O caminho para a paz na Europa segundo Robert Schuman e um hino à alegria composto por um Beethoven surdo
Em dezembro de 1943, em plena guerra, Arturo Toscanini dirige em Nova Iorque o Hino das Nações, um gesto de resistência, arte e esperança num mundo marcado pelo fascismo, pela censura e pelo medo. Este episódio de “Tempo ao Tempo” acompanha a presença da música como elemento de ação, união e esperança política. Segue também a extraordinária viagem da Nona Sinfonia de Beethoven, da sala de concerto à arena política, da utopia cosmopolita de Schiller à consagração como Hino da Europa, passando por Schuman, Monnet, e pela pergunta que continua a ecoar: faremos nós a Europa, ou faremos nós a guerra?
Da Segunda Guerra Mundial ao Dia da Europa, Rui Tavares lembra-nos que os símbolos não nascem por acaso: nascem de crises, de escolhas difíceis e de uma vontade obstinada de não repetir o desastre. E talvez seja por isso que a Ode à Alegria ainda nos comove, porque fala de uma fraternidade possível num mundo tantas vezes dividido.
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Estamos em dezembro de 1943, no estúdio 8H da NBC em Nova Iorque.
Toscanini, o maestro italiano há tantos anos no exílio desde que recusou tocar para Mussolini na sua Itália Natal, agora fascista, está de costas para a Câmara e vai dar início a uma das várias sinfonias que por encomenda do Office of World Information ele dirige para a NBC. Desta vez...
vai ser o Hino das Nações, uma peça original de Verdi que juntava, na altura, no século XIX, três hinos. A Marcilheza, God Save the King, do Reino Unido, e o Hino di Mameli, um dos hinos do ressortimento italiano, da reunificação da Itália.
Além desses hinos, junta-lhe Toscanini, da sua lavra, também a Star Spangled Banner, o hino dos Estados Unidos, e ainda a Internacional, que nessa altura é, ao mesmo tempo, o hino oficial e o hino censurado da União Soviética. O hino nacional, porque foi escolhido, enquanto tal, como exemplo de uma...
Pátria dos Trabalhadores de Todo o Mundo, mas ao qual Stalin retirou a letra perigosa, subversiva, por ter sido escrita por um anarquista no século XIX e falar de uma pátria sem amos e sem fronteiras.
aquilo que, na época da sua estratégia do socialismo num só país e de revivescência do nacionalismo russo, era impossível de aceitar. A história da Internacional ficará para outros tempos, mas salientemos que se trata de um hino, neste caso, duplamente censurado, porque também na transmissão norte-americana, apesar de ser o hino de um dos aliados, a Internacional não aparece.
Mas não aparece também outro hino que, no entanto, Toscanini dirigiu várias vezes nestes anos da guerra e numa ocasião memorável em 1948, no mesmo ano da Declaração Universal de Direitos Humanos, a nona de Beethoven.
Em particular, a Ode à Alegria, que nós hoje conhecemos como o hino da Europa, embora o seja e não seja ao mesmo tempo. Como? É isso que vamos tentar perceber. E para isso, vamos dar tempo ao tempo do Dia da Europa, que se celebra já, depois de amanhã.
Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da história, de passado, presente e futuro, da mudança da memória no tempo. Eu sou o Rui Tavares e venha comigo dar Tempo ao Tempo.
A CIDADE NO BRASIL
Olá, eu sou José Maria Pimentel e sou autor do podcast 45 Graus. No 45 Graus trago para o microfone especialistas e pessoas com ideias que vale mesmo a pena ouvir sobre temas como ciência, economia, política, filosofia ou sociedade. Sempre de forma descontraída e com tempo para conversar. É um espaço para aprender e pensar sobre o mundo de forma mais crítica. Novos episódios a cada 15 dias. Procure 45 Graus em qualquer aplicação de podcast.
Parece estranho, mas para falarmos de coisas tão grandiosas como hinos, vamos ter de começar por uma coisa tão pouco romântica como a leitura de uma declaração sobre carvão e aço por um ministro dos negócios estrangeiros francês, no que é Dorcé, a sede do seu ministério.
muito em particular na sala do relógio, num determinado dia de 1950, o dia 9 de maio. Precisamente aquele escolhido para ser o dia da Europa que se celebrará este sábado e que, entre comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial, algumas a 8 de maio e outras a 9 de maio, foi de certa forma adequadamente burocrática.
escolhido para ser o dia principal do projeto europeu. Este ministro francês dos negócios estrangeiros era Robert Schumann. Na verdade, não nasceu francês. Ele era luxamburguês. E, na verdade, nasceu súbdito do Império Alemão do século XIX. Chegou a ser, aliás, soldado desse mesmo Império. Mas, sendo oriundo das regiões fronteiriças,
entre a Alemanha e a França, sendo, na verdade, um lournense daquela Alsácia-lourena que andou de cá para lá e de lá para cá durante tanto tempo, Robert Choban acaba por se tornar cidadão francês e, mais do que isso, político francês.
Não é o único destes extraordinários políticos, em geral mais velhos, do fim da Segunda Guerra Mundial, ou seja, aqueles que tinham visto a desgraça da primeira do Entreguerras e da segunda, e sobrevivido a tudo isso, que têm estas origens, que são origens partilhadas. Afinal, o líder alemão do pós-guerra, Konrad Adenauer, é um católico, precisamente, de zona fronteiriça. E, mais estranho ainda, Alcide Gasperi, o líder da Itália desta mesma época,
é alguém que já foi súbdito da Áustria e até deputado no Parlamento do Império Austro-Húngaro. Robert Schumann, nascido no Luxemburgo em Clausen, falava várias línguas, como praticamente todos os luxemburgueses. Luxemburgês, a língua do grão-de-caudo, que até hoje não é ainda língua oficial da União Europeia, porque os luxemburgueses não querem, e as outras duas línguas, essas sim, não só oficiais, mas de trabalho também da União Europeia.
o francês e o alemão. Após ter sido cidadão alemão e se ter tornado cidadão francês, Schumann foi preso pela Gestapo durante a Segunda Guerra, foi fugitivo, teve de andar escondido e, a seguir à libertação, torna-se ministro dos negócios estrangeiros à frente de um gabinete de enorme qualidade.
no qual pontifica, acima de tudo, o conhecido pai da Europa, Jamonet. Também alguém de uma região fronteiriça, comerciante de conhaque, que tinha lidado com o abastecimento das tropas aliadas durante a Primeira Guerra Mundial, um homem prático.
e que tinha um olhar sempre muito concreto acerca da resolução dos grandes problemas. Via-os, acima de tudo, como questões comerciais e logísticas. Foi Jamonet que deu a ideia a Robert Schumann de fazer a sua declaração. E foi Bernard Clapier, o seu chefe de gabinete,
que escreveu, anonimamente, o mais célebre texto do projeto europeu. Talvez notório por se ter tentado fazer passar por tão modesto. Um discurso de apenas sete minutos, lançando uma ideia que não passou por canais internos do Ministério dos Negócios Franceses para além destes, de que vos falo, para que não fosse enterrado debaixo do peso de 400 ou 500 emendas, como é habitual nestas coisas.
Um discurso de que Conrad Adenauer, o seu principal interlocutor, só soube mesmo 24 horas antes. E um discurso que, receio dizê-lo, é mais curto do que o tempo que este podcast já leva.
Demora apenas sete minutos, a declaração Schumann. E toda ela é dedicada ao problema muito comezinho de pôr em coordenação a produção de aço e de carvão na Europa daquela época. Uma história bem conhecida.
Sem aço e sem carvão não se pode remilitarizar a Alemanha, o que convém controlar, e colocando em conjunto a produção de aço e de carvão, todos os países europeus centrais que participassem da fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço poderiam vigiar os respectivos esforços de remilitarização e assim não só...
Tornar uma nova guerra difícil, mas materialmente inconcebível. É isto que está por trás daquela seca e curta declaração. Tem apenas um momento, talvez dois, de uma certa grande eloquência, que precisamente por causa disso ficam lembrados na mente de todos os burocratas europeus, até, diria eu, ao fim dos tempos.
O mais conhecido deles é aquilo a que tantas vezes nas instituições de Bruxelas se trata, erradamente aliás, como a estratégia dos pequenos passos. Dizem os eurocratas que Robert Schumann anunciou que a Europa se faria sempre por passos pequenos e não por passos grandes. Não é correto. Aquilo que disse Schumann foi uma coisa um bocadinho diferente. Oi, Samuel. Nós temos visto a guerra. A Europa não se fará parte de um cú.
Em português, a Europa não se fará de um só golpe, nem numa construção de conjunto. Far-se-á por meio de realizações concretas, criando primeiro uma solidariedade de facto. Dito de uma forma quase de quadra popular, em quatro frases simples. Uma...
Primeiro suave, depois outra rítmica e depois duas rimadas. Porque realização concreta rima com solidarité de fete. Ou seja, as realizações concretas é que criam a solidariedade de facto. Esse tom de um texto também é feito de coisas concretas.
Mas, dizendo que por trás das coisas concretas virá aquilo a que os europeus almejam, não só a paz, mas também a amizade entre os povos, é o centro da estratégia de Schumann. Não exatamente que a Europa se faça em passos pequenos, mas que não se faça de uma só vez, nem segundo um plano pré-estabelecido, que seja feito através de realizações concretas, mas não concretas.
por apenas o serem, concretas, porque cada uma delas crie solidaridades efetivas. Pode começar pelo carvão e o aço e depois passar a outros planos, desde o mercado interno ao Interrail, ao programa Erasmus e por aí a fora. Mas cada uma dessas realizações concretas trazendo laços cada vez mais estreitos entre os povos europeus.
E porquê? Porque, diz Schumann, já tentámos no passado fazer a guerra. Porque, diz Schumann, no passado, podíamos ter feito a Europa e não fizemos a Europa. Não se fez a Europa, veio a guerra. Virando, de certa forma, do avesso as explicações que nós normalmente temos para o nascimento da Europa. Porque nessas explicações comuns...
que se dá à mesa do café, não só na Europa, mas no resto do mundo, primeiro houve a catástrofe, a Segunda Guerra Mundial que destruiu a Europa e depois fez-se a Europa. Robert Schumann também não diz exatamente isso. Há uma subtileza, mas ela é importante. Não se fez a Europa e por causa disso é que houve a guerra. Diz ele, com a sua memória mais longa de homem mais velho, que entre as guerras houve a hipótese de se fazer a Europa, talvez através da Sociedade das Nações.
E por não se ter feito Europa, é que sobreveio a guerra. Esta Europa de Schumann, então, não é a única desta altura. Talvez noutros episódios decidamos dar tempo ao tempo de outras estratégias, de outras Europas possíveis, mesmo desta época. Ela é feita, no entanto esta de Schumann, de uma forma quase burocrática.
É uma Europa dos homens poderosos, sejam eles ministros ou outros governantes, ou sejam eles industriais. É uma Europa que começa por ser uma estratégia de cooperação industrial, uma joint venture econômica.
E que depois trará outras coisas, porque elas virão certamente, mas que começará por este lado prático dos homens práticos, como Jamonet, o tal comerciante de conhaque, que inspirou esta declaração. Por isso demorou muito nesta Europa...
Em particular, uma das várias que nasceram naquela época, não só a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, mas, por exemplo, também o Conselho da Europa, a Convenção Europeia de Direitos Humanos e o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, todos sediados em Estrasburgo.
na Alsácia, mesmo ao lado da Lorena Natal de Robert Schumann, e outras Europas que também morreram, mais ou menos nesta altura, como a Comunidade de Defesa Europeia, que foi chumbada pelo próprio Parlamento Francês, e muito em particular por um homem político, Édouard Herriot, o líder do Partido Radical, que tinha sido um dos primeiros a desenhar uma Europa Federal, mas que depois não quis sacrificar a ela.
o exército francês. Por isso, incrementalmente, a pouco e pouco, se foram fazendo os tratados, o de Roma em 57, junto com o tratado de Euratome, e todos os seguintes que trouxeram esta Europa do carvão e do aço a ser a comunidade económica europeia.
que é, atualmente, a União Europeia. Esta Europa, em particular, não se importou muito com símbolos, como hinos e bandeiras, porque estava ocupada com outras coisas e porque queria dar de si própria a imagem de estar principalmente preocupada com essas coisas práticas. O hino e a bandeira...
foram primeiro adotados para uma outra Europa, a do Conselho da Europa, com mais países e concentrada principalmente em questões de direitos humanos, incluindo civis e políticos, mas também crescentemente económicos, sociais e culturais. É a Europa da Convenção Europeia de Direitos Humanos.
e em Europa do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que nasceram da imaginação, também ela federalista, mas de certa forma mais ambiciosa, menos passo a passo, de Winston Churchill. Foi aí que, em 1972, se discutiu como criar um hino para a Europa.
Além de se ter discutido como criar uma bandeira para a Europa. Sim, porque tanto o hino e a bandeira, hoje em dia estão associados à União Europeia e, por vezes, vilipendiados por isso mesmo, não são originalmente da União Europeia nem da sua antecessora, a Comunidade Económica Europeia, mas antes da vizinha de algumas instituições europeias em Estrasburgo, como o Parlamento Europeu, o Conselho da Europa.
É daí que vem a bandeira, com uma diferença quase invisível de tom do azul aplicado nela, e é daí que vem o hino, o hino à alegria, da nona de Beethoven. Ora, esse hino é decidido em 1972.
E há uma discussão acerca de que língua será feito esse hino. Do seu original alemão, da letra escrita por Schiller, ou talvez outra língua que pudesse ser partilhada por todos os europeus. Em alemão, o hino daria uma vantagem indevida aos falantes dessa língua, notoriamente difícil de aprender, nomeadamente pelos latinos. Mas, se fosse em latim, estaríamos a usar uma língua morta para um projeto vivo. Música
Se fossem Esperanto, uma língua que estava lá muito no futuro e que talvez não viesse nunca exatamente a verificar-se. E depois ainda temos isto, um hino para uma coisa que não é uma nação. No entanto, um hino que só poderia ser este, porque o hino à alegria, a ode à alegria de Beethoven, nasce precisamente como ode cosmopolita de todos os cidadãos do mundo.
É assim que em 1824 ele é pela primeira vez tocado em Viena, num dia que é exatamente hoje há 202 anos, num dia 7 de maio. No programa estavam missas e outras peças de Beethoven e depois dizia-se apenas Grande Sinfonia com coros finais sobre a Oda à Alegria. A sinfonia que se tocou começa ela própria a emergir.
dos instrumentos quase como se fosse apenas uma forma que se vai dando à informalidade do afinar desses instrumentos. Daquela primeira mole inicial surgem os primeiros acordes. E depois, no segundo andamento, se passa um scherzo. E no terceiro andamento, a um adagio. E depois, num quarto andamento, mais invulgar e até então nunca usado nas sinfonias de Beethoven,
De repente, há um coro. Oh Freunde! Oh Samuel! E desse coro, vai emergindo a pouco e pouco a ode escrita por Schiller em 1785. Oh Samuel também!
Numa tradução tão direta quanto possível Alegria, bela centelha dos deuses
Filha do Elísio, entramos ébrios de fogo no teu santuário celestial. Os teus encantos voltam a unir o que o tempo antes separou. Todos os homens se tornam irmãos sob as tuas asas.
Trata-se de um hino, não por acaso, de um século XVIII, ainda cosmopolita, antes da invenção dos nacionalismos. E agora, de repente, no século XX, tornado mais necessário e mais urgente do que nunca pelas guerras a que esses nacionalismos levaram.
É por isso, talvez, o hino mais adequado para algo que não seja uma nação e que consiga, acerca de algo que não é uma nação, dar, apesar de tudo, uma parte da emoção que têm as pessoas ao ouvir os hinos das suas próprias nações. Somos, provavelmente, todos nós, testemunhas disso. Trata-se de uma das poucas coisas...
que consegue emocionar os europeus numa construção que é muitas vezes burocrática. Apesar dos próprios acidentes burocráticos da consagração do próprio hino. Porque, na verdade, ele chegou a estar no Tratado Constitucional Europeu como um símbolo da Europa, como igualmente estaria a bandeira e o próprio Dia da Europa. Só que esse Tratado Constitucional, que foi levado a referendo em vários países europeus, chumbou logo em dois dos seus primeiros.
Em França e nos Países Baixos. E teve que ser refeito resultando no que é o atual Tratado de Lisboa, assinado no final do ano de 2007 no Mosteiro dos Jerónimos. Lisboa tem, na verdade, 96% do que era o conteúdo do Tratado Constitucional. O que foi sacrificado foram precisamente os artigos sobre os símbolos. Talvez os menos danosos de tudo o que pudesse estar num tratado que tem coisas muito técnicas que os cidadãos...
conseguem identificar mal. Mas esse sacrifício foi feito em nome de parecer que havia um recuo maior do que na verdade houve. E, portanto, saíram os artigos sobre a bandeira, o hino, o próprio lema da Europa unida na diversidade e o dia da Europa. Mas também de uma forma muito...
europeia, aquilo que sai do início do tratado vai para o fim, para uma declaração, a declaração número 52, que cada Estado-membro pode assinar por si mesmo. E 16 deles assinaram-na logo desde o início. Portugal, entre esses, desde o início, para Portugal, o Tratado de Lisboa inclui o hino, a bandeira...
o dia e o lema. E assim também para a Alemanha, para o Reino dos Belgas, ou a Bélgica, a Bulgária, a Espanha, a Grécia, a Hungria, a Itália, a Lituânia, o Luxemburgo, Malta, Áustria, Roménia, Eslovénia, Eslováquia e Chipre. Em 2017, já com o presidente Macron, juntou-se também a França. São agora 17 países que se reveem nesse hino, nessa bandeira, nesse dia e nesse lema. 10 dos 27 Estados.
da União Europeia, continuam sem assinar, o que não quer dizer que rejeitem os símbolos apenas que não assinaram a Declaração nº 52 anexa ao Tratado de Lisboa e que diz, simplesmente, que o hino extraído do Hino à Alegria da 9ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven, o lema Unida na Diversidade e o Dia da Europa, além da bandeira das 12 estrelas sob fundo azul, continuarão a ser símbolos do vínculo comum.
dos cidadãos à União Europeia. Esse hino que hoje todos conhecemos como hino europeu, oficialmente não é hino. É apenas um símbolo informal de 17 dos 27 Estados-membros. E é tocado, evidentemente, em muitas cerimónias das instituições europeias. O mesmo hino que Toscanini tantas vezes tocou na altura...
da Segunda Guerra Mundial, acaba por ser uma das poucas coisas que faz levantar uma sala e sentir-se, apesar de tudo, um frémito de pertença comum ao projeto europeu. Aquela poesia cosmopolita de Schiller, junto com a música que compôs um Beethoven na altura já completamente surdo, é reconhecível em todo o lado e é, talvez...
Mais do que uma declaração burocrática feita no salão de um Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre Carvão e Oasso, um hino que é capaz de nos fazer lembrar porque é que se construiu a Europa. E que nos deixa ainda, apesar de tudo e sempre, a pergunta que Robert Schumann inseriu na sua declaração. Faremos nós a Europa ou faremos nós a guerra? Para saber a resposta, é dar tempo ao tempo.
Tempo ao Tempo é um podcast do Expresso, com sonoplastia de João Luís Amorim, apoio à produção de Leonor Losa, capa de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos, com fotografia de Tiago Miranda, coordenação de Joana Beleza e direção de João Vieira Pereira. Eu sou Rui Tavares.
Aúsica
Olá, eu sou o José Maria Pimentel e sou autor do podcast 45 Graus. No 45 Graus trago para o microfone especialistas e pessoas com ideias que vale mesmo a pena ouvir sobre temas como ciência, economia, política, filosofia ou sociedade. Sempre de forma descontraída e com tempo para conversar. É um espaço para aprender e pensar sobre o mundo de forma mais crítica. Novos episódios a cada 15 dias. Procure 45 Graus em qualquer aplicação de podcast.
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