Episódios de Política

Encontro entre Trump e Lula ocorre em momento de 'fragilidade interna' de ambos, analisa Eduardo Graça

04 de maio de 20267min
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Eduardo Graça fala sobre o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Inicialmente marcado para março, ocorrerá na próxima quinta-feira (7). O jornalista analisa o que se pode esperar do compromisso. Ouça.

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Participantes neste episódio4
V

Vera

Host
C

Carol Moran

Co-host
F

Fernando

Co-hostJornalista
E

Eduardo Graça

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • Lula e TrumpFragilidade interna de ambos os líderes · Pauta comercial e tarifas · Segurança continental e terrorismo · Minerais críticos e terras raras · Guerra no Irã e Venezuela · Interferência em eleições
  • Guerra no Oriente MédioTensão no Golfo Pérsico · Ataques mútuos e cessar-fogo rompido · Ameaças de Donald Trump ao Irã · Ausência de tratativas diplomáticas · Ataques de Israel no Líbano
  • Eleições no Reino UnidoImportância local e para o governo trabalhista · Pressão sobre o Primeiro-Ministro Sir Kiersterman · Avanço de partidos não tradicionais · Cenário político multifacetado
  • Crise Econômica no IrãAumento do preço da gasolina · Falta de narrativa de vitória para o governo Trump
Transcrição18 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

São 6 horas, 48 minutos, o Viva Voz está de volta. Eu estou aqui no Rio hoje com a Carol Moran. Fernando Andrade está conosco em São Paulo e já está conosco na linha o Eduardo Graça, que é o nosso comentarista das segundas-feiras, colunista e repórter especial do jornal O Globo. Boa noite, Edu. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Fernando, querido. Boa noite.

Hoje é meio mundo e meia hora aqui participando, né? O Edu já participou diversas vezes. Sim, com maior prazer. E vocês vejam que eles demoraram um tempão para marcar o encontro entre o Lula e o Donald Trump. Deixaram para fazê-lo na segunda-feira em homenagem e em consideração ao Edu Graça. Que assim ele pode nos explicar exatamente o que esperar desse encontro que está tão aguardado e demorou tanto tempo para ser marcado.

É, o que certamente eles não combinaram nem comigo, Vera, e nem com ninguém, é o fato desse encontro, que seria em março, acontecer quando os dois estão em momentos extremamente frágeis internamente. O Trump está com um recorde negativo de apoio nas pesquisas, 62% dos americanos.

na pesquisa do Ipsos desse domingo, é um recorde, disseram que ele faz um governo ruim. E o Lula aqui, dessa luta dele pela reeleição, com uma aprovação ali entre 36% e 45%, que é bem complicada, né? Para o Palácio do Planalto, esse encontro que finalmente vai acontecer, se ele der certo...

vai representar de uma certa maneira um alívio após essa série de reveses que o Lula teve aqui, especialmente ali no Congresso na semana passada. E os temas centrais que eles devem tratar, a princípio, porque com o Trump tem sempre a possibilidade de surpresas e quase sempre negativas, são a pauta comercial, o Brasil segue investigado.

pelos Estados Unidos por supostas práticas não idôneas, o que pode significar a imposição de novos tarifatos, o que o governo não quer de jeito nenhum. A segurança no continente, o governo Trump defende classificar o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas, algo que o governo Lula não concorda, inclusive, mas não só por isso, pelo receio de ser uma brecha para desrespeitar a soberania nacional.

O Planalto tem uma agenda própria nessa área para parceria com Washington, que passa por cooperação na inteligência, troca de informações sobre lavagem de dinheiro, inclusive do tráfico. Deve-se discutir sobre minerais críticos, as terras raras, e talvez dois temas delicados para os dois lados, que é a guerra no Irã, especialmente o futuro da Venezuela.

Tudo isso em meio ao que não é dito claramente, que é a possibilidade de intervenção do governo Trump de alguma maneira nas eleições aqui no Brasil. A gente viu essa interferência em vários países da América Central, na Argentina, recentemente na Hungria, sempre com manifestações de apoio, algumas delas bem diretas, a candidatos de direita ou extrema direita que se afinam com o trumpismo.

Edu, a tentativa do presidente Donald Trump de liberar a passagem das embarcações presas no Estreito de Hormuz a partir de hoje de manhã elevou ainda mais as tensões ali na região do Golfo Pérsico, né? Qual o cenário da guerra para os próximos dias?

É o pior possível, Carol. Os dois lados disseram hoje que atacaram alvos do outro lado. Esse cessar-fogo que está fazendo quase um mês, que já era frágil, hoje ele foi totalmente por água abaixo. Donald Trump, de novo, ameaçou destruir o Irã por completo, se ter atacar navios americanos que estão escoltando petroleiros e outras embarcações.

pelo Estreito de Hormuz, nesse cenário que a gente já comentou aqui de bloqueio do bloqueio. Os avanços dos dois lados hoje mostraram que o risco de uma escalada é imensa. E, de novo, eu acho que eu queria destacar aqui o não dito, que nesse caso é a ausência aparente de tratativas diplomáticas sérias, especialmente pelo lado de Washington.

Nesse fim de semana, enquanto a temperatura aumentava no Oriente Médio, inclusive com mais ataques de Israel no Líbano, o secretário de Estado, Marco Rubio, encontrou tempo para ser DJ em uma festa de casamento de amigos dele lá na Flórida.

Ou seja, mesmo com essa pressão enorme interna dos próprios republicanos, eu converso com vários deles que estão se preparando para levar um enorme tombo nas eleições de novembro, quando o Congresso vai ser renovado, com a gasolina que antes da guerra estava a 2,70 dólares, o galão está chegando a 5 dólares, o governo Trump parece completamente sem saber como é que saiu desse atoleiro em que ele se enfiou.

e sem encontrar uma narrativa de vitória em casa, para vender em casa, Carol. Enquanto isso, mesmo com a crise econômica lá, ainda pior do que antes dos ataques dos Estados Unidos e Israel, Teheran vai sobrevivendo por absoluta falta de opção e fazendo essa aposta de quem vai piscar primeiro dos dois lados.

Edu, nessa semana, na quinta-feira, o Reino Unido irá às urnas para as eleições para os parlamentos de Escócia e país de Gales e locais na Inglaterra. Qual que é a importância dessa disputa lá? Parece uma importância, Fernando, só local, mas ela é muito importante para o futuro do governo trabalhista, do primeiro-ministro Sir Kiersterman. Se, de fato, os trabalhistas levarem a coça que é esperada...

que as pesquisas estão mostrando, vai ser muito complicado para ele só ter eleições gerais no Reino Unido em agosto de 2029. A pressão vai ser muito grande para que ele passe o governo do Reino Unido para o povo decidir se continua ou se não continua. E além disso, deve-se ter um avanço muito grande de partidos que não são os dois partidos tradicionais que a gente acostumou a ver ocupando o governo do Reino Unido, os conservadores e os trabalhistas.

Há dois outros partidos, três outros partidos, na verdade, o Reform UK à extrema direita, os liberais democratas, os Lib Dems no centro e os verdes à esquerda, que devem ganhar muito. Talvez o que a gente veja nessa quinta-feira é a transformação do Reino Unido em algo mais parecido até com a cena política brasileira, fragilizada, multifacetada, com várias opções e ninguém, de fato, com um comando total.

É isso, Eduardo Graça conosco todas as segundas-feiras, decifrando a intrincada política global, geopolítica. Obrigada, Edu. Até semana que vem. Obrigado, um abraço, um prazer. Tchau, Edu. Tchau, tchau, Edu. Tchau.