Episódios de Ignore o Barulho

O outro astronauta morreu há 6 semanas, mas o computador insiste que ele está vivo | Creepypasta

03 de maio de 20261h13min
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Ben morreu de um aneurisma bizarro na órbita baixa da Terra. Seu corpo foi deixado do lado de fora da estação espacial para evitar a decomposição. Mas agora, os computadores dizem que ele está vivo. E algo está batendo na escotilha pedindo para entrar.✍️ Autor: Christian WallisSite oficial: https://www.chwallis.co.uk/Creepypasta original: https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/1b9s2no/the_only_other_astronaut_on_this_mission_died_six/📸 Instagram:https://www.instagram.com/sitedomau/🎧YouTube:

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Participantes neste episódio1
R

Reynolds

HostAstronauta
Assuntos8
  • Confronto de Elias com AcabeA tentativa de Reynolds de retornar à estação · O ataque de Ben a Reynolds · A manobra de Reynolds para se livrar de Ben · A reentrada de Ben na atmosfera terrestre
  • Caminhada Espacial e a Transformação de BenA busca pelo som na escuridão do espaço · Encontro com o corpo de Ben · Aparência grotesca do corpo de Ben · A ordem para coletar amostras e retornar
  • Morte de Benício XavierAneurisma bizarro em órbita baixa da Terra · Procedimentos para lidar com corpos no espaço · Descarte do corpo de Ben na estação espacial · Diário escondido de Ben
  • O Diário de Ben e a Previsão da MorteConteúdo do diário: números, fractais e desenhos · Palavra 'Aneurisma' e a data da morte de Ben · Palavra 'Imolação' e a data futura · A natureza determinística do destino de Ben
  • Batidas na Estação EspacialSons inexplicáveis no casco da estação · Permissão negada para caminhada espacial · Suspeita de que o corpo de Ben se soltou · A possibilidade de ser uma mensagem da voz cósmica
  • Ameaça Cósmica e a Influência da VozA voz cósmica como influência sobre Ben · A transmissão de luz do cometa · O terror cósmico e lovecraftiano · A incapacidade humana de compreender entidades cósmicas
  • Narração de CreepypastaIntrodução ao autor Christian Wallis · Outras histórias do autor · O título como mini-sinopse · Horror cósmico e lovecraftiano
  • Ambição e DestinoA história de vida de Ben contida no diário · A inevitabilidade dos eventos preditos · A influência da voz nas ações de Ben e Reynolds · O verdadeiro Ben e a perda do livre arbítrio
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Bem-vindos de volta ao Ignore Barulho. Hoje eu trouxe mais uma narração de Creepypasta. A Creepypasta dessa vez foi escrita pelo Christian Walls. É um cara que tem diversas histórias publicadas no No Sleep. Ele tem algumas publicações, já que dá pra comprar na Amazon. Tudo em inglês, né? Eu não achei nada dele em português. Mas ele é um cara bem conhecido no universo da Creepypasta. Tem diversas histórias conhecidas. Uma delas que eu ainda quero trazer...

pro canal, chama o meu marido tá levando o nosso roleplay longe demais, ou nossa fantasia longe demais, e depois tem a continuação dessa história que chama minha esposa está levando a nossa fantasia longe demais. É muito legal, é bem bacana, mas não é.

Essa história que eu trouxe dessa vez hoje. Como você já deve ter visto aí no título, a creepypasta de hoje chama-se O Outro Astronauta Dessa Missão Morreu Há Seis Semanas, mas o computador insiste que ele ainda está vivo.

É um título bem longo, faz parte dessa nova mania aí de creepypastas, de fazer um título que praticamente o título é uma mini-sinopse da história. É uma nova onda aí, uma nova tendência que a galera tá seguindo.

Enfim, mas isso já dá aí uma pista sobre o que é a história. Outra pista que eu vou dar pra vocês é que quem gosta de horror cósmico, horror lovecraftiano, vai adorar essa história. Beleza? Então, sem mais delongas...

Vamos para a creepypasta de hoje. O outro astronauta dessa missão morreu há seis semanas, mas o computador insiste que ele ainda está vivo. Bora lá e depois eu volto para fazer os comentários.

Quando o Ben morreu, ele quase não fez barulho. Foram os computadores que me avisaram. Alarmes estridentes e luzes piscando. Eu nem tinha saído do meu saco de dormir antes do meu smartwatch acender com meia dúzia de mensagens sobre falhas no sistema. Astronauta 1. Falha no monitor de frequência cardíaca. Astronauta 1. Falha no monitor de condutância da pele. Astronauta 1.

Falha no monitor de VO2. Só caiu a ficha da situação quando eu tava sacudindo o bem que não respondia. Olhos brancos virando pra dentro do crânio, sangue acumulando nos ouvidos dele como uma geleia vermelha, viscosidade, massa, sem gravidade. Me deu náusea só de olhar. O QG diria mais tarde que o bem morreu de um aneurisma. Um em um milhão.

Uma morte bizarra que por acaso aconteceu na órbita baixa da Terra. E agora? Eu perguntei depois que todo o pânico passou e a realidade da minha situação finalmente se assentou. O QG me enviou um documento raramente usado ou discutido que explicava o que eu teria que fazer.

Corpos representam uma ameaça única em microgravidade. Toda aquela ordem vira desordem. O que é sólido vira líquido. O que é líquido vira gás. A primeira coisa que eu precisava fazer era colocar o corpo do bem em algum lugar sem oxigênio e que fosse congelante.

Algum lugar onde ele não representasse perigo nem pra si mesmo, nem pra mim. Isolado, mas fácil de recuperar. A conclusão era óbvia. Eu já sabia o que iam sugerir antes mesmo de eu chegar naquela parte do livreto. Aconteceu tão rápido que o bem ainda tava quente quando eu coloquei no saco especial projetado pra aguentar o vácuo do espaço.

Eu ficava esperando ele protestar enquanto eu puxava os membros ficando rígidos e manipulava as articulações inchadas. Cada passo do processo, cada zíper, cada pedaço de velcro, eu tinha que me lembrar que ele não ia reclamar. Parecia íntimo, mas não era. Intimidade exige duas pessoas. Naquele ponto, o bem era só carne.

A caminhada espacial em si foi outra história. O saco que envolvia o corpo do bem inflou no vácuo e eu senti instintivamente a vontade de desfazer o que eu tinha feito.

Tinha um corpo ali dentro, e corpos não foram feitos pra ter tão pouca coisa entre eles e o espaço sideral. Quando eu toquei o saco, ainda conseguia senti-lo por baixo do material fino como papel. A dobra de um cotovelo, a curva do nariz...

Quando cheguei no meu destino, o corpo dele já parecia quebradiço. Prender ele na estação espacial foi fácil, em termos técnicos. Deixá-lo lá e a contra todos os meus instintos. Depois daquilo, não dava mais pra fingir que ele ia voltar. Um dia depois, comecei a guardar as coisas dele. Tinha uma catarse nisso que eu achei calmante.

Cataloguei os pertences dele com um desapego frio. A maioria das coisas dele era sem graça e desinteressante. Fotos dele com cachorro, uma cópia de um livro do Michael Shee, um certificado de excelência da NASA que ele recebeu quando tinha 10 anos.

Ele descobriu um cometa, ele me contou no nosso primeiro encontro. Num quintal com um telescópio. A NASA deixou ele dar o nome e tudo. Foi assim que ele soube que ele queria ser astronauta. Descreveu isso como um chamado. O bem era assim, um verdadeiro escoteiro. Em vida, ele não tinha arestas. Você pensaria que, dada a nossa história, seríamos próximos?

Dois homens selecionados com base em um extenso perfil psicológico. Juntos, simulando várias missões para Marte. Duas em solo, uma no espaço. Todas altamente secretas. Uma missão oficial à Marte seria a próxima. Ponto em que todo o projeto se tornaria público.

Mas o segredo para fazer duas pessoas trabalharem juntas, sozinhas, por quase um ano inteiro, não é encontrar dois caras que são melhores amigos para sempre. É encontrar pessoas que não vão ter atrito uma com a outra.

Nem ódio, nem amor. Dois homens que gostam da própria companhia, mas que não se importam um com o outro. Bem eu nos conhecemos ao longo de todo esse tempo juntos. Mas não era como se fôssemos irmãos de armas.

Trabalhávamos tão bem justamente porque não havia profundidade na amizade. Sem riscos. Nada sobre o que discutir. Pra mim, o Ben era um cara legal, mas era só isso. Eu achava que ele era simples e transparente até o fim. Sem segredos sombrios, sem problemas reais.

O diário mudou isso. Tava colado com fita na parte de dentro de um painel de um computador na estação de trabalho dele.

Ele deve ter escondido perto das coisas dele em algum lugar fora de vista, mais fácil de pegar. Folhas desgastadas e páginas amareladas como algum artefato antigo. A última coisa que eu esperava encontrar numa estação espacial. Quase confundi a capa de couro com algum tipo de bíblia pessoal. O tipo de tomo gasto segurado por um pregador fazendo exclamações sobre o diabo.

Mas o interior era escrito à mão. E nada parecido com uma Bíblia. Rabiscos, formas, frases sepetidas e dissecadas. Parte daquilo estava até em binário. Parecia os delírios de uma criança ou de um louco.

Pensei que fosse talvez um exercício de meditação, rabiscos vazios para ajudar a manter a cabeça no lugar durante momentos estressantes. Mas isso não explicava porque ele tinha escondido o caderno e porque os números e as páginas pareciam estranhamente organizados.

Eu não sei como descrever exatamente, exceto por dizer que havia a vaga impressão de que aquilo significava algo para a pessoa que fez. Cada grama numa nave é contabilizada. O que você leva pra cima não pode ser qualquer porcaria aleatória que você quis de última hora.

o Ben teria tido que declarar o diário. Presumo que tenha mantido o conteúdo em segredo. Um olhar para o que ele andava escrevendo e a NASA teria colocado ele em avaliação psicológica antes do fim do dia. Mas o tamanho e o peso do livro teriam que ter sido registrados e contabilizados. Não poderia ter chegado à estação por acidente.

Então eu soube imediatamente que o bem o queria pra alguma coisa. Estudei o diário por mais de uma hora tentando descobrir o que era. Folheando de uma página pra outra, encarando fileiras de números, fractais estranhos, algo que parecia o cruzamento entre um olho e um desenho de livro didático de um átomo.

Pela forma como a escrita e as habilidades artísticas dele se desenvolveram ao longo do livro, comecei a suspeitar que ele vinha adicionando coisas ali desde a infância, o que era apenas outra camada do mistério crescente. Achei que nunca teria nenhuma pista sobre o livro, até que lá por três quartos do caminho encontrei mais uma página cheia de fileiras e fileiras de números.

Só que dessa vez, uma das sequências estava sublinhada e uma única palavra tinha sido rabiscada com raiva e riscada ao lado dela. O único pedaço de inglês ou de qualquer linguagem humana em todas aquelas páginas. A única coisa escrita de uma forma que fizesse sentido para um humano vivo. A palavra em si me fez parar na hora.

Fez o meu sangue gelar. 17, 03, 18, 04, 26, 36. A neurisma. A suspeita que tomou conta de mim pareceu um tipo de loucura.

Eu disse a mim mesmo que devia estar doido quando verifiquei os dados do biomonitor do bem, que eu tinha que estar maluco para sequer considerar a ideia. Mas a informação registrada por várias máquinas diferentes confirmou.

A hora exata da morte do bem foi 17 de março de 2018, às 4 horas, 26 minutos e 36 segundos. Acho que eu não me mexi por uns bons 15 minutos depois disso.

Fiquei encarando os dados enquanto a minha mente processava uma realização gigante e impossível. O bem sabia que ia morrer. Claro que eu tentei racionalizar isso. Qualquer um tentaria.

Inventei meia dúzia de razões pelas quais ele teria escrito o que escreveu. Nenhuma delas era confortante, embora pelo menos se encaixasse numa visão de mundo mais racional. Por exemplo, a ideia de que o Ben tinha se matado naquele exato momento para cumprir algum tipo de profecia que ele mesmo tinha rabiscado dias antes ou até horas antes. Isso era algo bom? O que significava para mim? Ignore as questões logísticas.

Que veneno pode ser cronometrado até o segundo? Vamos apenas dizer que foi isso que ele fez. Isso deixaria a pergunta de arrepiar. Por quê? E não havia resposta confortável que eu pudesse ver. É claro que eu passei por aquele livro com pente fino procurando por mais pistas. Eu queria não ter feito isso. Acabei encontrando outra palavra. Essa mais perto do final do diário.

Outra data e carimbo de hora. Um que ficava seis semanas no futuro. E outra palavra arriscada dolorosamente no papel por um punho desajeitado. Imolação. Permissão negada. Mordi o lábio e respirei fundo. E quanto à integridade da estação? Nenhum sinal de qualquer problema nas câmaras externas.

Eu consigo ouvir algo batendo no casco. Nada está visível nas câmeras. É por isso que eu preciso ir dar uma olhada. É difícil discutir com um computador. Você não pode lançar um olhar mortal pra ele.

O QG poderia facilmente ter organizado chamadas de vídeo, mas na verdade eles queriam é distância. Facilitava dizer não. Uma caminhada espacial solo é incrivelmente perigosa. Microfones no casco da estação não estão relatando nada de preocupante. Impacto usual de detritos.

Nada que corrobore os relatos de batidas externas. A permissão para a caminhada espacial está negada. Eu não respondi mais nada. Mas fechei a tela e me perguntei se eles estavam sendo totalmente verdadeiros. O som de batidas vindo e indo nos últimos dias era inconfundível.

Mesmo por cima de todas aquelas máquinas e motores barulhentos. Estações espaciais são barulhentas. Eles até nos dão protetores auriculares para lidar com isso. Mas o que quer que estivesse lá fora era de alguma forma mais alto.

Ou talvez, dadas as circunstâncias, eu estivesse apenas sensível ao pensamento de que havia algo, qualquer coisa lá fora. Não dava pra negar que aquilo me irritava. Apenas um daqueles sons que eu achava impossível de ignorar, como água pingando numa banheira às três da manhã. Tum, tum, tum, tum, tum, tum, tum, tum, tum.

Sem senso de ordem, pelo menos na superfície, mas algo, talvez, por baixo. Algum sentido ou razão, algum tipo de irregularidade que o cérebro detecta e não consegue soltar. Como os microfones poderiam não notar isso? Dormir estava ficando progressivamente difícil.

Às vezes eu achava que a estação estava sob algum tipo de estresse oculto. Materiais congelando e aquecendo de formas irregulares. Sem atmosfera, sem condição de calor, as coisas ficam quentes sobre os raios do sol. Objetos aquecem e esfriam aos dois extremos. Isso é rotina para qualquer coisa lá no espaço, claro. Mas não me impediam de pensar em todas as formas como a estação era apenas uma pilha de metal que poderia se desfazer.

Poderia quebrar e rasgar, dobrar e esticar. É como ver a asa de um avião balançar durante uma turbulência. É um lembrete desconfortável de que você é apenas um macaco num brinquedo sofisticado. E se algo tivesse se soltado? Fala sério. No começo eu me apeguei estritamente a essa noção, me perguntando se alguma antena, alça ou pedaço de metal tinha se soltado e estava batendo contra o casco.

Isso seria ruim, mas claro, não era realmente nisso que eu estava pensando. É o que eu escrevia para o QG, vez após vez. Mas o que estava realmente na minha cabeça era o pensamento de que talvez, de alguma forma...

ele tivesse se soltado. É claro que isso não é tão bobo, né? O saco, especialmente projetado em que ele estava, aquele que deixaria sair qualquer gás produzido pela decomposição, enquanto mantinha a integridade do corpo dele, era novinho em folha. Sabe quantas vezes tinha sido testado? Nunca. Nunca mesmo. O Ben foi o primeiro. Então, claro que poderia se soltar.

Só porque a tecnologia da era espacial não significa que seja sofisticada. Ele estava amarrado do lado de fora como uma árvore de Natal num carro de passeio. Talvez, eu me perguntava, uma das correias tivesse quebrado e agora ele estava batendo contra a lateral de vez em quando. Não importa que não houvesse nada lá fora para causar esse tipo de movimento. Sem ar, sem vento. Se ele tivesse se soltado, apenas flutuaria um pouco mais longe.

Mas algo estava fazendo aquele barulho. E eu me preocupava quase que constantemente que fosse ele. O único problema era que eu tinha câmeras. Muitas. E todas elas, todas as vezes, mostravam a mesma coisa. O saco, quase inalterado desde a última vez que eu o vi pessoalmente, preso, firme e seguro no casco da estação. Isso devia ter me tranquilizado.

Deveria, mas não tranquilizou. Algo estava lá fora batendo no casco, de vez em quando. Sem padrão, sem razão, sem correlação. Vinha e ia, aparentemente escolhendo seus momentos para me incomodar ainda mais. O sono estava difícil por vários motivos.

As batidas eram ruim o suficiente, mas ultimamente meus pesadelos tinham tomado um rumo estranho. Escuro, frio. Neles eu estava preso numa película sufocante. Um frio congelante. Agonia sem fim, lutando furiosamente para me libertar desse vácuo negro de pesadelo. Como todos os sonhos profundamente terríveis, ele colaria meus pensamentos pelo resto do dia.

E cada vez que eu o tinha, ficava mais difícil de sacudir. Tentei aguentar, compartimentalizar, pegar meu turbilhão mental e colocar numa caixa, escrever desequilibrado na tampa e ficar balançando para frente e para trás esperando meu resgate. E essa era uma opção. Uma boa. Mas tinha uma palavrinha que me impedia de seguir o caminho, de me encolher e ignorar minha própria loucura.

Imolação. Quando o QG me disse a data em que a nave chegaria até mim, passei um bom tempo me perguntando se isso não era apenas algum grande experimento. A coincidência de tudo aquilo. A magnitude. Eles tinham me enviado a mensagem e o assunto tinha três pontos de exclamação.

Como se o oficial de comunicações do outro lado não pudesse esperar para entregar uma boa notícia pela primeira vez. Deixaram o profissionalismo de lado. Eles tinham finalmente arranjado uma nave para me resgatar depois que ela terminasse de deixar alguns caras na ISS. Foi sorte ter vindo tão cedo. Um golpe de genialidade logística permitiu que eles levassem o bem e eu de volta sem chamar muita atenção.

Eu deveria estar muito grato, eles me disseram. Mas eu estava apenas atordoado.

A conexão da data batia com a que o Ben tinha escrito. Contando o tempo de viagem, eu estaria entrando na atmosfera da Terra no exato momento em que o momento profetizado viria e iria. Perfeito para um erro. Uma placa de calor mal colocada, um propulsor fora de hora, algo, qualquer coisa, para dar errado e me deixar caindo para a morte num tubo de metal em chamas.

Se não fosse o bem lá fora batendo, eu queria saber. Eu precisava saber. Eu era um homem racional, um cético. Eu não acreditava que o mundo natural produziria um homem que pudesse prever a própria morte até um minuto ou segundo. Nem acreditava que ele pudesse prever a minha.

Nas eu sou apenas um animal, sou feito de carne, vulnerável, um nervo exposto no mundo de rochas pontiagudas. Eu sou avesso ao risco.

Aquela palavra, imolação, não era aleatória. Não era acaso. Lá no vácuo cercado por oxigênio puro, fogo era um risco constante. Os numerozinhos do bem pairavam gigantes na minha mente. Eu tinha que garantir que tudo estivesse no lugar. Tinha que garantir que não houvesse erros. Se era uma previsão o que eu me recusava a aceitar cegamente, por isso.

Então talvez eu pudesse tirar forças dela. O que o bem poderia fazer diante de um aneurisma? Nada. Mas emulação? Fogo? Um acidente? Esse tipo de coisa poderia ser evitada.

Desde que tudo estivesse funcionando bem. Desde que tudo estivesse onde deveria estar. O que o QG sabia? Câmeras e operadores remotos não eram o suficiente. Ninguém mais estava naquela lata de sardinha, exceto eu. Por que ter humanos no espaço se você não vai confiar nos instintos e julgamentos deles? Eu precisava saber o que estava fazendo aquele barulho. Eu precisava sair lá fora.

O QG percebeu tarde demais. Eu já estava dentro do traje e o sistema de compressão ciclando no momento em que eles se deram conta. Escolhi bem o momento. No meio do meu turno de manutenção. Disse para eles que estava dando uma olhada no traje para garantir que tudo estava em ordem. Isso significou que eles demoraram para entender o que eu estava fazendo.

Tecnicamente, eles poderiam parar o processo em qualquer estágio. Eles poderiam fazer qualquer coisa do lado deles. Mas ameacei forçar um comando manual que os bloquearia daquela parte do sistema. Eles me disseram que eu seria julgado pela corte marcial ao retornar. Mas essa era uma ameaça pífia. Pra mim, os riscos eram maiores que uma corte marcial. No fim, eles recuaram. Sabe como é difícil construir uma estação espacial em segredo?

Isso vinha primeiro. Se a caminhada espacial desse errado e eu morresse, a estação ainda estaria lá. Um ativo de um bilhão de dólares esperando a próxima missão ultra-secreta. Era o meu pescoço que estava na reta, não o deles. Eu aceitei isso. E sob pressão, o QG aceitou também.

No momento que a porta finalmente abriu, eu consegui me guiar gentilmente para fora e ao redor da borda para me segurar no exterior da estação. Eles tinham acessado as câmeras e estavam me guiando até o meu destino. Mas era ruído de fundo para mim naquele ponto. As vozes deles e os barulhinhos de notificação. Leituras constantes de temperatura do traje e a distância até o casco da estação.

Sem sentido. Tudo aquilo. O que importava era o som. Tum. Tum. Tum. Eu tava ansioso àquela altura. Ou se eu for honesto... Com medo. O espaço é feito de extremos. Não apenas calor, mas luz também.

As sombras projetadas são vastas e estranhas. Você entra e sai da sombra da terra como se fosse uma mão na frente de um projetor. E as sombras projetadas por você e pelos arredores são de um tipo especial de preto. A estação, com seu emaranhado de tubos e cabos, estava coberta de sombras abissais.

Coisas longas e distorcidas com origens ambíguas. Às vezes eu olhava para a escuridão e me perguntava se havia algo lá, ou se a estação estava simplesmente sendo cortada ao meio por algum tipo de força cósmica estranha. Como se eu pudesse cair nela de alguma forma. Perdido para sempre. Normalmente eu acharia aquilo lindo.

Caminhadas espaciais tinham sido para mim no ano passado uma experiência quase religiosa. Essa carregava o mesmo peso, mas por razões diferentes. Eu me sentia vigiado, algo que eu tentei ignorar, mas que ficava cada vez mais difícil. Ficava olhando por cima do ombro, analisando demais cada pequeno solavanco e vibração que eu sentia no casco da estação. Quando cheguei ao lugar onde tinha amarrado o corpo do bem, eu estava quase tendo um ataque de pânico.

Aquela parte inteira da estação estava coberta pela escuridão, do tipo em que eu não conseguiria enxergar nada. Foi só a voz do QG me dizendo que eu tinha chegado no meu destino que me fez saber que o bem estava deitado a apenas alguns centímetros de mim.

Sob a direção deles eu o encontrei e quando minha luz caiu sobre o casco em si, vi o tecido metálico brilhar com gelo. Ao tocá-lo, senti o corpo congelado do bem lá dentro, duro como rocha. Dei um empurrão nele e ele não se moveu nem um milímetro. As correias que o prendiam ainda estavam lá, firmes como sempre.

O que poderia ter causado o som? Existe uma opção. O que seria? Não temos 100% de certeza de como cadáveres responderiam às mudanças de temperatura no vácuo. Obviamente, partes do corpo vão congelar e expandir. Fluidos em particular. No momento, o saco tem muito contato de superfície com o casco metálico.

Uma teoria é que o sangue pode estar congelando e sublimando conforme a superfície por baixo muda de temperatura. Eu olhei para o saco e fiz uma careta. Quanto sangue exatamente? Não temos como dizer com certeza quanto teria saído do corpo.

Apenas que o trabalho do saco é contê-lo até o retorno. Podemos confirmar usando instrumentos na estação que o painel onde você está é bem abaixo de zero. Tudo deve estar em um estado gerenciável, por assim dizer. Sólido, provavelmente numa grande massa. Eles responderam depois de um momento acrescentaram. Você quis isso.

Seria um desperdício de recursos agora que você tá aí fora no investigar mais. Você precisa olhar lá dentro. No fundo, era exatamente o que eu queria. Não era? Pra saciar minha curiosidade mórbida?

Para enfrentar os pensamentos raivosos na minha cabeça que me mantinham acordado? Preenchendo o pouco sono que eu tinha com os pesadelos? Agora que eu estava no limite, me senti tão apavorado que até mover a mão exigia um esforço. E ainda assim eu não tinha escolha. Tinha que ir até o fim. O saco abria com um zíper projetado especialmente. Sem som.

Mas eu conseguia sentir o clique, clique, clique dos dentes especializados se abrindo. É idiota, mas quando eu abri a aba, eu juraria que um fedor terrível e podre passou por mim. Não durou mais que alguns segundos, mas foi tão vivo que eu virei o rosto e fechei os olhos com força enquanto eles lacrimejavam. Poder da sugestão, eu disse pra mim mesmo, enquanto eu abria de novo.

Foi só isso, nada mais. Sem ar, sem som, sem cheiro. Respirei fundo algumas vezes, tentei não deixar o incidente me abalar mais e olhei dentro do saco. Várias pessoas assistindo ao meu vídeo suspiraram enquanto eu fazia um ruído nada bonito.

Algo entre um gemido e um grito. Eu esperava algo... Deus, na pior das hipóteses, eu esperava algo macabro. Pele azul, cristais de gelo se acumulando nos cílios, como um corpo encontrado no Ártico. Mas o bem, o bem tinha se transformado. Grandes estilhaços irregulares de sangue congelado tinham brotado dos olhos, ouvidos e boca.

A mandíbula dele estava deslocada num ângulo não natural, enquanto um cristal de gelo do tamanho do meu antebraço forçava a saída. O pescoço dele estava quebrado, o tronco retalhado com tiras de carne penduradas como fitas, e as mãos dele estavam arranhando o próprio rosto com unhas amarelas e bizarras.

Tinha até deixado sucos na pele dele. Que porra é essa? Perguntei pra ninguém em particular, apenas pra perceber que o QG tava conversando entre si o tempo todo. Um mau funcionamento do saco. Pressão inesperada. Mudança de temperatura. Não, não, isso não é normal. Não vamos fingir que isso é normal. Gente! Eu gritei, cortando a conversa e deixando silêncio.

Por que os braços dele estão assim? Hum, espasmos musculares possivelmente causados por... Bom, o que quer que tenha causado a reação em comum no sistema circulatório dele? Talvez isso tenha feito os braços dele se curvarem em direção ao rosto. Tem marcas de arranhão nas bochinhas.

morto enquanto eu trouxe ele aqui pra fora. Uma dúzia de vozes urgentes e alarmadas. Todas desesperadas pra evitar até o menor indício de responsabilidade. Me disseram que não, que aquilo não era possível. Mas olhando pro rosto torturado do bem, eu não pude deixar de sentir uma dúvida.

Eu estava prestes a perguntar o que eu devia fazer em seguida quando o sol nasceu sobre a estação. Diferente da terra, não foi uma manhã suave. Virou um interruptor de luz. Felizmente o traje reagiu antes que tivesse a chance de me cegar. Mas a temperatura começou a subir rapidamente. Observei enquanto algo sobre a pele do bem começava a se contorcer com o novo calor.

Isso definitivamente não é normal. Não podemos oferecer mais informações sobre a situação nesse momento. As imagens que você está nos enviando estão sobre revisão por um painel de especialistas. O QG me disse isso de uma forma um tanto urgente e robótica, como se a pessoa do outro lado estivesse contendo o pânico.

As ordens atuais são para coletar amostras, fechar o saco e retornar à estação. Você tem certeza de que eu deveria levar esse material para dentro? Houve um murmúrio antes que o mesmo operador respondesse. Esqueça as amostras, feche o saco e retorne à estação. Com prazer. Eu estava ansioso para ir embora e fiz o trajeto de volta mais rápido do que eu deveria. Aquela sensação arrepiante de estar sendo observado estava por todo o meu corpo.

Me deixou desajeitado e eu bati em mim mesmo mais de uma vez no caminho de volta, como se eu tivesse subitamente desacostumado com os controles do traje. Eu simplesmente não conseguia escapar da ideia de que todo lugar que eu olhava, alguém ou algo tinha corrido para fora da minha vista.

É claro que aquilo era impossível, eu dizia pra mim mesmo. O que poderia sobreviver no espaço? Mas só tornava as coisas piores imaginar algo espreitando nas sombras, batendo no casco, me perseguindo em cada passo de volta. Quando finalmente cheguei à porta, a tensão de dentro de mim subiu. Se algo fosse acontecer, aconteceria agora, com as minhas costas viradas pro infinito. Nunca me senti tão vulnerável.

Ah, Reynolds. O som me fez pular. Eu tava tão focado nos arredores que tinha esquecido que tava sendo supervisionado por uma sala cheia de pessoas. A milhares de quilômetros de distância. O que foi? Reynolds, nós estamos... Estamos vendo algo aqui que não temos certeza do que é. Estão me dizendo que você deve esperar antes de retornar. Algo na voz do outro lado fez o meu estômago afundar.

Eles não pareciam apenas confusos. E olha, quando você tá pendurado na lateral de uma estação sozinho, estar confuso já seria ruim o suficiente. Mas não. Tinha algo mais. Medo. Há uma anomalia. Ninguém aqui embaixo sabe como proceder. Estamos buscando orientações dos superiores. Isso é sem precedentes.

O que que tá acontecendo? Começou com, bom, sinais de alguns dos biomonitores, especificamente do bem. Essa última palavra bateu como um caminhão. O quê? Sim, e as câmeras estão... A princípio, pensamos que estavam com um defeito. Parecia que o saco do bem tava vazio. E então, Reynolds, nós notamos algo, algo mais. Gente, o que que tá acontecendo?

Me disseram que eu não posso falar mais nada. Só espera. Segurei forte no corrimão, meu coração disparado. Finalmente, a porta ciclou para abrir e estava pronto para ignorar todas as ordens que o homem falando comigo do QG praticamente gritou no meu ouvido.

Não entre, Reynolds, não. Não entre na estação. O que estamos vendo nas câmeras, você não pode deixar isso entrar. Se tem alguma coisa aqui fora, eu vou pra segurança antes que me pegue. Eu parei. Meu cérebro processou. Eu tinha ouvido aquilo. Eu tinha ouvido algo no vácuo do espaço.

Olhei para minhas mãos, meus pés. Aquilo não deveria ser possível. A menos que... Tum, tum, tum, tum, tum, tum. Sem mover a cabeça, virei os olhos para o limite da visão do meu capacete e observei enquanto uma única unha amarela batia suavemente no vidro. O homem no QG falou num sussurro aterrorizante. Ele está no seu traje.

O terror que me atravessou foi elétrico. Um fogo branco correndo pelas minhas veias. Sem nem pensar, reagi como se tivesse acabado de descobrir que tinha uma granada presa nas minhas costas. Puro instinto. Nada de racionalidade. Eu gritei e me joguei tentando derrubar o bem das minhas costas. Mas tudo que eu consegui foi disparar alguns alarmes enquanto danificava o meu traje.

Tira isso de cima de mim! Eu me debatia desesperadamente e sentia algo se arrastando pelo exterior do traje volumoso.

Finalmente, meus olhos viram algo útil. Os controles dos jatos. Eu enfiei as mãos no lugar e imediatamente me impulsionei pra dentro da câmera de pressão aberta. Virando no último minuto pra que a parte de trás do traje batesse com a porta secundária grossa. Eu só esperava que o que quer que estivesse agarrando as minhas costas fosse destruído pelo impacto. Mas quando olhei pra cima, o bem ainda estava lá fora.

Boca aberta, pra mim, com a boca cheia de sangue congelado. Lentamente, seu movimento carregado com a confiança sinistra de um predador, ele se preparou pra entrar na situação.

Reynolds, saia de perto da porta. Estamos iniciando um fechamento de emergência. O Ben estava com uma mão lá dentro quando a porta bateu com tudo e a cortou. Mesmo no espaço, com a blindagem entre nós, eu juraria que eu ouvia ele gritar. Não dava mais pra ignorar o Ben ou os sons que ele fazia.

Não mais. Batidas terríveis que martelavam a estação, o local mudando aparentemente ao acaso. Isso deixou o pessoal em solo louco. Ah, e eu ouvi minha cota de racionalizações nas últimas horas.

Recebi o equivalente a livros de material escrito por todo tipo de especialista que você pode imaginar. Desde a morte do meu colega, eu vinha lutando com todo tipo de pensamento bizarro. Mas depois da caminhada espacial, era como se eles tivessem transbordado da minha cabeça e agora estivessem aterrorizando outros céticos como eu. Por mais que tentassem, ninguém no QG conseguia entender. Mas eles não tinham o diário.

Depois do que aconteceu na minha caminhada espacial, virou prioridade pra mim descobrir que porra tava acontecendo.

Aqueles números que o Ben tinha registrado não eram bobagem. Eu meio que já sabia disso desde o começo. Ler eles era como ler outro idioma, algo secreto e escondido. E embora eu nunca tenha decifrado o código, nem agora, depois de todo esse tempo, eu descobri onde o Ben o encontrou. Luz. O segredo era cavar mais fundo na pesquisa do Ben. Especialmente num projeto pessoal dele, em que ele passou quase a vida inteira focado.

Um pequeno cometa, uma bola de gelo, lá no cinturão de Kepler, perto de onde o sistema solar termina e o grande vácuo cósmico começa.

Algo pequeno e insignificante que girava e mudava de posição. E ocasionalmente pegava o sol, rebatendo fótons de volta pra nós. Uma bola de neve brilhante, tão fraca que seria invisível. A menos que você, por acaso, olhasse pro lugar certo na hora certa. Como o Ben fez quando tinha só 10 anos e brincava com o telescópio de quintal do pai dele. Uma luz na escuridão.

Uma luz que falava com alguns instrumentos que o Ben tinha ajustado para registrar cada pequena emissão. Pisca, apaga, pisca, apaga, pisca. Tum, tum, tum. De binário para hexadecimal e de lá, Deus. Algo mais, algo que falava com ele.

Algo lá fora tinha falado com ele. Não sei o que me assusta mais. O som de um bem reanimado batendo na estação, uma ameaça iminente próxima demais, ou o pensamento de algo no vácuo sussurrando segredos desconhecidos por um homem pelas últimas duas décadas.

Uma ideia que ocasionalmente subia sobre mim como a maré, me engolindo inteiro, se eu pensasse nela por mais de alguns instantes. Eu nunca descobri o que a transmissão estava dizendo, mas eu estava hipnotizado mesmo assim. Não só pelo Diário do Bem, que continha centenas, milhares de registros feitos à mão, mas a transmissão ao vivo que ele tinha configurado no computador.

a que ele tinha convertido em som. Era como uma música chiclete elevada à máxima potência, como um ruído branco feito de ácido, uma inundação de ideias alienígenas que me deixavam confuso e babando se eu ouvisse por muito tempo. Ao todo, passei não mais que alguns dias com acesso àquela transmissão e, no final, senti que estava prestes a derreter. Mas o bem...

O Ben tinha sido exposto àquela coisa desde a infância. Passou anos e anos ouvindo, registrando e esperando, trabalhando em direção a algo que nenhum de nós poderia realmente esperar entender. Eu tinha que presumir que a transmissão foi responsável pela morte dele. E pior ainda, pelo que tinha acontecido com ele depois.

Teria sido esse o motivo dele ter vindo para o espaço desde sempre? O bem que eu conheci era apenas uma farsa? O som, a luz vindo lá de fora, parecia errado. Não era um acalento gentil ou o canto de uma sereia.

Era sombrio e avassalador. Por que ele tinha se entregado? Por que ele tinha feito tudo aquilo que queria? Quanto da vida dele tinha sido vivida por causa das necessidades e desejos daquilo? De uma coisa eu podia ter certeza enquanto passava os dias ouvindo a fúria do bem no exterior da estação. O que quer que tivesse falado com ele não podia ser permitido voltar comigo.

Reynolds, estão me dizendo que isso vai ser um resgate um pouco fora do comum. Eu debochei enquanto terminava de vestir o traje. Aquilo era um eufemismo. O que eles te disseram? Há preocupações com contaminação. O piloto me disse. Não tenho certeza do que isso significa. Não disseram se era biológico ou química. Tudo parece um pouco estranho pra mim.

Mas temos que te pegar no meio de uma caminhada espacial, tá certo isso? É isso aí. Você tá pronto pra isso? Disseram pra gente que podemos chegar a uns 200 metros, mas você terá que cobrir o resto com os propulsores do traje. Vai ser algo inédito pra você. Uma jornada sem amarras de um veículo pro outro. Nunca foi feito antes. Eu tô bem ciente do...

Pra quê? Você vai saber quando você vê. Fiz a jornada de costas pra nave, flutuando na direção errada numa velocidade lenta, mas constante. Meus olhos grudados na estação procurando por sinais do bem. Havia o flash ocasional de algo vermelho. Um leve lampejo de movimento, muitas vezes obscurecido por alguns dos painéis e antenas da estação.

que me deixava saber que ele ainda estava no exterior, espreitando em algum lugar. Enquanto ele ficasse lá, eu sabia que eu ficaria bem. Mas o tempo todo eu fiquei esperando o pior acontecer, para que a tensão finalmente explodisse naquele perigo de morte que eu sabia que me esperava. Foi uma surpresa quando finalmente me aproximei da nave sem incidentes.

O piloto me disse que eu estava a poucos metros e que era hora de virar. Então eu virei, flutuando tão suavemente quanto o mergulhador retornando à superfície. Eu estava de costas para a estação, por não mais que alguns segundos quando o piloto resmungou. Que estranho.

Ele parecia despreocupado, mas o objeto que me atingiu foi tudo menos pequeno. O Ben, sem nenhum interesse em fazer a jornada com segurança, tinha se lançado da estação o mais rápido que pôde. E sem ter como diminuir a velocidade, ele me acertou em cheio, me esmagando contra a parte da moldura da porta e mandando nós dois girando por vácuo antes que qualquer um tivesse tempo de registrar o ataque dele. Dessa vez ele não ia deixar eu colocar uma porta entre nós.

Ele escalou meu traje como um inseto ensandecido. Um que eu tentava desesperadamente espantar enquanto o grande vácuo girava ao redor de nós dois. Estrelas viraram linhas. A nave passando pelo campo de visão do meu capacete em direções quase aleatórias. Era nauseante e aterrorizante. E eu esperava por Deus que conseguisse corrigir o giro antes que saísse do controle.

Mas tudo aquilo vinha em segundo plano, perto do monstro que estava agarrando meu traje. Em algum momento ele rastejou de alguma forma que eu consegui ver ele bem. A primeira vez em alguns dias. Foi de perto. Pessoal. Mesmo com o vidro do capacete entre nós, eu consegui ver detalhes tão nítidos e assustadores que momentaneamente congelei de terror. Ciente apenas vagamente das transmissões em pânico do piloto.

Jesus Cristo, que porra é essa, Reynolds? Você precisa se estabilizar. Se você for mais longe, nós não vamos conseguir te ajudar. E o que quer que você faça, saiba de uma coisa. Essa coisa desgraçada não vai entrar na nave.

Eu queria responder, mas estava ocupado tentando colocar um braço entre mim e o bem, que agora era uma profusão de cristais vermelhos irregulares de vários tamanhos. Alguns grandes, como facas de cozinha, outros como agulhas de costura.

O pior pesadelo de um traje espacial. Um furo não levaria à descompressão imediata que você provavelmente está pensando. Em vez disso, eu teria apenas alguns instantes até que o ar que envolvia o traje se dissipasse. E depois disso, meus pulmões entrariam em colapso.

Meu sangue começaria a ferver e a água dentro dos meus olhos, nariz, ouvidos e outros tecidos moles vaporizaria e tentaria escapar, como um congelamento em ritmo acelerado. Mas furos não eram a minha única preocupação. Eu sabia que tinha que impedir as mãos do Ben de alcançarem o capacete. Não sei se o que quer que o tenha reanimado tinha acesso às memórias dele, mas o Ben sabia muito bem como remover um capacete pelo exterior.

Então, todo o meu foco foi pra manter aqueles dedinhos nojentos longe do meu pescoço. Um furo ainda me deixaria tempo suficiente pra voltar pra nave, mas sem o capacete, eu estaria condenado a uma morte muito dolorosa. Então eu lutei o melhor que eu pude, sabendo que tudo dependia de eu empurrá-lo pra longe.

Mas o bem era ágil e como um inseto, constantemente escapando do alcance sempre que eu chegava perto de dar um bom empurrão. Os dedos dele podiam facilmente encontrar apoio no traje e seus muitos detalhes pequenos, enquanto eu estava basicamente usando luvas de forno que não oferecia nenhuma destreza. Eu não tinha esperança de sacudi-lo da forma usual, mas eu tinha algo ao meu favor.

Inércia. O tempo todo estivemos girando furiosamente e aquela força rotacional era quase a única coisa tentando nos separar.

Até agora eu tinha lutado contra ela. Mas por quê? Percebi no último momento que tinha uma opção sobrando. Então acionei metade dos propulsores e decidi tornar o giro quase fora de controle muito, muito pior. Normalmente um giro descontrolado é um daqueles cenários de pesadelo que qualquer astronauta teme. Humanos têm formas irregulares e uma vez que você começa a girar em mais de um eixo, aplicar mais força provavelmente só vai piorar.

Corrigir existe uma quantidade enorme de experiência e percepção. E mesmo assim, não há garantia de que você consiga parar. O mais provável é que no momento que você descubra o que precisa fazer, as forças rotacionais já te deixaram à beira da inconsciência. E de lá, a morte é um pulo. Pra mim, era a única chance que eu tinha. Então, acelerei o giro. E continuei acelerando.

Segurando o botão até que as forças em jogo puxassem o Ben cada vez mais pra frente do traje. Até onde a inércia nos queria. Dois objetos em quase simetria prontos pra se soltarem em direções opostas a qualquer momento. O Ben aguentou mais do que eu.

Em certo ponto, meus membros enfraqueceram. Minha visão escureceu e meus braços caíram ao lado do corpo, não sendo mais capazes de lutar contra o monstro. Mas a essa altura já exigia tudo que o Ben tinha apenas para ficar agarrado a mim e ele não conseguia mais atacar ou mexer no meu capacete.

Eventualmente, até ele teve que ceder conforme o giro ficava cada vez mais rápido E as forças tentando nos separar ficavam cada vez mais fortes Foi como se todas as montanhas russas em que eu já tive se fundissem em uma só E tivessem sido elevadas ao nível máximo A última coisa que eu me lembro antes de perder a consciência Foi a visão do rosto monstruoso do bem Sendo arremessado pro vácuo E aí

Acordei a bordo da nave, com vários homens e mulheres ao meu redor. Jesus Cristo, você é um sortudo desgraçado. Eu gemi e olhei pra pessoa que tinha falado. Parecia o piloto. Bom colocar um rosto naquela voz. Eu não me senti com muita sorte. Você girou bem na nossa direção. A gente já tava de traje e a caminho. O tempo bateu certinho.

Aquele traje estava cheio de buracos. Mais um pouco e a gente não estaria por perto para te pegar e te levar para a segurança. Desse jeito, amigão, você vai para casa. O check-up médico não mostrou nenhum problema. Acho que você vai ficar bem. É... Onde... Onde está o bem? As pessoas ao meu redor trocaram um olhar estranho antes que um deles percebesse. Benjamim...

Eu disse que sim. Bom, ele se foi. Se aquele era mesmo seu colega, nós... Nós sentimos muito. Eu sinto que tem uma história aí que a gente deve estar perdendo. Eu conto pra vocês quando eu estiver melhor. Bom, o que quer que tenha acontecido com ele, ele vai reentrar à atmosfera da Terra nas próximas horas. E... E aí? Um corpo humano, na reentrada, ele vai virar fumaça. Imolação.

É isso aí, gente. Mais uma história fantástica. Ainda não precisei trazer nenhuma história que eu não gostasse. É mais uma creepypasta que eu conhecia e fiz questão de trazer porque eu gosto muito. Como eu disse no começo do vídeo, quem curte horror, Lovecraftiano, horror cósmico, ia adorar essa história. Provavelmente, né? Acredito que vai adorar. Porque lida muito com isso. Então, ter um personagem que é atormentado...

por uma voz que vem de algum lugar do universo, um lugar além do que os humanos já visitaram, eu achei muito bacana ter essa pessoa sendo atormentada ou não. Pode ser que ela tenha sido hipnotizada por aquilo, que ela tenha gostado daquilo, que ela tenha aceitado.

aquilo ter sido constantemente, durante mais de 20 anos, recebido essas mensagens de uma língua que ela passou a entender, porque o protagonista, o Reynolds, ele não faz ideia do que os sinais querem dizer.

Todo diário escrito está em uma língua que ele não faz ideia do que seja. Ele conseguiu identificar só duas palavras ali. E faz a gente pensar porque essas duas palavras que ele conseguiu reconhecer são as duas palavras que indicavam como bem ia morrer.

Por que será que essas eram as únicas palavras em inglês, era a única língua que podia ser entendida, era a língua, era a descrição de como o bem iria morrer? Por que será? Por que que justo como ele ia morrer era a parte que estava descrita?

De uma maneira que outra pessoa poderia entender. Será que isso foi intencional? Será que fazia parte aí da linha do destino do bem ter outra pessoa sabendo como ele ia morrer? Se a gente for pensar, o Reynolds só começa a tomar algumas atitudes porque ele imagina que a imolação vai acontecer com ele. Eu achava que imolação não era pegar fogo. Depois eu fui descobrir isso. Eu achava que imolação ia ser transpassado por uma...

Sabe, uma lança, alguma coisa assim. Mas não, imolação é ser queimado vivo. Aliás, tem uma série de definições. Imolação, se você for pesquisar, você vai encontrar diversas. Entre elas está essa de morrer queimado. Mas enfim, faz a gente pensar por que que justo essas duas palavras...

Estavam em inglês, para ele poder entender. O Reynolds começa a tomar certas ações quando ele descobre a palavra emolação, porque ele acha que vai acontecer com ele. E se ele não toma essas ações, provavelmente o Ben não morreria queimado.

Então faz a gente pensar se tudo não é um círculo ali, é uma cadeia de eventos, uma influenciada pela outra, meio que num loop infinito, para que as coisas aconteçam. O Reynolds precisava entender que aquilo, aquela palavra.

era imolação porque ele precisava achar que ia acontecer com ele para ele agir da forma que ele agiu para a imolação acontecer com o bem e não com ele. Para depois ele entender que sempre foi com o bem e não com ele. Mas se ele não entendesse que seria com ele, se ele não tivesse o entendimento errado que seria com ele, ele não agiria daquela maneira e talvez o bem não morresse por imolação.

Então é bem legal você começar a pensar nisso para tentar entender o que a voz fez, não só com o Ben para influenciar as ações dele, como fez com o Reynolds para influenciar as ações dele e acabar executando a linha do tempo do Ben, o destino do Ben que estava escrito no diário.

E outra coisa também que é legal a gente parar para pensar, e o Reynolds fala disso durante a história, é qual que é o verdadeiro bem.

Porque a gente começa a pensar que ele só virou astronauta porque desde pequeno ele estava ouvindo a voz que influenciava ele. Então aonde termina o livre-arbítrio do bem e começam as ordens da voz? Ele só se tornou astronauta para ele ir para o espaço e morrer lá em cima? Para ele morrer de molação queimado entrando na órbita?

da Terra, ou talvez ele tivesse virado astronauta porque ele queria se aproximar da voz, porque ele sabia que vinha do espaço, porque foi depois que ele achou o cometa que ele começou a receber os sinais, mas mesmo assim ele não conseguiu escapar da própria morte. Ele poderia ter tido aneurisma na Terra, ele poderia ter morrido queimado na Terra.

E o fato dele ter virado astronauta é um detalhe. Ou ele virou astronauta porque ele precisava ter o aneurisma na estação espacial pra virar aquele bicho pra depois morrer de imolação na reentrada da Terra.

levanta muitos questionamentos interessantes e eu acho que a boa história, o bom conto, é esse que faz você ficar pensando, depois do final, em todas as teorias do que poderia ter sido, o que influenciou os personagens.

Eu acho essa história fantástica por conta disso. Além, é claro, do plot twist. Eu achei um plot twist pequeno, mas muito bom. Que desde sempre a emulação nunca foi com o Reynolds. E é uma coisa que eu não me questionei quando eu li a primeira vez. Quando eu conheci essa história.

Quando eu vi ele lendo Imolação no Diário, eu também imaginei que seria com ele. Porque eu acho que todo mundo aqui já dava o bem como morto. E mesmo apesar dele ter virado um monstro, eu não questionei que seria a segunda morte.

do bem, por imolação. Então foi bem interessante essa virada na história aí pra mostrar que o livro todo foi sempre a história de vida, do bem. O diário, eu tô chamando de livro, mas na verdade é o diário,

ele conta a história de vida do bem. E até mostra como ele evoluiu em diversas coisas. Até na própria maneira de fazer os desenhos dentro do diário, ele foi evoluindo até como artista, desenhando cada vez melhor.

Conforme o Reynolds vai descrevendo ali. Pô, tem um momento que ele fala na história, né? Que pela maneira que os desenhos estão evoluindo aqui no diário, parece que a pessoa está escrevendo isso desde criança e aos poucos ela foi melhorando o desenho. Outra coisa que eu achei bem bacana é ele conseguir ter esse discernimento de que era a mesma pessoa escrevendo o livro durante anos.

Escrevendo o diário, estou chamando de livro toda hora, mas escrevendo o diário durante anos. E ele tendo essa percepção, vendo a evolução da própria pessoa. E o diário, no fim das contas, é a história de vida do bem. Mostrando desde o momento que ele viu, provavelmente, pode ser que o diário ainda conte...

momentos desde que o Ben nasceu. A gente não sabe, porque a gente não consegue decifrar o livro. Mas a gente consegue ver dois momentos críticos da vida do Ben, que é quando ele morre a primeira vez e quando ele morre...

a segunda vez. E isso me fez lembrar uma história muito boa chamada Uma Passagem Rápida no Inferno. Não sei se tem em português, em inglês, chama Short Stay in Heaven. Não vou dar spoilers do conto todo, mas uma das questões ali dentro do livro é que a pessoa precisa achar...

o livro que conta a história da vida dela. Então me fez muito lembrar essa história. O diário contando a vida inteira do bem, inclusive suas duas mortes, e essa outra história que também tem uma parte onde a pessoa precisa encontrar esse livro que conta a história de vida.

dela por completo. Eu gosto muito disso porque mostra, tem aquela filosofia determinística, que a sua vida já está traçada, ela está literalmente num livro, independente do que você fizer, todos os pontos do livro ali vão bater. Tudo que está ali no livro ou no diário vai acontecer com você de uma maneira ou de outra, é como eu falei.

Será que o bem, se ele ainda estivesse na Terra, ele ainda ia morrer de aneurisma? Ele ainda ia morrer de imolação? Eram coisas inevitáveis? Ou ele precisava ir para o espaço para morrer dessas duas maneiras? E no meio de tudo isso você tem a influência do bem. O que está influenciando ele? Eu acabei de pensar agora que às vezes ele pode ter ido para o espaço para escapar desse destino.

Ele pode ter visto ali no livro, ah, vou morrer de aneurisma, vou morrer de imolação, eu vou me isolar, vou sair da Terra, quem sabe, para escapar disso. Se eu não escapar do aneurisma, pelo menos eu escapo da imolação. Nem isso. Então, se ele foi para escapar, ele não conseguiu, porque é aquela linha filosófica determinística de que sua vida está determinada já, independente do que você fizer. E em volta de tudo isso, ali sussurrando no nosso ouvido,

Tá o terror cósmico, o terror lovecraftiano, a voz que influenciava ele. As batidas, no fim das contas, provavelmente não eram nem o bem morto-vivo batendo no casco da nave, da estação. Talvez já fosse a mesma voz que influenciava, a mesma criatura, o mesmo ser.

O mesmo ancient god que existe no universo, que influenciou o Ben a vida toda, tentando influenciar o Reynolds. Porque o Ben foi influenciado através de códigos. A luz que piscava do cometa começou a passar mensagens para ele e isso influenciava ele.

Talvez essa mesma influência estava tentando atingir Reynolds, batendo no casco da nave, tentando passar uma mensagem para ele. Provavelmente, acho que ele não conseguiu ficar tempo suficiente para entender isso, e como a mente dele estava distraída, achando que era o bem...

batendo na nave, ele não conseguiu entender como uma mensagem. Mas pra mim faz muito sentido ser uma mensagem dessa voz desde o início. Pra mim, nunca foi o Ben batendo na nave, até porque quando ele vai ver o corpo do Ben do lado de fora, depois que ele amarrou e ele volta,

Ele diz que ele estava super bem amarrado, ele tenta até mexer o Ben e não consegue, o cara não muda um centímetro, um milímetro de lugar. Então, para mim, faz muito sentido que era a mesma influência do Ben. Ele estava tentando influenciar o Reynolds o tempo todo com as batidas.

E eu gosto muito das histórias do Lovecraft que não apresentam a criatura descaradamente. Um dos meus contos preferidos do Lovecraft chama Dagon, que é basicamente uma pessoa ficando louca com algo que ela viu no mar.

Então, é a influência dessa coisa cósmica que a gente não entende, mas a gente tem a percepção que é grande demais para a nossa mente pequena compreender. E só isso já começa a fritar o nosso cérebro. O próprio Reynolds diz uma hora ali que ele começa a ouvir a transmissão que o computador do bem começava a detectar e levava para ele e gravava para ele.

E ele falava, minha cabeça começou a derreter, eu tive que parar de ouvir, senão eu ia ficar completamente pirado, ia ficar vegetal. Então eu gosto mais dessa influência, da parte do Lovecraft, desse terror cósmico, essa coisa de ser algo tão grande, tão gigantesco.

tão fora da nossa percepção de tamanho que deixa a gente maluco. Só a presença daquilo deixa a gente completamente maluco. É como falam no Calf Cthulhu, né? A gente não consegue nem saber qual é o nome verdadeiro do Cthulhu, porque se a gente ouvir, a gente vai ficar maluco.

Então a gente chama ele de Cthulhu porque é praticamente um apelido do que a gente pode falar, porque a gente não tem boca e língua nem cortas vocais para pronunciar o verdadeiro nome dele. E outro, se a gente ouve o nome dele, a gente fica completamente pirado.

Então todo esse conceito de o ser humano não ter a capacidade cognitiva desenvolvido o suficiente para compreender essas coisas, eu gosto muito. É o que mais me pega em terror cósmico, em terror lovecraftiano, e foi o que me pegou nessa história.

Essa parte de ter atormentado um cara durante 20 anos e a gente não saber se foi influência da voz que fez ele virar astronauta, ou seja, todo o plano de vida do cara foi em função do que ele estava ouvindo. Se ele esperava conquistar alguma coisa ou não, se ele era simplesmente um zumbi que seguia ordens dessa voz. Enfim, fica sempre essa dúvida. Daí o fato de que...

A voz tentou influenciar o Reynolds ali de alguma maneira, mas até onde a gente viu não conseguiu. Então, esse foi o astronauta... O título dessa história é maravilhoso. Essa foi a crime pasta. O outro astronauta dessa missão morreu há seis semanas, mas o computador insiste em dizer que ele ainda está vivo.

Um título sensacional, mas eu gosto muito, adorei trazer essa Creepypasta aqui para vocês ouvirem, espero que vocês tenham gostado. O último feedback, aliás, todos os feedbacks que eu tenho tido das leituras de Creepypasta estão sendo super positivos, gente. Eu estou muito feliz com a recepção de todos vocês.

quem deixa um comentário, ou quem simplesmente ouve, dá um joinha. Gente, assim, é uma recepção muito maior do que eu imaginava, e isso tá me motivando a fazer cada vez mais. Já era uma coisa que eu fazia com prazer, que era uma coisa que eu queria fazer muito tempo, que eu tô, sabe, levando meu tempo pra fazer, tô fazendo com carinho, com cuidado.

Tô tentando melhorar minhas habilidades aí na edição pra trazer cada vez um produto mais bonito, mais legal de se ouvir, mais imersivo. Não sei se vocês já estão percebendo, eu tenho tentado colocar mais efeitos sonoros dentro das creepypastas. Eu tô tomando um certo cuidado com isso, gente, porque eu acho que...

Eu gosto muito de ouvir os audiolivros. E o audiolivro, normalmente, ele não tem efeito sonoro nenhum. Tem alguns que tem. Se você for pegar o audiolivro de Duna também, ele é totalmente dramatizado. Ele tem música, tem efeito e tudo mais. É uma delícia de ouvir.

Eu gosto muito, mas eu sempre prefiro o audiolivro que, sabe, interfere o mínimo possível na experiência de ouvir. Eu acho que só a voz ali da pessoa narrando a história...

traz um peso diferente e traz uma coisa que o livro consegue fazer muito bem. Quando você está lendo, a sua imaginação está ali, há milhão tentando imaginar os cenários, a fisionomia das pessoas, o que está acontecendo, como está acontecendo, as cenas de ação. Enfim, a sua cabeça está funcionando ali como a sua tela. Ela que faz todo o cenário para você. E eu tenho tentado ter muito cuidado com isso.

na leitura, na narração das creepypastas, porque eu acho que eu queria me aproximar mais da experiência de ler um livro. Ou seja, não interferir na imaginação de quem está ouvindo, imaginando esses cenários, imaginando os personagens e tudo mais, criando seu próprio ambiente.

É claro que tem alguns momentos que eu acho super importante frisar, deixar destacado com um efeito sonoro, mas eu estou tentando fazer isso com o máximo cuidado possível. Minha intenção não é sonorizar o áudio inteiro. Eu não vou fazer isso, não quero fazer isso. Eu quero deixar muito a cargo da imaginação de quem está ouvindo.

poder ficar cada vez mais imersivo na história só com a voz. Eu ouço audiolivros que são só a voz das pessoas, que às vezes é um homem narrando e ele faz o personagem feminino, ele só baixa um pouco o tom da voz, tenta dar mais uma suavidade.

ou até uma mulher narrando um audiolivro e fazendo os personagens homens com a voz um pouco mais impostada ali, só pra dar, né, só pra você não se confundir na hora que tiver um diálogo entre um homem e uma mulher. Eu acho isso muito bacana, eu gosto muito de audiolivro por causa disso, porque você ainda consegue manter a imersão, apesar de você estar ouvindo, você não está lendo, mas você consegue manter...

A imersão da imaginação da pessoa. Eu acho que é isso que, no fim das contas, faz uma história ser imersiva ou não. Você colocar todos os elementos ali na cabeça e ir imaginando o que está acontecendo. Então, por isso, eu não pretendo colocar áudios e efeitos sonoros no áudio completo. Isso não é o meu objetivo. Mas eu acho que algumas pontuações ali são legais de ter. Então, é isso que eu tenho feito.

Enfim, espero que vocês tenham gostado. A gente já passou de mil inscritos no canal. Estou muito feliz com essa marca. Espero ainda que a gente atinja números maiores. As visualizações estão ótimas. Estão bem maiores do que o número de inscritos que tem no canal. Isso significa que está atingindo pessoas que não estão seguindo o canal. Isso é muito legal também.

Enfim, como eu já disse, todos os feedbacks estão sendo super positivos e quem vem com crítica vem de uma maneira muito educada, muito legal para melhorar o produto. E eu tenho visto as críticas dessa maneira também, tá? E eu tenho tentado me adaptar a essas críticas também. Então, fiquem à vontade aí para deixar as suas críticas e sugestões nos comentários. Mais uma vez, essa foi uma creepypasta que eu mesmo traduzi.

Durante a revisão eu notei que eu comi algumas bolas ali, entendam isso como vocês quiserem, mas que eu cometi alguns erros. Não tem problema se vocês forem me alertar desses erros de tradução, fiquem à vontade.

Aliás, me alertem, por favor, porque senão eu posso ter um erro aí que eu não vi e eu vou ficar cometendo ele de novo. Então, sintam-se à vontade para isso também. Qualquer crítica e sugestão vindo de uma maneira educada é super bem aceita. E eu quero mais é que vocês façam isso mesmo para melhorar o produto cada vez mais.

Mas enfim, agradecer mais uma vez aqui a todo mundo. Atingimos aqui mil inscritos. Estou muito feliz com isso. Agora é partir para os dois mil. E mais uma vez pedi, a gente está no Spotify também. Se você quiser consumir por lá também é em áudio e vídeo, assim como no YouTube.

Pedir para deixar lá as estrelinhas, é o método que tem no Spotify de classificar ali, de mostrar para novos usuários o Ignore o Barulho. Então, se você puder entrar lá no Spotify e dar estrelinhas, eu agradeço muito. Assim como o joinha, e se você não se inscreve no canal, se inscreva.

Certinho, gente? Mais uma vez, muito obrigado. Não esperava alcançar mil comentários. É um projeto que eu estou fazendo muito com coração. Não é um projeto que eu estou fazendo com o objetivo de ganhar dinheiro. É lógico, não vou mentir para ninguém. Eu quero que ele se autofinancie. Eu quero colocar pessoas para trabalhar junto comigo para produzir conteúdo melhor e mais conteúdo também.

Por enquanto sou eu sozinho, eu edito, eu publico, eu faço os textos, eu faço a tradução. Já teve muita gente que veio se oferecer para me ajudar com isso, no 0800, mas eu não quero que seja assim, eu quero remunerar todo mundo que está disposto a trabalhar comigo. Então, para isso, eu quero que o canal seja um sucesso para melhorar o conteúdo e trazer mais conteúdo.

É claro, mas ele é um canal que foi criado do coração mesmo e de algo que eu queria fazer há muito tempo, de algo que eu gosto de fazer, que é falar no microfone, porque eu acho minha voz deliciosa, e ler histórias de terror, e ler Crippastas, e poder interpretar, mesmo que seja de uma maneira bem tosca, essas histórias.

E principalmente, acho que é mostrar pra todo mundo, pra pessoas que não conheciam principalmente, esse universo que eu acho extremamente bacana, legal e apaixonante. Mas é isso, eu já enrolei demais aqui, gente. Muito obrigado mais uma vez. Deixe o seu curtir, deixe o seu comentário. Já selecionei a próxima Creepypasta. Provavelmente daqui a uma semana já estará aí no ar, mas enquanto isso, aproveite essa e se quiser...

Ouça as outras creepypastas de novo. Coloque pra dormir. Muitas pessoas já falaram. Mal, tô ouvindo essa creepypasta pra dormir. Não me incomoda. Fico super feliz que vocês estão fazendo isso. Eu faço muito isso. Eu coloco vídeos no YouTube pra dormir também. Então tá tranquilo, gente. Me ouçam pra dormir. Porque minha voz é apaixonante e deliciosa. E vai ajudar você a ter uma naninha gostosa. Beleza? Um beijo pra vocês, galera. A gente se vê no próximo Ignore o Barulho.

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