A Vida de Quem Prova Vinhos — com Rui Caroço dos Santos | Wine2Help
🍷 Como é o ofício de provar milhares de vinhos por ano? E o que distingue, no copo, um grande vinho de um vinho apenas bom?
Recebemos Rui Caroço dos Santos — Winewriter e provador da Revista Grandes Escolhas, colaborador da Associação de Escanções de Portugal e da Innoble Wine Magazine. WSET Nível 3 e jurado em diversos concursos nacionais.Uma conversa sobre o ofício, o método, a isenção, e o panorama do vinho português e internacional.—🎓 Academia Wine2Help — a primeira plataforma digital de formação para o setor do vinho em língua portuguesa. Cursos, ebooks, comunidade e acesso lifetime.👉 www.wine2help.com/academiawine2help
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- Vinhos e EnologiaMétodo e isenção na prova · Formação em vinhos (WSET) · A importância da prova contínua · Harmonização de vinhos e comida · Diferença entre crítica e concurso de vinhos
- Consumo de vinho em PortugalComunicação e divulgação dos vinhos portugueses · Crítica internacional e reconhecimento de vinhos portugueses · Vinhos fortificados portugueses · Aumento do custo de vida e precificação de vinhos
- Experiência com Vinho e GastronomiaTransmissão da paixão nas redes sociais · Aprofundamento do conhecimento · A influência dos guias de vinhos
- Vinho e Reconhecimento InternacionalRegiões clássicas de vinho na Europa · Vinhos de Riesling em Portugal · Potencial de castas internacionais em Portugal
Estamos ao vivo. Hoje o nosso convidado é um repetente, um dos poucos repetentes até agora, quer dizer que não haja mais, do podcast One to Help. Rui Caruso dos Santos, que ainda está aqui com o Zé Filho. Um abraço para o Zé Filho. Desta vez, aqui sozinho e muito bem. Rui, bem-vindo. Obrigado por teres aceito o meu convite. Se não aceitar as chaves, não há.
o que dizer do Rui conheço o Rui há 30 anos portanto tenho conhecido vários é mais ou menos isso, não é Rui? é mais ou menos mais um bocadinho, já é mais difícil desde 94 pelo menos já vai, vou manter os 30 está bom conheci vários Ruis mas há uma coisa que se tem mantido e aprimorado que é uma paixão não é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que
pelo vinho, pela gastronomia, aí hoje isso, muita gente tem acesso à tua paixão, porque tu a transmites no Instagram, a transmites em artigos, partilhas essa tua paixão, e muito bem. O que é que eu ia começar por perguntar? Rui, obviamente que...
tens a tua vida profissional, tiveste a tua vida profissional, mas hoje queria me dedicar ao vinho. Quando é que foi o clique dizer assim, ok, isto realmente é a minha paixão, eu quero estudar mais, eu quero saber mais. Porque começa por aí, não é? Por aprofundar o conhecimento.
basicamente começa por aí, quer dizer, eu sempre bebi vinho e bebemos vinho várias vezes juntos, mas sempre numa ótica de, pronto, normal de consumidor. E o que é facto é que, e depois quando criei a minha página de Instagram, no início, era só aquela coisa trivial de tirar umas fotografias às garrafas que bebi e publicava. A fotografia só, mas nada, não dizia nada.
No entanto, não sei se é por causa da formação jurídica, de sempre ter gostado de escrever e de ler, e sempre, a verdade seja dita, sempre li os guias de vinhos do João Paulo Martins, que ainda os tenho todos guardados, não sei se tenho os anos todos, mas tenho quase todos.
E achava, de facto, curioso porque havia vinhos que ele descrevia de uma maneira que via-se que aquilo lhe dava emoção a beber. E outros que eram mais triviais, mais normais, menos emoção. E aquilo fazia-me um bocadinho de... Tenho que provar este, este deve ser bom, não sei o quê. E depois fui provando e fui bebendo vinhos diferentes e diferenciados e fui chegando à conclusão, bom, isto não é tudo só vinho, é tudo vinho, mas não é tudo a mesma coisa.
e comecei a ter a curiosidade de perceber o porquê, e porquê que uns são assim, outros são assado, e assim foi, fui... Terei primeiro, até curioso, que hoje em dia sou colaborador da revista, mas terei duas masterclasses primeiro, uma com o Luís Lopes e outra com o João Paulo Martins, precisamente.
de um dia, cada uma foi sobre as castas de Portugal e outra foi as regiões, um pouco assim. E depois, passados estes anos todos, lá estou eu a escrever com eles, ao lado deles. Olha, estes anos todos foi o quê, mais ou menos? Ou seja, quando é que começaste a ir a procurar... 5 ou 6 anos, talvez, mais ou menos, deve ter sido.
e depois dessas duas masterclass não, isto vale a pena estudar mais um bocadinho e então fui tirar o N7 o 1 e o 2 são relativamente acessíveis e fáceis mas o 3 já envolve mais algum estúdio mais alguma dedicação e assim foi e também tenho a sorte e no N7 temos uma perspectiva por acaso Portugal até pouco por outro
O que lá é ensinado acerca de Portugal é muito reduzido e muito redutor, até na minha opinião. Mas no mundo tem várias coisas que são interessantes e que eu tinha oportunidade. Tenho também um grupo de amigos, tenho essa felicidade.
que gosta de ver vinhos e que tem mundo e que tem acesso a vinhos que se fazem pelo mundo fora e que bebem comigo e eu bebo os meus com eles e temos essa partilha. E é sempre diferente nós lermos e depois podermos provar aquilo que lemos e ter a nossa própria...
Mas olha, a formação ajudou-te a começar a provar de uma forma diferente. Sobretudo a selecionar, a selecionar o que é que eu queria provar, o que é que não queria, o que é que eu queria ver, quais são os estilos que eu secago gostaria mais, os que gostaria menos. E pronto, depois fui também fazendo...
masterclasses e aulas e pronto, essas coisas, provas, que é o que eu acho que é o essencial na vida de quem prova vinhos, é provar sempre a maior diversidade de vinhos possível. Sempre, sempre, sempre. Portugal e do mundo. Porque dá-nos muita perspectiva e muita amplitude. E pronto, e foi assim que começou esta minha paixão e depois a escrita.
Comecei a ver de só tirar as fotos e publicar, a escrever umas pequenas coisas. Depois foi evoluindo para uma coisa mais séria e fui juntando a gastronomia, porque às vezes os provadores de vinho perdem um bocadinho a perspectiva de que os vinhos foram feitos em primeiro lugar para se ver. É claro que temos que provar e muitas vezes não podemos ver os vinhos todos que provámos num dia, senão seria um desastre. Mas...
Eu tenho uma convicção grande que os vinhos, quando bebidos com comida, têm uma prova diferente e temos outras características ou temos outra percepção de prova. E pronto, é a minha grande busca, é nos perings perfeitos, que façam sentido, este vinho vai resultar melhor que aquilo, melhor que o outro.
E tem sido assim. Depois fui escrevendo sobre isso, até surgir o convite do Luís Ló. O primeiro a convidar-me, verdade seja dita, foi o Tiago Paulo, o presidente da Associação de Escolhações de Escolhações, que me convidou para escrever uma página para a revista sobre o tema que eu quisesse. Deu-me essa liberdade. E eu escrevi, decidi escrever sobre, sempre sobre um vinho português e um vinho estrangeiro, juntos.
e aquilo que faz sentido para mim, que os une ou que os para, e porque é que achei que fazia sentido vê-los juntos e escrever sobre eles. Foi a primeira escrita pro bono, não se recebe nada, não há sinas discussões, mas não é por causa disso.
E depois, a partir daí, surgiu o convite do Luís Lopes, da Grandes Colhas, e lá estou. Já vai para... Olha, e a prova que fazes peças... Imagina, não sei como é que é a metodologia, mas imagino que seja diversa, mas tens que escrever um artigo sobre determinados vinhos. Tu usas a mesma metodologia que usavas, ou seja?
vais almoçar, vais jantar, escolhes. Eu sei que tu fazes isso com muito cuidado e com antecedência. Preparas. Não, não. Preparas o que é que vamos comer, o que é que vamos beber, preparas tudo. Quando sou eu. Com amor. Quando fazes uma prova para uma revista, também é assim.
Quando somos, quando é os meus almoços, os jantares dos meus e dos meus amigos particulares e que combinamos os vinhos que levamos, os temos, o que é que vamos comer, tem tudo uma certa ordem lá. E depois, bebemos os vinhos, não é só provar. Para revistas, é uma coisa diferente, porque das duas uma provamos...
Num ambiente de prova onde temos que provar os vinhos que enviam, e aí não podemos estar a bevê-los todos, porque se não vai ao fim de 10, 20 ou 30, não temos capacidade para provar tudo e para continuar a analisá-los. Portanto, vamos tendo que os cuspirem. Ou então, às vezes como produtores, provas são organizadas a amostos, normalmente por iniciativa de quem quer apresentar um vinho.
ou mais do que o vinho, e o produtor seleciona um restaurante, convida uma série de imprensa e de críticos de vinho e pronto, e provamos os vinhos com a comida e com a gastronomia que foi previamente selecionada pelo produtor e pelo restaurante. Tu tens muito cuidado também, tens muito cuidado, escreves com cuidado, ou seja, vê-se que...
pensaste e estudaste antes de escrever. Como é que vem esse processo? Pai, eu sei, tu podes estar hoje a provar aqui uma coisa, às vezes o produtor até, se não te conhecer, pode ficar na expectativa que daqui a três dias vai sair alguma coisa e não. Tu preparas, estudas.
as coisas saem cuidadas. Tomas as tuas notas? Tomas as minhas notas. O que é que vais pôr aqui? Ou seja, aquilo que eu preciso mesmo, eu às vezes até... Eu preciso de perceber o flow do... Desculpa, vou usar este engasismo. Ou seja, a emoção que o vinho me transmite e o flow que o vinho tem.
e com o produtor. Eu às vezes estou mais interessado em ouvir do que propriamente em tomar as notas. Tomo algumas notas, alguns tópicos, algumas coisas que me despertaram à atenção, mas a minha memória sensorial é mais importante, ou seja, eu preciso que o vinho me transmita alguma coisa. E às vezes estou ocupado a escrever e a tomar notas, tomar os apontamentos todos, mas não estou a perder isso.
Por isso, depois vou fazer algum trabalho de montar as minhas notas, escrevo, fico-as a pôr onde é minhas tomadas. Depois vou ler alguma coisa, se não li antes, vou ler depois, sobre o produtor, sobre a história da Quinte, como é que aquilo apareceu, como é que não apareceu, qual é que é a ideia de vim daquilo, se ele não disse ler noutros sítios onde ele tenha dito. Ou seja, procuro depois estudar, no fundo, é aquilo que nós...
de juristas de formação fazemos melhor que é ler e ir aprendendo. E isto é uma pessoa que... É algo que as pessoas têm curiosidade, que é... Ou seja, como é que...
O que é que, obviamente, já falaste de algo que é importante, que é a emoção, não é? O que é que desperta? Mas, obviamente, quando vais fazer uma crítica, quando vais escrever sobre um vinho e uma coisa sobre as tuas redes sociais, outra coisa, quando vais escrever para uma revista, tens uma responsabilidade aos leitores do outro lado, de transmitir algo.
não seja só, está de ser um crítico, pensa que não é só pessoal, ou seja, pelo menos tem que ser, tem que ajudá-los a perceber se vão querer provar aquele vinho ou não, ou com o que provar, com o que acompanhar. Existe, e tu falaste aí do Luís Lopes, do João Paulo Martins, obviamente já lias muita coisa deles, portanto já percebias como é que eles faziam tecnicamente, mas quando começaste o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o
a provar com eles, estar no meio deles. Percebeste que realmente havia ali uma técnica específica para fazer isso, para depois escrever a tal crítica de vinhos? Eu continuo a achar, e é isso que eu vejo, por exemplo, às vezes quando estamos lá juntos a fazer as provas, a prova é uma coisa muito pessoal, sabes? E mesmo os descritores, teve aquela polémica dos fitos partidos e não sei o quê.
aquilo faz sentido para quem um dia cheirou um monte de vinhos partidos e fez-lhe demorar aquilo. A maioria, a esmagadora maioria das pessoas, nunca teve essa hipótese de ter o cheiro que isso deu. Eu também nunca tive, não sei. Mas, se calhar, aquele provador tinha. Por isso, é uma coisa muito pessoal e a memória sensorial é de cada um.
e é a memória sociocensorial mais o conhecimento acumulado de prova que o provador tem, que depois faz a crítica e escreve a nota de prova. É claro que temos que... Eu gosto de escrever como põe o vinho, quais são as castas e o tempo de estágio ou não estágio que teve. É como normalmente começam as notas de prova, mais reduzida, tirando os artigos.
Depois escrevo algumas aromas ou sabores de fruto, ou de secundários ou terciários, e procuro, nessa escrita, escrever de uma maneira que transmita a minha emoção sobre o vinho. Se for um vinho que eu gosto muito, será uma escrita mais emotiva e mais adjetivada.
quando são vinhos mais simples, mas que merecem todo o respeito dos outros, estão tecnicamente bem feitos, estão corretos, está tudo no sítio certo. Não tenho que estar a descrever apenas o vinho, não tenho o fator UAU para mim, nem o fator emoção, que é o que eu acho que é fundamental.
Mas é um vinho correto e honesto e está certo. E é aquilo que se pretende, se é para aquele segmento de preço, onde ele se insere. Ô Rui, vê se o meu raciocínio está correto. Quase mais do que os críticos escreverem para o público, o público tem que perceber quais são os críticos.
Ou seja, começaram a perceber quais são os críticos. O público tem que decidir o crítico. É quase como um crítico de cinema ou de livros. Quem é que tem um gosto? Quem é que tem um gosto aqui que faz mais sentido para mim? É isso mesmo. Eu acho que existem tantos críticos e tão...
Portanto, o James Suckling prova de maneira diferente da Gensys e do Tim Etkin e dessa malta toda, e eu provo de maneira diferente do João Paulo e do Náldeo Garcia e dos outros da revista de vinhos. Enfim, todos provamos de maneira diferente e escrevemos aquilo que nós achamos e que é a nossa opinião. E depois, eu acho que é o leitor que lê as críticas que tem que criar empatia ou não, ou identificar-se com...
do crítico. E começar a provar, olha, tinha dito isto. Aquelas coisas eu também acho. Eu encontro os aromas e os sabores que aquele diz. Aquele, quase nunca encontra nada. Lá vou ler mais aquilo. Na boca, olha, ele diz é mais ou menos aquilo que eu acho também. O outro não me parece nada que seja assim. Pronto, e vai por aí. Olha, e uma coisa que se fala hoje, e é é claramente
ou seja, o mercado tem vindo a mudar, há muitas preocupações com os mais jovens, que acho que sempre houve, ou seja, sempre se pensou que a geração que vem a seguir ia bem menos, e depois há algum período em que realmente...
Bebe pouco e bebe outras coisas. Mas parece que desta vez o problema é mais sério. Mas há outras coisas. Existem ferramentas digitais, como o Vivining, que toda a gente é, entre aspas, crítico. Nem que seja o crítico daquele momento, como é do booking. Eu não sou especialista em viagens, mas faço uma viagem. Termino a viagem e recebo um e-mailzinho a pedir-me para fazer o review. Não entrando nos méritos.
Qualquer pessoa pode fazer um review no VV, não sei o quê. Essa parte que agora não é relevante. A sensação que eu tenho é que há muita gente a iniciar no vinho, talvez Portugal não seja o pior caso, mas que não quer saber se alguém deu 93 pontos, se escreveu isto ou se escreveu aquilo. Eu não sei se sempre foi assim.
se está a mudar, mas talvez tu nas vossas conversas entre críticos consigas pelo menos dar a tua ideia. Eu acho que a malta nova é uma malta que pode beber menos, mas acho que também bebe com algum critério. Ou seja...
Eles gostam de ter a opinião deles e de formar a opinião deles, e gostam de que a pessoa que está a apresentar o vinho, ou que está a escrever sobre o vinho, lhes saiba explicar o porquê daquilo ser assim. Eles precisam de perceber isso. Mais do que a pontuação em si. A pontuação, para eles, e é o que eu acho que, no fundo, as pontuações valem o que valem, no fundo serve para...
para destacar um vinho no meio de uma multiplicidade de vinhos. Ou seja, aqueles que são mais pontuados são destacados e a pessoa tem sempre que este tem mais pontos que os outros, deve ser melhor. Isto tanto vale nos chatos de Bordeus com 100 pontos, como vale nos concursos do continente na grande medalha. Ou seja, as medalhas têm o seu valor.
no sentido de que destaca um vinho. Não quer dizer que um vinho ganhe um medalhador num desses concursos de IP Mercado seja um grande vinho. Não quer dizer isso. Quer dizer que dentro de todos os vinhos que foram dados à prova, aquele destacou-se e merece o crédito por isso. É só isso, mas nada. Depois as pessoas vão provar e vão tirar a sua opinião, que é o que eu acho que é sempre fundamental. As pessoas podem ler, podem ler tudo o que quiserem dos queridos vinhos.
Mas nada, mas nada substitui a sua prova. É bem provar, pensar e depois ter o seu gosto. Se o seu gosto não coincidir nada com o outro crítico que diz que aquilo é muito bom, não tem que se sentar nem que está preocupados com isso. É a prova deles. Não gostam de ouvir, não compram. Compram outro, gostem. Claro. Tem alguns autores amigos que dizem, eu o que me preocupo é quando...
todos gostam só dos meus vinhos. Se há um que gosta de um, o outro gosta de outro, e o outro gosta de outro, para mim é assim que está bem. Agora, se todos só gostam de um, mas isso aí não está bem. É bom. Olha, dar aqui as boas noites a quem está a ouvir.
acabou de entrar aqui o Zé Filho que teve com a Zé esta vez como ele se portou mal não foi convidado Paulo Rocha, um abraço há bocado esqueci-me também de agradecer aqui à Mailbox e Scampo Faric que nos apoia aqui desde o eu aqui não vejo só tu é que vê Zé é os comentários aqui já vi, já vi grande abraço o Rui hoje o Rui hoje
Quando escreves sempre nas tuas redes sociais, já sentes mais responsabilidade que sentias no início? Sabes que tens mais gente a ler? Sabes que os produtores te leem? Sabes que também escreves numa revista? Sim, eu saber, saber, não sei. Sim, está bem. Alguns comentam, tens uma ideia.
Calculo que sim, porque o meu crescimento no Instagram, ou seja, eu nunca enverdei por comprar followers, nem nada dessas coisas, todos os followers que lá estão são reais. E não só escrevo, ainda por cima escrevo em inglês, foi uma decisão que eu tomei de início, porque eu também gostava, foi uma decisão, vou começar a escrever, mas vou começar a escrever em inglês.
porque eu não vou só beber vinhos estrangeiros, tenho sempre a preocupação, mesmo nas coisas que organizamos, de juntar vinhos portugueses e estrangeiros e beber uns ao lado dos outros, que assim é que eu acho que faz sentido, e tenho esta preocupação de gostar de divulgar os nossos vinhos portugueses e a nossa gastronomia. E o Instagram é um meio bom para isso, e tenho...
Os followers são neste momento 10 mil e tal, mas eu recebo lá as estatísticas da página e às vezes tenho, chego a ter alcances e visualizações de 600 mil pessoas. 600 mil pessoas é muita gente, muita gente mesmo. Não sei se todos leem, mas pelo menos, creio que há de haver uma porcentagem que leem. Por isso acho que agora sinto mais essa responsabilidade.
e vou aprimorando, ou seja, também é sempre um processo de crescimento e de melhoramento contínuo. E é assim. Mas é assim que diz. Tomaste essa decisão de escrever em inglês e que eu entendo que acho que é positiva para ouvir português, ou seja, é uma forma de chegar a mais... Porque o Instagram depois também tem uma hipótese que é só que é raro e que o traduz automaticamente para português.
Não é um português muito bonito e muito correto, mas funciona e a pessoa percebe. Ao passo, se eu escrevesse em inglês e carregar-se em inglês é pior. Não fica nada de jeito. A pergunta era, como é que tu vês, e há bocado falavas do WCT e da pouca presença do vinho português, que realmente chega a ser triste, não é? Temos ali um bocadinho...
Um bocadinho de Porto, de Madeira, um bocadinho de uma coisinha. Um bocadinho da Marinho, um bocadinho da Coriga Nacional, e o Porto, o Porto é tónio, e o vinho é desmundo, não é nada? Mas como é que tu vês a crítica internacional e do que tu lês de reconhecer o vinho português? Tem havido hoje...
Não em termos de vendas, por isso sabemos a distância que está. Em termos de crítica, já conseguimos ganhar realmente um lugar relevante. Eu acho que sim que conseguimos e tem-se visto nos reviews, agora desde que veio o Gutierrez para o Parker, mas mesmo a Jensis e outros têm feito excelentes reviews a produtores especiais.
Aquilo que eu acho que falta ao vinho português, e eu, olha, uma das minhas primeiras coisas que tive que fazer na Grande Escolha foi num evento de vinhos e sabores, em que o João Gerinhas me pediu para ficar responsável pela comitiva de jornalistas internacionais que vinha ao evento nesse ano.
Eu andei os três dias um bocadinho com eles, e fui falando com... havia ingleses, havia beldas, e suecos, e dinamarqueses, e por aí fora. E havia um jornalista, estávamos numa prova, acho que era da cartucho, fizemos uma vertical desde a primeira edição.
E ele estava, não sei se era um dinamarquês, se era um sueco, não me lembro, e ele está dizendo, eu adoro vir ao vosso país e provar as vossas coisas. Vocês têm cá tesouros e não dizem nada a ninguém. Não contam nada a ninguém. Porque se eu adoro cá vir descobrir sempre coisas espetaculares. E é um bocado o que eu acho que se passa, o retrato do nosso país e do nosso, e do setor do vinho, é que falta muita comunicação.
É essa parte que não contamos a ninguém, não é? É, não contamos a ninguém. Ou achamos que não temos que contar porque eles é que têm que vir cá provar. Não, não é nada, eles não têm que vir cá provar nada. Nós é que temos que lhes mostrar, por exemplo, os espanhóis e os italianos podem fazer um vinho normal de 20 euros ou 30 e comunicam-no como se fosse o melhor vinho do mundo.
e nós não fazemos nada, falamos pouco, fazemos pouco, portanto, eu acho que, mas aí eu acho que...
tem que partir um bocadinho do produtor. E o produtor ainda acha que isto da comunicação e da publicidade ainda é um custo. E não conseguem, acho que também não há ferramentas corretas para aferir o retorno que isso lhes dá. Não é preciso também, como aquele guru da publicidade dizer, se eu só tivesse um dólar na carteira, que eu estava em publicidade. Não é preciso ser assim, mas tem que se fazer muito mais e acho que tem que partir do produtor.
deixar para o distribuidor ou deixar para os críticos ou para as revistas ou para a imprensa. Enfim, e muitas vezes hoje em dia na imprensa nem toda a gente escreve sobre vinho e gastronomia, mas nem toda a gente é inteiramente especialista em vinho, não é? Sim. Há muito hoje em dia associado a lifestyle e coisa e tal, não é uma crítica de vinhos.
comparável a uma revista, uma grande escolha, que é uma empresa vínica especializada. Portanto... O que eu quero dizer é que não haja, e há, inclusive... Claro, é importante. Jornalistas, não, e jornalistas que escrevem revistas especializadas, que também têm artigos, e é fundamental porque chegam a mais... Claro, para a certeza. Nessas revistas, mas tenho notado isso e tenho visto, e confesso que tenho visto algumas... Um bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo não é o bondo
Alguns artistas que me surpreendem, para mim não tem muito nexo, ou seja, vê se está esburacado. Mas muita gente escreveu. Agora vou escrever sobre vinho, porque estava na moda. Estava na moda. Vou escrever sobre vinho. Pronto, ou seja.
Na verdade, não sei se isso é produtivo. É. Por isso é que depois eu acho que o leitor tem que depois, isso passa a dar mais trabalho ao leitor, não é? Porque se o leitor só ouvir esses fica com uma opinião e com uma um bocadinho mal enviazada, não é? Do que se tiver maior amplitude e for ler uma imprensa mais especializada.
Às vezes a própria imprensa mais especializada também é um bocado chateleira. Ou seja, em termos técnicos ou muita coisa, é uma coisa que eu acho... Eu acho que tem que ser tratado. Eu penso que se tem que fazer, por exemplo, nos fortificados. Eu tenho que ser desformalizado, não sei se este termo existe, mas eu costumo dizer outro. Tem que ser desformalizado um bocado o consumo de vinho do Porto.
porque as gerações mais novas acham aquilo tudo uma... Epá, isto é só para os iluminados, é que bebem este vinho de pôr, não sei o que, é uma coisa só o meu avô e os meus pais é que bebem isto, tem aqueles rituais, não, tem que descomplicar este consumo e trazê-lo mais para o dia a dia. E também tem que se fazer um serviço grande junto da restauração.
de aberturas de serviço e de copos para esse tipo de vinhos fortificados, que no fundo, se há coisa que nós somos o melhor do mundo, sem dúvidas, é nos vinhos fortificados. E às vezes eu vejo coisas nos restaurantes e por aí fora esses turistas que nos vêm visitar, quer dizer, um turista que bebe um vinho do Porto, a 30 graus, nunca mais bebe um fortificado. E aberto, aberto.
Nunca mais vemos fortificado na vida, acha que aquilo é uma coisa horrorosa. E é, aquela temperatura é horrorosa. Por isso, acho que os produtores têm que ser eles a assumir um bocado isso, porque senão mais ninguém vai assumir esse custo, mas que no fundo depois lhes vai trazer algum retorno. É a minha opinião. Eu acho que se tem feito algum trabalho, mas falta fazer muito. A própria gestão das canções.
que há, que tem que ter metade e tem feito esses cursos que andam, são itinerantes que vão às várias cidades fazer cursos com o pessoal da restauração e acho que isso é fundamental. É fundamental. Eu acho que há às vezes também um bocadinho de falta de brilho de toda a cadeia.
de toda a cadeia, uma despreocupação, ok, já saiu daqui, já saiu da minha anega, agora foi para o distribuidor, mas eu já vendi, já saiu daqui, e despreocupo-me, como é que aquilo vai ser servido, e é essa a má experiência, realmente, e não é só... Também temos que ativar como...
hoje em dia, quantos restaurantes é que vais? é que no fim tens um empregado que te proponha beber um Moscatel, um Carcavel um Porto ou uma Deira muito pouco uma coisa que ainda estão em mesas de gente jovem, não existe que é uma pena mas e afinal às vezes é proposta uma outra bebida nada contra, mas não portuguesa mas não portuguesa
ou um outro licor qualquer diria de interesse de interesse reduzido, ou seja, não é pela falta do gesto, é por falta da cultura dos grandes exatamente olha, o Instagram vamos fazendo a nossa parte
nós estávamos aqui a falar da comunicação oficial, mas o Instagram, isso que nós falávamos ainda acontece mais, ou seja, há N pessoas a falar sobre sobre vinho achas que foi um bocado o teu cuidado
forma de escrever, de ir-es a cada vez pondo mais cuidado na escrita também, que deu sucesso, e o teu sucesso não é aquele sucesso de que tu nem fazes vídeos, tu não apareces praticamente, depois a garrafa, escreves, ou seja... A verdade seja dita, eu sou um bocadinho de infosco, Luís, nesta coisa das tecnologias, eu não...
não sei fazer um monte das coisas que vejo às vezes malta do Instagram que faz vídeos e pá, que giro, gostava de saber, mas não sei fazer nada daquilo. Tu sabes provar e sabes escrever e já não é nada mal. Eu acho que sim, que é verdade, é que ao menos quando faço isso na vida, ou seja, quando me proponho a fazer uma coisa, gosto de fazê-la bem feita.
E precisamente para não cair nessa coisa de, bem já há tanta gente, este é mais um, vem para aqui dizer umas larachas sobre vinho, procuro, sempre procurei que fosse uma coisa com mais, mais qualidade, se me é permitida a presunção.
Acho que é bem. Tenho seguido. E no fundo, aquilo que eu... Não sou o Parker, nem nada disso, nem. Mas todos os convites que fui tendo do setor do vinho e da própria revista, no fundo, fui originalmente da minha página do Instagram, que é só o único veículo de comunicação de vinho e gastronomia que eu tenho. Não tenho outro.
Portanto, tenha-se cuidado. Deixa-me fazer uma pergunta. Desculpa interromper. Num meio tão pequeno, a pessoa a partir de certa altura não conhece todos, porque há muitos vinhos, aparecem produtores de vinhos diariamente, mas diria que tu conheces uma grande parte. Depois não fica difícil separar ou faz parte de não separar?
Ou seja, pôr também a personalidade das pessoas que nós conhecemos quando escrevemos. Porque muitas vezes há alguns produtores, não. Mas há outros que quase que a personalidade e a forma de estar deles está patente nos vinhos, não é? Certo. Como é que... Mas, nem muito é. Ou seja, atrapalha, ajuda. Às vezes, é complicado. E essas pessoas também... Eu também sei... Eu também sei... Não posso dizer...
Se calhar um vídeo que não gostares, não escreves nada e acabou-se. Não vais estar a escrever uma coisa que não queres escrever. Isso foi uma coisa que eu sempre fiz. Os vinhos que eu não gostei, provei ao longo da vida, ao longo desta vida da página do Instagram, nunca vim dizer mal do vinho para as redes sociais, que isto era, que não digo nada. Não digo nada. Porque nós temos que perceber que ser por tudo vinho.
tem o seu charme e tem as suas coisas, mas também tem momentos muito difíceis e é uma profissão bastante difícil. Aquilo está dependendo da natureza, é um escritório a céu aberto e é duro.
Eu às vezes fico um pouquinho até surpreendido como é que malta que vem de outros negócios e de outras áreas, porque uma coisa é serem propriedades de família e já o bisavô e o tetravô faziam vinho, pronto, e há de haver alguém na família que tem que continuar a fazer e fazer bem. Mas isso já existe, tem as casas e as terras e as vinhas.
Agora, a malta que compra e gasta quantias consideráveis dinheiro é preciso ter uma paixão mesmo muito grande. Em alguns casos, ainda bem, e resulta, mas noutros, não sei. Não sei se é o ideal, mas enfim.
Ou já me perdi, qual era a pergunta? Não, a pergunta era um bocadinho perceber. Ah, da personalidade do esporte. E conhecer as pessoas. É inevitável, mas isso não é por sermos críticos ou outros. Nas outras profissões também é igual. Nós quando sentimos empatia com uma pessoa, as nossas defensas baixam, não é?
Nós somos seres humanos e quando gostamos, não estamos ali tão empratigados a analisar só o vinho, ou seja, começa a entrar o fator emoção. E quando conheces os produtores, e os produtores recebem-te em casa, e vê-se com gosto, é diferente a tua percepção de avaliação do vinho.
altera-se um bocadinho, pois é claro que tens de reter a capacidade de, quando fores classificar ou anazar, tentar ao máximo que isso não interfira, mas o fator emotivo faz parte de nós seres humanos, portanto não há como tirar o vinho e eu acho que não se deve tirar. Os vinhos que eu gosto são aqueles que me dão emoção e que, pronto. Até porque faz parte do vinho, não é? Ou seja, quando nós... Quando se fala no...
Se trouxer a via era tipo Coca-Cola, era um vinil ao alente. Ou seja, era aí um bocadinho que eu queria chegar. A minha pergunta, não era da armadilha, mas era um bocadinho para ir, não sabia o que me ia responder, mas um bocadinho para ir buscar isso. Ou seja, estamos a provar, estamos a provar tudo, estamos a provar quem o fez, estamos a provar o ano, estamos a provar aquela vindima, as pessoas que lá...
estás a provar o conjunto todo. Exatamente. Estás a provar a ideia de vinho daquela pessoa, a família, tudo isso está lá dentro. E pronto, isso tem que ser valorizado de uma maneira ou de outra e faz parte do vinho. Senão é fazer uma receita, abrem-se fábricas em todo o mundo e faz-se uma vida igual para todos. Oh Rui, outra pergunta, e também para ajudar.
Uma coisa é a crítica, outra coisa é um concurso e uma pontuação. Seja uma crítica, tu estás a provar, a garrafa à frente, o rótulo, sabes tudo o que tu quiseres sobre aquele vinho. Escreves a tua crítica. Como estás num restaurante, fazes uma crítica gastronómica, não estás vendado até porque poderia correr mal. Num concurso. Já é diferente. Nas terras, claro.
se as provas são... Temos aqui um tipo de resultado e de prova completamente diferente. Queres explicar um bocadinho para quem... É, por isso nos concursos.
Normalmente não são divulgadas a classificação em valor, se o vinte teve vinte, dezenove, dezoito ou quinze. São, depois, traduzidos em medalhas. Percebes? Porque nós, quando estamos a provar num concurso, provamos uma, bem, cinquenta vintos, todas as cegas. Não sabemos, sabemos se é branco, se é tinto, não é? Rosé, espumante ou fortificado.
Concevante o sítio do país onde estivermos serão os vinhos daquela região, mas podem não ser, amanhã vou para o concurso da Vini Portugal e são vinhos do país todo. Mas a diferença principal de provar às cegas é que quando chega um vinho ao copo, que o achas de facto diferenciador e diferenciado, você tem que o classificar com uma nota alta para o puxar para cima.
e que depois, quando forem apurados os resultados todos, ele poder entrar nas medalhas, percebes? Ou seja, não é que eu acho que este vinho valha 19 num concurso, se calhar não vala. Mas se eu não puxar, pois aquilo é, não sou só eu que sinto, temos uma mesa onde se faz a média. Se nós não dermos umas notas altas àquilo que achamos que é um vinho que de facto se destaca,
depois quando se fizer a coisa do concursor, esse vinho não vai aparecer. Ou se o puxarmos para cima, depois vai entrar na zona das medalhas, seja de prata, de ouro, ou do que for, ou da grande medalha. Portanto, é um tipo de pontuação diferente. Na revista, e com tudo à vista, e provando as garrafas, é uma coisa mais direta. E damos a nota que achamos que, de facto, aquele vinho merece e que vale, na nossa opinião.
Olha, hoje, se calhar, não faço ideia da pergunta que eu estou... E às vezes, desculpa só, Androsinho, as notas que são dadas, a gente às vezes não percebe ou acha que, como é que este vinho teve este valor, este vinho não está... Incluem aquilo que nós achamos que o vinho vai estar no... Ou seja, o seu potencial de longevidade. E isso é uma nota...
é impossível de farir, não é? Até porque não se sabe como é que o vinho vai estar daqui a 20 anos. Mas se achamos que o vinho tem grande potencial, vamos lá e não está. E se calhar não está ainda tão maciozinho e tão pronto para saber. E se calhar, como é que deram nos 8? Tanto que há publicações que depois atualizam a nota de determinado vinho. Exatamente. Pode-se dar como potencial para ter uma nota melhor. Exatamente.
perdi-me na pergunta que ia fazer já sei era uma uma pergunta já te aconteceu sentires no concurso já tinhas provado aquele vinho saberes-te exatamente e aquele baralhar ali a a prova, ou seja, já provei isto sei, lembro-me, escrevi sobre isto o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o
E agora estou aqui a tentar fazer uma prova mais analítica. Já me aconteceu eu conhecer, mas poucas vezes, mas conhecer o estilo, mas é difícil, porque normalmente são as colheitas mais recentes que são enviadas, ou seja, não provei em teoria aquele vinho, mas às vezes são coisas que nós...
tiramos a pinta do produtor, estamos nesta região, eu conheço, mas deve ser isto, de certeza, mas depois pode não ser, não é? Vocês não são quantos vinhos provas hoje em dia por mês? Deve variar, óbvio, não é? Entende-se, tens concursos, não tens, mas tens uma ideia? Olha, eu nunca fiz essa conta, mas... Não faças, não faças.
Não, porque às vezes, sobretudo quem está a estudar, às vezes tem essa noção, não é? Quem está a estudar para... Como se dizia, hoje provei 11, no sábado provei 20.
o domingo foi só um, mas tranquilo. Portanto, varia. E sempre... Dá umas centenas ao fim do mês. Sempre que bebes um vinho, estás em mão de prova, consegues desligar? Não, às vezes não estou em mão de prova, bolas. Às vezes não estou em mão de prova. Então acabo sempre por tomar uma notita ou outra. Acabo sempre... Nunca consegues desligar 100%. Não.
E sentes que isso vai... Se for um vinho que eu já tive abrido, vejamos assim. Por exemplo, agora vou dar um exemplo. Vais a casa de alguém, um familiar, um amigo, essa pessoa não liga nenhuma a vinho. E oferece-te um vinho, que se calhar é um vinho que tu há 10 anos. Deixarias alguma graça e hoje em dia não achas. E isso às vezes não...
É difícil responder-te isso porque vou-me desmascarar, mas vou dizer. Olha, ainda hoje ao almoço estava a falar com a Maria João Almeida, que ela estava sentada ao meu lado, e estávamos a falar precisamente sobre isso. Isto pode parecer snob e pode parecer presunçoso, mas eu não consigo ver hoje em dia certos vinhos.
Não gosto, não me sabem bem. Não dá prazer. Não me dá prazer. Não me dá prazer, por isso, prefiro ver água. E água é uma vida que eu adoro. Só que tu, às vezes, não consegues explicar isto. Há as pessoas que não são do vinho ou que não estão habituadas nestes, mas acham que isto é um bocadinho mas isto não gosta dos vinhos que eu bebo. São sintomas. Tem a ver com isso, mas é uma história cumprida. E aquilo que eu às vezes faço nessas situações é, olha...
Eu já bebo profissionalmente durante a semana muitos vinhos e ao fim de semana gosto de fazer um período de pausa, portanto bebo água só. E bebo água durante o jantar todo, ou bebo uma cerveja lá. Se não tiver a mesma maneira de escapar, porque se tem alguma cerimónia, deixo servir o copo e mantenho o copo cheio e vou vendo o copo de água. E ela volta a me servir. Está feito.
Olha, e tens provado bastante e sei que gostas muito de vinhos não te vou chatear com perguntas difíceis sobre Portugal, mas sei que gostas muito de provar vinhos de fora de Portugal há sim coisas que te tenham surpreendido, sem ser aquelas regiões mais clássicas, tem a ver se há alguma coisa que tenhas andado a provar que possas partilhar, interessante o fim
É assim, as regiões que eu provo de fora e que eu gosto de ver são sempre aquelas mais clássicas, não é? Não fujo muito disso, eu não sou fã dos vinhos da Arménia e da Geórgia e desses destinos, é muito exóticos.
do Chile e da Argentina, que é bem, portanto eu acabo de ficar sempre aqui na Europa e nas regiões que eu mais gosto, que são a Champagne e a Borgonha, e depois os cirás do Rony, os San Jovese e os Brunelos de Itália, os Barolos, olha onde há.
Agora, na quinta-feira, abriu um barbaresco de um cru, do portanto José P. Cortes, em um rabai já de 2014, que estava extraordinário, estava bom, bom, bom, bom de saber. E, pronto, vão ser dessas... E acabas, ou seja, tu acabas por manter isto... Diz, no outro dia, quando estive em lavadores de feitoria,
Eles fizeram lá um Riesling de 2019. O Riesling está mesmo bom. Ou seja, não é um Riesling alemão, porque nunca ia ser nunca, porque estamos no Douro.
mas é um grande vinho branco feito de Riesling. Percebes o que eu estou a dizer? Não. Ou seja, e é isso que eu acho que a gente, nós nunca vamos fazer os melhores chardonnays, os pinos, os sobrinho blanco e isso tudo. Mas, não quer dizer que essas castas internacionais também não se consigam fazer vinhos bons cá em Portugal. E conseguem. Só que são coisas de Portugal.
um bolíssimo vinho branco feito de Riesling. Depois levei o vinho às cegas para o Magano e calhou.
outro dos convívios também trouxe um Riesling, que também não era alemão e era do mesmo ano, 2019, da Áustria. Ou seja, e foi dois grandes vinhos brancos, o austríaco, muito mais similar ao tradicional do Riesling alemão, mas o português também, toda a gente ficou maravilhada com aquilo. E de facto o vinho está belíssimo. Portanto, são estas coisas que as provas nos vão dando.
hoje tens uma vida ligada profissionalmente ao vinho, mas não me abdicas de continuar no caminho do que tu gostas e procurar o que tu gostas. E dizer, epá, não, agora tenho de estudar vinhos da Georgia ou vinhos não sei o quê, porque é isto que está a fazer. Eu também digo isso porque já fiz provas disso. Já provei vinhos da Georgia e dessa coisa toda.
Só que não me dão prazer em ver. E como eu não tenho a obrigatoriedade profissional de avaliar esse tipo de vinhos, também não preciso de os estar a ver. Conheço-os, já os provei, já formei a minha opinião sobre eles. E não tenho curiosidade em continuar a ver aquilo. Não gosto. Olha, estávamos a falar em óbvio, não estávamos a falar especificamente do vinho.
Estávamos a falar aqui do aumento de custo de vida antes, já nos conhecemos há muito tempo, estávamos aqui a partilhar um bocadinho da vida familiar de cada um e aqui a queixarmos do aumento de custo de vida. Como é que vês no vinho, até porque eu acho que em geral o consumidor se queixa, os produtores de vinho em geral não têm aumentado os vinhos por aí além.
determinadas referências sim, mas no geral, ou seja, o nosso preço médio quando vamos ver a estatística do IVV, infelizmente, não tem aumentado por aí e continua muito muito baixo, não é? Mas, pá, tem havido alguns produtores a dizer assim, ok, agora vou lançar um vinho com valores estratosféricos. Certamente tens tido acesso a alguns desses vinhos, ou seja...
Achas que às vezes é um bocadinho tirado para o ar? Faz sentido? Não faz sentido? Claro que a resposta depende, não é? Vamos lá ver, como é que eu posso dizer isto. Eu acho que o portanto tem que ter total liberdade para fixar o preço que bem entender. Isso é ponto assento. E aquilo que ele acha que o vinho dele vale. Certo. Compreendo isso tudo. Agora, o que eu acho é que às vezes o produtor é um bocadinho.
por não provar vinhos suficientes lá de fora, não provar às vezes os vinhos que se fazem na própria região, que é outro mal muito português de só querer ver o vinho dele e não abrir um bocadinho a perspectiva, o facto de não se provar coisas lá de fora e saber os preços que os vinhos lá de fora custam.
depois fazem-se, faz-se essas coisas, não é? Nós nunca podemos perder de perspectiva. Eu vou sempre a este exemplo, porque acho que é o segundo vinho de Vega Sicília, que é o Valboena, o número 5, custa-se cento e poucos euros. É o segundo vinho de uma das bodegas mais icônicas do mundo. Ou seja, vê-se a lançarem-se vinhos cá em Portugal, cento e poucos euros que...
Não digo que não sejam bons, até são alguns, mas se puserem numa prateleira ao lado do mundo, ao lado de um vinho Vegas Cilia, um Valbuena, toda a gente vai comprar o Vegas Cilia e ninguém vai comprar o nosso. Então perguntam-me, então como é que nós nos vamos fazer para vender vinho? E não somos condenados a vender vinho sempre muito barato? Não.
Não é verdade isso. Portugal tem a dimensão que tem, geográfica. E isso não há nada a fazer. Portanto, nós nunca vamos conseguir fornecer nas mesmas quantidades do que Espanha, França e Itália. Só se fizermos uma nova expansão marítima, não é? Exatamente. Agora, portanto, nós vamos ter sempre, e foi isso que os nossos vinhos, sempre um dos atrativos dos nossos vinhos bons,
foi que tinha um grande value for money associado, ou seja, era possível encontrar esses vinhos ótimos em Portugal a preços acessíveis. Eu acho que isso hoje em dia é uma coisa que se está um bocadinho a perder, mas que se devia voltar atrás, e eu acho que se vai voltar atrás, porque hoje em dia, com estes aumentos de custos de vida, não sei o quê, seria uma boa ideia.
ou maneira de voltar a relançar o consumo de vinho, voltar a trazer esse value for money. Estamos a falar de coisas mais ou menos simples, ou seja, de 50, 60 euros, até é possível ganhar dinheiro a fazer vinho, acho eu. Agora, não sei, às vezes vê-se aí coisas que não...
não sei, a primeira venda até pode ser feita, pela curiosidade, mas o, como tu bem sabes, o difícil é sempre a segunda venda, não é? E por aí foi.
e a próxima colher. E lá está, às vezes os produtores que vêm de fora de outras áreas de negócio em que põem os vinhos a 50, 60, 70, 80 e 100 euros da primeira vez, eles até podem vender a primeira porque o consumidor tem curiosidade mas será que depois compram a segunda vez? A minha pergunta é um bocadinho nesse sentido, ou seja, se os vinhos às vezes não são precificados mais por marketing,
do que propriamente pelo seu valor. Ou seja, ok, eu acho que meu vinho vale isto, então vou comprar aqui uma série de vinhos destes patamares, à volta, provar com mais gente e perceber se ele realmente vale ou não vale. E não só o... Eu acho que este preço é que ficava bem e vai fazer barulho deste preço. Ou seja, quase o preço como um elemento do marketing. É o que eu tenho visto um bocadinho.
É, é um bocado, definei o segmento onde se querem inserir e pronto, e depois colocam o preço. Nem sempre necessariamente o vinho acompanha, não é? Exatamente. Exatamente. Olha, Rui, para terminar, e tu que és um mestre, um aficionado das harmonizações, eu poderia te pedir só uma, mas vou-te pedir três...
conseguias, mas vou ter três harmonizações que toda a gente tem que experimentar, tem que dizer ok, isto é uma harmonização, por isso é que se fala em harmonizar vinhos e comida, porque às vezes fala-se de conceitos muito básicos
E as pessoas não... Ok, o que é isso de harmonizar? Aliás, olha, vou aproveitar, vou-te usar para uma pequena aula, se quiser explicar o que é harmonizar, comida e vinho, e depois dar assim três ou quatro exemplos de coisas que qualquer pessoa devia provar. O harmonizar é... Ou seja, é procurar que o vinho e a comida, duas coisas boas individualmente consideradas,
juntas, ou seja, que o todo seja maior que a soma das duas partes. Quando essa experiência é conseguida, quando esse soma, ser maior é conseguido, temos uma experiência gastronómica divina a levar. Ou seja, é aquilo que se busca. A combinação das duas coisas é uma coisa melhor do que...
A combinação das duas coisas é melhor do que cada uma individualmente. Estamos bem. Ganhamos. Ganhamos. Três harmonizações que eu gosto. Olha, se fizeres uma massa com um bocadinho de trufa. Uma massa é uma coisa simples. Massa com um bocadinho de trufa. E bebes um barolo.
porque tem todos aqueles, é uma combinação dos chavos. Se beberes um vintage novo, também para dar aqui uma puxadela aos fortificados, um vintage novo com um bolo de chocolate, extraordinário.
ou com um queijo stilton, ou um vinho madeira com umas amêndoas torradas, não é preciso nada de complicado, umas amêndoas torradas ligeiramente aquecidas e salgadas. É de sonho. Divinal. Divinal.
E depois temos, somos um país de uma costa atlântica enorme, temos marisco e peixe do melhor que há. E hoje em dia fazemos brancos muito, muito bons. Portanto, há uma série de combinações que se podem fazer de peixes, mariscos e...
e com vinhos brancos hoje em dia que são divinais Alvarim com bife de atum, por exemplo sonho os vinhos vulcânicos dos Açores com peixe maravilha enfim, sei lá, com bacalhau tu gostas de bacalhau com branco ou com tinta? eu? não é? depende do bacalhau olha, vou-te dizer bebo com os dois, depende, mas gosto mais com branco
Mas se eu escolher, se for a minha casa, ou se eu puder escolher, vamos com branco, senão tento vão para um vinho condutivo mais... Leitão e espumante, não há melhor. Sim, isso aí não há. Não há. Olha, o Rui, estou a ficar cheio de fome, porque o que ocorreria entre trabalho, etc. Não, não...
Não jantei. Partilhei aqui, mas para quem ouve um podcast, onde é que as pessoas podem encontrar, sobretudo no Instagram, como é que te encontram? É ruicaroço.es, é isso? É, ruicaroço.es, exatamente. Pronto. Então, olha, sigam o Rui. Vão ficar aqui um bocadinho como eu fiquei agora, cheios de...
cheias de apetite, provar coisas boas comer coisas boas, mas também saber mais sobre quem faz vinhos Rui, tem sido um prazer e também um bocadinho de orgulho acompanhar a tua jornada, fomos trocando trocando bolas no início eu ia no caminho mais da formação tu mais no caminho do vinho e do conhecimento e ali um bocadinho o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o
Ainda, antes de tudo, foi a seguir ao Covid, entre almoços e conversas e brincadeiras acompanhando e vai sempre a ver-te fazer coisas melhores. Não tenho ido almoçar muitas vezes contigo, porque é uma causa perdida, mas tanto não.
Não, mas fora a brincadeira tenho tido a sorte de ter essa experiência e realmente estar contigo e o pré-almoço também que tu preparas as coisas.
quando chegamos, sempre as combinações que vêm, sempre indicáveis, sempre em grande divertimento. Como diz o nosso amigo Zé, que não vem, mas festa. Festa coisa séria. Exatamente. Ótimo. Rui, muito obrigado. Foi um grande presente. Muito obrigado por me teres convidado. E pronto. Vamos nos continuando a ver. Olha, saúde. Saúde. Eu não estou muito a ver nada.
Hoje é segunda-feira. Um abraço. Um abraço. Tchau.
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