Episódios de Aquarismo para Todos

Nano#5. Reprodução: adorável dor de cabeça

29 de julho de 202610min
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Ver os peixes gerando vida em nossos aquários é o sonho de uma grande parte dos hobbystas, e o que leva muitos deles ao profissionalismo. No entanto, é um caminho muito mais tortuoso do que muitos imaginam - a não ser que você só queira casais de guppies se multiplicando como coelhos.

Aqui neste episódio eu conto algumas histórias pessoais para ilustrar o quão bacana é ver o comportamento reprodutivo em nossos aquários mas ao mesmo tempo a trabalheira que dá criar os filhotes até a fase adulta.

Assuntos6
  • AquaColuna: Reprodução de peixes redondosGuppy · Molinésia · Espada
  • Desafios e Lições na CarreiraEstrutura de manejo · Rotina de limpeza e manutenção · Vulnerabilidade dos filhotes
  • RPG de VárzeaNinho de bolha · Comportamento reprodutivo · Alimentação de filhotes
  • Reprodução de KribensisCianobactéria · Defesa do ninho · Distribuição de filhotes
  • Desova de DiscoNatal e Ano Novo · Perda de ninhada
  • Shows no Sá da BandeiraAquário comunitário · Sorte na criação
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Salve, pessoal, tudo bem com vocês? Aqui mais um episódio do podcast Alquarismo para Todos, versão nano, a versão curtinha, tá? E dessa vez é um, é uma coisa que eu não faço há bastante tempo, um episódio completamente sem pauta, tá? Mas que é um assunto bacana que eu gosto de falar. Sempre surge. Eu cheguei a gravar um episódio que eu nem acho que ficou tão bom assim, mas eu queria dar um outro, um outro viés aqui, que é reprodução dos nossos peixes, né?

Galera que tem peixe, que tem peixe, tem criança em casa, tem essa coisa de, pô, eu quero botar um casal para fazer, para mostrar para o filho, ah, fazer isso aqui, olha que bonitinho, ele desovou, aquela coisa toda. Só que assim, eu queria falar justamente sobre isso, é porque existe a romantização, né, do que legal você vê a vida se multiplicando, seu aquário. Mas existe também uma parte importante que é, cara, reproduzir e criar os filhotes não é uma coisa trivial, dá um trabalho.

Dá para fazer, dá para fazer, mas dá um trabalho, né? E aí eu quis falar sobre isso ilustrando com É alguns casos, né? Eu tenho 2 ou 3 casos meus aqui e tem um caso de outras pessoas que eu conheço para dizer para vocês como é que é, né? Primeiro, eu, o meu eu adolescente que via foto, eu tinha uma revista, tinha um livreto da Tropical Fish Hobbies sobre betta que eu ganhei, era de namorado da minha irmã que tinha muita coisa de aquarismo.

Ele me deu de presente. Eu li aquilo ali e tal, era amarradão. Eu nunca mais achei para vender essas coisas. Ele vendeu há muito tempo atrás, você não acha nem sebo isso, né? E eu ficava encantado com o processo de reprodução do beta. É uma coisa muito incrível, né? O beta, o macho territorialista para caramba, mas ele faz aquele ninho de bolha. E aí, quando ele tem um ninho de bolha ali, ele começa a ver uma fêmea, ele começa a aumentar o ninho.

A fêmea coloca o ovo opositor para fora, aí você coloca ele para fazer a corte. E tal, tem que ficar olhando porque envolve demonstração de força. Ele se exibe para ela, às vezes bate e tal, até o momento que ela cede e ele dá aquele abraço e ela solta os ovos. E aí ele fecunda aqueles ovos. E aí tem todo aquele, tem todo aquele ritual, né, de chegar, chegar, colocar aquela coisa toda. Pega, coloca no ninho de bolhas e aquilo ali era incrível.

Eu vi aquilo em revista e falei, cara, eu preciso ver isso acontecendo. E eu vi isso acontecendo aqui em casa, não tinha um aquário aquário, eu arranjei um aquário de acrílico velho que não dava nem para enxergar direito. E aí, pô, fiz, que máximo! Mas e para criar os filhotes? Caraca! Aí vi, ele ficava tomando conta, ele bate na fêmea depois que termina, aí você tem que separar a fêmea, eu consegui salvar a fêmea. E vai aquela coisa.

E depois nasceu filhote, cara, como é que eu alimento isso, cara? E aí os livros não eram muito atualizados, não sabe, era uma coisa meio nebulosa. No final das contas, essa 10 ovos daí, um beta chegou até a idade adulta, só, só um beta eu consegui fazer chegar na idade adulta. E falei, cara, dá muito trabalho. E na época eu não trabalhava, né, estudava, né. Esse foi a primeira coisa. A segunda coisa foi completamente involuntária.

Um aquário, é um aquário comunitário que eu tinha aqui em casa, que era um aquário, eu tinha, eu tava com dois comunitários, nem aqui em casa, na casa quando eu morava com a minha mãe. Eu tinha um 60, 35, 30 e resolvi montar um outro só com ciclídeo pequenininho. E eu tinha um outro aquário que devia ter 50 por 30, um pouquinho menor, né, 50, 30, 30 eu acho. E aí esse aquário eu coloquei, eu tinha um casal de cribens, tinha uns papilocrômios, uns outros peixinhos.

E calhou do casal de kribens desovar e começar a espancar todos os outros peixes para defender o ninho. E eu tirei correndo os outros peixes, joguei no outro aquário, superpopulei o outro, joguei lá. Eles foram, teve desova. Só que aí nessa eu ficava cheio de dedos de fazer, de sifonar fundo, de trocar água, aquela coisa toda. Deu um ataque de cianobactéria no aquário, e nessa brincadeira eu perdi a fêmea. A fêmea morreu, ficou só o macho, mas ficou o macho, cuidou dos filhotes até o momento que eles começaram a pegar um certo tamanho.

Aí eu tive que separar, botei o macho no outro aquário também. E assim, eu tive uma desova de, sei lá, acho que uns 40 ou 50 cribenses chegando na idade adulta. Eu saí distribuindo cribenses, eu dei para um ex-marido da minha irmã, sei lá, uns 12, porque tinha um aquário enorme. Botei uns 6 no meu principal junto com o pai, ainda peguei uns outros, sei lá, 500 e levei para uma loja de aquário que tem aqui no Rio de Janeiro, das antigas, para o cara pegar.

O cara pegou, até me deu umas pontas de presente e tal, fiz uns cães, mas deu uma trabalheira. E tive alguns, eu já falei isso newsletter um tempo atrás, no ano retrasado, um casal de disco desovando. A cada 10 dias eles desovavam no principal. Eu tentava separar aquela coisa, eu quase tirei uma ninhada, só que essa ninhada que tava vingando foi ali Natal, Ano Novo, não deu, acabou que fui deixar com Antônio para ver se ele criava para mim, mas ele também viajou, os filhotes morreram, não consegui levar adiante, tá?

Isso aí é, eu não vou nem contar os outros casos que eu tenho aqui, mas tem um ouvinte nosso aqui, o Alex, que tá tendo desova de bandeira na quadra dele direto também. E essa lenha, e assim, eu queria dizer isso, é uma adorável dor de cabeça, porque é muito maneiro você ver isso acontecer, coisa que você lê em livro e tal, mas gente, Não adianta. Tem gente que olha assim, caramba, eu já escutei isso de mais de uma pessoa, que legal, tá desovando aqui, eu vou começar a criar filhote para vender.

Gente, não caiam nessa, porque acontece muito fácil, mas para você ter um mínimo de qualidade, o mínimo de coisa, é um trabalho, é uma dedicação, é uma estrutura. E eu vi muito, especialmente quando eu tive essa desova de disco, e eu conheço aqui, pô, tem o Antônio que vocês conhecem, que eu já falei várias vezes, em breve eu vou fazer um episódio com ele aqui. O Antônio do Força Discos, ele tá nessa de fazer, tirar cria de disco há bastante tempo.

E assim, ele ainda não tem completamente peixe só dele, ele acaba vendendo peixes de criadores que ele conhece. Mas porque você tem que ter uma estrutura, você tem que ter todo, todo um, uma regra de manejo, é um trabalho. Você vai, você tem que ter toda uma rotina de limpeza de aquário, de troca de água, de manutenção, de cuidar de parâmetro. E uma vez que os filhotes, você tem que ter todo um esquema para alimentar e para também tratar, porque os filhotes são muito vulneráveis até 30 dias, você perde muito por doença.

Então é todo um esquema. Então assim, é legal, mas cuidado, tá? A não ser que você queira aquela coisa totalmente galhofa, tipo assim, comprei, eu tenho um aquário comunitário, eu comprei um macho e 3 fêmeas de gupe. Aí você vai super popular seu aquário com os gupes que vão nascer. E aí tudo bem, eu acho que aí vale, você tem que só controlar porque tem uma hora que você não vai ter mais para onde colocar guppy. Mas se você quiser com esse objetivo de mostrar para os filhos, cara, recomendo, coloca um peixe liso, coloca guppy, molinésia, espada e veja a mágica acontecer.

Mas reprodução assim de qualquer peixe, cara, você tem que ter alguma estrutura porque demanda um trabalho muito grande. Fora quando você não perde o teu principal, né? Eu tive um caso aqui do, do, esse caso do Cribense foi um caso emblemático. E tem uma amiga minha, foi ex-mulher de um amigo meu, né, que ela tinha um aquário, ela não tinha, ela tinha só um aquário bonito, gostava de criar aquário, e calhou dos bandeiras dela desovarem no aquário.

Ela não sabia o que fazer, acabou vingando no aquário, mas ela deu sorte, porque nesses casos às vezes os bandeiras começam a espancar todo mundo também e é complicado. Mas no caso dela, não sei como que ela fez, também tem tempo isso. Deve ter uns 10, 15 anos atrás. Acho que cresceram alguns dos filhotes, cresceram e ficaram adultos no aquário principal dela. Então assim, é legal, mas dá muito trabalho. Então se você não tem tempo sequer de fazer o manejo adequado, tem muita gente que fala: eu adoro aquário, mas não tenho tempo.

Cara, reprodução demanda muito tempo. Eu gostaria de ter tempo e espaço para isso, infelizmente eu não tenho. Né? Aí eu vou tocando a bola de lado aqui. Tanto é que os meus discos atuais, se começar a ter desova, eu falei, cara, eu vou ter que dar um jeito de terceirizar essa desova para alguém criar para mim. Vou ter que arranjar uma estufa de aluguel aqui porque é complicado, tá? Então isso aqui fica de recado, porque tem muito aquarista que tem esse sonho.

Caramba, eu tenho um sonho, cara, pode acontecer. Tem alguns peixes mais fáceis, outros menos fáceis. Mas saiba que é para você realmente ter uma coisa de qualidade, você tem que ter uma estrutura e um tempo para dedicar para isso. E eu nem falei da parte de alimentação de alevina, que eu sou um completo ignorante quanto nessa parte de alimentação dos alevinos, tá? Isso aí merece até um capítulo à parte. Não sei nem se eu vou conseguir falar sobre isso algum dia.

Gente, é isso, só um recadinho, uma pensata aqui sobre a dor e a delícia de reprodução de cativeiro nos nossos aquários. Grande abraço para vocês. Esse episódio praticamente totalmente extra que eu pensei do nada, eu tava num bate-papo do nosso grupo de WhatsApp, eu pensei em falar sobre isso e eu ia ficar esse tempo de vácuo aqui por conta das minhas férias. Então já vou deixar isso aqui gravado. Você vai estar ouvindo isso aqui, eu vou estar ainda nas minhas férias.

Então aguarde que voltar mesmo só em agosto. Grande abraço para todo mundo e em agosto volta aqui o E talvez em agosto aqui também, tá? Mas enfim, daqui a pouco volta o podcast aí. Valeu, gente!

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