Tutor Fora, Casa Destruída
Não é vingança!
- Estratégias práticas de mudança comportamentalConsultoria comportamental para cães · Diferenças entre cães e gatos
Este é um podcast M80.
Olá, olá! Obrigado por estar num podcast do Universo M80 e, sobretudo, obrigado por ter escolhido o meu podcast, o Andar Atrela. Já lá vão muitas edições, muitas temporadas e obrigado pelo seu voto de confiança. A verdade é essa. Ora, se esta é a primeira vez que está comigo aqui no meu podcast, antes de mais, bem-vindo, bem-vindo a este meu universo em que, para além de locutor de rádio...
Sou também consultor comportamental carino, a.k.a. treinador de cães. Todas as semanas um novo episódio em que eu tento ajudar a sua vida e torná-la mais funcional com o seu querido animal de quatro patas. Neste caso, com o seu cão. Porque gatos não é bem a minha cena, não percebo lá muito. Mas vamos a isto. Portanto, nova semana, nova dificuldade, aquela velha questão quando o cão destrói tudo.
O problema não é maldade, até porque os cães não sabem propriamente o conceito de bem e de mal. Há uma cena que se repete, de facto, em muitas casas. Portanto, chega à casa, depois de um dia de longo trabalho, abre a porta, dá dois passos e eis que percebe que algo está errado.
Fá completamente ruído, mal mofada em pedaços que parece algum doce desfeito, um sapato desaparecido em combate e o cão olha, olha, abaixa as orelhas e eventualmente pensa assim. O ouvinte é que pensa, o doutor é que pensa. Ele sabe perfeitamente o que fez. Mas será que o cão sabe exatamente o que é que fez? Hoje este episódio é precisamente sobre um dos problemas mais frustrantes que tem com o cão.
ou que pode ter com um cão, comportamentos destrutivos. E a primeira coisa que eventualmente pensa e precisa de saber, eu acho que é simples, mas muda tudo. O cão não destrói por vingança, por maldade, porque quer fazer coisas más. Não.
antes de tudo perceber o que é que são comportamentos destrutivos e a origem. Para já, roer móveis, destruir portas, até magoar-se a si próprio, rasgar almofadas, mastigar sapatos, escavar sofás, tudo isto entra na mesma categoria. E aqui está um ponto importante. O roer...
Eu sei que pode não gostar de ouvir isto, mas a verdade é que roer é um comportamento natural nos cães, ok? Faz parte da espécie. O problema surge sobretudo quando esse comportamento sai do controle e passa a ser dirigido a coisas e às coisas erradas. Ou seja, o cão não está a portar-se mal, não, está a expressar uma necessidade que não...
está a ser propriamente satisfeita, ok? As verdadeiras causas da destruição, na grande maioria dos casos, há três razões principais. Primeira, energia acumulada. Um cão passa muitas horas sozinho, com pouco exercício físico e mental, precisa de gastar essa energia. E se não tiver passeios suficientes, jogos mentais, desafios mentais, vai usar exatamente aquilo que tem à frente. O sofá, a ver se me percebe, a ver se me entende, o sofá não é o alvo.
O sofá é a vítima. É a vítima. Eu estou a rir, mas pronto, eu sei que não dei piada. Até já passei por isto. O sofá, portanto, o sofá não é o alvo. O sofá é apenas a vítima disponível. Portanto, segundo lugar, tédio.
O cérebro do cão precisa de estímulo. Aquilo não é só levar o cão a passear meia hora ou uma hora e está feito. Não, o cérebro do cão, aliás, se ouvir episódios para trás vai perceber isto e eu explico como e o porquê. O cérebro do cão precisa de estímulo e de muito estímulo. Um cão aborrecido encontra entretenimento onde consegue, mesmo que isso implique...
desmontar a casa peça por peça. E, olha, isto que eu lhe vou contar é pura das verdades. Tive um aluno que, de facto, o cão ficava altamente entediado, não fazia nada, tinha um jardim gigantesco, ficava ao lado da garagem dos tutores. Muitas vezes o carro ficava no jardim, ficava fora da garagem. O cão tinha acesso ao carro. Nunca mais me esqueço disso. Uma vez cheguei lá à casa para dar aula.
e o espelho retrovisor do carro tinha sido ruído. Um Fiat 500. Ruídinho, ali no espelho retrovisor. De facto, os cães conseguem ruir paredes, conseguem ruir as coisas mais malucas e mais estranhas e menos óbvias, mais inusitadas que nós possamos pensar. De facto, porque aquilo estão aí à procura do entretenimento e de qualquer coisa para se entretenirem. Portanto, eles são mesmo capazes de desmontar a casa peça por peça.
Depois, terceira causa para este comportamento destrutivo, ansiedade, especialmente ansiedade de separação. E aqui o comportamento destrutivo não é diversão, é mesmo sofrimento. O cão tenta aliviar a atenção, libertar-se de stress ou procurar o cheiro do tutor e objetos pessoais. Eu diria pelo menos, olha, não sei de cor porque já são 7 temporadas e só nestas já vão 30 episódios, mas eu devo ter para aí uns 2 ou 3 episódios para trás em que explico a origem da ansiedade de separação do tutor.
Como corrigir? Portanto, é uma questão de procurar para trás. Se fizer uma pesquisa, rapidamente encontra. Portanto, ansiedade de separação, queão está a tentar aliviar a tensão, libertar o stress ou até procurar o cheiro do doutor em objetos pessoais e quando não encontra, aquilo começa a correr mal. A correr mal não é para a casa, porque isso é substituível. A correr mal para o pobre animal, que está sempre em primeiro lugar aqui no meu podcast. Depois.
Onde é que está aqui também parte do problema? É que o erro mais comum dos doutores é o ouvinte, certamente já ouviu isto, não é? Portanto, chega a casa, ralha com ele, ele fica com o ar de culpado. Na verdade, e já percebeu, o cão não sente culpa. O que ele sente eventualmente é medo, confusão perante o tom de voz, a postura corporal, a energia do momento. Portanto, toda a sua linguagem corporal.
para o cão, faz com que o cão fique confuso. Ralhar depois do estrago feito não ensina absolutamente nada. E eventualmente até pode piorar o problema aumentando a insonância do animal. Para o cão o castigo acontece tarde demais. Ele não liga a repreensão ao sofá destruído. Ele vai ligar essa repreensão à sua chegada à casa. Os cães têm ali um timing de 2, 3, 4 segundos.
para extinguir ou reforçar um comportamento. Portanto, está a reforçar uma hora ou duas depois, ou um quarto de hora depois, esqueça, ele está a associar esse premiar de comportamento ou esse repreender de comportamento completamente a outra coisa. O que é que realmente ajuda? Então vamos lá. A solução não passa por dar pinceladas ao cão. Passa por prevenção e rotina. Primeiro, exercício adequado. Não é só dar uma volta rápida ao quarteirão.
é permitir que o cão cheire, explore, use a cabeça ou corpo, portanto que estimule a parte cognitiva. Em segundo lugar, enriquecimento ambiental, brinquedos interativos, desafios com comida, objetos próprios para roer. Se o cão tiver que destruir, destrói o que é permitido e atenção, pelo menos à partida vai destruir menos aquilo que não é permitido. Depois, terceiro lugar, gestão do ambiente, enquanto o problema não está resolvido, o cão que não tenha acesso livremente a tudo, portanto...
e restringe acesso à parte da casa enquanto o cão não está habituado propriamente a estragar as coisas que não são para estragar. Menos oportunidades, aliás, menos estragos. Quarto, e isto é essencial, avaliar se há ansiedade. Se o cão destrói apenas quando fica sozinho ou se o cão tem mesmo este comportamento de forma crónica.
Espero que isto tenha ajudado. Da próxima vez que encontrar algo destruído, antes de se irritar, pergunte-se o que é que o meu cão está a tentar dizer-me. Porque a maior parte das vezes a destruição não é o problema, é apenas um sintoma. Desejo-lhe uma interação boa com o seu animal de quatro patas, que seja muito funcional.
E se não nos virmos até lá, até ao próximo episódio. Caso tenha algumas dúvidas, por favor, passar pelo meu Instagram, se quiser, paulo underscore Fernandes. Envie-me mensagens, esteja completamente à vontade, queria tentar ajudar-te. Se não nos virmos, até lá, até ao próximo episódio.