Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Ataques aos Emirados Árabes Unidos pelo Irã amplia tensão no Oriente Médio; desgaste na popularidade de Javier Milei

05 de maio de 202630min
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Neste episódio do O Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles falam sobre a nova escalada de tensão no Oriente Médio após ataques do Irã contra os Emirados Árabes Unidos, os vencedores do Prêmio Pulitzer, considerado um dos principais reconhecimentos do jornalismo. Comentam também a queda de popularidade do presidente argentino Javier Milei e a crise diplomática entre México e Espanha, reacendida por disputas em torno do legado histórico de Hernán Cortés.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando Andrade

HostJornalista
A

Ariel Palacios

ConvidadoComentarista
G

Guga Chacra

ConvidadoComentarista
Assuntos4
  • Crise do Jornalismo e MídiaFotógrafo palestino Sahar Al-Goha · Cobertura da guerra em Gaza · Investigação sobre departamento de Elon Musk · Uso do poder por Trump para enriquecer · Colunista crítica a líderes autoritários
  • Crise diplomática México-EspanhaDefesa da Conquista e Hernán Cortés · Figura de Hernán Cortés · Papel de Malinche na conquista · Discussão sobre o legado histórico · Exigência de desculpas formais da Espanha
  • Popularidade e imagem de Javier Milei na ArgentinaDesaprovação crescente do governo · Casos de corrupção no governo · Irritação popular com a economia · Cortes em educação e saúde
  • Estratégia iraniana contra países árabesEscalada de tensão no Oriente Médio · Relações dos Emirados com EUA e Israel · Papel do Irã no conflito · Diferenças entre Emirados e Arábia Saudita
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo e Meia Hora. Hoje eu converso com o Guga Chakra, diretamente de Nova Iorque, e com o Ariel Palacios, com a gente, falando de Buenos Aires. Nós vamos abordar aqui os ataques aos Emirados Árabes Unidos. Os Emirados Árabes Unidos voltaram a ser atacados pelo Irã, e os Emirados têm muitas relações com os Estados Unidos, mas também com Israel.

Falaremos também sobre os vencedores do prêmio Pulitzer, que é o maior prêmio do jornalismo do mundo, a queda na popularidade de Javier Milley na Argentina e a crise diplomática entre México e Espanha, por causa do conquistador espanhol Hernán Cortés. Vamos para o mundo. Guga Chakra, bem-vindo mais uma vez. Tudo bem, Guga? Oi, Fernando. Oi, Ariel. Oi, ouvintes. Ariel Palácios. Tudo bem, Ariel. Bem-vindo.

Como está, Fernando Guga, ouvintes? Tudo bem? Tudo bem. Guga, os Emirados Árabes Unidos foram alvos de novo, de novos ataques, de mísseis, de drones iranianos. Foi o segundo dia consecutivo de ataques. Na segunda, uma instalação petrolífera foi atingida. Inclusive, três funcionários indianos ficaram feridos.

Ou seja, o cessar-fogo foi violado, mas os Estados Unidos afirmam que não. Está em vigor e aquela escolta de navios retidos no Estreito de Hormuz também, segundo os Estados Unidos, está de pé. Apesar de não haver registro da passagem significativa de navios entre segunda e hoje terça no Estreito de Hormuz.

Guga, eu queria te ouvir sobre o papel dos Emirados Árabes Unidos nesse conflito. Todas as nações do Golfo, com bases americanas, foram atacadas pelo Irã. Os Emirados, que é um grande aliado dos Estados Unidos, foram os mais atingidos e não reagem. Por quê? Olha, Fernando, em relação aos Emirados Árabes, a gente sabe que quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, no final de fevereiro, o Irã passou a responder contra praticamente todos os países.

do Golfo Pérsico, com a rara exceção do Iraque, onde o Irã usou mais as milícias aliadas, milícias iraquianas aliadas. Nos outros países, Kuwait, Qatar, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Oman, todos foram alvo de ataques iranianos. Por quê?

Porque o Irã não tem como atacar os Estados Unidos. Atacou Israel, respondeu contra Israel diretamente. Mas o Irã não tem condições militares de atingir os Estados Unidos, mas tem condição de atingir aliados americanos que têm bases dos Estados Unidos nesse país. E o Irã, a gente recorda, foi atacando todos esses.

todas essas nações. Veio cessar fogo, mas ontem o Irã voltou a atingir os Emirados Árabes. E o que há de diferente nos Emirados Árabes? Por que os Emirados Árabes tendem a ser cada vez mais o alvo dos iranianos? Porque os Emirados Árabes não são apenas aliados dos Estados Unidos.

são também aliados de Israel. Essa é uma diferença muito grande. Por exemplo, a Arábia Saudita não tem acordos militares com Israel, não recebe proteção israelense. Emirados Árabes, sim, recebe. Israel tem dado informações de inteligência e suporte militar para o Irã, inclusive para abater os mísseis e drones que são direcionados contra Budap, Dubai e os outros cinco emirados. Então, por isso que esse país se tornou um alvo preferencial.

do regime iraniano. Antes da guerra eles tinham até uma relação, porque sempre a estratégia dos países do Golfo foi manter uma neutralidade no conflito entre Estados Unidos e Irã. Houve momentos, sim, que a animosidade era maior, eu diria que ali no primeiro mandato do Trump, mas nos últimos anos vinha ocorrendo uma aproximação entre esses países. Um segundo motivo para o Irã...

atacar os Emirados Árabes e explorar a ruptura que tem havido entre os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, para acentuar essa ruptura, meio que dando uma mensagem para a Arábia Saudita, o Irã, olha, nosso maior problema é os Emirados, que aparentemente também é um problema para vocês, talvez não o maior. O problema saudita seguramente é o Irã, mas mostrando ali que eles veem com uma diferença. E hoje dá para dividir ali os países.

da região em três grupos. Um que seria mais os Emirados Árabes, talvez Bahrein, que mantém uma ligação maior com Israel, com relações diplomáticas com Israel. Depois tem outro grupo, que especialmente o Irã, em menor escala, Oman e Iraque, que ali tem uma proximidade maior com Teherã. E você tem o grupo da Arábia Saudita.

que busca ali não ser ligado a nenhum desses dois grupos. Então, quando você observa o governo libanês, dá para entender bem, Fernando, se o governo libanês é a favor do desarmamento do Hezbollah e da interferência iraniana no território libanês, mas também a favor da desocupação israelense do Líbano. E nesse momento, a Arábia Saudita busca atrair o Líbano para o seu campo, chamado campo árabe, que é nem Israel...

nem Ira, então seria ali mais ou menos no meio, mas os Emirados Árabes têm caído cada vez mais para o lado israelense.

Guga, agora a gente vai falar sobre o prêmio Pulitzer, que é o maior prêmio do jornalismo do mundo. Eu vou começar falando sobre o fotógrafo palestino que colaborou com o New York Times durante a guerra em Gaza. O nome dele é Sahar Al-Goha e venceu o Pulitzer de fotografia com imagens impressionantes, tristes da faixa de Gaza. Um pouco sobre ele, Guga.

O Sahar Al-Goha é mais um dos vários jornalistas palestinos que cobriram esse conflito da faixa de Gaza. Ele recebeu o prêmio Pulitzer pelas fotos que ele tirou e foram publicadas no New York Times, fotos que registram a destruição provocada nos bombardeios israelenses. A gente sabe que a guerra em Gaza começou depois do atentado do Hamas em 7 de outubro de 2023 e provocaram uma...

uma destruição não vista desde a Segunda Guerra Mundial. Gaza foi mais destruída do que Dresden, só para deixar...

mais do que Hiroshima, a destruição foi total na faixa de gás. Ele registrou nas fotos também a fome imposta aos palestinos pelo bloqueio na entrada de ajuda humanitária, bloqueio imposto por Israel. Então ele registrou essas duas coisas e esse foi o motivo de ele receber o prêmio Pulitzer. Vale frisar...

que durante a guerra de Gaza, mais de 200 jornalistas palestinos foram mortos em ataques israelenses. Isso é algo também sem precedentes e segundo repórteres sem fronteiras, desses mais de 270 foram mortos enquanto realizavam o trabalho deles, realizavam trabalho jornalístico, algo também sem precedentes na história moderna.

E, para completar, Fernando, Israel segue pedindo que jornalistas estrangeiros entrem na faixa de Gaza. Foi proibido ao longo dos dois anos de guerra e continua proibido mesmo depois do cessar fogo, iniciado em outubro do ano passado, embora centenas de palestinos já tenham sido mortos.

desde a oclusão do cessar-fogo. Israel hoje ocupa 59% da faixa de Gaza. O 59% de território que Israel ocupa foi completamente destruído. Todas as edificações foram destruídas por Israel, as que estavam de pé ainda.

foram destruídas durante o cessar-fogo, que inclui cidades inteiras, como Raniunes, Rafa, que não existem mais. Toda a população, quase toda a população desses lugares, foi expulsa para os 40% restantes, que seguem nas mãos do Hamas, que não foi destruído, segue armado. Então, basicamente, só para entender o cenário de Gaza hoje, que a gente para de falar.

infelizmente, porque tem a guerra do Irã, a guerra no Líbano, mas o cenário continua catastrófico na faixa de Gaza e agora esse palito seria importante para o Sahar Al-Goha. Teve também uma repórter do Washington Post que fez uma investigação sobre aquele DOD, aquele departamento de eficiência do Elon Musk, e ela recebeu a Hannah Nathanson, e aí recebeu o prêmio, quem viu as imagens, ela chorando na hora de receber o prêmio.

Também significativo isso, não, Guga? Muito significativo, até porque a casa dela foi invadida por autoridades americanas. Tudo, então isso tem um peso muito grande. Então ela recebeu o Pulitzer por esse motivo. O New York Times, repórteres do New York Times, receberam por mostrar como o Trump usa o poder para enriquecer. Um caso claro de corrupção. Então esses também foram outros Pulitzers importantes. Também é uma...

colunista homossexual do New York Times recebeu Pulitzer pelas melhores colunas de opinião, ela se eu não me engano, esse é o nome me corrija, Fernando, se eu estiver enganado mas pelas colunas dela que são muito críticas a líderes autoritários especificamente ao Vladimir Putin na Rússia naturalmente ela é russa e ela sempre diz que tem muito orgulho faults

de ser lésbica e russa, lembrando que a Rússia, o regime do Putin é um regime abertamente homofóbico. Primeira pergunta breve, Gustavo. Você comentou que o Israel não deixa que entrem jornalistas na faixa de Gaza. Qual é a fonte de informação que contamos no resto do mundo proveniente de Gaza?

dos jornalistas palestinos, que fazem um excelente trabalho também de organizações humanitárias, como Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha Internacional, algumas agências da ONU. Então as informações vêm a partir daí. Claro que os jornalistas palestinos sempre correm risco. Não tem inimaginável um lugar que tenha matado mais de 200 jornalistas. Israel matou mais de 200 jornalistas. O argumento de Israel é que eles seriam, muitos deles, membros do Hamas.

grande parte trabalhava para órgãos de imprensa, como New York Times, Associated Press, France Press, Al Jazeera, enfim, para órgãos de imprensa, Reuters, internacionais. Então, é só para colocar o contexto, mas jornalistas estrangeiros são proibidos. Não pode, Ariel.

Sim, eu, Fernando, não pode. Israel proíbe que entrem. No caso do Líbano, Israel não tem como proibir, por isso, essa cobertura maior de jornalistas estrangeiros, um exemplo é o Gabriel Chahim, da Globo, da Globo News, que está lá no sul do Líbano, esses sim podem cobrir, mas porque é no Líbano, mas nos outros lugares não. Só para contexto...

Guerra da Síria, guerra da Ucrânia, guerra do Iraque, todas as guerras do mundo, os jornalistas podem entrar. Isso historicamente, você sabe, você gosta, eu sei que você gosta dele, é bastante história, tem vários relatos, jornalistas, Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra e sempre...

puderam. O caso de Gaza é extremo, Israel não deixa. Por isso que a gente sempre questiona, né? Israel diz que as informações são falsas. Tudo bem, então deixe jornalistas possam, além dos palestinos, outros jornalistas possam entrar no território e apurar. Só como contexto na guerra de 2009 Israel tampouco permitia a entrada, mas quando teve o cessar-fogo, permitiu. Pude entrar em Gaza dias após o cessar-fogo de 2009. Agora nem com o cessar-fogo é permitido.

Então, é proibido. Israel permite que entrem em Gaza, no território, nos 59% controlado por Israel, jornalistas acompanhados por militares israelenses. Eles falam que eles não veem um Palestina, porque todos foram expulsos, e só veem destruição. Quer dizer que, na prática, não estão podendo realmente relatar o que ocorre em Gaza, além de ter que ser com o exército de Israel.

Isso é muito interessante que o Gustavo comenta, porque é verdade, eu não lembro mesmo, no mundo ocidental, e Israel faz parte, teoricamente, do mundo ocidental, que, embora seja no Oriente Médio, mas, digamos, está dentro do âmbito cultural, sociocultural do...

do mundo central, não lembro do mundo central, desde a guerra ruso-japonês, em 1905, ou seja, são quase 125 anos de guerras, com coberturas de mídias dos mais variados países, cobrindo essas guerras, que houvesse alguma espécie de proibição. Talvez alguma guerra lá nos cafundós da Ásia Central, em algum momento, ou no interiorzão da África,

algum regime ditatorial proíba a entrada de jornalistas, mas no mundo ocidental não há nada similar a essa proibição que acontece ali. A outra pergunta... No Oriente Médio não há nada, viu, Fernando? Não há nada, não há nada. É impressionante. É só como contexto, o Bachar Lassad, eu recebi visto para entrar na Síria durante a guerra. Eu não cobri os campos de batalhas, mas eu pude entrar na Síria, Damasco.

Outras áreas, havia áreas que eles não permitiam que eu fosse, mas eu pude entrar. E o Marcelo Ninho, na época estava pela Folha de São Paulo, também recebeu outros jornalistas, também receberam. Agora no Irã, jornalistas estrangeiros têm recebido. O próprio Caco Barcelos, da TV Globo, foi realizar reportagens dentro do Irã. O único que impede é Israel, que impede a entrada aqui em um território que não é israelense, para deixar claro.

Gaza não pertence a Israel, não é reconhecido como território israelense internacionalmente. E como Israel controla a fronteira do Egito para Gaza, não é nem que os jornalistas possam entrar pelo Egito, porque mesmo a fronteira do lado palestino é controlada por Israel.

Bom, a outra pergunta, Gustavo. Você estava comentando que 40% do território de Gaza não está controlado por Israel, então 60% está controlado. Nesse 60%, pelo que entendi, não há população palestina alguma, é isso, né?

Ah, praticamente nada. Algumas ali, pessoas ali, mas praticamente nenhuma, porque se eles passam a linha amarela determinada por Israel, que restringe aqueles 40% Hamas, eles podem ser alvo imediatamente. E a linha é muito bem demarcada. Às vezes acontece a pessoa passar...

Assim como ocorre no sul do Líbano, que Israel expulsou toda a população que mora naquela faixa da fronteira de Israel, até 10 quilômetros dentro do território libanês, a não ser no caso de duas vilas cristãs, Rimeish e Debel, mas se o habitante de Rimeish sai, ele não pode voltar mais, eles não foram formalmente.

expulsos, porque a questão é que Israel não quer ficar com a imagem ruim no mundo cristão. Então as vilas cristãs podem ficar, só que eles estão praticamente ilhados, daí tentam usar algumas organizações humanitárias e a ONU para conseguir levar comida até os libaneses dessas vilas de Rmeish Debel, mas outras vilas cristãs foram esvaziadas.

Sim, a população foi expulsa, as vilas tiítas foram expulsas, estão sendo, todos esses vilarejos estão sendo completos, são dezenas de vilarejos, estão sendo completamente destruídos. Guga, mais uma vez obrigado e até a próxima, Guga. Abraço, Fernando, abraço, Ariel.

De volta com Ariel Palacios, diretamente de Buenos Aires. Ariel, a gente vai falar sobre o governo do presidente argentino, Javier Milley, registrou uma queda significativa na sua aprovação. Há acusações de corrupção. Eu estava acompanhando, Ariel, uma polêmica envolvendo o chefe de gabinete argentino, Manuel Adorni. Não para de sair coisas sobre ele. Bom, quero te ouvir sobre isso, mas sobre essa queda na popularidade de Milley. O que aconteceu?

Aquela ideia da motosserra como ferramenta para resolver todos os problemas da Argentina, um país problemático, ou seja, resolver os problemas da problemática argentina com a motosserra, agora essa ideia, esse plano está bem em baixa e isso fica evidente em várias pesquisas, vou citar a última delas, uma pesquisa da consultoria Subancórdoba, que indica que a imagem do presidente vai de mal a pior sem parar porque...

Essa pesquisa indica que em apenas seis meses, a desaprovação de Milley subiu de 49,6% para 64,5%. E a aprovação, que era de 48,5%, em dezembro do ano passado, agora de 34,3%.

E a pesquisa também sustenta que 71% dos entrevistados consideram que a Argentina precisa de uma mudança de governo. E somente 21% acreditam que não é preciso mudar o atual governo. Que é um dado interessante porque a oposição não está sabendo capitalizar. Como em tantos lugares as oposições não sabem capitalizar as mancadas dos governos, este é mais um caso. Não está despontando uma liderança nova.

despontam as lideranças de sempre e que podem ter uma imagem ruim, mais ou menos boa, mas ninguém está, assim, gerando uma grande adesão. Esse é o fato. Então, por que não há uma renovação da classe política, mesmo nos partidos tradicionais, tradicionais de todo o leque político? Outra pesquisa da consultoria Management and Fit também indica

que há uma queda de margem. Em fevereiro, o Milley contava com uma aprovação de 46,8%, segundo essa pesquisa, agora está em 37,2%. A desaprovação, que era de 50,7%, agora é de 54,3%, segundo essa outra pesquisa da Management and Fit.

E essa consultoria também indica que esta é a maior desaprovação desde o início do mandato de Milley. E o otimismo, segundo essa pesquisa, o otimismo sobre a economia, que já era baixo em fevereiro, agora está muito pior. Em fevereiro era de 27,3%. Agora o otimismo sobre a economia é de apenas 15,4%. cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente cliente client cliente client cliente client cliente client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client client

Ou seja, imagine que você pega 10 pessoas, uma pessoa e meia acha que é otimista sobre o rendimento da economia. As outras 8 pessoas e uma metade de uma pessoa consideram que não. É muito complicado. Bom, o que tem por trás dessa queda? Então, área política. Vários casos de corrupção do governo Milley, entre eles o escândalo das criptomoedas, que prejudicou mais de 100 mil argentinos, com uma perda geral de 180 milhões de dólares. O pessoal ficou fulo da vida porque Milley...

Fez publicidade de uma criptomoeda que era uma maracutaia. O escândalo do subônus para compra de medicamentos para pessoas com deficiências físicas e mentais. O caso de créditos bancários irregulares para parlamentares aliados de Milley. E o escândalo das suspeitas de enriquecimento ilícito do chefe do gabinete de ministros, Manuela Dorme. Que está enfiado até o pescoço em problemas, mas Milley não coloca para fora do governo.

Em vários lugares do mundo, quando um presidente está mal das pernas e algum ministro está acusado de corrupção, muitas vezes botam o cara para fora discretamente, ostensivamente, dão um cargo novo, bem longe, consulado lá na Malásia, alguma coisa assim, ou outro cargo menor, ou nenhum cargo, mas se desvencilam do sujeito. Neste caso, Milley não. Milley insiste em manter essas pessoas envolvidas de corrupção dentro de seu governo.

e fica cada vez mais parecido aos governos corruptos, por exemplo, da ex-presidente Cristina Kirchner, de Alberto Fernandes, também de Maurício Macri, de Carlos Mene, enfim, tem todo mundo desde a volta da democracia, para não citar também a ditadura militar, que foi mais corrupta ainda. E ele que falava da casta, lembra? Ele falava da casta, como que era algo diferente, como que ele era o não político.

Bom, de certo fato, o Milley, sim, era um cara de fora da política, nunca havia sido deputado, não era militar, não era do estabelecimento industrial, era um economista de quinta categoria, um economista fracassado, que vinha na pindaíba, segundo ele próprio relatava antigamente. Então, e muitas pessoas acharam que essa era a saída, muitas pessoas que inclusive não concordavam com a plataforma econômica de Milley.

mas que não queriam que os peronistas permanecessem no poder. Então, é uma anuência interessante. Uma boa parte do eleitorado Milley votou não por Milley, votou contra os peronistas.

Na área econômica, a irritação popular, que fica claro nessas pesquisas, a irritação popular crescente contra a Milley, também temos vários motivos para isso, que é o aumento do desemprego, aumento da inflação desde junho do ano passado, isso é importante ressaltar, porque no exterior, fora da Argentina, muitas vezes o pessoal acha que a inflação continua caindo, ou que desapareceu, já ouvi uns comentários assim absurdos. Não, a inflação.

desacelerou no primeiro ano e meio do governo Milley e desde junho do ano passado voltou a crescer e não para de crescer.

Então, não é que acabou a inflação, não. A inflação está subindo e já faz quase um ano. É muito. As pessoas, evidentemente, ficam irritadíssimas com isso. Fechamento de dezenas de milhares de empresas argentinas, a queda da atividade econômica também, as baixíssimas aposentadorias, dois terços dos aposentados estão abaixo da linha da pobreza.

e além dos cortes de fundos para educação e saúde pública. Isso tudo enquanto o governo compra aviões de combate, com mais de 40 anos de uso comprados da Dinamarca, para um país que não tem hipóteses de guerra. Isso é bastante chamativo. Por exemplo, Milley gastou 600 milhões de dólares na compra desses 24 aviões F-16 usados.

americanos de fabricação, mas que estavam em mãos dinamarquesas, 40 anos de uso, e ao mesmo tempo, 600 milhões de dólares no total. Ao mesmo tempo, a Universidade de Buenos Aires anunciou hoje que está com problemas nos seus hospitais. A Universidade de Buenos Aires, a UBA, tem seis hospitais públicos que atendem por ano 700 mil pessoas, Fernando. E eles anunciaram que o governo não está entregando dinheiro ou não? E aí

Então que eles, em 45 dias, vão ter que deixar de funcionar. Ariel, a gente vai falar agora sobre uma polêmica envolvendo Espanha e México por causa de uma figura chamada Hernán Cortés, a presidente da Comunidade de Madrid, que é uma política de direita, visitou o México nessa semana e defendeu o período chamado de A Conquista e a figura de Hernán Cortés. É um tema politicamente muito sensível no México num momento em que se fala muito por lá sobre soberania.

A Eclávia Chembao, presidente do México, foi lá, veio a público, não gostou e respondeu. Primeiramente, quem foi Hernán Cortés, aliás? Bom, primeiro, vamos com Hernán Cortés, depois, para ver quem foi Isabel Díaz Ayuso, quem é Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madrid.

Bom, Hernán Cortés era um conquistador espanhol que, no início do século XVI, chegou nas costas no litoral do atual México, entrou em contato com algumas nações indígenas dali e ficou sabendo da existência do Império Asteca. O Império Asteca não chegava ali no mar.

ele terminava um pouco antes, ficou sabendo, ouro, etc. e tal, ficou interessadíssimo, e fez uma aliança com essas outras pequenas nações indígenas, e com um grupo de uns pouco mais de 50 espanhóis e dezenas de milhares invadiram o Império Asteca, destruindo totalmente a civilização, dando início à colonização espanhola, porque os indígenas aliados também se transformaram em colonizados. E...

Com isso fez um grande massacre. Também é verdade que os aztecas também faziam seu massacre por conta própria antes da chegada dos espanhóis e as populações indígenas vizinhas estavam bastante fartos dele. No entanto, foi o início da colonização espanhola, uma colonização que foi sanguinária.

Hernán Cortés conquistou boa parte do atual México e nessa conquista teve a ajuda de uma pessoa que conheceu pouco depois de desembarcar. Quando desembarcou, fez contato com um líder, com um cacique local e ele lhe deu 20 escravos. Uma delas era uma moça chamada Malinche. Malinche rapidamente aprendeu espanhol e virou não somente a tradutora de Cortés,

que foi estrategicamente muito útil, virou assessora, porque ela explicava como eram os vários povos indígenas, e se transformou na mulher de Cortés, e se transformou numa espécie de diplomata e estrategista de Cortés. E durante os últimos 200 anos dessa independência mexicana, Malintz era como sinônimo de traidora.

porque era considerada, depois, já a partir dos anos 60, as feministas começaram a considerar que era uma vítima da exploração espanhola. Mas hoje em dia há historiadores revisionistas que dizem, pera lá, talvez Malinti que foi a mãe.

do filho de Cortes, e que foi uma das primeiras crianças de casais mistos, teria sido, segundo eles, a origem, então, da miscigenação mexicana. Então, hoje em dia, existe essa discussão, que está crescendo cada vez mais, e aí apareceu nisso, no meio disso, uma figura de fora, que se a discussão já estava começando a ficar quente dentro do México, chegou nada mais nada menos que uma espanhola faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults faults

para complicar tudo, que é a Isabel Dias Ayuso, que é a presidente da Comunidade de Madrid, que seria um cargo como se fosse a governadora do Distrito Federal da Espanha, é uma das principais lideranças do Partido Conservador, o Partido Popular. Ela foi classificada pelo New York Times como trumpista. O Politico Europe, que é uma publicação sobre política, a definiu como populista e reacionária. Bom, e agora ela está desde segunda...

Feira de visita ao México participando de cerimônias em homenagem a Hernán Cortés. Cerimônias que foram feitas por poucos grupos ultraconservadores mexicanos, porque a própria direita mexicana não está querendo se meter no meio dessa... Eles reverenciam Hernán Cortés?

Esse grupo da ultraconservadores mexicanos reverenciam o Hernán Cortés. A esquerda mexicana o abomina e a direita mexicana tenta não falar muito no assunto. Então isso seria mais como a direita radical mexicana...

que está embarcando nessa discussão. Basicamente com a chefe do distrito de Cuatémoc, que é a Alessandra Rojo de la Vega, que diz, nega que a conquista tenha sido um genocídio, e aí se acrescentou a isso um compositor, o Nacho Cano, que é autor de um musical, Malintch, que é uma apologia da vida dessa jovem indígena totonaca.

inimiga dos aztecas, mas que a partir de 1519 começou a ajudar o Cortés, essa moça que citei agora, e aí tentaram fazer uma missa para homenajar Cortés na Catedral Metropolitana do México. Só que a arquidiocese decidiu cancelar porque a coisa estava tendo tons políticos muito fortes. Grupos indígenas então protestaram contra a homenagem, acusando Cortés de representar crimes históricos contra as populações originares. A presidente, Clara Sheinbaum,

criticou os eventos, dizendo que aqueles que reivindicam Cortés e suas atrocidades estão destinados à derrota, e como você citou, há toda uma discussão, porque o governo Chaimbao, há vários meses, está exigindo à Espanha que peça desculpas formais pelos abusos cometidos durante a conquista. Até agora não houve uma desculpa formal. Algumas figuras da política espanhola fizeram comentários assim como que pena, lamentamos, mas nunca uma desculpa.

formal. Mas isto tudo, Fernando, considero que esse episódio expõe um fenômeno político que está crescendo em todo o mundo, que é quando uma figura vai de um país a outro e internacionaliza batalhas culturais.

líderes políticos que começam a agir fora de suas fronteiras, exportando as narrativas e as disputas que têm a ver com as agendas domésticas. Então, pessoas que têm as suas próprias brigas culturais em seu país de origem e estão tentando expander isso para o resto do planeta. Fernando? Tá certo. Obrigado, Ariel, mais uma vez. E até a próxima. Muito obrigado, Fernando, Guga, ouvintes. Boa semana a todos.

Mundo e Meia Hora, em podcast toda terça e sexta, na programação da CBN, terça às 11h30 da noite e sábado às 9h da manhã. Trabalhos técnicos de Isabel Gomes e edição de Helen Menezes. Até a próxima edição.