Café Com Leite Especial - Quando o Brasil perde
Tá no ar um Café Com Leite muito especial O Brasil perdeu para a Noruega e foi eliminado da Copa. Para muita gente grande, foi só um jogo. Para muitas crianças, não foi. Foi camisa guardada em silêncio, choro no sofá e aquela sensação de que os heróis desapareceram. Neste episódio, Bárbara e Babica conversam sobre a tristeza de perder, a vontade de procurar culpados e uma descoberta difícil: herói também cai. A derrota dói, mas não apaga o amor pelo futebol, pela camisa, nem pela próxima chance de levantar.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Bárbara
Babica
- Campeonato Brasileiro de FutebolTristeza e decepção com a eliminação · Noruega
- Lidar com o sofrimento e as adversidadesChoro e a importância de sentir · Decepção · Preguiça do coração
- Vítima heróicaAceitação da derrota dos ídolos · Jogadores
- Amor pelo futebol e pela camisaTorcer na vitória e na derrota · Camisa como memória de amor
- Golpes e arrecadaçãoParticipação e pertencimento · Festa e esperança compartilhada
Bárbara, você tá ouvindo isso?
O quê, Babica?
Parece alguém respirando.
Talvez seja a casa.
Casa? Mas casa respira?
Quando o ar circula, sim, Babica. Ela inspira, expira e deixa o ambiente leve.
E quando não respira?
Aí vira uma estufa. O calor fica preso, o ar para e fica tudo abafado.
Ahhhhh!
Então é por isso que às vezes a casa fica...
cansada?
Boa! Cansada é uma ótima palavra! E é por isso, Babica, que existem soluções como os climatizadores da Smart Air. Eles ajudam a reduzir a temperatura e colocam o ar em movimento.
Smart Air?
Ar esperto?
É, Babica! A Smart Air é uma empresa brasileira de climatizadores.
Que legal!
Climatizadores Smart Air, pra casa da gente respirar!
Ar renovado é ar mais saudável e o seu pulmão agradece.
Gostei, viu?
Eu quero morar numa casa que respira. Eu vou falar com a turma da Smart Air.
Smart Air. Conforto térmico que faz a sua casa respirar.
Hoje tem café com leite para criança inteligente. Hoje tem, hoje tem, vem ouvir você também. Hoje tem café com leite para criança inteligente. Hoje tem, hoje tem, vem ouvir você também. Na hora do café com leite. Tá na hora do café com leite, tá na hora do café com leite.
Fabica, você está quietinha aí faz um tempão. Aconteceu alguma coisa?
Aconteceu.
Você quer me contar?
O Brasil perdeu a Copa, Bárbara. E não foi só perder, Bárbara, foi perder e ir embora da Copa. Acabou, pronto, tchau. Enfim, nunca mais.
Nunca mais?
Nunca mais nessa Copa, né? Eu sei, mas parece mesmo um nunca mais.
Bem, então vamos falar sobre isso hoje.
Eu sou a Bárbara Stok e eu sou a Babica, o avatar da Bárbara que vive dentro do celular dela. Nós somos as apresentadoras do seu podcast Café com Leite, um podcast para famílias com crianças inteligentes e pais que se importam.
Vamos à história?
Vamos!
Ah, Babica, não, não é esse vamos que você faz pra gente. Vamos! Agora sim! Mas antes, vamos fazer uma coisa diferente dessa vez, ok? Eu mesma vou ler o depoimento que uma mãe mandou pra gente. Eba! Abre aspas: Meu primeiro relato como mãe sobre o café com leite. Hoje foi a primeira vez que a Pérola chegou em casa contando sobre o café com leite. Ela disse que foi muito legal e explicou com toda a delicadeza e sinceridade de uma criança o que havia aprendido.
Contou que existem vários tipos de inteligência e que terminar a tarefa primeiro ou copiar mais rápido não torna ninguém mais inteligente do que o outro. E o mais bonito foi ouvi-la dizer que o importante é saber usar a inteligência a nosso favor para lidar com as situações da vida da melhor maneira. Fiquei emocionada! Com a clareza com que ela compartilhou tudo. É muito gratificante ver um aprendizado tão importante sendo compreendido e levado para a vida.
Consegui gravar um pedacinho da conversa dela com o pai e esse registro vai ficar guardado com muito carinho nos nossos corações. Fecha aspas.
Bárbara, é uma mensagem de uma mãe!
Ela mandou pra quem? Ela se chama Viviane, Babica, e mandou essa mensagem para o Colégio Marley Curie, a primeira escola que adotou o café com leite na escola para os primeiros anos do ensino fundamental.
Pois é, ela mandou pra escola, Babica, e mandou também um áudio que gravou no carro.
Ah, deixa eu ouvir, deixa eu ouvir!
Vamos colocar só um pedacinho, tá?
Tá bom.
Papai, hoje eu amei o café com leite, foi tão legal! Foi sobre o quê? Foi sobre o Menossauro. Falaram sobre o quê? Falaram sobre que tem vários tipos de inteligência. A inteligência não é só quem acabou de ver primeiro, quem lê mais rápido, quem escreve mais rápido, não. Falaram sobre Vários exemplos de como ajudar na nossa inteligência. Então, pra mim, dá um exemplo. Foi assim, a Babica e a Bárbara... Quem é a Babica? A Babica é o avatar da criadora do Café com Leite, que é a Bárbara.
Aí elas contam várias histórias legais. Essa aqui foi uma delas que elas contaram. Aí ela falou vários exemplos. Aí ela falou como comer saudável, dormir cedinho, acordar tipo 7 horas de descanso, tipo de dormir também, se alimentar saudável, evitar telas antes de dormir e também estudar, ler um livro. Ela explicou tudo. O papai conhece uma história do— não sei se você conta. O papai conhece a história do Minotauro, é uma história do labirinto. Isso mesmo, ele morava no labirinto. Aí, aí, essa foi também.
Bárbara, eu estou impactada, eu tô emocionada e eu até chorei, Babica.
Isso é tudo que a gente realmente sonhou quando imaginou o café com leite. Pais e filhos conversando sobre o que a gente conta aqui nos episódios.
Mas o mais legal é que a Pérola tava contando o que ouviu na sala de aula.
É isso mesmo, o café com leite na escola conecta os alunos com os professores e a escola com a família.
Puxa vida, não é que a gente Conseguiu?
Conseguimos mesmo, Babica! E vamos pedir para a escola entrar em contato com a Pérola e com a Viviane, a mãe dela.
Um beijo enorme para Viviane e para Pérola! Nós vamos mandar uma camiseta muito especial do café com leite para cada uma delas. E você que também gosta do nosso café com leite, mande seu depoimento pra gente. O nosso WhatsApp é 11 915670 0602.
Se a sua mensagem for escolhida, a gente vai publicar aqui em algum episódio e você também vai ganhar uma camiseta muito legal.
Bárbara, que tristeza com essa Copa do Mundo! Mas você não vai falar que é só futebol, vai?
Não, porque pra quem está triste, quase nada é só alguma coisa.
Ai, ainda bem, porque quando um adulto fala, é só futebol, parece que a gente é boba por ficar triste.
E você não é nada boba. Você torceu, você acreditou, você esperou, vestiu a camisa, gritou, Talvez tenha até pulado do seu Ava Sofá. Talvez tenha prometido que, se o Brasil ganhasse, você ia arrumar o quarto sem reclamar, por exemplo.
Eu não prometi isso, não.
Ah, bom. Mas então pelo menos essa parte ficou resolvida, né?
Bárbara...
Diga, Babica.
Eu confesso que eu chorei.
Eu imaginei, Babica. Eu também chorei.
Mas eu chorei mesmo. Eu chorei feio, triste, sabe? Daquele jeito que a garganta aperta e o nariz fica fazendo barulho.
Esse choro tem nome, Babica.
Tem?
Tem. Chama isso era importante para mim. Achei que chamava ranho também, mas ranho é só a parte técnica.
Eu fiquei triste porque eu queria ver o Brasil campeão.
Eu nunca vi!
Eu queria ver os jogadores felizes.
Eu queria ver meus avamigos felizes. Eu queria que todo mundo aqui gritasse de novo de felicidade.
Mas aí a Noruega fez 2 gols, o Brasil fez só 1 e acabou tudo. A Noruega passou e a gente, a gente, o Brasil voltou pra casa.
Babica, dói mais porque a gente queria continuar andando com eles, né?
Eu queria.
Sabe o que é curioso?
O quê?
Pra gente, esse jogo pareceu o fim de um sonho. Mas lá, lá na Noruega, deve ter tido muita criança pulando no sofá do mesmo jeitinho que você queria ter pulado.
Criança norueguesa? Mas eles não são tudo vikings?
Não, Babica. E sim, com camisa da Noruega, talvez com bochechas pintadas igual a gente aqui também pintou, talvez gritando o nome dos jogadores deles como a gente também gritou.
Mas eles derrotaram a gente, tiraram o nosso sonho do EXA.
Eles derrotaram no jogo, Babica. Eles não viraram nossos inimigos. o futebol tem uma coisa difícil mesmo de entender. O mesmo apito que faz um menino chorar numa casa em São Paulo, aqui no Brasil, por exemplo, pode fazer uma menina rir de felicidade numa casa em Oslo.
Oslo é onde?
É a capital da Noruega, Babica.
Então tinha uma Babica norueguesa feliz?
Talvez, muito provavelmente até. Pensa comigo, Babica. Se o Brasil tivesse ganhado, você estaria feliz e a criança norueguesa estaria triste.
Tá, mas aí seria melhor.
Pra você.
É, pra mim seria melhor.
E essa é uma das primeiras coisas que a derrota ensina, Babica. O mundo não obedece ao nosso desejo só porque o nosso desejo é lindo, bonito, maravilhoso.
Mas o meu desejo era muito bonito!
Era, Babica! Torcer pelo Brasil é bonito! Querer festa é bonito, Babica! Querer ver os jogadores que você gosta levantando a taça é muito bonito, Babica! Mas o desejo da outra criança também era muito bonito!
Mesmo sendo contra o Brasil?
Mesmo sendo contra o Brasil!
Mas... e os nossos heróis?
Heróis também perdem, Babica. Erram passes, chutam pra fora, tomam gol, ficam cansados, choram no vestiário, pedem desculpa, voltam pra casa em silêncio. E depois eles precisam acordar no dia seguinte e seguir a vida.
Isso não me parece muito heroico.
Talvez pareça até mais.
Como assim?
Porque vencer com todo mundo batendo palma, Babica, é muito gostoso. Difícil é continuar sendo uma boa pessoa quando ninguém mais está te aplaudindo.
Bárbara, isso não me consola.
O que eu quero dizer, Babica, é que a derrota não apaga tudo o que veio antes. Um jogador não deixa de ser bom porque perdeu uma partida de mata-mata na Copa. Uma seleção, um time, não deixa de ter história porque saiu de uma Copa. E um torcedor não deixa de amar porque chorou.
Mas fica uma coisa ruim aqui no peito, sabe? Parece que tem uma pedrinha pequena aqui doendo.
Essa pedra, Babica, se chama decepção.
Eu não tô gostando dela.
Ninguém gosta muito, Babica. Mas ela aparece quando a realidade não combina com o filme que a gente tinha feito na nossa própria cabeça.
Eu tinha feito um filme tão lindo!
Como era, Babica?
O Brasil ia ganhar da Noruega, depois ia ganhar de outro time, depois de outro, aí chegava na final. Aí todo mundo ficava nervoso, sabe?
Aí o Brasil fazia um gol lá no finalzinho. Aí alguém tirava a camisa e corria, corria. E aí gritava tanto, tanto, tanto, tanto, tanto de felicidade que o vizinho reclamava. Aí o Brasil levantava a taça do Hexa. E aí, Bárbara, eu dormia com a camisa do Brasil Hexa!
Era um filme ótimo, Babica!
É, só que a Noruega estragou tudo, né?
Babica, a Noruega escreveu um outro filme. E jogo é assim: a gente entra com um roteiro, o outro time entra com outro, e a bola não sabe ler nenhum dos dois.
A bola é meio sem educação, hein?
A bola é livre, Babica.
Então por que a gente torce se pode dar errado desse jeito?
A gente torce porque torcer é um jeito de participar, de se sentir pertencente àquela festa, àquela esperança. Você não estava no campo, mas você estava junto. Você não chutou a bola, mas sentiu cada chute. Você não correu 90 minutos, mas ficou cansada no sofá.
Fiquei mesmo.
E quando muita gente faz isso ao mesmo tempo, Acontece uma coisa muito bonita. Pessoas que nem se conhecem começam a sentir parecido. O porteiro, a professora, o avô, a criança, o motorista do ônibus. Todo mundo olhando para a mesma bola, para o mesmo campo, para o mesmo cenário.
Então a Copa serve para juntar?
Serve! Mas também ensina que estar junto não significa ganhar sempre. Às vezes a gente fica junto na festa, às vezes fica junto na tristeza.
Domingo foi muito na tristeza.
Foi sim.
Eu vi gente xingando os jogadores.
Eu também vi.
Pode?
Poder pode, mas não é bonito não.
Mas eles erraram.
Erraram, e dá para dizer que erraram com propriedade, Babica. Dá para falar que o time não jogou bem, que faltou isso ou aquilo, que não vestiu a camisa como deveria, que a Noruega foi melhor sim em alguns momentos, que a Noruega teve mais posse de bola sim. O problema é quando a gente transforma o erro de uma pessoa na pessoa inteira, Como assim? Uma coisa é dizer: ele errou aquele chute. Outra coisa é dizer: ele é um lixo!
Ahhhhhhhhh...
Percebe a diferença?
Na primeira, ele fez uma coisa ruim. Na segunda, ele virou a coisa ruim.
Isso mesmo! Ninguém se resume ao pior momento que viveu.
Então o jogador que perdeu não vira vilão?
Não deveria, Babica. Ele vira alguém que perdeu. E perder já é pesado bastante sem a gente jogar pedra em cima.
Então a gente não pode procurar culpado?
Pode sim tentar entender o que aconteceu. Isso é muito diferente. Entender ajuda a aprender. Culpar só ajuda a descarregar a raiva por um minutinho.
Entender é bem mais difícil.
Babica, aconteceu um jogo. Era um mata-mata. Dois times entraram em campo querendo continuar na Copa. Dois times tinham o mesmo objetivo. O Brasil tinha talento, camisa respeitada, única seleção pentacampeã mundial, história, torcida verdadeira. A Noruega tinha o sonho dela. Alguns jogadores fortes, o Haaland, plano de jogo, mas principalmente coragem para enfrentar um gigante.
O Brasil é um gigante no futebol, ainda é sim, Babica.
Não tem nenhum outro time com mais importância nas Copas do Mundo. Eu sei, perder faz parte do jogo e a Copa tem dessas coisas. Todo mundo precisa perder pra um vencer. Em alguns momentos, a vida também é assim. Tem prova que não dá pra refazer na hora. Tem campeonato que acaba. Tem apresentação que não sai como a gente queria. Tem amizade que muda. Tem amizade que acaba. E tem muito plano que falha.
É que agora ficou triste de novo.
Ficou sim, mas repara uma coisa: quando alguma coisa acaba, nem sempre tudo acaba junto.
Como assim?
A Copa acabou para o Brasil, mas não acabou o futebol. Acabou aquele jogo, mas não acabou a vontade de jogar. Acabou o sonho daquela taça. Agora, em 2026, vocês, mas não acabou a história da Seleção Brasileira de Futebol. Acabou a festa que você imaginou para ontem, mas não acabou para a próxima brincadeira no quintal.
Então a camisa continua?
Continua, Babica. E você quer saber de uma coisa? Eu tô vestida com ela nesse exato momento falando aqui para você.
Mesmo sem taça?
Principalmente sem taça.
Por quê?
Porque qualquer um veste a camisa na hora da vitória, tá? E isso é em tudo na vida. Na hora que você tá bem, tem muita gente te aplaudindo, babica. A pergunta é o que a gente faz com ela na hora da derrota.
Eu tirei a minha!
E tudo bem. Às vezes a gente precisa tirar um pouco, dobrar, guardar, respirar. Tá tudo certo.
Não precisa jogar fora?
Não, camisa nunca foi e nunca vai ser recibo de vitória. Camisa é memória de amor. Nossa, ficou bonito!
Ficou sim, Bárbara, mas eu ainda tô triste.
Eu sei, Babica. O objetivo aqui não é fazer a tristeza sumir correndo como se ela tivesse levado um cartão vermelho.
Ela pode ficar aqui?
Pode. Ela só não pode mandar em tudo.
Como assim?
Ela pode sentar no sofá com você por um tempo, mas ela não pode decidir que você nunca mais vai brincar, nunca mais vai torcer, nunca mais vai acreditar, nunca mais vai gostar de futebol.
Ela estava querendo decidir isso.
Tristeza faz essas propostas exageradas mesmo.
Tá, mas o que eu faço com essa tristeza que eu tô sentindo?
Escolhe outro time pra acompanhar até o final. Não porque você esqueceu o Brasil, mas porque a Copa ainda tem histórias.
Eu posso torcer pra outro time?
Pode! Escolhe outra seleção, garota!
Isso não é traição com o meu país?
Não!
Traição seria fingir que não doeu quando doeu. Torcer pra outro time depois é só continuar gostando de futebol e da festa que é a Copa do Mundo.
Verdade.
Espera um pouco. Daqui alguns dias, talvez você consiga olhar para a Noruega e pensar: eles jogaram bem. Eles também tinham um sonho. O mesmo sonho que eu.
Meu vô ficou bravo e disse que nunca mais vai assistir Copa na vida, Bárbara.
Babica, seu vô provavelmente já disse isso em outras copas também.
E assistiu de novo?
Eu aposto que sim.
Então adulto também fala nunca mais sem ser nunca mais?
Ah, fala, Babica, fala muito, principalmente depois de uma grande decepção.
Então quando eu falo que nunca mais vou torcer Pode ser que eu esteja falando mentira?
Não, Babica, não mentira. Pode ser só a tristeza falando mais alto.
E quando ela falar alto, como tá falando agora, eu faço o quê?
Você pode responder baixinho: eu estou triste, mas eu ainda gosto.
Eu estou triste, mas eu ainda gosto.
Isso!
Eu estou triste, Mas eu ainda gosto do Brasil.
Sim!
Eu estou triste, mas eu ainda gosto de futebol.
Muito bem! Sabe, Babica, a gente não controla o resultado de tudo. É impossível. A gente controla o jeito como entra em campo, o jeito como trata quem perdeu, o jeito como a gente encara a derrota. O jeito como respeita quem ganhou e o jeito como volta no dia seguinte.
Eu não entrei em campo!
Não naquele estádio, mas você entra em muitos campos.
Como assim?
Na escola, a amizade, a família, a brincadeira, as provas, o desenho que não sai bonito, a dança que dá errado. A partida de queimada em que você é eliminada lá no comecinho, aqui no café com leite.
É verdade.
E quando você perde nesses campos, aparece a mesma pergunta: vou virar o tabuleiro ou vou aprender a jogar de novo?
Eu posso ficar triste antes de aprender?
Deve, porque quem finge que não sente nada Não fica forte, só fica duro.
Então sentir tristeza não é fraqueza?
Não! Fraqueza é deixar a tristeza mandar você maltratar os outros ou desistir de tudo.
Ah!
Chorar é humano, Babica. Xingar todo mundo é preguiça do coração.
Preguiça do coração?
É quando o coração não quer fazer o trabalho difícil De entender o que sente.
Gostei disso! Preguiça do coração.
A copa serve pra ensinar a esperar, Babica. Pra ensinar a torcer junto. Pra ensinar que o outro também quer vencer. Pra ensinar que alegria compartilhada fica maior e tristeza compartilhada pode ficar menos pesada.
Então eu posso dividir minha tristeza?
Pode, com cuidado para não jogar em cima dos outros. E quando alguém perto de você estiver triste pela derrota, você não precisa consertar a pessoa. Pode só sentar junto e mostrar que tá ali.
Como quando o Nico chora?
Sim, às vezes a melhor frase é: eu também queria que tivesse sido diferente.
Eu também queria que tivesse diferente, viu? Dá vontade de abraçar.
Pois é. Bárbara, oi!
Será que os jogadores estão tristes também?
Babica, muito provavelmente.
Mais que eu?
Talvez de um outro jeito. Eles treinaram anos para estar ali, carregaram a esperança de muita gente. Quando perdem, não perdem só um jogo. Eles sentem que decepcionaram um país inteiro.
Nossa, deve pesar!
Pesa! Por isso a gente precisa lembrar que jogador também é gente como a gente. Por trás da camisa tem alguém que tem mãe, pai, filho, medo, insegurança, vergonha, sonho, E muita vontade de acertar, Babica. Ninguém vira atleta querendo perder, querendo errar.
Eu nunca penso nisso.
Muita gente esquece, Babica. A camisa vira tão grande que a pessoa some lá dentro.
Então, quando eu xingo um jogador, eu estou xingando uma pessoa?
Está, Babica.
Eita!
Pois é.
Então posso ficar triste sem xingar?
Pode. E isso já é uma vitória pequena.
Mas o Brasil perdeu!
Perdeu no placar, mas você pode ganhar uma coisa dentro de você.
O quê?
Um jeito melhor de perder.
Pois é, se eu amo só quando vence, eu amo a vitória, não o time, né?
Olha aí!
Então amar o Brasil é continuar amando quando perde?
Também, Babica. Mas sem fingir que tá tudo bem. Sem fingir que eles também jogaram bem e que se esforçaram tanto quanto deveriam. Amor de verdade consegue dizer: hoje foi ruim. Doeu. Eu esperava mais de vocês. Mas eu não vou rasgar a história inteira por causa de uma página triste.
Uma página muito triste.
A Copa do Brasil terminou nessa página. Mas o livro, Babica, continua.
Vai ter a próxima Copa? Vai! Vão ter outros jogadores? Vão! Vai ter criança chorando de novo?
Provavelmente.
E criança pulando no sofá?
Também.
Então o futebol é um negócio muito perigoso.
É, porque ele mexe com o coração.
Mas é bom?
Muito bom!
Bárbara!
Oi?
Acho que minha pedra no peito ficou menor conversando com você.
Que bom, menina!
Ainda está aqui, sabe? Mas antes parecia uma batata. Agora parece uma ervilha.
Já é uma grande evolução vegetal!
Hahaha!
Quer mandar um recado para as crianças que choraram no domingo, Babica?
Eu quero sim!
Então vá lá! Manda sua mensagem.
Crianças do Brasil, eu também chorei. Foi ruim. A gente queria ganhar. A gente queria continuar.
A gente queria festa.
Mas a Bárbara falou uma coisa que eu acho que serve. Quando a gente torce, a gente empresta um pedacinho do nosso coração. Às vezes ele volta pulando. Mas outras vezes ele volta machucadinho, mas ele volta maior porque aprendeu a sentir junto com muita gente. Então hoje tá liberado chorar, pode ficar quietinho, pode abraçar alguém, só não pode deixar a tristeza jogar sua camisa fora por você.
Que bonito, Babica!
E amanhã A bola vai rolar de novo.
Ah, vai sim!
Mas hoje, hoje, hoje eu vou dobrar minha camisa com respeito e guardar aonde? Perto do coração.
Muito bem! Olha, de onde veio este episódio tem muito mais.
Isso mesmo! Visite o podcastcafecomleite.com.br para saber mais.
Café com Leite, o podcast para famílias com crianças inteligentes e pais que se importam.
Tchau!
Quem ouviu, ouve outra vez. Já acabou o café com leite pra criança inteligente. 3, 2, 1, 1, 2, 3. Quem ouviu, ouve outra vez. Esse foi o seu café com leite. Esse foi o seu café com leite. Esse foi o seu café com leite. Brasil!