Episódios de Luta de Artista

#22 Pedro Maralma LIVE: Acrescentar Amor - quando a arte encontra a coragem

04 de maio de 202656min
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PATREON: patreon.com/LutadeArtistaPodcast INSTAGRAM: - instagram.com/inpugna - instagram.com/lutadeartista__ TIKTOK : tiktok.com/@lutadeartista_clips HOST: Francisco Taveira Pinto GRAVAÇÃO/EDIÇÃO: Guilherme Joaquim ---

00:00:00 Intro

00:03:06 A amizade e carreira

00:04:12 Experiência no The Voice

00:08:30 Limites na carreira

00:13:45 Inseguranças

00:16:41 Ser genuíno e trabalhador

00:17:37 Jornada como cantor

00:22:36 Escolha entre música e representação

00:25:17 Experiência no The Voice

00:28:46 Significado de 'Acrescentar Amor' para Pedro Maralma

00:31:36 Início da composição de canções

00:33:16 Escolha da carreira de actor e tentativas no The Voice

00:34:32 Oportunidade de lançar uma música original

00:39:26 A importância da família no percurso criativo

00:42:26 Elitismo e privilégio na indústria

00:45:59 A importância de ser verdadeiro a si mesmo

00:47:39 A farsa e a libertação

00:50:49 Futuro da carreira musical e estratégia

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Assuntos8
  • O Papel do ArtistaIdentidade do Pedro Maralma fora dos palcos · Valorização das amizades e relações pessoais · A importância de ser genuíno e trabalhador
  • Imitação de vozes e carreira artísticaLidar com o nervosismo e a ansiedade no palco · Superação de desafios e autoconfiança · Impacto na carreira e na performance artística
  • Definição de amor saudávelMissão de ser bom para as pessoas e contagiar positividade · Importância de manter a boa energia na vida pessoal e profissional · Combate à frustração e ao cinismo na indústria artística
  • Influência MusicalCompreensão da mensagem das letras · Enriquecimento da interpretação musical · Seletividade na escolha do repertório
  • Geração de Renda para Novos ArtistasDesejo de estabilidade financeira e conforto · Manifestação e espiritualidade na busca por objetivos · Recusa de objetivos como ir para Hollywood
  • Disparidade Salarial de ArtistasDefinição de limites para a saúde mental e física · Valorização do trabalho e recusa de valores indignos · A importância do descanso e do autocuidado
  • Significância de músicas específicasDesejo de manter ambas as áreas artísticas · Desafios de dedicar tempo igualitário às áreas · Quebra de preconceitos sobre artistas multifacetados
  • Produção musical e criatividadeOrigem da vontade de compor canções · Colaboração com Luís de Sousa e escrita da letra · A importância da palavra 'acrescentar' e do refrão 'parapapá'
Transcrição147 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Ao pé dos corpos, ao pé dos corpos! Era aí que lhe perguntaram, foi? Yes! Mas eu espero viver mais de 100 anos. Ser eu a criar? Fantástico! Não, mas é que foi fantástico! Qual deles? Toma a pica do caralho. Alô, malta! Bem-vindos a mais um episódio do Luta de Artista. Este é um episódio muito, muito especial. E porquê? Perguntam vocês. E porquê? Perguntam vocês!

super arriscado isto podia ninguém responder porque é o nosso primeiro podcast em live com o público ao vivo como ouviram e muito mais especial ainda porque é a antestreia do single e do videoclipe acrescentar amor do grande do único, do ilustre Pedro Maralma Let's go

Pedro, olha, primeiro, muito obrigado pelo convite. É uma honra estar aqui contigo. Obrigado eu. Obrigado eu. Eu, pronto, sabes que eu gosto de ti, gosto de ti como pessoa, gosto de ti como artista e é muito fixe para mim e para a luta de artista, para a Empugna, poder colaborar contigo na tua luta. Portanto, isso é muito fixe. Já me queres pôr a chorar logo no início.

É uma vitória para mim, a verdade é essa. Como é que estás a sentir? Muito feliz, cheio de amor. Quero aproveitar este momento para agradecer a cada uma das pessoas que se dirigiu até aqui para estar aqui comigo hoje. Gosto muito de vocês. Obrigado. Mesmo. Obrigado também a quem está a assistir lá em casa.

e podemos começar vamos a isso então eu gostava de começar assim logo com uma daquelas perguntas abstratas mas pessoais por um lado estás a ver? se tu me permitires permite-nos a nós conhecermos-te um bocadinho melhor nessa vertente é isso, sou um livro aberto gosto, gosto vamos lá

Eu, pelo menos, e muitas pessoas aqui certamente já te conhecem em palco, em cena, conhecemos o teu lado artístico, não é? Por assim dizer. O que eu quero saber agora é quem é que é o Pedro Maralma quando ninguém está a ver. Super tipo. Eu vim daqui a começar logo.

É uma bela pergunta porque eu acho que tenho andado tão focado no meu percurso como artista que se calhar esqueci-me de quem é o verdadeiro Pedro. Não, mas há um certo, às vezes andamos tão obstinados a perseguir aquilo que nós queremos que vamos deixando o nosso eu para trás. Mas não, eu acho que ainda não deixei o meu eu para trás. Acho que tenho tentado estar atento a isso. E eu acho que o eu mais verdadeiro que eu sou, obviamente cá o eu...

Enquanto está em casa, não é? Sozinho.

Que isso ninguém precisa de saber. Não era tão íntimo. Não, mas há o eu social que eu tento manter. E é uma coisa que eu, há dois anos para cá, percebi que é mesmo importante valorizar e não deixar negligenciar, que são as amizades. E eu tento ao máximo estar presente, estar com as pessoas que me amam e que eu amo. Porque acho que é mesmo, as pessoas são mesmo o melhor que nós levamos da vida.

e esse Pedro eu tento preservá-lo na medida do possível há muitas vezes que não posso porque tenho ensaio mas eu tento eu tento gerir as coisas de modo a estar presente dirias que um dos grandes objetivos é preservar o Pedro social com os amigos que sempre lá estiveram e continuam a estar então apesar dos objetivos estarem super delineados e cheio de fome e com vontade de lutar por eles, não perder esse lado teu

Sim, sim. Acima de tudo porque eu sou muito... Isto é um grande clichê, é o Ed She's. Os clichês só existem porque são verdade. Mas eu sou mesmo muito grato pelas pessoas que tenho à minha volta, pelas coisas que fazem por mim. Agora, recentemente com o The Voice, houve pessoas a fazer coisas muito bonitas por mim, que me emocionaram muito. Queres dizer-nos uma?

Não foi muito pessoal, Báscoa. Não, mas coisas simples, mas que para mim são muito bonitas. Fazem a diferença. Sabes que eu... Já agora vamos começar a falar do The Voice, se calhar. Estás livre? Eu é que tenho que me amanhar depois e já saltaste para ir 3 ou 4 perguntas. Não, desculpa. Não, mas voltamos atrás. É muito rápido, é muito rápido. Estás à vontade. Eu, com a minha participação no The Voice, eu estava um bocadinho muito nervoso, obviamente, porque é das coisas mais difíceis que se pode fazer, eu acho, como artista ou como cantor.

É dos maiores palcos também. E envolve muita nervoseira. E quando eu soube a data que ia ser gravada a minha prova cega, eu não quis estar a anunciar. Eu tenho muitos grupos de amigos, felizmente, e de repente ia estar a dizer a 60 pessoas. Se calhar não tantas, mas...

muitas dezenas e eu senti que era um bocado overwhelming para mim. Punha depressão a mais daquela que já estávamos a pôr em ti. Sim, então o que é que eu fiz? Fiz um story muito misterioso. Em que perguntei... No dia 1 de setembro, à tarde, vou fazer uma coisa muito especial para mim. Se estás livre e gostavas de estar presente, diz. Foi uma cena assim.

E porquê que eu estou a dizer isto? Porque as pessoas que reagiram a esse story, algumas foram expectáveis e outras foram surpreendentes. E isso para mim foi muito especial. Perceber que havia pessoas que se calhar eu não contactaria para estarem lá.

e que se mostraram interessadas isso foi muito especial para mim isso foi uma das coisas que me emocionou logo depois as pessoas que obviamente houve muita gente que queria estar e não pôde, esse esforço eu também reconheço quem pôde e esteve obviamente me emocionou muito e agora mais recentemente com Acrescentar Amor quando eu comecei a mostrar a música a alguns amigos houve pessoas que choraram isso para mim é sabes não há palavras sim

agradecer... Primeiro são momentos que eu nunca mais vou esquecer. E depois não há palavras para agradecer isso. Tu veres uma pessoa que tu amas e que te ama, obviamente no âmbito da amizade, mas para mim é amor. Emocionar-se com uma obra tua, porque percebe que tu estás retratado nessa obra e que essa obra é muito especial para ti, essas lágrimas para mim são...

do mais bonito que já me fizeram na vida acho que é daquelas coisas porque esta música, eu consigo falar um bocadinho mais da experiência do que é o teatro ou a representação no geral, e no fundo tanto a crítica às vezes dói-te muito mas como o elogio também se sabe tão bem ou tocares alguém, mas isso se sabe tão bem porque é um bocado quem tu és na realidade e no fundo esta música também ou seja, foi tu, foi tu que a fizeste, é tua e alguém emocionar-se a esse ponto é de já, ah ok m m m

Não é, sabes, é das maiores provas de amizade. Não é que todos tenham de chorar, não é isso que eu quero dizer. Obviamente há muitas formas de sentir e todas são válidas. Mas uma pessoa chorar é sinal que qualquer coisa ali mexeu forte. E ver isso e testemunhar isso para mim é uma confirmação muito clara de que aquela pessoa tem de ser preservada, sabes? Completamente.

Olha, tu sempre foste uma pessoa que eu já dos tempos que... Nós estudámos juntos, para quem não sabe, não é? Juntos, pronto. Em termos diferentes. Em termos diferentes. Mas eu lembro-me perfeitamente, e até já te disse por acaso agora há uns dias, que uma das coisas que eu lembro-me que... Que ficou em termos da tua personalidade, da tua vontade de perseguir na altura, no curso de teatro, mais a representação e continuas... Continuas ser ator, quero dizer. Oh, amigos, que foi? Oh, amigos, que foi? Oh, amigos, que foi?

É só uma coisa de diferentes pais. Prontos. Mas já nessa altura eu lembro-me perfeitamente de, na tua turma, ver-te nos corredores e, atenção, digo isto de uma maneira mesmo boa, ver-te exausto, porque lembro-me, não consigo dizer ao certo o que é que estavas a fazer, mas lembro-me perfeitamente de alguém comentar, possivelmente uma colega tua ou um colega teu, seja o que for, em que tu, para além do exercício da escola que estavas a fazer, que já tinhas, no mínimo, três ensaios por semana, estavas mais metido em mais dois projetos.

e lembro perfeitamente da cena ou seja, da energia de cruzar no corredor, tu esforçares para ser porraer uma boa energia e vias que estavas cansado mesmo fazias esse esforço na mesma ou seja, é sabido, seja por essa experiência seja por outros relatos que já ouvi também que foi acompanhado na realidade em que tu estás muito disposto a trabalhar e ir atrás dos teus objetivos e o que eu queria saber é tens algum limite? Tenho Ok

Tenho e estou cada vez mais ciente dele. Se quiseres dizer qual é? Não, não, é que no início, quando nós queremos muito ser atores e queremos muito profissionalizarmos, nós estamos dispostos a fazer coisas muito malucas e muito prejudiciais para a nossa saúde mental e física. E eu neste momento já não estou disposto a fazer tudo.

Mas eu sei que só estou no pequeno lugar onde estou, neste momento, porque fiz sacrifícios antes. E se calhar sem esses sacrifícios não terias chegado onde cheguei. Não voltavas a repetir, mas ainda bem que os fizeste. Sim. Mas neste momento tenho os meus limites muito mais bem definidos. E às vezes ainda alinho em algumas maluqueiras, porque acho que me vão dar coisas boas. Mas...

mas já não vou a todas. Claro. Não, e já não me vendo. Estou brincando. Eu ainda não sou ninguém, obviamente, mas nós começamos a perceber o mercado, começamos a perceber os valores que se praticam e eu neste momento já não aceito qualquer valor. Acho que há valores que não são dignos. Valores mesmo monetários. Valores por espetáculo. Que não são dignos e que eu neste momento já não estou disposto a fazer. E estou numa fase da minha vida em que...

obviamente quero continuar a trabalhar como artista, mas entre trabalhar por esses valores ou fazer uma pausa, se calhar prefiro fazer uma pausa e trabalhar em outra coisa. Não é que eu queira, não é desejável, obviamente, mas tenho aprendido que é mesmo importante eu cuidar de mim porque já me aconteceu cenas, estar em palco, ter dormido duas ou três horas e sentir que o cansaço afeta a minha prestação e isso é muito mau.

Vai contra todo o trabalho que estás a querer fazer. Sim, e portanto, horas de sono é uma das coisas que eu tenho de... E estou constantemente a tentar passar a valorizar mais, porque é mesmo importante. E qual é que dirias que é o objetivo? Ou seja, não é que haja uma meta final, porque é sempre ongoing, é sempre mais experiências, novas aprendizagens, seja o que for, mas em termos, pelo menos, na representação e no canto, qual é que dirias que é assim aquele goal, objetivo, que tu tens para ti, ou que traças para ti?

porque é que este sacrifício vale tanto a pena é para chegar aonde? aonde? podes dizer aonde? nesse contexto podes dizer aonde sabes que isso é uma característica sobre mim já agora, se não fosse artista acho que seria tradutor ou revisor de textos porque é uma coisa que me apraz bastante não, mas é mesmo obrigado

Onde é que eu quero chegar? Nós temos sempre de manifestar muito, né? Dizem que temos de... Dizem que ajuda, né? É. Mas eu acho que não vou fazer isso. Ou seja, vou ser sincero. Por exemplo, não me imagina ir para o estrangeiro. Para já. Se calhar há pessoas que querem ir para a Hollywood. Eu neste momento não tenho esse objetivo. Posso vir a ter, mas neste momento estou muito bem em Portugal.

Agora, o que é que eu quero? Onde é que eu quero chegar? Quero ser artista e ter um vencimento digno ao fim do mês, que me permita ter algum conforto, que me permita viajar de vez em quando, que é uma coisa que eu não faço há seis anos, viajar para fora do país. Um bocado de controle, então, sobre também o tipo de trabalho que se criar que aceitas, o quão confortável eles são e sobre a tua vida pessoal, no fundo também. Sim.

Sim, quero... Não preciso de luxos, mas... Gostava muito que ser artista, ator, cantor, o que seja, me desse... A estabilidade. Sim, me desse rendimentos suficientes para ter uma vida minimamente confortável. Minimamente. Mas claro que vou manifestar muito e muito e abundância e tudo. Mas manifestas ou não? Manifesto. Sou um bocado espiritual.

És ator também, portanto és artista. Mas às vezes faço aquelas cenas se calhar um bocado pirosas de olhar para o céu e pensar coisas. Sou essa pessoa. E agora faço uma coisa um bocado... Adivinha? Sou carneiro. Mas tenho venos em peixes.

Isso diz tudo. Não sei o que é que... E agora faço uma coisa muita fuleira, que é, eu desde que tenho a música no telemóvel, eu ouço a todos os dias para ir cinco vezes por dia, no mínimo. E faço uma coisa boeda pirosa, mas é o que é, vou assumir. Que é estar na rua, ouvi-la com fones. E a música é esperançosa, depois vocês vão ter a oportunidade de ouvir. E vou olhar para as árvores, para os passarinhos.

E a agradecer a vida que tenho e a manifestar coisas boas. Sou esse piruzão, sou, sou, sou. Estou a precisar de mais água, desculpa. Produção! Muito obrigado, Inês. By the way, tanto os clichês como essas piruzices, para mim, na minha opinião, são tudo coisas deliciosas e fixas. São boas, são coisas boas. Sim, vem de um sítio sincero.

Pronto, é ótimo, eu acho. Eu queria saber, enquanto artista, que sabes que todo este conceito à volta do podcast e da impugna no geral, tenta muito ir a essa realidade mais crua e mais pessoal do hustle, da luta do artista. E eu pergunto, tu tens alguma insegurança enquanto artista que identifique qual é a sua tua principal?

Essa era a base. Todos temos. Qual é que é? E como é que tens vindo a trabalhar nela? E se já ultrapassaste ou não? Diz-me coisas. Tenho várias inseguranças. Vamos mesmo falar sobre isso. Algo muito destaques. Podemos falar, podemos falar. Já que insistes.

opa, posso começar por falar de uma insegurança que eu acho que toda a gente, ou quase toda a gente tem, que é, às vezes não me sinto bonito, atenção calma, eu às vezes gosto do que vejo ao espelho, ou nem câmeras, ou o que seja mas há momentos em que não me sinto, e a imagem é uma coisa que para os artistas é importante, pronto isso poderá ser uma das inseguranças, às vezes pronto, mas é uma coisa

Como ator, tens sempre medo de não ser suficiente, né? E de, principalmente em processos de ensaio, de ser canastrão. Mas faz parte. E sentes que tens tido uma curva de evolução no que toca aceitar mais essas inseguranças? Ou elas estão cá e estão para ficar e é o que é? Cada vez mais vou aceitando, sim, claro. E sabendo lidar? Claro. À esperança, boa.

Como cantor, ainda tenho imenso a evoluir, muito mesmo. Estou precisado também ter esse tal conforto económico para, por exemplo, voltar a ter aulas de canto, que é uma coisa que eu quero muito ter, voltar a ter. Muito mesmo.

O empalco, obviamente que a experiência nos vai dando uma certa solidez nas coisas que fazemos, mas há sempre o risco. Como artistas nós estamos sempre sujeitos ao risco. E quem canta, e quem é nervezeiro como eu sou...

Quando se canta, os nervos estão sempre numa cena que põe-te num sítio bué sensível, bué vulnerável e facilmente deslizas, sabes? E uma das coisas das quais eu mais me orgulho no The Voice foi precisamente de ter conseguido fazer três postações sem a voz me falhar. Obviamente não foram perfeitas, obviamente haveria coisas a melhorar, sem dúvida, mas orgulho-me muito.

consigo olhar para aquelas situações e ouvi-las e vê-las e ok. Foi razoável, bom. Tu tiveste o Vitório Lemos como professor, não tiveste? Sim. Eu acho que é aquela coisa de... Eu acho que vai ter, segundo o que ele diz, e faz-me sentido, vai ter sempre a ver aquele abismo.

a sensação de abismo, de falta de controlo, tens de confiar nos teus instintos, no teu trabalho de laboratório seja o que for, e lançaste eu talvez ache que pode existir aquele conforto em estares mais desconfortável talvez esteja por aí sem dúvida mas esse desconhecido vai sempre estar lá

É, mas é isso mesmo. Vais ficando cada vez menos desconfortável, mas há sempre um perigo. E qual é que dirias que é a tua maior força, enquanto artista? Diz à vontade, não há cá força. Como artista? Ou como pessoa, não é? Está muito ligado. Acho que se sois no hino...

Acho que não... Acho que tento ser transparente. Como artista, acho que sou trabalhador. Tento não me encostar. Obviamente também tenho os meus momentos de procrastinação, mas...

Mas tento estar ativo e fazer pelas coisas e lutar, ir à procura e pesquisar e fazer mais coisas e mandar o barro à parede e bater à porta. É, claramente. Isto foi tudo organizado por ti, portanto, parabéns-te por isso e por muita coisa. Obrigado. Esta é daquelas que eu queria mais perceber de que maneira é que podia influenciar ou não, mas acho que deve ter tido uma boa diferença. Tu já és cantor há uns largos, largos anos.

A minha pesquisa disse-me isso. Cantor amador. Comecei a cantar de forma amadora aos 11 anos. Portanto, há 15. Tenho 26. Só comecei a receber cachês. Pequenos cachês. Como cantor, aos 18. Ok. Portanto, acho que aí...

Meio que me tornei cantor profissional, mas eu aos 18 ainda tinha mais do que tenho agora para aprender. Eu nem preciso ir à par dos cachês, basta dizeres-me que há tanto tempo que tens aulas de canto, que cantas em público, que para mim já é uma coisa ok, já canto há muito tempo nesta área. E a representação apareceu um bocadinho depois. E o que eu queria perceber é de que maneira, porque eu acho que são coisas, ou seja, porque estás em palco, estás a interpretar a tua música, estás a ser ator também.

De que maneira, o máximo específico que consigas dizer é que as aulas de teatro, os workshops de representação, influenciaram a tua presença em palco como cantor. Muito. Muito. Muito mesmo. Sabes que eu agora olho para trás e vejo que quando eu cantava, quando era adolescente, eu muitas vezes não sabia o que estava a dizer. E como cantor é muito importante tu perceberes a letra que estás a cantar.

Isso é uma das coisas mais valiosas que se aprende quando se estuda teatro. É tu perceberes o que estás a dizer. Tu tens de perceber cada palavra que estás a dizer. Se não percebes, tu não vais ser bom ator. Isto é claro como água. A menos que te finjas muito bem, mas acho difícil. Não me dubstimes. Muito obrigado. E como cantor, eu acho que isso também enriquece imensas interpretações.

Tu saberes que mensagem que estás a transmitir é fundamental. E o teatro trouxe-me isso, sem dúvida. E, portanto, agora... Imagina, há canções que eu cantava quando era adolescente que eu agora já nem me atrevo muito a cantar, sabes porquê? Porque percebo o que é que elas querem dizer. E acho que não tenho a bagagem para cantar aquilo. Não viveste ainda o suficiente. Então agora sou mais seletivo naquilo que canto. Porque faço questão de perceber o que estou a cantar.

Sabes que eu já tive esta sensação de ficar com inveja de certos cantores e tudo mais. Eu não canto bem. Mas parece-me que... Ou será que canto? Mas parece-me que... Este riso se calhar foi bem alto para este microfone. Não, o Joaquim... Ele resolve. Sabes que eu sou muitas vezes chamado a atenção pelos meus risos altos. Pelos gargalhados. Por falar alto. Eu tenho uma voz de trombone. É uma técnica exímia que tu tens.

É bom quando se está em palco, mas quando se quer ser discreto... Falha-se um bocado. Shining. Mas sabes porque, no fundo, às vezes vejo certos concertos, seja o que for, e parece-me que é do género. Então se foste tu a que escreve... Chegou um convidado!

Nós fizemos aqui este jingle para agora entrar. Havia um papel a dizer para não tocar a campainha. Agora vamos ver quem foi a pessoa que não leu. Aliás, podemos parar tudo e ficar só tipo... Isso era delicioso por um lado. Mas temos um horário a compreender. Sim, temos telespectadores. Mas eu fico com aquela inveja que é do género. Ok, este artista, este cantor que está aqui, pelo menos o cantor, está...

a interpretar a música dele, a curtir como ao caraças, mas com uma liberdade muito maior do que um ator numa peça de teatro, por exemplo. Porque um ator numa peça de teatro, ou seja, quando chega ao palco aquilo é teu. Pronto, ok, o que tiver que acontecer acontece. Mas tens um encenador que vai dizer como, ou seja, o que é que resulta, o que é que não resulta. É a visão de um encenador. E tens um texto que te põe...

Olá, bem-vinda. Está-se bem. Isto é um podcast descontraído. Exatamente. Até vou pôr o batom de cedo. Aqui podes estar na luta de artista. Temos de ser reais. Estou com os lábios secos. Para que ficar com eles secos até o final? Exato. Mas pronto, é uma coisa que eu garro também nos artistas musicais. Parece que há mais liberdade em interpretação. Claro que sim.

Depende, a menos que estejas a fazer um monólogo e aí tens All Eyes on You, né? Mas Também há pressão, ok Sim, há uma liberdade maior, mas também há uma pressão maior Estás quase sempre a fazer monólogos E há uma coisa lixada Que é, tu como ator se tu te esqueceres do texto, se tiveres ferramentas consegues dar a volta, consegues improvisar consegues dizer sinónimos A cantar, se tu te esqueces da letra

tipo toda a gente sabe que ardeu alfaz do larará que toda a gente percebe isso é uma amuleta? costuma ser uma amuleta? tipo porque às vezes acontece as pessoas a fingir que era suposto ser assim não é? sim pá sim e às vezes ou então cantem vocês agora vocês mas usando as coisas que podes mas

Olha, mantendo agora nesta dinâmica entre teatro e música, ou representação e música, eu tenho aqui uma pequena pergunta selecionada por um dos membros do nosso público, e a pedir que lhe passasse o microfone, se faz favor. Sem pressão, a pergunta não é nada intimidante. Então, se pretendes conciliar a música e a representação, e pergunta de milhões, se só puderes escolher um, qual seria?

ser artista é ser livre portanto eu não vou escolher só um

TEM! Se pretendo conciliar, sim. Sim. Mas vou deixar que a vida me vá mostrando o que é que faz mais sentido em cada momento. Como muitos de vocês sabem, eu nos últimos cinco anos estive mais focado no meu percurso como ator. Agora, se acrescentar amor, me trouxe sérias oportunidades como cantor.

eu vou abraçá-las e vou ver para onde é que a vida me leva, mas sim, gostava de continuar a ser as duas coisas e tenciono continuar a ser as duas coisas. Mas tivemos uma respostazinha, a verdade é essa, se acrescentar amor. Ah, sim, sim, sim. Mas, ou seja, não quero abandonar nenhuma das áreas, mas...

A verdade é que é muito difícil tu conseguires estares 50-50 nas duas. Sim, é a mesma porcentagem de presença, não. Vai haver momentos em que estás mais num lado, vai haver outros em que estás mais no outro e é o que é, e não deixas de ser as duas coisas, acho eu. E respeito a tua coragem por te lançares assim, estás a ver, tipo, à vontade. Sim, e eu sei que isto me pode fechar portas, porque há pessoas preconceituosas no nosso meio como atores e sei mesmo, tenho plena consciência disso mas sabes o que é que sabes que mais? Estou-me a cagar. Oh yeah! Come on!

Porque isto... Não, porque acho que as oportunidades que tiverem de acontecer, acontecerão. As pessoas que quiserem trabalhar comigo, quererão. E se eu estou a sentir que quero fazer isto, se é uma coisa que vem do coração, que é sincera, que vem de uma vontade muito grande...

porque é que eu vou estar a fingir que não quero ou a fugir dela? 100% Eu quero ser verdadeiro e quero realizar aquilo que o meu coração me diz E portanto, eu sei que isso acontece Há pessoas que acham que quem canta é menos bom ator

Isto acontece, não é mito, acontece. Mas, assim, é o que é. Essas pessoas que vão à vida delas, eu faço a minha e... Ah, e estás cá para quebrar esses mitos também, com muita vontade de trabalho e... Sim, sim. E eu ainda acredito que há muita gente que não tem este preconceito e, portanto, conto com essas pessoas para me darem trabalho. Ouviram? Continuando neste percurso... Estou a ser um bocado diva. Não, não, não, não.

Se eu começar a cair nisso, digam que eu não quero parecer Não, não, não. Estás a ser autêntico e é real e está uma conversa real e é isso que a malta quer Ok, não quero... Estás ótimo, estás ótimo The Voice, agora sim chegamos à pergunta do The Voice

Eu queria perceber de que maneira é que isso mudou. Aliás, vai na volta, até foi um ponto essencial para se calhar isto tudo acontecer agora que está a acontecer. Não sei, mas de que maneira é que isso mudou o teu percurso. A tua carreira, neste caso mesmo. Sim, olha, o meu principal objetivo quando me inscrevi no Da Voice foi conseguir...

Lidar melhor com os nervos. Porque os nervos, principalmente a cantar, são uma coisa que mexe muito comigo, agora menos, mas mexia muito. Mas mexia mais antes, era? Sim, sim, sim. Antes de passar pelo Da Voice, mexia mais, sim. Era mais vulnerável a eles e eles afetavam mais a minha prestação. E aquilo irritava-me imenso, sabes? Estares em casa a ensaiar, sabes que consegues fazer as coisas, depois chegas à hora H, uma audição ou um concerto e não consegues, é muito frustrante.

Eu já não estava a aguentar essa frustração. E pensei, pá, tenho de mudar isto. E vai ser... Com terapia de choque. Terapia de choque. É isso mesmo. Então pronto, vou enfrentar o maior palco do país. E se eu conseguir superar essa aventura, esse desafio, acho que vou conseguir superar outras coisas. E de facto, quando voltei a pisar o palco, mesmo a representar, depois de ter passado pelo Da Voice, senti muito menos nervos. Portanto, missão cumprida. Missão cumprida. Parabéns, Fogo. Não é qualquer pessoa que...

Mas aquilo é... esquece, é horrível. É horrível, tens o coração a saltar-te pela boca e... é horrível. Mas a malta aguenta sempre, nunca assim. Às vezes há... Há barracas, mas eles protegem-se. Há malta que tem brancas na letra, que a voz falha. É horrível. Mas aquilo passa, eu admito que não fazia assim tantas vezes. Todos nós passamos por isso, sabes?

Portanto, eu não acho que as pessoas sejam menos dignas ou menos válidas por passarem por isso. É preciso sorte. Também é preciso trabalhares e teres a música muito bem ensaiada para a coisa correr bem. Mas também é sorte, também é o teu cérebro naquele dia estar disposto a ajudar-te. E tu fizeste algum tipo de comportamento diferente para, neste caso, conseguires aguentar o da voice e não cederes a esses nervos? Tipo, sei lá, uma rotina mais saudável, seja o que for. Mudaste alguma coisa?

Passei a tentar dormir mais, beber mais água, sei lá, essas coisas básicas. Alimentar-me melhor, evitar saídas à noite, essas coisas. E depois para superar os nervos, foi tipo, Pedro chega, chega não, basta. Pedro, basta! Pedro!

Pedro, basta de te deixares afetar por isto. Tu és melhor que isto, tu consegues. Tentei munir-me destes pensamentos. A tal manifestação também, não? Sim, para conseguir superar aquilo. Mas de qualquer forma, na prova cega tive de ter os olhos fechados, não desmanchava-me.

Só abri os olhos no fim. Prova cega. Ouvi uma cadeira a virar, não sabia quem era, nem queria saber, só queria conseguir cantar aquilo até ao fim bem. Depois no fim abri. Mas depois, a partir das batalhas, já consegui abrir os olhos. Lá está, a superação aconteceu. Pois, a ação é muito importante para a malta conseguir, ou seja, o fazeres as coisas e tu provaste a ti mesmo, a tua mente, ao teu corpo, porque ok, eu passei por isto. Já há uma energia diferente em ti, não é? Sim, sem dúvida.

Eu queria saber agora, focando-nos um bocadinho mais sobre a principal razão que nos trouxe aqui, que é acrescentar amor, o que é que este título, esta frase, significa na tua vida?

Significa aquilo que eu tento fazer em todo lado. Eu não sou um anjinho. Também tenho pensamentos intrusivos e coisas diabólicas dentro de mim. Mas tento, porque acho que para mim a vida só faz sentido assim. A tentar ser bom para as pessoas. Porque também acho que isso contagia. Quando és bom para as pessoas, tens mais chances das pessoas serem boas contigo.

Pá, gosto de estar rodeado de pessoas que estejam bem dispostas, que estejam com uma boa energia, tanto na vida pessoal como na vida profissional. Portanto, o que eu tento, na medida do possível, na medida de um ser humano, é tentar acrescentar amor, ou seja, tentar acrescentar uma boa vibe, sorrisos, uma boa energia, é o que eu tento.

Eu ainda há bocado estava a comentar, até acho que foi com a Joana, não me lembro, e Gabto, por essa ser uma das tuas missões, porque eu acho que uma das coisas, pelo menos na minha interpretação, acontece às vezes aos artistas, e até a malta que já está há muito mais tempo do que eu nesta luta de artista, é que como é uma indústria tão pequena, cheia de injustiças, que a malta esforça-se imenso, e muitas vezes é muito boa.

e não tem o reconhecimento que tem, muitas vezes certas pessoas até ficam um bocado mais cinzentas ou um bocado mais... não sei, menos alegres, menos contentes. Então, tu teres esse moto, por assim dizer, de acrescentar amor e estares completamente na luta como tu estás pelos teus objetivos, acho que é uma grande coisa para manter. Eu acho que isso também atrai coisas boas. Todos nós, como artistas, passamos por momentos de grandes frustrações.

Mas se tu deixares que isso te domine e passares a encarar os outros e a lidar com os outros, com essa frustração... Perdeste o jogo também um bocadinho. Pá, perdes, perdes oportunidades, só vais afastar pessoas. Portanto, quanto mais tu puderes tentar acrescentar amor, melhor a vida, possivelmente. Depois depende tudo de vários fatores, mas possivelmente vai correr, acho eu. Concordo completamente.

Qual é que dirias que foi, aliás, o principal desafio? Isto é um tratamento luxo aqui no Clima Lab. Isto aqui é qualidade e sim, meu Deus. É verdade. Vou fazer bué xixi depois disso. Exato. Qual é que dirias que foi o principal desafio na criação da música, do videoclipe? Eu acredito que tu tiveste 100% metido em tudo, não é? Certamente houve altos e baixos no que toca a esse processo. Ou foi assim até natural? Foi tudo...

Não me digas que... Não, não, não, claro que teve altos e baixos. Quer dizer, por acaso até foi... Até corro bem, sabes? Já agora vou contar a história, porque nem toda a gente sabe. Isto surgiu com o The Voice. O The Voice já me tinha dado muita motivação para regressar a esse sonho que eu já tinha tido antes da pandemia até.

Como é que surgiu... Vamos ao início, se calhar. Como é que surgiu esta vontade de compor canções? Surgiu aos 18 anos, quando eu mudava com pessoas, começaram a escrever poemas e começava a ser uma cena boia-fix. Então, tipo, eu tinha um caderninho, à 6, e tipo, ia para o café e escrevia poemas. Um bocado maus, alguns, mas...

Isso foi o início, foi tipo, escrever poemas depois fazer posts no Instagram com os poemas agora olho-lhe para trás e fico tipo mas pronto, fez parte do percurso Isso foi o início, depois em 2019 ai, se caralho já estou a revelar o é mas...

I don't care. 2019, 2020 tive o meu primeiro desgosto amoroso e aquilo bateu-me como um cometa. Mas estes momentos de grande sofrimento dão-me muito sumo. É material. Muito sumo criativo. E então aproveitei e escrevi poemas a pensar nessa pessoa e os primeiros rascunhos de música surgiram aí. Pronto.

Depois tive umas aulas de songwriting online na altura da pandemia, que me deu algumas noções de o que é que é uma estrutura de uma música e tudo isso. E consegui fazer qualquer coisa, mas sentia sempre que não conseguia finalizar. Embora eu tenha alguma formação em música, sentia que não tinha formação suficiente para conseguir finalizar a parte musical das músicas. A parte musical das canções.

Portanto, arrumei um bocadinho esse sonho, depois fui tentando pensar no que estava a fazer na minha vida, estava a tirar uma licenciatura na Faculdade de Letras nessa altura e estava um bocado aborrecido, aquilo estava a ser muito teórico, sabia que aquilo não me ia dar oportunidades profissionais, comecei a perceber que mais valia investir naquilo que me fazia feliz, fiz um workshop de teatro com a Angela Pinto, que está aqui.

Hoje comigo. Com ela, com a Teresa Corte Real, com o Guilherme Filipe. Depois desse workshop fui para a Inimpedos, fazer o curso de ator de três anos. Profissionalizei-me como ator e são estes cinco anos. Estes últimos cinco anos foi isto. Foi workshops, formação como ator, trabalhar como ator, tudo, tudo.

E depois, o sonho do The Voice nunca tinha ficado esquecido. Eu aos 16, 17, 19 anos, sim, eu sou esta pessoa que sabe as datas e os anos. Conquerri ao The Voice e não passei, e ainda bem. Porque acho que não teria bagagem para aguentar aquilo e para fazer uma boa figura, ou uma figura da qual eu me orgulhasse hoje. Depois voltei a tentar em 2024 e não fui aceito, já estava na fase final, não interessa.

Depois tentei em 2025. Porque era uma coisa pela qual eu queria passar, mesmo que o meu foco fosse ser ator, eu queria passar por aquilo.

E a experiência deu-me essa vontade de voltar a compor. E aconteceu uma coisa muito bonita, que eu agradeço até hoje, porque foi esse o ponto de partida para acrescentar amor, e se isso não tivesse acontecido, acrescentar amor não existia, que foi um amigo meu da Figueira da Foz, que é o Luís de Sousa, que foi um guitarrista com quem eu toquei várias vezes, quando andava num coro, ele às vezes tocava com o coro, toquei em algumas bandas com ele também, alguns concertos, não sei o quê.

E ele contactou-me a dizer que tinha gostado muito de me ver no programa e que tinha uma música dele que gostava de me oferecer. Que sonho, não é? É um sonho, tipo, tu quereres de lançar músicas originais, começar a investir nisso e teres uma pessoa que te oferece uma música. É mesmo um sonho, é uma dádiva, pronto. Um sinal. E a música estava parcialmente composta, já tinha a base instrumental, tinha uma proposta de melodia.

E ele desafiou-me a escrever a letra porque essa é a parte em que ele é mais frágil, as letras, e a parte em que eu sou mais frágil é a música. Portanto, juntámos esforços, valências e foi muito bom. Eu escrevi a letra, compus o resto da melodia também, e a letra escrevia numa tarde. E surgiu de uma forma muito espontânea. Aquela música transportou-me logo para um lugar, sabes? O instrumental, aquela guitarrinha.

e depois fui cantarolando e a letra foi surgindo

O eu foi logo a primeira palavra que surgiu. Eu, sabes? Uma cena de... Estou aqui. Isso parece-me a maneira ideal, ou seja, eu nunca escrevi numa música, ou seja, ou seja, mas parece-me, imagino que é um processo criativo na mesma, que muitas vezes começa a ficar, se calhar, mais doloroso quando a malta tenta racionalizar demais e festas e coisas. Sim, sim, sim. O que foi dessa maneira parece-me quase... Sim, foi muito, foi um bocado...

Também, na verdade, foi um bocado porque eu às vezes deixo as coisas um bocado para a última.

Eu no dia a seguir ia para estúdio com ele. Eu ainda não tinha a letra escrita, portanto, tinha mesmo de acontecer naquela tarde. Só o dia instinto a seguir. Tinha mesmo de acontecer, mas aconteceu sem muito esforço. Isso é fixe. Deu ter sido com esforço e não foi com esforço. E acho que é por isso que a letra é tão pessoal e orgânica.

E depois, uma das coisas que eu mais me orgulho de ter surgido nesse processo de criação, foi a palavra acrescentar. Porque eu estava a chegar ao refrão, estava a escrever o final do pré-refrão, e agora precisava de uma palavra forte. Pensei, pensei, e depois acrescentar.

que é uma palavra que tu não vês em muitas músicas. É verdade. Eu fiquei, já que fiz? Porque é uma palavra forte e marca logo aqui uma coisa, não é? É. E depois no refrão, como é que surgiu o pá, pá, pá, pá? Todas as pessoas que eu já vi que ouviram a música, ou nós andamos a fazer os testes e ouvimos, fica em toda a gente. E sabes o mais engraçado? É que foi só porque eu não sabia que letra escrever no refrão. Ah!

Então foi o truque? Foi, porque eu cheguei ali a um ponto em que já não tinha mais para dizer. Achava que já tinha dito tudo e pensei... Why not? Acho que sim, acho que funciona. Mas caiu bem, caiu muito bem. E se queres que diga, mesmo a acrescentar é giro que tu fizeste questão agora de isolar a palavra e dar-lhe... Nós antes de começarmos esta conversa, veio cá um amigo e colaborador aqui da Malta do Clima.

e estivemos a falar especificamente dessa palavra porque ele é inglês e traduzir para inglês é estranho, não é? é tipo, ads ele estava a atrofiar porque acrescentar é específico em português é gira que agora tens dito isso fica, de alguma maneira ficou sim, sim, sim e esta música é a obra que eu mais me orgulho ter criado na vida

Ou seja, não criei muitas obras, mas de tudo o que fiz artisticamente na vida, isto é a coisa da qual eu mais me orgulho. Porque acho que tem uma letra super pessoal e sincera, autobiográfica. E depois consegui, também porque o Luís de Sousa fez este instrumental lindo, que a canção fosse comercial.

Depois o Parapapá também deu essa parte comercial. E é fundamental a parte comercial, quer queramos, quer não. Completamente é o equilíbrio entre... Eu também tenho muita esperança que esta canção me dê alguns rendimentos. Gostava muito. Estamos a trabalhar para isso. Por isso...

orgulha-me muito por isso, sabes? Porque acho que é um produto com potencial, comercial, e acho que é muito sincero. E, portanto, estou mega orgulhoso. E depois, a ideia para o videoclipe, também falaste isso há bocado, acho que eu, vou dizer muito rapidamente. Não precisa dizer rapidamente. Isto é tudo sobre o cinema. Não sei. Estás à vontade. Eu falo imenso, não é? Muito bem. O videoclipe... Vou dizer-vos de onde é que isto vem.

Eu tenho os pais separados e a família do meu pai e a família da minha mãe estavam de costas voltadas há 13 anos, não sei, 13. E no The Voice há uma sala das famílias. Pois, sim. E o máximo são três pessoas.

E eu queria que fossem pessoas da minha família, era como fazia sentido. Eu tenho três irmãos e podiam ser os meus três irmãos, só que eu tenho uma irmã que nesse dia estava a viajar e ia chegar tarde, ou seja, não ia dar para serem os três. Eu não queria pôr só dois.

Então, well, mãe e pai, vão ter de ser vocês, arranjem-se. E no início foi muito constrangedor para eles, mas depois amenizou. E depois com as batalhas e com os tirateimas houve uma reconciliação, que é, imaginem, né? Por uma pessoa que durante 12 ou 13 anos teve de gerir duas famílias que se evitavam e que se afastavam. De repente, esta participação na The Voice, além de tudo o que me trouxe a nível artístico, ter-me trazido uma reconciliação da minha família é...

muito emocionante e maravilhoso e portanto este acrescentar amor fez-me... ai

Este acrescentar amor fez muito sentido que fosse com eles. Portanto, o videoclipe foi pegar na minha família, juntá-la toda, o núcleo, os meus pais, a minha madrasta e o meu padrasto, os meus irmãos, os meus avós, pegá-los, pegar neles, pô-los num teatro e fazer umas brincadeiras com eles que resultaram neste videoclipe. Está muito fixe. E está... Uuuuh! Estiveste muito bem, estiveste muito bem.

Obrigado pelas partilhas honestas. Obrigado. Eu não consigo ser de outra forma. É isso. Eu devia ser mais discreto, mas não consigo. Isso é ótimo. E olha, por coincidência ou não, ou por distinto seja o que for, a nossa próxima pergunta do público tem tudo a ver com o videoclipe que eu vi há bocadinho e que calhou super bem. Foi escolhida antes, mas calhou super bem. Portanto, vamos dar a oportunidade aqui.

Vê lá o que é que vais perguntar. Não, não, não. A tua frase. Tem a ver com a família. Curiosidade se tiveste o apoio da tua família e neste percurso todo criativo e o quão importante é que isso foi para ti, se o tiveste.

Sim, tive a 100% e foi muito importante. A família não tem de ser sempre, a família biológica não tem de ser sempre o nosso porto de abrigo. Há famílias que são muito más para as pessoas, mas tenho a sorte de ter pessoas muito bondosas comigo. As pessoas da minha família querem-me muito bem, eu também lhes quero muito bem. E o apoio deles foi fundamental, tanto na fase do The Voice...

como agora na fase de acrescentar amor. Também porque... E já agora eu gostava de tocar aqui num ponto... Faz a vontade. Que me incomoda e que me inquieta muito. Esta área mesmo muito injusta. E mesmo muito elitista.

E eu só estou a poder fazer isto porque tenho a sorte da minha família ter poupado algum dinheiro para mim e ter feito uma reserva à qual eu fui buscar o dinheiro para investir nesta canção. Porque fazer canções é muito caro. É sempre quatro dígitos. No mínimo.

E, portanto, sou um privilegiado. Obviamente há pessoas mais privilegiadas que eu, há pessoas com mais cunhas, com mais dinheiro, mas eu sou. E entristece-me muito. Queria só tocar neste tema, porque acho que é importante falar sobre isto. Há muita gente com muito talento que não pode.

fazer. Não pode lançar músicas. Ninguém ajuda, ninguém oferece. Sabes? É mesmo tramado. E como atores também. A profissão de ator também é muito elitista. E há muita gente com muito talento que desiste porque não dá.

Tu como ator, tu no início tens sempre de fazer investimentos. Tens de investir na formação, se não conseguís entrar nas escolas públicas, que mesmo assim podem ter propinas. Tens de investir em cursos que são caros, tens de investir em workshops para te dares a conhecer, porque hoje em dia o meio funciona assim. É muito tramado.

Portanto, eu sinto-me um privilegiado. Mas voltando ao apoio da família, foi fundamental também, nesta questão de ter sido a minha família que fez esta reserva para mim, obviamente, que sem essa reserva isto não estava a acontecer. E depois eu fiquei um bocadinho, às vezes, inquieto com os valores, porque não conhecia, são valores muito altos.

E obviamente socorri-me da mamã, né? Nestes momentos é, mãe, o que é que tu achas disto? É uma loucura, né? Mãe e o resto da família também. Mas, e foi a minha mãe que me disse, olha, se batesses com o carro, gastavas isso no mecânico. Não batas com o carro. Pois, agora não posso, né? Pronto, e esse relativizar foi muito importante.

há pais que não são assim, não é? É, super bonito. E agora estou, já agora, aproveito para fazer publicidade, faço parte da assistência de encenação juntamente com a Ângela do Clube dos Poetas Mortos. E no Clube dos Poetas Mortos há um pai que é altamente castrador.

altamente horrível e embora aquilo se passe nos anos 50 nos Estados Unidos, hoje em dia em 2026 em Portugal, há muitos pais assim que castram os filhos que estrangulam tudo o que os filhos podem ter de bom para dar e é muito triste pronto, só queria dizer isto não, respeito

Analisando a tua música, eu gostei muito e viu-se que era muito tua e com o que eu conheço a tua pessoa, achei mesmo que estava real, estava orgânico.

Mas houve ali uma frase que me deu curiosidade de perceber, um bocado melhor. Ou de que maneira? Talvez porque também me consiga identificar em parte e que queria perceber a curva dela. Tu dizes, a farsa eu queria ser. Não é? E depois...

por todo o desenrolar da música, mesmo pela nossa conversa agora, pelo que te conheço, orientaste-te para o teu eu mais verdadeiro, ou o caminho? Não, não é pela farsa, é por quem eu sou mesmo, daí estas coragens todas, isso tudo. De que maneira, ou seja, o que é que isto significava antes para ti, e de que maneira em específico é que essa mudança, ou seja, como é que reconheceste que tinha de ser por aí? Pai, isto tem muito a ver com a minha orientação sexual, vamos ter de falar disso.

Pronto, eu sou gay e... E há uma coisa que, infelizmente, mesmo uma pessoa nascida em 2000, que supostamente já é o século XXI, já não devia ter de passar, mas passei. Passei. Pode ter a ver com o facto de ser na Figueira da Foz, que é a cidade que é, que é mais pequena que Lisboa, tens mentalidades um bocado mais fechadas, mas eu acredito que em Lisboa também aconteça. Portanto, não é tanto pelas cidades. Mas...

Eu na Figueira da Foz tive de ser uma farsa. E eu amo a Figueira da Foz. É o sítio onde, quando eu chego, sinto casa. É lá. Mas as pessoas da Figueira da Foz, enquanto eu era adolescente e criança, não todas, mas muitas, se calhar sem saberem, fizeram-me mal. É tão simples quanto isto.

Porque a sociedade é muito cruel. Mesmo. Falta de educação também, não é? Sim, sim. Mas as coisas não estão a melhorar, infelizmente. E é muito angustiante ver o panorama atual político e etc. Eu tive de ser uma farsa. Por uma questão de sobrevivência. Ou seja, primeiro, não me foi dada a liberdade para eu me descobrir.

Não estou a falar necessariamente em casa, embora a minha família também é fruto de uma sociedade, também é fruto de uma cultura. Também tinha os seus preconceitos que, entretanto, felizmente os construíram. Essas coisas mais bonitas, quando uma pessoa não tem aquela capacidade por si só, mas por amor, neste caso ao filho, ou seja, quem for, aprende. É bonito, sim. Teve um caso na minha família também que é incrível. É bonito, mas era bom que não fosse preciso haver alguém na família, não é?

Ou seja, que já houvesse... Era bom que as pessoas conseguissem desconstruir sem ter de lhes bater à porta. De quando era? Desculpa. Há pessoas, há pais e avós que na família ou não têm gays ou têm, mas estão dentro do armário. Sim. E esses pais e esses avós...

Nunca tenho de fazer o esforço. Esse tal esforço. E dá-me pena, porque essas pessoas, muitas vezes, são homofóbicas e nunca vão deixar de o ser porque nunca lhes bateu à porta. E depois há aqueles casos horríveis, que é quando lhes bate à porta e continuam a ser homofóbicos e transfóbicos. Mas sim, isso é daqueles... Ou seja, quando isso acontece, é uma boa lição de vida para... Ah, agora que é a tua pessoa, se calhar tens de fazer o esforço para quebrares os teus tabus que tu tinhas para ti, seja o que for.

Pronto, e é isso. A farsa tem a ver com o que eu tive de tentar seryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryouryour

E foi um processo até inconsciente de... Ou seja, esta merda das homofobias e das intolerâncias estão tão impregnadas na sociedade que tu como puto, tu começas a acreditar em mentiras, sabes? Eu acreditava que era hétero, sabes? E acreditei até aos 18. Que é boeda estranho, não é?

E porquê é que isto acontece? Porque a sociedade põe-te uma pressão tal para tu teres de corresponder aos padrões que tu começas a acreditar numa mentira. Isto é mesmo bizarro, mas acontece muito. É complexo. E então foi isso. Eu fui a essa farsa. Ou seja, acho que a minha essência mantém-se e eu acho que... Eu tenho amigos desde que era amigas, principalmente, porque...

As mulheres são muito mais tolerantes que os homens afeminados são. E mantenho-as até hoje e a minha essência, eu cresci com elas, mas a minha essência mantém-se mais ou menos. Mas havia uma capa por fora, embora a essência estivesse lá, havia uma capa por fora, que era a capa do hétero, que eu tentava ser com muito esforço.

E sofri de bullying na mesma e chamavam-me panoleiro na mesma. Pronto. Eu tentava, mas há coisas que não dá para tapar, não dá para esconder. E, portanto, foi essa farsa da qual eu me libertei felizmente. E eu só gostava que neste mundo toda a gente se pudesse libertar. Porque, pá, é horrível. Tu viveres numa mentira é horrível.

Portanto, essa libertação foi fundamental, faz parte da minha identidade de uma forma muito vincada e claro que tinha de estar nesta música. Pronto. É fixe, não sabia que era isso, portanto, obrigado pela partilha. Estamos quase no final, mas eu tenho mais duas perguntas que queria fazer. A primeira, que eu acredito que talvez seja onde depende, mas vem álbum a seguir? Olha como é que é. Olha...

sabes que eu para fazer a distribuição desta eu estou distribuído de forma independente com uma plataforma online mas tentei falar com uma distribuidora e o que me disseram foi nós não distribuímos música de artistas que não tenham uma estratégia pensada que não tenham um EP pensado que não tenham um álbum pensado que não tenham uma estética pensada uma identidade pensada e eu perante isso podia ter ido inventar coisas à pressa para agradar

Mas na minha letra também diz. Não quero mais ficar, tentar agradar. E então, o que é que eu fiz? Fui fiel a mim mesmo. Se eu neste momento não tenho uma estratégia, se eu estou a deixar as coisas fluir e se vou lançar esta canção, ver como é que corre e ver o que é que surge daí, é isso que eu vou fazer. Pronto. Agora, se tenho outras músicas originais na gaveta, tenho. Yeah!

Agora, tenho que perceber é, se esta música correr bem, tenho que perceber o que é que eu posso lançar a seguir para manter uma coerência, porque eu sei que...

Os artistas têm geralmente mais sucesso se forem mais consistentes e mais coerentes, ou seja, se tiverem uma identidade própria. Obviamente nós podemos ser várias coisas, mas se tu não tiveres uma linha condutora, as pessoas dispersam, não sabem bem o que é que é um disparate de ti, sabes? Sim. Então eu quero encontrar agora essa linha condutora.

Quero perceber qual é a minha identidade como cantor, ou melhor, posso ter uma identidade muito vasta ou versátil, mas quero...

nas músicas que vou lançar, quero que haja uma identidade, uma coerência, e agora vou descobri-la, vou explorando e vou percebendo. É fazendo, é como tudo. Olha Pedro, eu no final gosto sempre, agora passou a ser assim, pronto, mas dar a oportunidade, não precisas de o fazer se não sentires que não o deves, estás ok com isso, mas dar a oportunidade ao convidado, neste caso quase sou eu o convidado, mas...

mas dar-te a oportunidade de passar-te uma mensagem lá para casa, para quem quiseres, de algo que gostasses que ficasse registado em teu nome, ou seja, a tua mensagem, por si só. Para aquela câmara, se puder ser. Apetece-me ir para a política. Tu é que sabes. Não vou falar de partidos, mas... E tenho alguma dificuldade a falar disto sem me enervar. Mas gostava que... Vou tentar estar calmo.

Gostava que as pessoas conseguissem olhar mais para os outros, conseguissem olhar mais para quem é mais vulnerável, conseguissem perceber, conseguissem tentar pôr-se na pele dos outros, perceber que, por mais que a nossa realidade possa parecer uma coisa...

E que na nossa realidade haja coisas que são garantidas, há outras realidades em que essas coisas não existem. E isto aplica-se a orientações sexuais, identidades de género, mas também à questão económica. Porque às vezes, se estivermos numa posição muito confortável e muito privilegiada, perdemos a noção de que há...

coisas horríveis a acontecer a outras pessoas. Eu gostava muito de acreditar que a humanidade vai melhorar. Neste momento é difícil, mas eu quero acreditar que melhores tempos virão, que as pessoas vão começar a olhar mais umas para as outras. Quero mesmo acreditar nisto. Gostava mesmo que isto acontecesse, que fôssemos mais 25 de Abril. Vamos lá!

Só podemos continuar a tentar e nunca desistir. Da minha parte é tudo. Muito obrigado. Passou quanto tempo? Temos uma horinha e pouco, não? Uau, passou a voar. Temos 50 minutos, afinal. Eu fiz os cálculos agora, assim, de repente, e são 50 minutos.

Mas pronto, agradecer a toda a gente que veio. Muito obrigado por tudo. Nós vamos passar agora o videoclip. Mas é só para as pessoas que estão no evento, quem está lá em casa, não vai me ver. Mas está quase, é na sexta-feira. Está quase e na próxima segunda-feira vão poder ver este episódio todo editadinho com o grande, o único, Pedro Maralma. O enorme, também o único. Já que insistes. Francisco Tomerapinto. Muito obrigado a quem viu aí e é isso. Obrigado.