'Telacracia' que desvia e faz mal: 'é preciso encontrar o caminho correto'
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Cássia
Guilherme
Mário Sérgio Cortella
- Tecnologia e telas na infânciaPesquisa OCDE · Desenvolvimento prejudicado · Vocabulário · Habilidades socioemocionais
- Consumo digital excessivo e paradoxo das telasTelacracia · Recusa ao tédio · Capacidade de aprendizado
- Importância da leitura na infânciaProximidade familiar · Estímulo à imaginação
Banco BV. Crédito e relacionamento que fazem história. Busque por Banco BV e saiba mais. Conversa de primeira. No meio do caminho. Com Mário Sérgio Cortella.
Professor Mário Sérgio Cortella, bom dia. Bom dia, Cássia. Bom dia, Guilherme. Bom dia, professor. Professor, uma pesquisa feita pela OCDE em nove países, incluindo o Brasil, mostrou o que acontece com as crianças de cinco anos que usam telas todos os dias em relação a aprendizado. Principais conclusões.
desenvolvimento prejudicado pela exposição a dispositivos digitais. E essa avaliação mediu o quê? Vocabulário, resolução de pequenos problemas e habilidades socioemocionais. Passou da hora de todo mundo, a sociedade como um todo, ficar mais atenta em relação às telas e à utilização de vários destes dispositivos com telas por crianças, né, professor?
Sem dúvida, a gente vive uma certa forma de telacracia, que é o domínio da tela no sentido, não necessariamente, um domínio que possa beneficiar, ao contrário. Aliás, hoje, por coincidência, é o aniversário do Freud, que nasceu em 6 de maio de 1856. Ele, há quase 100 anos, escreveu uma obra com título especial, chamado Futuro de uma Ilusão.
o futuro de uma ilusão. Nós temos que pesquisar, estudar, verificar se não estamos vivenciando um tempo ilusório em relação à tecnologia. Não é a recusa, não é o descarte, não é a rejeição tola.
Mas é o uso adequado. E de fato, essa pesquisa, que é uma pesquisa séria, ela mostra que não é a tela em si que produz uma redução de capacidade, mas o uso contínuo das telas, a exposição muito expressiva às telas.
faz com que a criança deixe de ter outras relações, de brincar, de observar, de ter um pouco, né, Cássia e Guilherme, ter um pouco de algo que ajuda a buscar aquilo que ainda não sabe, que é tédio, a recusa ao tédio, ela faz com que a ocupação contínua perturbe a capacidade de aprendizado.
Até porque a tela fica ali com estímulos constantes, né, professor? E na contramão desses dados, essa mesma pesquisa mostrou que aqui no Brasil, 53% dos pais dizem nunca ler livros para os filhos, ou que eles leem menos de uma vez por semana. E esse problema acontece mesmo entre as classes mais altas, quando o índice é de 40%. 100%.
indo na contramão disso que a gente está falando, na verdade, seguindo a mesma linha do que a gente está falando, mas os livros perdendo esse espaço, os livros que poderiam ocupar esse espaço, até trazendo também outros elementos mais lúdicos, enfim, outros conhecimentos para essas crianças. É verdade. Aliás, o que é ler com os filhos, ler para os filhos, é algo que leva a uma proximidade maior ao interesse da imaginação. Não é fácil.
Não é fácil pais e mães ou quem cria crianças trabalhar o dia todo, ter as suas atividades, as obrigações, chegar de cabeça quente à noite e ainda participar de uma sessão de leitura. Mas é um esforço que precisa ser feito uma parte.
da sociedade brasileira, que não tem formação escolar mais densa, formação literária, vem até se dedicando a procurar alternativas. O que a gente não pode, de novo, Freud, ficar aí com uma ilusão em relação à nossa formação. Por isso, sim, é necessário, Cassio alemão isso no ponto de partida, prestar atenção.
para que a gente não tenha aí uma telacracia que dificulte. É preciso, sim, dosar, pesquisar, buscar. Não é desistir, é encontrar, né, Cássia, o caminho correto para algo que precisa, precisa ser benéfico, porque, do contrário, ao viciar, ao distrair, ao desviar, nos faz mal. É isso. Professor, muito obrigada. Abraços. Abraço.
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