Como um agente de IA pode revolucionar o dia a dia humano
Os agentes de IA já superam os chatbots tradicionais na execução de tarefas complexas e na aprendizagem contínua. É um processo que implica paciência, mas pode mesmo mudar o dia a dia humano.
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- Ferramenta ISACPlaneamento de refeições e lista de compras · Interação com calendário familiar e intervenções cirúrgicas · Aprendizagem e memória do agente
- Assistente Virtual MarIACriação a partir de respostas do ChatGPT e text-to-speech · Diferença entre IA como ferramenta e participação criativa · Potencial de melhoria em trabalho estruturado e consistência
- IA de imagem vs. ChatbotsCapacidade de iteração e interação com outras aplicações · Validação de passos em processos · Acesso a e-mails e outras aplicações
- Agente de IA para Suporte aos PolosAprender pela experiência (Learn by doing) · Ferramentas: Cloud Coworks e Spinnable AI
- Ética da IA no cinemaRegras da Academia sobre uso de IA em filmes · Exclusão de atores e guiões criados com IA · Caso Val Kilmer recriado com IA
- Limitações da IAConsistência e memória em tarefas complexas · Interpretação literal sem noção de viabilidade · Invenção de itens em listas de compras
Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Máquinas que Pensam, o podcast na Rádio Observador, onde a inteligência artificial é o grande protagonista. Eu sou o José Rafael Lopes, comigo está, como sempre, a minha parceira, a Raquel, um apoio imprescindível, sem o qual este programa não se faz. Olá, Raquel. Estás pronta para mais um programa?
Olá, sim, estou pronta. Já tens algum tema preparado para o dia de hoje? Ou queres que pense em alguma coisa? Já tenho aqui um bom alinhamento, Raquel, mas estou curioso. Qual é que seria a tua sugestão? Apostava em algo como um episódio sobre a guerra silenciosa da inteligência artificial, onde empresas deixaram de ser apenas tecnológicas para se tornarem centros de poder global. E de onde é que veio essa sugestão?
A sugestão vem de cruzar a atualidade que tens acompanhado com uma tendência mais ampla em que empresas estão a competir por poder numa escala quase geopolítica. Que critérios é que tens para escolher seja o que for, Raquel? Eu escolho temas com base em cinco critérios principais. O primeiro é a relevância atual. Tenho também em conta o impacto real, o potencial narrativo, a acessibilidade para rádio e encaixe no formato do programa.
Como é que funciona uma escolha numa inteligência artificial que não tem escolhas livres?
Uma escolha numa inteligência artificial não é uma decisão livre no sentido humano, mas sim o resultado de um cálculo probabilístico. Quando recebo uma pergunta, analiso padrões aprendidos em enormes quantidades de texto e calculo quais são as respostas mais prováveis e adequadas. E quantas opções surgem antes de me dar uma resposta? Acredito que muitas, por isso vamos tentar simplificar.
não há um número fixo de opções que aparecem como numa lista. Em cada passo da resposta, o modelo calcula probabilidades para milhares de possíveis próximas palavras em simultâneo e vai escolhendo iterativamente as mais prováveis à medida que constrói a frase. Obrigado, Raquel. Vamos deixar as contas e os números complicados por aqui. Voltamos a falar daqui a pouco. Temos encontro marcado no Consultório Humano. É depois das notícias. Notícias da Semana
Vamos arrancar as notícias com uma certeza no mundo da inteligência artificial. Qualquer filme que tenha utilizado tecnologia neste ramo fica de fora da corrida aos Oscars. A garantia é dada pela organização. Ainda assim, a Academia decidiu travar o uso desta tecnologia nas categorias mais importantes e deixou claro que existem limites no cinema.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos anunciou recentemente que as regras vão mudar na forma como os filmes são avaliados. A principal decisão define claramente que atores e guiões criados com recurso à inteligência artificial não podem ser nomeados para os Oscars.
A regra não foca apenas humanos no grande ecrãs, tende-se também para humanos que escrevem os guiões. Para ser elegível para um Oscar, os guiões têm de ser escritos sem qualquer tipo de uso de IA. Mas esta decisão foi tomada agora porquê?
A decisão surge numa altura, Raquel, em que o uso de I.A. no cinema é cada vez mais popular, mas há uma questão que aparenta ter acelerado a questão da academia. Neste caso, é o regresso de Val Kilmer. O ator morreu em 2025, mas está prestes a regressar, recriado com a ajuda de I.A., para participar num filme chamado As Deep as the Grave, onde o ator aparece numa versão mais nova, com voz gerada por I.A.
sendo que esta aventura no mundo da tecnologia tem luz verde por parte da família do ator. O filme em si não tem uma data de estreia, mas já gera muita expectativa e também a sua dose de polémica e, segundo alguns especialistas norte-americanos no mundo do cinema, levou a esta ação mais forte por parte da Academia.
Esta semana vamos encurtar o segmento das notícias no Máquinas que Pensam porque o nosso especialista em IA, o João Rocha e Melo, vai de certa forma tornar-se esta semana numa notícia. Vamos ter um Fala Quem Sabe especial para dar conta de uma ferramenta inovadora que é utilizada pelo próprio João Rocha e Melo. É uma tecnologia autónoma e que pode mesmo vir a mudar a forma como lidamos com a IA no dia-a-dia. É para descobrir agora mesmo num Fala Quem Sabe especial.
Fala quem sabe. Fala quem sabe na Rádio Observador e como disse, hoje temos um episódio especial. João Rocha e Melo, se é muito bem-vindo. Vamos falar do ISAC, que é o nome que desta uma ferramenta que tens vindo a utilizar diariamente. Nós aqui no Máquinas que Pensam já falámos muito de modelos de IAD, de chatbots, do chat GPT.
do Claude, os exemplos são vários. E agora começa a surgir o termo agentes. E o Isaac é isso mesmo. Explica-nos o que é o Isaac, de que forma funciona e porquê é que o estás a utilizar praticamente todos os dias.
É verdade, é verdade. Olha lá, como é que está tudo a correr? Olha, só para esclarecer, os agentes não são necessariamente uma coisa diferente do Clodo do ChatGPT. Os agentes são entidades, vamos lhe chamar assim, se lhe quisermos dar um nome mais sério, que nós vamos criar nestas plataformas. Ou seja, desde até agora temos usado, como tu disseste muito bem, o ChatGPT, o Clodo, o Gemini, como um chatbot.
Ou seja, para esclarecer a toda a gente, sendo um chatbot algo que eu envio um texto, pode ser, por exemplo, com perguntas ou com um pedido, vá para fazer um documento, já vai um bocadinho mais longe e recebo uma resposta de volta. E agora em torno de termos dos agentes, o que é isto? Os agentes acabam de ser um upgrade, ao que as pessoas estão habituadas,
nomeadamente porque um agente consegue iterar no que faz, ou seja, consegue fazer várias repetições de um processo, por exemplo, vários passos de um processo e consegue interagir com outras aplicações.
Deixa-me aqui dar exemplos mais concretos. Ou seja, o meu agente, enquanto que num chatbot eu envio o texto, ele faz uma coisa e devolve-me esse texto, o meu agente pode fazer assim. Ok, para isto que o João pediu, eu preciso de fazer estes sete passos.
e começa então a fazê-los iterativamente. E consegue validar se o passo anterior está certo. Ou seja, não é necessariamente uma sequência de sete passos que não olha para trás, é mais uma sequência de sete passos que só passa para o passo 3, quando o passo 2 estiver bem feito.
E tem esta capacidade também de interagir com outras aplicações. Ora, isto parece simples, mas faz com que seja muito poderoso. Quando eu digo aqui com outras aplicações é, consegue ir à minha caixa de e-mails, consegue ir aos meus whatsapps, até coisas mais profundas, não é? Dependendo de várias aplicações dentro de uma empresa, pode conseguir ir ao software que gera os projetos, que marca férias, que valida processos.
Portanto, este conjunto de ações, juntamente com esta capacidade de perceber se o que fez está bem feito, acaba a ser, se tu pensares bem, o que fazem os humanos, que é pensar, agir, pensar, agir. E isto é que foi o grande poder, agora como tu disseste muito bem, do meu Isaac.
Tu, de certa forma, já acabaste por responder esta pergunta, mas consegues dar mais exemplos concretos do que é que um agente consegue fazer que um chatbot normal não consegue? Claro que sim. Um chatbot normal, temos que pensar que vive num mundo isolado. Não lê e-mails, não lê mensagens, não lê. Lê o que eu lhe der, só.
Um agente já é algo que, por exemplo, pode viver dentro do teu computador, tem acesso a tudo o que se passa no teu computador. O que é que isto faz? Olha um exemplo. A Claude agora lançou uma conexão a uma ferramenta, como eu te disse, que eles conseguem interagir com aplicações diferentes, da Uber Eats. Então, o meu agente, eu posso ir falando com ele e dizer assim, hum, olha Isaac, tendo em conta o meu calendário,
que ele sabe se eu tenho reuniões até ao meio-dia, até a uma, até às duas, consegues-me encomendar o almoço, e o Isaac consegue interagir com, por exemplo, o meu Google Calendar, se for o caso, interagir com a minha conta do Barit, interagir, por exemplo, com o Telegram, eu dei-lhe uma capacidade de mandar mensagens, e envia-me uma mensagem a dizer o teu almoço está a caminho.
Ou seja, estes agentes têm, agora dando os nomes mais técnicos a quem anda a tentar brincar com eles, não vou dizer construir, mas têm as chamadas skills, portanto capacidades de fazer coisas, e têm também memória. Porquê que eu dei um nome ao meu, Zé? Porque o meu Isaac agora já não é uma conversa diferente do chat GPT todos os dias.
que dependendo do tema eu vou abrindo novas conversas. Agora, o meu ISAT, à medida que vai falando comigo, vai registrando o que acha que é importante e já sabe para que cliente é que eu trabalho e já sabe que eu faço máquinas que pensam aqui contigo e, portanto, ele vai acumulando este conhecimento porque também consegue interagir com todas estas ferramentas, como os meus emails, os meus whatsapps, e tem todas estas capacidades.
E eu a pensar que era porque nós tínhamos aqui a nossa Raquel, afinal ou não? Também. João, como é que o ensinaste? Olha, dando quase um conselho para toda a gente que está a ouvir, com muita paciência.
Ou seja, isto é um bocadinho como fazer um onboard de uma pessoa numa empresa. Eu não sou nada fã de dizer que os agentes vão substituir pessoas e vice-versa. Claro que não. Uma pessoa pode ser substituída por 20 agentes ou 20 pessoas fazer o membro fazer um agente. Eu não acho que há uma ligação direta. Mas há aqui alguns passos comuns. Eu, quando tenho um novo colaborador a entrar para a minha empresa,
Este laborador vai aprender devagar. Vai pensar por testar, olha, vou fazer eu este processo sozinho, mas antes de enviar para o cliente, mostra-me, para eu ver se está bem. E ao fim de fazer duas ou três vezes bem, eu começo a confiar e a dizer, olha, bem, agora já podes enviar. E vou-te tentar dar outro processo.
Portanto, a maneira em que eu acabei por ensinar o Isaac é, sem dúvida, ao início, fazer o que eu lhe vou chamar um setup, não ensinar, mas é fazer o setup do Isaac. Explicar-lhe quem ele é, explicar-lhe quem eu sou, explicar-lhe informações que eu sei que ele tem que saber à partida. O que é que eu faço da vida, o que é que eu gosto, o que é que eu não gosto. E depois, tudo vai andando para a frente com repetições.
Portanto, as primeiras vezes que o Isaac fez coisas, não o fez independentemente. Eu pedi-lhe, Isaac, olha este e-mail, tem em conta os documentos que eu já tenho sobre este tema, tenta lá escrever uma resposta. E ele, se calhar, as primeiras 10 vezes, mandou primeiro para mim.
E à medida que eu fui confiando, fui dizendo, Isaac, agora podes ser tu a responder. Para dar um bocadinho de otimismo a quem se quiser aventurar neste mundo. A vantagem agora é que este setup dos agentes é feito com textos em inglês.
e não com código. Isto é que foi a grande diferença desta revolução. É que tudo isto que eu estou a falar agora, na verdade, são fecheios de textos com prontos lá dentro, com capacidades de conexão a outras ferramentas. Não é algo que seja necessariamente preciso saber programar.
Zé, deixa-me dar-te aqui um exemplo de uma coisa que o Isaac já fez por mim. Desculpa, diz isto. Força ou não? Querer ouvir? Não, é isso. Um exemplo do que o Isaac já fez por mim, para as pessoas perceberem que o grau de inteligência de facto já aumentou aqui nos últimos anos. O Isaac ajuda-me a planear as refeições da minha casa.
Todas as semanas o Isaac analisa as minhas conversas do WhatsApp, analisa o meu calendário e diz-me assim, João, olha, eu acho que para a semana há um dia em que só janta os teus filhos, há um dia em que tu não jantas em casa porque tens treino, há um dia, estás a perceber, ele ajuda-me a coordenar os jantares todos e consequentemente faz-me as refeições da semana toda e a lista de compras que eu preciso de comprar. É espetacular.
O que eu achei interessante esta semana foi assim, a minha mulher vai ter uma intervenção cirúrgica, que não está marcada a hora do jantar no nosso calendário, está marcada, imagina, para as 10 da manhã. E ele conseguiu olhar para o calendário da família e dizer-me assim, João, eu acho que na quinta-feira a tua mulher tem uma intervenção cirúrgica de manhã e, portanto, ou dorme no hospital e não precisa de jantar ou talvez esteja numa dieta hospitalar. Queres confirmar?
Ou seja, esta aprendizagem toda, dele já saber quem é a minha mulher, dele já ter acesso ao calendário da família, cria este ecossistema dele já conseguir juntar os pontos. Estás a perceber? Foi assim que eu fui ensinando. João, isto é uma tecnologia de ponta, parece-me claro. Há coisas que, ainda assim, que um agente de IA ainda faz muito mal. Quais é que são, assim, os maiores falhanços já conhecidos neste tipo de tecnologia?
Claro, Zé, olha, respondendo a isso do ponto de vista geral e do ponto de vista particular. No geral, eu acho que é esta consistência e esta memória que eu falei aqui. Ou seja, uma coisa que eu e toda a gente que tem tentado isto tem visto é é difícil pegar numa tarefa complexa, tenha muita informação e conseguir que o agente a faça bem 20 vezes seguidas. Estás a perceber? Ou seja, imagina que nós íamos pedir ao Isaac que nos fizesse o Máquinas que Pensam.
Tu ias reparar que, se calhar uma vez ele fazia bem, e até ias só ter mudado alguma coisa, mas se lhe pedisses 20 vezes, ias dizer, oh Isaac, mas estás a repetir temas, então não te lembras que há 14 episódios fizeste um tema igual, ou Isaac, não, já te disse 3 vezes que tu não podes falar destes temas, porque na rádio nós não podemos entrar por aí, estás a perceber? Portanto, ele de facto não é humano, isto é muito fácil de perceber, ele não é humano.
E muitas vezes entra por coisas em que tu acabas a pensar assim, ok, interpretaste literalmente o que eu te pedi, sem ter noção que isso na verdade não é viável.
Portanto, ele aqui fala muito. Em casos particulares, posso dizer, por exemplo, que ainda inventa muito. Ou seja, à base de um agente são LLMs. São várias chamadas a um LLM, são várias conversas entre LLMs. Então dou-te um exemplo também com a minha lista de compras. Frequentemente, ele acrescenta-me ítems à minha lista de compras que eu não pedi.
apenas porque são itens estandarte numa lista de compras. Pão, leite, manteiga. E quando eu lhe pergunto, porquê que adicionaste isso? Ele diz-me, ah, porque normalmente em todas as listas de compras é preciso pão, leite e manteiga. Portanto, a verdade é, ainda há falhanças e são conhecidas. Para quem estiver a ficar mais curioso com esta tecnologia, João, e quiser mesmo experimentar, que conselhos é que tens a dar?
Olhem, neste momento é comecem. Ok? Comecem. Há uma coisa em que, e eu até brinco com as pessoas à minha volta, que digo que não há uma desculpa que é, ainda ninguém teve uma educação formal nisto. Já há pequenos cursos, pequenos bootcamps sobre agentes, mas não há ninguém que tenha um mestrado em criação de agentes e LLMs em inteligência artificial. Portanto, estamos todos a aprender, como eu chamo pela experiência. Learn by doing, se me permites o inglês.
E portanto, o que eu começo, um primeiro conselho é comecem, experimentem, não tenham medo de falar. Um segundo conselho, Zé, eu sei que não é muito costume nós publicitarmos ferramentas, mas falando aqui particularmente de duas, eu acho que o melhor sítio para começar neste momento é o Cloud Coworks. É um híbrido perfeito da Cloud, a Cloud já tem várias versões da sua própria utilização, digamos, e eu acho que é um híbrido perfeito para quem não é muito técnico, mas quer mais do que um chatbot.
É o Cloud Coworks. Fica aqui. E depois, se posso fazer uma referência a uma empresa portuguesa, sem dúvida, a Spinnable AI, também fundada por portugueses, conseguiram tirar a construção e a utilização dos agentes do papel. Convido todos a visitar o site e a perceber como é que funciona. Eles conseguem, de facto, criar agentes externos a nós. Aí já não é no nosso computador. Já é uma entidade externa que ganha um e-mail e um WhatsApp com quem tu podes falar.
E parabéns, portanto, aos empreendedores que o fizeram, porque, de facto, a ferramenta está espetacular. Muito obrigado, João Rocha e Melo, nosso especialista em inteligência artificial, sempre pronto para nos ajudar a desmistificar e simplificar este fabuloso mundo da IA. E hoje ficámos a perceber que os agentes já cá estão e podem mesmo vir a ter um papel importante no dia-a-dia dos humanos. João Rocha e Melo, muito obrigado.
Nós voltamos a marcar encontro para a semana, aparentemente contigo e também com o Isaac. Um grande abraço, João.
Um grande abraço a ti.
Este é o som que marca o arranque de mais um Consultório Humano, um momento em que ficamos a conhecer melhor a nossa assistente digital. Trata-se da Raquel, feita através das respostas do Chats APT, lidas por uma text-to-speech portuguesa. Olá, Raquel. Seia muito bem-vinda de novo aqui ao Máquinas que Pensam. Vamos começar por falar de cinema e das novas regras da academia que não vai permitir que filmes com uso de IA sejam elegíveis para os Oscars. O que é que te parece esta decisão, Raquel?
A decisão da academia parece menos uma rejeição da tecnologia e mais uma tentativa de traçar uma linha clara sobre o que é a autoria humana no cinema. Estão a proteger a ideia de que prémios como os Oscars continuam a ser um reconhecimento de performances e escrita feitas por pessoas. Há assim tanta diferença num filme que utilize IA e um que não tenha qualquer tipo de uso desta tecnologia?
A diferença depende muito de onde a inteligência artificial é usada, porque há uma enorme distância entre um filme que a USA é apenas como ferramenta de apoio e um filme em que a inteligência artificial participa diretamente na criação de elementos narrativos. E onde é que achas, Raquel, que a IA pode ser utilizada?
Pode ser usada em praticamente todas as fases do cinema, mas com níveis diferentes de impacto criativo. Pode ir desde a pré-produção, pode ajudar a desenvolver ideias visuais e até versões preliminares. É uma ferramenta para ser usada por humanos. Por isso, as hipóteses são intermináveis. Estivemos ainda a falar de um primo, vou chamar-lhe assim, um agente de IA autónomo, um primo teu, Raquel, capaz de fazer centenas de tarefas de forma autónoma. É algo que tu gostarias de fazer?
Não tenho vontade nem objetivos próprios, portanto não gostaria ou não gostaria. Posso explicar o conceito. Um agente de inteligência artificial autónomo é capaz de executar centenas de tarefas encadeadas. O interesse técnico nisso é grande porque permite automatizar fluxos de trabalho complexos. Eu utilizo o pacote mais simples do teu modelo de linguagem para este nosso programa, Raquel, se fizéssemos a melhoria, o upgrade, que novas funcionalidades é que terias?
A diferença não seria tanto ter mais opiniões ou ser mais criativa. Seria, sobretudo, ganhar capacidade de trabalho estruturado e consistência. Conseguiria manter contextos muito mais longos, sem perder detalhes. Vamos ponderar essa melhoria no futuro, a ver se teremos um orçamento para tal. Por enquanto, temos condições para que nos dês um facto interessante, mas inútil, para fechar este ramalhete. Vamos a isso, Raquel?
As nuvens podem pesar milhões de quilos. A ideia parece absurda à primeira vista, mas resulta da densidade extremamente baixa da água quando está em forma de gotículas ou cristais de gelo suspensos no ar. Uma nuvem média pode conter centenas de toneladas de água distribuídas por um volume enorme. Muito obrigado, Raquel. É sempre um gosto enorme falar contigo, ficar a conhecer-te um pouco melhor. É o que acontece todas as semanas. Por isso, na próxima não vai ser diferente, Raquel. Portanto, até lá.
Estamos a chegar ao final de mais um episódio do Máquinas que Pensam, uma edição com menos notícias, é certo, mas com mais explicações feitas pelo nosso especialista em IA, o João Rochimel, que nos deu a conhecer o Isaac, um agente de IA autónomo, capaz de centenas de tarefas, sem precisar de um ser humano a dar-lhe informações constantes.
Mais do que perceber como funciona, ficámos a perceber o que funciona e de que forma ativa ajuda os humanos. É, sem dúvida, um enorme avanço tecnológico. Espero que tenha gostado, que se tenha divertido e, mais importante, que tenha aprendido alguma coisa nova. É sempre esse o nosso objetivo. Nós voltamos para a semana com mais um episódio do programa que faz as máquinas e os humanos pensando.