A sabedoria de quem viveu antes
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Refletir para viver, com Rosandro Klingey. Cartola escreveu uma vez. Presta atenção, querida, embora eu saiba que estás resolvida.
Em cada esquina cai um pouco tua vida E em pouco tempo não serás mais o que é
Embora eu saiba que estás resolvida, em cada esquina cai um pouco tua vida. Poucas linhas dizem tanto sobre o que acontece quando a decisão já foi tomada, e o conselho chega tarde, ou chega na hora certa, e a gente simplesmente não quer ouvir. Porque é isso que acontece. A pessoa já decidiu. E quando já decidiu, o conselho vira obstáculo em compreensão e a gente não quer ouvir.
Ou aquela antiga arrogância de achar que o velho, só porque não domina a linguagem do novo, perdeu o direito de ensinar alguma coisa. A adolescência tem desculpa. O cérebro ainda está se formando. A identidade está sendo construída na base do erro e do atrito. E rejeitar o conselho do adulto faz parte do processo de se tornar alguém.
Mas a vida adulta não tem essa desculpa. E mesmo assim, a gente repete o mesmo movimento. Troca a conversa com a mãe por um influenciador que nunca te viu na vida. Ignora o pai que errou muito e por isso sabe exatamente onde o buraco está. Descarta a avó como ultrapassada enquanto consome conteúdo de um perfil com 300 mil seguidores e nenhuma cicatriz real. A internet democratizou o conselho.
Mas democratizar não é o mesmo que qualificar. Tem uma diferença entre quem te aconselha porque estudou o assunto e quem te aconselha porque te amou o suficiente para ver onde você tropeça. Os dois têm valor. Só que o segundo é raro. E a gente trata como peso, como ultrapassado. Não se trata de abrir mão do que você deseja.
É de não abrir mão da sabedoria de quem viveu antes e ainda assim ficou do seu lado. Isso também é herança das mais valiosas.