EP 97 - A força ancestral dos erês
Tem discussões na Umbanda que revelam muito mais sobre as nossas próprias limitações do que sobre os guias em si. Nos últimos tempos, tem crescido um discurso que tenta explicar a nossa religião exclusivamente através de critérios racionais, intelectuais e cronológicos.
A bola da vez é questionar a legitimidade dos Erês, sob a desculpa de que uma criança "não teria vivido o suficiente para “ancestralizar ou "não teria bagagem” para orientar um adulto. O nosso novo episódio do RISCA PONTO nasceu de um texto extremamente potente da Mãe Camila Paiva so Terreiro Alumeia de Taboão da Serra, que me fez parar para refletir e decidir fazer este episódio de hoje: será que essas certezas sobre "idade e sabedoria" vieram das matrizes africanas e indígenas que formam a Umbanda, ou são apenas o pensamento colonial se infiltrando nos nossos terreiros?
Quando você olha de verdade para uma gira de Erê, entende que a lógica é outra. A cura vem pela brincadeira, pela alegria, pelo afeto e pela simplicidade. Às vezes, a gente precisa desaprender as certezas que o mundo adulto nos forçou a carregar para acessar conhecimentos reais. Defender a presença dos Erês na Umbanda é defender uma forma diferente e decolonial de compreender o tempo, a vida e a nossa memória coletiva.
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