Não podíamos falar com mulheres | Creepypasta
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Reynolds
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Bem-vindos de volta ao Ignore o Barulho. Hoje, mais uma leitura de Creepypasta. A história de hoje se chama Nós não podíamos falar com mulheres. Eu sei que toda Creepypasta tem a sua bizarrice. Toda Creepypasta...
É meio bizarra, mas essa definitivamente merece a classificação de bizarra. Então se você gosta de uma história esquisita e um pouco nojenta também, não perda essa narração que está incrível, mais uma vez, com a minha voz deliciosa. Então vamos lá, sem mais delongas ouvir, nós não podíamos falar com mulheres.
Eu nasci numa daquelas famílias antigas do sul, daquelas que vivem de longos silêncios e parecem estar apodrecendo, caindo aos pedaços e tentando de qualquer jeito se manter de pé. Nós já tivemos dinheiro um dia, como era possível notar pelos antigos casarões que ficavam na nossa propriedade.
Mas os velhos celeiros e as casas de hóspedes estavam vazios e abandonados, sufocados por teias de aranha, mato e barba de velho. A floresta já havia começado a tomar a propriedade de volta. Minha família era como muitas outras de sua espécie.
Uma linhagem longa, intrincada, marcada por violência, escravidão e dor. Mas uma coisa nos diferenciava. Não existiam mulheres em nossa família. Eu não tive mãe, nem irmãs ou avós. Todos os membros da nossa família eram homens. No entanto, eu e meus cinco irmãos nunca achamos isso estranho. Não tínhamos estudo e vivíamos quase totalmente isolados do mundo lá fora.
Passávamos os dias trabalhando na propriedade em ruínas, num esforço que, no fim das contas, não dava em nada. Quando não estávamos arrancando o mato ou limpando o lixo acumulado de décadas nas antigas construções, nós brincavamos.
A mata fechada ao redor da nossa casa era o lugar perfeito para as nossas brincadeiras. Meu pai era um homem bondoso, porém rigoroso. Nossa vida isolada vinha acompanhada de um estranho conjunto de regras. Havia uma capela na propriedade, uma pequena construção branca meio escondida entre as árvores. Ela era a construção mais bem cuidada do lugar, graças à atenção especial do meu pai. Porém, nós não podíamos entrar lá sem ele.
Um cadeado na porta nos impedia de dar sequer uma espiada. De vez em quando, tínhamos permissão para ir à cidade. Era uma caminhada de meia hora pela mata. E ansiávamos muito por esses passeios.
Mas havia regras. Tínhamos que ficar juntos e não podíamos falar com mulheres. Podíamos falar com homens e outros meninos, mas meu pai não nos deixava de jeito nenhum falar com mulheres, garotas ou até mesmo senhoras de idade. Ele nos ensinou a dizer olá, bom dia, sim senhora e obrigado senhora como bons garotos do sul. Mas fora isso, nem mais uma palavra.
Isso era estranho, claro, mas todos na cidade pareciam respeitar essas regras também. As mulheres nos davam acenos secos e, no mais, nos evitavam. Isso estava tão enraizado no nosso dia a dia que nenhum de nós jamais questionou.
É claro que isso não iria funcionar para sempre. Meu irmão mais velho, Jamie, começou a trocar olhares com a garota bonita que trabalhava no balcão de sorvetes da farmácia. Ela retribuía os olhares. Logo, ele passou a dar escapadas para ficar com ela durante as nossas visitas.
Ele nos deixava na farmácia ou no parque comprando nosso silêncio com balas e sorvete. No caso de Jamie, não demorou muito, no entanto. Laszlo, segundo mais novo, sempre foi linguarudo. Um dia, quando voltávamos da cidade, nosso pai perguntou o que havíamos feito. O Jamie deu uma escapada.
Ele sempre foge para ver a garota da sorveteria. O papai ficou pálido. Ele se virou para o Jamie e agarrou pelos ombros. Isso é verdade? Você está se encontrando com uma garota? Um silêncio pesado pairou no ar. Jamie abriu a boca, mas logo fechou. Jamie, venha comigo para a varanda.
Meu pai nunca bateu na gente. Quero deixar isso bem claro. Mas quando ele tava realmente bravo ou chateado, tinha um jeito de falar que machucava a fundo, que fazia você se sentir um lixo absoluto. Quando eu era bem pequeno e me metia em encrenca, me escondia e chorava por horas depois, morrendo de culpa. Jamie e papai foram pra varanda.
O resto de nós se espalhou pela casa com o clima bom do dia totalmente estragado. Por umas duas semanas depois disso, pegamos pesado no pé do Laszlo e dávamos pra ele os piores papéis nas nossas brincadeiras. Depois disso, ele aprendeu a ficar de boca fechada.
O Jamie voltou com o rosto pálido, não falou com nenhum de nós até a manhã seguinte, quando tentou agir como se nada tivesse acontecido. Eu peguei ele sozinho aquele dia, puxei sua manga e perguntei. O que o papai te disse ontem à noite? O Jamie olhou para mim, seu rosto de repente parecia muito velho, mas ele me deu um sorriso fraco e bagunçou meu cabelo. Não é da sua conta. Não esquenta com isso.
Eu não tinha o costume de contrariar meu irmão mais velho, então segui com a minha vida. Na vez seguinte em que fomos à cidade, a garota da sorveteria piscou pro Jamie, mas ele desviou o olhar e ela fechou a cara. Triste. Ela não foi mais tão legal com a gente depois disso. Não há muito mais o que dizer sobre a minha infância. Foi diferente, com certeza, mas nós sempre vivemos daquele jeito. E eu não era de questionar.
Nossa vida continuou sem grandes acontecimentos por anos. Eu e meus irmãos limpávamos casas velhas que nunca seriam ocupadas e tirávamos o mato de quintais que nunca seriam usados. A floresta crescia mais rápido do que conseguíamos limpar. Então chegou o dia que Jamie fez 18 anos.
Aniversários eram comuns numa família de sete pessoas, mas fazer 18 anos era especial, segundo nosso pai. Nesse dia especial, papai nos acordou cedo e esfregou nossos rostos com um pano molhado de cuspe. Ele nos fez vestir nossas melhores roupas, que estavam guardadas há tanto tempo que as traças já haviam roído um pouco.
Deu pro Jamie um dos seus ternos velhos que ficou largo em seu corpo magro. Depois, nos reunimos na capela. Lá dentro, o ar tava parado e silencioso. Lembro de ter ficado decepcionado ao ver que o lugar era perfeitamente normal por dentro. Sempre esperei que houvesse algum segredo grande e terrível que meu pai estivesse guardando.
Mas era apenas uma capela velha. Sentamos no banco da frente, todos em fila. Meu pai e Jamie ficaram lá atrás, perto da porta. Trocaram algumas palavras em voz baixa e então começaram a andar. Marcharam de braços dados, olhando fixamente para a frente. Pisavam no ritmo de algum som que não conseguíamos ouvir.
Lentamente percorreram o corredor. Meu pai se inclinou para trás do púlpito e o som de madeira rangendo quebrou o silêncio tenso. Ele havia aberto um alçapão.
Papai e Jamie, ainda de braços dados, desceram pelo alçapão, por uma escada que não conseguíamos ver de onde estávamos. Eu e meus irmãos ficamos desconfortáveis no banco, inquietos, mas calados. Tive uma sensação estranha, como se algo grandioso tivesse acontecendo e eu não conseguisse compreender. Tentei me acalmar, puxando os fios soltos das minhas calças mal ajustadas.
Ficamos sentados, nervosos por um tempo, até que papai apareceu de novo, sozinho. Ele fechou o alçapão atrás dele. Hora de ir pra casa, meninos. Quis perguntar onde o Jamie tava, mas minha língua parecia pesada. Em vez disso, fui atrás dele e fizemos uma caminhada solene de volta pra mansão apodrecida onde morávamos.
O Jamie tava lá na manhã seguinte, roncando na cama ao lado da minha. Todos nós o observamos bem, tentando encontrar alguma mudança, mas ele era o mesmo Jamie de sempre. A única resposta que recebemos para as nossas perguntas foi um soco forte no braço quando incomodávamos ele demais. Alguns meses depois, papai entrou no nosso quarto no meio da noite. Eu tava acordado, mas fingi que tava dormindo enquanto ele acordava o Jamie em silêncio e o levava pra fora.
Cuchilei um pouco e acordei de novo quando os ouvi voltando pelas escadas. Jamie foi para a cama devagar. Pela luz fraca da lua, pude ver que seus ombros estavam tremendo. Ele se enfiou debaixo das cobertas. Pude ouvir o som abafado do seu choro. Depois disso, Jamie mudou.
Ficou fechado e irritado. Parou de brincar com a gente e gritava por qualquer motivo. Havia uma tensão feia entre ele e o nosso pai. Mesmo sendo novo, eu sabia que a mudança tinha a ver com aquele lugar estranho na capela.
Eu não precisaria esperar muito para descobrir o segredo da nossa família. Afinal, eu era o segundo mais velho. Meu aniversário chegou naquele mês de novembro. Lembro de cada segundo daquele dia. Papai me acordou antes dos meus irmãos. Ele me levou para o quarto principal, onde passava as noites sozinho. O quarto talvez tivesse sido chique um dia, mas agora as paredes estavam cinzas pela fumaça de cigarro e cheiravam a mofo.
Os lençóis estavam bagunçados de apenas um lado. Deu uma tristeza pensar no papai dormindo sozinho, toda noite, com aquela cama enorme e roída pelas traças. Papai me vestiu com o mesmo terno que o Jamie havia usado. Ficou um pouco melhor em mim, eu era mais forte e mais baixo do que ele. Me olhei no espelho e senti um pingo de orgulho.
Eu era um cavaleiro de verdade pela primeira vez, como aqueles homens arrumados das revistas velhas que achávamos às vezes enquanto limpávamos a casa. Não era mais um garotinho de rosto sujo. Papai deu um passo para trás depois de ajeitar minha gravata com os olhos brilhando. Sua boca tremeu enquanto passava o polegar na minha bochecha. Estou tão orgulhoso de você. Ele disse isso e me abraçou. Meu peito se encheu de um calor bom.
Caminhamos pela mata até a capelinha branca. O ar estava fresco e a mata estava viva com as cores do outono.
Meus irmãos se reuniram nos bancos enquanto papai e eu esperávamos do lado de fora das portas. Ele enganchou o braço no meu e olhou para mim. Apenas me siga. Ele murmurou dando um tapinha no meu braço. Suas palavras me acalmaram. As portas da capela se abriram sozinhas e o som de sinos de igreja ecoou pela mata. Embora o sino enferrujado lá no alto estivesse parado. Mas não tive medo.
Papai me guiou pelo corredor em direção ao púlpito vazio. Andamos no ritmo das badaladas dos sinos, algo que percebi que só nós dois podíamos ouvir. Meus irmãos sussurravam e se mexiam no banco. Jamie estava sentado na ponta, olhando fixamente para a frente. Com os olhos sem vida e as costas tensas. Subimos. Atrás do púlpito ficava o alçapão secreto, antigo e mofado.
Meu pai deu um puxão forte no anel de latão enferrujado e a porta se abriu com um rangido. Diante de nós havia uma escada de pedra cheia de rachaduras e manchada de musgo e cogumelos. Os degraus levavam para a escuridão. Pela primeira vez naquele dia senti algo que não era orgulho. Eu tive medo. Mas acho, olhando para trás, que não conseguiria ir embora mesmo que eu tentasse.
Papai e eu descemos as escadas com cuidado. Ele ainda segurava firme o meu braço. Saímos em um túnel de terra alto o suficiente para andarmos de pé, embora as raízes no teto roçassem em nossas cabeças. Por um momento ficamos parados.
Houve um som estranho de estalo e uma brisa soprou da escuridão à frente. Isso devia ser impossível, já que o túnel parecia apenas ir para mais fundo na terra. Mas junto com o vento, veio a luz. Nichos haviam sido cavados nas paredes de terra, e dezenas de velas de repente se acenderam dentro deles. Levei um susto quando a claridade revelou centenas de mariposas.
Elas levantaram voo agitadas pelas chamas. Suas asas macias batiam e esbarravam na minha bochecha. Conforme papai e eu andávamos pelo túnel, minha aflição aumentava. Comecei a tremer. Papai se manteve firme ao meu lado e sua presença me acalmava. Não sei quanto tempo andamos em silêncio.
O túnel não estava quieto, ouvia o estalo de chamas das velas, o pingo de umidade do teto, o som dos nossos sapatos e o bater das asas das mariposas. Elas pousavam nos meus ombros e na minha cabeça, batendo em meu rosto o tempo todo. Quis perguntar para o papai onde estávamos indo, mas, de novo, eu fiquei calado. Logo senti um cheiro doce e suave. Quase ao mesmo tempo, a luz das velas revelou uma porta.
As mariposas estavam amontoadas nela com tanta intensidade que parecia que a porta era feita de asas pálidas e trêmulas. Papai se virou para mim. À luz das velas, seu rosto estava todo marcado. Ele parecia mais um símil do que um homem. É aqui que eu deixo você, filho. Não tenha medo. Você não vai se machucar. Eu prometo. Apenas faça o que a natureza mandar você fazer.
Ele viu que eu estava tremendo e pôs a mão no meu rosto. Esse é o legado na nossa família, Eli. Jamie fez isso. Eu fiz isso. Meu pai, antes de mim, fez isso. É tão antigo quanto o nosso sangue. Mais antigo até. Nada aqui vai lhe fazer mal. Tudo bem.
Consegui dizer isso, meu pai deu um sorriso murcho, virou e me deixou diante da porta. Ele sumiu pelo caminho por onde a gente veio. E eu fiquei sozinho. Com cuidado, empurrei a porta de pedra. As mariposas voaram pra longe dela, formando uma nuvem que tive que afastar com as mãos pra conseguir enxergar alguma coisa. A sala que eu entrei era enorme.
As paredes estavam cheias de centenas de pequenos nichos com velas queimando forte. E havia mais velas espalhadas pelo chão. Do outro lado havia uma grande cama branca cercada por cortinas de tecido fino. O cheiro doce era muito forte. Misturado com algo cru, como cheiro de suor.
então a cama se mexeu de suas laterais esticaram-se braços estranhos lutei para entender o que eu tava vendo eram braços braços humanos com mãos humanas
mas que dobravam em lugares demais e eram longos e pálidos em excesso. Penas longas saíam dos cotovelos. Não era uma cama, era uma pessoa, ou pelo menos algo semelhante de um jeito bizarro. O corpo era enorme, branco e inchado.
O que eu havia achado que fosse travesseiros eram, na verdade, seios enormes e caídos, sem mamilos. A parte que parecia um cobertor grosso era uma barriga gigante, caída até o chão em dobras de carne branca. Enquanto eu observava, um par de braços se esticou para afastar as cortinas, como uma noiva levantando o véu. Seu rosto!
Como descrever aquele rosto? Uma vez, tirando o lixo da nossa casa, encontrei uma boneca de porcelana antiga. Ela tinha um rosto rechonchudo de inocência, embora o tempo tivesse apagado a tinta e deixado apenas uma imitação rústica de um rosto humano.
O rosto da criatura se parecia com o daquela boneca, mas os olhos eram grandes, saltados e totalmente pretos. E o mais bizarro, de sua testa, saía um par de longas antenas. Eram de um tamanho de braços e alcançavam o teto. Elas balançavam lentamente de um lado para o outro. Enquanto eu processava tudo aquilo em choque, a criatura sorriu para mim.
Seus lábios pálidos se abriram, revelando uma boca preta e úmida, sem dentes. E então ela falou. Olá, doce Elias. A voz soava completamente errada. Ela falava a nossa língua, mas com um zumbido estranho, como se tivesse com a garganta entupida. De alguma forma eu consegui falar. O que? O que é você? Como você sabe meu nome?
A criatura fez um som estranho de estalo. A gordura em seu corpo balançou e a boca, sem dente, se abriu mais. Ela estava rindo. Eu sou você. Você veio de mim. Eu dei a luz aos seus irmãos.
ao seu pai, o pai do seu pai e o pai dele antes dele. Conheço cada pedaço seu, pois você cresceu e se formou dentro de mim. Agora chegou a hora de você se entregar.
Para que eu possa gerar o seu filho. Senti horror e nojo, mas parecia que esses sentimentos estavam distantes. O cheiro doce tomava conta de mim. Fazia minha cabeça girar. Minha pele estava quente. Eu devia estar apavorado. Devia estar enojado. Eu sinto tudo isso olhando para trás.
Mas na hora, eu estava em transe. O cheiro dela era poderoso demais para o meu cérebro raciocinar. Naquele momento, senti que meu corpo servia para uma única coisa, e eu sabia o que era. Logo eu estava diante da criatura.
seus muitos braços acariciaram o meu cabelo o meu corpo e o meu rosto ela falava baixinho comigo enquanto eu subia sobre ela com meu corpo afundando naquela carne macia deitei em sua barriga usando-a como travesseiro deitado ali mesmo a pele dela sendo pegajosa
Senti um conforto que nunca havia conhecido. Eu estava seguro. Estava acolhido. Estava amado. Ela me abraçou com seus braços finos e suas palavras entravam na minha mente. E então o ato aconteceu. E eu me senti no céu.
Vou poupá-los dos detalhes, lembrar que tive relações com um monstro mariposa que era aparentemente minha mãe e minha avó é tão traumatizante pra mim quanto é pra você ler isso. Mas o que eu preciso dizer é que nunca mais senti um prazer como aquele depois. Nunca me senti tão amado e seguro. Eu sei agora que eu não tava no meu estado normal e lembrar disso me dá náusea.
Mas ainda há noites em que eu acordo em um sobressalto sentindo os resquícios daquele prazer. E por um momento eu fico triste, por saber que eu nunca mais vou sentir aquilo de novo. Não sei quanto tempo fiquei lá com aquela coisa.
Lembro vagamente de me vestir devagar, ainda meio tonto. Lembro da criatura passando a mão na barriga enquanto eu saía, seguido por uma nuvem de mariposas. Dormi um sono pesado por horas. No jantar olhei para o meu pai enquanto comia. Ele sorriu, orgulhoso de mim.
E eu me senti bem. Mas o Jamie estava me olhando também. Ele não sorriu de volta, mantendo a boca sempre travada numa expressão triste e dura. À medida que o encontro com a criatura ia se tornando um sonho, a atitude do Jamie continuava a me incomodar. Ele não havia sentido a mesma coisa que eu?
Com certeza havia medo e nojo envolvidos, mas se todos na família haviam passado por aquilo, qual era o problema? Era a nossa história, afinal. O tempo passou e minha confusão virou raiva.
Jamie mal falava com a gente. Ele achava que era melhor que nós? Nunca tive a chance de dizer isso pra ele. Ele veio até mim primeiro. Faziam cinco meses desde o meu aniversário. A vida seguia normal. Mas uma manhã, quando acordamos, havia um clima estranho no ar. Comentei isso com meus irmãos, mas eles nem deram bola.
Enquanto fazíamos as tarefas, eu me sentia estranhamente feliz. Estávamos saindo de uma das casas velhas quando Jamie me pegou pelo braço e me puxou. Ele ficou quase cara a cara comigo e seus olhos estavam selvagens. Escute bem, Eli. Por que você acha que o papai nunca deixou a gente falar com garotas na cidade? Olhei para ele sem entender. Aquela coisa na capela, ela não quer concorrência.
Ela deu à luz a todos nós, apenas meninos. Mas ela não consegue escolher o sexo do bebê. Por que você acha que não existem mulheres na nossa família? O que você acha que acontece quando nasce uma menina? Um pavor começou a crescer no meu peito.
O seu está vindo hoje. E para o seu próprio bem, eu espero que não seja uma menina. O semblante dele desabou. Eu não tive essa sorte. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele foi embora. Fiquei parado, olhando ele se afastar. Quando a noite caiu, meu medo aumentou. Aquela sensação boa de antes sumiu.
Passei a noite em claro, olhando pro teto. Quando a porta arranjeu, soube que era o meu pai. Ele veio até a beira da minha cama e fez sinal pra eu ir com ele. Fomos pela mata escura até a capela. O clima tava horrível, dava pra sentir no ar. Os animais noturnos estavam quietos e fazia frio.
A capela brilhava branca no escuro. Entramos. O chão parecia vibrar. E quando o pai abriu o alçapão, eu ouvi. Um guincho zumbido e terrível. Cheio de raiva e dor. Eu já havia ouvido animais sofrendo antes.
Aquilo era como todos aqueles gritos juntos. Recuei diante do som, paralisado. Olhei para o meu pai para ver se ele também estava com medo. Ele estava, de certo modo, mas sua expressão parecia fria. Percebi então que ele já sabia o que estava acontecendo. Já havia passado por aquilo muitas vezes. Ele pegou meu braço e me arrastou pelo túnel. As mariposas estavam frenéticas, voando em nossa direção e batendo nas paredes.
Algumas voavam para o fogo das velas e morriam na hora. Os gritos ficavam cada vez mais altos. Chegamos à sala. A criatura estava lá, mas dessa vez o seu corpo se contorcia como uma onda. O cheiro doce havia sumido, substituído por um fedor de sangue e vísceras. O rosto de boneca da criatura estava retorcido de dor e raiva.
Baba escorria de sua boca preta enquanto ela uivava. As antenas giravam enlouquecidas em volta da cabeça. Quando ela viu a gente, sua expressão ficou ainda pior. Levai o que você fez, a sua semente.
Maldições! Fiquei ali parado, olhando aquele corpo se contorcer com o estômago embrulhado. Ela estava expelindo algo. Havia uma poça escura no chão debaixo dela. Meu pai foi em direção a ela para tentar acalmá-la. Um de seus braços deu um golpe nele com uma força absurda, jogando ele contra a parede. Ele caiu em cima das velas.
A criatura soltou um gemido profundo. O corpo dela teve um espasmo forte e ouviu-se um baque úmido quando algo caiu no chão. O que estava ali, na minha frente, era um casulo. Tinha mais ou menos o tamanho de uma melancia, era branco e brilhava. Os gritos da criatura se transformaram em uma respiração pesada.
Enquanto eu observava, o casulo começou a tremer. Uma mãozinha vermelha rasgou a película fina. Pelo buraco ouvi um choro fraco. Era um bebê. Algo tomou conta de mim. Eu soube na hora que o bebê era meu. Foi um instinto paternal que surgiu de imediato.
Enquanto meu pai e a criatura tentavam se recuperar, me ajoelhei e comecei a rasgar o casulo para tirar o bebê de lá. O casulo parecia feito de teia de aranha, pegajoso e se desfazia quando eu tocava. Logo o bebê estava livre.
A pele era avermelhada e estranha, parecia uma batata retorcida, mas o rosto e o choro eram humanos. E quando eu segurei nas mãos, senti que meu destino estava mudando. Elas! Olhei para ela, parecia mais calma agora, com os olhos pretos brilhando. As antenas voltaram a balançar devagar. Ela estendeu os braços para mim. Traga-o para mim.
Levantei o bebê na minha frente e percebi, com pavor, o que estava acontecendo. O bebê era uma menina. Os braços da criatura se esticaram na direção da criança e eu apertei contra meu peito. Por quê? É uma intrusa. É uma maldição. E eu estou com fome. Ela lambeu os lábios com aquela língua preta.
As palavras do Jamie voltaram para minha mente e percebi que ele estava certo. Meu pai conseguiu se levantar. Ele estava machucado e suas roupas estavam queimadas. Apenas entregue para ela, filho. Vai acabar logo. Olhei para o bebê. Ela estava chorando e se mexendo.
Apertou minha camisa com toda a força de suas mãozinhas. Pela primeira vez na vida, tomei minha própria decisão. Dei as costas pra minha família. E corri. Segurei a criança firme contra o peito enquanto corria pelo túnel. Meu pai chamou por mim, mas a voz dele se perdeu em um zumbi duivante que parecia me empurrar pra fora. Mariposas batiam no meu rosto. Conforme eu passava pelas velas, elas se apagavam, deixando tudo no escuro.
Achei ter ouvido meu pai gritar, um som de puro terror. Não gosto de pensar muito nisso. Saí correndo da nossa propriedade em direção à cidade, com o bebê ainda berrando. Tive que parar de correr quando meus pulmões começaram a queimar e as pernas a falhar. Nunca senti tanto medo quanto ao andar por aquela floresta escura, sabendo que o choro da minha filha revelava a minha posição. Mas ninguém veio atrás de nós.
Andei pela cidade batendo nas portas até que alguém atendeu. O choro da minha filha já estava bem fraco e eu sabia que ela precisava de ajuda logo. A garota da sorveteria atendeu a porta. Ela me reconheceu na hora e ficou em choque quando viu o bebê nos meus braços.
Por favor, ajuda a gente. Foi a primeira vez que eu falei de verdade com uma mulher. A família da Shirley cuidou de mim por um tempo. Eles me ensinaram a cuidar da minha filha, a trocar as fraldas e da mamadeira. Nunca saí da casa deles por medo de encontrar a minha família. Ficamos lá apenas por algumas semanas e então pegamos a estrada de novo. Fomos de cidade em cidade, vivendo da ajuda de estranhos. Geralmente eram as mulheres que nos ajudavam.
Conheci todo tipo de mulher. Algumas mais rígidas, outras gentis. Elas me ensinaram sobre o mundo e sobre tudo que eu havia perdido. Quando estávamos longe o suficiente para eu me sentir seguro, tentei recomeçar a vida. Minha filha estava crescendo e se tornando uma criança saudável. Ela era tudo para mim. Tudo que eu fazia era por ela. Dei a ela o nome de Débora. Deb, para facilitar.
Consegui um bom emprego que tinha uma creche pra Debb.
Naquela época era um pouco mais fácil criar um filho do que hoje, não vou negar. Mesmo assim eu trabalhava demais. Era o jeito mais fácil de não deixar os pensamentos ruins tomarem conta da minha cabeça. Tive alguns romances aqui e ali, mas nada durava. O sexo era difícil pra mim. Depois de tudo que eu passei, eu sempre me sentia sujo depois, sempre lembrando que nunca seria tão bom quanto daquela vez. E saber disso me fazia sentir como um monstro.
Com o tempo, parei de tentar demonstrar interesse nisso e fiquei mais feliz, mas acabei nunca tendo um relacionamento de verdade. Eu não precisava de ninguém. Eu tinha a Debbie.
E conforme os anos passavam e ela crescia inteligente e engraçada, o meu passado parecia cada vez mais distante. Mas fui tolo em achar que o tempo resolveria tudo. Eu não consigo escapar do meu sangue. Não importa o quanto eu corra ontem.
Foi aniversário de 14 anos da Debbie. Hoje de manhã ela se trancou no banheiro chorando por horas a fio. Quando finalmente me deixou entrar, eu quase gritei de horror. Porque ali, saindo da testa da minha filha, havia um par de longas antenas.
É isso aí, gente. Eu falei que era uma creepypasta meio bizarra, meio esquisita, mas eu acho ela muito divertida. Eu gosto sempre divertida, né? No sentido de é muito diferente, né? É uma parada meio fora da caixa. Eu gosto muito de creepypasta e gosto também de muito de...
mangá de terror, porque eu acho que são as mídias que mais conseguem sair fora da caixinha tradicional do terror. São as duas mídias que não têm medo de serem esquisitas e serem bizarras, sabe? Pensar em tramas completamente sem noção, coisas que a gente jamais imaginou. Eu gosto muito do Junji Ito justamente por isso, porque ele...
não se preocupa em dar muitas explicações e cria histórias bizarras. A primeira história que eu li dele, sem querer desviar o assunto, mas a primeira história que eu li dele foi a falha de Amigara, que é do pessoal que encontra uns buracos numa montanha.
Que tem o formato de pessoas... Formatos de buracos individuais pra cada pessoa. É um buraco feito especialmente pra cada pessoa. Só uma pessoa caber naquele buraco. Então, é uma história esquisitíssima. Eu gosto muito de mangá por causa disso. E gosto de creepypasta também, porque não tem esse compromisso com a normalidade. Então, eu acho que jamais a gente veria um filme...
De uma mariposa que hipnotiza homens pra procriar com eles. Então, eu gosto muito da creepypasta por causa disso. Mas falando um pouquinho da história em si, gosto muito dela, gosto muito dessa provocação aí de...
um ser, uma criatura, tipo um súcubus, hipnotizando homens para procriar junto com ela. A única crítica que eu faria a essa história, eu fiquei um pouco com dificuldade de realmente entender qual é o benefício.
que os homens têm em se relacionar com a mariposa, ou se é simplesmente o fato dela hipnotizar eles. Porque, para mim, as duas opções não estão muito claras. Primeiro, eu acho que não fica muito evidente qual é o verdadeiro benefício.
dos homens ali, daquela família, se manterem aquele relacionamento com a mariposa. É claro, eles descrevem ali que tem o Eli, ele descreve lá que é um prazer que ele nunca sentiu antes, ok, mas não é um prazer suficiente para ele voltar, por exemplo, ele não abriu mão da filha dele.
Pra sentir aquele prazer de novo. E mesmo o pai dele também não fica muito claro que ele tá viciado naquele prazer. Que ele tá visitando a caverna todos os dias, né? Não tem nenhum indício disso. E o irmão dele também, né? Ele tem um relacionamento uma vez com a mariposa, ele fica feliz, mas depois que a filha dele nasce, ela devora a filha dele.
Ele fica triste também, sabe? Não é algo, ah, tá bom, é um prazer que eles não sentem e nunca vão sentir de nenhuma outra forma. Mas não é o suficiente, por exemplo, pra tornar eles felizes. Eles não têm nem o desejo de voltar, por exemplo, né? Me deu a impressão que o irmão do Eli não quer voltar.
não faz questão nenhuma de voltar, o Eli também teve uma vez, é indescritível, é bom pra caramba, mas também não faz questão nenhuma de voltar. Então, assim, qual é o benefício? Porque eles vivem num casa caindo aos pedaços, é uma família já decadente, aparentemente não tem dinheiro pra nada, sabe? Ninguém trabalha ali, não se faz nada. Então, sabe, entendeu? Eu não consigo ver...
Qual é o benefício que eles têm real de manter esse relacionamento, de continuar servindo ali a mariposa? E no aspecto de ser hipnotizado, mais ou menos no mesmo caminho ali. Ninguém parece que está efetivamente hipnotizado. O Eli descreve que quando ele está entrando na capela, ele começa a ouvir sinos. Então é um indício que a mariposa tem um poder de hipnose. E...
Mas também não me pareceu ser um poder grande, forte o suficiente para manter eles ali, sabe, cativados. Até ela poderia fazer eles imaginarem que eles moram numa casa fantástica.
Mas não, eles só têm essas empinoses auditivas, talvez alguma coisa ali com a aparência dela, mas mesmo assim também não, porque ela parece como um monstro para eles. Ela poderia hipnotizar para parecer uma mulher mais atraente, mas também não.
Então, assim, é a única crítica que eu faço pra história. Pra mim não ficou muito claro o que mantém eles ali, né? O que faz com que eles não desistam.
de continuar servindo essa criatura, simplesmente a esqueçam ali. Porque nem de ameaça ela consegue manter eles. Ela fica presa ali no buraco, né? Ela não tem mobilidade pra sair, pra fazer nada. Lógico, ela é forte, ela dá um empurrão lá no pai do Eli e chega a machucar ele e tal. Mas mesmo assim, eu não consegui...
pegar, entender o que mantém eles lá, o que mantém eles, principalmente o pai do Eli, o pai da família, o que mantém ele continuar com essa tradição? Não tem nada ali que eu consegui identificar que faz com que ele continue, sabe, agindo dessa maneira. Mas é assim, é a minha única crítica.
que eu faço a história, eu acho que ficou um pouco difícil entender isso. De resto, gostei muito toda a descrição que o Eli faz, graças a Deus ele não entra muito em detalhes na hora do relacionamento, mas a descrição de ele entrando na caverna, os cheiros, as mariposas voando, batendo na cara dele.
Tudo isso eu achei muito legal, é bem descritivo. E um final que eu achei super bacana, sensacional. A menina ali crescendo e de repente, pá, duas antenas surgem na testa dela. Ou seja, ela vai virar praticamente o mesmo monstro com que o Eli se relacionou. E aí a gente faz... Qual é a grande pergunta ali pra mim no final da história?
O porquê dela evitar que outras mulheres nascessem? Era porque viraria outra rainha? Rainha, né? Estou chamando aqui de rainha, mas não sei nem se mariposa tem rainha. Mas evitar que outro monstro surgisse e roubasse o lugar dela, ou evitar essas criaturas deformadas, porque os homens nascem normais.
Mas as mulheres, aparentemente, elas nascem nesse formato de mariposa. O que me levou até a dar uma pesquisada sobre a vida das mariposas, tentar entender se tinha alguma coisa no comportamento desses animais que tivesse relação...
com essa história, mas pelo que eu pesquisei, eu não achei nada que indicasse, por exemplo, que as mariposas comem as crias se elas forem fêmeas, ou mesmo os homens, não encontrei nada disso. Ou o fato de ela acasalar, sei lá, com vários parceiros e tudo mais. Eu tentei encontrar alguma relação pra escolha da mariposa numa história.
Por exemplo, se ele tivesse escolhido uma aranha, uma viúva negra, a gente sabe que depois que ela casala com o macho, ela mata o macho. Mas a mariposa especificamente, eu não consegui identificar ali o porquê da escolha dela, levando em consideração essa busca que eu fiz pelo comportamento das mariposas no mundo real. Se você encontrou, se você sabe...
de alguma coisa nesse sentido, até uma coisa da empinose, talvez, né? Eu não sei, aquele pozinho que sai da asa da mariposa, se seria um feromônio, alguma coisa nesse sentido, mas eu não encontrei nada. Se você encontrou, se você sabe de alguma coisa, se você é um biólogo e manja de mariposas, deixa aí na descrição o que você acha, o motivo do autor ter escolhido a mariposa como o monstro.
dessa história. E falando no autor, vou puxar aqui um detalhe, acho que todo mundo percebeu que eu não falei o nome do autor no começo da história, normalmente eu falo, mas eu deixei pro final, porque esse às vezes é o problema das creepypastas, é difícil você identificar o autor.
O cara que escreveu essa história, ele tem o username de Solas no Reddit, e parece que faz seis anos que o cara não posta nada. Essa foi uma história que ele postou, fez muito sucesso, ele sumiu, ninguém sabe o nome dele verdadeiro, ele não tem um site, ele tem outras histórias ali no perfil dele, mas a última vez que eu vi, parecia que fazia seis anos já que ele não postava nada.
Então, esse é o problema das creepypastas, dessas mídias da internet, que às vezes a gente perde o poder de identificar quem realmente publicou. A gente tem o nome desse cara, se ele voltar a postar, ele pode publicar o nome dele e a gente identificar ele, mas ninguém sabe, então ele é só conhecido como Solas. Não sei nem se eu toco o nome certo, mas tem o link dele aí na descrição, tem outras histórias dele ali se você quiser conferir.
Mas é isso, gente. Mais uma história que eu tive que fazer a tradução, então se você identificou aí algum problema, algum erro de tradução, fique à vontade pra colocar as correções aí nos comentários. Lembrando que estamos nas plataformas de áudio, acho que agora não falta mais nenhuma, estamos nas principais. Estamos lá no Spotify. Estamos lá, sou só eu, mas...
O Ignore o Barulho está no Spotify, em áudio e vídeo. E coloquei essa semana o Ignore o Barulho na Apple Podcasts. Então vocês, proprietários de produtos Apple, podem usar o aplicativo nativo da plataforma para ouvir.
O Ignore o Barulho, por enquanto, ainda está só em áudio. Eu sei que a Apple Podcast aceita vídeo, mas ainda não encontrei uma forma prática de eu fazer essa publicação. Então, a princípio, está lá só em áudio, se você quiser ver em vídeo, YouTube e Spotify, por enquanto. Tá certo? Gente, eu acho que é isso. Ignore o Barulho dessa semana vai ficando por aqui, com essa história aí de não podíamos falar com as mulheres.
No princípio eu achei que era uma história sobre incéus. Graças a Deus, não é? Mas é uma história muito bacana, muito bizarra. E eu gosto de trazer essa bizarrice, essa coisa de... Pô, da onde o cara tirou isso, né?
Então, em breve eu vou trazer mais desse tipo. E mais uma vez peço para você indicar histórias aí nos comentários, creepypastas que vocês curtem, seja famosa ou não, deixe aí nos comentários. Creepypasta Brasileira já me mandaram algumas sugestões.
Se você conhecer, deixa aí nos comentários também. Beleza? Peço pra você deixar o seu curtir. Se você tem muita gente que tá vendo os vídeos e não é inscrito no canal, por favor, se inscreva. Mais Cripe Pasta, se você gosta desse tipo de conteúdo, conteúdo voltado pro terror, se inscreve porque vai ter muito conteúdo sobre isso no Ignore o Barulho. Certinho, gente? Mais uma vez, obrigado pela audiência. E semana que vem tem mais Ignore o Barulho. Um abraço. Tchau.
S0las