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Distúrbios do sono-vigília - Ep. 5

21 de julho de 202617min
0:00 / 17:42

DE ACORDO DSM5-TR

Assuntos4
  • Distúrbio Comportamental do Sono REMAtonia muscular · Alfa-sinucleína · Doenças neurodegenerativas · Parkinson
  • Classificação DSM-5-TRDistúrbios do sono-vigília · DSM-5-TR · Fronteira sono-vigília
  • Qualidade do SonoSonambulismo · Terror noturno · Sono de ondas lentas
  • Diagnostico MedicoPolissonografia · Avaliação de risco · Lesões corporais
Transcrição123 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Imagina a seguinte situação clínica, tipo, um paciente chega no consultório relatando que na madrugada anterior ele deu um soco violento no rosto do próprio parceiro enquanto dormia.

?Voz B

Um relato bem assustador.

?Voz A

Demais, né? E a suspeita imediata de quem escuta um relato desses costuma girar em torno de, sei lá, um trauma não resolvido.

?Voz B

Sim, ou um estresse extremo no trabalho, uma fase ruim.

?Voz A

Exato. Ou talvez um pesadelo agudo causado por ansiedade. Mas dependendo de como e quando esse soco aconteceu, a biologia aponta para um caminho, nossa, muito mais sombrio.

?Voz B

É aí que a clínica fica complexa.

?Voz A

Pois é. E se esse único movimento for na verdade uma espécie de bola de cristal biológica prevendo uma doença neurodegenerativa grave, uma doença que só vai apresentar tremores visíveis daqui a tipo 10 ou 15 anos?

?Voz B

Com certeza, essa transição de um aparente estresse psicológico para um marcador neurológico contundente é o que torna essa área tão fascinante.

?Voz A

Então hoje a nossa análise profunda mergulha no manual diagnóstico, o DSM-5-TR, para focar cirurgicamente nas parassonias. Bora desvendar isso, porque a missão aqui é entender as engrenagens ocultas nessa fronteira entre estar acordado e estar dormindo.

?Voz B

Perfeito. Historicamente, a medicina e a psicologia operaram muito sob aquela ilusão de que o sono funciona como um simples interruptor de luz no cérebro, sabe?

?Voz A

Do tipo, deitou, apagou tudo.

?Voz B

Isso, a premissa era essa: a consciência desliga, o cérebro repousa por inteiro e horas depois a luz acende de novo. Mas a neurobiologia moderna destroçou essa visão binária.

?Voz A

Não tem um botão de liga e desliga geral, né?

?Voz B

Não, de jeito nenhum. O cérebro não desliga por inteiro. O que existe é uma arquitetura fragmentada, um painel perde o controle vasto, onde o estado de vigília e os diferentes estágios do sono podem se sobrepor de uma maneira bem patológica.

?Voz A

E é justamente nessa sobreposição que a mágica sombria acontece, certo? Porque assim, a intuição básica diz para gente que as fronteiras são bem claras.

?Voz B

Sim, a gente acha que se tem movimento, a pessoa tá acordada.

?Voz A

Exatamente. Se a pessoa tá inerte ali, ela tá dormindo. Mas as parassônias bagunçam completamente essa lógica, né? Antes da gente falar de diagnóstico, como é que o manual estrutura essa confusão de fronteiras?

?Voz B

Então, o conceito central aqui, indo direto ao ponto, é a dissociação de estados. As parassônias não são o sono em si e também não são uma ausência de sono. Elas são, na verdade, distúrbios caracterizados por eventos comportamentais experienciais ou até fisiológicos anormais, e eles ocorrem associados ao sono ou na transição entre dormir e acordar.

?Voz A

Quer dizer, o cérebro meio que dá uma engasgada na hora de mudar a marcha.

?Voz B

Exato. O problema tá nas falhas mecânicas. Partes do cérebro responsáveis pela locomoção ou pelo pânico podem meio que acordar enquanto o córtex pré-frontal, que é a parte da consciência e do raciocínio, continua dormindo profundamente.

?Voz A

Caramba! E para o clínico que tá ali ouvindo paciente, como é que ele começa a desembolar esse nó?

?Voz B

A chave é dividir a noite em duas fases biológicas distintas. Primeiro, a gente precisa olhar para os distúrbios do despertar do sono NREM, que é o sono de movimento não rápido dos olhos.

?Voz A

Ah, o sono NREM, especialmente aquele estágio N3, né?

?Voz B

Que é o sono de ondas lentas extremamente profundo que domina aquele primeiro terço da noite. Isso mesmo, é aquele momento em que tentar acordar a pessoa é quase como tentar ressuscitar uma rocha, sabe?

?Voz A

Sim, super pesado.

?Voz B

E é justamente nessa fase que os curtos-circuitos geram apresentações muito dramáticas, tipo o sonambulismo e os terrores noturnos.

?Voz A

Fala um pouco mais de como isso aparece na clínica.

?Voz B

Bom, no sonambulismo, o aspecto fundamental é a dissociação motora. A pessoa levanta, caminha, muitas vezes faz coisas complexas, tipo abrir portas ou preparar comida.

?Voz A

Nossa! E dormindo?

?Voz B

Sim. Mas tem um detalhe crucial que o clínico precisa anotar no prontuário: o rosto fica vazio, inexpressivo. A pessoa não responde aos estímulos de quem tenta falar com ela.

?Voz A

Tá ali agindo, mas a mente consciente não tá em casa?

?Voz B

Exatamente. Os geradores de movimento no tronco cerebral estão ativos, mas a percepção consciente tá silenciada.

?Voz A

E no caso dos terrores noturnos?

?Voz B

Aí o curto-circuito é no sistema nervoso autônomo. O evento já começa, tipo, com um grito lancinante de pânico, seguido por uma tempestade no corpo: sudorese extrema, taquicardia galopante, respiração rápida.

?Voz A

Espera, deixa eu levantar uma dúvida bem lógica aqui sobre isso.

?Voz B

Manda.

?Voz A

Se a pessoa tá gritando a plenos pulmões, no meio da madrugada, suando frio, coração disparado, o instinto de qualquer um é achar que isso é um pesadelo horrível, né?

?Voz B

É o que quase todo mundo pensa.

?Voz A

Pois é, parece que o corpo tá reagindo a uma ameaça clara, tipo fugindo de um monstro no sonho, mas a biologia e o manual dizem o contrário, certo?

?Voz B

Certo. O que é fascinante aqui é que no terror noturno, que é NREM, não tem ameaça sendo processada. Não tem monstro, não tem enredo nenhum.

?Voz A

Como assim não tem sonho?

?Voz B

Não. O córtex cerebral, que é quem cria a história visual do sonho, tá inativo. Ele tá preso no sono de ondas lentas.

?Voz A

Ah, entendi.

?Voz B

O que dispara é só um alarme biológico puro ali no tronco encefálico e na amígdala. É a falha na transição do sono profundo para vigília que joga uma avalanche de adrenalina no corpo, mas a mente não tá processando nenhuma historinha.

?Voz A

É tipo, sei lá, o alarme de incêndio de um prédio que dispara no meio da madrugada porque deu pane na elétrica.

?Voz B

Perfeita analogia.

?Voz A

As sirenes tocam, pisca-luz para todo lado, o caos se instala no prédio inteiro. Mas não tem fogo, não tem fumaça, não tem nada. O corpo reage ao alarme, mas a mente não faz ideia da ameaça porque ela não existe.

?Voz B

Exato. E é por não ter história que a pessoa no dia seguinte tem amnésia total do evento. Ela não lembra de nada.

?Voz A

O que deve ser desesperador para quem está do lado assistindo.

?Voz B

Sim, quem sofre mais é o parceiro ali na cama. E isso serve de contraponto perfeito para outra extremidade que acontece no sono REM, o transtorno de pesadelo, por exemplo. Tem uma arquitetura totalmente diferente que já rola na segunda metade da noite, né? Isso, quando o sono REM, de movimento rápido dos olhos, tá mais abundante. E durante o sono REM, o córtex cerebral tá fervendo, muito ativo, literalmente construindo os filminhos visuais.

Exatamente. Então, os pesadelos envolvem sonhos longos, disfóricos, assustadores e, o mais importante, eles são muito bem lembrados. A pessoa acorda alerta e orientada, sabendo exatamente o que assustou ela.

?Voz A

A diferença na clínica é brutal. No terror noturno, o cara acorda de manhã e pergunta por que que o parceiro tá de olheira, né? Sem nem saber que gritou por 20 minutos.

?Voz B

Nenhuma pista do que houve.

?Voz A

Já no transtorno de pesadelo, ele acorda com o filme de terror todo fresco na memória, lembra das cores, dos rostos.

?Voz B

Essa clareza ao acordar é o divisor de águas para o diagnóstico diferencial. E é no território do sono REM que o manual joga aquela bomba que muda as regras do jogo no consultório: o distúrbio comportamental do sono REM, codificado como G47.52.

?Voz A

E aqui a gente entra naquele território que eu falei na nossa introdução, né? Onde essas falhas do painel de controle não são só um perrengue noturno, mas têm implicações muito, muito pesadas.

?Voz B

Gigantescas.

?Voz A

O que exatamente caracteriza esse distúrbio comportamental do sono REM?

?Voz B

Bom, num ciclo de sono REM normal, a biologia exige uma coisa chamada atonia muscular. O tronco cerebral manda sinais inibitórios potentes para a medula, paralisando os nossos músculos voluntários para a gente não sair correndo pelo quarto. Exato, é uma proteção evolutiva, permite que o cérebro crie essas narrativas de lutas épicas ou corridas desesperadas, mas o corpo físico fica lá inerte na cama. Tá, e no distúrbio, no distúrbio comportamental do sono REM, essa inibição motora simplesmente falha.

A pessoa tem vocalizações altas, solta palavrões, grita e apresenta comportamentos motores complexos.

?Voz A

É a encenação do sonho na vida real.

?Voz B

Literalmente, ela encena sonhos violentos dando socos e pontapés no ar ou em quem tiver do lado.

?Voz A

É como se o corpo tivesse um tipo um freio de mão biológico, né, que no sono REM ele é puxado para a gente ficar paralisado enquanto o motor da mente acelera a 200 por hora.

?Voz B

Sim, ótima imagem.

?Voz A

Mas no distúrbio, esse cabo do freio de mão rompe O motor do sonho tá lá acelerando no tálamo e sem o freio, o corpo começa a se mover perigosamente.

?Voz B

O que é fascinante aqui, também preocupante, é que se conectarmos isso ao quadro geral, a anatomia dessa ruptura revela um prognóstico bem sombrio.

?Voz A

É aí que entra a neurologia da coisa.

?Voz B

Isso. Os núcleos que mandam o comando da paralisia ficam no tronco encefálico. Quando o clínico diagnostica esse distúrbio, A constatação imediata é de que essas áreas do tronco estão sofrendo danos.

?Voz A

E o que causa esse dano?

?Voz B

Na maioria dos casos, em adultos mais velhos, é o acúmulo patológico de uma proteína chamada alfa-sinucleína.

?Voz A

Ah, então é aqui que aquela bola de cristal neurológica entra em cena. Mas explica uma coisa: como é que esse acúmulo de proteínas liga uma coisa na outra? Tipo, até chegar na previsão do Parkinson?

?Voz B

É que o padrão de progressão dessas doenças, as sinucleinopatias alfa, que incluem o Parkinson, segue um caminho específico. O acúmulo tóxico não acontece no cérebro todo de uma vez.

?Voz A

Ele começa de baixo para cima, é isso?

?Voz B

Exato. Começa nas partes mais baixas e primitivas, lá no tronco encefálico. Anos antes de atingir as partes superiores, ele destrói silenciosamente justamente os circuitos do freio de mão do sono REM.

?Voz A

Caramba!

?Voz B

E só muitos anos depois, às vezes uma década inteira, é que essas proteínas sobem para substância negra, causando a falta de dopamina e os tremores clássicos do Parkinson acordado.

?Voz A

Nossa, entender essa cronologia é o que separa uma escuta clínica mediana de uma avaliação de excelência. Quer dizer, o soco durante o sono não é o começo repentino de um problema?

?Voz B

Não, de forma alguma.

?Voz A

É a ponta de um iceberg que já tá se formando no sistema nervoso há anos. Com essa bomba em mãos, como é que o clínico no consultório muda a conduta dele?

?Voz B

Muda totalmente para uma área de urgência. O diagnóstico diferencial vira uma investigação rigorosa. Por exemplo, você precisa distinguir de um ataque de pânico noturno.

?Voz A

Porque no pânico a pessoa também acorda super assustada, né?

?Voz B

Sim, com taquicardia e medo. Só que no pânico o despertar é rápido e imediato. O paciente recupera o controle total, não tem essa encenação de sonhos, nem aquela confusão e amnésia longa de um terror NREM.

?Voz A

Entendi. E o que mais precisa descartar?

?Voz B

Tem que excluir convulsões relacionadas ao sono, que costumam ter movimentos muito repetitivos, bem diferentes de uma coreografia complexa de sonho.

?Voz A

Faz sentido.

?Voz B

E claro, descartar apagões por álcool, que até geram comportamentos bizarros, mas não são um padrão crônico de parassonia, é toxicidade aguda.

?Voz A

E a precisão desse rastreamento, é o que dito tratamento. Se confundir um terror noturno NRM ou um pesadelozinho de ansiedade com o distúrbio REM, o paciente perde a janela de ouro de uma intervenção neuroprotetora.

?Voz B

Exatamente. E não podemos esquecer da avaliação de risco e segurança, que tem que ser preenchida obrigatoriamente no prontuário.

?Voz A

Claro, o risco físico ali é absurdo, não é?

?Voz B

Muito. O manual traz que cerca de 55% dos indivíduos com distúrbio comportamental do sono REM sofrem lesões corporais como consequência desses episódios.

?Voz A

Mais da metade.

?Voz B

E pior, 12% sofrem lesões graves. Estamos falando de fraturar costela batendo num móvel ou quebrar o osso pulando da cama achando que tá fugindo de um penhasco no sonho. E até traumatismo craniano.

?Voz A

Quer dizer, o quarto vira literalmente uma zona de perigo de vida ou morte.

?Voz B

Literalmente.

?Voz A

Bom, para visualizar como essa teoria toda atravessa a porta do consultório, vamos pegar aquele exemplo que eu citei no comecinho. Como as perguntas na anamnese mudam com essa lente.

?Voz B

Atrás para consulta, exausta. A queixa é: ele tá dando socos no ar, chutando a parede, gritando palavrões de madrugada.

?Voz A

A cama virou um ringue.

?Voz B

Sim, um ringue. O clínico tem que mapear duas coisas logo de cara: o relógio da noite e o perfil de como esse cara acorda.

?Voz A

Então, se o clínico pergunta: tá, quando você acende a luz e balança ele para acordar, como ele reage? E o paciente diz que acorda imediatamente alerta.

?Voz B

Isso, o olhar não tá vazio, a mente não tá nebulosa.

?Voz A

E ele já consegue falar, tipo, nossa, invadiram a casa, eu tava lutando pra proteger a gente. Ele lembra vividamente que tava sonhando que lutava contra alguém.

?Voz B

A mágica do diagnóstico se amarra aí. Um profissional bem embasado descarta o terror noturno na hora, porque não tem aquela amnésia nem a confusão persistente do NREM.

?Voz A

E como ele tava se mexendo todo, Não é um pesadelo simples, porque num pesadelo normal o corpo estaria paralisado, né?

?Voz B

Exato. Essa combinação de ficar alerta na hora, lembrar do sonho e ter tido comportamento agressivo levanta suspeita gigante de distúrbio comportamental do sono REM.

?Voz A

E aí a pergunta do horário da noite confirma, né? O soco acontece geralmente ali pelas 4 ou 5 da manhã e não logo no começo do sono.

?Voz B

Perfeito. Porque o REM domina a segunda metade da noite e não para na escuta. Com a suspeita de que o cabo do freio rompeu, o profissional precisa encaminhar urgente para uma polissonografia, que é o exame padrão ouro nesse caso, não é? Sim, lá os sensores musculares vão dedurar tudo. Em vez de uma linha reta e silenciosa durante o REM provando atonia, o exame vai mostrar explosões de tonos, espasmos e movimentação enquanto o cérebro tá nas ondas rápidas dos sonhos.

Exato, esse achado é o carimbo final que manda o paciente para o neurologista para fazer esse monitoramento de longo prazo.

?Voz A

Cara, chega a ser meio melancólico ver como um olhar treinado transforma o que antes a gente chamaria só de noite agitada num mapa detalhado do futuro neurológico da pessoa.

?Voz B

É muito profundo mesmo.

?Voz A

Para a gente ir consolidando, qual seria o resumão, sabe? A máxima que quem tá ouvindo tem que anotar e nunca mais esquecer depois dessa nossa imersão.

?Voz B

O resumo é que as parassonias jamais devem ser vistas só como sonhos ruins. Elas são falhas mecânicas literais ali nas fronteiras da consciência.

?Voz A

Uhum, as marchas engasgando.

?Voz B

Isso. E saber mapear o relógio da noite e separar bem a confusão e amnésia do REM da encenação vívida do REM é o único jeito de diferenciar uma perturbação qualquer de um alerta precoce de uma doença neurodegenerativa devastadora.

?Voz A

Manual deixa de ser só uma lista de sintomas e vira um mapa de sobrevida, né? A gente precisa abandonar aquela visão inocente do cérebro como um botão que desliga.

?Voz B

Sem dúvida.

?Voz A

Tem engrenagens operando no escuro ali e a gente tem que identificar esses aceleradores que disparam sozinhos e principalmente os freios que estouram anos antes do paciente tremer de dia.

?Voz B

E isso puxa um pensamento final provocativo que o manual traz de forma bem sutil.

?Voz A

Manda.

?Voz B

O DSM menciona um tal de sono REM assintomático sem atonia. É aquele cenário onde a polissonografia já pega a falta do freio motor no paciente.

?Voz A

Mas ele não bate em ninguém?

?Voz B

Não bate. Porque por pura sorte do enredo dos sonhos dele, que talvez sejam sonhos pacíficos, ele ainda não começou a dar socos ou gritar na cama. A alfa-sinucleína já tá lá destruindo o tronco, mas não tem sintoma clínico ainda.

?Voz A

Caramba!

?Voz B

Quer dizer... Fica a reflexão pra comunidade clínica: quantos pacientes estão circulando por aí com esse freio de mão biológico solto na madrugada, apenas esperando o gatilho de um sonho mais violento para que o perigo se manifeste fisicamente.

?Voz A

Nossa, é uma provocação que muda completamente o jeito que a gente olha para alguém dormindo tranquilamente. O defeito na máquina já tá lá, vulnerável, só esperando a faísca, uma década antes de aparecer de verdade.

?Voz B

É assustador, mas é a realidade clínica.

?Voz A

Dominar essas fronteiras turvas é o que faz a diferença real na vida de quem a gente atende. A complexidade do cérebro sempre lembrando a gente que os alertas mais barulhentos às vezes acontecem quando tá todo mundo em silêncio absoluto. Muito bom, continuemos investigando e até a nossa próxima análise profunda.

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