Informações falsas sobre tratamentos naturais para câncer dominam redes sociais, aponta pesquisa
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Cássia
Milton
Luiz Fernando Correia
- Notícias falsas sobre câncerPesquisa da Universidade de Londres · Tratamentos naturais falsos · Vermífugo de cachorro (Fenbendazol) · Sementes de damasco e Vitamina B17 (Amigdalina) · Óleo de orégano, chá de graviola, água de limão em jejum · Atraso no diagnóstico e abandono de tratamento · Risco de morte com terapias alternativas · Algoritmo das redes sociais e engajamento · Fontes confiáveis de informação sobre saúde
- Tratamentos contra o câncerImunoterapia · Terapia-alvo · Rastreamento precoce · Vacina de HPV · Disponibilidade no SUS
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O doutor Luiz Fernando Corrêa gravou o comentário de hoje em que ele falou sobre tratamentos naturais do câncer, como estes temas aparecem em redes sociais. Vamos ouvir. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Pesquisadores da Universidade de Londres fizeram uma coisa muito simples. Fingiram ser um paciente recém-diagnosticado com câncer e foram pesquisar nas redes sociais cura natural para câncer.
Pegaram os 200 primeiros vídeos. Sabe o que eles acharam? 81% deles traziam notícias fake. E fizeram a lista dessas notícias. Os três piores tratamentos que essa turma descobriu foram surreais. O primeiro deles, vermífugo de cachorro, febendo azol, sendo vendido como tratamento para câncer.
Parece uma piada, mas não é. Mas tem um influencer americano que viralizou contando que se curou, tomando antiparasitário veterinário. A notícia espalhou pelo mundo, chegou no Brasil. Por que viralizou? Porque ele tem um caso real de uma pessoa que melhorou. E só esqueceu de contar que a pessoa também estava fazendo quimioterapia e também participava de um ensaio clínico com imunoterapia de ponta.
Ou seja, o Fembendazol não tem nenhum estudo clínico em humanos comprovando atividade antitumoral. E o que é pior, é uma medicação que pode causar lesão hepática grave. Outra fake news importante é a utilização de sementes de damasco e vitamina B17. Essa, então, é clássica porque ela volta a cada cinco anos, mais ou menos.
A vitamina B17 nem é vitamina, é chamada amidalina, uma substância que libera cianeto no organismo, libera veneno. O FDA e a Anvisa proíbem a venda como tratamento e já teve uma criança que morreu intoxicada por essa substância nos Estados Unidos. Não existe nenhum ensaio clínico sério mostrando benefício. É marketing de pseudociência da pior qualidade. E agora, eles listaram o que eles consideram os mais perigosos, porque parecem inocentes.
Óleo de orégano, chá de graviola, água de limão em jejum, que matam o câncer. Esses que parecem inocentes, eles matam de outro jeito, Kassia e Milton. Eles fazem a pessoa atrasar o diagnóstico, abandonar o tratamento que funciona, indo contra a única norma importante. Câncer detectado cedo tem cura na maioria dos casos. Câncer que avança por meses porque a pessoa fica tomando chá ao invés de... E aí
Se tratar, só piora. Pesquisadores da Universidade de Yale acompanharam pacientes com câncer que escolheram terapia alternativa ao invés do tratamento convencional. O resultado? O risco de morte foi de duas a seis vezes maior, dependendo do tipo de tumor. Em câncer de mama, o risco quintuplicou. No câncer de intestino, quatro vezes maior. Isso não é opinião, é dado de coorte com dezenas de milhares de pacientes.
E por que isso continua? Porque as pessoas são desesperadas. O algoritmo das redes não premia a verdade, premia engajamento. O vídeo diz que a farmacêutica esconde a cura. Tem mais clique do vídeo do oncologista explicando o tratamento. O sistema é desenhado para entregar conteúdo extremo. E quando você está assustado com o diagnóstico, a sua capacidade de filtrar isso desmenca. É natural, é humano.
Não é ser mais inteligente, é checar mais as coisas e, de preferência, checar em fontes sérias. Porque a esperança existe. Imunoterapia, terapia-alvo, rastreamento precoce, vacina de HPV, tudo isso existe, tem evidência. A maior parte está disponível no SUS, gente.
Não troca tratamento que funciona por cura milagrosa. E quando bater a dúvida, pesquise em fontes sérias, no INCA, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Oncoguia, ou manda dúvida para a gente aqui na CBN e a gente responde. Até mais! Esse é o doutor Luiz Fernando Corrêa, que amanhã estará de volta aqui no Jornal da CBN.
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