Febraban Podcast #11 - O que define um profissional relevante no futuro
A Inteligência Artificial, a aceleração tecnológica e as mudanças na organização do trabalho estão transformando carreiras em uma velocidade inédita. Diante desse cenário, o que realmente define um profissional relevante no futuro?
No novo episódio do Febraban Podcast, discutimos como o mercado de trabalho está sendo redesenhado e quais habilidades serão decisivas para quem deseja se manter relevante nos próximos anos. O ponto de partida é que 22% dos empregos globais serão transformados até 2030 e que quase 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar nesse período, segundo o Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial.
A conversa aprofunda o impacto da inteligência artificial, a transição das carreiras hiper-especializadas para trajetórias mais generalistas e a importância do aprendizado contínuo em um contexto em que o “prazo de validade” das habilidades técnicas está cada vez menor.
Neste episódio, você vai refletir sobre:
Por que o futuro do trabalho não se constrói apenas com tecnologia
Por que o valor profissional deixa de ser “o que eu sei” e passa a ser “o quanto eu me adapto”
As competências técnicas e comportamentais mais valorizadas até 2030
O papel da inteligência artificial como ferramenta de produtividade, e não apenas de automação
Por que saúde mental e aprendizado contínuo não são mais diferenciais, mas pré-requisitos
Com a autora do livro O Profissional do Futuro, Michelle Schneider, Mona Dorf e Majory Marcelino (Febraban).
Febraban Podcast, toda semana um novo episódio.
Ficha técnica: Apresentadora e Editoria-chefe: Mona Dorf
Supervisão Geral e Co-apresentação: Carlos Cidra e Majory Marcelino
Supervisão e Produção: Bianca Braga, Julia Alcassa e Leandro Lemella
Roteiro, edição e produção: Rachel Cardoso, Lizely Naoum, Patrícia Travassos e Clovis Travassos
Edição de vídeo: Leonardo Reali e Kris Arruda
Videomaker backstage: Kris Arruda
Gravação: Supernova Cinematográfica
- Profissional relevante no futuroImpacto da inteligência artificial e aceleração tecnológica · Mudanças na organização do trabalho · Habilidades decisivas para o futuro · Transição de carreiras hiper-especializadas para generalistas · Importância do aprendizado contínuo
- O Papel do Profissional de Saúde MentalImportância da saúde mental como pilar do profissional do futuro · Dados sobre ansiedade e burnout no Brasil · Impacto da saúde mental no desempenho profissional · A relação entre corpo, mente e trabalho · Estabelecimento de limites e autocuidado
- Inteligência Artificial e o Futuro do TrabalhoIA como ferramenta de produtividade e automação · Adoção crescente de IA por empresas e profissionais · Comparação com o impacto da eletricidade · Agentes de IA e suas aplicações · Uso do ChatGPT e outras ferramentas de IA
- Habilidades e competências para o futuro do trabalhoHabilidades comportamentais (soft skills) · Habilidades técnicas (hard skills) · Pilares do profissional do futuro: mente inovadora, letramento tecnológico, inteligência emocional e saúde mental · Letramento tecnológico e inteligência artificial · Empatia, autoconhecimento, motivação e escuta ativa · Resiliência, flexibilidade e agilidade
- Aprendizado contínuo e a carreira do futuroO conceito de fluxo de habilidades (skill flow) · Encurtamento do tempo de validade das habilidades · Longevidade e carreiras de 60 anos · Adaptabilidade como valor profissional · Aprender, desaprender e reaprender
- Transformação organizacionalDe fazer o trabalho para arquitetar o trabalho · De carreiras especialistas para generalistas · De emprego para trabalho (gig economy) · Impacto da IA na produtividade e contratação
- Tecnologia e InovacaoAvanço dos agentes de IA · Foco no lado humano e nas relações · Conceito de saúde social · Importância das relações humanas para o bem-estar · Relações humanas com IA e o futuro
Segundo relatório sobre o futuro dos empregos 2025 do Fórum Econômico Mundial, 22% dos empregos vão se transformar até 2030. A inteligência artificial é a principal força que promove essa transformação. O nosso valor no mercado, ele deixa de ser, eu sou o que eu sei.
E ele passa a ser, eu sou o quanto eu me adapto. O profissional de hoje, ele é suficiente para o que vem pela frente? Fala um pouco para a gente. Então a gente trabalhar desse mesmo modelo que trouxe a gente até aqui, não será suficiente para a gente se preparar para esse novo mundo do trabalho.
O futuro do trabalho não é apenas sobre tecnologia, ele se constrói a partir de pessoas, aprendizado e capacidade de adaptação. O analfabeto do século XXI não seria aquele que não soubesse ler e escrever, mas sim aquele que não souber aprender, desaprender e reaprender.
O uso das tecnologias, as novas formas de organização das empresas e as necessidades do mercado de trabalho estão transformando carreiras. A todo momento surgem profissões que até pouco tempo atrás nem existiam. A inteligência artificial é a principal força que promove essa transformação.
ela já está presente em atividades como análise de dados, automação de processos e atendimento ao cliente, inclusive no setor financeiro. Segundo o relatório sobre o futuro dos empregos 2025 do Fórum Econômico Mundial, 22% dos empregos vão se transformar até 2030.
A boa notícia é que o número de novas funções deve ser maior do que a de trabalhos que tendem a ser eliminados. Outro dado interessante aponta que cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar nesses próximos quatro anos, demandando de profissionais e empresas uma capacidade de rápida adaptação a essa nova realidade.
A Marjorie Marcelino, assessora de comunicação da Febraban, participa comigo dessa entrevista em que a gente se pergunta se é possível saber o que irá definir o profissional do futuro, não é mesmo, Marjorie? Sim, Mona, é um prazer estar aqui hoje. Quero ouvir bastante coisa no que a tecnologia impacta no mercado de trabalho.
Então você fica por aí, porque a nossa convidada é a Michelle Schneider, futurista, autora do livro Profissional do Futuro, sócia da consultoria Signal & Cipher, focada em inovação e inteligência artificial. Obrigada pela presença, Michelle, bem-vinda.
Eu que agradeço. Prazer estar aqui com vocês. Eu sou Mona Dorf, diretora adjunta de conteúdo digital da Febraban e te convido a seguir conosco nesse papo que vai ser muito interessante. Vem com a gente entender como o meu, o seu e os nossos empregos vão se transformar nos próximos cinco anos.
Michelle, você hoje já ocupa uma profissão do futuro. Você é futurista, formada pela Ibi University of Jerusalem e pelo Institute for the Future, além de ser professora da Singularity University. Na prática, o que faz um futurista? Como é que é essa profissão? Como é que esse olhar ajuda a antecipar as transformações do mundo do trabalho que já estão acontecendo? Claro.
Bom, primeiro, acho que a primeira vez que eu ouvi falar em futuristas, já deve ter uns 10, 15 anos, não sei dizer exatamente, e basicamente eu tinha uma ideia do que era um futurista antes, e quando eu fui estudar, desconstruí um pouco. Então, os futuristas que eu conheci um tempo atrás, estavam sempre nos palcos, palestrando, e trazendo aquelas ideias de um mundo lá na frente.
E aquilo brilhava os meus olhos. Eu trabalhei 20 anos no mundo corporativo, chegou um momento que eu quis repensar um pouco a minha carreira, e isso sempre vinha na minha mente, o que faz um futurista? Então fui estudar lá em Jerusalém, um dos cursos, né, hoje pra você se formar, o nome em inglês é Strategic Foresight, que basicamente é você aprender a projetar um futuro de mais longo prazo.
Depois de estudar, estudei tanto lá quanto no Instituto for the Future. E basicamente o trabalho de um futurista não é prever futuro. O papel do futurista é analisar cenários. Eu lembro do primeiro dia de aula, o professor dizendo, talvez seja uma das coisas que mais mudaram a minha forma de ver o mundo, que ele falou o seguinte, a maioria das pessoas tendem a pensar o futuro muito no curto prazo. Só que eles falam que a gente toma decisões muito melhores quando a gente tem um olhar mais longo do tempo.
Hoje eu não atuo como futurista, né? Sou formada, fiz as capacitações, mas quando eu comecei a entender um pouco mais o que era o trabalho do futurista, nesse momento de eu redesenhar a minha carreira, eu entendi que não era bem pra lá que eu queria caminhar, de ficar só desenhando cenários, eu acabei me especializando muito em futuro do trabalho.
Então vamos aprofundar, Michelle. Na introdução do seu livro, O Profissional do Futuro, você afirma que o mundo mudou e lança uma pergunta. E essa pergunta eu quero, devo, vai para você. O profissional de hoje, ele é suficiente para o que vem pela frente? Fala um pouco para a gente. Eu diria que não, porque sem dúvida alguma o mundo está se transformando. Obviamente, todo mundo sabe, vai se transformar em uma velocidade que a gente nunca viveu.
E é muito importante a gente ter essa noção de onde estamos hoje para a gente poder se preparar. Então, trazendo de novo esse aprender a pensar como um futurista. Se a gente olhar para as revoluções do trabalho, se a gente olha para o passado, começa lá atrás, a habilidade mais importante do profissional lá na Revolução Agrícola era a força física. E a gente veio passando pela primeira, segunda, terceira Revolução Industrial. E hoje, a habilidade mais importante para o profissional...
é a capacidade intelectual, é o nosso conhecimento, a nossa inteligência. Só que a gente está caminhando agora para um mundo onde a gente, muito em breve, pode ser que a gente esteja chegando no dia onde a gente vai ter uma IA tão inteligente quanto nós e depois uma IA mais inteligente quanto nós.
Então a gente trabalhar desse mesmo modelo que trouxe a gente até aqui não será suficiente para a gente se preparar para esse novo mundo do trabalho. No seu livro você fala de habilidades que precisamos desenvolver para permanecer relevantes. Pensando nessa mudança muito rápida em que o futuro que a gente discute aqui pode ser o ano que vem.
Como é que os profissionais podem se preparar a partir de hoje, de agora? Vamos lá. Eu digo que essa é uma das perguntas que guiou a escrita do meu livro. Que habilidades a gente tem que desenvolver para se preparar para um futuro do trabalho, que é um futuro muito incerto. Já já a gente pode falar um pouco mais sobre isso. Mas falando de habilidades, existe esse mesmo estudo que vocês falaram aqui no começo do Fórum Econômico Mundial.
E a versão de 2025, ela traz quais são as habilidades mais relevantes para o profissional se preparar para o mercado de trabalho. E esse mesmo estudo, eu fiz um TED Talk sobre o tema, o profissional do futuro, lá em 2018. Então lá em 2018, quando eu fiz esse TED Talk, também tinha umas 10 habilidades. E na época o meu discurso era o seguinte, pode prestar atenção pessoal, 100% das habilidades eram comportamentais.
E esse é o discurso que a gente veio vendo nos últimos anos, a importância e o crescimento da gente falar tanto sobre soft skills, habilidades comportamentais. Quando eu fui puxar os dados atualizados para escrever meu livro, tanto a versão de 23 quanto de 25, porque tem a cada dois anos desse estudo,
Eu brinco que eu quase caí para trás. Praticamente tudo tinha mudado, com exceção de liderança e pensamento criativo. De resto, tudo novo. Mas o ponto que mais me chamou a atenção no estudo foi o sexto item da lista, que era o letramento tecnológico.
Isso é uma habilidade técnica. E aquele discurso de que agora, tudo que for técnico, o robô vai fazer melhor do que a gente, né? E aí o mesmo estudo do ano passado, ele faz uma projeção para 2030. E quando a gente olha as habilidades mais relevantes para 2030, quase metade delas serão técnicas.
Então, em primeiro lugar, lá em 2030, inteligência artificial e Big Data. Segundo lugar, redes e segurança cibernética. Terceiro lugar, letramento tecnológico. E quarto lugar, responsabilidade ambiental. Isso muito em breve vai ser tão valorizado, né? Não vai mais ser só a pessoa que trabalha com ESG que vai ter que ter esse repertório, mas todos nós.
Mas em relação às primeiras que você cita, Michele, você disse, cibersegurança, inteligência artificial e big data. Então, mas aí a pessoa tem que entender disso? Então, isso é a projeção para 2030. Quais serão as habilidades mais valorizadas lá? Mas vamos antes da gente falar de 2030, acho que o mais importante agora é a gente olhar para o presente. 2025. O que fala no estudo? Quais são as 10 habilidades mais relevantes? São 10 mais que combinadas, viram?
18. Eu não vou falar uma por uma, porque pode ser que eu esqueça, mas como que eu desenhei isso no livro? Eu brinco, né? Eu falo, não sei vocês, gente, mas eu sou aquela pessoa que você tem 18 coisas para aprender, eu cheguei na oitava e esqueci a primeira. Eu tinha aqui, eu tinha esquecido. Então, e aí para facilitar, e depois de estudar e me aprofundar em cada uma dessas 18 habilidades, encontrei uma enorme conexão entre elas.
Para facilitar esse como que a gente se prepara, eu criei quatro pilares que, ao meu ver, serão a base para a gente ser um profissional do futuro, seja esse futuro qual for. Então, o primeiro deles eu conecto curiosidade, aprendizado contínuo e criatividade. E eu trago num pilar que eu chamo de mente inovadora. Acho que afinal faz sentido. Quanto mais curiosa eu sou, mais coisa nova eu aprendo. Quanto mais eu vou ampliando o meu repertório, tenho mais pontos para conectar, mais criativa eu fico.
Então esse é o primeiro pilar. O segundo pilar, letramento tecnológico, e aí gente, não tem segredo, é a gente mergulhar de cabeça em tecnologia e principalmente inteligência artificial. E eu falo que daqui pra frente todos nós vamos precisar nos tornar profissionais de tecnologia.
Mas quando eu digo isso, eu não estou dizendo que a gente tem que aprender a escrever linha de código, programar. Aqui eu estou falando de repertório de tecnologia. E eu digo que a pergunta que todo profissional deveria estar se fazendo hoje, seja você um jornalista, um profissional de marketing, médico, advogado, publicitário, ou seja o que for, é que o tipo de ferramenta de IA existe hoje para tornar o seu trabalho mais produtivo, mais criativo, mais estratégico. Esse é o segundo pilar.
Terceiro e quarto, a gente já vai para um lado mais humano desse profissional do futuro. Terceiro pilar, eu conecto do estudo empatia, autoconhecimento, motivação e escutativa. Tudo isso, gente, lá no estudo do Fórum Econômico Mundial, hein? Dizendo que autoconhecimento é uma das habilidades mais relevantes. Eu junto essas habilidades e eu trago num pilar que eu chamo de inteligência emocional.
E por fim, o último pilar eu conecto resiliência, flexibilidade e agilidade, trago um pilar que eu chamo de saúde mental. Então para mim esses são os pilares das habilidades que a gente tem que ter para se preparar para o futuro. Mente inovadora, letramento tecnológico, inteligência emocional e saúde mental.
O tema da sua palestra no South Byte Southwest, em Austin, que é um dos maiores festival de inovação do mundo, foi o emprego vai existir daqui a cinco anos? Então, eu queria que uma provocação, que você falasse um pouco sobre essa pergunta que você levou lá no festival. E nas empresas hoje em dia a dia, como vai ser as transformações nos cargos atuais, na organização das empresas? Como isso vai impactar a forma que a gente trabalha hoje? Claro.
Bom, vamos lá. Eu dei esse título super polêmico para a palestra. Em inglês era Will Your Job Exists in the Next Five Years? Em português, o seu emprego vai existir nos próximos cinco anos. E eu brinco, né? Eu falo que esse evento, para quem não conhece, é o maior festival de inovação, tecnologia e criatividade do mundo. E ao mesmo tempo rolam várias palestras. E eu falo que eu precisava de um título muito forte para ter certeza que a sala ia estar cheia.
Na minha palestra. Mas no fundo eu brinco que essa não é a pergunta correta que a gente deveria se fazer, né? Se nosso emprego vai existir ou não vai. E a pergunta correta é a gente tentar pensar como ele vai se transformar. Porque com certeza seu emprego como ele é hoje não vai ser o mesmo daqui cinco anos. Claro que a palestra foi muito longa, eu desconstruí um pouco.
O que a mídia diz, porque é tudo muito confuso quando a gente olha para as informações da mídia, a gente fica confuso e vê a matéria que fala, vai ter mais emprego que vai existir do que o que vai desaparecer. Daqui a pouco vem o outro e fala outra coisa. Então eu organizo um pouco e mostro que nem os líderes das grandes empresas de tecnologia concordam sobre isso, nem os estudos sobre o futuro do trabalho concordam sobre isso.
E normalmente eu abro perguntando o que cada um acha, se sim, se não, e não tem um senso comum sobre o tema.
A segunda parte eu falo um pouco sobre o que está acontecendo com a IA. E basicamente eu mostro, obviamente, a adoção está cada vez maior, tanto das empresas quanto dos profissionais. A IA, a gente que está vindo e está avançando o que a IA já pode fazer. O tempo que a IA consegue trabalhar de forma autônoma tem aumentado pra caramba.
E por fim, o investimento em IA que está explodindo. Nesse ano existe a projeção de que quatro empresas investam em infraestrutura de IA 600 bilhões de dólares, o que é mais do que o PIB da economia da maior parte dos países.
Então quando a gente olha tudo isso, a gente fala, legal, e cadê o resultado, o impacto da IA? Já existe, não existe? E eu vou desconstruindo e mostrando que a gente não vê hoje ainda o impacto da IA, nem nos empregos. A taxa de contratação, ela até caiu, mas quando a gente cruza com taxa de juros, ela é muito mais um reflexo econômico do que da IA.
A gente vê que a taxa de desemprego não caiu e que o PIB não explodiu. Então a produtividade vai aumentar, não aconteceu nada disso. A gente falou, mas ué, por quê? Cadê o impacto da EAN nos empregos? E aí eu trago uma comparação com o momento que a gente viveu da eletricidade.
onde eu brinco que esse é o nosso momento da eletricidade. Quando a eletricidade surgiu, que foi uma tecnologia de propósito geral, ela surgiu a primeira usina elétrica, foi construída em 1880. Mas a gente só foi ver os impactos disso décadas e décadas depois. Por quê?
porque teve que haver todo um redesenho das fábricas, basicamente foram construídas novas fábricas para que pudesse trabalhar com a eletricidade. E eu falo que esse é o nosso momento da eletricidade. A tecnologia, a IA, ela já está aqui. Só que para a gente ver o impacto dela, a gente vai ver o redesenho completo do fluxo de trabalho e da nossa maneira de trabalhar.
E aí eu entro na terceira e talvez mais importante parte da palestra, que eu falo sobre as três grandes mudanças, né? Seria shift em inglês, mas quais são as três grandes mudanças que a gente vai ver no mundo do trabalho.
A primeira delas eu chamo de From Doing the Work to Design the Work, em português, de fazer o trabalho para arquitetar o trabalho. Mas hoje, se a gente pensar como é que a gente passa o nosso tempo no trabalho, basicamente 20% do nosso tempo, seja cargo de liderança ou não, porque até três anos atrás eu estava em cargo de liderança em grandes empresas de tecnologia.
20% do nosso tempo, no geral, a gente passa planejando, arquitetando, desenhando. E os 80% a gente passa executando. O que vai se inverter provavelmente aí nos próximos 5 anos e que vai estar ao contrário? A gente vai estar 80% do nosso tempo planejando, arquitetando, desenhando esses fluxos de trabalho. E quem vai estar fazendo a execução são os agentes de real. E isso já começa a acontecer. Esse é o primeiro shift, primeira mudança.
A segunda mudança é que a gente sai de uma era onde os profissionais mais valorizados eram os profissionais especialistas e a gente começa a entrar numa era onde os profissionais generalistas começam a ganhar mais espaço.
Como assim, Michele? Até aqui, normalmente para a gente desenvolver uma habilidade de forma profunda, você ia para a universidade, ganhava aquela experiência lá, depois você entrava no mercado de trabalho, ia ganhando a experiência numa área e ia subindo e construindo a sua carreira nela.
Falo que hoje, se você foi muito bom fazendo uma única coisa a sua vida inteira, a gente fica no risco de eventualmente chegar a uma IA e fazer aquilo mais rápido, melhor e quem sabe até de graça. E o que a gente vê? Hoje, para eu ganhar profundidade em vários assuntos e ganhar experiência de várias formas, vai ficando cada vez mais fácil com a IA.
Então eu desenho lá uma carreira em T, que basicamente esse horizontal é o que a gente tem de conhecimento mais raso, e o vertical é o que a gente tem profundidade. Essa era a carreira de antigamente. Hoje eu consigo...
programar, ter agentes que programam, eu consigo ter agentes de marketing, eu consigo ter agentes de, enfim, roteiro, e você começa, junto com a IA, desenvolver profundidade em vários assuntos, então você começa a poder conectar. E o último shift, a última transformação do trabalho, eu falo muito sobre From Jobs to Work, que é do emprego para o trabalho.
Ah, mas meu emprego vai existir ou não vai existir? A gente não viu ainda o impacto da IA nas empresas, mas pode ser que esse ano a gente comece a ver as empresas de alguma forma enxugar um pouco essa força de trabalho, porque a gente começa a perceber que as empresas mais enxutas são mais ágeis para trabalhar com a IA.
Ah, Michelle, mas não vai ter emprego? De um lado pode ser que os empregos CLT diminuam um pouquinho a quantidade, não quer dizer que não vai existir, mas de outro lado a gente tende a ver uma explosão imensa no empreendedorismo, no que eles chamam de gig economy no Brasil, que seria a economia de freelancers aqui, eles chamam assim nos Estados Unidos. Porque hoje as barreiras para você empreender despencaram.
Antigamente, se eu queria montar uma empresa, eu precisava captar investimento, eu precisava contratar uma empresa para montar o meu site, eu precisava contratar outra empresa para programar um site. Hoje em dia, você começa a fazer tudo isso com o IA, com isso.
qualquer pessoa não vou dizer qualquer pessoa mas fica muito mais fácil você empreender a gente deve ver nos Estados Unidos hoje 37 por cento da força de trabalho é dentro da Geek Economy né dessa universidade dessa economia informal e a projeção que no final do ano que vem passa a ser 50,9 por si
Brasil hoje 37%, muito parecido, mas não existe essa projeção, a gente não tem esse estudo no Brasil. Então essas são as três grandes transformações, a gente sai de from doing the work to designing the work, de fazer o trabalho para desenhar e arquitetar o trabalho, a segunda de carreiras especialistas para carreiras generalistas, e eu falo empoderadas por IA, e o terceiro de emprego para trabalho.
Falei muito, né, gente? Ai, meu Deus. É ótimo. São boas perspectivas, né? Você sabe que eu vi um TEDx seu, e vi também que no livro você fala que o profissional do futuro vai ser um eterno aprendiz. E eu queria que você falasse um pouco pra gente, né, nessa mudança, né, de um eterno aprendiz, o que muda na nossa jornada, nas carreiras, e o que muda também no aprendizado, né, nas jornadas de aprendizagem.
É interessante que o meu TEDx foi de 2018, mas acho que nunca fez tanto sentido a gente falar da importância do aprendizado contínuo. E por que isso se torna tão relevante? Como é que a gente veio parar até aqui na nossa carreira? A gente basicamente tinha duas fases da vida. Tinha a primeira, onde a gente ia adquirir conhecimento na escola e nas universidades. Passava 20 e poucos anos da vida fazendo isso. E parece que era assim, agora que eu adquiri esse conhecimento, eu estou pronto para entrar no mercado de trabalho.
E até aqui funcionou, no máximo a gente fazia algumas pequenas pausas para o MBA ou para uma pós-graduação. O que acontece? A velocidade da tecnologia está tão grande e as coisas estão mudando tão rápido que não dá tempo de a gente fazer essas pausas. E o melhor exemplo que eu posso dar é um conceito que o meu sócio, o Iambi Craft, trouxe no SXSW do ano passado que ele chama de fluxo de habilidades, skill fluxo.
E o que é isso? Basicamente a gente vê como o tempo de validade das nossas habilidades tem encurtado. E para eu dar um exemplo que eu adoro, se a gente olhar para o século passado, uma única habilidade era capaz de sustentar toda uma carreira, afinal levava cerca de 30 anos para ela se tornar obsoleta, e um bom exemplo seria o meu pai. Ele fez engenharia e foi engenheiro da Petrobras a maior parte da carreira dele. E essa era uma carreira típica do século passado.
O que acontece? No começo desse século, a velocidade da tecnologia começou a avançar cada vez mais. E aí eu vou me trazer como exemplo. Eu me formei em publicidade em 2006. Uma das matérias que eu tive na universidade era mídia. E quando eu montava um plano de mídia na faculdade, ele era composto por rádio, TV, jornal, revista e outdoor.
Em 2013, eu fui trabalhar no LinkedIn com mídia digital. Em 2019, eu fui trabalhar no Google. Em 2021, TikTok. Nesses 11 anos que eu fiquei trabalhando com marketing e mídia digital, tudo mudou o tempo todo. Porque daqui a pouco surgiu uma nova forma de mensurar e daqui a pouco surgiu uma ferramenta nova.
E hoje, provavelmente quem está ouvindo está pensando na sua própria carreira, realmente como as coisas vêm mudando cada vez mais rápido. E hoje a gente vê que um ciclo de habilidade, o tempo de validade de uma habilidade técnica, ele leva mais ou menos de dois anos e meio a cinco, ele pode passar de relevante a irrelevante. Aquilo que você aprendeu já já não vale mais. Para onde a gente está indo, que o Ian traz na palestra dele? Quando a gente olha para o futuro...
Primeiro tem um ponto importante que a gente vai viver mais, muito mais, né? A longevidade está vindo aí, a inteligência artificial na saúde. Hoje a expectativa média de vida de um brasileiro é de 76 anos. Na década de 40, era de 40 anos, ou seja, a maior parte de nós aqui talvez já nem estaria mais aqui. E existe a projeção de que se tudo der certo aqui a gente vai passar dos 100 a 120 anos. E se a gente vai viver 100 a 120 anos, não faz mais sentido a gente falar de...
aposentar aos 60 e poucos anos, mas a gente vai começar a falar de carreiras de 60 anos. E nessas carreiras de 60 anos, a gente vai chegar a ver ciclos de habilidades técnicas de seis em seis meses. Onde eu estou trabalhando de uma maneira e daqui a pouco surgiu uma IA nova que me faz mudar a minha forma de trabalhar. E daqui a pouco surgiu outra que me faz mudar de nova forma de trabalhar.
E se a gente acha que está rápido demais como está hoje, só vai aumentar a velocidade. Então, diante disso, o aprendizado contínuo passa a ser fundamental para que a gente continue se adaptando e se preparando para as mudanças que não vão parar de chegar.
E tem uma fala que eu adoro, que é assim, né? Se o mundo vai mudar nessa velocidade, o nosso valor no mercado, ele deixa de ser eu sou o que eu sei. E ele passa a ser eu sou o quanto eu me adapto. Então essa adaptabilidade, essa facilidade, esse aprender a aprender.
Tem uma fala de um futurista, Alvin Toffler, um dos maiores futuristas e precursores do mundo, que ele já dizia no século passado que o analfabeto do século XXI não seria aquele que não soubesse ler e escrever, mas sim aquele que não souber aprender, desaprender e reaprender. É isso aí. A única certeza é a mudança constante.
E aceleração, cada vez mais rápida. Bom, a gente está falando tanto de... Ah, Michelle, quais são suas dicas para quem ainda não está muito familiarizado com a inteligência artificial? Como aprender a usá-la? Muita gente tem medo, o que é esse bicho aí? Você sabe que tem um vídeo que eu adoro nas minhas palestras, eu sempre falo, levanta a mão quem use a todo dia, e hoje em dia é a maioria.
Aí a gente fica todo orgulhoso, mas eu já uso o IA. Aí eu passo um vídeo na sequência que eu mostro o Sam Altman, que é o presidente da OpenAI, CEO, fundador, OpenAI, dona do chat GPT. E ele fala assim, três formas de uso do chat GPT.
Então ele fala assim, as pessoas mais velhas usam o chat GPT como se fosse o Google. Ao invés de perguntar para o Google, elas perguntam para o chat GPT. Ele fala, as pessoas na faixa dos 20, 30 anos usam como se fosse um life advisor, um terapeuta, conselheiro de vida.
E esse realmente foi o número 1, o uso de chat GPT no ano passado, foi como terapeuta. Ele fala que a turma que está entrando na universidade é quem melhor usa, é quem usa como se fosse um sistema operacional. Por quê? Porque eles não têm o modelo mental de ontem. A gente está querendo adaptar algo que a gente sempre fez de uma maneira, com uma ferramenta nova, por isso a gente tende a substituir o Google pelo GPT.
Então, quando eu mostro isso, a galera fala, ah, achei que eu estava arrasando na IA, agora vi que eu não estou tanto assim. Mas como é que essa turma nova, jovem, faz? Eles realmente trabalham com um sistema operacional, que é muito diferente de fazer uma pergunta. Você começa hoje, que tem de mais avançado na IA, hoje a ferramenta é o Cloud. E o Cloud, você não só faz perguntas e ele te responde, mas eles têm os agentes e você pede para eles fazerem tarefas, eles executam as tarefas para vocês, para a gente.
Só que pra isso você tem que desenvolver o mínimo de uma base, de um aprendizado. E aí vem a sua primeira pergunta. Por onde eu começo a usar IA? Achei que eu tava arrasando, vi que tem um espaço pra melhorar. E eu falo que todo santo dia eu recebo inbox no meu Instagram, no meu LinkedIn, no meu WhatsApp. Michelle, me indica um curso de IA pro RH.
Me indica um curso de IA pra moda, me indica um curso de IA pro mercado imobiliário. Cada dia vem uma pergunta nova. E eu falo assim, gente, eu não sei. Pergunte pra IA. Aí a galera morre de rir.
O que é o Pergunte para a IA? Ao invés de eu te dar uma resposta genérica, chega para a IA e fala assim, me faça as perguntas necessárias para você elaborar um plano de desenvolvimento em IA para mim. E ele vai te fazer perguntas, quem é você, quantos anos de experiência, com o que você trabalha, quanto tempo por semana você tem para aprender IA?
Você está disposto a investir algum dinheiro? Quero só ferramentas e cursos de graça? E com isso, a IA, né? Faz um plano de dois, três meses. Com isso, a IA vai te dar um caminho muito mais personalizado do que eu daria aqui agora. Então, essa é a primeira resposta de por onde eu começo. A segunda, eu gosto de sugerir que as pessoas criem algo. Vou dar um exemplo meu, assim, simples. Não sou programadora.
Não sou super avançada com questões de tecnologia, mas trabalho com isso hoje. Sou sócio de uma consultoria de IA.
Tem um tema que eu amo, que é longevidade. Então eu li um livro que chama Outlive, ou Outlive, do Peter Atcham, que ele fala muito sobre como a gente consegue viver mais, não só em anos de vida, mas em qualidade. E ele fala que basicamente a gente tem quatro principais doenças que são as maiores causas de morte no mundo. Uma delas é o câncer, problemas cardíacos, problemas neurológicos, doenças neurológicas e diabetes, etc.
E o que ele fala? Tirando o câncer, as outras três, o que a medicina tradicional hoje fala quando a gente faz o exame e o exame de referência diz que está bom, para você prever essas doenças, teria que estar muito melhor. Então lá no livro ele fala um monte de coisas técnicas que eu não entendo muita coisa.
O que eu fiz? Ano passado eu já tinha tentado fazer, não tinha funcionado, acho que a IA não estava tão avançada. Esse ano eu cheguei para o Claudio e falei assim, quero montar um agente de longevidade, me ajuda. Primeiro passo que a gente fez foi subir todos os exames de saúde da história da minha vida, basicamente dos últimos 15 anos. Tudo que eu fiz de exame de sangue, de imagem, testes genéticos, ele compilou tudo isso em uma planilha de Excel.
Eu sabia fazer isso? Não. Ele foi me falando passo a passo. Cria um perfil aqui, faz isso, sobe isso. Mas você foi colocando no celular? No computador. Eu fiz isso no computador, no cloud. Dá um pouco mais de trabalho. Não é tão... faz aí. Fui e voltei algumas vezes. Hoje já está mais fácil. Na época, que foi em janeiro, ele criou um agente para compilar esses dados. Hoje o cloud já faz isso para você. Então, dentro desse Excel, depois eu falei, agora cria uma aba nova.
né, comparando os meus índices com os índices do que o Pinteratia diz que é bom e que não é. Então um monte de coisa que eu achei que eu tava bem pra medicina tradicional, pra essa outra medicina já não tá tão bom.
Aí o que eu fiz? Eu uso esses gadgets que eu adoro, né? Eu uso esse anel que mensura meu sono, essa pulseira que mensura uma série de dados de treino, como é que tá minha disposição, ele mensura bastante coisa. Eu integrei esses dados em tempo real com esse meu agente. Hoje eu tenho esse agente plugado no meu WhatsApp e de manhã ele já lê todos os meus dados e de manhã ele já me fala, hoje pega a live na academia que isso aqui não foi tão, né? O seu sono não foi tão bom ou tem alguns índices que não estão tão bons.
ele vai me traçando alimento, e aí eu marquei um médico pra validar também, porque a gente não pode ser louca de sair tomando as vitaminas e tudo que ele me pede, pra validar se faz sentido tudo que esse agente tem feito. Eu chamo ele de Peter, falo com ele todo dia, porque o Peter Atch é o autor do livro.
E por que eu gosto de dar esse exemplo? Isso é você criar um sistema operacional, isso é o próximo passo da IA, onde você não só faz uma pergunta e ela te ajuda a revisar um texto ou ela te ajuda a revisar um e-mail. É quando ela começa a agir e fazer tarefas e ações para você. Mas você sabe que eu gostei muito que você deu um exemplo usando saúde, porque acho que todo mundo tem um mandado de trabalho, todo mundo quando pensa em usar IA, geralmente as pessoas levam para o campo profissional e ficam aqui no mundinho profissional.
E eu queria puxar um gancho, inclusive, para você continuar falando um pouco sobre saúde. Então, à medida que a tecnologia aumenta e ela cresce, por outro lado, surgem preocupações com sobrecarga de trabalho, demanda, produtividade, que as pessoas acabam se cobrando. Então, você entende que falar hoje, atualmente, sobre saúde mental é fundamental para o futuro do trabalho?
Sem dúvida alguma, não à toa, eu trago esse como um dos quatro pilares, no meu livro como um pilar do profissional do futuro.
E por que eu falo isso? Eu conto histórias pessoais no livro. Eu passei por algumas questões físicas, de saúde física, e resumindo uma longa história, eu tive quatro cirurgias em menos de dois anos e eu nem tinha 40 anos. Uma delas foi uma cirurgia na coluna, onde eu fiquei 40 dias sem sair da cama. E quando eu resolvi todas as questões físicas, o meu mental estava absolutamente abalado.
Então eu não tinha mais dor, tava tudo resolvido, olha que foi coisa pra caramba. E ali eu falei, vou pra cima do trabalho, porque eu sabia que eu tinha deixado um pouco a desejar, principalmente naqueles últimos meses. Só que eu comecei a ter crise de ansiedade, crise de insônia, uma série de questões que eu nunca tinha vivido na vida.
E aquele foi o momento, sem dúvida alguma, onde eu tive o pior desempenho profissional de toda a minha carreira. Eu dormia mal, acordava mal, ficava mal humorada, ficava impaciente, descontava no meu time, e eu falo que parecia um carro desgovernado descendo a ladeira sem freio. Só que quando eu comecei a estudar um pouco mais o assunto de saúde mental, eu percebi que esse não era um problema da Michelle.
Quando eu comecei a ver os dados e os índices, o Brasil hoje é o país mais ansioso do mundo, com mais de 20 milhões de pessoas afetadas. Nós somos o segundo país do mundo com o maior número de casos de burnout. A gente está só atrás do Japão no mundo em casos de burnout. E só no último ano a gente teve mais de meio milhão de brasileiros afastados pela Previdência Social por transtornos peitais.
Então, não à toa eu fiz questão de trazer isso como um pilar do profissional do futuro. Primeiro, de forma própria, de ver que se a gente não está bem mentalmente, a gente não vai entregar o nosso melhor. E, segundo, de ver para onde o mundo está caminhando. A gente está caminhando para um mundo que vai exigir cada vez mais de nós. Um mundo em que a competição dos empregos tende a aumentar.
Que a velocidade tende a aumentar. A gente acha que tá rápido demais, hoje é o dia mais lento das nossas vidas, né? Porque só vai aumentar. E aí tem uma fala que eu adoro do Gabor Maté, que é um dos maiores especialistas em saúde mental do mundo, que ele fala assim, o nosso corpo nunca mente.
Quando a gente não é capaz de dizer não, ele diz por nós, na forma de doenças autoimunes, crises ou colapsos emocionais. E por que eu me conecto tanto com essa fala?
Porque é exatamente o que aconteceu comigo. Eu dei conta a vida toda da minha carreira, das minhas entregas, das minhas metas, de tudo que eu tinha para entregar. Até o momento que eu mudei de emprego três vezes, sem tirar férias, fui me dando um emprego no outro. E passando por cima. E aí começou. Quem nunca, né? Quem nunca. Quem nunca. E aí começou. Poxa, que dor na coluna. E era remédio cada vez mais forte para aguentar.
Ah, eu tava com uma sinusite crônica, tomei acho que 10 vezes antibiótico no ano. E aí eu tomava outro. E aí, ah, não tô dormindo bem? Toma um remédio pra dormir. Daqui a pouco tô ansiosa? Toma um remédio pra ansiedade. E a hora que eu vi, a minha mesa de cabeceira tava lotada de remédio. E no fundo, meu corpo foi me dando todos os sinais de que tava muito, que precisava de um equilíbrio, o qual eu não enxergava, porque eu tava tão automático, tão focada em só entregar, bater as metas que eu tinha pra bater.
E isso acontece com muita gente, onde a gente não ouve os sinais do corpo, a gente vai passando por cima da gente mesmo. Então, para mim, talvez até legal agora que a gente já está no momento de fechamento, não existe sucesso profissional sem saúde mental. E só a gente vai conseguir impor os limites do nosso próprio corpo.
Só a gente vai saber a época que dá pra puxar mais, porque não adianta a gente achar que a vida não vai exigir isso de nós, porque a gente sabe que exige. Mas tem um momento que puxa mais, e aí tem que ter um momento da recuperação de novo, pra gente poder recuperar o que foi, gastamos demais de energia pra poder, as ondas altas e baixas da vida.
E, Michele, eu te pergunto, será que com todas essas inovações, com essa aceleração digital, com essas novidades, a gente vai ter uma saúde melhor, a gente vai viver mais em paz? Porque a sensação que dá, a gente até estava conversando lá fora, é que cada vez mais você está mais ligado em aplicativo, em aprender isso, aprender aquilo, e isso te acelera também mentalmente.
Sem dúvida alguma. Inclusive a gente sempre achou que a IA ia tirar parte das tarefas e nos dar mais tempo. Saiu um estudo recente da Harvard dizendo que as pessoas continuam trabalhando mais. Porque o que a IA faz por você, hoje você começa a fazer funções que não eram suas. No momento de... Você põe a IA para fazer uma coisa, daqui a pouco você está fazendo outra. E nos momentos de pausa a gente está usando a IA para tirar dúvidas e para ficar ainda mais produtivo.
Então acho que sem dúvida alguma é um grande desafio, não vou dizer que tem uma resposta única, mas acho que parte muito da consciência de cada um de primeiro.
Consciência, eu falo entender o que está acontecendo no mundo. Entender que a decisão pode não parecer, mas está um pouco na nossa mão. É difícil porque todas essas ferramentas são feitas para a gente ficar. Quanto mais tempo nelas, mais elas ganham de dinheiro. Mas a gente começando a criar essa consciência, a gente tentar se policiar para a gente ter os momentos de pausa, para a gente ter os momentos de não fazer nada. E principalmente os momentos de desconectar de tecnologia.
esvaziar a mente, né? Sem dúvida alguma, vão ser cada vez mais importantes. E eu aproveito para te perguntar, você que acompanha tantos festivais de inovação, vai inclusive fazer vários aqui daqui para frente no Brasil, o que você tem sentido de mais forte nesse momento como tendência? Eu me lembro de um ano, acho que uns dois, três anos atrás, e eu vou fazer um ano, acho que um ano, acho que um ano,
que do SXSW saiu uma coisa do hedonismo, que as pessoas queriam, era curtir a vida, viver, tinha passado a pandemia, achavam que o mundo ia acabar e tal, então elas queriam aproveitar o momento e viver o mais intensamente possível. E a gente está falando de tanta coisa aqui, de mudança, de aceleração, de tecnologia, o que você tem sentido e o que você trará para os próximos festivais também, em termos de tendência?
Bom, acho que duas coisas. Eu percebi bastante, estive na NRF em Nova York esse ano, estive no SXSW, estou agora como curadora do São Paulo Innovation Week, um evento super bacana que vai rolar aqui em São Paulo, em maio. Entre outros aí que terão vários, o próprio Febra Bantec, que eu estava lá com vocês no ano passado, um super evento.
Acho que talvez duas coisas que eu vi mais forte esse ano. A primeira é o avanço dos agentes de IA. Então, ano passado falou-se muito desses agentes. A gente viu poucas histórias reais. Esse ano, principalmente na NRF que eu estive, só se falou de agentes e como os agentes começam a entrar no mercado de trabalho para cada área, o agente do marketing, o agente do RH, o agente de finanças, o agente de nível, como isso está se desdobrando. Então, isso é um tema que eu acho que está super em alta.
E já no SXSW, que eu estive lá também agora em março,
Pendeu muito mais para o lado humano. Então, o ano passado falou-se muito de tecnologia no South By, e esse ano, quem venceu ali em termos de trilhas e conteúdos, foi muito, e nós, humanos, no meio de tudo isso. Então, a gente falou bastante de saúde mental hoje, né? Mas tem um conceito que já surgiu no ano passado e reforçou, que teve muito presente esse ano de novo, é o conceito da saúde social, que basicamente hoje a gente pensa em saúde física e mental.
E a Kessley Killam, que é a autora de um livro, como é que eu não dou o livro? Ah, mas deve ser Social Health, alguma coisa assim, Saúde Social. Ela fala que a gente tem um terceiro pilar da saúde que é como se fosse um tripé para a gente estar bem, que é a saúde das relações humanas.
da gente se manter, né, não ficar só se relacionando com e as relações da gente ter os amigos, ter o momento de, né, a relação entre duas pessoas, amizade, as relações no trabalho, então acho que essa foi uma pauta muito, muito forte de novo esse ano. Que feliz que eu fico de ver a gente falar tanto no mundo onde a tecnologia tá vindo aí cada vez mais rápido, a gente lembrar de entender.
como que a gente navega e qual que é a importância das relações humanas de tanto caos e transformação de velocidade. Que legal saber, né? Que os encontros humanos e presenciais, e olho no olho, corpo a corpo, são realmente uma tendência. Eu não vou lembrar agora todos os números, mas ela fala muito o quanto que isso impacta nas outras duas saúdes, físicas e mentais, o que ela fala que é um tripé.
E aí tem um outro estudo, e nem é o que ela traz, mas é um outro estudo que eu já tive a oportunidade de ler faz um tempo, da Harkad sobre felicidade. É o maior estudo de felicidade já feito na história, acho que hoje já deve ter mais de 80 anos onde eles foram mapeando a vida de várias pessoas, desde que elas eram novas, hoje já estão, algumas já nem estão mais vivas. E quais são os fatores dentro da vida dessas pessoas que tornam elas mais ou menos felizes?
E o fator número um não é dinheiro, não é saúde física, não é... É a qualidade das relações. A qualidade das relações humanas, no trabalho, na vida pessoal e etc. Então, mais um ponto aí de aqui.
Tem toda essa tecnologia vindo aí e dá essa tentação, né? Principalmente quem tá muito viciado em ir a como eu nesse momento. Às vezes a gente só quer ficar lá porque você vai aprendendo tanta coisa, você vai descobrindo tanta coisa. E o quão importante é a gente desconectar e sentar e bater papo, ouvir o outro e se conectar olho no olho, né?
Legal. Porque talvez a gente seja a última, não a última, se a gente não praticar essa inteligência social, é o legado talvez que a gente deixa para as próximas gerações, porque senão as pessoas vão desaprender a conviver no mesmo espaço. A minha geração cresceu, meu pai controlava o tempo que eu tinha de TV e de videogame, provavelmente de vocês parecido.
Os meus sobrinhos hoje não têm filho, mas é muito tempo de celular, de tela, de iPad. E a próxima geração é o tempo de relação com o amiguinho IA. Muito em breve os brinquedos vão ter uma IA que vai conhecer suas crianças talvez muito melhor do que, em alguns casos, os próprios pais. E essa IA, a hora que a criança se relaciona com uma IA.
que não necessariamente questiona ela, né? Que valida muito. Como é que vai ser essa relação? Ela vai falar, às vezes está mais fácil me relacionar com a IA do que eu me relacionar com seres humanos, onde a gente tem discorda de coisas, tem brigas, tem uma série de questões. Então, acho que é um grande tópico aí para o que vem aí. Como é que vai ser essa relação com a IA? Inclusive, hoje já existe um app que chama Réplica, não sei se vocês já viram falar, entre outros, onde as pessoas se relacionam emocionalmente com...
Ia, com botes de ia. E emocionalmente mesmo, né? Teve uma pessoa no Japão que se casou, ela fez uma cerimônia de casamento entre ela e um... My Header Noiva, não sei como chama, que ela punha um tripé de celular e ele vestida de noiva, e ela vestida de noiva. E a realidade superando a ficção, né? Pois é. Mas são questões do mesmo jeito que a gente não sabia como é que ia ser o impacto de redes sociais quando elas surgiram. Décadas, né? Quase 20 anos.
Quase 20 anos atrás agora, isso aparecia que viria coisa boa. Porque você fala, imagina, conectar amigos, conectar pessoas que mal pode ter nisso. Agora, 20 anos depois, a gente vê o mundo tão polarizado e enfim, né? Os haters, os fake news e tal. Pois é.
A gente não sabe dizer qual vai ser o impacto lá na frente das relações humanas com o IA. Espero que a gente tenha impactos mais positivos do que negativos. Espero. Bom, vamos investigando, né? Infelizmente, o nosso tempo está chegando ao fim. Essa conversa podia durar um dia aqui tão interessante.
E ela nos deixa uma mensagem muito importante. O futuro do trabalho não é apenas sobre tecnologia, ele se constrói a partir de pessoas, aprendizado e capacidade de adaptação. Eu quero agradecer demais a Michelle Schneider pela participação e por compartilhar suas reflexões, dados de palestra tão importantes sobre como profissionais e empresas podem se preparar, de uma certa forma, para...
esse mundo em transformação. Agradecer também a Marjorie, que participou com a gente hoje aqui. E, claro, agradecer também a você, que nos acompanha sempre nas nossas redes sociais e no nosso podcast. A mensagem que fica depois desse episódio é que não precisamos temer o avanço da tecnologia, mas saber que as características humanas...
continuam sendo o nosso ativo mais valioso. Eu sou Mona Dorf, diretora adjunta de conteúdo digital da Febraban, e este foi mais um episódio do Febraban Podcast. Não deixe de conferir as outras redes que a gente tem e os nossos podcasts. Até a próxima.