bandidos porque os polícias somos nós cá. Claro.

Isto já vem na cauda de um outro caso com o GNR e os imigrantes, portanto, temos que começar a prestar atenção ao que chamamos as forças de ordem. Do Alentejo, é verdade? As forças de ordem, porque os episódios... Eu não acho, ao contrário do Ispede, que seja uma esquadra problemática. As instalações podem ser inadequadas, fisicamente inadequadas. A esquadra não é problemática, e aliás...

aquilo que aconteceu dentro das quadras do rato, aconteceu por ócio. São polícias que não têm nada que fazer e que se divertem torturando pessoas altamente vulneráveis. Não é porque têm tempo livre para fazer estas coisas e filmarem. A tortura...

era normalmente associada aos aparelhos repressivos das ditaduras mais sangrentas e era usada pela PIDE nos interrogatórios. Aqui temos uma forma de tortura por sadismo.

por pura desumanidade, dentro de uma força policial. Isto é um escândalo imenso. E só pode ter acontecido por duas razões, porque há um manto de silêncio. Eu imagino que deve ser muito difícil a uma polícia denunciar. E há algum denunciou já, agora merece ser elogiado. E há um ato de grande coragem, até física.

Porque deve haver um clima de intimidação e de ameaça coletiva, porque isto não foi um ato isolado, foi um ato coletivo. É um verdadeiro sindicato do crime numa esquadra. E, por outro lado, as investigações vão parar ao Ministério Público e vão se arrastar novamente. Portanto, a punição e a sanção nestes casos aparece já, até por ser estendida no tempo, muito longe do ato inicial.

E portanto, criou-se um clima de impunidade completa nestes polícias, nos polícias que acham que a farda e o uso de armas lhes dão o direito de praticarem estes atos. Mas o meu outro problema é com a formação desta gente. Como é que isto é possível?

Porque ouvimos falar do ICE e do ICE estar a recrutar milicianos ambiciosos que querem usar uma arma e que nunca foram. Chamado miliciano manqué. Portanto, gente que quer exercer a violência sobre o próximo e que arranjou uma cobertura da lei para o fazer.

Então, como é que estes polícias foram recrutados? Qual é a formação que se dá a estes jovens quando eles entram na polícia, que os faz participar nestes atos? E não me venham com a conversa, por amor de Deus, de que ganham pouco e têm que pagar a farda e que são agredidos. Calma, todas as forças policiais, quando alguém se fala isto na polícia, sabe perfeitamente para o que vai. É como uma guerra. E quanto vai ganhar? A polícia é uma forma de guerra. A patrulha policial tem coisas parecidas com a guerra.

mas isso não tem nada a ver com o que se passou na esquadra do rato. Ali é outra coisa, ali é a bugraiba, ali é a tortura e sadismo pura e simples. Eles não estavam a ser agredidos, não eram criminosos particularmente violentos que eles tiveram que maniatar ou algemar ou tratar mal. Sim, de vez em quando a polícia tem que usar a força. Portanto, não vamos inverter a coisa. Isto é um escândalo, é uma vergonha internacional.

Não são sete polícias, são setenta que estão para já, alegadamente, envolvidos nisto, filmaram. Portanto, aqui não há nenhum atenuante para estes crimes. Quais as sanções e quando é que elas vão ser aplicadas? E essas sanções serão suficientes para dissuadirem futuros candidatos a isto. Eu acho que a polícia... Luís Neves acabou de expulsar vários polícias que estavam à espera de uma decisão do Ministério há alguns anos.

Há anos, mas o problema aqui é que entrou com o timão. É muito difícil prender um polícia, como sabes, porque a prisão de uma polícia implica que há uma ordem de violência dentro das prisões que é exercida particularmente contra o político. E a denúncia entre eles? Entre todos, isso é um manto de silêncio. Também é natural porque é corporativo. Mas nada disto invalida o que se passou aqui, nada. Claro.

Porque no momento em que eles tornaram públicos aqueles atos e os filmaram e convidaram à participação, sabiam perfeitamente que podiam ser expostos. Mas não quiseram saber. Porque entre o cometimento do crime e a punição do crime vai tanto tempo que o crime se dilui no tempo, como aliás outros crimes em Portugal, do qual temos um bem presente com o antigo Primeiro-Ministro.

Dilui-se a importância do crime, dilui-se a memória do crime e, portanto, a sanção torna-se material e não vale a pena. Quando é aplicada, às vezes, é uma pequena sanção. E é isso que tem que acabar. Eu acho que qualquer ministro da Administração Interna tem que acabar com esta cultura de violência na polícia que não é exercida sequer sobre criminosos, é exercida sobre imigrantes, sem abrigo, mulheres. O que é que é isto? Daniel?

O fim da negociação do pacote laboral hoje é uma notícia de hoje. O Governo vendeu uma narrativa interessante, que qualquer pessoa que tenha participado num processo negocial percebe o absurdo dela. Que é, cedemos imensas medidas, cedemos em cento e tal medidas.

como se as negociações fossem feitas a peso. Diz-me lá a contas é que o que interessa, até podia só sobrar 10% do Código de Trabalho, que o que interessa é o que é estruturante na lei. E foi exatamente aí, aliás, naquilo que a própria Ministra definiu como as travos mestras da lei, que não houve cedência.

as razões para ter contratos a prazo no país que tem maior rotatividade, os países que têm maior rotatividade de trabalhadores, o outsourcing para substituir pessoas que foram despedidas, a garantia de reintegração em caso de despedimento ilegal, o banco de horas individual, a destruição da contratação coletiva, que não diz muitas pessoas, mas tem tudo a ver com os salários que elas recebem. A CIP fez um número ontem ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao ao

o presidente da CIP, a dizer que aceitava, aceita cinco medidas, aceitava tudo, e depois, mais uma vez para construir uma narrativa, hoje chegou à reunião e não levava nada, não tinha proposta nenhuma. O que demonstra que esta negociação, em grande parte, foi uma encenação.

basicamente porque o Governo está a teimar nesta reforma que ninguém pediu, que é em contraciclo e que é anacrónica, e que a anacrónica está a existir por uma razão, quer dizer que faz reformas. É uma coisa como tudo neste Governo, como o PowerPoint do PTRR é sempre e a mesma coisa a perceção. Pedro, seguro? Seguro. Vamos falar do encontro com o arqui-inimigo?

Não, eu vou... Eu por acaso ia falar de uma coisa extraordinária que se passou esta semana, mas não vou ter tempo, que é a doutora Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal, não sabia que o direito à propriedade privada é um direito fundamental. E, portanto, disse que ia fazer uma revisão constitucional para pôr a propriedade privada como direito fundamental.

Isto diz muito da ignorância a que se chegou até na liderança dos partidos. E a ler a Constituição. Já agora, o artigo 62, Sra. Doutora, é sobre seguro. Seguro, acho que ainda não percebeu, não percebeu claramente, quais são as suas funções enquanto Presidente da República. Coisa que para mim não é surpreendente.

acha que é uma espécie de ministro da Saúde, ou de primeiro-ministro, e resolveu fazer uma espécie de uma reunião, onde pôs lá um senhor que... Um grande amigo da ministra. Um grande amigo da ministra. Aliás, é uma pessoa que é muito amigo de muita gente. O Adalberto é uma pessoa que é muito amiga de muita gente. Sabe-se lá porquê. Mas, e então, acha que vai fazer um pacto para a saúde?

quando há um governo e há partidos. Quer dizer, ele não é aquela tarefa de um Presidente da República. E o que vai dar a ASU é que aquilo não vai dar nada, como é evidente, porque aquilo é um assunto para a Assembleia da República, para os partidos, para outras instituições intermédias, e, portanto, vai ser fragilizado porque vai ser o pateta que promoveu uma coisa que depois ninguém lhe vai responder. A segunda tem a ver com um ato verdadeiramente inacreditável, mas que eu também já previa, que foi o não veto da lei da nacionalidade.

As pessoas, quando votam num determinado político, estão à espera de um conjunto, não dados concretos, mas um conjunto de convicções. É terminar mesmo. Um conjunto de convicções. E elas apareceram.

quando ele promulgou. Ele dá umas notas. As notas que dá era razão para vetar. Se um Presidente da República não veta esta lei, é porque concorda com esta lei. Não interessa as notinhas que põe. Luís Pedro, a morte é Turner.

Só uma pequena nota. A Esquadra do Rato tem sobreposição ao profissional sobre outras esquadras centrais, como ir apanhando zonas como Restaurador, Escampo Lide, por aí. Ok. Minha casa. Ted Turner morreu este semana. Era um visionário. Quando criou a CNN disseram que era um louco. Ninguém iria conseguir ver notícias 24 horas e aqui estamos.

foi, para além disso, uma figura piconoclasta, um destemido...

Um homem, um defensor da natureza, da ecologia, comprou terras, 2 milhões de acres de terra só para questões de conservação. Comparar um Ted Turner a um Elon Musk é uma ofensa ao ser humano. É uma ofensa ao ser humano. Quero também celebrar o aniversário de outro grande, grande...

homem, de outro grande ser humano, que é David Attenborough, que faz 100 anos, e que nos faz ter esperança que possa haver seres humanos bons, visionários, e que nos inspiram. Inspiram.

conseguem ter uma vida inspiradora e que nos deixam melosos, só por estarmos a ver um vídeo de segundos. Por falarmos em Atembro, as eleições em Inglaterra. É, mas queria uma nota sobre... Ted Turner é um dos homens mais importantes do século XX.

a criação da CNN, as pessoas acham que hoje é normal. Ele revolucionou completamente a paisagem mediática. E nos teatros de guerra costumava-se dizer temos que ir ver a CNN no Iraque para saber o que é que nos está a acontecer. A CNN foi o princípio...

Hoje não é nada daquilo que era, o declínio é visível e não é só por causa das redes sociais, mas no início a CNN era uma criatura nova e era uma grande aventura. E as reportagens, tinha ótimos repórteres e as reportagens eram magníficas. Isso hoje desapareceu tudo um bocado.

E, portanto, é uma das grandes figuras que eu admirei na vida, é o Ted Turner, que resgatou as Nações Unidas, entre outras coisas. Havia uma dívida enorme nas Nações Unidas e ele pôs o dinheiro dele para resgatar as Nações Unidas. Neste preciso momento em que falo, voltando às eleições inglesas do Reino Unido,

É provável que esteja a ser operada, segundo as expectativas e as sondagens, uma verdadeira revolução no sistema político inglês. Nós temos dois votos, eu e o teu. O Farage está claramente em primeiro lugar, o Reforma está claramente em primeiro lugar, em segundo lugar os liberais democratas.

O Labour em terceiro como perde as... O Labour perde tanto como ganha o Reform e o quarto os conservadores. E depois, nalguns sítios como o país de Gaúz, os verdes que é mais à esquerda. Os verdes estão com 16. Mas ainda estão os liberais democráticos estão à frente. Ou seja, o que nós temos aqui é que o velho sistema entre conservadores e trabalhistas... Na última sondagem estão à frente os liberais democratas, os verdes.

Os verdes. Quatro. É pior. É muito pior. Os verdes são um pecado. É livre. Deus nos livre. Ótimos. Ou seja, aquilo que era o sistema político inglês colapsou e nós achamos que isto não nos diz respeito e que é uma coisa. Não, não é. Isto é um sinal do que está para vir.

Voltamos na próxima quinta-feira para mais um Hoje de Mal. Se não puder voltar connosco, já sabes, estamos sempre à distância de um clique no podcast e também na app da Cicnotícias. Pedro, podes continuar a falar? Amanhã.

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