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Ganha mais e mesmo assim o dinheiro não chega? Pode ser lifestyle inflation

05 de maio de 202625min
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Recebeu um aumento. Mudou de emprego. Começou a ganhar melhor e no entanto, ao fim do mês continua sem sobrar nada. Parece-lhe familiar? Parece que há um nome para isto. 

No mais recente episódio do Podcast MoneyBar, falamos sobre o que é Lifestyle Inflation e como ela acaba por nos roubar a capacidade de poupar e investir, e o que podemos fazer para controlar, sem deixar de viver bem.

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Disclaimer: Todo o conteúdo presente neste podcast tem apenas fins informativos e educacionais e não constitui uma recomendação ou qualquer tipo de aconselhamento financeiro.

Participantes neste episódio1
B

Bárbara Barroso

HostEspecialista em Educação Financeira e Finanças Pessoais
Assuntos6
  • Investimentos de Longo Prazo e Proteção contra InflaçãoDefinição e conceito · Exemplos práticos · Impacto na poupança e investimento · Causas psicológicas e sociais · Como identificar o problema
  • Dicas de Vida e ConsumoRegra dos 50% · Automatizar a poupança · Esperar 48 horas antes de compras não essenciais · Auditoria às subscrições · Definir o que é suficiente · Rever o orçamento
  • Taxa de Poupança em PortugalRecuo para 12,1% · Comparação com a zona euro · Fatores de explicação (habitação, consumo)
  • Importância de Registrar GastosProgresso vs. Lifestyle Inflation · Evitar austeridade obsessiva · Equilíbrio e consciência
  • Incêndio em Cabo DelgadoIndependência Financeira e Reforma Antecipada · Poupança agressiva
  • Eventos e apresentaçõesPúblico-alvo: maiores de 50 anos · Objetivo: investir com clareza e estratégia · Estrutura: diagnóstico, opções, plano
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Recebeu um aumento, mudou de emprego, começou a ganhar melhor e, no entanto, ao fim do mês continua sem sobrar nada. Parece-lhe familiar? Parece que há um nome para isto. No mais recente episódio do podcast Money Bar, vamos falar sobre o que é Lifestyle Inflation e como ela acaba por nos roubar a capacidade de poupar e investir e o que podemos fazer para controlar sem deixar de viver bem.

Olá, o meu nome é Bárbara Barroso, sou especialista em Educação Financeira e Finanças Pessoais e sejam bem-vindos ao Manibar.

Olá, meus amigos, como é que vocês estão? Espero que estejam todos bem e de boa saúde e hoje quero-vos falar de um tema que toca a vida de praticamente toda a gente, mas que quase ninguém fala abertamente. É um tema que não aparece assim, pelo menos desta forma, nos notícias.

noticiários, que nenhum banco nos avisa, que nenhum consultor financeiro costuma pôr em cima da mesa, pelo menos na primeira reunião, e no entanto é talvez a maior razão pela qual tantas pessoas, mesmo a ganhar bem, continuam a não conseguir aumentar a sua capacidade de poupança.

Mas antes de entrarmos neste tema, tenho um convite para todas as pessoas que têm mais de 50 anos. Sim, ouviu bem? Portanto, se tem mais de 50 anos, isto é para si. Se conhece alguém que tenha mais de 50 anos, vai querer passar esta informação. Então, o Money Lab vai realizar nos dias 18, 19 e 20 de maio um evento online totalmente gratuito chamado A Nova Face.

É uma iniciativa pensada para quem quer investir depois dos 50 anos com mais clareza, estratégia e confiança. E sei que muitas pessoas, nesta fase de vida, procuram respostas concretas sobre como gerir o dinheiro que acumularam ao longo dos anos, mas falta informação, clareza.

E todos estes temas relacionados com o mundo financeiro e investimento continuam a trazer aqui enormes barreiras na tomada de decisão. E é exatamente para isso que este evento existe. São três aulas ao longo de três dias com uma estrutura muito clara.

Primeiro vamos focar-nos no diagnóstico, analisar a sua situação financeira atual, depois passamos para as opções e por fim construímos um plano. As aulas vão ficar disponíveis a partir das 8 da manhã e pode ver ao longo do dia o seu rito, mas só...

para os inscritos. A participação é gratuita e eu vou deixar, como sempre, o link na descrição deste episódio. Portanto, já sabe, se quer participar nesta formação gratuita, no fundo, a nova fase, garanta já o seu lugar, tem o link na descrição do episódio.

Voltando então ao tema do nosso episódio de hoje, hoje vamos falar do que é tal como vem indicado no título Lifestyle Inflation, ou como eu gosto de traduzir a inflação do estilo de vida, aquela tendência natural, quase automática de se gastar mais à medida que ganhamos mais. E o resultado?

Aquele dinheiro extra que até poderia ser utilizado para construir património, para preparar a reforma, para criar aqui um fundo de emergência, desaparece, evapora-se praticamente sem darmos por isso. Mas vamos então aqui começar pela definição, porque o conceito é simples, mas as implicações são profundas.

Lifestyle inflation acontece quando as despesas de uma pessoa aumentam à medida que o seu rendimento também aumenta. E aquilo que era antes um luxo passa a ser visto como uma necessidade.

O que era antes um capricho passa a ser os mínimos. Exemplos práticos, vamos imaginar. Começou a trabalhar, almoçava, levava marmita para o trabalho e passou a comer fora todos os dias depois de ser aumentado.

Quando ganhava 900 euros andava de transportes públicos, agora que passou a ganhar 1500 euros, tem um carro novo, apostações. Antes de férias só cá para dentro, agora férias sempre lá fora. Antes tinha um telemóvel 200 euros, agora tem o último modelo.

nenhuma destas mudanças isoladamente são dramáticas, atenção, não é? Mas a verdade é que somadas ao longo dos anos representam milhares de euros que podiam estar a trabalhar para si, para as suas poupanças, investimentos, para a sua independência e liberdade financeira.

E já sei que alguns estão a pensar, ai Bárbara, mas que horror, ou a Bárbara mencionou aí uns valores, mas quem é que ganha isso? Calma, eu vou dar aqui exemplos ao longo deste episódio e para dizer que obviamente eu nunca consigo retratar a realidade de toda a gente, até porque temos todos os tipos de pessoas a ouvirem, pessoas que estão em Portugal, pessoas que estão fora, e os valores podem ser diferentes para si. Mas o que importa é focar-se no conceito e na mensagem.

Porque a lifestyle inflation afeta tanto quem ganha 900 euros como quem ganha 5 mil. O mecanismo é exatamente o mesmo. E eu vou trazer aqui dados concretos. E fui buscar aqui os dados mais recentes. Em Portugal, a taxa de poupança das famílias recuou para 12,1% do rendimento disponível em 2025, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística.

E pode parecer razoável, mas atenção, Portugal registrou a segunda maior redução na taxa de poupança entre todos os Estados-membros da União Europeia.

E uma queda, esta queda que se tem vindo a materializar, acaba por nos dar aqui uns sinais de alerta. Ou seja, enquanto nós temos na zona euro a média está nos 14,4%, nós estamos abaixo e a descer. E o que é que explica esta descida? O aumento do investimento em habitação, quase sempre suportado por crédito bancário, acaba por pressionar a capacidade de poupança das famílias.

Mas não é só isso. As famílias estão a consumir mais. O rendimento disponível das famílias cresceu nos últimos anos. Nós tivemos um salário mínimo que subiu de 660 euros em 2023 para 920 euros em 2026, mas o custo de vida continua.

a apertar. Rendas a subir 2,24%, alimentação a subir 7% em determinados produtos, telecomunicações, energia, tudo a subir. E o consumo privado, em vez de abrandar com perdência, manteve-se aqui robusto, ou seja...

os portugueses estão a ganhar um pouco mais e a gastar também mais. E em muitos casos a gastar ainda mais. E esta redução da sua capacidade de poupança compromete diretamente a capacidade de fazer face a imprevistos e a choques económicos futuros. E é isso que torna a lifestyle inflation tão perigosa.

Porque não dói hoje, mas pode custar muito caro amanhã. Mas porquê que isto acontece? Para combater um problema, precisamos de entender de onde ele vem. Esta lifestyle inflation não é aqui um defeito de caráter das pessoas. É um comportamento profundamente humano e erraizado e estudado na nossa psicologia.

Primeiro, uma adaptação ao novo estilo. O conceito central aqui é que o nosso cérebro adapta-se rapidamente a novas condições. E um aumento de salário dá-nos também aqui uma sensação de bem-estar durante umas semanas e depois o novo rendimento, passando o efeito da novidade, torna-se o novo normal.

e precisamos de mais para sentir novamente aquela satisfação. Além disso, vivemos na era das redes sociais, onde toda a gente mostra a sua melhor versão, não é? E o vizinho tem o carro novo, a colega que foi às Maldivas, o amigo que renovou a casa, e faz com que as pessoas sintam que, de repente, nós temos que ajustar o nosso nível de vida, não é? Sempre percebemos que começamos a ajustar o nosso nível de vida, não ao nosso rendimento real.

Mas algo que vemos à nossa volta é aquela ideia de não ficar para trás, de tentar acompanhar o estilo de vida dos outros, mesmo que isso custe no futuro. Mas essa parte de custar no futuro muitas vezes nem sequer é consciente. Depois temos a componente da recompensa emocional. Depois de meses ou anos a trabalhar arduamente para uma promoção, sentimos que merecemos.

E merecemos, claro que sim, não é? Mas o problema surge quando o merecer se traduz automaticamente em gastar, em vez de investir e poupar. Também a falta do plano, ou seja, talvez um fator aqui que eu diria mais importante, é que a maioria das pessoas não tem mesmo uma clareza de quanto é que ganha, não tem um orçamento, não percebe quanto gasta, nem em quê. E quando não há plano...

O dinheiro extra simplesmente é absorvido pelo estilo de vida. Não é uma decisão consciente, acaba por ser em bom rigor um descontrolo.

E como é que pode saber se esta lifestyle inflation já chegou à sua vida? Portanto, esta é a inflação do estilo de vida. Isto demora mais, isto em inglês aqui é mais curto. Atenção, não é? A questão do estrangeirismo. Mas eu quero que façam aqui um exercício mental. Se calhar alguns vão no carro, não é? Outros estão no ginásio, outros estão a ouvir em casa. Mas quero que façam este exercício e respondam...

Honestamente, vou colocar aqui algumas questões que cada um responde individualmente. Está a ganhar significativamente mais do que há 5 anos, mas poupa a mesma coisa ou menos? Segunda questão, quando recebe um aumento, a primeira coisa que pensa é no que vai comprar? Terceira questão, tem subscrições que já nem sabe que tem, ou seja, streaming, ginásios, apps e outras coisas afins?

Outra questão, já não consegue imaginar a vida sem coisas que há 5 anos nem sequer existiu no seu orçamento? Outra questão, sente que o dinheiro desaparece sem perceber para onde vai? Aqui mais uma questão no nosso quiz. Almoça, janta, tem refeições fora com muito mais frequência do que antes, quase sem pensar? E por fim, compra coisas porque pode e não porque precisa?

Ora, se respondeu sim a três ou mais destas perguntas, então, amigo e amiga, a Lifestyle Inflation já está instalada. Vamos ver aqui um ficheiro instalado. Mas calma, identificar o problema é o primeiro passo para resolver. E vamos fazer aqui umas contas simples, não é? Para tentarmos ver aqui o impacto. Vamos imaginar o Pedro ganha 1.200 euros líquidos, gasta 1.100.

Portanto, poupa 100 euros por mês, recebe um aumento de 300 euros e passa então a ganhar 1.500. Se mantivesse as despesas e poupasse os 300 euros extra, passaria a poupar 400 euros por mês. Portanto, em 20 anos, a 7% de uma rentabilidade média teria acumulado cerca de 208 mil euros.

Começam a perguntar onde é que estão os 7%. Quem nos acompanha aqui no Manilab sabe onde é que estão 7% ou mais. Foquem-se aqui na mensagem.

Mas então o Pedro não fez isso. Não fez isso. Portanto, em vez disso, o aumento mudou de carro, passou a jantar fora duas vezes por semana, atualizou o telemóvel, aumentou o pacote de telecomunicações, basicamente as suas despesas subiram exatamente os 300 euros, ou seja, o seu aumento foi absorvido pelo seu consumo. E ele continua na mesma a poupar 100 euros por mês.

Em 20 anos, mesmo que investisse pela sua menor capacidade de poupança barra investimento, em vez dos 208 mil euros, ia ter 52 mil euros. Ou seja, uma diferença de 156 mil euros.

Este é o preço da Lifestyle Inflation com apenas 20 anos e com um único aumento. E obviamente que estamos a fazer uma coisa que é para simplificar, até porque o podcast vai ouvir, estou a simplificar as contas, não estou a contabilizar mais aumentos ao longo do período, estou a trancar aqui esta capacidade de poupança a este valor que poderia até aumentar.

E, portanto, se isto se repetir com cada aumento ao longo de uma carreira de 30 a 40 anos, estamos a falar da diferença entre reformar-se com tranquilidade e reformar-se ali com os trocos. Há aqui uma corrente muito forte nas finanças pessoais que trata a lifestyle inflation quase como o inimigo número um da construção de riqueza. E tem aqui argumentos sólidos, não é? Quem está deste lado e defende esta filosofia tem aqui um ponto claro.

Viver abaixo das suas possibilidades, pagar todas as dívidas, poupar agressivamente, investir com disciplina. É esta a receita. Portanto, cada euro gasta em estilo de vida acima do necessário, não é? Acima do necessário.

Para estas pessoas isto significa um euro roubado ao futuro. Portanto, nada de carros novos a crédito, nada de restaurantes caros, nada de férias extravagantes. Primeiro a segurança financeira e depois o conforto. E há aqui um movimento que algumas pessoas se calhar já ouviram falar, que é o movimento FIRE, Financial Independence Retire Early, independência financeira e reforma antecipada, que leva a isto a um extremo, em que há pessoas que conseguem poupar 50, 60 ou até...

70% do rendimento, quando este movimento nasceu, aqui era o objetivo das pessoas se reformarem ali por volta dos 40, 45 anos. E para estas pessoas, qualquer aumento de despesa é um passo atrás no caminho da liberdade financeira.

E o argumento central é matemático, não é? A taxa de poupança é um fator que mais influencia a velocidade a que se acumula riqueza. Se ganha 2.000 euros e poupa 400, tem uma taxa de poupança de 20%. Se recebe um aumento para 2.500,

mas as despesas sobem para 2100, a taxa de poupança cai para 16%. Ou seja, ganha mais, mas poupa proporcionalmente menos. E é isto que acaba por matar a construção de património.

Mas há aqui outra perspectiva, que eu gosto sempre de olhar para os dois lados, não é? Quem está a favor, quem está contra, e trazer-vos isto. Eu quero também com este episódio levantar esta discussão. Não estou aqui a julgar, ok? Nada se trata disso e até vos vou dar a minha visão. Estou-vos a dar aqui os dois lados da moeda. Há uma outra perspectiva, e que eu acho importante trazê-la, porque a vida não são só números.

que é quem está deste lado defende que a frugalidade extrema não é o segredo da riqueza. O segredo é gastar com intenção. Portanto, investir automaticamente, poupar automaticamente e depois gastar sem culpa naquilo que genuinamente lhe dá prazer.

A austeridade obsessiva é vista por estas pessoas como insustentável e desnecessária. E esta visão defende que nem toda a subida de despesas é má. Se começou a ganhar mais e usa esse dinheiro extra para ter uma vida melhor, seja almoçar, jantar fora e comer melhor, viajar, ter experiências, investir na saúde,

Para esta corrente, isto não é lifestyle inflation, é progresso. E a chave está em ser intencional, escolher conscientemente onde gastar mais e onde manter o mesmo nível. Portanto, atualizar aquilo que realmente importa para si e ignorar o resto.

Há também que argumento que a mentalidade de escassez, viver com medo de gastar, acaba por gerar ansiedade financeira, comportamentos de acumulação e no fim traduzir-se em infelicidade. Para que poupar obsessivamente durante 40 anos se não vive durante 40 anos?

E atenção, eu acho que há pontos, não é? Que são bem... Há bons argumentos, digamos assim, dos dois lados. Mas, para mim, nem a autoridade absoluta, nem gasto desenfriado são a resposta. A resposta, para mim, está no equilíbrio e, acima de tudo, na consciência. Portanto, se eu tivesse que vos deixar aqui algum conselho prático sobre lifestyle inflation, seria...

Vamos aqui adotar a regra dos 50%. No meio é que está a vir tudo, não é? Então funciona assim. Sempre que tiver um aumento, uma promoção, um bónus ou qualquer rendimento extra,

Se tiver já um objetivo, ok, isto antes de entrarmos nos 50%, se tiver já um objetivo e ter essa alocação, vamos imaginar que já tem a sua vida organizada, ou seja, para quem, os nossos alunos já sabem o que é que eles vão fazer e já sabem como é que devem alocar, ok? E mesmo com aumento. Mas, para quem está agora a começar, e se chegou agora aqui ao podcast, antes mais, seja bem-vindo, seja bem-vindo.

aqui ao podcast Manibar. Portanto, se está a começar e teve agora aqui um aumento, vamos simplificar aqui o processo nesta sua jornada de gestão de finanças pessoais. Portanto, se teve um aumento, uma promoção, um bónus ou qualquer rendimento extra e que não tem aqui o objetivo, divida-o ao meio. Metade vai para a poupança e investimento de forma automática, antes de tocar sequer nesse dinheiro e a outra metade pode gastar livremente, sem culpa nenhuma, naquilo que quiser.

E porquê que eu estou a dizer isto dos nossos alunos? Porque já existe aqui uma cesta destinada a lazer e a fazer o que se quiser. Portanto, isto acaba por resolver os dois problemas em simultâneo. Primeiro, não sacrifica o presente, porque está a desfortar metade do aumento, e por outro, protege o futuro, porque a outra metade vai começar a trabalhar para si. Portanto, vamos aqui a um exemplo, não é? Vamos imaginar a Sofia, ganha 1400 euros e recebe um aumento de 200 euros. Claro que o trabalho foi o trabalho de 50 euros.

Com a regra dos 50%, 100€ vai canalizar automaticamente para os seus investimentos, seja PPRs, ETFs, o que for, e fica com 100€ extra para gastar como quiser. O estilo de vida melhora, a poupança também melhora, todos ganham.

E se aplicar esta regra a cada aumento ao longo de uma carreira de 30 anos, a diferença no final é transformadora. E deixo-lhe também aqui algumas dicas que podem ajudar, no fundo, a combater este fenómeno e que não são mais do que boas práticas de gestão de finanças pessoais.

Primeiro, automatizar a poupança para o dia do salário. Portanto, a melhor forma de poupança é a que não depende da força de vontade, portanto, agende uma transferência automática no dia em que recebe o salário, pague-se assim em primeiro lugar e o que sobrar é para viver e não o contrário.

Outra dica é esperar 48 horas antes de compras não essenciais. A compra por impulso é o combustível do lifestyle inflation. Quando sentir vontade de comprar algo que não é essencial, espere 48 horas. Na maioria das vezes, a vontade até passa. E se não passar, pelo menos foi uma decisão consciente.

Depois faça uma auditoria às subscrições. Quantas subscrições? Diga lá. Pense lá, pense lá, pense lá quantas subscrições é que tem neste momento. Netflix, Spotify, apps de meditação, dos snacks, plataformas de notícias, jogos. Some tudo. Some tudo e vai se calhar surpreender-se que o português médio gasta facilmente até mais de 80 euros por mês em subscrições, muitas delas que mal usa. E...

80 euros, 150 euros são entre 1000 a 1800 euros por ano que poderiam estar a ser canalizados para investimento. Depois defina o que é suficiente para si. Uma das perguntas mais poderosas em finanças pessoais é quanto é que é suficiente?

a que nível de vida precisa realmente estar para se sentir bem, para você se sentir bem, não para os outros se sentirem bem. E se definir esse nível conscientemente, todo o rendimento acima passa a ser dinheiro para investimento e não dinheiro para gastar.

Por fim, rever o orçamento a cada salário. Não deixe o orçamento ali estático, parado. As suas finanças pessoais também são dinâmicas, não é? Sempre que o rendimento mudar, sente-se, olhe para as suas finanças pessoais, ajuste as categorias e decida intencionalmente quanto vai para a poupança, quanto vai para as despesas e quanto vai para o gasto livre.

A consciência é o antídoto do descontrolo financeiro. E quero trazer aqui isto também, aqui uns dados da realidade portuguesa, porque o contexto conta. Em 2026, o salário mínimo subiu então para 920 euros e os rendimentos em geral têm crescido. Mas o custo de vida também, e já ilustrei aqui os exemplos, tanto na alimentação como em determinados produtos,

E segundo o Banco de Portugal, o consumo privado vai crescer 2% em 2026, enquanto o rendimento disponível real só cresce 1,5%. Ou seja, as famílias estão a gastar mais do que aquilo que o rendimento justifica.

Mas há uma diferença importante entre inflação real, os preços que sobem e sobre os quais não temos controle, e a lifestyle inflation, ou seja, as escolhas de gasto que fazemos voluntariamente.

Não podemos controlar o preço do pão, da renda e tantos outros que influenciam o cabaz da inflação. Mas podemos controlar se jantamos fora três vezes por semana, se trocamos telemóvel todos os anos, se compramos roupa por impulso, se encomendamos todas as semanas do Uber Eats.

É nessa margem de escolha que está o poder. E é nessa margem que a lifestyle inflation ataca silenciosamente. E eu espero que este episódio tenha ajudado também a abrir aqui a conversa e para discutir até o tema em família. E por isso partilhe com a sua família, partilhe com a sua cara a metade, partilhe com os seus filhos. Porque... ...

Não falamos de dinheiro, dinheiro continua a ser um tema tabu e até pode-se estar a dizer, ah, está bem, Bárbara, a gente tem um aumento, mas também as coisas têm aumentado. Certo, é como eu digo, nós não podemos controlar o aumento das coisas, mas podemos controlar a forma como consumimos.

E aqui reitero, não estou aqui a julgar, não é o objetivo aqui, é trazer à consciência. Porque cada um sabe de si, mas muitas vezes até andamos a queixar, mas não conseguimos olhar para as nossas finanças de forma detalhada e dizer caramba, está aqui a tal poupança escondida, está aqui o meu PPR, a minha reforma, está aqui o futuro dos meus filhos.

Porque eu, de repente, com estes pequenos ajustes, existem muitas fugas, não é? Parece aquela... estão a ver quando há uma rotura até, seja num cano, estamos ali a perder água e a água é a nossa poupança, a nossa capacidade de poupança e quando nós diminuímos a nossa capacidade de poupança, temos menos rendimento disponível para multiplicarmos através dos investimentos. E este era também o grande objetivo com este episódio de podcast.

E pronto, era isto que tinha para vos trazer neste magnífico episódio do podcast Money Bar. Já sabe, pode continuar a acompanhar-nos nas nossas redes sociais, Facebook, LinkedIn, YouTube. Também juntar-se ao nosso grupo do Telegram. Todos os links se encontram na descrição do episódio. Mais uma vez, não se esqueça de subscrever o podcast através da plataforma que esteve a ouvir. E se acha que este conteúdo foi útil a outras pessoas, partilhe. Quanto a nós encontramos no próximo Money Bar.

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