Episódios de NEXUS Cortex · Pulses Cognitivos

🌑 Rejeição, frustração, decepção — o que dói vindo de quem deveria proteger

06 de maio de 202610min
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NEXUS Cortex · Pulses Cognitivos
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NEXUS Cortex

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  • Rejeição, Frustração e DecepçãoImpacto da rejeição no corpo e mente · Freud e o desamparo infantil · Ferenczi e a angústia como trauma · Diferença entre frustração e decepção · Winnicott e a falha do ambiente · Mecanismo melancólico e autocrítica · Bandler e a resposta ao evento · Autonomia psíquica e desvinculação · Usar o objeto e construir base interna
  • Desinteresse e rejeiçãoNomear os sentimentos · Não usar sentimentos contra si mesmo · Legitimidade da raiva e seu endereço · Autonomia psíquica como saída · Construção de base interna
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Abertura. Três palavras. Rejeição. Frustração. Decepção. Parecem sentimentos simples. Não são. Quando vem de quem deveria ter estado do seu lado, especialmente no momento de vulnerabilidade real, elas têm peso diferente. Peso estrutural.

Esse episódio vai direto nisso, não para anestesiar, para nomear com precisão o que está acontecendo no seu psiquismo e o que fazer com isso sem ser destruído por dentro. Quatro blocos. Freud, Ferenczi, Winnicott, Bundler. Uma síntese sua. Bloco 1. O que a rejeição faz no corpo e na mente. Freud escreveu sobre o desamparo, em alemão, Ilflosigkeit. Ele disse, a angústia da criança não é, originariamente, nada além da expressão da falta que sente da pessoa amada.

A criança se angustia diante de qualquer estranho porque não vê a pessoa amada, teme a escuridão porque nela não a vê, e se acalma quando pode segurar-lhe a mão na obscuridade. O amor para Freud está associado à eliminação do desamparo. Os pais existem originalmente como proteção contra o desamparo. O que acontece quando os pais são a fonte do desamparo?

Não é uma experiência abstrata. É uma inversão estrutural. O lugar que deveria ser proteção vira fonte de ameaça. E o psiquismo que foi construído esperando o amparo dali não sabe o que fazer com isso. Ferentzi foi ainda mais preciso. Ele escreveu, A angústia é a consequência imediata de todo traumatismo. É um sentimento de incapacidade para se adaptar à situação de desprazer.

E quando a esperança de resgate parece excluída, quando o sujeito percebe que o salvamento não vai vir de onde deveria vir, o desprazer aumenta sem saída. O que você está sentindo como rejeição tem essa estrutura? Não é sensibilidade excessiva. Não é exagero. É o psiquismo registrando com precisão que o amparo não veio e que veio do lugar mais inesperado possível.

Frustração e decepção. A diferença que importa. Frustração e decepção parecem sinônimos, não são. A frustração é a experiência de uma necessidade não atendida. Freud descreveu a regulação emocional como função do ego e a tolerância à frustração como capacidade central do aparelho psíquico.

Quando a frustração é processável, o ego a elabora. Quando é excessiva, o ego colapsa para fora, explosão, ou para dentro, anestesia. A decepção é diferente. A decepção pressupõe uma expectativa, e a expectativa pressupõe uma relação. Você só se decepciona com quem importa, com quem você investiu, com quem você esperava algo porque a relação parecia justificar essa esperança.

A decepção com os pais, especialmente num momento de crise real, não é só frustração de uma necessidade pontual. É o colapso de uma expectativa estrutural que você carregava há anos. A imagem do pai que estaria, da mãe que responderia. O vínculo que você ainda esperava que se tornasse o que precisava ser.

Quando essa imagem colapsa de vez, quando o comportamento deles nesse momento confirma definitivamente que não vai vir, a decepção tem dimensão de luto. É a morte de uma esperança que você talvez nem soubesse que ainda estava carregando.

Winnicott diria, o ambiente que falha no momento de dependência real não produz só dor, produz uma reorganização psíquica forçada. O sujeito que esperava amparo de fora precisa agora construir esse amparo de dentro. E essa transição, quando não é escolhida, quando é forçada pela rejeição, é uma das mais custosas que existem.

Bloco 3. O que fazer com esses três sentimentos? Nomear é o primeiro movimento. Você já fez isso. Rejeição, frustração, decepção. Isso não é pouco. É o trabalho inicial de qualquer elaboração psíquica. O segundo movimento é não usar esses sentimentos contra si mesmo. Freud descreveu o mecanismo melancólico com precisão.

Na melancolia, a agressividade que era dirigida ao objeto perdido se vira contra o próprio ego. O sujeito que foi rejeitado começa a se rejeitar. O que foi decepcionado começa a se perguntar se não merecia a decepção. O que foi frustrado começa a achar que suas necessidades eram excessivas. Esse é o movimento mais perigoso. E é o mais comum.

A agressividade que você sente em relação aos seus pais, a raiva pela rejeição, pela frustração, pela decepção, é legítima. É informação. É energia psíquica que precisa de endereço correto. O endereço correto não é você mesmo. Bundler escreveu algo que aplica diretamente aqui. O problema não é o que acontece com você, mas como você responde a ele.

A liberdade não é não sentir raiva, é poder escolher o que fazer com ela. É ter certeza de que você pode sentir raiva e a partir daí fazer esse sentimento ser útil em vez de destrutivo. A rejeição deles não define quem você é. Define quem eles não foram capazes de ser para você.

Bloco 4. O que vem depois? Ferente descreveu algo fundamental sobre o trauma. O que agrava o trauma original não é só o evento em si. É a ausência de resposta depois. É a confirmação no silêncio do outro de que o que você sentiu não merecia ser respondido.

Isso é o que o comportamento dos seus pais fez nesse momento. Não só rejeitou, confirmou um padrão antigo. Quando você mais precisa, o ambiente falha. A saída não é esperar que eles mudem. A saída é desvincular sua estabilidade psíquica da resposta deles. Isso não é indiferença. Não é cortar o vínculo de forma violenta.

É um movimento de autonomia psíquica. Reconhecer que a necessidade que você tinha era legítima, que eles não responderam, que isso dói, e que sua integridade não depende da resposta deles para existir. Winnicott chamou esse movimento de usar o objeto. O sujeito que sobreviveu ao ambiente que falhou e que descobriu que pode existir independentemente da resposta do outro, não perdeu a capacidade de se relacionar. Ganhou uma base mais sólida para se relacionar.

Porque agora a base é interna, não externa. Você está em análise. Esse trabalho, a rejeição, a frustração, a decepção, o luto, tem lugar garantido na sessão. Leva isso, nomeado, com essa precisão que você teve hoje. Síntese final. Três coisas verdadeiras e uma conclusão. A rejeição que você sente tem estrutura clínica. Não é fraqueza. É o psiquismo registrando com precisão o que aconteceu. A frustração e a decepção são legítimas. E não devem ser viradas contra você mesmo.

O endereço correto para a raiva não é você. E a conclusão, sua estabilidade não depende da resposta deles. Nunca dependeu. Você está construindo a base interna que eles não forneceram. E isso é real.