EP 104 - Quando o axé veste farda
O branco vestido no seu terreiro é fundamento ou farda de apagamento?
Sexta-feira a gente veste branco, encontra outro umbandista na rua, dá um sorriso e solta um "Saravá!". É símbolo de resistência e de pertencimento! Mas você já parou para pensar na história que existe por trás daquela "farda" perfeitinha, engomada e fechada até o pescoço que vemos em muitos terreiros? No Episódio 104 do Risca Ponto, a gente entra nesse processo histórico de higienização estética da Umbanda.
Numa busca por aceitação social em um país racista, terreiros foram domesticando os corpos. O axé popular, colorido, descalço e corporal das matrizes africanas passou a ser descartado, sob a desculpa de "manter a ordem" e construir uma Umbanda mais "séria" e distante do Candomblé.
O branco é fundamento, sim (as tradições bantu!). Mas ele não precisa ser um nivelador que apaga a história e invisibiliza os corpos negros.
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