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GRINGO FAZ ISSO? | Fofoca Na Calçada

20 de junho de 20261h36min
0:00 / 1:36:16

Viajar é se fuder. E por isso mesmo nós valorizamos os perrengues dos ouvintes que viveram experiências de quase vida no exterior, ao custo de trazerem a este humilde podcast os relatos maravilhosos que vocês vão ouvir quando derem o play. BORA?

E VOCÊ PODE NOS APOIAR FINANCEIRAMENTE COM UMA PEQUENA QUANTIA E SE TORNAR OUVINTE PAGÃO, MEMBRO DO NOSSO GRUPO DE TELEGRAM ONDE ROLA AMIZADE E FOFOCA 24/7. Vem pelo apoia.se/hojetempodcast

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Participantes neste episódio2
S

Speaker A

Host
S

Speaker B

HostJornalista
Assuntos4
  • Mídia e FofocaCompartilhamento de histórias pessoais · Exposição de relacionamentos · Crítica a comportamentos inadequados
  • Viagens InternacionaisExperiências em Londres · Aeroporto de Londres · Comportamento de brasileiros no exterior · Imigração e vistos · Diferenças culturais em viagens · Acomodações na Irlanda · Problemas com encanamento em viagens · Viagens para a Austrália
  • Fraudes FinanceirasStartup de tigrinho · Golpes em aplicativos de investimento · Fraudes em concursos públicos · Golpes de hospedagem · Indústria da criança
  • IA na arte e músicaMúsica experimental e indie · Estética musical de MCs · Canto gregoriano · Escultura de genitálias · Garimpo de objetos em riachos
Transcrição413 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
?Voz A

É você mesmo, fofoqueira!

?Voz B

Não se vença não! Mirella, corre aqui!

?Voz A

Fofoqueira do inferno!

?Voz B

Baixaria você!

?Voz A

O quebra-pau foi grande, né?

?Voz B

Foi grande, se ela vir tem outro de novo!

?Voz A

Fofoqueira do inferno!

?Voz B

Traz a cadeira, menino! Hello! Sentiram saudades? Pois é! Antes de mais nada, deixa eu interromper a algazarra pra fazer um recado clássico. Porque este podcast não roda com fé ou otimismo. Pelo contrário, nem Glau nem eu somos otimistas, nem gostamos da vida. Ele tem gente trabalhando em roteiro, em edição, em contabilidade, em hospedagem. E tudo isso tem um boleto com vencimento certinho, todo mês. Igual uma decoraçãozinha de presépio.

Então, se o Fofoca na Calçada já te fez companhia num trajeto chato de ônibus ou pela estrada, viajando. Uma rotina de domingo, ou só te tirou um riso besta no meio do dia ruim na academia, é hora de retribuir este carinho com uma contribuiçãozinha. Tem o apoia.se/hojetempodcast para você que mora no Brasil, e para quem tá vivendo o sonho gringo, que recebe em dólar, em euro, em iene, tem o patreon.com/hojetem. Os links estão lá na descrição do episódio, prontinho para você clicar.

E apoiando, você entra direto no grupo do Telegram mais bagunçado gostado e gostou. Vocês se comportaram, pagãos, nessa nossa ausência, mais ou menos? Onde moram? Moram porque eles não saem de lá, os ouvintes pagãos. Eles nos pagam, eles nos apoiam, eles financiam essa bacharia, tá? Dá para participar das gravações ao vivo, tipo essa que tá acontecendo agora, com essa plateia que é a cara do Brasil. Mas se o bolso está curto como uma calça da Diesel, ninguém vai te cobrar nenhum dízimo na marra.

Gostaríamos, né? Gostaríamos de cobrar, de fazer Pagamento coercitivo, como milicianos. Já pensou, Glau, a gente miliciano? Seria tudo.

?Voz A

Eu já pensei muitas possibilidades para a gente, amiga.

?Voz B

Tá, legal.

?Voz A

Milicianos é uma delas.

?Voz B

Legal, eu também. Você ainda pode ajudar muito só compartilhando esse episódio, gente, no seu Instagram, no seu Twitter, no seu Blue Sky, no seu Threads, marcando a gente nos stories, nas redes sociais, deixando 5 estrelinhas no aplicativo de áudio e ativando o sininho, claro, para você nunca perder nenhum episódio novo. Qualquer gesto desse já é uma baita ajuda. Dito isso, vamos de programa?

?Voz A

Vamos de programa!

?Voz B

Pois vamos! E aí, povo abençoado, que tá em clima de Copa do Mundo, que começou a Copa do Mundo, passando vontade de viajar para interagir com um monte de gringo? Hoje a gente tira o pé do Brasil e dá um pulinho pelo mundo sem sair da calçada, porque É porque o tema da vez é: gringo faz isso? Porque sim, gente! Trapalhadas humanas não respeitam fronteiras nem fusos horários. Hoje é dia de ouvir coisas de quem mora fora, de quem morou fora também.

?Voz A

Ah, d'accord. O couvert est retourné là-bas.

?Voz B

De quem viajou, não é Calixto, ou só foi visitar uma tia em outro continente, mas presenciou uma cena incrível de grande embaixada acionada. Estão preparados?

?Voz A

Eu tô preparada, amiga. Que prazer poder viajar pelo mundo através das fofocas, quer dizer, das partilhas que contam perrengues que não são meus. E bom, como sempre, antes de embarcar nessa viagem internacional de deboche, lembrando que todo nome real foi trocado por celebridade ou personagem aleatório, porque aqui ninguém é exposto, só compartilhado com carinho e ética fluida. Tem caso de gringo fazendo arte fora do Brasil? Manda pro contato @hojitempodcast.com.

Ah não? Você tem um babado forte, mas é sobre a sua prima do interior ou seu ambiente de trabalho? E tá se trancando por quê? Manda do mesmo jeito. Enquanto isso, do lado de cá, a mala já tá sendo despachada. Então amarra o cinto que esse episódio decola agora.

?Voz B

Gatilhos everywhere!

?Voz A

É, gatilho, gatilho, gatilho. Link ao vivo da rua. Link ao vivo da street.

?Voz B

Da street, from the street. Street. Eu estive em Londres, eu não vou falar o que eu passei em Londres, eu só posso dizer que eu sofri mais que a Juliette, tá? Todos os ouvintes pagãos aqui presentes, eles ouviram o meu sofrimento. Eu peço desculpa mais uma vez, eu tirei uma hora dos pagãos para contar o que eu passei em Londres.

?Voz A

Tá todo mundo com um texto na mão.

?Voz B

Tô com muito orgulho de mim, porque vocês sabem que eu sofri mais que a Juliette.

?Voz A

Sofreu.

?Voz B

E que eu fui profissional. Profissional nos stories. Profissional. Mas, amigo, eu quero... Eu vou deixar o meu sofrimento pra depois do processo. Porque vai ter processo. Eu vou te processar! Mas eu vou contar a volta, que eu acho que essa é muito interessante. E Renata, nossa mente de titânio, me lembrou.

?Voz A

Vamos lá.

?Voz B

Vamos. Depois de tudo que eu passei de perrengue em Londres, eu fui no voo da volta, um voo tranquilo. Obrigada, empresa, que me botou num voo direto. Sentei... Não, mentira, amigo. Antes de sentar... Ai, que ódio. Cheguei, porque eu sou muito cachias de aeroporto. Eu cheguei com 4 horas de antecedência. Fiquei perambulando pelo aeroporto, fiz os negócios, despachei mala. Aí eu inventei de sentar, só tava eu. Parecia aquele filme do Tom Hanks, só eu lá no saguão inteirinho.

?Voz A

O Náufrago?

?Voz B

Não, menino, o filme do aeroporto.

?Voz A

Ah, tá. Achei que era o da ilha.

?Voz B

O Terminal, obrigada, Renato.

?Voz A

O Terminal, perdão.

?Voz B

O Terminal. Fiquei só... Gente, juro, sozinha, só eu. Eu lá no aeroporto de Londres, eu e a placa dizendo portão 36. Aí chegaram dois rapazes claramente brasileiros. Como que eu sei que eram brasileiros? Um, tá, o outro não, o outro era um gringo, mas o outro claramente brasileiro. Como que eu sei? Eu vou fazer a descrição física e vocês vão realizando no pensamento de vocês. Camisa colada, camisa social colada, tentando emular—

?Voz A

Bola Polo?

?Voz B

Não, social. Tentando emular um ombro, um Bíceps ali apertada para espremer, para ver se sai, quase como espinha, um músculo. Cabelo de gel, cabelo fofo, alto, de gel, liso para trás.

?Voz A

Topete Odete Reutemann.

?Voz B

Barba na régua. Dentes de lente. Cara de Cafuçu, fubango.

?Voz A

Cotovil.

?Voz B

Calças justíssimas. Cinto com fivelão.

?Voz A

E um relojão.

?Voz B

Um relojão.

?Voz A

É claro, né?

?Voz B

E aí, eu amo que... Essa parte eu não contei pra Renata. Eu amo que eu tava sentada do lado da torrezinha que tinha o número ali do portão. E que tem tomadas, né? E aí, ele todo metido a rico, com um iPhone cuja entrada é a antiga. E eu tinha a ponteira. Eu ando com múltiplos fios. Aí ele falou assim: "Ih, aqui só tem entrada USB-C, é, pra carregar?" Aí eu: "Uhum." Aí ele falou assim: "Poxa, minha antiga." E eu tinha, amigo. Mas eu olhei ele de cima a baixo e eu não quis.

Vou, não quero, não. Carregar o celular de um provável legendário. Eu não quis ajudar. Sim! E é bom, eu me senti tão bem sendo cruel. Aí tá, ele tava com esse amigo dele gringo. E aí, gente, me deu um ranço. Porque esse cara gringo é um cara belga. E esse cara belga era um cara... Muito bonito, muito bonito, muito bonito, lindo. Parecia um príncipe da Disney, todo vistoso, todo bonito. 1,96m de homem, com rosto bem princesa Disney.

E esse Jurandir— Jurandir era a palavra, não era Cafuçu que eu queria, era Jurandir. Esse Jurandir ficava babando ovo, amigo, do gringo o tempo todo, que eu achei um pouco estranho.

?Voz A

Mas faz parte, né? Faz parte desse perfil de pessoas, eu acho, tentar um amigo amigo gringo. Sim, tal qual alguém ostenta um cachorro de marca, né? Ele ostenta o amigo gringo.

?Voz B

E começou a me dar cringe de ver, porque ele fazia assim. Aí começou a chegar brasileiros ali no portão, né? Aí os brasileiros sentados e tal. E aí ele quis se exibir para os brasileiros com amigo gringo. Aí ele falava assim: Cadê? Fala aí alguma coisa para eu ver se o teu sotaque ainda tá pegando. E o gringo falava português fluente, mas você via que ele falava lá no fundo, tinha um negocinho, mas ele falava fluente. E aí ele falava: "Fala aí, agora deixa eu ver teu passaporte belga." Só que assim, gente, eu tô falando baixo.

Ele falava nessa altura assim, ó: "Posso te chamar de canário belga? Posso te chamar de canário belga?" Ai, gente, pelo amor de Deus. É canário belga, porque é canarinho e é belga. Da Bélgica, é da Bélgica ele. E tava me dando muito cringe, muito cringe. E aí, pra completar, amigos, ele fazia uma coisa com a boca que eu vou pedir até perdão pra todas as pessoas com vulva. Ele começou a imitar o barulho de uma vulva... Sendo metida e tirada com a boca.

Ele começou a fazer um barulho assim, eu não sei fazer. Ele ficava imitando e o amigo belga fazia. E aí eu fiquei, gente, meu Deus, Saulo dizendo, gente, olhem para mim, eu tenho o quê? Eu tenho um amigo belga. Era isso, era isso, gente, olhem para mim, eu tenho amigo belga. E ele, amigos, ele ficava o tempo todo. Ai, gente, era desesperador porque assim, a cada 3, 4 frase, ele fazia. Aí o amigo: "Ahahaha!" Sim, gente. Aí eu tava com tudo de saco cheio, eu falei assim: "Eu vou me levantar daqui, vou comer algum negócio." Saí. Afinal, tenho 3 horas ainda. Voltei, hora da chamada.

?Voz A

Pessoal tá dizendo aqui que tá com pena do Belga. Se é amigo, então deve ser parecido, gente. Não tenho pena não.

?Voz B

Pra mim, perdeu 60% da beleza nessa brincadeira. Aí, amigos, chegou a hora de embarcar. Eu esperei todo mundo entrar, porque eu tenho um pensamento assim: não é cadeira marcada? "Por que que eu vou pegar uma fila tão grande?" Aí, eu também não tava com mala dessa vez, sabe? Eu tava só com a minha mochilinha, que eu ia botar embaixo, na frente. Aí eu deixei todo mundo entrar. E nada desses filha da puta entrar. E aí, eu pensei: "Bom, eu não quero chegar perto deles, não aguento mais ouvir eles.

Eu vou logo entrar nessa fila." Então, contra a minha vontade, eu entrei na fila, amigos. Eles entraram atrás de mim. E eles foram a imensa fila fazendo... Não sei imitar. "Deixa eu ver teu passaporte, canarinho belga. Canário belga, o canário belga." "Inferno!" Que é canarinho e é belga, da Bélgica.

?Voz A

Mas era só eles dois ou tinha mais gente fazendo boca de prequito?

?Voz B

Não, só eles fazendo boca de prequito. Só eles não, o belga fez umas duas vezes e parou, mas ele ficava repetindo isso. E o belga ficava rindo já amarelo assim. E já tava muito chato, e eles dois andando atrás de mim. Eu: "Puta que pariu, eu vou ter que ouvir esse finger todinho, esses caras." Beleza, gente.

?Voz A

Meu Deus, gente.

?Voz B

Cheguei na minha cadeira, sentei. Justamente quem tava do meu lado?

?Voz A

O belga, pelo menos.

?Voz B

Os dois. Ah... E foi muito pior do que... Eu devia ter agradecido a Jesus por esse trajeto até ali, porque foi muito pior, amigo. Eu tava exausta, sabe, gente? Porque o meu voo foi de manhã cedinho, então eu não dormi direito, porque a gente não dorme, nananã... Chegar com 4 horas de antecedência e despachar, porque as bostas dos aeroportos da Europa... Enfim, aí, amigo, simplesmente ele senta do meu lado e fala assim... Ele fica...

Sabe gente que dá satisfação? Fala dando satisfação, aí ele falou assim: "tirar uma selfie aqui pra mandar pra patroa, senão ela surta". Não, era com outro sotaque, era assim: "tirar uma selfie aqui pra mandar pra patroa, senão ela surta". E assim eu descobri que ele era de Santa Catarina. Ana, claro que era, claro que era! Um sotaque bem santa-catariner. E aí ele tirou uma selfie, amigo. Como você acha que foi essa selfie? Sentado do meu lado, com o avião todo escuro. Como você acha que foi? Com o avião todo escuro.

?Voz A

Flashzão aqui, pegando você. É óbvio.

?Voz B

Sim, sim, um flash na minha cara. E aí ele mandando, ai que raiva, ele sorrindo assim, ele falando assim. Aí ele terminou de mandar e falou assim: "Mandei ver se ela se acalma." Ah, meu Deus, cadê o corno do teu marido?

?Voz A

Ela tá ali tirando foto, tá tirando foto no escuro com canarinho belga.

?Voz B

Não, gente, a obsessão dele em falar, falava para o cara assim: "E aí, você é bonitão, hein, todo belga, vai fazer maior sucesso com as mulheres." Aí tá, continuando. Ele... A Laís não tá se aguentando, tá passando raiva desde que nós ligamos essa câmera aqui hoje. E ela tá com a faca na mão. Cuidado, viado! Aí tá, gente. Do nada, eles falando, o avião tava todo escuro, tá, Brasil? Eles estavam falando muito alto. Eles estavam falando alto nesse volume aqui.

"E aí, cara, quando é que você quer, não sei o quê?" "Lá lá lá lá lá." O avião silencioso. As pessoas só queriam dormir. Seriam 12 horas. Tinha um bebê atrás de mim. Quando eu vi esse bebê, eu confesso que eu pensei assim: "Puta que pariu, o bebê vai chorar a viagem todinha". O bebê foi em silêncio.

?Voz A

O bebê... Olha, gente, o bebê tendo noção, né.

?Voz B

E esses fela da gaita, falando alto assim. Aí do nada, amigo, eles faziam umas piadas internas. E o que eles faziam? O que eles faziam? Do nada eles faziam isso, do nada. Aí do nada eles faziam assim: "Ahahaha". Tudo escuro, as pessoas começaram a olhar. Aí, no meio dessas conversas aleatórias, ele fala assim: "Pô, cara", pro Belga. "Pô, cara, tem que subir a montanha. Bora comigo?" Eu não tô brincando, eu não tô fanficando. Eu juro pela paçoca, eu juro pela entes da minha família que ele falou isso.

"Pô, cara, tem que subir a montanha." E aí, eu acho que o Belga se ligou e falou assim: "Que mané montanha? O quê?" Aí ele: "Vamo, cara, é importante." E aí eu pensei: "Meu Deus, eu estou diante de um bingo sendo gabaritado, bingo de Santa Catarina." Amiga, o Walsy Carrasco deu uma dica.

?Voz A

Que dica? Na próxima fale: amigo, eu acabei de enterrar minha mãezinha.

?Voz B

O que que tem a ver? Como assim? Não entendi.

?Voz A

Pra constranger a pessoa, ver se ela cala a boca.

?Voz B

Ah não, mas eu dei meu nome, gente. Eu fiz assim, eu falei assim, quando eles estavam rindo demais e fazendo tch tch, eu falei assim: oi, qual teu nome? Desculpa, qual teu nome? Aí ele falou: Márcio. Márcio. Aí eu falei: Márcio, cala a boca um pouquinho, tô querendo dormir. Ai, ai, ai. Aí tá, rolou isso. E aí eles baixaram o volume, mas continuaram fazendo... Aí tá, teve o momento... Calma, teve o momento do legendário. Aí teve o momento...

Ai, agora é o momento mais caótico, que é o do... Aí que eu fiquei puta. Foi depois disso que eu falei: "Márcio, cala a boca um pouquinho que eu tô querendo dormir". Foi na hora, amigo, que ele falou... Ele ficou vendo o Instagram, porque a gente ainda tava taxiando o avião, tá? Tava tudo escuro, era para a gente já dar uma dormidinha, começo da tarde, apagaram todas as luzes. Até a comissária falou assim: "Fecha a janela", né?

Elas passaram falando: "Pode fechar a janela para todo mundo?" Aí alguma pessoa falou assim: "Por quê?" Aí ela: "Porque eu preciso que vocês durmam." E eu entendi a dica, gente. 12 horas tem que realmente fazer esse povo todo dormir. E esses fela da gaita estavam ainda no celular. Aí esse catarinense começou a ver o Instagram e eu não pude não ver porque estava brilhando na minha cara. E o Instagram dele era só foto de meninas de biquíni na lancha, homens de sunga na lancha, meninas no shopping com sacola de luxo, homens diante de um carro de luxo, relógios, relógios, relógios.

Aí ele parou em um e falou assim para o belga: "Você tá ligado do fulano de tal?" E mostrou a foto do cara na lancha de óculos escuros, bem "nós vai descer para BC". Aí o belga falou assim: "Nah, acho que sim." Aí ele falou assim: "Cara, "O cara tá nadando na grana, montou uma..." Atenção, audiência.

?Voz A

"Startup de tigrinho." É assim que estamos chamando agora?

?Voz B

É assim que em Santa Catarina tá chamando. É startup de tigrinho. E aí, graças a Deus, o gringo falou assim...

?Voz A

Start Tiger.

?Voz B

O gringo falou assim: "Puts, sério?" Aí ele: "Não, cara, o cara tá nadando na grana, olha aqui." Aí começou a navegar pelo Instagram do cara aleatório, cheio de luxo. Aí falou assim: "Eu tô pensando realmente em empreender com startup de tigrinho." Em algum momento eu pensei que ele tava me zoando, que era um personagem, que era pra fazer constrangimento, haha. Mas enfim, graças a Deus, o belga falou assim: "Não, cara. Não, tigrinho é golpe.

Ao menos." E foi aí que eu falei: "Qual o seu nome?" "Márcio." "Márcio, cala a boca um pouquinho que eu tô querendo dormir." Cala a boca! E aí, graças a Deus, uma velha do outro lado, que a gente tava na poltrona do meio, que são 4, Eu tava eu, insuportável e amigos insuportáveis. E tinha uma senhora aqui na ponta. Aí a senhora, graças a uma anja, quero mandar um beijo, dona Anja. A dona Anja disse assim: "O meu marido sentou bem longe de mim, eu preciso muito ficar perto dele, será que eu posso trocar com vocês?" Aí o belga também acho que não tava querendo mais ficar ali perto do cara, o belga falou: "Eu vou." Então dona Anja, muito obrigada, trouxe o senhor idoso, ficaram um casal de velhinhos lá, o insuportável teve de ficar quieto.

E eu fiz uma coisa que eu nunca pensei que eu faria na minha vida: eu fiquei me mexendo a noite toda quando ele tentava dormir. Eu me mexia, eu me ocupava do braço, eu fui um homem, eu agi como um homem. Então é isso, eu estou de parabéns. Concluindo, estou de parabéns pelas minhas atitudes.

?Voz A

Eu acho que é pouco. Sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim. Fiquei pensando, se o Tigrinho é um startup, o Bingo é o quê? Cartel de empresas? Fica aí o meu questionamento. Sim, amiga, como eu sei que você passou por um transtorno na sua viagem, eu me compadeci e vou então contar do meu transtorno, que tá fresquinho aqui na mente, tá? E aí é até legal, porque eu escrevi no roteiro o nome da partilha como Deu Tudo Errado, e foi basicamente isso mesmo que acontece.

Estava eu finalizando o semestre. E aí fui convidado pra participar de umas bancas de TCC lá em Fortaleza. Isso sempre acontece, né? Eu sempre tô contando quando eu vou pra banca de TCC em Fortaleza. E aí, isso foi semana dos dias dos namorados, então eu já tava indo trabalhar nesse dia, falei: "Ah, vou ficar em Fortaleza numa pousada." Chique. De lá eu volto pra minha cidade pra trabalhar em Quixadá. E aí combinei tudo direitinho.

Estava indo com os colegas professores, a gente tava fofocando e tal. No meio do trajeto eu recebo uma mensagem da pousada, pousada que eu já fico há muito tempo. A mensagem é a seguinte: Olá, seu Claudemias, então eu só queria dizer para você, isso era dia 11, eu só queria dizer para você que não vai dar para o senhor ficar hoje aqui na pousada, deu um erro com alguns hóspedes. E aí a gente vai estar fazendo uma coisa legal para você, que a gente vai colocar você num num flat, num flat bem legal, bem perto da Beira-Mar.

Eu falei: "Ai, pensei, gente, isso é um sinal, vai dar tudo certo." Não é aquele flat que você entrou, já tá na varanda, não?

?Voz B

Aquele estreito, aquele que mede uns 30 centímetros?

?Voz A

É...

?Voz B

Não, em frente ao aterro.

?Voz A

Isso, isso, amiga!

?Voz B

Meu Deus, é o flat das putas! É cheio de puta!

?Voz A

E eu não sabia, eu não sabia.

?Voz B

A minha!

?Voz A

Eu falei: "Que legal!" E legal é porque embaixo desse flat tem uma loja de crianças, né? Enfim, fui eu pro flat, o flat das putas, sem saber então que era o flat das putas, o flat do job. Aí quando eu cheguei no flat das putas, isso era dia 11, pensando eu: "Cara, dia 12 vou ver aqui se eu descolo com meu contatinho, um datezinho, vai dar tudo certo, vai dar tudo certo." Cheguei no flat... Entrei lá, começou a dar errado, porque eu falei: ué, não é tão legal assim como prometeram, tem mofo em algumas paredes, não é tão grande assim, mas tudo bem, é só por hoje.

Aí, no momento que eu tô entrando no flat, eu recebo uma mensagem da mulher do flat, né, que ela fala assim, a nossa, a Dona Beth Faria, vou homenagear aí a Beth Faria, a flat Faria: Oi, seu Claudemir, tudo bom? Eu falei: Oi, Dona Beth, tudo bem. Aí ela falou: Então é o seguinte, É o seguinte, você vai ficar hoje por aí, já conversei aqui com a Regina Duarte, que era a moça lá da pousada, ela me explicou tudo e aí a energia fica por tua conta, tá?

?Voz B

Hã? Tá, vai pegando. Calma, você falou tá pra uma frase dessa?

?Voz A

Era de noite, eu falei não, ok. O que eu pensei? Energia é o quê? Se eu ligar a geladeira, alguma coisa do tipo, eu vou pagar. Não vou usar nada disso, eu vou só dormir aqui e amanhã...

?Voz B

Amigo, isso não é normal não, você pagar as contas de luz...

?Voz A

Falei: calma, que melhora. Amanhã cedo eu vou embora. E aí assim fiz. Aí o que foi que eu fiz? Ah não, meu celular tá descarregando, vou colocar aqui meu celular para carregar. Coloquei meu celular para carregar à noite, né? Eu tinha que sair desse flat meio-dia. Aí acordei, era perto da beira-mar, né? Fui dar uma passeada. Eu falei: ah, vou aqui aproveitar, vou viver a Helena que habita em cada brasileiro. E fui assim, caminhei até dar hora, o meio-dia.

Deu meio-dia, eu voltei do flat. E aí quando eu tô fechando as coisas lá, o moço fala assim: "E aí, o senhor gostou da estadia?" Eu falei: "Olha, não tanto, porque tem esse porém também, tá?" Assim, mesmo de frente ao flat que eu tava, tinha a porra de um bar que não parava a madrugada inteira tocando as piores músicas, as piores versões que alguém pode fazer, tava tocando nesse bar. Falei: "Olha, só um pouco barulhento, mas deu certo, né?

Nunca também não ia dizer que era bom." Aí ele falou: "Ah, você prefere aqui ou na outra pousada?" Eu falei: "Na outra pousada, né? Até porque eu paguei para ir para lá." Aí eu fechei lá Tudo com ele quando eu cheguei na outra pousada e recebi uma mensagem da Dona Beth Paris dizendo assim: Oi Claudemir! Tudo bom? Deu tudo certo? Eu falei deu sim. Aí ela disse então é R$15 tá? Aí eu falei 15 reais o quê dona Beth? Você usou energia né? Eu falei sim, carreguei meu celular. Ela então é R$15?

?Voz B

Não não não não não não não...

?Voz A

Sim?!

?Voz B

Com base em que relógio dona Maria!?

?Voz A

E aí eu falei tá... Então tá... Eu pensei gente—

?Voz B

"Mas realmente, o estreito de Ormuz está atingindo níveis geográficos absurdos." Aí eu falei: "Vai dar tudo certo." Isso era dia 12.

?Voz A

Falei: "Vai dar tudo certo, eu vou pagar esses R$15, eu vim preparado." Falei: "Tudo bem, Dona Beth, é isso. Nunca mais eu vou entrar aqui." E fui pra pousada. Quando eu chego lá, sou recebido por Dona Regina Duarte. Fala assim: "Você pode vir merendar aqui, viu, Claudemir?" Eu falei: "Tá bom." Cheguei lá, a merendeira falou: "Olha, mas o quarto ainda não tá pronto." Falei: "Beleza, eu vou então só me trocar que eu tenho que sair pra banca de TCC." Aí realmente, né, eu saí, fui pra banca de TCC.

Detalhe: tava tudo dando errado já da estadia, mas na banca de TCC o arquivo deu uma corrompida, quase que eu não consigo corrigir, então eu me estressei com isso, mas consegui, participei, demorou as bancas pra terminarem, voltei, não consegui sair com ninguém. Então já me estressei, porque meu dia dos namorados foi uma merda.

?Voz B

Mas tu ficaria com alguém no dia dos namorados de boa? Só ficar?

?Voz A

Amiga, não, no dia 13, né. Eu tava marcando pro dia 13, na verdade.

?Voz B

Ah, tá, porque a pessoa pode entender errado.

?Voz A

É, a pessoa entenderia super errado. Então eu sempre marco pra um dia depois. Mas eu já sabia que não ia dar certo em nada. Eu falei: "Vou pelo menos pra pousada". Cheguei na pousada, a dona Regina Duarte olhou pra mim e falou assim: "Seu Claudemir, você não vai ficar aqui hoje de novo". Aí eu falei: "Como assim?".

?Voz B

Meu Deus!

?Voz A

Ela falou: "Então, ainda deu erro". Com os hóspedes, né? E aí a gente não arranjou o seu quarto, mas você vai ficar num hotel muito legal. E ela me mandou um hotel incrível, incrível, amiga, era incrível, incrível! Ela falou: eu vou pagar o Uber, você vai para lá. E assim eu falei: cara, vai dar certo! Sentei lá e falando com todo mundo, falei: gente, é o seguinte, eu vou me avisando as pessoas, né, porque eu não sou de Fortaleza, vou para outro lugar, aparentemente é muito legal, mas vão ver as fotos.

Mas deu tudo certo. E assim, fiquei conversando, deu uma hora, deu duas horas eu sentado, e aí a Dona Regina Duarte sentada, o Seu Ari Fontoura, o esposo dele, também sentado. Eu falei assim: aí, Dona Regina, deu certo? Ela falou: Glaudemias, então não deu não. Tu se incomoda de ficar no flat de novo? Eu falei: claro que sim, Dona Regina Duarte, claro que sim. Mas é muito ruim, Glaudemias. Eu falei: lá é péssimo, lá é horrível, lá foi o pior lugar que eu já me hospedei.

Aí ela olhou assim: "Glaudemias, por favor, é só por hoje, eu juro a você que é só por hoje." É um processo de mentira atrás de mentira. Falei: "Não tem outra opção." Ela falou: "Não, eu não tô conseguindo falar com ninguém, não sei o quê." Tentei falar com o pessoal de Fortaleza pra me dar um abrigo, que eu já tava querendo ir pra casa.

?Voz B

Você casga aqui, Dona Regina? Você não se incomoda de apanhar?

?Voz A

Aí ninguém conseguiu, ninguém conseguiu me dar abrigo, porque o pessoal inclusive não tava recebendo pessoas na casa dele. Então assim, Eu tava à mercê da Dona Regina Duarte e da Dona Beth Faria. Eu falei: "Tá bom, a senhora pede o Uber pra eu ir pro flat, infeliz, de novo, só por hoje." Ela falou: "Seu Claudemias, não precisa, é aqui do lado, você vai andando." Fui de noite, de Fortaleza, andando pro flat que eu não queria ir.

Entrei nessa merda desse flat, o bar tocando ainda mais alto. Quando eu entrei, sentei assim, já quase chorando de raiva. Aí a dona Beth Faria, dona do flat, manda mensagem para mim: "Oi, seu Claudemir, tudo bem? Você teve que ir para aí de novo, né? Então eu só queria te falar que é R$150." Oi? "Mas para ti eu faço R$130." Porque ela é amiga. Aí eu falei assim: "O quê? Que é R$130?" Eita, cabunda! Aí eu já desespero, que eu falei: "É R$130 o quê, dona?" Isso ela mandou por áudio, eu liguei para ela.

Aí ela falou: "Oi." Eu falei: "R$130 o quê?" Gente, do homem curingando. Eu falei: R$130 o quê, Dona Beth Faria? Que a senhora vai me cobrar? Não, é a sua estadia. Eu falei: Meu amor, eu não queria estar no seu flat, eu estou aqui contra a minha vontade, mas eu vou resolver isso agora. Aí desliguei na cara dela.

?Voz B

No seu flat.

?Voz A

Aí liguei para Dona Regina Duarte, falei: Aí ela: Alô. Eu falei: Olha, eu não vou pagar. E ela: Vai pagar o quê? Eu falei: Eu não vou pagar, essa mulher está me cobrando aqui R$150, baixou na amizade para "Isso não faz sentido, eu não sou daqui de Fortaleza, eu não moro aqui, se não der pra mim ficar na sua pousada você vai me dizer até amanhã porque eu preciso ir embora e eu não vou pagar nada, você se vire e eu quero meus R$15." Aí eu desliguei na cara dela.

?Voz B

Hahaha.

?Voz A

Eu desliguei na cara dela e aí recebi as mensagens de que eu ia receber meus R$15 de volta e que eu não iria ter que pagar. Eu enlouqueci, amigo.

?Voz B

Graças a Deus, amigo, você passou um perrengão.

?Voz A

Foi um perrengão do caralho e foi péssimo. O flat, gente, era horrível. É de fato, é o flat das putas. Nesse dia também fui um pouco puta, me senti a pessoa mais humilhada, mais fodida de Fortaleza.

?Voz B

Você também saiu puto.

?Voz A

É isso, que inferno, que inferno, amigo.

?Voz B

É a fábrica de putas.

?Voz A

Essa merda é proibido ficar de pau mole. Foi um inferno. Foi o inferno. O final feliz foi que aí eu consegui fazer algumas coisas lá na Fortaleza, visitei algumas, voltei pra casa, estou bem, mas nunca mais.

?Voz B

O final feliz foi o final?

?Voz A

Não, o final foi que chegou ao fim. Nunca mais eu me hospedo na porra daquele flat ou da pousada. Aí ela disse assim: "O senhor vai me desculpando o transtorno." Eu falei: "Foi muito transtorno, né, Dona Regina?" Foi muito transtorno.

?Voz B

Eu gosto que ela não pede desculpa, ela te dá uma ordem: você vai me desculpando, vai me desculpando aí o transtorno, transtorno, você vai me desculpando.

?Voz A

Ai, meu Deus, mas foi isso, mas foi isso, passou, amigo, estamos a salvo, estamos, estamos, mas a que custo, né? Mas para Deus vocês são pequenininho. É, e assim, às vezes, gente, não tem sinal nenhum mesmo não, às vezes o sinal seu celular, que tem que estar sempre com o celular pra você pedir apoio, pedir ajuda. E é isso, é isso aí.

?Voz B

Muito bem. Tu é gêmeos, amigo? Não é não?

?Voz A

Não, eu sou sagitário.

?Voz B

Estão falando aqui que é infernal astral.

?Voz A

Olha, e aí, gente, eu já não sou muito crente da astrologia. Nessa semana, a porra do Instagram ficava aparecendo pra mim: Sagitário, essa semana é tua, hein?

?Voz B

Essas coisas.

?Voz A

Mas é tudo teu. Eu só não sabia que era tudo de ruim nas minhas costas.

?Voz B

Tudo ruim, tudo teu. Não, eu não sou gêmeos não, tão falando aqui, eu sou Câncer. Eu tenho Câncer? O meu signo é a minha doença.

?Voz A

É isso, chega.

?Voz B

Sinais.

?Voz A

Chega, basta.

?Voz B

Mas eu realmente pude estar num inferno astral sim, estou num de Câncer sim, mas não acredito não.

?Voz A

Não, chega, chega, chega disso, chega disso, já chega, vamos ser descrente, essa é a verdade.

?Voz B

Sim. Bom, pois desse lindo desabafo, né, amigo, vamos pro Paulo Freire.

?Voz A

Apaga a luz aí da empatia agora, acende o holofote da cobrança, porque chegou aquele momento em que a gente larga de ser gentil. Eu já não tô mais faz um tempo.

?Voz B

Eu também não.

?Voz A

E vai direto pro tribunal da fé cega.

?Voz B

Eu tô com tanta pena do Paulo Freire, de olho Eu vou descascar, eu nem li, eu já vou descascar.

?Voz A

As costas vão estar quentes.

?Voz B

Vai, a chinela vai queimar.

?Voz A

É bom que as costas estejam quentes. Paulo Freire, você prometeu. Aqui é onde a gente recebe as histórias de quem teve toda a educação do mundo à disposição e mesmo assim decidiu confiar igual criança em Papai Noel de shopping. Mandou o currículo, mandou o Pix, mandou o coração e recebeu de volta só decepção embrulhada em "Era pra ser surpresa". Empresa. Se você também já confiou no errado, manda essa prova de fé partida para o contato @hojitempodcast.com.

?Voz B

E lembrando, como manda o regimento interno dessa congregação, todo nome verdadeiro aqui tem que ser substituído pelo de uma celebridade, uma pessoa pública ou um personagem que nunca teve nada a ver com a tragédia contada. Porque a gente protege identidade, mas a gente não poupa a sua vergonha não. Paulo Freire prometeu consciência crítica pra esse país e o que a gente recebe na caixa de entrada é gente que confundiu discernimento com um horóscopo, com sorte.

Mas relaxa, ouvinte burro, cabeça fraca, que ninguém vai julgar. Mentiu demais! Vai sim! Vai julgar sim! Mas com união, unção, autocrítica. Bora ouvir o sonho de quem virou oprimida e agora tá tentando oprimir mais alguém? Vamos lá. Sonho da oprimida Bianca Del Rio. Oi gente, estou mandando em nome de uma pagã que nunca mandava e me autorizou Olha aí, já se salvou. Estás aqui, Bianca Del Rio? Estás aqui? Eu tô vendo, tô vendo, tô olhando para quem autorizou e tô olhando para quem escreveu. Então aqui, certo.

?Voz A

Ai, que ódio, é pagã!

?Voz B

A gente não vai poder maltratar, é pagã que a gente ama, então a gente não vai falar mal. Ai, que saco! Será? Tá preparado? Que ódio, a gente ia ter criado Cláusula amigo, no apoio, que é: se for descascado, vai continuar pagando. Você vai me desculpar. Você vai me pagar.

?Voz A

Que ódio.

?Voz B

Era um domingo normal em que tava em casa encarando a pia cheia de louça naquele nível que você vai começar a negociar com o universo. Se eu ignorar, será que ela vai se resolver sozinha? Nossa, sou eu com meus trabalhos.

?Voz A

Eu faço isso também.

?Voz B

Não resolveu. Aí eu fiz o que qualquer adulta cansada faria: fui almoçar fora. Cheguei no restaurante aqui do lado. E na porta tinha um menino vendendo paçoca. Ele falou comigo, eu não entendi de primeira. Cheguei mais perto e ele, todo tímido, perguntou se eu podia comprar algo pra ele almoçar. Entramos. Eu tenho a teoria do Luciano Huck. Meninos, então o Luciano Huck, ele é uma pessoa que é doida pra encontrar uma pessoa vendendo paçoca.

Pra ele poder filmar e falar assim: "Se eu te comprar todas as paçocas, você vai pra casa?" Tem até a pessoa, tem a teoria do Luciano Huck. Rook. Inclusive ontem no Instagram eu vi acontecer exatamente isso, o menino vendendo paçoca, o rapaz falou: "Eu estou te dando R$300 para você ir para casa." E o menino foi, o menino foi. Enfim, o menino aqui, porém, amigo, o menino da paçoca, que ele cortou o caminho, ele não disse: "Quer comprar paçoca?" Ele já foi logo e disse: "Compra o almoço para mim." Que foi direto ao ponto e ainda economizou a paçoca dele.

Vamos lá, peguei o meu prato e falei para ele escolher o que quisesse. Ele montou o dele bem quietinho, Sem exagero, super educado. Na hora de sentar, eu achei que ele podia ficar sem graça comigo encarando ele comer. Então eu fiz o quê? Me reposicionei, fui para outra mesa com ar-condicionado melhor e visão estratégica, tipo fiscal de boa ação não remunerada. Nossa, toda boa ação será castigada. E eu sinto isso porque você mandou para o Paulo Freire.

Perguntei se ele queria beber alguma coisa, ele ficou tímido, então eu já cortei. Tu toma refrigerante? Pediu uma Coca-Cola ofereci pra ele e seguimos. De longe eu puxei papo. Tu não queria sentar na frente do menino, mas daí tu vai na baixa da égua da outra mesa, fica conversando com menino, é? Mas eu entendi o seu Luciano Huck inteirão.

?Voz A

É, elas são comunicativas.

?Voz B

Tem aqueles Luciano Huck que faz assim: "Tu gostou da comida? Tu gostou dessa comida que eu comprei? Tu gostou?" Isso aqui é eu tô ajudando, dou um biscoito, dou uma coisa.

?Voz A

As nossas ouvintes são comunicativas, bichinhas.

?Voz B

Puxei papo, perguntei da escola, se trabalhava sempre ali. Ele disse que só final de semana. Já me tinha aquele conselho clássico versão leve: "Continue estudando, hein? Se eu tiver aqui dia de semana, vou brigar." Olha, nossa, muito Luciana Ruca.

?Voz A

Ai, ai, a Paulo Freira.

?Voz B

Ele riu. Eu me senti quase que uma mistura de tia com coach com Ministério da Educação. Tudo lindo, tudo certo, até chegar a conta. Porque como o universo gosta de um entretenimento, o restaurante Era no quilo. E o prato do menino simplesmente custou o dobro do meu. Que fui só fugir da louça, saí financiando um almoço nível masterchef infantil sem aviso prévio. Conclusão: o menino almoçou feliz, eu fiz uma boa ação, aprendi que no Brasil até a solidariedade vem pesada no quilo.

Às vezes sai mais barato pagar uma paçoquita no Pix. Observação: esse caos foi transmitido ao vivo no grupo dos pagãos. Assine o podcast e venha rir, passar nervoso, "Beijos de luz, dessa ouvinte pagã, Bianca Del Rio." E aí, como é que a gente cobra o Paulo Freire? Eu acho bem feito.

?Voz A

Eu também acho.

?Voz B

Não fez falta de aviso. Eu contei já nesse podcast que na pandemia... Das crianças... Da picanha.

?Voz A

Sim, das crianças da picanha. Amo elas, inclusive.

?Voz B

Eu fui no Carrefour Express comprar um requeijão, um pão e ir-me embora. E tinha criança Crianças de Pix. Não tinha nem Pix na época, que era pandemia. Mas tinha crianças lá. Aí as crianças falaram na frente de todos: "Tia, compra alguma coisa pra gente". E a otária aqui falou isso. Aí todos os populares olharam pra mim. E eu pensei: "Agora que eu vou fazer a Luciana Ruca". E aí eu disse pra criança: "Escolhe o que você quiser pra comer".

E o menino me voltou com uma peça inteira de maturata free boy. E eu tive que pagar! Então isso foi dito aqui. Isso foi dito aqui.

?Voz A

Eu amo essas crianças tanto!

?Voz B

R$140 e eu fui comprar R$4 de pão e R$11 de requeijão, tá bom? Era maturata, free boy, tá bom? Então assim, levou a criança para almoçar, parabéns!

?Voz A

Enquanto eu tava no flat das putas penando para pagar R$15, teve uma pessoa que foi me pedir ajuda, ele olhou para mim e disse assim: não, porque nota "Eu tô falando pelo seu celular que a gente tá em classes diferentes, então você deveria me ajudar." Essa foi a abordagem, essa foi a abordagem. Gerou culpa.

?Voz B

Eles têm consciência.

?Voz A

Gerou culpa em mim e eu me vi obrigado. Só que eu pensando: "O quão distante estou de ti? Quantos salários eu estou de ti, né? Quantos meses sem receber salário eu estou de ti?" Mas tudo bem.

?Voz B

É como diz o camejo, são 3 meses. 3 meses de diferença.

?Voz A

3 meses tava junto com você. Mas é isso, amiga, né? Paulo Freire, dorme tranquilo. Até porque eu acho que a criança tem razão nesse caso. Paulo Freire, ele incentivava a educação infantil, né? Destruindo totalmente a imagem de Paulo Freire. Mas Paulo Freire, ele também Ela ensinava que a gente tinha que compartilhar conhecimento, né. E aí você pode compartilhar outras coisas. Acho que a comida também entra nessa seara.

?Voz B

A Lívia tá falando que era só ter falado "perdoe". Não era não. E outra, são pedintas diferentes. Porque... Eu ia falar o nome dela. A Bianca Del Rio, ela cavou! Ela não foi abordada!

?Voz A

É, ela foi procurar. Ela foi procurar.

?Voz B

Ela não foi abordada, ela foi lá, ela quis ser o Luciano Huck. Ela ia falar assim: "Se eu te der R$50..." 'Você vai para casa estudar?' Aí termina com 'hey, meta, encerrar vídeo.' Ela queria caminhar pensando 'ai, mudei uma vida hoje.' Mas é isso, né?

?Voz A

Eu acho que o Paulo Freire, ele incentiva sim a compartilhar comida. Ninguém no Brasil gostou mais de criança depois da Xuxa do que o Paulo Freire. Então eu tô— é isso, ele tá tranquilo. A culpa é totalmente das nossas paganos aí. Sim, que se safaram por ser pagãos.

?Voz B

Eu acho bem feito, acho pouco.

?Voz A

É pouco, é pouco.

?Voz B

Eu também tô num lugar de oprimida, estou repassando a opressão porque eu também fui, né, eu tive que comprar uma maturata free boy, né, da criança. Aí falaram, na época falaram assim, era só não comprar. Como que não compra? Eu disse para, eu olhei no olho da criança e disse, pega aí o que você quiser comer.

?Voz A

Gente, a indústria da criança é uma indústria muito sedutora. É muito difícil, é muito difícil. A indústria da criança, ela faz com que a gente sinta culpa a partir do momento do "tio, ô tio", aí você já fica assim, puta merda, como é que eu vou dizer não? Então eu sou um pouco contra também a indústria da criança. Não vou, ai, eu não sei se eu conto, talvez seja me expor demais, porque assim, no dia que eu tava no flat da puta, teve uma das agentes da indústria da criança, veio, veio para Aí quando eu tava assistindo o jogo dos Estados Unidos com o Paraguai, que aí o Paraguai começou a perder pros Estados Unidos, aí eu fiquei mais puto, né?

Eu fiquei mais puto, porque ainda teve isso essa semana, amigo, o Brasil empatou. Então nada deu certo. Nossa! E aí enquanto o Paraguai tomava um pau dos Estados Unidos, um dos funcionários da indústria da criança chegou: "Tio, o senhor compra pra mim?" Eu falei assim: "Ô minha filha, perdoe." E eu tava comendo um pratão, então ela viu que eu conseguia pagar. Mas eu, nesse dia eu falhei com a indústria da criança, eu peço até desculpa aqui.

?Voz B

Eu acho bem feito, acho bem feito pra mim. E eu tenho certeza que se uma criança falar assim: "Compra", eu vou ter que comprar. É. Porque eu sou de esquerda! Eu vou negar?

?Voz A

É isso, a gente não consegue negar.

?Voz B

Eu vou negar pra criança? Não se mete com criança, não! Eu fico no Twitter lá, crando. Eu vou negar comida pra criança que tá com fome?

?Voz A

Não dá, não dá.

?Voz B

A minha vontade é a criança falar: "Ti, eu tô com fome." Eu falo assim: "Eu também, querido." "Mas eu não vou, porque eu sou de esquerda e eu sou privilegiada.

?Voz A

E eu sei que se a criança quiser, eu vou dar outra maturata pra ela." A minha vontade é dizer assim: "Menino do cão!" A minha vontade é assim: "Inferno de criança maldita!

?Voz B

Vai, toma essa merda!" Aí eles vão: "Ti, compra um bife." "Ti, compra um bife." A menina de 37 anos. Wagyu?

?Voz A

É isso.

?Voz B

Você comprou wagyu?

?Voz A

É isso. Por isso que a menina... Queria só fazer esse adendo aqui. Ao novo ícone cearense, idosa de 37 anos que se passa por criança de 12. Nossa. É por isso. Essa entendeu como é que ganha a comida.

?Voz B

Não comentamos isso, amigo.

?Voz A

É isso, é isso. Eu acho que assim...

?Voz B

Eu quero mandar um beijo pra Mandinha.

?Voz A

Também.

?Voz B

A Mandinha enganou 4 catarinenses.

?Voz A

Oh!

?Voz B

4 catarinenses foram enganados por uma mulher de 37 anos. Como se... "Ai, enganou que tinha 10, enganou que tinha 27". Não, enganou que tinha 12.

?Voz A

Ai, Deus.

?Voz B

Inclusive, essa semana passada foi aniversário dela. 13 aninhos que ela fez. Essa história é incrível. E ela falou: "Tia, tia..." Eu amo essa fala dela. "Quer dizer que..." "Eu amo a senhora." "A senhora é tudo pra mim." "Jesus te ama muito, tia." Eu acho que ela é muito importante. Trabalho de base é isso.

?Voz A

Eu acho que ela é muito importante porque ela pensou em solução pra vários problemas no Brasil. A primeira é o déficit da natalidade, né? A gente tem falado muito isso que tem nascido poucas crianças. E o segundo é o déficit de moradia também. Ela queria uma casa, ela queria comida. Então ela foi muito esperta, ela provocou, ela disse: "Ah, isso ela só foi inteligente", sabe? Eu tô muito com ela, eu tô muito com ela.

?Voz B

Nossa, o Chapisca Awards, cara, 2026 tá dando uma surra nos anos anteriores. 2026 tem muitos ícones, lendas.

?Voz A

Eu tô muito entregue a ela, sim. E aí agora eu queria dizer para minha psicóloga Laila, que apoia esse podcast também, nos escuta, que agora eu entendo o que é dar voz à criança interior. Agora eu entendi o que eu tenho que fazer e eu vou fazer isso também em breve. Aí uma criança de 30 anos adotada, serei eu.

?Voz B

"Walcy, tia, posso assistir Tieta?" "Tia, bota no perdidos da noite." Ô Fausto!

?Voz A

Time, compra um derby!

?Voz B

É isso, é isso! Quero mandar um beijo, é quase o link da rua, pro fenômeno, mas esse fenômeno eu sei que vai florear. KondZilla, eu conto com você. E eu quero dedicar esse momento ao Antônio.

?Voz A

Sim, sim, sim, sim.

?Voz B

O chefe do Cais. Tudo que entra e sai desse país passa por esse homem.

?Voz A

Olá, Manuel. Tipo, na data de tomar meu mujado.

?Voz B

Monjaro dos deuses!

?Voz A

Ai, Deus do céu!

?Voz B

Um beijo para MC Katrina. Meu sonho foi ser MC. Jéssica, é com você. Desde pequena sempre foi meu sonho ser MC. Eu falava para minha família que eu queria ser igual aos MCs. Fazendo todos os publis, fazendo Duolingo, fazendo Burger King. Se eu pudesse, MC Katrina, eu te colocava. Amo que ela não tem flow, amo que é uma estética. Vocês estão achando insuportável porque é uma menina periférica.

?Voz A

Dá só uma olhada no lar.

?Voz B

Porque se fosse Salvador Dalí... Sim! Uau, quebrou paradigmas! Se fosse o Picasso, meu Deus, é um gênio, realmente nada harmoniza. E por que a menina não harmoniza com a métrica? Música, nem com um flow, ela não é um artista.

?Voz A

Não, é aquela coisa, aquela menina lá, aquela Björk lá, bate 3 panelas, é arte. Aí a menina do Brasil tá inventando um flow e não pode ser, não pode ser. Ah, pelo amor de Deus!

?Voz B

Eu também acho experimental, acho conceitual, acho indie, e vocês vão ter que aceitar, vão ter que aceitar. Eu gosto, nenhuma frase vai rimar E todos são sobre elas. Você viu a de hoje, amigo, que ela falou: "Eu não vou dar..." Hoje ela largou a mão no sentido também. Porque antes era só flow e batida, agora é: "Eu não vou dar o mar pro meu cachorro, porque senão ele vai afogar!" É um haikai, né, que chama aqueles poemas japoneses, né.

?Voz A

É meio que isso, gente. É outra experimentação, sabe. É o desflow, é o anti-flow.

?Voz B

E digo mais. Quem aqui é formado em música, se tiver algum ouvinte que seja formado em música ou é católico, sabe o que é o ofício. Já ouviram o ofício de Nossa Senhora? O ofício de Nossa Senhora, eu vou até buscar aqui no Google agora um momento. Descreva a estética musical do ofício de Nossa Senhora. Eu vou no Gemini buscar isso aqui. A estética musical do ofício de Nossa Senhora é marcada por um hibridismo entra a herança do canto gregoriano e a tradição oral devocional, tá?

Tem elementos sonoros semi-gregorianos, melodias que possuem fortes características modais herdadas do canto gregoriano. Ó, o ofício é assim: Agora lábios meus, dizei, anunciai os grandes louvores da Virgem Mãe de Deus. Seja em meu favor "Virgem soberana, livrai-me do inimigo com vosso valor. Glória seja ao Pai..." Amigo, 30 km de música assim. Por que que desde pequena sempre o meu sonho foi ser MC? Eu falar pra minha família que meu sonho sempre foi ser MC?

Eu vi os MCs na TV, eu sempre quis ser igual a eles. Ela canta exatamente na mesma toada. E pra mim, isso é gregoriano.

?Voz A

Eu concordo, eu tô fechadaço. O negócio com ela. Essa menina é barroca, né? O barroca, Gregoriângel.

?Voz B

Bom, defendemos mais uma inocente. Eu tô me sentindo bem.

?Voz A

Um beijo para MC Capricho, um beijo para todas as grandes mulheres que foram citadas nesse episódio aqui. Grandes meninas, né? Vamos pro fofolo, vamos fofolo na calçada, amiga. Eu vou começar aqui tá? Eu vou começar roubando, mas é porque eu acho que o @chefefuinha, ele já é um pouco famoso, mas ele precisa estar aqui nas atas desse podcast porque ele é a cara do fofolo. O que é o Chef Fuinha pra quem não segue ainda?

?Voz B

O que é?

?Voz A

O Chef Fuinha, ele é um sommelier e ao mesmo tempo ele é um professor de etiqueta, postura e dicas. Ele dá dicas de como você deve se comportar no parquinho.

?Voz B

É mentirinho? Não!

?Voz A

Então ele ensina como é que você deve ter a postura certa de se balançar no "balance". E vai ensinando você e criança também já que a gente tá falando tanto desse universo lindo que o universo da infância a partir do constrangimento então ele fala: Você tem que deixar de ser burro na hora de se balançar e ele te ensina a balançar, te ensina escorregar... Ele mostra como você tem que subir numa pedra— É um conteúdo riquíssimo, tá?

Eu aprendo muito com o Chef Fuinha. Eu estou muito feliz, assim, que ele já é famoso. Mas eu acho que ele merecia ter o momento dele aqui também, sabe?

?Voz B

Sim, nem todos conhecem e têm acesso, você tá certo.

?Voz A

Por favor, sigam o Chef Fuinha, admirem o Chef Fuinha. Porque o trabalho dele é um trabalho muito importante que poucas pessoas fazem no Brasil.

?Voz B

E, ó, é instagram.com/cheffe, com E. Não é chef de cozinha, não, tá? É chef-fe Fuinha.

?Voz A

E aí, o outro aqui é o @dicas_id1otas, né? Então é idiotas com o 1 no lugar do i.

?Voz B

Tá.

?Voz A

É muito legal esse experimento que esse rapaz tá fazendo. Ele grava um vídeo todo dia falando: "Olha, vou tomar uma coisa nova pra lidar com minha saúde mental." Aí ele mostra: "Ah, vou tomar aqui um óleo de cozinha, vou tomar um querosene." Meu Deus! "Vou tomar gasolina." E aí... E ele vai gravando os vídeos, né, mostrando coisas que ele tá tomando pra melhorar a saúde mental dele. É muito legal também, assim, é um conteúdo...

Acho que tem um pouco uma sobrevida, talvez não tanta quanto a do Chef Funha, mas esse aqui...

?Voz B

Eu também, é... Eu acho que vai ser igual quando a gente divulgou o Billionários Club, que resultou no Careca do INSS sendo preso e o perfil caindo.

?Voz A

É, eu acho que é isso.

?Voz B

Talvez esse aqui também vá de... Vai divorcar.

?Voz A

É, eu imagino. Mas tipo aqui, ó, ele fala, ele incentivando você a tomar o Pinho Bril para poder lidar com a saúde mental. Deixa eu abrir um aqui do nada também.

?Voz B

Gente, ele toma mesmo.

?Voz A

É, ó.

?Voz B

Ele tem quantos seguidores?

?Voz A

Ele tem 2 mil seguidores.

?Voz B

2 mil, o que me leva a pensar: Glaudemias, o seu algoritmo...

?Voz A

Olha, eu abri um aqui, amiga, que ele incentiva você a tomar acetona. Então eu gosto, eu gosto, eu acho que é um Ah, é um experimento, é divulgação científica, inclusive.

?Voz B

Lembrando que não façam isso em casa, ele faz. É, ele faz porque ele talvez não queira ficar para o setembro amarelo, talvez ele não queira ficar.

?Voz A

É isso, assim, e o que ele tá prometendo é formas de lidar com a minha saúde mental, né? Então é ele.

?Voz B

Incrível, pesou o clima. Vamos nessa, vamos lá!

?Voz A

Alegria! Vamos lá.

?Voz B

Bom, esse aqui é o Instagram de uma menina garimpeira de Cacarecos que ela chama... É uma gringa. Os dois são gringos, tá, gente? Ela chama de tesouros. Ela vai pra riachos e fica catando coisas que afundaram nas pedrinhas no meio do riacho. Ela garimpa mesmo, tá?

?Voz A

Nossa, que foda!

?Voz B

Sim. Sigam essa gringa. instagram.com/myordinarytreasure. Ou seja, meu tesouro ordinário. Inglês: My Ordinary Treasure.

?Voz A

Olha, Sophie Charlotte segue ela.

?Voz B

Ela já é famosa, né? Mas enfim, gente, ela acha pingente, ela acha anjinho, ela acha garrafa, bibelô. Não sei porque ela faz isso, deve ser rica.

?Voz A

Eu queria achar essas coisas. Olha, ela achou uns estátuas. Ou essa menina, mas aí tudo bem também, né? A gente não tá aqui pensando.

?Voz B

É vagabunda, não tem nada para fazer não.

?Voz A

Caralho!

?Voz B

Eu posso falar porque é gringa, né? Se fosse uma brasileira, eu ia ficar: "Shhh!" Com certeza ela é criativa.

?Voz A

É isso, né? A arte foi feita pela vadiagem.

?Voz B

A minha segunda indicação é uma querida... Ai, gente. É uma querida que esculpe genitálias em bonequinhos. São cavalinhos com piroquinha.

?Voz A

Olha, piroca-aranha.

?Voz B

Bundinha de glande, penissauros, o penissauros, cheira coisas, tá bom? E o Instagram dessa querida é instagram.com/makerpretty, né, pretty com dois T's e Y, maker pretty weird, né?

?Voz A

Meu Deus do céu, ela é igual o Mácio, né, o Mácio do avião que fazia ximim com a boca, é só que ela faz com esculturas, olha só.

?Voz B

Sim, não é incrível?

?Voz A

Incrível, incrível, gente. O pescoçudo, que no final do pescoço é uma piroca. Pirocossauro.

?Voz B

Incrível. Eu achei arte bonito.

?Voz A

O grilo tá me dando um pouco de azia.

?Voz B

O dinossauro com braço de peninho.

?Voz A

Caralho, esse aqui é escroto. Deixa eu mandar ver.

?Voz B

Deixa eu ver.

?Voz A

É uma bibitinha com mão. Meu Deus, meu Deus! Gente, que coisa feia!

?Voz B

Tem pentelhinhos!

?Voz A

Sim! Olha só! Como dizia o espanta, né? O espanta que a Alcione fala: "Não me diga isso!" Depois que descobre que ele morreu. É o Prikitosaurus Rex, né?

?Voz B

Sim, é o escupinto, como disse aqui o Valci.

?Voz A

É isso. Bom. Adorei, amiga. Adorei.

?Voz B

Ai, que bom que você gostou. É arte.

?Voz A

É arte.

?Voz B

E atenção, passageiros do Fofoca na Calçada, com destino ao exterior. Dessa vez, sem pagar nenhuma moedinha de passagem. É que chegou a hora, a hora da partilha dos ouvintes. E o tema de hoje é: gringo faz isso? É, a gente vai descobrir que o parente safado, o macho escroto folgado e a iminência de um barraco não são exclusividade nacional, porque eles têm passaporte e tudo. Se você já morou fora, foi visitar, fez intercâmbio ou só foi de um bagageiro de uma viagem e testemunhou uma maracutaia em solo estrangeiro, este é o seu momento de brilhar.

Mande para o contato @jutempopodcast.com que a gente recebe um hino de boas-vindas, inclusive. Mas também se você tiver partilha da vida alheia sobre qualquer outro tema. "Ai, Leila, eu só tenho sobre família." Manda, caralho!

?Voz A

É, manda!

?Voz B

"Eu só tenho sobre trabalho." Manda! "Leila, eu recebi mensagem e o imóvel do Daniel Volcaro." Pelo amor de Deus, manda no mesmo e-mail, tá bom?

?Voz A

Porque, ó, ouvinte, o absurdo e a presepada não respeitam fronteira, visto? E nem fuso horário. Hoje é dia de ouvir relato de gente que achou que ia escapar da fofoca trocando de continente e se deu mal igual. Como sempre, que os nomes verdadeiros foram substituídos por celebridades e por personagens aleatórios que nunca puseram os pés no exterior, nem nessa confusão, porque aqui ninguém é exposto, só compartilhado com amor cristão.

Então aperte o play no Google Tradutor da intercessão e vem comigo, que a internacionalização da partilha começa agora com a partilha de Merida do filme Valente. Olá, Leila! Oi, Glau! Oi, convidado, convidada! Eu consigo imaginar Jair me contando essa partilha tão cheia de bacharia, tá?

?Voz B

Ai, graças a Deus, porque acabamos de ler um horrível. E a cara incrível, falou difícil, é chato, é chato, é sem ápice.

?Voz A

Aqui quem fala é a Mérida de Filme Valente. Trouxe para vocês a tour australiana que desmascarou o senhor e a senhora cabeça de batata, ou como prefiro, como eu fui morar com dois crentes falsos na Austrália e sair com a alma limpa e uma história digna minissérie. A partilha é meia longa, mas prende o cinto que, tal qual o escritor de novela da Bougo— não, é aqui, é Rede Mundo— dividir em episódios para facilitar o entendimento e a linha do tempo.

Episódio 1: Areia, mentiras e cachaça. No coração da Austrália, até canguru se benze. No fim de 2022, eu e minha esposa Moana decidimos deixar o Brasil e tentar uma nova vida na terra dos cangurus. Pegamos coragem, Juntamos documentos, sonhos e cremes de cabelo e partimos em agosto de 2023. Só que, como toda novela começa com escolha errada, viemos acompanhados de um amigo da Moana, o tal do Reinaldo, nome fictício, mas o ranço é real, e sua esposa, Sirley, o casal Senhor e Senhora Cabeça de Batata, como passei a chamá-los carinhosamente no meu índio.

Ambos são crentes conservadores e têm um dom duvidoso de esconder veneno atrás de você. Antes de embarcar, Reinaldo fazia piadinhas sobre eu e Moana arranjarmos australianos para casar, como se o amor de duas mulheres fosse fantasia ou moeda de troca. Froxo como era e conhecedor do meu pavio mais curto do que a paciência do Xandão com fake news, o batatão não falou isso na minha cara, mas só para Moana. Me controlei. Por Moana, pela paz, pela saúde do meu fígado, afinal estávamos mudando juntos juntos para outro lado do mundo.

Chegando na terra dos cangurus, passamos uma semana numa casa compartilhada cheia de crente homofóbico. Um ambiente onde eu e Moana nos sentimos como sapatas numa cruzada evangélica. Aí eu vou dizer uma coisa para vocês: vocês vão daqui para o Brasil, vão para Austrália e ainda resolvem levar tira-cola um casal de homofóbico? A culpa também é de vocês.

?Voz B

Eu culpava eles a vez, mas também vocês podiam se livrar disso.

?Voz A

Vocês já estão saindo do estão— perdão, do Brasil. Vocês já estão saindo do Brasil e vocês estão levando os algozes de vocês? Para que isso? Não faz sentido.

?Voz B

Você é burra, Carla, desculpa.

?Voz A

Depois disso, achamos nosso próprio canto, só que por escolha, que hoje julgo um erro pedagógico, decidimos dividir por mais um tempo a nova casa com o casal Batata. Vocês ainda escolheram dividir a casa com eles? A casa era dividida em 3 áreas: com casais espalhados em seus respectivos blocos. E foi ali no lar do oscilar compartilhado que o reality show começou a pegar fogo. Episódio 2: Sinais de alerta tinha mais que semáforo na cidade grande.

O senhor Batata cuspia na pia da cozinha, raspava colher de alumínio nas panelas de teflon como se quisesse riscar nossa paciência, guardava comida direto na panela dentro da geladeira como se fosse talento.

?Voz B

Ei, eu faço isso!

?Voz A

É, e essa última parte também.

?Voz B

Eu guardo a panela na geladeira com comida!

?Voz A

"Não tem problema." E o ápice: pediu nosso carro emprestado para ir trabalhar, pois ainda estava sem carro, e chegando lá disse que o carro era dele. Vocês emprestaram o carro, né? Depois descobri isso, meses depois, em um churrasco com algumas pessoas em comum, porque vieram questionar se ele já havia chegado, pois o carro dele já estava estacionado. Um dia, em conversa sobre bagagens e cremes de cabelo com outras pessoas, Comentei casualmente que tinha deixado de trazer mais coisas minhas pra trazer uma garrafa de cachaça pra Reinaldo.

Ele ficou ofendidíssimo. Disse que eu não devia expor isso. O homem tem 40 anos, mas reage como se fosse um adolescente sendo flagrado com um Playboy no armário da igreja. Depois disso, o contato virou algo do tipo: "Bom dia, boa noite, quando muito." Episódio 3: A Bomba. Sirley conseguiu um emprego como cleaner.

?Voz B

Que diabo é cleaner? É faxineira?

?Voz A

É, por que não podia ser só faxineira? "Quem indicou?" "Uma pedagoga doce, como chá de camomila com mel, que morava com o marido, um militar pastor, e que, mesmo estando desempregada, indicou Shirley pro trampo. Depois do trial, a pedagoga ligou perguntando como tinha sido. A senhora cabeça de batata mentiu: 'Não deu certo, mas obrigada.' Desligou, se virou pra mim com a cara de vilã da novela das nove e disse: 'O emprego deu certo, mas não vou contar.

Ela vai querer que eu consiga pra ela também.'" "e ela é lerda igual ao filho dela. Amor, meu mundo parou." A pedagoga é concursada, brilhante, o filho é autista, e aquela mulher que recebeu ajuda, confiança e acolhimento devolveu com crueldade e preconceito. Eu não engoli, repreendi ali na hora, disse que ela não tinha o direito, que falar aquilo era desumano. E o relacionamento, que já não vinha lá essas coisas, ficou mais abalado.

E vocês ainda estão morando na mesma casa. Episódio 4: A tensão virou silêncio e então mijo. Certa manhã me deparei com uma trilha de urina escorrendo na parede até o chão do banheiro. Meu Deus, aquela coisa nojenta, inexplicável. Comentei no grupo do WhatsApp da casa. Círlea fingiu que não sabia.

?Voz B

Que casa grande é essa que tem grupo de WhatsApp para se comunicar?

?Voz A

Pelo amor de Deus, né? Falei que claramente havia sido um homem, pois não tem pepeca no mundo que fosse capaz daquele feito. O senhor Batata Moana se ofendeu, se doeu, se autoincriminou com uma velocidade que nem CSI faria melhor. Disse que ia embora. Eu disse: "Vai com Deus." Ele foi, ou melhor, eles foram, na surdina, de madrugada, como quem rouba. Episódio 5: Um mês depois, a virada. Continuamos nossas vidas como se nada tivesse acontecido.

Eu continuei trabalhando e Moana continuou trabalhando e indo para as aulas, um pouco triste e sem entender porque tudo tinha tomado aquela proporção. Moana estudava inglês na mesma sala que a pedagoga, que apareceu bem triste e abatida um dia. E Moana foi perguntar se estava tudo bem. Foi aí que a panqueca virou. A pedagoga se sentiu confortável em falar que estava achando a Senhora Cabeça de Batata diferente, que sentia que algo estava acontecendo.

Ela tinha certeza que a Senhora Cabeça de Batata tinha conseguido um emprego e não estava querendo contar. E ela não entendia o porquê, afinal foi ela quem a indicou. Moana então disse: Mulher, eu não queria dizer nada não, mas ela conseguiu sim um emprego de cleaner com a empresária que você indicou. Não se culpe, vá viver sua vida e comece a se preocupar em conseguir emprego para você. A pedagoga ficou arrasada, mas também libertada.

E então, como boa novela, a verdade explodiu. Como você foi sincera comigo, eu vou ser com você. Tome cuidado com eles, eles falavam mal de vocês desde a primeira semana na Austrália. Olha, chamaram vocês de de cebosas. Dizia que a Mérida escondia vagas de emprego do senhor Batata.

?Voz B

A Mérida, fala Mérida mais rápido.

?Voz A

Mérida, é, ah sim, é verdade. Falaram que a Mérida se achava por falar inglês. Depois de ficar o dia todo batendo todas as histórias e mentiras que ele contava para cada casal, eu rasguei a merda master. Eu não acredito nisso, eles falavam mal da gente pra vocês e falaram mal de vocês pra gente. Eles disseram que seu filho era lerdo. Que você era lerda igual ele. Nesse momento, vi a pedagoga furiosa e militar. O militar pastou ao descobrir, entrou em modo Exu da Rotam.

Me diz onde você tá, que eu entro pela sua boca e saio pelo seu cu, seu frouxo. A diplomacia morreu ali.

?Voz B

Lindo, lindo! É isso que eu tava esperando.

?Voz A

Para o cara da partilha passada que a gente não terminou de ler, veja só, nenhum vocabulário chega aos pés do eu entrou pela sua boca e saiu pelo seu cu.

?Voz B

Sim. Ai, que não sei o quê, Dora Vant, Dora Vant é a cabeça do meu pau.

?Voz A

É, Dora Vant é isso, Dora Vant é minha rola. Episódio 6: E então, o final feliz. Desde que os Batatas saíram da nossa vida, tudo fluiu. Encontramos pessoas de verdade, sinceras e amigas de fato. Acaso? Coincidência? Acho que um pouco das duas coisas. Não consigo ignorar que a energia ruim daquela gente estava nos puxando para baixo. Falando neles, sumiram da nossa vista, nos bloquearam e tudo, mas nossos amigos do Brasil nos atualizam das fofocas.

Até onde eu soube, tiveram uma filha, estão no limbo da vida australiana, da crentice de fachada, no visto de estudante, dependendo sabe-se lá de quê, continuam na igreja com os amigos que eles tanto falaram coisas horrendas pra gente e que com certeza falaram a eles coisas horrendas sobre nós. E o senhor Batata teve a pachorra de contar pra uma colega antiga de trabalho em comum que ele e Moana tiveram no Brasil Brasil, que até hoje não sabem porque a Moana parou de falar com ele, que foi de uma hora para outra.

Sabe aquele vilão que morre achando que é herói? É ele. Ainda bem que essa colega sabe da índole da gente e não acreditou em uma palavra que o Batatão falou. Se eu puder deixar uma edificação para nossa congregação: cuidado com quem você traz na mala quando muda de país, porque caráter, minha filha, não passa pelo controle de imigração e não tem cachorro que fareje esse tipo de "Desculpa o e-mail longo, espero que tenha valido a pena.

?Voz B

Depois mando mais fofoca, mais partilhas que rolaram aqui na terra dos cangurus." Olha, a edificação diz o que esse gringo fez de impressionante para um país como o Brasil, mas ele não é gringo. Mas vamos considerar como se fosse, né? Esse forasteiro, este alien. Olha, primeiro, vou culpabilizar a vítima. Eu acho que ele entregou a gente duplo, assim. Ele foi sendo um escroto, Foi na bagagem, sim. É isso.

?Voz A

O que ele fez de impressionante para um país, né? Vamos fingir que a casa de vocês duas é um país. Ele ensinou a vocês a deixar de ser idiota. Eu acho que é isso assim, a principal lição é que ele ensina a vocês que tudo tem limite, né? Inclusive a vontade de ajudar pessoas que são potencialmente— a Hannah tá falando aqui, ele ensinou, mas elas saberam. Aí realmente é importante, é um questionamento, né? Será que realmente é uma boa ideia vocês duas estarem hospedadas com um casal potencialmente agressivo para vocês duas?

Aí vocês pensaram, acho que sim, vamos lá, vamos fazer isso, né? Sendo que elas duas, eu entendo, né, que tem um lance da solidão, mas elas já são duas, então assim dá para vocês.

?Voz B

Não tem solidão, não tem solidão de duas pessoas segurando a barra, gente.

?Voz A

Vão fazendo amiguinhos australianos, sabe? É mais legal do que levar a Flor Delis e o Pastelado Chapéu pra morar com vocês. É bem mais legal.

?Voz B

Pois é, Suárez. É isso. Oi, gente, tudo bem? Jéssica Editora aqui. Bom, eu sou uma pessoa vintage, então eu vim dar um recado clássico que é: Se você tá comendo, cuidado. Eu pararia de comer, terminaria essa história e voltaria. Porque depois dessa semana, né, de pausa, a gente decidiu voltar com um daqueles casos bem chocolatudos. Enfim, um beijo e até a próxima. Partilha de Tina Fey. Olá, Glaudemias. Olá, Leila. Tudo bem com vocês?

Não. Se não tiver, eu lamento muito. Como consolo, posso dizer que às vezes a gente menospreza nossa condição de pais. E é ouvindo perrengue de outras pessoas menos sortudas que nos faz sentir bem melhor. Por isso, pra edificar, te conto essa história que aconteceu com uma amiga minha. Essa seria uma daquelas viagens encantadas em que, a certa altura da vida, uma pessoa já não espera. Gente, que frase foi essa, ô Yoda, Mestre Yoda?

Não sei. Essa seria uma daquelas viagens encantadas em que, a certa altura da vida, uma pessoa já não espera. Espera.

?Voz A

Ai, meu Deus.

?Voz B

Tá. Aposentada e com pouco dinheiro na reserva, Elizabeth II não tinha muito como planejar uma nova aventura. Contudo, sua estrela... Falou "contudo", eu já tô preocupada. Falou "contudo"... Contudo, sua estrela, que nunca a deixou na mão, tinha ainda uma surpresa pra lhe dar. Elizabeth II trabalhava num projeto voluntário traduzindo artigos de um guru indiano que ela publicava em português numa página no Facebook. Certa feita... Ih!

?Voz A

Ô gente, deixa eu dizer uma coisa pra vocês, vocês não são a Socorro Ascioli não. Vocês não são não. Baixem a bola.

?Voz B

Que isso? Olha, eu vim preparada pra esse episódio, porque amigo, eu tive que roteirizar isso correndo hoje na hora do almoço. As partilhas eu não pude ler, não teve ar, mas eu também não pude ler. Eu peguei no meu banco de partilhas. Se tiver ruim, eu quero avisar que eu tenho refil. Eu não vou ler, não. Eu estou cansada, são 20 horas.

?Voz A

Eu estou fragilizado, eu estou fragilizado. Eu acabei de sair de férias, sabe? A Leila passou por um perrengaço.

?Voz B

Eu sou paciente oncológica.

?Voz A

Ela é paciente oncológica.

?Voz B

Tá, vamos lá. Parem de falar negócio de contudo, todavia, acabou, acabou. Não tem isso.

?Voz A

Acabou, acabou, acabou.

?Voz B

Certa feita, uma leitora entrou em contato com ela, apresentando-se como Regina Casé. Brasileira, residente na Irlanda, e oferecendo-se pra colaborar com as traduções. Já sei que é acadêmica. É uma acadêmica. É. Pesquisadora. Elizabeth II agradeceu, mas não aceitou, pois se tratava de um trabalho voluntário que, embora autorizado, não era oficialmente reconhecido. E ela não queria— Doutora Tatiana Sampaio. E ela não queria ter outras pessoas sob a sua responsabilidade.

Mulher de caráter inquestionável, Elizabeth II é fluente em inglês. Abilidosa e extremamente cuidadosa com as palavras. É o tipo de mulher que toma um chá das 5, em xícara de porcelana fina, mesmo ao sol de 40 graus no Brasil. Nos próximos quase 5 anos, Elizabeth II e Regina Casé mantiveram contato. Conversavam pelo WhatsApp, trocavam histórias, algumas confidências, e a amizade foi se fortalecendo. Passados esses quase 5 anos, certa noite, as duas amigas conversavam por mensagens gravadas, E Regina Casé convidou sua amiga a ir para a Irlanda.

Venha, aqui eles dão 3 meses de visto na entrada de turistas. Você pode ficar aqui os 3 meses, vai amar, e poderemos conversar muito, sair juntas e fazer coisas bem legais. Eu já tô gostando, eu tô gostando, eu retiro tudo que eu desconfiei de você.

?Voz A

Até porque o português rebuscado foi se perdendo, né? É claramente, você consegue ver que a pessoa tava no site sinônimos.

?Voz B

Eu faço muito isso, ela cansou. Não sustentou o personagem.

?Voz A

É isso, vem pra cá, mulher. Para que isso? Para de fingir, minha irmã.

?Voz B

A resposta: "Ah, Regina, eu amaria, mas eu não tenho dinheiro pra estar na Irlanda. Compre uma picanha." Tô brincando. "Por todo esse tempo, o euro está altíssimo. Ah, venha ficar comigo e minha família na nossa fazenda." Elizabeth II sentiu que a sua estrela voltava a brilhar. "Mas era fina demais pra já ir fazendo as trouxas." "Não posso, querida. Seria um abuso." "Ai, pois eu já disse, então não vem. Eu não tenho esse negócio não, então não vem." "Venha", disse Regina Casé.

"Venha e fique conosco por 3 meses. Eu vou adorar. E você não precisará pagar nada. Onde comem 3, comem 4. Paga sua passagem e só traz um dinheirinho pra se quiser comprar alguma coisa especial pra você." Lá vem o tráfico de órgão. Elizabeth II sentia as rodinhas de seus pés já rolarem sob seu corpo. As palmas das mãos coçavam. Sua mente já estava na Irlanda. Mas ainda manteve sua pose e disse: "Já é tarde. Vamos combinar assim: você fala com seu marido.

Se juntos vocês decidirem que posso ir..." Nossa, que machista! "Você me avisa pela manhã. Mas se na conversa com ele você virar as coisas de modo mais claro e decidirem que não é uma boa ideia, eu compreenderei e não ficarei chateada." A Irlanda está 4 horas à frente do Brasil no relógio, de modo que ao se levantar, Elizabeth II abriu seu WhatsApp e lá estava a mensagem escrita: "Arrume as malas, pode vir." A família de Elizabeth II a conhece bem e quando do nada ela informou a todos que tava de viagem marcada para estar por 3 meses numa fazenda no oeste da Irlanda, e isso era tudo que ela sabia sobre o local para onde estava indo, não se surpreenderam. Gente, Min Sommar tá vindo aí.

?Voz A

Tô sentindo, tô vendo já as florezinhas se transformando em... Sangue, gotas de sangue.

?Voz B

Tô vendo. 4 meses depois, em fevereiro de 2023, ela tomou avião pra um lugar desconhecido, como era seu costume. O que era novo dessa vez é que ela tava indo pra ficar hospedada na casa de pessoas que não conhecia pessoalmente. Gente, ela é doida. Na manhã... Eu tô culpabilizando já a vítima. Na manhã seguinte, Regina Casé a estava esperando no aeroporto em Dublin junto com seu filho, Mario Brother, de 12 anos.

?Voz A

A criança com bigode.

?Voz B

De 12 anos, é a criança que toma Danone lá, que engana os catarinenses.

?Voz A

A criança Mario Brothers pedindo picanha para tu.

?Voz B

Tia, compra cimento para mim.

?Voz A

It's me! Ai, meu Deus do céu, minha filha, você tentou escrever tão rebuscado para me citar uma Criança, Mario Brothers.

?Voz B

Aqui você me ganhou, eu confesso. Tia, compra massa corrida.

?Voz A

Ai, meu Deus.

?Voz B

A viagem de Dublin para fazenda em Galway foi excitante. Elizabeth II olhava para tudo à sua volta como se essa fosse sua primeira viagem na vida. Regina Casé não parava de falar, fazia planos para cada dia dos próximos 3 meses. Mario Brothers entretido com seu iPad no banco banco de trás, às vezes dizia uma coisa ou outra, mas praticamente ficou quietinho durante toda a viagem de pouco mais de 3 horas. Chegaram à fazenda, que fica a cerca de 35 minutos de carro pela estrada da cidadezinha mais próxima, portanto de qualquer comércio.

A Irlanda tem uma extensão de pouco mais de 70 mil quilômetros quadrados, ou seja, um pouco menor do que o estado de Santa Catarina. Assim, Elizabeth II logo percebeu que as fazendas na Irlanda equivalem a grandes sítios no Brasil, o que Eles não desmerecem nada, aquelas fazendas, apenas nos dá uma dimensão da realidade em termos de proporções. Pois bem, a casa da fazenda onde vive Regina Casé é uma casa assombrada, típica irlandesa, feita de pedras, com idade superior a 150 anos.

Logo na entrada, Elizabeth II viu as ovelhas no pasto e se sentiu muito feliz. Eu amei essa frase. Também. Eu vi as ovelhas e eu me senti muito feliz.

?Voz A

Engraçado que é só em Dublin, né? Porque se ela vem aqui, olha Os burrigos daqui, ninguém vai ficar feliz, né? Não fica feliz de jeito nenhum.

?Voz B

Os burrigos, os burrigos.

?Voz A

Mas vai, vai lá.

?Voz B

A temperatura, as chuvas, o frio e o vento na Irlanda são assuntos pra uma história exclusivamente dedicada a eles. Era fim de inverno, tava muito gelado, mas ainda assim tudo parecia lindo, tudo parecia um sonho. Elizabeth II foi levada pro quarto onde ficaria, o quarto de Regina Casé, que se mudara provisoriamente pro quarto de Mario Brothers. Gente! Ela e John Wayne, seu marido, não compartilham o mesmo quarto. Regina Casé apresentou a casa e logo mais à tardinha John Wayne retornou do trabalho.

É um homem magro, baixo em relação a Elizabeth II, tipicamente irlandês. O que não precisaria ser dito, pois é irlandês. Tá. Homem de poucas palavras, gentil, embora reservado e faminto. E a noite chegou. E era outro dia. Na emoção, na ansiedade da viagem, O intestino de Elizabeth II não havia trabalhado nos últimos 3 ou 4 dias. Era passada a hora de acordá-lo e fazê-lo trabalhar. Meu Deus, entrou um intestino do nada.

?Voz A

É, vem bosta aí.

?Voz B

Na casa havia 2 banheiros. Vem, Mérida. Vem, Mérida. Na casa havia 2 banheiros. Um no andar de baixo, próximo à cozinha, onde se toma um banho. Nesse banheiro, a porta está emperrada devido à umidade e não fecha. O outro fica no andar superior, o andar dos dormitórios. Esse é utilizado durante a noite pela família. Como Mario Brother é uma criança com necessidades especiais, por segurança esse banheiro nunca pode ter a chave na fechadura.

E tendo selecionado esse banheiro pro seu alívio necessário e urgente, Elizabeth II buscou e encontrou a chave presa a um preguinho no batente da porta, fora do alcance do menino. Regina Casé cuidava do jantar, John Wayne assistia a TV e Mario Brother montava seu Super Mario Lego do qual tem centenas de peças, que é capaz de montar antes mesmo que Elizabeth II possa separar visualmente as cores verde, amarelo, azul, amarelo e branco. É o quê, menino? Que detalhe foi esse?

?Voz A

Entendi nada, ela divagou muito aqui.

?Voz B

É você, Elizabeth? Discretamente, como é seu estilo, Elizabeth II afastou-se da família, sentou-se no trono, que é igualmente servo de reis e súditos, e ali deu à luz uma criatura de proporções inaceitáveis para uma dama do seu quilate.

?Voz A

Meu Deus!

?Voz B

Ao apertar a descarga, a criatura diabólica resistiu e nem se moveu. Mentira! Um toletão! Mentira que uma descarga europeia não deu conta disso, né?

?Voz A

Porque o cano é bem maior, né? Um canão, pessoal, joga papel lá.

?Voz B

Amigo, o cano, a pressão leva até absorvente se pá. Caralho! Como assim? Seu toletão não passou?

?Voz A

Que toletão?

?Voz B

Gente, a tentativa aconteceu 3 vezes consecutivas.

?Voz A

Meu Deus!

?Voz B

Depois foram cheios de 3 ou 4, talvez 7 baldinhos do papel higiênico com água da pia. E tudo que— já passei por isso. E tudo que aconteceu foi o vaso se encher até a boca. Não havia ali um desentupidor.

?Voz A

Aí vira o sopão, né? O sopão da privada, o caldo da caridade da privada. É um negócio assim.

?Voz B

Eu ia falar o caldo da caridade.

?Voz A

É um negócio. É um negócio.

?Voz B

O povo no chat: "Blue, blue, blue". "Um arame, nem mesmo uma escovinha com que se pudesse chuchar aquela mérida e fazer desaparecer. Não seria possível correr ao mercadinho mais próximo e comprar um diabo verde e fingir que nada aconteceu?" Desesperada, Elizabeth II ligou pra sua filha, a Princesa Anne. "Filha, estou desesperada". Tendo contado toda a história, ela implorou à filha que a ajudasse. Como, gente? Remotamente, por telefone? "Mãe, eu não posso ajudar, eu tô no Brasil".

?Voz A

Como é que ela liga pra... "Me ajuda!" O que o filho pode fazer?

?Voz B

O Lula: "Por favor, me ajuda!" "Por favor, me ajuda!" "Princesa Anne sentiu o drama da mãe, mas sua risadinha ao lado do irmão Príncipe Charles, agora rei, foi uma facada no coração de Elizabeth II. Ela agradeceu e desligou o telefone.

?Voz A

Pensou em pular a janela, em se matar." Eu iria também, se fosse a minha mãe, eu iria rir, desculpa.

?Voz B

Eu nunca duvidei da sua escrita, você sempre pra mim foi uma grande aposta. Eu escolhi conscientemente.

?Voz A

Você é sim a socorro a cioli.

?Voz B

Eu escolhi conscientemente essa partilha, eu sabia que ia ser bom.

?Voz A

Que lindo isso, gente.

?Voz B

Apesar da minha agenda lotada, eu me dediquei a ler.

?Voz A

Sim, sim, sim, sim. Que maravilha, amiga.

?Voz B

Pensou em pular da janela, se matar? Tratar, voltar ao Brasil no mesmo dia. Isso bate em mim, amigo, porque é o que eu penso quando a merda não desce. Mas pior de tudo, contrariando sua nobreza, pensou em sair dali e fingir que a criatura demoníaca era da criança Mary Porter. Perdemos, Claudemir.

?Voz A

Tá certa! Eu tô com Elizabeth II até o fim, até o fim.

?Voz B

Eu gosto porque hoje a gente sabe que podem ter crianças de 37 anos.

?Voz A

Não!

?Voz B

E eu botaria sim a culpa. E se a criança negasse, a mãe negasse, eu diria: "Você tem certeza que essa criança tem 5 anos?

?Voz A

Você tem certeza?" Caralho, colocar a culpa na criança é um negócio... A atitude mais certa que você pode fazer numa situação dessa é chegar e dizer assim: "Mãezinha, eu acho que o Mario Brothers, ele não tá bem, ele não tá bem." Mas foi forte, trancou a porta do lado de fora, colocou a chave no bolso e foi falar com Regina Casé.

?Voz B

"Não se preocupe, deixa a porta fechada e amanhã resolvemos isso. Fala para o John Wayne que ele não pode usar aquele banheiro." "Falar com ele?" pensou. Não havia jeito. Encheu-se de uma coragem que tirou não sabe de onde, dirigiu-se ao homem que mal E lhe contou que havia entupido o banheiro da casa dele. O homem, sem mover um neurônio para ajudar a pensar em como resolver, apenas bufou. De algum modo, ela ficou feliz. Imagina se tivesse decidido ir ele mesmo enfrentar o Satanás? A noite foi terrível naquele frio beirando zero graus Celsius.

?Voz A

Vai ficar bufou, ele fez assim ou ele soltou uma bufa pra encenar?

?Voz B

Não, eu acho que é assim. A noite foi terrível naquele frio beirando zero graus Celsius. Ela ouviu os membros da família descerem as escadas, atravessarem a cozinha, passarem pela lavanderia pra ir fazer xixi no banheiro não interditado. O dia seguinte era feriado. Passaram todos dentro de casa, sob o calorzinho da lareira. E o banheiro fechado.

?Voz A

E o cheirinho do banheiro. O calorzinho da lareira e o cheirinho do banheiro.

?Voz B

No final da tarde, Regina Casé, sob apelos insistentes de Elizabeth II, foi ao celeiro e pegou um desentupidor tubulação manual flexível. Desses emaranhados de arames que você vai girando, ele vai abrindo caminhos. Eu não sabia disso não, gente. Lá vou eu no Google. Desentupidor, como é?

?Voz A

Manual flexível.

?Voz B

Meu Deus do céu! Desses emaranhados de arames que você vai girando e abrindo caminhos. Elizabeth II implorou para que ela mesma fizesse o serviço, mas Regina Casé foi categórica: relaxa, Elizabeth, deixa que eu faço. "Qual que é a dessa Regina Casem?" "Vem, mulher estranha que eu nunca vi na minha vida. Fica aqui dentro de casa." Será que era...

?Voz A

Ai, meu Deus do céu.

?Voz B

Não, isso é tráfico de órgãos, gente. Não é possível. E ela, sabendo do cocôzão, pensou assim: "Nossa, esse órgão é saudável." Não, e detalhe, ela cagou...

?Voz A

Eu acho que já tivemos 24 horas. O toletão fermentou.

?Voz B

2 dias. Regina Scatena.

?Voz A

O toletão já enxou, ele já tá todo fermentado aí.

?Voz B

Munida de luvas de plástico até os cotovelos e do longo flexível, pegou a chave do banheiro que estava até agora no bolso de Elizabeth II e juntas entraram no recinto.

?Voz A

Não deixa de ser um pouco romântico também.

?Voz B

Atenção para essa frase: "Nossa, está pior do que eu pensava", disse a amiga sem parecer perceber o nível de vergonha em que já se encontrava Elizabeth Elizabeth II. E lá se foi o flexível, vaso adentro, atravessando a água que ainda tava até a boca, destroçando aquele ser ofensivo, degradante, humilhante, que insistia em apresentar-se como filha de Elizabeth II. "Regina, isso não é tudo meu!" Já tava entupido e eu tive azar de soltar a mosquinha por cima de tudo que estava aí.

?Voz A

Agora eu entendi porque o nome do livro é Oração para Desaparecer. Você queria!

?Voz B

E é a cabeça do santo, desde a cabeça do santo.

?Voz A

Meu Deus, socorra a Cioli, tudo faz sentido! Agora eu entendi, agora eu entendi o livro. Que lindo isso!

?Voz B

Regina Casé ria. Assuma, Elizabeth II, a merda foi grande. Enquanto o flexível encontrava seu caminho para os espaços vazios por onde pudesse correr, a água sujas e aquela criatura dos infernos, a tal água respingava, imunda e fétida, na parede, no chão, na banheira e Regina Casé também. Terminado o serviço, Elizabeth II suplicou para que ela mesma pudesse lavar o banheiro. Pegaria o balde lá embaixo, desinfetante, água abundante, água sanitária e lavaria até o lustre do banheiro.

Tranquila, Regina Casé lhe entregou um pacotinho contendo cerca de 20 lencinhos de limpeza, umedecidos e informou: aqui na Irlanda não lavamos banheiro com baldes de água e sabão, usamos panos umedecidos. E saindo para tomar banho e se desinfetar no outro banheiro, deixou ali Elizabeth II, agora absolutamente reduzida a Camilla Parker Bowles.

?Voz A

É, eu não entendi o final, não peguei a referência, mas não importa. Mas não importa, não importa.

?Voz B

Eu queria agradecer porque foi uma das poucas partilhas boas nos últimos episódios.

?Voz A

Nossa, eu tô, eu tô contempladíssimo assim. A literatura brasileira, ela é linda, ela é fascinante assim, é linda demais.

?Voz B

Aqui a edificação é amigo. O que que esse gringo, que no caso é um brasileiro, fez de impressionante para um país como o Brasil, para nos representar?

?Voz A

Mostrar que é isso, o gigante acordou.

?Voz B

Gringo não faz isso, respondendo a pergunta.

?Voz A

Não faz isso, não faz isso. O Brasil, ele é o maior em tudo mesmo.

?Voz B

Sim, eu achei decolonial você entupir uma privada europeia.

?Voz A

É porque bota em xeque essa história de que não, porque as tubulações da Europa são as melhores do mundo, sabe? Tem essa xenofobia com os nossos, com o tigre, né? Com os nossos canos PVC. E aí eu fico pensando muito nisso assim.

?Voz B

Eu também, amigo, acho que é um recado que ela enviou, porque assim, amiga, eles vieram até o Brasil saquear nosso país, matar o nosso povo de fome, e o nosso povo ir alimentado, com muita fibra, entregar uma bosta que entope o vaso, as tubulações dele. É dizer assim: tentaram me tirar meu alimento, mas eu me alimentei do meu próprio orgulho. Receba na caixa dos peido.

?Voz A

É isso, é isso mesmo. Essa é a mensagem. A história vai ser reescrita com bosta, com bosta. É isso, eu tô muito emocionado assim. Real. Uma boa literatura, ela sempre vai me emocionar bastante. Parabéns! Quem foi aqui que mandou foi a Dona Tina Faye.

?Voz B

Parabéns, Tina Faye! Excelente!

?Voz A

Te amamos, Tina Faye! Partilha de Mafalda. Olá, Glau! Olá, Leila! Melhoras e forças guerreiros! Punho cerrado!

?Voz B

Obrigada!

?Voz A

Obrigado! Podem me chamar de Mafalda e hoje venho contar a partilha de uma conhecida minha e que graças a Deus não tem nada a ver comigo.

?Voz B

Tá, com certeza.

?Voz A

Começou do mesmo jeito a da Elizabeth II. Essa fofoca pode servir tanto para o Paulo Freire quanto para a partilha dos ouvintes, vocês decidam aí. É uma história grandinha, mas acho que vocês vão soltar um ventinho pelo nariz de riso ou de raiva. Essa é a história da Princesa Tiana e aconteceu entre 2007 e 2010. Princesa Tiana, bem nascida e criada em berço de ouro, filha de Carminho e Tufão, médicos emocionalmente distantes filhos de narcisistas sempre teve tudo do bom e do melhor, menos afeto e amor, e muita cobrança para ser alguém na vida.

Ela não quis seguir a carreira de medicina na faculdade e optou por seguir outra profissão de prestígio, onde também seria chamada de doutora, mesmo sem ter doutorado. Mas no fim dos anos 90, começo dos anos 2000, ter apenas uma carteirinha da OAB e defender minúsculas causas já não dava mais tanto futuro, influência e dinheiro como os pais queriam. E Princesa Tiana se viu obrigada a entrar na maior máfia de todas, a dos concursos.

Tufão e Carminha podiam bancá-la enquanto ela estudava para as provas e não trabalhava, e davam todo suporte e pressão necessários. Lá se foram 7, 8 anos de estudos, e em meados de 2007, Princesa Tiana não só passou como foi convocada e nomeada para um cargo que ganha muito dinheiro fazendo o que a gente faz de graça, julgar. Orgulhosa e feliz da vida, Princesa Tiana tomou posse do tão cobiçado emprego. Vida que segue e ganhando bem mais que a maior parte da população brasileira, Princesa Tiana se permitiu o luxo em fevereiro de 2008 de viver o Carnaval do Rio de Janeiro, mas não qualquer carnaval de rua não, Sapucaí, na área VIP com direito a camarote, gente bonita e formosa, ou pelo menos tão endinheirada quanto ela.

Lá a Princesa Tiana conheceu Mickey de domínio público e foi amor à primeira vista. Ele gringo branquelo e estranho, muito alto e "com os dentes tortos", que havia vindo ao Brasil para conhecer o carnaval e as belas morenas seminuas, encontrou exatamente este padrão de mulher na princesa Tiana. Que diga-se de passagem, além de jogadora oficial, é uma morena padrão linda. Ela, ensinada desde cedo que tudo que vem das terras do Tio Sam é bem melhor que qualquer coisa daqui, ficou encantada e se sentiu a escolhida quando esse belo ratinho a notou.

?Voz B

É o belga dela.

?Voz A

É, o belga dela. Trocaram contato, ele voltou aos Estados Unidos, Mas continuaram a conversar e conversa vai, conversa vem, engataram um namoro onde de tempos em tempos um ia para o país do outro passar uns dias lá. Depois de 6 meses de namoro a distância, muito amor e vontade de ficar juntinhos, eles noivaram e poucos meses depois se casaram. Mas antes de se tornar oficialmente a Senhora Mouse, Princesa Tiana e Mickey de domínio público precisavam acertar alguns pequenos detalhes de logística.

É muito bom esse nome, né? Porque o Mickey de domínio público o público é aquele bem gordinho, tá? Primeiro iriam morar juntos.

?Voz B

Adorei que ele tentou!

?Voz A

É um genérico, é um gringo genérico. O que tá no barquinho. É isso. Primeiro iriam morar juntos. Então, em qual dos dois países iriam viver? É claro que não pensaram duas vezes em se mudar para o melhor país do mundo, e que não era o Brasil. Mas e o emprego de princesa Tiana? Concursado, público, com ótimo salário e super disputado e que levou quase 10 anos para conseguir? Por amor, ela largou, é claro. Meu Deus. Como não estava nem há 1 ano no cargo, não tinha como apenas pedir a suspensão voluntária, pois precisava estar atuando há pelo menos 2 anos.

E ela não podia perder a chance de viver o amor da vida dela com Mickey de domínio público. Os pais ficaram um pouco contrariados, mas como ele era um rato estadunidense estadunidense, nada fizeram para impedir a filha. Pelo contrário, Carminha espalhava aos quatro ventos que a filha ia se casar com um rato estadunidense. Impedimentos para o amor resolvidos, houve casamento. Inicialmente, Mickey, de domínio público, queria que a cerimônia acontecesse lá perto da casa dele, já que iam morar lá mesmo.

Mas a princesa Tiana e Carminha bateram o pé e insistiram em fazer a cerimônia por aqui, pois queriam que a família e os amigos participassem desse momento mágico, digno pedido de Walt Disney. O Mickey, de domínio público, aceitou apenas se o casamento aqui no Brasil fosse totalmente bancado pela família da noiva. Ai, Deus! E ele gastou apenas com as passagens dele, da mãe dele, do pai dele, da irmã dele, para vir e voltar no Brasil.

Gente, é tão bom você sentir o cheiro do trambique de longe. Sim, o casamento também precisou de tradução simultânea para o inglês, pois ele nunca soube falar um A em português e nem se esforçou aprender. E mesmo havendo apenas 4 pessoas que falavam inglês em um local com 250 que falavam português, essa foi uma das exigências do Mickey de domínio público para o casamento aqui no Brasil, e pago por papai e mamãe da Princesa Tiana desempregada. Isso eu vi de perto, eu estava lá. A festa foi linda.

?Voz B

Os idosos precisam parar de financiar seus filhos, senão eu vou culpá-los também.

?Voz A

Eu já culpo. A festa foi linda, a comida foi ótima, ainda mais "Mas para mim que não paguei por nada." E Princesa Tiana e Mickey de domínio público foram para os Estados Unidos. Chegando lá, ele exigiu uma nova cerimônia de casamento, pois segundo ele— aí quem vai pagar é os pais, eu tô torcendo para isso— a que foi feita aqui não valia de nada, já que a documentação importante era que eles assinariam nos Estados Unidos e não a do Brasil.

E os amigos e familiares mais distantes dele não puderam vir para cerimônia feita aqui. Lá se foi a família da Princesa Tiana na segunda cerimônia de casamento. E segundo eles, a oficial. E pasmem, ou não, mesmo com a família da Princesa Tiana em peso na terra do tio Sam, umas 10 pessoas, não houve intérprete em português. Agora sim, casamento consumado, green card em produção, Princesa Tiana e Mickey de domínio público foram viver felizes para sempre, certo?

Errado! Mickey de domínio público, que em seu país maravilhoso era apenas um pobre mortal de classe média de subúrbio, proibia a princesa Tiana de trabalhar, a fazia ficar o dia todo em casa e exigia que as tarefas de casa sempre estivessem em dia. Casa limpa, roupa lavada e passada, comida feita e esposa latina esperando linda e disposta no fim do dia. Sim, meus caros hostes, Mickey de domínio público veio ao Brasil com Z, curtiu todos os estereótipos que são vendidos lá fora do nosso país e tirou a sorte grande de conseguir importar uma empregada latina linda e sexy em troca de um green card, um papel que uma ex-juíza vinda de família rica se prestou a fazer.

?Voz B

E ainda deu cartão SUS pra ele.

?Voz A

É, claro. O casamento durou só 1 ano, e que pra mim acho que ainda foi muito. E por insistência de Carminha, que dava um pulo nos Estados Unidos toda vez que a princesa Tiana ameaçava surtar e largar o marido, e que acabou largando mesmo, graças a Deus. Carminha insistia que ela continuasse no casamento, mesmo vendo tudo que a filha passava, porque ela queria muito que a Princesa Tiana tirasse o green card permanente, pois isso facilitaria muito a vida de Carminha quando ela precisasse ir aos Estados Unidos.

E até porque quando a Carminha ia lá acalmar a filha, fazia a Princesa Tiana de empregada dela também, sendo agora empregada da mãe e do marido. Princesa Tiana acabou voltando ao Brasil separada, sem cargo de juíza, sem green card e, pelo menos uma coisa inteligente, sem filhos. Carminha ficou decepcionada, Tufão não deu a mínima, como sempre, E Princesa Tiana foi advogar para microscópicas causas e reerguer a vida. Depois de alguns anos desta aventura, soube que Princesa Tiana se casou com o empresário brasileiro eleitor do biruliru, parou de trabalhar para virar esposa troféu e hoje tem um filho.

Uma família tradicional brasileira perfeita para agradar a Carminha e para que ela desse paz à Princesa Tiana e parasse de jogar todo o ocorrido do primeiro casamento na cara da filha. Bom, Glau e Leila, espero que tenham gostado. Soube dessa história até aqui e não sei o que pode ter ocorrido pós-pandemia, pois perdi o contato com estes queridos. Se tiverem gostado, depois envio mais partilhas. Tenho algumas da empresa também. Um beijo para cada, Mafalda.

?Voz B

Obrigada, Mafalda, eu amei.

?Voz A

Mafalda, obrigado.

?Voz B

Pra mim você me ganhou no Mickey de domínio público. Sim. Mickey de domínio público pra mim é altamente genial. Mostrou todo o potencial do seu cérebro.

?Voz A

Sim, cabeça gigantesca de quem conseguiu pensar.

?Voz B

Mas aí, amigo, o que esse gringo fez de impressionante para um país como o Brasil?

?Voz A

Eu acho que ele conseguiu diminuir a quantidade de juízes e juízas bolsonaristas. Ele, de forma muito inteligente, conseguiu retirar do judiciário essa pessoa com alto potencial autodestrutivo e destrutivo.

?Voz B

Você tem razão, ele no fim foi paladino da justiça, ele ajudou pobres.

?Voz A

Ele é, ele é de esquerda.

?Voz B

Sabrina Sato. Olá, Leila e Glaudys, espero que assim como eu vocês não estejam bem. Acertou! Podem me chamar de Sabrina Sato e trago mais uma partilha para essa maravilhosa congregação do Fofoca na Calçada. Essa partilha é sobre amor, intrigas e movimento dos sem teto. Meu Deus, ó, prometeu, prometeu! Tudo começa em 2021 quando eu, Tati Sindel do Miss Bumbum e Narcisa Tamborindeg dividimos apartamento. 30% das nossas histórias aqui nesse programa é de gente dividindo apartamento.

Por que é que vocês continuam dividindo? Eu e Tati estudamos juntas na faculdade, éramos amigas na época. Na nossa faculdade há um programa de intercâmbio em que os alunos recebem intercambistas em troca de pontos para viajar. Tínhamos vontade de receber, mas como estávamos em pandemia, não tínhamos recebido nem a primeira dose da vacina, decidimos que não era o momento apropriado. Estávamos no período híbrido e assim que entramos de férias, eu voltei para minha cidade natal.

Quando tava no aconchego do meu lar, eu recebo a mensagem do meu amigo Arnold Schwarzenegger me informando que o alemão do Big Brother Brasil estava morando no meu apartamento. O Arnold faz parte da coordenação de intercâmbio da faculdade e estava recepcionando o alemão do BBB na cidade. O alemão estava designado a passar um mês no Brasil na casa de outro menino e já tinha finalizado o seu período de intercâmbio, mas queria aproveitar mais mais o nosso país tropical.

Nesse mês que ele já tinha passado no Brasil, ele conheceu a Tati, a nossa Miss Bumbum, mostrando a receptividade do povo brasileiro, chamou ele para passar esse tempo extra conhecendo o Brasil, morando na nossa casa.

?Voz A

Ai, que povo acolhedor, né, gente?

?Voz B

Brasil, o Brasil te recebendo de pernas abertas. O problema foi que ela não comunicou a ninguém e escondeu o alemão no seu quarto durante quase 2 semanas. Ela escondeu um ser humano! Eu já vou, já sei o que eu vou falar de edificação. A Narcisa, que dividiu o apartamento com a gente, é da mesma classe trabalhadora do Glaudemir.

?Voz A

Não, mas isso explica muita coisa, explica muita coisa.

?Voz B

E como a arquitetura é o supra-sumo do capitalismo exploratório, a pobre da Narcisa passava pouco tempo em casa, mas mesmo assim tempo suficiente para perceber que a geladeira tinha mais carne que o comum e que havia cueca bocas internacionais no nosso varal. Depois de ser alertada pelo meu amigo Arnold Schwarzenegger, confrontei Tati no nosso grupo de WhatsApp sobre— mais uma residência que se comunica por WhatsApp— sobre o suposto novo inquilino.

E ela negou na maior cara de pau. Apenas no último dia de estadia do nosso gringo, ela abriu o jogo e apresentou o alemão do BBB para Narcisa, dizendo que ele tava indo embora no outro dia. Depois de uma briga que começou por essa história, Nos separamos e cada um foi para o seu lado. A Tati, ao sair, mandou um Pix de R$100 pelo incômodo— uau— causado e para cobrir a despesa extra do inquilino dela. A Tati ficou sem lar, mas ganhou um boy, pois depois do ocorrido ela e Alemão engataram namoro.

Não sabemos realmente se é um namoro, porque o Alemão voltou para o seu país e ela continuou no Brasil. Nas últimas férias, entretanto, ela foi para a Europa e reencontrou o amado. E hoje descobrimos que o Alemão retornou pra casa mais vigiada do Brasil, a da Tati, que agora está morando sozinha. Não sabemos exatamente o que tá ocorrendo, pois a Tati não tem amigos na faculdade. Com seu jeitinho, ela foi perdendo todos em menos de 2 anos de faculdade. A última que restou fui eu, mas depois desse episódio nossa amizade acabou.

?Voz A

Olha, muito bom.

?Voz B

O que esse gringo mostrou pra gente do Brasil? Eu vou pegar a Renata aqui, o que ela falou. Acolhimento.

?Voz A

Acolhimento. É isso.

?Voz B

Reverso. É isso, eu não tenho mais nada para falar, são 22:37, nós temos que dormir. Sim. Mas foi bom, foi legal.

?Voz A

Não, esse episódio foi maravilhoso, foi lindo.

?Voz B

Foi muito legal, foi bom. Era isso, Felipe, obrigada. Ele mostrou que nós também podemos traficar órgãos.

?Voz A

Esse é o Brasil que eu quero, esse é o Brasil do Lula.

?Voz B

A contracultura do tráfico de órgãos. É isso. Oeste Europeu. Por que que não pode ser nós? Por que que o albergue do Tarantino podia ter albergue RJ?

?Voz A

Tem que vir para cá. A gente também sabe cortar. Os açougues do Brasil são maravilhosos.

?Voz B

As crianças sabem disso quando pedem.

?Voz A

É isso, porra! Esse é o Brasil que eu acredito. É isso, chega de ser vítima, gente.

?Voz B

Eu desejo viver num mundo justo e igualitário onde nós possamos traficar órgãos também.

?Voz A

É isso!

?Voz B

E seres humanos, pra cá, né? Então é isso, gente. Obrigada. A gente fica por aqui. Próximo programa é outra história, outro tema. A gente se vê. Até lá. Obrigada, Pagão, pela paciência de ser todo esse tempo aqui com a gente. E um cheiro em todos vocês. Tchau, tchau!

?Voz A

Tchau, pessoal! É você mesmo, fofoqueira! Não se vença não!

?Voz B

Mirella, corre aqui!

?Voz A

Fofoqueira do inferno!

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