Episódios de RivoTalks

HELIO DE LA PEÑA | RivoTalks #129

05 de maio de 20261h46min
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Ele é um dos maiores nomes do humor brasileiro, cofundador do Casseta & Planeta e figura central de três décadas de comédia política na Globo.

No episódio, Helio de La Peña fala sobre como foi crescer como o único aluno preto num colégio de elite no Rio de Janeiro e o que isso moldou nele. A conversa passa pela fundação do Caceta Popular na faculdade de engenharia, a transição para a TV com o TV Pirata e o Casseta & Planeta, e o impacto brutal da morte do Bussunda durante a Copa do Mundo de 2006. Também tem espaço para o humor na era das militâncias, a ditadura do algoritmo, a política como concorrência da comédia e a reinvenção no stand-up depois dos 60!

Um papo denso, engraçado e honesto sobre criar humor em tempos difíceis e sobre o que resta quando o palco muda mas o instinto não. Solta o play!

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Assuntos7
  • Politica e HumorFundação do Caceta Popular na faculdade · Satirização do movimento estudantil · Transição para TV Pirata e Casseta & Planeta · Humor político e a ditadura do algoritmo · Impacto do humor na política brasileira · Comparação entre caricaturas antigas e a política atual
  • Humor na Era das Redes Sociais e MilitânciasDitadura do algoritmo e o medo de falar · Ataques e cancelamento nas redes sociais · Interpretação de texto e o humor fora de contexto · A patrulha das militâncias e a perda da leveza · O humor como ferramenta de crítica e reflexão
  • Origens e FormaçãoInfância e adolescência em Vila da Penha · Colégio de elite e o gap social · Ambição e a importância da educação · Reconstrução da personalidade e identidade suburbana · Diversidade de origens no grupo do Casseta
  • Morte de Bussunda e o Impacto no GrupoChoque e comoção com a perda · Bussunda como fiel da balança no grupo · A perda de uma figura emblemática do humor · O impacto da morte durante a Copa do Mundo · A morte como lembrete da mortalidade
  • Stand-up e Reinvenção Pós-60Aventura solitária do stand-up · Inspiração para recomeçar na idade que quiser · Retorno imediato do público no palco · Desafios vocais e preparação para o palco · O humor como reflexo da vida e das experiências
  • O Fim do Casseta e PlanetaQuestões comerciais e restrições · Desgaste das relações internas e cansaço do formato · Impacto da morte de Bussunda · Transição para novos caminhos e projetos individuais
  • Filosofia e PensamentoA paixão pelo Botafogo e a superstição · O Botafoguense como reflexo da vida: esperança e humilhação · A comparação com outros torcedores e a visão de mundo
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Olá, sejam bem-vindos a mais um Rivotalks, esse espaço maravilhoso de conversa que abre portas para que vocês conheçam o... O Rivot News, seu resumo semanal de notícias toda sexta-feira, meio-dia e trinta, neste mesmo canal. Sempre com o apoio da Intermeso Escola de Música e da escola... opa, é... da Intermeso Pro...

Intermesa Escola de Música e da Produtora Camaleão. Começamos assim já, vai ser bom, né? É isso, claro. Já com os bastidores. Leve, com leveza. E por favor, se inscrevam no canal se você não for inscrito, ok? Eu tenho certeza que a partir de agora você vai amar esta conversa com o senhor

Hélio Antônio do Couto Filho. Seja bem-vindo. Olha, já começou revelando o segredo. Não exatamente, né? Não vão entender direito. Quem será? É o Hélio Della Penha, não é o seu Jorge, nem o Luiz Miranda. Seja bem-vindo, querido.

Obrigado, muito obrigado por ter me convidado. Prazer estar aqui com vocês. Prazer é todo nosso. Hélio, você vem de uma geração que sai da ditadura com uma sede de liberdade absoluta, vontade de zoar tudo, todos, testar mesmo os limites, né? Era um governo muito repressor. E ao mesmo tempo você conta que o Caceta e Planeta não acabou do nada, né?

ele foi sendo estrangulado por algumas questões, principalmente comerciais, né? Vocês tiveram que parar de fazer piada com eventuais anúncios, com camisa de time, enfim, esse tipo de coisa. Você acha que, de alguma maneira...

Não dá pra chamar de censura, claro que não. Uma empresa com interesses comerciais, claro. Mas você acha que aquelas restrições que vocês tinham, que todo mundo tinha durante a ditadura militar, isso de alguma maneira, por outras razões, só mudou de lado, de balcão? Quer dizer, antes vocês tinham uma restrição à liberdade em si e agora a liberdade estava restrita por questões de mercado.

Eu acho que são razões bem distintas, sabe? Tanto o período da ditadura, quanto as questões editoriais da emissora, quanto o que a gente vive hoje. São três aspectos bem distintos. A censura realmente foi na época da ditadura, em que você tinha que...

era impedido de falar de certos assuntos, enfim, e as consequências eram graves, entendeu? Não era um cancelamento de rede social, era um cancelamento de CPF, né? Então a situação era bem mais grave. Aí depois você tinha ali uma questão de ajuste da emissora, que ela entendia o entendimento.

da linha editorial era diferente do que a gente gostava, do que a gente queria, do que a gente praticava. E alguns exageros ali que depois também foram se ajustando. E hoje a gente vive a ditadura do algoritmo, em que as pessoas ficam até meio assustadas. Não pode falar isso, o que pode acontecer, qual a consequência. E é uma coisa que vem do público.

Então é uma situação diferente de você ter uma censura oficial. Então são situações distintas e eu nem sei se eu posso atribuir o fim do caceta a essa questão ou se havia um encerramento de um ciclo.

também tinha um desgaste até das relações internas ali do grupo, entendeu? Enfim, a gente até é amigo, ainda é amigo, a gente tem até um grupo de zap e tudo mais, mas assim, havia já um certo...

digamos, um certo cansaço daquele formato de trabalho, né? A gente se reunia numa sala, naquele grupo, durante 30 anos, entendeu? E chega uma hora que você começa a querer buscar outros caminhos, né? Claro. Entendeu? E cada um, você vê hoje, cada um está fazendo coisas completamente diferentes, né?

Eu vou ter que antecipar e já trazer a pergunta da Manu Muzitano aqui, que é o nosso terceiro elemento aqui no Rivo News. Ela é super sua fã. Você vai notar que ela tem uma semelhança aqui com você, uma característica, mas a pergunta dela tem muito a ver com o que você está falando.

Oi, Hélio. Eu sou a Manu do Rivonios. E eu queria contar que eu chorei muito, muito, muito assistindo o documentário do Buçunda. Porque pra mim foi mais do que uma homenagem a ele. Foi uma ódio à amizade de vocês. E dito isso, eu queria saber qual é a dor e a delícia de trabalhar com amigos tão próximos durante tanto tempo. Beijo dessa botafoguense que te adora. Oh, saudações ao meu, Grêmio. Oi.

Muito bom. Olha, realmente trabalhar assim em grupos de amigos foi uma coisa muito boa. Foi muito legal que a gente era um grupo de amigos e a gente gostava de fazer humor.

Na verdade, eu conheci o Beto e o Madureira da Faculdade de Engenharia. A gente começou fazendo um jornalzinho só para a Faculdade de Engenharia. Esse jornalzinho foi expandindo, começou a atingir o resto da UFRJ.

Federal do Rio de Janeiro, né? E dois anos depois a gente resolveu convidar o Bussunda e o Cláudio Manuel, que na verdade eram amigos do Madureira. De colégio. O Madureira estudou com eles, estudou com o Cláudio.

e com um irmão do Bussum do Colégio de Aplicação, no ensino médio, e a gente se conheceu na praia. Ali eu, Beto e essa galera toda, a gente se conheceu na praia, até durante a Copa de 78, a Copa da Argentina, a gente assistia a jogo junto, estava no primeiro ano de faculdade e tudo mais, e a gente achava uns caras engraçados.

E ele falou, pô, vamos chamar esses caras para fazer o jornal com a gente e tal. Aí eles entraram e quando eles entraram a gente resolveu fazer, obviamente, um jornal que não ficasse restrito às questões de faculdade, enfim. Começam a falar de costume, falar de política e tudo mais, fazer uma coisa mais ampla, vender nos bares, nas praias ali do Rio e tal.

E realmente foi um momento muito bacana, solteiro ainda. Enfim, começou assim, um jornalzinho que foi super resiliente, uma palavra do momento. Enfim, em 1978, começamos um jornal.

lá na faculdade. Em 1980 entrou o Bussunda e o Cláudio Manuel. E em 88 foi que a gente conseguiu nosso primeiro salário como humorista, quando a gente conseguiu ser contratado pela Globo pra fazer o TV Pirata, ser redator do TV Pirata.

Então, foi muito tempo de jornalzinho que virou revista, que foi para as bancas e tudo. Enfim, foi um período muito longo, altos e baixos, mas a gente sempre fazendo jornal, nem sempre com regularidade, mas essa vontade de fazer alguma coisa diferente, fazer uma coisa que impactasse e tal.

Então, eu acho que uma coisa que foi bem bacana dessa nossa amizade e dessa nossa identidade, assim, todo mundo queria estar fazendo aquilo sem saber exatamente onde ia dar, porque a gente não tinha a pretensão de vamos virar profissionais, vamos seguir nesse caminho e tal. Eu não estava lá, fazia faculdade de engenharia, já tinha me formado.

Eu, o Beto, o Madureira, a gente já estava cada um numa empresa diferente. Você é lá focada em Itaipu, né? É, exatamente. Eu estava trabalhando numa empresa de consultoria, que era a Promon, trabalhava no projeto de Itaipu. O Beto estava na Pricewaterhouse, essa empresa de consultoria, que depois virou notícia e tal. E o Madureira trabalhando no BNDES.

Então, quando a gente foi convidado ali pra ser redator de TV Pirata, cara, eu não pensei duas vezes, né? Larguei no ato e fui. E aquela amizade continuou ali, a gente fazendo, a gente começou a fazer o jornal, começou a fazer o programa, né? Começo...

Primeiro, começamos a fazer a redação do TV Pirata e depois o programa e tal. E tinha uma coisa muito boa da amizade, que era a franqueza. Então, a gente não tinha aquele melindre quando você, digamos assim, um produtor chama, considera, ah, esses caras aqui são talentosos, eu acho que eles têm alguma coisa em comum, vou chamá-los para trabalhar juntos. E você não conhece aquela pessoa, você não sabe se realmente...

Pode falar tudo o que você acha a respeito do que o cara está fazendo, como é que aquilo vai ser recebido. Quando você tem amizade, você tem liberdade de falar isso aí é uma merda, vamos pensar outra coisa, não sei o que lá. E a pessoa também não se sentir ofendida, sabe? E a vida que segue, entendeu? Então acho que o fato da gente ser um grupo de amigos que foi fazer um trabalho...

foi muito importante, sabe? Bem melhor do que quando você, justamente, monta-se o grupo, um produtor monta um grupo. Uma reunião de estranhos, né? Exatamente, entendeu? Como é que, como lidar?

como até você conhecer, ganhar intimidade criar um elo ali um laço, né? para te dar a liberdade que só isso daria ali você já tinha um dramado monte, né? na hora que vocês chegaram ali teu cafezinho chegou aqui obrigado obrigado

Ô Hélio, mas se voltar um pouquinho mais na tua história, que você nasce e cresce na Vila da Penha, né? Mais velho ali, de cinco irmãos, filho de professora primária, uma família negra, mas uma família negra de classe média simples, que você sempre fala com determinados privilégios que você foi reconhecer depois.

de um tempo, né? E seus pais moraram na mesma casa por décadas, seis décadas, ou seja, uma família estável, digamos, né? E aí você inventa um nome artístico, depois de uma bronca do seu pai, que é o Della Penha. Nossa, você pesquisou tudo. Você pode fazer um podcast só com ela.

Que é uma referência de origem, né? Sou o Hélio de La Penha. Eu amei a combote de jucana que sou a referência a Santos Penha. Mas você disse que você só entendeu realmente o valor de ter vindo de Vila da Penha depois de algum tempo. Foi só depois de um tempo que você falou, cara, tem um valor eu ter vindo desse lugar, com essa história, ter tido essa origem.

O que que nesse histórico de vida te deu e te dá, mesmo você tendo começado a se distanciar dessa realidade com 11 anos de idade, quando você vai ali para o São Bento? Olha, eu acho que, primeiro, esse distanciamento do São Bento foi uma coisa que o São Bento provocou, foi uma coisa que criava um desconforto, porque eu vivia num ambiente completamente conhecido.

familiar e tal, ali no subúrbio e tal. De repente eu sou jogado num colégio de elite em que eu não faço a menor ideia de como é que vivem aquelas pessoas, onde é que elas moram, entendeu? E fui percebendo o gap social que acontecia ali, olhando em volta, aí eu o único aluno preto num colégio.

tinha mil alunos, você devia ter um ou outro ali perdido, sabe? Enfim, era uma coisa muito estranha assim. E...

Por outro lado, também, isso começou a provocar uma certa ambição, né? Sabe? De, pô, também quero ter essa vida boa, que eu possa um povo bem aí, sabe? Morar em essas casões, viajar e tal. E eu acho que isso me levou a me empenhar, a estudar mais, a ter que...

Mas isso é uma coisa sua? Ou seus irmãos também têm? Você acha que é uma característica? Porque tem gente que olha para isso e pode se revoltar. Em você deu uma ambição. É uma coisa tua ou da tua família, da tua formação, você acha? Eu estou olhando hoje a família, os meus irmãos, todos estabelecidos. Eu acho que tem uma coisa de formação. De formação, tem. Tem uma coisa da educação que nossos pais nos proporcionaram. Sim.

a importância da educação, a importância de você levar as coisas a sério e tudo, entende? E talvez eu tenha radicalizado mais nessa história. Aí o que acontece quando você sai de um subúrbio e é jogado no meio de...

garotado da Zona Sul, né? Ali na adolescência que você queria ser igual a todo mundo e você era o diferente. Então, ligava um desconforto, sabe? Eu era aquele preto que morava longe, pobre e tal, entendeu?

Me tornei pobre quando entrei no São Bento, porque enquanto eu estava na penha, estava todo mundo igual. E de repente fica uma defasagem enorme, sabe? Eu pegando dois ônibus para chegar no colégio, que tinha gente que chegava com um carro com um motorista, enfim. Situações até pouco imagináveis para mim, né? Enfim, o que acontece é que eu levei um tempo e eu levei um tempo.

para resgatar as características e a riqueza que dava aquela herança suburbana, que estava em mim, que eu tentava esconder para ver se eu fingia ser um carinha da Zona Sul também.

Então foi uma reconstrução da personalidade que foi se dando à medida que eu fui amadurecendo. E obviamente que isso estava presente no meu humor, estava presente na minha maneira de ser, e que contribuía para a riqueza que era o grupo do caceta, que era cada um de uma origem. A gente foi vendo ali, era o preto, tinha o bussum do Beto judeus.

Aí você tinha o Uber, acho que era tijucano, enfim. Cada um com a sua minoria, né? Depende, tijuca é maioria, você vai anotar no mundo, sempre tem tijucano. Mas, Oélio, você já falou algumas vezes essa ambição que surgiu aí,

entre outras coisas, como seu talento, sua força de vontade, fizeram, de fato, um homem muito bem sucedido. E que esse sucesso, em alguma medida, fez com que você jogasse pra debaixo do tapete essa questão racial, da maneira, pelo menos, como ela é tratada hoje, né? Você sabe qual foi o clique, assim, a virada de chave pra você ressignificar todas essas suas experiências depois, já, de mais velho?

Olha, eu acho que começou a haver uma atenção para esse tema de um tempo para cá e isso despertou em mim essa reflexão e o contato também com outras pessoas e tudo, sabe? E eu acho que foi curioso que, mais para o final do programa...

eu via que as pessoas falavam assim, não, você é uma referência importante para mim, não sei o quê, os meninos pretos falavam isso e tal. E eu ficava assim, até meio sem... Sem entender. Sem entender. Você já tinha se distanciado tanto que você não entendia. É, sabe? Porque aquela coisa... Eu lembro que eu estava uma vez com o pessoal do Afro Reggae e a gente estava numa reunião na casa da Regina Cazé.

E eu conheci a Regina Casetti ter sido redator do TV Pirata e tudo isso aqui. E eles estavam vindo justamente pela ação social, a relação que eles tinham lá. A Regina era a madrinha lá do Afro-Regui e tudo. E a gente estava naquela casa e a garotada do Afro-Regui estava meio...

Meio peixe fora d'água assim e tal. Aí quando eu fui falar com eles, eles dizem, porra, ainda bem que você veio, você estava aqui, finalmente tem alguém próximo. Aí eu comecei a perceber essa identificação. Mas isso foi crescendo, entendeu? E eu acho que quanto mais para cá, e que a coisa foi ficando mais clara, mais evidente. Nossa.

Já vem os haters aí. Ah, não, que é... Bom, falaremos mais disso. E eu sei que... Que aí eu fui começando a perceber as coisas, entendeu? Eu começava a perceber aquilo que era um desconforto, de repente começou a virar um material.

Você sinta um momento, quando você está conhecendo outros artistas, humoristas negros, vocês têm um grupo de WhatsApp, o Coisa de Preto, que vira um festival, e você fala que nesse festival você chegou, você olhou e você falou...

Nossa, só humorista negro, a plateia 90% negra. Aquilo foi um choque. O primeiro Coisa de Preto foi um grupo que surgiu. O William Wack agradeço muito. Mas foi. Agradeço muito o seu furo. O que aconteceu foi que a gente juntou ali naquele grupo de WhatsApp para ficar sacaneando o William Wack. E aí, uma certa hora lá, alguém falou, pô, vamos fazer um show.

Eu tinha feito algumas participações de shows de stand-up, mas ainda muito pouco. Mas os caras falaram, vamos fazer um show e tal. Eu falei, tá, vamos nessa e tal. E aí o primeiro show, eu vim aqui para São Paulo. E era uma situação, o grupo obviamente não tinha grana, nem coisa nenhuma. Eu falei, não, deixa, eu venho, pago a minha passagem, pago o meu hotel e tal. Mas eu quero estar junto.

E aí, cara, quando eu peguei um táxi e fui pro show, que era numa periferia, nem me lembro qual, e esse teatrinho ficava dentro de um colégio. E de repente, quando eu olho na plateia, quando eu subo no palco e vejo, cara, só tinha gente preta.

E no final do show, alguém até perguntou assim, quem aí já veio ao teatro pela primeira vez? Pum, a grande maioria.

estava ali pela primeira vez vendo um espetáculo. Eu fiquei muito espantado com aquela situação. Falei, caraca, olha isso, sabe? Um camarim onde os artistas são pretos, vocês vão em um palco, você olha para a plateia, só tem preto, está uma situação completamente inédita para mim. E era curioso, fizemos alguns outros shows, mais ou menos nesse formato.

E a galera me ajudou muito, assim, o Gui Preto, o Keren Silvio, até o Yuri, tudo. Foi uma galera que foi muito importante ali pro meu interesse, pra coisa do stand-up e pra minha formação ali e tal. E eu achava engraçado que, assim, tinha o show e tal. Aí quando eu pegava, digamos, era muito comum o Gui me dar uma carona até o hotel.

No momento que eu saía do carro e entrava no hotel, eu voltava a entrar no mundo branco, entendeu? Então era uma situação que eu comecei a perceber... A clara, nítida diferença entre uma coisa e outra. Exatamente, exatamente. Onde eu vivia...

que era um mundo diferente daquela galera e tal. Até os temas ficavam assim, porque as pessoas falavam muito da sua realidade, e a realidade deles era bem distinta da minha, eu não podia tomar emprestado aquela situação para criar os meus assuntos. E aí eu fui vendo que o meu assunto principal seria mostrar...

mostrar como é a vida de um preto num ambiente de elite, num ambiente branco, um ambiente, enfim, de privilégios que eu vivia. Você leu o livro do Michel Alcoforado, que ele faz uma... Esqueci o título agora do livro. Também esqueci. Isso.

Você identifica semelhanças nos relatos? Entre o que você viveu ao longo da vida e o que ele observa na elite atual? Ah, sim. Aquilo ali é... Tem muita coisa ali que você vê que tá por aí, né? Eu acho que, inclusive, ele fala muito de um determinado tipo de rio que é o emergente, né? Sabe? É o deslumbrado, é o rico deslumbrado, né? Isso.

Entendeu? E aí, na verdade, eu convivo com muitas... Muita coisa diferente ali. Não, assim, por exemplo, o próprio São Bento. Pra quem não sabe, a gente tá falando de São Bento, esses colégios, gente, que é um colégio que até hoje, pra vocês terem uma ideia, não aceita meninas. É um colégio exclusivamente de meninos, tradicionalíssimo, centenário, no centro do Rio de Janeiro. Ali é, tipo...

São famílias ricas da elite tradicional fluminense. Ao menos era. Eu não sei se hoje ele ainda é tão elitizado assim. Eu acho que tem colégios hoje no Rio mais elitizados. Na época ele era top.

em termos de elite ali. Hoje em dia, a escola britânica eleva... Mas é isso que eu tô falando, são tipos diferentes de riqueza, de tradição. Mas eram, exatamente, não era um colégio, como digamos assim, é um colégio, se você for pegar um colégio, falando aqui de Rio de Janeiro, um colégio de elite na Barra da Tijuca, você vai pegar um outro tipo de público. É isso, é isso. Ali era o dinheiro velho, né? Era o dinheiro tradicional. Jô Soares, tudo lá.

Era uma galera assim, né? Não era assim, era filhos de netos de ministro diplomata de governador entende? Então era uma outra realidade. É engraçado que conviver com essas pessoas te deu essa ambição, não te gerou em nenhum momento nem a raiva que você falou mas você nunca se sentiu intimidado também nesses ambientes? Não, criava o desconforto, havia um desconforto não era uma coisa que eu tava mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto mas você deve fazer um desconforto

surfando na onda. Havia um cara retraído, um cara tímido, entendeu? Provavelmente muitos colegas do São Bento se surpreendendo quando me viram na televisão. Porque eu era um cara muito na minha ali, muito quieto e tudo. Porque aquela era uma situação que me surpreendia demais.

E eu achei muito bacana o posicionamento do teu pai, né? Porque a tua mãe vai atrás da bolsa, consegue a bolsa, mas depois de um tempo teu pai fala assim, não, a gente vai começar a pagar agora o colégio integral, né? A bolsa não foi pra sempre, né? É, é. Tipo, sim, filho, você tá aqui, você tá estudando, você tá mandando bem e eu tô pagando o colégio integral. Tipo, você não vai ser o diferente também nesse sentido. Você acha que ele teve esse objetivo de te incluir nesse sentido também ou não?

Eu não sei se a intenção dele era me incluir ali nessa situação ou era mais uma questão do orgulho, né? Orgulho, isso. O orgulho de poder... Bancar. Bancar aquilo, né? Eu falo muito da questão da Bolsa. Foi muito importante para mim, para começar ali no São Bento e tudo. Então, eu cito muito isso assim. Até cito menos a questão dele...

Dali é o momento que ele resolveu que tinha que pagar. Mas eu estava até ouvindo hoje o café da manhã da Folha. E estava falando sobre os endividados.

do orgulho que o pobre tem de conseguir quitar as dívidas, de conseguir pagar. Então acho que tinha uma coisa assim para a gente gerava um certo privilégio de conseguir estar ali.

num colégio que a gente não tinha condição mas havia uma vontade do meu pai de uma hora chegar assim poder você está aqui, eu posso pagar também as coisas melhoraram um pouco no emprego dele havia uma folguinha e aí ele começou a pagar integralmente o colégio e até uma vez ele me falou que você ganhou bolsa não foi bolsa o tempo todo não

Pô, teu pai pagou, caramba. Suei pra pagar o final, pelo menos. Você tava falando agora há pouco do jornal que vocês criaram na faculdade, que era o Caceta Popular, né? Ele nasce justamente pra satirizar o próprio movimento estudantil, né? Sim, sim. O que já mostra aí uma disposição bem grande de vocês de nadar contra a corrente, né? Principalmente nesse pós-ditadura em que...

O movimento estudantil ganha uma projeção na ditadura, uma seriedade, densidade, muito grande. Vocês sempre tiveram uma certa ojeriza ao pensamento pronto, às correntes majoritárias, e você acha que sentir isso é importante para fazer humor?

Eu acho que a gente não tinha essa consciência, mas, cara, a gente achava que os caras estavam levando aquilo a sério demais, entendeu? A gente achava que podia ter um pouco mais de leveza. Calma, militante, né? É, sabe? E era engraçado, foi assim, eles se incomodaram tanto com o jornal.

que teve um dia que a gente chegou na faculdade e lá na engenharia tinha o bloco F, onde ficava os fundos, onde ficava o pátio, que tinha a atlética, o centro acadêmico, justamente tal, e tinha um grande quadro, um quadro de avisos.

Aí um dia a gente chega lá e tinha um aviso assim, hoje, reunião da caceta popular. Eu fiquei assim, pô, mas o que é que o Madureira ou o Beto, o que é que o Botão... Aí chegaram lá também estranhando, a gente falou, mas quem foi que marcou essa reunião? Aí chegou um cara do Santa Catarina e fomos nós que marcamos a reunião. Mas como é que vocês vão fazer a reunião do nosso jornal? Não, a gente acha que é importante, o jornal tem que ter outros temas. Eu falei, mas o jornal não é de vocês, não.

entendeu? que graça aí sabe aí ficou uma coisa assim deixa os caras querendo eu falo não gente peraí existe o jornal do centro acadêmico esse aqui não é do centro acadêmico esse aqui é nosso entendeu? e é justamente pra gente sacanear isso que a gente tá querendo fazer sabe? então havia essa essa coisa assim que a gente a gente participava do movimento estudantil a gente era de ator do centro acadêmico e tudo foi isso?

foi do partidão, cheguei a ser até um agente secreto igual o Wagner Moura, ter dois nomes e tudo. Mas enfim, a gente tinha um senso crítico daquela coisa, sabe? Algumas atitudes que a gente vê que eram extremamente antidemocráticas, acho que havia uma coisa dos partidos clandestinos.

que se organizavam antes das reuniões e eles conversavam e tal. Então, quando havia uma assembleia, o estudante, ingenuamente, achando que estava resolvendo tudo, e, na verdade, muita coisa ali já estava bem encaminhado, sabe? Claro. Então, e a gente simplesmente zoava com essa coisa toda. Tinha um sentimento dessa liberdade que a gente queria.

praticar e que a gente via ali uma identificação entre nós. E depois quando chegou o Bussunda e o Cláudio Manuel, isso só se expandiu. A gente falou, vamos brincar com coisas que são sagradas. Então tinha uma coisa assim, a gente fazia umas...

grafitar a gente pra divulgar o jornal, Caceta Popular e tal. Então a gente fazia umas frases e na época tinha muito assim, fora Delfim, fora Delfim. A gente botou, fica Delfim. E a gente não tinha a menor vontade de ver Delfim.

a gente só queria criar um... Em contra. Peraí, quem é que tá falando que... Entendeu? Que ainda não havia um movimento de direita que pudesse fazer isso. Então, na verdade, era só uma zoação. Não tinha uma intenção de levar aquela pichação à sério. Então a gente sempre teve essa coisa de achar curioso de estar...

numa posição diferente dessa manada. De onde veio o nome Caceta Popular? Quem inventou? A Caceta Popular vem de gazeta, vem uma brincadeira com gazeta. Então, numa faculdade só de homens. Caceta Popular, claro.

Bom, a Caceta Popular foi o embrião do que depois veio a ser o Caceta e Planeta, em alguma medida aí. E vocês, no Caceta, vocês ajudaram muito a moldar essa linguagem do humor político no Brasil. Depois veio CQC, vieram vários outros formatos, mas vocês, eu acho que, plantaram essa grande semente. Você acha que hoje a gente está mais parecido com aquela caricatura que vocês faziam?

Quer dizer, aquilo naquela época era distante, era engraçado justamente porque, claro, tinha uma inspiração na realidade, mas era muito escrachado, né? Hoje, você acha que a gente tá mais perto daquilo? Cara, isso é de uma maneira... é tão engraçado isso que assim, tá, Caceta Popular, teve o Planeta Diário, aí o Planeta Diário, o Hubert e o Reinaldo com o Madureira criaram o Vander Gleison, que foi o primeiro programa de televisão.

que foi um especial só na Band, assim, no Natal, enfim, que foram coisas que...

pô, destoavam do normal ali, do que se conhecia. Mas é tão engraçada essa coisa, dessa semelhança que você está falando, que a gente, no primeiro show que a gente tinha, que era o Eu Vou Tirar Você Desse Lugar, que juntava Caceta Popular e Planeta Diário, não era nem Caceta do Planeta ainda, e a gente tinha um quadro que era sobre o politicamente correto.

e ficava questionando as piadas e tal a gente jamais podia imaginar que isso um dia fosse ser levado a sério da maneira como é hoje entendeu? realmente é engraçado de vez em quando a gente se sente vivendo umas certas caricaturas porque lá atrás se escorreram justamente atrás do não se levar tão a sério, que é o que a gente está vendo com muita força hoje mas

da falta de interpretação de texto recentemente agora estou como colunista do UOL, aí eu lancei um vídeo comentando aquele por dentro da machosfera

E esse documentário, ele fala de uma galera que, no meu entender, eles levaram o Massaranduba a sério. O Massaranduba virou o seu grande pensador. Sabe, porra, é assim que eu quero ser. Entendeu? Então, realmente é isso, sabe? A gente acaba vivendo uma caricatura, né? E na política também, né?

A política, assim, que antigamente a política, ela nos fornecia muito material de trabalho, né? Hoje não é mais assim, porque hoje eles já são concorrência. Isso! Não pode ser fospeada em certas coisas, né? É isso, é isso.

como é que você pode imaginar isso poderia ser um quadro do caceta, o presidente da assembleia do Rio de Janeiro ser um cara do comando vermelho é isso essa sucessão do governo no Rio seria muito

pauta, um quadro do cachê. Imagina essa sequência de o cara entra pro governo, depois vai, é preso, é quando, sabe, se torna inelegível, é preso, não sei o que. Sabe, é uma coisa assim, hoje em dia eu nem sei se tem ainda governador no Rio. Quem é? Quem faz? Também não faz diferença pro Carioca.

que era um porteiro da Assembleia que estava aqui, tomou conta do negócio lá, porque eu vou te dizer cara, entendeu? A gente inclusive queria transferir a sede do governo das Laranjeiras pra Bangu, né? Claro, pra usar facilitou isso, né? Então a gente ia economizar. Não, até porque você tem os grandes pensadores todos ali já, né? Veja bem.

Então são situações que ficam inacreditáveis. Insustentável. E lá atrás, para vocês divulgarem o trabalho de vocês, não tinha redes sociais, obviamente. Estamos falando da década de 70 e 80. E aí tinha o que você fala, o lance do quase o poeta chato. Bater de porta em porta. Falar, oi, aqui.

nosso jornalzinho, começa assim, né? Depois é que vira revista e aí tá no jornal, vai pra revista, tal. Mas começa assim, e uma das melhores cenas dessa é pra vocês que eu tô tendo na casa do Milor Fernandes.

Ah, é, é. Pra entregar a caceta popular e ele... Já é uma situação assim, é... inusitada pra hoje em dia. Impensável. Você imaginar você bater na porta de alguém. É isso. Você tem... E eu penso assim, então significa que naquela época o Milô Fernandes, que morava em Ipanema, ele morava num prédio.

que não tinha porteiro, né? A gente sabia o número do apartamento, a gente conseguiu também por um esquema ali, a gente conseguiu uma mala direta do Museu da Imagem e do Som, e aí tinha o endereço do Milor Fernandes, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Mota, Ziraldo, enfim, e a gente foi batendo de porta em porta.

Então a gente conseguia entrar no prédio, chegar, subir, bati na porta, fomos atendidos, eu e o Bussu, fomos atendidos pelo Milor Fernandes, nossa, apareceu o Milor Fernandes, gente, garotão, a gente é muito fã de vocês, a gente adora o seu trabalho, a gente também faz um jornalzinho de humor, aí ele pegou aquele jornal.

Fiquem ricos. Pum, fechou a porta. O que você acha que ele quis dizer com fiquem ricos, cara? Era só isso mesmo? Hã? Eu acho que ele, porra, sai fora, né? Mas ele gostou do que ele viu. Hã? Ele gostou do que ele viu. Senão não teria dito fiquem ricos. Eu não sei se ele chegou, se teve tempo dele gostar daquilo ali. Eu entendo, foi muito rápido. Ou se ele só queria se livrar da gente, tipo, sabe?

Porque o Fiquem Ricos pode ser um... Ou Boa Sorte, Fiquem Ricos com isso, ou abandonem isso e fiquem ricos, entendeu? Tipo, vamos fazer riqueza. Eu acho que ele era um Boa Sorte, Fiquem Ricos, sabe? Eu acho que ele, tipo...

identificou com uma... Eu acho que ele viu ali também... Com empenho. Ele se viu ali, garoto, também tentando fazer... Quando ele começou, como é que era, certamente ele foi, na época, foi numa revista pra mostrar o trabalho dele. Claro. E tal, entendeu? Alguma coisa meio assim que ele tava vendo aquilo acontecer. A repetição da cena.

Na cara dele de novo, né? E deu certo, né? Ficaram ricos. Deu certo. Foi um bom conselho. Ou uma boa emalação de energia, né? Por assim dizer. Sim. Hélio, como é que pra você ver um meme bombar hoje? Porque...

Talvez quem nunca assistiu um Cacete Planeta possa ter visto um chocolate com pimenta. A maior paixão da minha vida. Até hoje. Eu lembro de assistir o primeiro. Prazer, chocolate. Muito prazer, chocolate.

ali é uma coisa mais maravilhosa que existe no planeta Terra. Só que isso hoje, fora de contexto, pode gerar o hate de muitos. Assim como o disco de vocês lá atrás, o preto com furo no meio.

Também gerou um hate inicial, na época que não tinha cancelamento, né? Mas tinha gente querendo embarcar no barulho da coisa para poder promover a sua pauta. Hoje em dia, um corte desse, alguém vai achar engraçado, alguém pode também tirar do contexto e falar, que cães, hein? Como é que você vê meme desse tipo usando aquilo que vocês produziam lá atrás?

Bom, primeiro eu fico muito surpreso assim do volume de produção de humor hoje em dia, que é muito grande, que é muito comum falar assim mas hoje não tem mais humor na televisão não sei o que, realmente

você tinha uma quantidade de programas de humor enorme e hoje você tem só autenticamente programa de humor só a Praça é Nossa que fica inclusive num horário que eu acho que o grande público antigo da Praça é Nossa não conseguiria ver depois de meia noite e tal enfim, então realmente na televisão o humor mingou demais diminuiu pra caramba e tal

Mas o volume de humor produzido hoje é muito maior. E assim, você tem esse volume de produção anônima. Você não sabe exatamente quem é que está fazendo, como é que aquilo chegou. Você mal ouviu falar de um assunto, dali a pouco já surge um meme na sua frente. Para mim, o que me chamou muita atenção foi na Copa da Rússia, quando o Neymar...

rolou no chão e deu aquela roda assim logo depois já tinha o Neymar rolando em vários lugares uma situação assim que foi uma coisa que me chamou muita atenção da produção de meme anônima e em grande profusão, né? E realmente isso é, eu acho isso muito bacana e muito impressionante assim, você

Isso comprova o que a gente estava querendo. Quando o Cassida começou, uma das coisas que a gente queria era levar o humor do brasileiro para a televisão. Então foi o primeiro programa que saiu do estúdio e foi para a rua. E a ideia da gente não era sacanear o povo, era justamente trazer, a gente sabia que...

Não era pegadinha, né? Tinha humor ali, exatamente. Tinha humor ali e a gente queria trazer aquilo. E o grande gol pra gente era quando a gente era sacaneado pelo... Naquele povo fala, né? Exatamente, exatamente, entendeu? Então a gente levantava a bola pro cara cortar em cima da gente, sabe? E hoje a gente vê assim como realmente o brasileiro é criativo demais, né? Você tem um volume de...

de coisa que você tem, que você vê, é enorme, né? Isso eu acho muito bacana. Mas só que quando as pessoas tentam mudar o contexto que as coisas aconteceram lá atrás, pra trazer pra hoje em dia, e você tem que ficar explicando, gente, peraí.

1980, 1990. Chato, né? Aí é o outro lado, né? É o chato, é o cara que não sabe fazer. Que não sabe pensar, né? O cara sabe, existe um problema grave de interpretação de texto hoje em dia, assim, e de tudo que é muito cansativo, sabe? Você fala, gente, olha, isso aqui é só uma piada e tal, tem de explicar, não, mas olha...

E quando, justamente quando o cara pega lá de trás e trás, como se fosse hoje, você fala assim, não gente, mas olha só, era uma situação que a gente vivia naquele momento, entendeu? Então, a gente não tinha condição de 1980 ficar prevendo.

O que que pensaria o povo em 2026, né? E fala, não, não vamos fazer isso não, que lá em 2026 o pessoal não vai gostar. Não tô nem produzindo pra vocês, né? Exatamente. Inclusive você falou recentemente que o Casseta, muito provavelmente os quadros do Casseta hoje, não seriam possíveis e tudo bem, né? Por você, as coisas mudam. O que que você acha que seria possível?

Eu acho que seria possível humor político, por exemplo, entendeu? É uma coisa que tá bem... Tá aí, né? Acho que é uma bola que tá quicando aí. Mas você não acha que vocês iam ter que, por exemplo, separar o primeiro bloco pra zoar a esquerda e o segundo pra zoar a direita? Senão vocês iam ter um pepino depois?

Eu acho que a gente ia gostar de ter uma porrada dos dois lados mesmo. Entendeu? Porque a gente não tem, não tinha esse compromisso de sabe, de, ah não, olha, mas a gente votou no fulano.

E daí? Entendeu? Então hoje não tinha esse político de estimação e tal. E os próprios políticos mesmo naquela época, porra, quantas sacanagem a gente fez com o Fernando Henrique, com o Itamar Franco, sabe? Entendeu? Não havia essa preocupação de, sabe, não, mas olha fulano, mas aí é demais. E hoje em dia o próprio político se leva a sério, né? Então ele, não, sabe?

Ele tem convicção, né? Não é aquela coisa, né? Eu sou o poder, né? O político, o ministro, o que quer que seja. Quem é que vai, sabe? Entendeu? Imagina. Imagino que teríamos problemas, por exemplo, com o STF. Claro. Porque esses realmente, sabe, eles não...

esse absurdo todo, mas você tem que ser considerado intocável falo deles, não sei o que então acho que poderíamos ter, mas eu acho que tem muita o maior problema viria mesmo da patrulha das militâncias das diversas militâncias porque são muitas né mas

Pois é, porque é parte de um princípio interessante de defesa de direitos, sabe? Enfim, tal, que é bacana. Mas assim, às vezes você extrapola isso, entendeu? E a coisa às vezes é apenas uma piada. Mas a piada não vai resistir a uma análise tão... Nenhuma, né? Nenhuma. Nenhuma. Nenhuma piada, entendeu? Sabe? Vai resistir a tanta...

uma lupa tão poderosa pra ver, mas olha, mas aqui, porra, sabe? Você acha que essas questões já existiam, mas como as pessoas não tinham maneira de se colocar, a gente não sabia disso? Ou de fato, essas preocupações todas foram aumentando muito ao longo do tempo? Vocês recebiam muitas cartas enchendo o saco quando vocês estavam na Globo? A gente recebia cartas enchendo o saco.

Só que a carta, ela não tinha efeito, né? Claro. Porque assim, o cara mandava, o cara viu o programa, digamos, hoje é segunda-feira, terça-feira vai o programa. Aí o cara não gostou de um quadro. Então na quarta-feira, era de noite, quarta-feira ele vai escrever essa carta. Vai botar no correio.

botar no correio, aí uma sexta-feira, essa carta está chegando na Globo. Aí entra lá um montão de cartas. Aí, provavelmente um mês depois, tem essa carta aqui pra vocês. Você nem lembra o quadro que ele está reclamando. Do que ele está reclamando mesmo? Eu fiz isso.

Teve o movimento do Elvis, né? Isso foi no TV Pirata, que a gente fez um especial de música. E aí a gente fez um quadro do Elvis, não morreu, aí era o Elvis com um algodão no nariz, circulando por aí. E aí os fãs do Elvis ficaram uma fera, realmente eles mandaram um... foi o primeiro grande volume, assim, de...

De cartas que a gente recebeu. Mas, enfim, era aquilo. Eram cartas... E vocês abriam ali e riam, né? É, sabe? A gente... Então as pessoas já existiam. Deu certo, funcionou. A piada funcionou. Isso. Hoje em dia, a coisa, sabe? Esse cara vai e tal, entra na justiça e tal. Então vai você perder tempo, vai você perder dinheiro. Isso que você falou agora, a piada funcionou. Você acha que pra funcionar alguém precisa se incomodar com ela?

Não necessariamente, mas às vezes sim. Às vezes o objetivo... Tem muita gente que trabalha até muito nesse meio de que não necessariamente fazer as pessoas rirem, mas fazer as pessoas se incomodarem. Mas enfim, a verdade é a seguinte, você tem diversos tipos de humor, diversos tipos de humorista e diversos tipos de público.

para as piadas, entendeu? Então, por que que umas pessoas podem se divertir de um jeito, outras pessoas não podem, não porque isso, sabe? A piada começa a ser levada a sério demais, entendeu? Até o Claudio recentemente estava falando, sabe, da piada sendo vista como opinião, né? Se você riu disso é porque você acha.

Você não necessariamente acha, você às vezes acha que a piada é engraçada, você não concorda com aquilo, mas você acha engraçado daí. Instintivamente, às vezes, alguma coisa te tocou ali, você riu, né? Exatamente, mas não é porque, olha, mas eu não posso rir. Pô, mas foi engraçado. Que importante isso, né? É verdade. É, ué. Rir é uma coisa, concordar, validar, espalhar, enfim, o que quer que seja é outra, né? Exatamente, exatamente, sabe?

uma pessoa que... Tanto que às vezes acontece de você pegar alguma coisa que você é sacaneado, obviamente que hoje em dia você botar isso em rede social, você sabe que vai dar, mas assim, no grupo de WhatsApp, onde você tem, que é sob controle ali, às vezes você pega assim, aquela que você foi sacaneado e falou assim, pô, mas essa aqui foi boa, você veio colocar lá. Sim. Olha os caras me sacaneando, porra, os caras filha da puta, olha o que ela fez de mim. Entendeu?

das figuras do Casseta é claro que todos vocês são memoráveis mas eu acho que você Bussunda, Cláudio Manuel talvez sejam aqueles que marcaram muita gente o Bussunda não tem jeito o Bussunda realmente era a figura ele era o personagem sendo ele mesmo era uma coisa impressionante uma coisa que vocês detectaram ali na praia né

ele não apresentou texto ele não apresentou nada a figura dele já era uma figura ele era muito à vontade na vida você viu ali no documentário o cara que ia pra aula de inglês e aí

dizia pra mãe que ia pra aula de inglês e ia pra um banco na Avenida Atlântica, em Copacabana, dormia como se fosse um mendigo durante o período da aula e voltava pra casa normalmente, entendeu?

Lembro que teve uma vez que eu ainda tava na Promont, e aí ele propôs fazer uma brincadeira lá, aí eu falei, pô, isso não dá pra fazer, eu tenho o nome a zelar, né? Ele falou, mas eu tenho o nome a lazer.

maravilhoso inclusive vocês se aproximaram muito a ponto que o Bussandra chegou a ser padrinho de um dos seus filhos as famílias conviviam muito e isso há muito tempo e é por isso que a gente pediu pergunta para esta figura aqui opa peraí a Sérgio amigas amigos Helio

Conta aí dos rangos. De onde é que você rangava na época de faculdade? Eu, particularmente. Da casa do Bussu, da minha casa. Seu Maurício, Madureira.

Fala aí, fala aí do Jornal. Sérgio Besserman, pô. Sérgio, grande abraço. Só assim eu consigo ver o Sérgio, porque ele marca, é o cara que mais marcou almoço comigo, talvez pelos almoços que eu já tirei na casa dele, e quer saber da gente almoçar mais junto.

Mas, enfim, o que ele está falando aí, realmente, o que acontecia? A gente marcava muita reunião na casa da galera, né? E, assim, a galera da Zona Sul morava na Vila da Pena, não tinha como fazer reunião lá, né? E era muito normal marcar reunião na casa do Bussunda, em Copacabana. Então, assim...

Eu tinha faculdade de manhã, de tarde estagiava, e à noite a gente ia fazer o jornalzinho, a gente se encontrava para fazer o jornal. E às vezes era muito comum acontecer de eu chegar na casa do Bussunda antes dele ter voltado não sei lá de onde.

E às vezes eu estava lá e a reunião era depois de um jantar. Aí a dona Helena, mãe dele, me convidava, você quer jantar? Eu falei, ah tá, tudo bom, vamos jantar. Aí...

uma vez eu cheguei lá, jantei era um bifão maravilhoso comia aquele bife e tal, quando chegou o Bussunda, falei, e aí mãe qual o jantar? aí ela falou ah, tem ovo pra você como que tem ovo pra mim? Todo mundo comeu carne ele falou, não, mas o Ério comeu o seu bife ou seja filava real a comida do Bussunda

Eu acho que eu tava fazendo um bem pra ele, que foi uma refeição amena. Claro. Pois é. Era uma espécie de monjaro pra ele. Pô, total. Até porque você sempre foi o magriço da galera, né? Entendi. E era essa união, né? Era esse clima de família ali. O Sérgio Bessamo, que foi presidente do BGE, né?

enfim, o cara... A parte séria da família. Mas ele é um grande piadista. Sempre que a gente se encontra, ele tem uma piada nova pra contar, sabe? A gente falava assim, pô, Sérgio, você tinha que largar isso aí e vir aqui pra nossa reunião. Foi o Sérgio que estudou com... O Sérgio estudou... Foi o Marcos. Ah, tá. Foi o outro irmão deles. O Sérgio era um pouco mais velho. Mais velho. Foi o do meio. Exatamente. Entendi.

E aí esse ano faz 20 anos, né, da morte do Buçunda.

Poxa, é, rapaz, 2006, 2026, exatamente. Faz 20 anos. Eu queria, como é que isso impactou, assim, vocês no meio do... O Caceta ainda não tinha acabado. O Caceta acabou em 2010, né? É, o Caceta e Planeta Urgente. Isso. Acabou, na verdade, em 2012, né? A gente fez, a gente foi até 2010, 2011 a gente fez um sabático, 2012 a gente voltou num outro formato.

que não teve muito impacto e tal, já em outro horário e tudo. E aí foi a última temporada. Mas as pessoas associam muito o fim do Cassita com a morte do Bussu. Levou um tempo ainda. Ainda ficamos seis anos fazendo isso. Depois fizemos outras coisas. Fizemos um multishow também, procurando Cassita e Planeta e tudo. Mas teve um impacto. Claro. Teve um impacto enorme. Até na...

no humor do do grupo ali, sabe, nas reuniões que você tinha... Nós éramos sete, então não havia empate de qualquer discussão, né? Aí o Bussundi era muito um cara assim, um fiel da balança, porque ele não...

não tinha um grupinho, o grupinho A, o grupinho B, não, você tinha ali situações e tal, e ele não, não, eu não concordo com você, não, não, aqui faz sentido o que você está falando e tal, entendeu? Então era uma figura assim que a gente ficava muito querendo dizer, e aí, o que você acha? Só que a gente via que ele era um cara que não estava...

defendendo ninguém de um lado ou de outro. Exatamente, não tinha aquela coisa apaixonada por uma opinião. Então isso teve esse peso, teve obviamente que a perda de um sujeito que era como você disse, a cara do humor, né? Então você perde uma figura muito emblemática. Durante a Copa do Mundo?

Durante a Copa do Mundo, aquilo foi um choque, né? Porque eu acordei com o telefonema do diretor falando, olha, hoje não vai ter gravação, a Bussona está passando muito mal. E eu achando que ele estava passando mal naquele momento, e que de tarde... Tinha enchido a lata no FIFA FanFest. É, que a reunião ia ser... Que a gravação foi adiada para de tarde, enfim. E quando eu saí do quarto, ele já estava com um desfibrilador. Então, uma situação...

muito chocante, né? Que a gente custou assim e foi aquela coisa. A gente estava numa situação de sucesso, de tudo dando certo e tal. E...

A morte do Bursuna veio mostrar para a gente que nós éramos mortais, que nós podíamos morrer e não só podíamos, como um já tinha morrido. Entendeu? Então foi uma coisa muito abasaladora aquela situação. E coincidências assim, o Bursuna morreu na véspera do meu aniversário. Eu tinha...

Já tinha até reservado um restaurante para a gente ir no meu aniversário lá na Alemanha, não me lembro nem qual cidade que a gente estava. Acho que era Berlim, que é ser, não é? Não, não era Berlim, não. Não era Berlim, não. Mas, enfim, era uma outra cidade lá. Mas aí a gente volta para o Rio.

teve uma situação que foi bem interessante, a participação do Galvão Bueno. O Galvão Bueno foi lá no nosso hotel e orientar a gente como a gente deveria se portar, como a gente deveria atender a imprensa e tudo, e aconselhou a gente não parar de trabalhar, porque a gente ia parar, não ia saber quando estaria pronto para voltar. Enfim, foi um cara que deu uma...

espontaneamente e por conta dele ter passado a perda do Ayrton Senna que ele falou, não, eu vivi uma coisa muito parecida e queria passar pra vocês, então foi muito ele foi muito importante a cidade era Passdorf Passdorf perto de Berlim não, não é perto de Berlim não perto de Munique tá Passdorf

Exatamente. Eu fiquei só com o Munique na cabeça, né? Mas realmente a gente pegava o ônibus e demorava um pouquinho pra chegar lá. E aí, dez dias depois, morre o cara que juntou vocês, levou vocês pro Gés Mania, o Paulinho, né? É.

E muito impactado também por essa morte, né? É, a gente acha que teve muito peso, porque ele também tinha uma questão de coração e tudo, e ainda falou, porra, mas sabe como é que vai morrer, o Bussunda, não sei o que lá, sabe? E passou mal, enfim, morreu por conta disso. Dez dias depois. É, foi um período assim, bem brabo, e o Bussunda, cara, ele morreu no dia 17, a gente conseguiu...

a Globo conseguiu agilizar tudo pra que ele fosse transladado pro Brasil, e aí então, no dia seguinte, teve o velório dele. Seu aniversário. No dia do meu aniversário, o aniversário que foi passar no velório do Buçunda, e o velório do Buçunda foi no clube do Flamengo, né? Falei, filho da puta, morre, faz ir no meu aniversário, no meu Flamengo.

Porra, até nessa hora o cara sacaneia. É, porra, que vacilo. Já que a gente está falando de Botafogo, deixa eu trazer uma outra pergunta aqui de uma figura maravilhosa para você respondê-la. Ô, minha Nossa Senhora, peraí que eu salvei aqui. Sabe o que é? Muitas mídias nesse celular. Vamos lá.

E aí, Helio, tudo bem? Beijão. E eu tenho duas perguntas pra você. A primeira é em relação ao nosso Botafogo, que eu quero muito saber o que você sentiu, o que você pensou, e se você ainda acreditava quando o Gregory foi expulso nos primeiros 30 segundos do primeiro tempo na final da Libertadores de 2024. Você ainda acreditava? A parte da minha, só ficou o corpo. Minha aula foi.

E a segunda pergunta é, o que você tem do seu jeito, na sua personalidade, que mais mostra que você é brasileiro, que é igual a todo mundo? Tipo assim, isso aqui, o que eu tenho, todo mundo tem da minha personalidade, porque isso aqui é esse brasileiro. Tamo junto. Beijo.

Samanta Alves, a pequena musa. Samanta Alves, maravilhosa. Ela é demais. É muito legal, divertida pra caramba. Muito. Muito bom. Olha, Samanta, em primeiro lugar, obrigado, beijo. Aliás, tô falando aqui...

Você fez aniversário há pouco tempo, né? Eu não sei quando vai ao ar. Anteontem. Foi anteontem. No dia da nossa gravação. Mas depois... Aí vai ser exibido bem depois. Mas olha, eu... Quando o Gregory foi expulso naquele momento... Cara...

O mundo acabou, né? O mundo acabou naquele momento, sabe? O mundo acabou. Eu estava com dois dos meus três filhos, a gente estava junto lá no Monumental de Núñez, o meu caçula, ele virou para mim e falou assim, pai, eu quero ir embora agora.

calma filho, calma, peraí vamos ver mas eu queria ficar não tem esse hábito de sair no jogo quando está tudo perdido vamos ver o que vai acontecer mas eu não tinha muita esperança de que a gente fosse conseguir conquistar aquilo falei bicho mais uma vez

Mais uma vez o Botafogo junta uma multidão pra decepcionar. Eu achei que seria isso realmente, cara. Mas eu achei que aquilo foi, no fim das contas, hoje, Samanta, foi maravilhoso aquilo ter acontecido. Porque a gente tem um título absolutamente inédito, né? Porque ninguém foi campeão da Libertadores com um a menos. Então, sabe, isso vai ser difícil de tirar da gente. Foi uma coisa...

incrível, maravilhosa, melhor momento no mundo do futebol que eu vivi na minha vida e estar ali com meus filhos, chorei pra caramba, foi muito emocionante, foi uma coisa, entendeu?

Uma coisa que invadiu você. Que viga, cara. Que coisa maravilhosa. Então, é inesquecível. Inclusive, hoje em dia, todas essas cagadas que o Texel está fazendo, tudo bem, cara. Eu passaria tudo de novo. O que explica esse sentimento, Elio? De onde vem isso? O Gabriel tem muita curiosidade.

Eu queria ouvir de um humorista também, porque a gente já perguntou pra vários fanáticos por futebol de diferentes áreas. Tem muitos humoristas botafoguenses. É verdade, os grandes, né, você. Tem o Carioca. Carioca. Maurício Meireles. Aprendeu a fazer piada com a desgraça. Exatamente, acho que a gente... Aquela situação de desconforto, não sei o que, que você...

do limão fazer a caipirinha, né? Eu acho que tem uma coisa meio por aí. Mas, enfim, eu não sei porquê que... Eu sei que eu vi botafoguense pra sacanear a minha família, né? Ah, tá. Começou ali. Começou ali, porque o Botafogo foi... Eu tava com...

em 68, eu tava com uns 7 pra 8 anos, 8 pra 9 anos ali, o Botafogo foi bicampeão carioca e ganhou do Vasco. E a minha família era toda vascaína. Eu virei botafoguense e falei, porra, aí toda a família pra sacanear, vou torcer pra quê? E você chegou a levar o Botafogo até a Academia Brasileira de Letras, né? Com o Rui Castro. É, o Rui Castro me chamou. Uma coisa...

2024, um ano. Eu não queria sair de 2024. Eu ficaria ali. O rancho de 2006 fica lá e 2024 é um ano agora. Mas se a gente for juntar essas duas coisas, o que você acha que o Botafogo te deu que facilitou a sua leitura de Brasil?

Eu acho que o Botafogo facilita essa letra assim, se está ruim, sempre pode piorar. E a gente tem que manter o sorriso no rosto. Vamos rir agora, porque depois vai piorar. Entendi, porque há quem avalie que ser botafoguense é a mistura perfeita da esperança com a humilhação.

Eu acho assim, porque na época do Libertadores ali, e depois até nessa palestra que eu fiz na ABL, a convite do Rui Castro, eu sempre falava assim, porque o Flamenguista, por exemplo,

ele tem uma soberba, uma autoestima, sabe? Ele sai de casa vitorioso. Pode acontecer de perder no estádio, mas a princípio o botafoguense já sai derrotado. Pode ser que as coisas virem e a gente ganhe o jogo. Tá. Entendeu? É isso. Mas assim, o que eu estava fazendo, fazendo uma reflexão filosófica dessa coisa, que assim...

O botafoguense é muito mais parecido com o que é a vida. A vida é feita de poucas alegrias e muitas decepções. O não a gente já tem, né? Exatamente, entendeu? Então, espasmodicamente, a gente atinge momentos de felicidade. Não é essa coisa em que você é feliz o tempo todo e tem uma que... Não, entendeu? Então, acho que a gente reflete muito mais o que é a vida. Te treina pra vida ser botafoguense. Exatamente, eu acho. Entendi, tá? É uma...

Reflexão interessante. Então, dada essa avaliação, vamos fazer aquele joguinho que você vai escolhendo. Vou te dar dois, aí você vai escolhendo até chegar no melhor, tá? Então vamos lá. Sidorff ou Loucabreu? Sidorff ou Loucabreu? Poxa, você já começou, já... É. Sidorff é o cara desse tamanho enorme. Mas... Para o Botafogo... Isso. Para o Botafogo... Nossobortuno...

O Louco Abreu é maior. Louco Abreu ou Júnior Santos? Júnior Santos. Júnior Santos ou Didi? Didi. Didi ou Túlio Maravilha? Didi. Didi ou Jefferson? Didi. Didi ou Paulo César Caju? Porra.

Vamos dizer, por uma questão afetiva, o Paulo César Caju. Ah, meu Deus do céu. Eles sempre lançam um afetivo no meio. Paulo César Caju ou manga? Caju. Caju ou manga é muito bom, né? É a novela das frutas, né? Caju ou Luiz Henrique? A Luiz Henrique. Opa, tá vendo? A Luiz Henrique ou Heleno de Freitas?

Luiz Henrique, porque foi quem me deu uma alegria em campo, né? Tá bom. Luiz Henrique ou Quarentinha? Pelo mesmo motivo, Luiz Henrique. Luiz Henrique ou Gerson? Aí, Luiz Henrique, desculpe. Mas o Gerson é o canhotinha, né? O canhotinha de ouro. E aí, Gerson ou Jairzinho? Jairzinho. Jairzinho é o meu ídolo. Foi o cara que me transformou em Botafogo. Jairzinho ou Amarildo?

Jairzinho. Jairzinho ou Nilton Santos? Porra. E a dureza? Vou ficar com você, Jairzinho. Opa! Jairzinho ou Garrincha? Aí até o Jairzinho vai admitir que é o Garrincha.

Então, Jairzinho levou. Você sabe que a gente entrevistou o Lobão? O Lobão é meio Forrest Gump da história, assim. Ele está em todos os lugares e tal. E ele conta que uma vez ele foi comprar butão na loja do Newton Santos, em Botafogo. E ele que ensinou ele a comprar o butão certo, não sei o quê. Gente, que coisa inacreditável. Que coisa maravilhosa. Olha que coisa, cara. Eu comprei o butão...

Na loja do Carlos Alberto Torres, o Capita, lá em Vicente de Carvalho. Olha isso, cara, cada um tinha uma loja de botão nesse Rio de Janeiro, meu Deus do céu. O mercado muda, né? É isso, hoje em dia imagina se vim e se não vai ter uma loja de botão. Vai ter uma loja de bet. Um aplicativo, né? O Helio, outra das inspirações de vocês, acho que você fala bastante sobre isso ainda, mas...

O período em que vocês faziam o humor na Globo, pro Brasil inteiro ver toda semana, coincide também com...

o boom de comédias românticas ou comédias de modo geral, né? Dos anos 90, início dos anos 2000 e que é um tipo de filme que também a gente não vê mais, né? Assim como o humor do Caceta e Planeta, a gente também não vê mais esse tipo de filme, assim, saindo. O que você acha que aconteceu? Foi o humor que mudou? Foi a indústria que mudou? Foi o público que mudou? Eu acho que mudou o romantismo, né? A forma mais leve de ver a vida?

Essa coisa... Não sei, mas devem fazer um vídeo, né? Não sei, mas devem fazer um vídeo mas devem fazer um vídeo mas devem fazer um vídeo mas devem fazer um vídeo mas devem fazer um vídeo mas devem fazer um vídeo mas devem fazer um vídeo mas devem fazer um vídeo

dessa maneira, exatamente, é uma coisa ingênua, meio sessão da tarde ali, eu acho que isso se perdeu um pouco, né? Acho que as relações estão muito...

muito imediatas, assim, né? O cara tem uma relação tal e descartáveis e tudo, entendeu? Então, aquela coisa estilo Harry and Sally, aquela coisa que uma história toda que se desenrola para os dois ficarem no final, né? Hoje em dia, o cara fica assim com o meu nome. Dali a pouco, já está mudando de lugar. Então, realmente, a gente não vê mais, né?

Aqueles filmes do Jim Carrey. Construção de relação, o Jim Carrey, exatamente. Tem um monte, né? Eu quero falar de filme, mas só que aproveitando que você trouxe a questão do romance e da troca e da vida, por favor.

Oi, meu nome é Ana. O que eu posso dizer para o Hélio? Além de ser o meu parceiro de vida, o meu amigo, o meu marido, eu queria dizer que ele é uma grande referência e um grande exemplo, porque depois de fazer tantos anos um sucesso enorme com Caceta Planeta, ele se reinventou, se reinventou numa aventura solitária, que é o stand-up.

e cercado de gente jovem e tem feito sucesso e tem sido uma coisa que inspira muito a gente mostrando que você consegue recomeçar se você quiser, na idade que você quiser. E isso é muito inspirador. Então, Hélio.

A gente tem muito orgulho de você e que bom que você tá aí fazendo sucesso, correndo atrás das suas coisas, mesmo depois dos 60. Ai, que legal. Que legal, Ana. Ela manteve o segredo, hein? Não contou. Não contou nada. Inclusive, falava pra você, vou fazer um podcast. Ah, é, tá. Tipo assim, não sabia nada do que se tratava. Beleza. Ana fotógrafa, aquela...

mulher deve ser muito mais assim inspirada talvez, séria, você consegue achar ela mais séria que você? Ela é muito bem humorada mas você fala que toda vez que você vai postar uma coisa você pede pra passar pelo crivo dela primeiro ela é divertida, mas ela tem a cabeça no lugar

eu tô passando um momento assim em fase de cancelamento ela que fica com o celular se eu pergunto pra ela mas eu já posso voltar lá? não, ainda não espera mais um pouco que você vai às vezes tem situação de massacre que você tem que

se distanciar, né? E como é que foi na família quando isso acontece, Hélio? Porque assim, acaba caceta e planeta e aquela referência e aquilo que vocês tinham e aí vocês já tinham tido um ano sabático anterior, que você fala antes de acabar o caceta e planeta, né? Ali 2011, mas aí a partir desse momento você fala assim, cara, agora eu quero você já tinha definido você já foi correr atrás de outra coisa você se deu um tempo pra pensar como é que foi a reação em casa, como é que foi isso?

Olha, a reação em casa, ela foi muito diluída, até porque, assim, o meu filho, que acompanhou o Cassete Planeta, o mais velho, entendeu? Ele mora aqui em São Paulo, já morava na época que o programa acabou, ele já... Eu ainda morava lá em casa, mas enfim, mas...

Agora, os dois meninos, o João e o Antônio, eles mal viram o programa, né? Na verdade, eles viram um reprise, porque um nasceu em 2002, o outro nasceu em 2003, entendeu? Então, eles pegaram o finalzinho ainda pequenos, né? O Kim nasceu em 92, justamente no ano que o programa começou. Então, ele acompanhou.

Ele foi crescendo, foi vendo o programa Ele ia em gravação E tudo, sabe? Os outros dois Não viveram, sabe? O caceta, até eu fico Sacaneando essa história Porque assim, volta e meia A gente vai Outro dia a gente foi numa churrascaria Aí o Quando a gente foi parar o carro Assim, o cara, porra

Eu sou muito seu fã, não sei o que. Eu falei, conta pra eles, eu sou famoso. Por favor. Eles não acreditam, porra, sabe? O pai dele já foi gigante. Entendeu? Então eu tenho uma coisa assim. Eu até queria fazer alguma coisa que eles fossem ver. Fiquei muito feliz quando eles foram ver o meu show, sabe? Me ver em ação e tal, entendeu? Porque era uma distância grande. Então, é...

O fim do caceta, como a gente já vinha, a gente tinha dado uma parada no ano sabático, as coisas já estavam, apesar da gente estar fazendo sucesso, dando audiência e tudo, mas a gente via que tinha...

tinha outros caminhos a seguir. Eu já tinha lançado um livro, sabe? Já estava escrevendo um outro livro, enfim. E queria buscar outras parcerias, estava assim também querendo... Uma inquietação ali. Querendo trabalhar com outras pessoas também. E uma coisa assim, tudo que a gente fazia...

Só ia ao ar depois de ter sido aprovada pelo coletivo ali, entende? Então, eu queria saber como é que é. Qual é o meu estilo de humor? O que é que eu, sabe? Como é que sou eu por mim mesmo e tal, entendeu? Então, eu tinha essa curiosidade. Não fui direto pra abraçar coisa do stand-up. Não foi assim, entendeu? Mas eu tava...

procurando, buscando coisas e tal. Ao mesmo tempo que nesse período, a gente ainda tinha uma atividade coletiva e tal, a gente se reunia, a gente teve durante um período um canal no YouTube, entendeu? Enfim, fizemos o Procurando Cacete do Planeta, no Multishow. Então, foi uma passagem bem gradual para esse outro momento.

E nesse outro momento você via que, assim, Cláudio Manuel tinha lançado um documentário sobre o Simonal. Então estava em uma área completamente diferente, né? O Beto já tinha lançado alguns romances. Então a gente estava, na verdade, em busca de caminhos outros, né? Sabe? Então achei...

assim, ah, pô, sabe, a falta do salário foi um problema. Entendeu? Que era um senhor salário, né? Entendeu? Mas o interesse, assim, de a busca de outros interesses, de outras curiosidades e tal, teve um lado, assim, que abriu-se um espaço pra gente poder testar outras coisas, né? E o que o palco te deu que a TV não te dava? A resposta imediata, né?

A resposta imediata ali, você fazia e vinha gargalhada, porque a gente escrevia, não sei o que, a gente já sabia no dia seguinte, pela reação das pessoas na rua.

se elas tinham gostado ou não, mas a gente não via as pessoas assistindo o programa, entendeu? Então era um retorno muito indireto, né? E ali no palco é uma coisa direta. Ao mesmo tempo que é um teste, você se põe muito à prova, né? Porque e se a pessoa não rir? Se a pessoa não rir de uma piada no programa, eu não tava vendo. Se a pessoa não rir da piada que eu tô fazendo ali...

É outra coisa, né? É outra situação, né? Entendeu? Então tem esse... Essa coisa que... Por isso que isso... As pessoas falam assim, ah, mas então não dá pra você ser tranquilo. Não, pra mim, todo show...

é um show. E ali eu me concentro, eu me preparo, eu fico pensando o que eu vou fazer naquele dia, e tal, sabe? Pra que as coisas deem certo, né? Tem a coisa do... E tem essa coisa do...

ficar falando durante muito tempo, durante uma hora e tanto. Então isso começou, eu comecei a ter questões vocais, a gente tinha que ter preparo vocal, ter que ter fonoaudióloga e tudo, sabe? Aí de repente eu comecei, ah, pô, precisava questão, aí eu fui ver, tinha a questão de alimentação que eu tinha que me cuidar.

Enfim, uma série de outros detalhes que o palco acaba exigindo. Mas esse retorno assim é muito bacana. E como eu falo muito de caceta no meu show, eu vejo que tem um revival também maravilhoso de ver como é que o programa...

impactava pro público, né? Isso é muito legal. Não tem muito... É porque, assim, a gente sabe que existe a diferença do humor do caceta pro humor tradicional, que, inclusive, incomodou muito Chico Anísio quando vocês chegam ali pra escrever a TV Pirata, ainda antes do caceta, que não é necessariamente o humor de bordão, o humor da claque, o humor tradicionalzão, que tá muito associado ao rádio, mas, ao mesmo tempo, a gente tem...

Dingle, por exemplo, o Chocolate de Cumprimenta, o Organização Estabajara, Seu Crayson, a gente tem coisinhas que não são exatamente bordões, mas são personagens que ficaram gravados. Viraram parte da cultura brasileira. É isso, até hoje. Se você fala de um serviço estabajara. Seus problemas acabaram. Exatamente.

Aí tem o Claudio, vou dar porrada. O Massaranduba. O Massaranduba, sabe? Exato. O incômodo que o Chico teve ali quando essa galera nova chega querendo fazer uma coisa diferente. Vocês passaram em algum momento? Vocês já tiveram uma posição Chico Anísio depois de anos de Caceta Planeta? De vocês olharem para um grupo e falarem assim. Ou não chegou nesse momento? Não, eu acho que quando...

quando teve ali o novo Zorra, o Tá No Ar, foram situações que a gente via que o que nos incomodava era a falta do reconhecimento de que...

Era inspirado, havia uma influência direta do Cacete do Planeta. Aí o cara fala, ah, não, mas era o Faça o Mundo, Faça a Guerra. Eu falei, vixe, você não estava nem vivo ainda. É isso. O que você viu na televisão foi o Cacete do Planeta. Entendeu? Então tinha essa onda assim, eu acho até que para...

neutralizar a influência e às vezes, e até autorizar até alguns plágios e tal, sabe? Entendeu? Que foi uma coisa que incomodava. Assim, uma coisa que a gente viu que foi realmente

original que surgiu depois foi o Porto dos Fundos, né? Uma coisa bem original e curiosamente a gente a gente viu quando eles estavam pra surgir e tal o diretor dos primeiros

primeiros anos ali do Porto do Fundo, que é o Ian, SBF. A gente convidou ele para ser diretor do Casseta e Planeta Vai Fundo, quando a gente estava no Rivawa 2012. E ele ficou naquela dúvida, olha, mas eu fui convidado para uma coisa.

E aí a Globo não aceitava muito que fosse um diretor, um diretor que não tinha experiência de nada, e aí não dava o status que ele merecia e tal. E ele até conversava muito comigo, Hélio, o que você acha? Eu falei assim, cara, eu acho que você tem que ir pra um lugar que as pessoas...

prestigiem mais então, sabe? Te valorizem, né? E aí ele acabou, foi pro Porta dos Fundos, se deu bem pra caramba, deu tudo certo, né? E a gente buscou outro caminho. Ele até chegou a dirigir um...

uma sériezinha curta que eu fiz no Fantástico sobre justamente paternidade, que é Pai e é Pedra, em cima do meu livro, o livro do papai, que eu adaptei para essa sériezinha, entendeu? E foi o Ian quem dirigiu. Mas, enfim, foi uma coisa que foi absolutamente nova que surgiu, que a gente via que era diferente do que a gente fazia, entendeu?

o Danuá e o Novos Orr, a gente tinha esse certo incômodo de perceber que...

não tava trazendo um formato novo. Entendeu? Sabe? Agora, eram... Tinha coisa engraçada, que tinha coisas muito engraçadas. Os caras eram muito talentosos, eram melhores atores do que a gente. Entendeu? Então, tinha valor. Tinha valor, entendeu? E fizeram muitas coisas bacanas que ficaram e tudo, sabe? Só na questão autoral que a gente tinha essa...

Essa coisa. O concho? Mas assim, por outro lado também, a gente começou a entender o...

O incômodo do Chico Alívio, aquela coisa do o Leão Velho e o Leão Novo, aquele embate. E o fato dele não acreditar em determinados conceitos que a gente estava trazendo, que ele achava que, ele viveu a vida inteira com uma claque. Como é que você vai fazer um programa sem claque? Achava que as pessoas não iam entender.

E a gente tinha uma certa, talvez até uma certa arrogância de achar que não, não precisa disso. As pessoas vão saber, a hora de rir, sabe? Quando foi engraçado, não é? Entendeu? E tal, sabe? Mas ele tinha aquela cabeça de alguém que se formou ouvindo rádio e tal. A gente nasceu vendo televisão. Então hoje o cara que nasce já com a internet por aí...

ele vai ter uma outra forma de fazer as coisas, entendeu? Vai ter naturalmente uma lógica de interação e tal, da participação do público imediata, enfim, sabe? É um... De acordo com aquilo que você consome, é o que você vai resultar no que você vai produzir, né?

E por que vocês não avançaram mais na questão da música? A gente mencionou rapidamente o Preto com Buraco no Meio, com as músicas que eu lembro muito claramente na minha infância, Mãe é Mãe, Paca é Paca, Mulher é Tudo Vaca, e zero me sinto ofendida com isso, que fique claro. Mas era tudo muito engraçado, gente. A faixa lambada.

acabou, essa é a lambada cara, genial, por que que vocês não avançaram mais na questão da música? eu acho que a gente não avançou mais na questão da música foi falta de tempo? porque a gente teve que parar de fazer show

quando a gente virou ator e autor de um programa, a nossa dedicação era integral para o programa, sabe? Quando, no período em que o programa era mensal, até 97, a gente ainda conseguia fazer show, fazia poucos, mas fazia e tal. Depois que o programa ficou semanal, ficou inviável.

você pensar, entendeu? E fazer. Então, acho que aí com isso não tinha... Porque a gente ainda chegou a fazer algumas coisas musicais no programa, né? Ele não solte, tipo, um no elevador. A minha filha canta, não, só tipo, um no elevador. Sério. Eu ensinei pra ela, claro, porque é uma obra-prima, e ela canta.

Fizemos algumas faródias musicais no programa, sobretudo quando a gente convidava astros da música brasileira. A gente convidava para lá, a gente fazia a paródia em cima das músicas dele. Mas realmente a gente parou de se dedicar como era no velho e bom tempo. É, porque a música autoral de humor só veio depois com Mamonas, e aí Mamonas durou um ano e acabou.

É, você teve ali aquele momento, porque assim, antes da gente tinha aqui o premeditão do Breck, língua de trapo, aí num certo sentido o ultraja rigor foi mais...

Mas ele se propõe de fato a ser, apesar de ser, imagina, assistir a percussão de Carlinhos Brown. É, aquele disco foi uma... Era uma obra-prima. Eu tentei falar com o Muxebabe pra ele mandar pergunta, mas ele não viu minha mensagem. Mas era isso, era gente...

grande envolvida, o Gander, era gente grande que cuidava. O Djavon fez uma participação nesse disco. Olha isso, gente grande mesmo, era um disco... Foi uma coisa que a gente... Esse foi um grande diferencial, digamos, vamos comparar Preto com O Buraco do Meio, com o Premiere de Tando Breck, que era bem engraçado, a gente foi muito...

shows deles e tal. Mas tinha uma coisa assim, apesar de eles serem músicos, a gente não era músico, mas o Paulinho Albuquerque, ele era um produtor musical na sua essência. Ele gostava de humor, mas ele era um produtor musical. E foi ele que teve a ideia de juntar a caceta popular com o Planeta Diário. Ah, vocês podiam fazer um show era até numa casa chamada Jazz Mania, lá no Rio.

e ele tava com segunda-feira e ele ia fazer show ali. E aí ele juntou a gente e eu acho...

Eu imagino que a intenção dele era que a gente fizesse um show de esquetes, né? Sabe? Tipo Terça Insana. Sim. Entendeu? Só que a gente falou assim, cara, a gente estava naquele momento escrevendo no TV Pirata para os melhores atores do Brasil. É. Falou, cara, a gente vai fazer um show de esquete com a gente atuando, vai ser um 7x1, né? A gente vai perder para a gente mesmo de goleada.

Então fomos para um outro caminho, para fazer músicas de humor, mas músicas originais e não paródias. E aí o Mu, muito talentoso, conseguiu fazer melodias bem diversas. E aí, quando a gente foi fazer o disco, o Paulinho Albuquerque, com essa...

essa teia que ele tinha no mundo da música, ele conseguiu trazer os melhores para fazer a nossa cozinha. Então ficou maravilhoso. Uma coisa muito musicalmente muito rica, muito profissional. Exato. A gente tem que refazer uma, não tem? É, não, mas só cita. Falta uma segunda resposta.

Da Samanta Alves. Ah, tá. Faltou a segunda resposta da Samanta Alves, que ela perguntou o que que te faz, o que que você identifica em você que você é brasileiro, brasileiríssimo, assim. Brasileiro, brasileiríssimo. Eu pensava que você ia perguntar, Samanta, do que que eu era Botafogo, Botafoguíssimo. Do que eu sou Botafogo, Botafoguíssimo é a superstição. Que, aliás, é uma superstição que ela é, ela se dirige ao futebol, entendeu? Então tem umas coisas assim que

que eu não negocio. Uma delas é... Não costumo botar nenhuma roupa que tenha a cor do nosso adversário daquele dia. Não tem chance. Ah, tá. Sabe? Algumas combinações eu evito sempre. Vermelho e preto eu não tenho. Aliás, vermelho, já que eu sou preto...

dificilmente eu uso, entendeu? Mas se tiver um jogo com o Palmeiras, você não vai ver nenhuma... Nem a cueca verde eu vou estar usando, entendeu? E outra coisa assim também é não tirar foto com torcedor de time adversário no dia do jogo. Antes do jogo. Depois do jogo, tudo bem, entendeu?

Mas antes do jogo não tem chance. Você nega mesmo. Nego mesmo. Foi até engraçado lá em Buenos Aires, porque assim, os dois times alvinegros, né? Sei que eu, o Atlético e tal. E assim, chegou o pessoal de Minas, né? De BH. E quando eles me viam, pô, Dela Peña, não sei o que. Eu sou muito fã, pô. Fazia a maior festa, tá? Pô, que legal, cara. Vinha muito programa, cara. Eu adorava, não sei o que. Vamos fazer uma foto? Pô, aí é que tá. É.

isso eu não faço você me encontra depois do jogo independente do resultado a gente faz essa foto mas antes não tem a menor chance você explica pelo menos as pessoas de uma maneira geral respeitavam no meio futebolístico eles entendem as pessoas entendem faz sentido uma situação engraçada era Botafogo e Fluminense

Era um jogo importante ali. Em 2010, quando o Botafogo foi campeão com a cavadinha do Louco Abreu. Mas na semifinal, foi o Botafogo e o Fluminense. E aí eu estava chegando no Maracanã, veio uma moça com um garoto. Um garoto todo vestido de Fluminense.

Adela Penha, Adela Penha, vamos fazer uma foto aqui, a gente é muito seu fã. Eu falei, poxa, olha, é que eu não tiro foto com o adversário do jogo. Molequinho de seis anos, né? Aí ela, por sério mesmo? Eu falei, não, não faço isso. Aí, enfim. Aí eu saí, mas eu saí conversando com um amigo meu, falei, pô, mas que bobagem, né? Coitado, garotinho, tão pequeno, tem a menor ideia.

Eu vou lá, eu vou voltar lá. Aí eu voltei lá e falei, não, vamos fazer a foto. Agora não. Agora ele tá constrangido, eu vou fazer foto com você não. Ficou bravo. Aí não fizemos a foto, né? Aí o Botafogo ganhou, falei, pô, ainda bem que ela respeitou. É verdade. Poderia ter dado tudo errado. Você foi ceder. Falei, ainda bem e tal. Aí, enfim, acabou o jogo.

Eu estava voltando pelo mesmo caminho, naquele mesmo lugar apareceu um senhor com seu neto. Aí deu uma penha, vamos fazer uma foto agora? Agora sim, tudo bem. Ele falou, pô, agora que é a hora. Ele começou a falar, não, realmente, esse momento, porque sabe, as pessoas têm que respeitar o jeito das pessoas. Eu comecei a achar estranho aquele papo dele, eu falei assim...

Por acaso você estava aqui quando eu passei na vinda e falou, não, eu cheguei logo depois, tinha uma mulher falando mal pra caralho de você. Saiu reclamando. Cara, ela saiu esbravejando. Que coisa horrível. Tá vendo? É o negócio da pessoa ter que respeitar. E já que a gente está falando de limite de humor, quase que eu deixo passar a pergunta do nosso Rivo de Ouro, que a gente tem aqui um esquema de membresia. Galera que apoia o canal.

E quem é Rivo de Ouro sabe quem é o entrevistado e pode mandar uma pergunta. E aqui está a pergunta do Marcelo Merlo.

Oi, Elie, tudo bem? Meu nome é Marcelo Borges, estou falando aqui de São Paulo. Você acha que é arriscado ser humorista hoje em dia? E mais uma, será que o que se entende por humor mudou? E essa percepção acabou criando um humor correto e que deve ser seguido?

É isso, valeu. Olha, Marcelo, primeiro eu acho que é arriscado ser humorista em qualquer época da vida. Tá. Entendeu? Aí vai do seu, da sua vontade, do seu interesse, entendeu? Eu acho que, enfim, se você realmente for humorista, você vai passar por cima dessas dificuldades. Como eu estava falando aqui, a gente lá começou a fazer humor.

Em pleno período da ditadura, entendeu? Não era nem... A gente, quando começou a fazer o jornalzinho, era o governo Geisel ainda, não era nem o governo do Figueiredo. Então, quer dizer... E ali tinha os... Tinha o Jaguar, Milor Fernandes, todos eles foram presos, né? Foram em cana, né? Os Iraldo, tudo. Então, quer dizer...

Os riscos existem em cada... Cada risco para cada geração tem o seu risco específico. Eu acho que isso... Essa reação e esse medo de...

o medo da resposta do público acaba provocando um nicho de humor, que é esse humor que não vai ofender ninguém. Eu acho que existe uma coisa de alguns cuidados que alguns tentam tomar, outros.

estão aí, tanto cuidado assim, e outros ao contrário, até buscam essa contramão para criar uma confusão e às vezes criar até um nicho de mercado de você ser o cara que vai gerar esse desconforto. Então eu acho que se existe um humor comportado, existe também um humor.

não comportado, entendeu? O humor cancelável, entendeu? Está aí no YouTube e nos comedies, você tem esse nicho aí muito à vontade. Agora, você tem aquela coisa assim, né? O que acontece hoje é que você tem a ação do humorista e você tem a reação do público.

E aí vai daquela, né? Você pode ter estrutura pra aguentar aquela reação, que às vezes é pesada, entendeu? E às vezes você se rende aquilo porque você não tá afim. Às vezes você tem preguiça, né? De encarar, meu Deus, eu sei que... O barulho.

vai ser muito chato, não sei o que, não, não, então vamos por um caminho, vamos evitar isso, obviamente quando você tá, quando você é é dono do meio que você vai provocar, o seu canal, se você vai colocar numa

em um streaming ou em alguma coisa assim, você sabe que lá vai ter um controle e que você vai ter que se submeter a essas questões. Então, assim, um streaming, um canal, um site mais institucional ou corporativo, você sabe que os limites vão ser mais rigorosos. Se for você por você mesmo...

Aí você aguenta as consequências. O que eu costumo falar é que o limite do humor é quanto o humorista tem de grana para pagar um bom advogado. Sim, claro. E a disposição de lidar com essa gente mala, né? Exatamente, que às vezes...

Às vezes é o esporte do cara, né? Entendeu? Então tem gente que curte esse embate e que se alimenta, inclusive fica conhecido porque é o cara, é o corajoso e tal, entendeu? Então às vezes é uma coisa chata, às vezes é uma coisa oportunista também, né? Claro. Sim, sim. Que é o que mais tem também.

A gente fez uma seleção daqueles filmes que faziam a gente rir pela bobageada que ele tinha nele, que era uma delícia. E vamos fazer igual a gente fez com os jogadores, a gente vai fazer com os filmes agora, tá? Não sei se você assistiu todos, mas vamos lá. Todo Mundo em Pânico 1 ou Austin Powers? Austin Powers. Austin Powers ou American Pie 1? Austin Powers. Austin Powers, eu digo, holoeuropeu por acidente.

Austin Powers. Austin Powers ou Apertem os Cintos e o Piloto Sumiu. Apertem os Cintos e o Piloto Sumiu. É uma coisa maravilhosa. Calma! Apertem os Cintos ou O Mentiroso? Apertem os Cintos. Apertem os Cintos ou Ace Ventura? Ainda apertem os Cintos. Apertem os Cintos ou Eu Mesmo e Irene? Esse é muito bom. Eu e a mesma Irene.

Eu, eu mesmo, Irene, ou Uma Noite em Roxbury? Esse eu não assisti. Então vamos passar. Eu, eu mesmo, Irene, ou Tá Todo Mundo Louco? Tá Todo Mundo Louco. Tá Todo Mundo Louco ou American Pie 2?

Eu não faço distinção, não lembro. Então tá todo mundo louco. American Pie pra mim é uma grande massa de filmes. Eu não sei te dizer se tá o cena do 1, do 2. Tá todo mundo louco ou todo poderoso? Qual é o todo poderoso? Todo poderoso. Do Jim Carrey Deus. Ah, todo poderoso. Todo poderoso ou As Branquelas? As Branquelas. Bom demais.

Ah, não, eu pulei um, tá. Todo Poderoso ou Todo Mundo em Pânico 3? Pô, é igual ao American Pie. É uma grande massa, tá. Então, Todo Poderoso ou As Branquelas. As Branquelas, muito bem. Que filme bom, né? Até por causa do meu brother, Terry Crews. Ele é maravilhoso, né, cara? Muito bom, muito bom. E ele se abrasileirou de uma forma, né? É, ele fez uma participação no Cassete Planeta. Sim, maravilhoso. Muito bom.

O Helio, você é um cara que viu o humor servir para dois movimentos ao mesmo tempo, né? A gente estava falando da caceta popular, então de tirar um pouco dessa densidade, né? Fazer as pessoas se levarem menos a sério e também para expor de alguma maneira as grandes hipocrisias aí do poder. Eu acho que o humor faz isso muito bem há muito tempo.

Mas você também viu o humor ser domado por questões comerciais, por questões editoriais, antes disso tudo, por questões do próprio governo. Para a gente encerrar, então, o que você ainda espera que o humor faça pelo Brasil? E o que você até gostaria que o humor pudesse fazer pelo Brasil, mas já não tem nenhum jeito, independente do quão genial ele seja?

Olha, eu espero que o humor consiga resgatar o papel de ser apenas engraçado e que as pessoas entendam que existe esse lugar.

em que as coisas podem ser engraçadas independente do que você acha, o que você pensa daquilo, sabe? E você pode ser incorreto e tudo, sabe? Enfim, eu acho que tinha que haver esse espaço.

Até porque eu acho que muitas vezes as pessoas que mais criticam o humor são pessoas que não consomem humor. Pessoas que já, a princípio, não gostam muito de humor. Já são mais azia. Então ela vai, mas ela tem toda uma visão sobre o humor e tudo mais. Então acho que tem essa questão de você conseguir resgatar, daquela coisa de você conseguir que as pessoas entendam que...

achar aquilo engraçado não significa... Você rige uma piada contra a esquerda, não significa que você votou no Bolsonaro. Entendeu? Sabe? Enfim, tem toda essa questão.

Agora, o que o humor não vai conseguir fazer? Talvez o humor não consiga transformar os políticos em pessoas honestas. Por mais que a gente sacaneie eles, eu acho que isso a gente não vai conseguir fazer. Eles são imunes, né? Há um tempo atrás o Gilmar Mendes chegou a citar as organizações tabajaras e você respondeu, né? Pois é. Comparando o Brasil às organizações tabajaras.

E aí você veio a público dizer que... Pois é, não, eu vim falar que ele estava com, inclusive, uma visão equivocada das organizações tabajara, né? Porque as organizações tabajara, como ele falou ali, eles fabricavam produtos toscos e vagabundos e tal, e a ideia nunca foi essa.

A ideia era criar produtos criativos para solucionar problemas autênticos do povo brasileiro. Esse que era o propósito das nossas organizações da Bajara. Seus problemas acabaram, é isso. Por favor, o seu Jabá.

Meu jabá é o seguinte, Aventuras de um Pijamão, é um livro sobre casamento, solteirice, sexo, falta de sexo, do ponto de vista de um homem casado, que é o meu caso, e são crônicas minhas, com cartões do Adão Iturruz Garay. Que legal.

tudo sobre esse mesmo assunto, um livro que está aí à venda nas livrarias, na Amazon, em todo lugar, e também tenho levado para vender aí nos shows, às vezes acontece que tem uma sequência de shows, o último show acaba não conseguindo levá-lo para todo mundo, mas é isso, A Aventura de um Pijama, um livro que está bem divertido, crônicas rapidinhas, que você lê rápido, enfim, vai no banheiro, lê uma crônica,

E dá aquela risadinha assim no meio da tarde. Se divertir e tal, sabe? Ajuda o papai. Ajuda o papai. Se você quiser comprar, compra, né? É isso. É o meme, é o meme, é o meme. Obrigada, Gil. Que prazer. Muito obrigado a vocês. Todo sucesso aí nessa nova jornada do humor na sua vida. Nos palcos. Legal, muito obrigado. Obrigadíssimo. Obrigadão. E você quer se atualizar também com bom humor, porque a gente faz isso?

primordial, né? Sexta-feira, meio-dia e 30, Rivo News, seu resumo semanal de notícias, só com aquilo que é importante pra você ir pro fim de semana. Deixa eu falar só uma coisinha aqui. Não, falou aqui do meu show, você entra no meu Instagram, tem sempre a minha agenda de shows, talvez eu esteja passando na sua cidade em breve, tá? E aí você garanta o seu lugar e a gente vai se divertir juntos. Boa, garoto. Maravilha. Obrigadão. Beijo.

HELIO DE LA PEÑA | RivoTalks #129 | Castnews Index — Castnews Index