De Sêneca a Schopenhauer: Como lidar conosco?
Como lidar conosco mesmo, encontrar equilíbrio emocional e viver com mais consciência inspirado nas ideias de Sêneca e Schopenhauer. O episódio aborda reflexões sobre felicidade, serenidade, autoconhecimento e a importância de viver o presente com mais lucidez e tranquilidade. Entre estoicismo e reflexão filosófica, o episódio mostra como lidar em meio às pressões, desejos e inquietações do cotidiano.
Os professores Bernardo Norat e Danilo Gomes traçam um paralelo entre o estoicismo de Sêneca e a filosofia de Schopenhauer, mostrando como ambos discutem questões atuais com o controle das emoções, o excesso de desejos, a influência da sociedade, a solidão, o planejamento da vida e o fortalecimento da vida interior. A conversa apresenta caminhos práticos para enfrentar preocupações, frustrações e expectativas sobre o futuro.
Ao longo do episódio, fica a reflexão de que a verdadeira tranquilidade nasce da consciência sobre aquilo que depende de nós. Mais do que buscar felicidade em fatores externos, os filósofos convidam a desenvolver bons pensamentos, ações equilibradas e atenção ao presente.
Com uma linguagem acessível e reflexiva, o podcast aproxima a filosofia da vida cotidiana e reforça a proposta de trazer de maneira prática ensinamentos filosóficos que ajudam no autoconhecimento, na serenidade e em uma vida com mais sentido.
Participantes: Bernardo Norat e Danilo Gomes Trilha Sonora: Sergei Rachmaninov - Concerto para Piano nº2 I. Moderato
Danilo Gomes
Bernardo Norat
- Sêneca e SchopenhauerArte de viver · Sabedoria de vida · Felicidade · Vida interior · Controle das emoções
- Viver o presente e lidar com o futuroAnsiedade e preocupação · Planejamento da vida · Consciência no momento presente · Valorização do presente
- Lidar com o sofrimento e as adversidadesTranquilidade da alma (ataraxia) · Domínio do temor · Domínio dos desejos · Domínio das expectativas · Fortaleza moral
- Riqueza interior e o valor da solidãoRiqueza da alma · Autoconhecimento · Solidão · Vida retirada
- Controle dos desejos e paixõesRedução do desejo · Consumismo · Ação virtuosa · Influência da sociedade
- Reflexão diária e autocríticaExame de consciência · Plano do bem · Vivência e reflexão · Pitágoras
Olá pessoal, sejam todos muito bem-vindos para mais um podcast filosófico, atividade promovida pela Organização Nova Acrópole do Brasil e para a nossa conversa de hoje recebemos o professor voluntário da sede Uberaba em Minas Gerais, Bernardo Norá. Seja muito bem-vindo, Bernardo.
Olá Danilo, olá a todos. É um grande prazer estar novamente aqui no podcast da Nova Acrópole. O prazer é nosso, Bernardo. Hoje vamos falar sobre como lidar consigo mesmo. E para abordar esse tema, vamos trazer aqui dois filósofos muito importantes da história. Começando por Sêneca, filósofo do século I d.C.
E também Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX. Naturalmente, não vamos esgotar o tema e menos ainda vamos trazer aqui verdades absolutas. Vamos fazer como sempre, que é conversar, ouvir, refletir e que possamos, através do ecletismo, extrair aquilo que seja útil e vivencial para cada um de nós. São dois filósofos de épocas muito diferentes, um do século I d.C.,
o outro depois de muitos anos surge no mundo e ganha uma relevância muito grande, já no século XIX, aparentam ter pensamentos diferentes, mas não. As suas filosofias têm muitas semelhanças, tanto que o próprio Schopenhauer cita Sêneca em uma de suas obras, e isso é muito importante porque temos uma ideia de paralelos aí que cabe iniciar falando, ou seja, eu estou aqui no início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início de início
O que tem em comum essas ideias desses grandes filósofos e o que nós podemos também começar falando sobre essas semelhanças ao invés das diferenças? Realmente é uma proposta de paralelo muito interessante entre esses dois grandes filósofos. O Sêneca é um filósofo de Roma, da escola do estoicismo do século I da nossa era. Ele trata da filosofia como arte de viver.
Então a gente está no mundo do helenismo, do auge da filosofia greco-romana, voltado muito para a prática. Quando pensamos em Arthur Schopenhauer, como você falou, pensamos no reino da Prússia, começa a publicar seus escritos nos inícios do século XIX, inserido dentro do contexto do idealismo alemão.
Conhecemos ele como uma filosofia mais racionalista, também conhecida por certos aspectos mais pessimistas. Porém, a gente encontra alguns aforismos e vários escritos de Schopenhauer, na sua maturidade, que fala de uma proposta de sabedoria de vida.
E há uma série de coletâneas desses aforismos, que são chamados de sabedoria de vida, ou também como lidar consigo mesmo. E com esses aforismos, trechos que foram recolhidos de suas obras,
a gente consegue fazer um paralelo interessante com Sêneca. Não só com Sêneca, com outros também do próprio estoicismo, de outras escolas, o epicurismo, enfim. Mas no nosso caso aqui vamos falar do Sêneca, onde ambos vão tratar a questão do tema da felicidade.
a importância de dedicar-se um pouco às coisas que dependem de nós, à vida interior, a se ocupar daquilo que depende de nós. Vão falar de tomar cuidado com a influência dos demais, com a forma de pensar dos demais, de buscar pensar por si mesmo.
de poder lidar, aprender a lidar, reduzir ou educar os desejos, de aprender a lidar com o sofrimento, de não ser influenciado negativamente pela multidão. E ambos vão tratar de uma ética.
individual, com caráter social também. Vários, não só temas que ambos vão tratar, mas que têm abordagem em alguns momentos parecidas também. Claro que cada um tem sua forma de, não só a forma de pensamento, mas a sua própria forma de escrita. Também são praticamente 18, 19 séculos.
que separam um do outro. Também, pelo que sabemos da vida deles, também tinham um temperamento, tinham personalidades também distintas. Mas o que é interessante é isso, porque, em geral, pensamos sempre no Schopenhauer como uma filosofia racionalista, o idealismo alemão, mas a gente pode ver algo mais prático, mais voltado.
para a vida cotidiana, assim como a gente encontra em várias obras de Sêneca, que é sobre a tranquilidade da alma, sobre a vida feliz, sobre a brevidade da vida. Então a gente encontra aforismos de Schopenhauer que vão ao encontro de várias ideias de vários desses escritos de Sêneca.
E é interessante refletir a semelhança que esses ensinamentos trazem, não só a obra de Marco Aurélio, A mim mesmo, que é a tradução literal, essa obra do Schopenhauer, Como lidar consigo mesmo,
da Tranquilidade da Alma e outra obra muito importante do Sêneca, chamada Consolação à Minha Mãe Élvia, sobre a felicidade também, são obras que falam muito conosco mesmos, são reflexões profundas que deveríamos ter cotidianamente. E todas essas obras nos ajudam a refletir sobre as expectativas do futuro e as preocupações que já vivemos. Na obra da Brevidade da Vida, o Sêneca fala muito de nos ocuparmos de viver o presente.
E é interessante porque às vezes a gente vive no futuro, isso inclusive é causa de doenças, você como profissional da área sabe bem disso, a nossa grande ansiedade pelas coisas que podem acontecer e que às vezes não acontecem como a gente quer e a gente sofre bastante.
É muito importante que estejamos presentes no momento que estamos vivendo, com as pessoas, ouvindo-as, refletindo sobre o que elas estão dizendo, aprendendo com elas, ensinando também. Toda essa troca nos ajuda a viver bem cada experiência com muito mais coração. Gostaria que você falasse disso, Bernardo, porque se a gente fica preso na expectativa do que vai acontecer e numa preocupação excessiva com o que já aconteceu,
Isso é algo que vai nos machucando, nos ferindo dia a dia. E a filosofia e esses dois filósofos nos ensinam muito sobre lidar com isso de maneira mais virtuosa, mais inteligente, mais prática, mais objetiva. E aí temos pontos bastante importantes para a nossa reflexão e também para a nossa vivência.
Esse tema é muito interessante. Inclusive, o próprio Schopenhauer traz uma analogia, uma relação, um exercício para a gente de imaginação muito interessante. Ele fala, olha, imagina alguém que vai construir uma casa, um edifício, mas ele chega no terreno, ainda não tem nada.
Mas ele tem um projeto, então ele vai saber onde tem que levantar uma determinada parede e o que vai ser ali, onde vai ser determinado cômodo, etc. E a gente, em relação à nossa vida, muitas vezes a gente tem uma visão muito pontual, muito parcial. Então cada decisão que a gente toma no dia a dia...
vai estar relacionada com coisas que vão acontecer com a gente lá no futuro. E se a gente não tem uma mentalidade de ter um planejamento da vida, de ter esse projeto, como vai ser a nossa vida, assim como um construtor de um edifício tem a visão, ainda que possa fazer várias adaptações, ele tem uma visão mais ou menos estruturada de como vai ser o edifício.
E a gente tem que ter uma visão mais ou menos estruturada da trajetória da nossa vida. Porém, aí ele vai refletir sobre como fazer isso. Porque você vai ter que conhecer a si mesmo, você vai ter que saber o que você quer. Aí ele fala de você não ser influenciado, ser influenciado pelas opiniões dos demais. Saber o que realmente é essencial para a sua felicidade, aquilo que realmente...
ocupa o primeiro lugar na sua vida. E, em relação a isso, de não ter essa ansiedade, essa expectativa com o futuro. Então, a gente tem que ter um planejamento, e justamente esse planejamento nos permite ter uma noção de que rumo seguir, porém, estar mais consciente no presente. Não é ficar preso no futuro e nem no passado.
Porque o futuro vai ser gerado pelas ações do presente. E aí, nesse momento, a gente tem que estar consciente, nesse momento presente. Então, ambos falam das expectativas em relação ao futuro. Como você falou, que gera ansiedade, gera preocupação. E ambos vão falar que ficamos com essa atenção voltada para o futuro, para as nossas expectativas.
e deixamos passar o presente. Não só momentos importantes do presente, como momentos cotidianos, a gente acaba não sabendo valorizar, e aí parece que a vida passa rápido, e que a vida está superficial. Então ambos vão falar disso também. Então Schopenhauer vai falar que uma questão importante em relação à sabedoria de vida seria uma proporção correta.
da atenção dedicada ao presente e ao futuro. Que tem que ter esse planejamento, mas que esse planejamento não prejudique a atenção para o presente. E que não vivamos apenas no futuro, mas que poder realmente...
caminhar em direção às coisas vindouras, sem ansiedade, sem pressa, sem paciência, mas saber desfrutar o presente de uma forma consciente, inteligente, justa e adequada, para que a gente possa caminhar em direção à verdadeira felicidade.
Essa analogia que você trouxe é muito importante e quando a gente vai refletindo mais sobre ela, a gente percebe que pensar bem e refletir sobre as coisas, essa capacidade de introspecção que todos nós temos, ela nos leva a boas ações, ou seja, um bom pensamento nos leva a uma boa ação, que é mais coerente, mais equilibrada, mais harmônica, mais justa também.
E o exercício do ecletismo, nesse caso, é muito importante porque vamos observar duas figuras que não se conheceram, mas que têm muitas semelhanças. Vão falar sobre temas muito parecidos e que nos cabem a todos. Quando a gente fala da felicidade e da tranquilidade da alma, estamos falando de algo que todos nós podemos viver em alguma medida.
Tem um pensamento do Schopenhauer que diz mais ou menos o seguinte, temos que nos preocupar mais com o que temos em nossas cabeças do que em nossos bolsos. Ele está falando de uma riqueza da alma. E é claro, vale aqui uma reflexão. Esse é o pensamento que ele traz. Naturalmente que podemos ter riquezas materiais. Entendo que ele também pensou dessa maneira, mas não como o alvo final e total da nossa vida.
Temos que ter virtudes e valores para alcançar as coisas, e a tranquilidade e a felicidade são complementares, mas temos que compreender o que significa esse movimento de esforço, de evolução para sermos felizes, virtuosos, valorosos e ricos de alma, e também ricos do ponto de vista material, desde que isso seja feito sempre com muito equilíbrio, com justiça, com valores.
tudo isso há que estar na nossa esfera de reflexão. Ou seja, a tranquilidade e a felicidade se complementam, mas há que refletir sobre isso e é sobre esses pontos que eu gostaria que você falasse. O próprio Sêneca tem uma obra chamada Tranquilidade da Alma.
E uma das frases dele, pegando o gancho com a primeira pergunta, em relação às expectativas do futuro, o Sêneca falava que pensa que cada dia é uma vida. E aproveite esse dia de forma o mais agradável e o mais feliz possível.
E isso realmente, isso é possível se a gente tem essa tranquilidade. Que no estoicismo, a tranquilidade da alma, o termo grego é ataraxia. Que envolve um estado de harmonia interior, que envolve dentro da filosofia do estoicismo, de Sêneca, de viver de acordo com as leis da natureza.
E Schopenhauer também vai chamar atenção a isso. Ele diz que ficamos intranquilos com coisas que estão incertas no futuro e que estão indeterminadas. E realmente isso é muito interessante, como a gente se deixa afligir por coisas que às vezes nem vão acontecer.
Ou que às vezes a gente já, de uma visão pessimista, já acha que vai dar errado e não dá errado, porque é só um pessimismo. Então isso é interessante, porque às vezes aqui, a gente que às vezes tem essa visão de ver na filosofia dele, às vezes um tom pessimista.
Mas é que em alguns momentos ele está falando de uma forma de lidar com o presente, com as coisas do dia a dia, que não é uma forma pessimista. Então, ele fala, olha, não devemos perder a tranquilidade da nossa vida com coisas, com males que são incertos ou indeterminados.
Então, aí ele começa a falar sobre o domínio do temor, o domínio dos desejos, o domínio das expectativas. E que, da mesma forma que Sêneca fala que cada dia tem que ser uma vida, ele fala que o dia de hoje é só uma vez.
Claro que amanhã tem um novo dia. E o novo dia de amanhã é só uma vez. De tal maneira que cada dia é muito único.
Então vão chamar muita atenção a isso, a essa importância de dedicar-se ao dia presente e também em relação a lidar com o sofrimento. Esse sofrimento no sentido de perder a tranquilidade da alma.
Então, o Prusho Perrao vai ter uma visão mais de reduzir o sofrimento, reduzir aquilo que possa nos tirar essa tranquilidade. E muitas vezes, Sêneca, o que a gente vai ver é uma ênfase mais ativa, mais moral e mais construtiva para não cair na perda da tranquilidade da alma.
E isso é um desafio, ou seja, essa natureza que a gente tem de se queixar, de ficarmos intranquilos frente às provas, é uma questão a se refletir. E justamente nesse sentido vem a questão, Bernardo, como evitar essa supervalorização desses dias difíceis, dessas provas ou dos momentos duros que a vida traz?
A gente coloca algo no superlativo, é como se fosse um sofrimento em excesso, na sua máxima potência. E às vezes não é assim. Conversando com alunos em Nova Acrópole, às vezes eu percebo essa mentalidade, e isso é uma questão importante para a gente ponderar. Conversando com amigos fora da escola também, às vezes parece que os dias ruins devem ser esquecidos. Mas são frutos de reflexões que devemos ter.
Quando eu li Marco Aurélio em sua obra Meditações, falando justamente sobre as provas da vida, ele fala que o que nos ocorre é para o nosso bem, para o nosso aprendizado. E por mais dura que seja uma prova, nós temos nível, se nos ocorre, para enfrentá-las. Ou seja...
Precisamos passar por aquilo, embora não saibamos, mas temos potencial para superar essas adversidades. Eu gostaria que você falasse sobre isso, de não cairmos nesse excesso de, por um lado, reclamarmos excessivamente dos problemas ou das provas da vida, como aquele desenho, ó céus, ó vida, ó azar, e por outro lado, de não supervalorizarmos demais as provas.
Esse justo meio e essa correta dose de atenção também aos dias bons, aos momentos bons que passamos, é fundamental na filosofia de ambos. Então, o que acontece é que quando temos um dia mais desafiador, um momento mais difícil, às vezes isso chama muito a nossa atenção.
E nos faz esquecer de vários outros momentos onde as coisas deram certo, as coisas estavam caminhando bem. E que a vida se desenvolve dessa maneira. Schopenhauer, por exemplo, ele dá muita ênfase nesses momentos bons.
que a gente acaba não, no seu devido momento, não prestando muita atenção, não valorizando. E só damos atenção quando a um determinado momento está nos incomodando. Então a gente acaba deixando passar em vão várias horas, vários dias.
que as coisas estão acontecendo de forma corriqueira, ou como tem várias coisas boas acontecendo, mas ao invés de a gente aproveitar isso, a gente já está preocupado com as expectativas. E aí quando chegou um momento ruim, a vida parece muito difícil. Porque não só pelo momento ruim que a gente está vivendo, mas porque antes a gente não estava sabendo dar atenção ou aproveitar adequadamente.
Os momentos mais comuns, mais corriqueiros e os momentos mais felizes também. Então, novamente ele fala de também a gente não perder muita atenção em decepções do passado. E não se apressar muito para o futuro. E aprender a desfrutar melhor o momento presente.
Saber valorizar melhor os momentos felizes, os momentos bons e também os momentos aparentemente corriqueiros. Então ambos vão mostrar uma preocupação em ter um olhar renovado para o nosso momento presente. Tudo que a gente pode aprender de cada situação que a gente passa.
E quando chega o momento difícil, a gente também vai lembrar que vários outros momentos não foram difíceis. E os momentos difíceis também fazem parte. E vamos pegar aí a força, a lucidez que devemos desenvolver nesses momentos onde as coisas estão caminhando bem para enfrentar as situações mais adversas. Então, Schopenhauer...
dar essa ênfase em valorizar mais os momentos bons, felizes e corriqueiros. E o Sêneca, novamente, ele fala muito desse caráter moral, de a gente não se preocupar com as coisas que não dependem de nós. E que se o mundo...
Está muito duro, temos que nos fortalecer, que as nossas virtudes devem se tornar uma força moral para enfrentarmos as adversidades e enfrentar com essa tranquilidade, que é a melhor forma de enfrentar o momento difícil, é não perder.
essa tranquilidade. Então, Sêneca fala, esse momento difícil, você tem que tornar-se forte, é a virtude da fortaleza e mais sábio.
E o Schopenhauer, se o mundo está muito duro, a gente já tem que estar com uma energia, com um bom aproveitamento dos momentos que a gente poderia desfrutar melhor, os momentos mais corriqueiros, os momentos mais felizes. E também fala de...
de aprender a se proteger um pouco, para você não enfrentar situações ruins que poderiam ser evitadas.
Sem dúvida, Bernardo, isso me faz refletir sobre a maneira como nos relacionamos com os atrativos e os prazeres da vida. É como se a gente tivesse medo de lidar com a solidão, ao estar sempre voltados para fora, para os prazeres que a vida traz, e não que não possamos ter prazeres, mas há que qualificá-los, isso é muito importante.
E esse medo que a gente tem de estar sozinho. O Sêneca fala da tranquilidade da alma e o Schopenhauer fala da riqueza interior e do valor da solidão, ou seja, de bastar-se a si mesmo. Tem muito a ver com a ataraxia dos estoicos. Não se trata aqui de misoginia, mas de estarmos sós em algum momento, ouvir uma boa música, ler um bom livro.
refletir sobre uma virtude, sobre a vida que estamos vivendo, ver o nascer do sol ou o pôr do sol com quem amamos. Isso é importante, essa solidão não é algo ruim. São dois pontos a se refletir. Eu gostaria que você falasse um pouco sobre isso, porque ambos vão nos ensinar muito bem a que reflitamos sobre essas questões para lidar de maneira mais natural com elas.
Então aqui encontramos outras ideias bem interessantes também em relação a como lidar com o mundo dos desejos e das paixões. Então a gente sempre deposita muito a felicidade em obter coisas externas. Então aqui, tanto Sêneca quanto Schopenhauer vão falar disso, da importância da riqueza da vida interior.
da questão de cultivar um pouco a riqueza do nosso espírito. E ambos vão propor formas de lidar com o mundo dos desejos. Então a gente vive num mundo hoje que estimula muito os nossos desejos, os nossos prazeres, o gosto pelas sensações, o consumismo. E é um excesso de estímulos que leva às vezes as pessoas a não terem tempo e a gente vive num mundo.
Ou a não terem energia ou esquecerem de dar atenção a outras coisas importantes da vida interior, a outras coisas mais importantes de uma forma de vida mais simples, de simplicidade, de contato com a natureza. Então, ambos vão falar de coisas nesse sentido.
Do Schopenhauer a gente vê muito essa ideia de reduzir o desejo, de evitar se envolver no mundo de vícios. Vamos ver muito essa postura. E o Seneca fala muito do controle do desejo, das paixões, como uma forma pedagógica de educar o desejo, de canalizar o desejo. E principalmente...
desenvolver um outro tipo de desejo, que é uma ação mais reta, que não chega a ser um desejo, mas que é o gosto pela ação virtuosa. Então isso é muito importante, muito prático, que a gente encontra nos dois, como forma de ter essa tranquilidade da alma, de diminuir o sofrimento.
Mas não só pelo sofrimento, mas diminuir influência de coisas que não tem a ver com o que a gente realmente quer. Então, ou seja, é um mundo de desejos e de estímulos, mas que é muito influenciado pela sociedade, pelo meio circundante. E ambos propõem um aspecto de uma vida retirada também.
Então Sêneca vai falar da vida retirada e Chopin Rá vai falar, de certa forma, da solidão. Sêneca também fala da solidão. Então Sêneca apresenta assim como a gente tem que ter momentos de estar sozinho com a gente mesmo. Ter momentos de solidão, momentos de vida retirada da sociedade. Não de forma egoísta, nem individualista.
mas para a gente ver realmente se estamos vivendo de acordo a um plano do bem que está em relação ao que o nosso eu verdadeiro quer, necessita. E Schopenhauer vai falar dessa vida retirada, dessa solidão, como forma de reduzir influências externas que possam nos levar a certos desejos que não tem a ver realmente com o que a gente quer, com o que a gente precisa para a nossa felicidade.
E pelo seu próprio estilo, essa solidão dele às vezes tem um tom meio individual. Mas aí tem algo muito interessante que dá para todos nós aproveitarmos sim, é a necessidade desse momento de a gente aprender a estar a sós consigo mesmo, a poder refletir sobre a nossa vida, se estamos vivendo...
de acordo ao que a gente realmente quer, não como uma simples paixão e desejo, mas aquilo que realmente vai trazer essa felicidade para o nosso espírito. Então o Chopin Hawái vai falar da limitação exterior, limitar um pouco um excesso de envolvimento com compromissos sociais, com os desejos, com o mundo da rotina, enfim.
e vai falar um pouco dessa solidão interior, buscar esses benefícios do espírito também. Então, eles vão propor formas de vida retirada e solidão, tem ideias parecidas, tem ideias particulares de cada um, mas fica essa ideia de a gente aprender a estar sós com nós mesmos como forma de autoconhecimento.
e de reflexão sobre pontos importantes da nossa vida, mas não só de forma egoísta. É aprender a viver melhor consigo mesmo, para que possamos também mostrar para os demais.
conviver com os demais de acordo ao que nós temos de melhor, que aí são os nossos valores e as nossas virtudes. E justamente nesse sentido, Bernardo, eu gostaria que você encerrasse a nossa conversa de hoje. O que a gente faz da nossa vida, não do ponto de vista profissional, da vocação ou do trabalho, ou seja, qual a importância da reflexão sobre o que a gente faz e a forma como a gente vive?
Isso é importante a gente pensar todos os dias, do ponto de vista humano, quais são as minhas ideias e a coerência que elas têm com as ações que eu tenho, de forma bem objetiva, sem romantizar o tema.
A dor como veículo de consciência, como nos ensina Buda, nos leva a resolver o problema que temos. Se temos uma questão física que nos gera dor, vamos a um profissional da área da saúde, ele vai dizer o que pensa sobre o que temos em nosso corpo, vai nos dar alguma devolutiva com algum remédio ou algum tratamento.
Ou seja, todas as experiências que nós temos, que podem nos gerar dor, devemos observar qual é o nosso erro em relação a essa experiência. Numa relação com as pessoas, se eu cometo erros e isso me gera dor, como resolver essas questões? Como aprimorar as minhas ações? Pedir desculpas, me corrigir, usar das minhas virtudes para que eu possa melhorar as minhas relações e de forma bem objetiva buscar essa felicidade atuando com mais reflexão.
de maneira cada vez mais profunda. Eu gostaria que você falasse sobre isso, Bernardo, justamente para que possamos ampliar a esfera de consciência em relação a esses temas. Saindo aqui desse podcast, entendendo o que podemos melhorar em algum aspecto. Todos nós podemos. Em suma, esses dois grandes filósofos nos ensinaram muito sobre isso. Cabe a nós viver algo nesse sentido.
Então, algo que me chamou muita atenção aqui na obra de Schopenhauer, em cênica e no estoicismo, já é mais conhecido, já tem essa expectativa, a gente encontra nas obras sempre essa postura de reflexão, reflexão sobre o que a gente está fazendo, se a gente está vivendo de acordo a um plano estabelecido. E aqui em Schopenhauer isso me chamou muita atenção, como ele coloca Conexer
de uma forma muito importante, muito clara, muito prática também. Então, voltando lá no primeiro exemplo, no início da nossa fala, do plano do edifício. Então, tem que ter o plano, mas não só o plano, você tem que estar revisando diariamente o que foi feito. Então, se está construindo aquele edifício, hoje a gente fez essa parede, aquela, hoje fizemos determinada ação, determinada obra.
E aí a gente tem que revisar se as coisas estão caminhando bem. A parede ficou torta, bom, então vamos ter que refazer, sei lá. E às vezes na vida a gente não faz isso. A gente passa um dia e não reflete sobre o que a gente fez. E a gente não reflete se o que a gente fez nesse dia vai ao encontro do plano do bem que estabelecemos para a nossa vida. Ou seja, qual é o plano que o meu eu superior tem para essa vida?
que eu tenho de melhor para oferecer para mim mesmo e para os demais. Então aqui Schopenhauer cita uma frase de Pitágoras.
onde Pitágoras fala toda noite antes de adormecer, reflita e examina cuidadosamente o que você fez durante o dia. E o que você fez que não ficou muito bem feito, ou que foi mal, ou que foi ruim, corrija. E o que foi bem feito, persevere. Mas não podemos viver sem essa reflexão, sem analisar o que está sendo feito. E não é ficar remoendo.
O que a gente fez ruim, por exemplo. Porque isso não adianta nada também. Uma análise com bom senso, ele diz. Então ele fala algo muito interessante. Combinar uma dose de conhecimento e de reflexão.
uma dose de aplicação desse conhecimento e de reflexão. Isso é muito interessante. Então a gente não pode só estudar, a gente não pode só aplicar o estudado, é um pouco de cada. Me lembro uma frase da filósofa Helena Petrovna Blavatsky, que fala o tanto que você tem de leitura.
Converta isso em horas de vivência e de reflexão. Então, é como um livro. Um livro, vamos dizer assim, um livro de filosofia, de complexidade moderada, a alta complexidade. Você precisa de ter algumas notas de explicações. Mas o livro não pode ter tantas notas assim. Porque senão você vai ficar mais lendo a nota do que o livro.
é uma ideia parecida, você tem que ter o conhecimento e a prática e a reflexão e tudo isso tem que estar bem dosado. Então acho que com isso a gente tem uma boa síntese e um fechamento aí, porque é uma forma de a gente aprender a extrair a experiência.
e a instrução que a vida nos traz diariamente. Então isso a gente sempre encontra no estoicismo, a gente encontra nos versos áureos de Pitágoras, e isso aparece aqui, porque algo muito legal desses aforismos de Schopenhauer é porque ele cita algumas frases de Sênica e cita também alguns ensinamentos de Pitágoras, além de várias outras coisas.
Assim, terminamos mais essa conversa. Novamente, agradeço a você, Bernardo, pela presença e, claro, desejo que seja sempre muito bem-vindo aqui no podcast da Nova Acrópole. Muito obrigado, Danilo, pela oportunidade e nos vemos aí. Até a próxima.
Até a próxima, Bernardo! E para aqueles que queiram nos contatar, basta acessar nova-acrópole.org.br barra podcast. E para quem quiser saber mais sobre o nosso curso de Filosofia para Viver, basta acessar nova-acrópole.org.br e buscar a sede mais próxima a você. Até a próxima!
A trilha deste podcast é de autoria de Sergei Rachmaninov e chama-se Concerto para Piano número 2, Moderato.